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O escritor Eduardo Zugaib concedeu uma entrevista ao programa Morning Show desta terça-feira (30) e trouxe o conceito da "filosofia bruta": como transformar as pancadas da vida em atitude real e uma desobediência produtiva. Chega de autoajuda açucarada; entenda como 2026 exige uma postura mais rebelde e prática diante dos desafios.


Assista ao Morning Show completo:
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Transcrição
00:00Tem aquele ditado que diz, se a vida te der um limão, faça uma limonada.
00:04Mas e se em vez de adoçar tudo, o negócio azedar?
00:09Se em vez de ficar doce essa limonada, o negócio desandar pra outro lado?
00:14A gente vai conversar aqui agora com um entrevistado especial justamente sobre isso
00:20para os planos de 2026.
00:22Quem vai conversar com a gente sobre escolhas e expectativas
00:26é o escritor Eduardo Zugaib, que chega conosco aqui no nosso Morning Show.
00:31Eduardo, bem-vindo. Um prazer te receber, viu?
00:34Bom dia, Kobayashi. Bom dia, pessoal. Todos aí que estão nos acompanhando.
00:38Grande alegria estar aqui participando com vocês e falar um pouquinho do limão da filosofia bruta.
00:43Você sabe que nesse fim de ano, Eduardo, muita gente usa as redes sociais,
00:48que é uma espécie de vitrine, pra publicar felicidade, pra publicar conquistas,
00:53pra publicar prosperidade, pra publicar viagens, pra publicar aquela propaganda da margarina, né?
01:02Mas no bastidor nem sempre é assim.
01:05E aí, às vezes, alguém tá vivendo alguma dificuldade, tá com um limão na mão, não é verdade?
01:10Começa a se comparar, fica frustrado, fica pra baixo, fica triste, enfim.
01:16O que fazer neste momento da tristeza?
01:19Como é que a gente pode ressignificar as nossas frustrações no final do ano?
01:24Quando a gente olha pra trás e fala, esse ano deu isso errado, deu aquilo errado,
01:29o que eu posso levar disso para o ano que se inicia?
01:33Bom, primeiro a gente precisa pontuar que o final do ano é algo assim, é um ritual,
01:37é um grande ritual de virada de ciclo, né?
01:40Os rituais são importantes, Kobayashi, porém, assim, só o ritual sozinho não sustenta.
01:45O evento sozinho não se sustenta, é preciso empreender, na verdade, um processo com constância, com regularidade,
01:53identificar quais são ali as atitudes que você vai colocar em prática,
01:57e quando eu falo atitude, implica também rever aquelas que não estão dando muito certo,
02:02aquelas que a gente já está percebendo que já estão se tornando um pouco assim,
02:07sem potência para a nossa vida e tudo mais.
02:09A comparação da nossa vida com a vida que os outros postam na internet é um grande perigo, tá?
02:14Isso aí aumenta a ansiedade, isso aí aumenta os problemas aí de saúde mental, sabe?
02:19De você ficar com baixa autoestima.
02:22Agora, vamos combinar, né, gente?
02:24E a todo instante sempre cai o influencer aí no seu pedestal para provar isso para a gente, né?
02:31Que a nossa história vale muito mais do que os nossos stories, tá?
02:37Aquilo que a gente vive fora da internet é que é vida real.
02:41Se a vida que está na internet sendo publicada é um espelho fidedigno daquilo que você está vivendo,
02:47olha, parabéns.
02:48Mas eu acho um pouco impossível isso porque a vida é feita dos dois momentos, né?
02:53Tanto de alegria quanto de tristeza.
02:56E eventos alegres e eventos tristes.
02:59E acima disso está a tal da felicidade que a gente tanto fica idealizando,
03:04que tanta gente subjetiva e tudo mais.
03:06Porque a felicidade compreende tanto a sua capacidade de processar, desejar, perseguir, buscar e conquistar e celebrar os seus momentos alegres,
03:18como também você absorver, receber o impacto, passar pelas fases do luto, enfim, lidar com resiliência com aqueles que são os momentos tristes, os eventos tristes.
03:29Os eventos pontuam a nossa vida, a linha da nossa história, durante todo o tempo.
03:34Basta olhar pra trás.
03:35E o quanto que a gente lida dentro dos dias que não são de eventos,
03:40fazendo com que isso se torne um processo saudável,
03:43fundamentado em pequenas atitudes,
03:45que é tanto você absorver e conseguir colocar em prática coisas boas,
03:49como também lidar com esses limões que a vida vai mandar invariavelmente.
03:54Como é que acha?
03:54Agora eu quero saber o seguinte, a receita, o Beabá aqui, pra gente ressignificar esses momentos.
04:00Qual que é o passo a passo pra gente pegar algo ruim, uma frustração,
04:04um fracasso que seja ali no nosso dia a dia, pra transformar isso em coisa boa?
04:10O seu livro fala de filosofia bruta.
04:13Tem a ver?
04:13Filosofia bruta.
04:14Tem a ver, porque ali na filosofia bruta não é uma filosofia hermética,
04:19aquela filosofia que fica apenas discutindo sobre autores de forma hermética,
04:23de forma inacessível.
04:24Não.
04:25É o quanto que a gente consegue transformar essas experiências da nossa vida,
04:28sejam elas positivas ou negativas,
04:30em sabedoria.
04:32Isso gera conhecimento que, por sua vez, precisa gerar sabedoria.
04:36E aí entra a grande sacada, Rodrigo.
04:39E o quanto que a gente consegue transformar isso em atitude.
04:42Então, a primeira coisa que a gente precisa compreender,
04:44aquilo que já aconteceu, que tá consolidado, que já é fato, não muda mais.
04:48Você não é capaz de mudar uma vírgula da sua história.
04:52Tanto das coisas boas, quanto das coisas ruins.
04:54A vida, a realidade se impôs, né?
04:56A impermanência se colocou sobre a nossa vida ali,
04:59e simplesmente a gente tem que lidar com essa realidade.
05:03Aceitar a realidade, interpretar essa realidade é o ponto crucial, tá?
05:08Aí vem a questão do limão, né?
05:10Poxa, a vida manda limão pra gente a todo instante.
05:13O óbvio é fazer a limonada.
05:16O óbvio é você simplesmente, ah, vou fazer do limão a limonada.
05:19Só que a gente já tá percebendo que na complexidade do mundo que a gente tá vivendo,
05:23só a limonada já não tá bastando, né, como é a gente?
05:26A limonada tá sendo pouco, né?
05:28E aí o pessoal vem, ah, então é pra fazer caipirinha, é pra fazer mústico de limão.
05:32Não, isso aí também já virou lugar comum.
05:34A gente precisa aprender a pegar esses limões da vida e sermos um pouco desobedientes.
05:40Ser desobediente significa reagir, tá?
05:44Reagir.
05:45Reagir é a única coisa que nos resta.
05:47Sim.
05:47É a única coisa que nos resta.
05:49Você vai agir, você vai cair, você vai tropeçar, você vai fracassar.
05:53Legal, você vai ter uma realidade colocada.
05:55Em cima dessa realidade, você aceita o limão, você finge que não tá acontecendo nada.
06:00Ou você, ah, vou fazer a limonadinha básica ali pra tentar tirar um caldinho dessa brincadeira.
06:05Ou eu vou reagir, você desobediente, pegar esse limão, cortar, espremer dentro do olho da vida.
06:11Porque é essa rebeldia de reação que a vida espera da gente.
06:15O Ivan Moré fala até da desobediência produtiva, né?
06:19Enfim, isso é muito interessante.
06:20Muito legal.
06:20Eduardo Zugaib, quero agradecer demais a sua participação conosco aqui no Morning Show.
06:24Um prazer te receber.
06:25Espero te ver em outras oportunidades também.
06:28Deixar pra você um excelente fim de ano aí.
06:30Muito obrigado, viu?
06:31Pra todos nós.
06:32Contem comigo, gente.
06:33Um feliz 2026 pra todos aí.
06:35Feliz 2026 pra todos nós.
06:37Muito obrigado pela sua participação aqui na Jovem Pan.
06:40Turma, seguindo aqui na nossa reta final de Morning Show,
06:43quantas vezes, hein, o João Belucci?
06:46Que o negócio tá azedo, azedo.
06:48E você vai lá dar uma volta por cima.
06:51É, algumas, né?
06:53Algumas.
06:53É raro, é raro, mas acontece assim.
06:56É isso mesmo.
06:56Como você falou, às vezes a gente tem uma espécie de muleta interna, né?
07:00Um diálogo interno, né?
07:02Que nos leva a tomar más decisões, né?
07:03Isso acontece muito.
07:05Como ele falou, a gente tem que acabar desobedecendo,
07:07ou mesmo desagradar de vez em quando quem a gente gosta
07:10pra tomar decisões mais assertivas, né, Coban?
07:12É isso mesmo.
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