00:00E o ano econômico chega ao fim e o mercado já ajusta o radar para 2026.
00:06As projeções do Banco Central indicam inflação de 4,05%, mais próxima da meta,
00:13crescimento de 1,8% e início do ciclo de queda dos juros, o primeiro desde maio de 2024.
00:21E para analisar o impacto deste cenário nas decisões das empresas,
00:25eu converso agora com o Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos
00:31e o nosso analista Rodrigo Loureiro também participa da nossa conversa.
00:35Gustavo, muito bom dia para você, seja bem-vindo aqui ao Real Time.
00:39Tudo bem contigo, meu amigo?
00:41Bom dia, bom dia Rodrigo, bom dia a toda a equipe, tudo ótimo e com vocês?
00:45Tudo bem também, é um prazer tê-lo aqui conosco.
00:48A gente tem um cenário, um ambiente para 2026
00:52que seria um ambiente propício para a gente ter uma economia
00:57ou estamos chegando numa economia sustentável, mais sólida.
01:02A gente vê um mercado de trabalho aquecido,
01:05acabamos de falar de uma taxa de desemprego que voltou a renovar a mínima histórica.
01:13A gente tem uma inflação, uma tendência de controle,
01:18os juros devem começar a cair o ano que vem,
01:20mas nós temos aí um tempero que pode complicar,
01:24que é a eleição, é um ano eleitoral.
01:27Aí o trade eleitoral entra nesse jogo.
01:29Como é que se equilibra ou esse tempero vai ser mais forte
01:33nesse caldeirão do que esse ambiente mais sólido da economia?
01:40Acredito que a cada quatro anos a gente vê realmente uma volatilidade
01:43acima do que a gente tem normalmente
01:46e isso demanda um pouco dos agentes econômicos
01:49oferecerem para os investidores alternativas
01:52para eles se protegerem dessa volatilidade,
01:55seja com direcionamento dentro de mercado de ações
01:58e ações que são menos sujeitas a essa volatilidade,
02:01seja com alternativas em produtos mais estruturados
02:04que eles conseguem valorizar,
02:07seja com oscilação muito alta ou oscilação muito para baixo
02:10e ficam parados se ela não tiver nenhum tipo de mudança.
02:14Então você consegue ter vantagens para o investidor,
02:18mas de qualquer forma o que a gente tem ainda é um cenário
02:21com candidatos com visões muito antagônicas
02:23sobre como conduzir a economia
02:25e isso mexe bastante com os preços de ativos,
02:29com as expectativas de inflação,
02:30não só para o ano que vem, mas para os anos seguintes,
02:32com as expectativas de juros, não só para o ano que vem,
02:34mas para os anos seguintes
02:36e isso acaba afetando bastante a economia brasileira
02:40e as expectativas.
02:41Gustavo, bom dia.
02:43Eu queria falar sobre a taxa Selic,
02:45porque a gente está com uma taxa Selic de 15%
02:48e é um tema delicado,
02:50é um tema que tem sido alvo de protestos por parte do mercado,
02:55consideram essa taxa muito alta,
02:58mas é uma taxa que foi colocada como um remédio amargo
03:01e que surtiu efeito,
03:02querendo ou não, surtiu efeito para controlar o IPCA.
03:05O IPCA deve terminar esse ano abaixo do teto da meta,
03:09o teto da meta de 4,5%,
03:11deve terminar abaixo desse teto
03:14e o Gabriel Galípolo já disse,
03:15o plano não era terminar abaixo,
03:18é aproximar o IPCA do centro da meta de 3%.
03:22Bom, para 2026 a gente deve ter uma queda na taxa de juros,
03:27deve ficar ali entre 12,5% e 12,25% para o final de 2026.
03:32Essa queda, ela pode incentivar o aumento
03:36do número de investidores internacionais
03:39e também o número de investidores locais
03:41em outros produtos além do Tesouro aqui no Brasil?
03:45Ou você considera que é uma queda ali bastante razoável,
03:49talvez nem tão perceptível assim,
03:53uma queda que já fazia parte dos planos?
03:56Eu acredito que vai fazer bastante diferença
03:58quando a gente pensar no investidor doméstico em 2026,
04:00porque o que a gente repara aqui na corretora do RB
04:03e todo mundo no mercado é que o bolso do Pessoa Física
04:06e dos fundos de pensões,
04:07eles ficaram muito concentrados na renda fixa
04:10desde o ano passado, esse ano também,
04:12mínimas históricas em fundo de pensão,
04:14o Pessoa Física ainda muito machucado
04:15com algumas quedas mais acentuadas
04:17que a gente teve nos últimos anos.
04:19Para eles, ainda vai ser extremamente atrativo,
04:22por mais que a gente vá para 12 ou menos,
04:23ainda vai ser quase 1% ao mês CDI
04:26e isso é algo que apela muito para você deixar a taxa,
04:30deixar em produtos de renda fixa.
04:33Para o investidor estrangeiro,
04:34eles fazem um cálculo baseado no que está acontecendo
04:36com a taxa de juros dos Estados Unidos, da Europa,
04:39eles calculam esse diferencial
04:40e verificam se vale a pena entrar em Brasil
04:43e outros mercados emergentes.
04:44Por mais que a gente vá ter uma queda de juros de 3 pontos
04:48ou até um pouco mais,
04:49a gente ainda vai ter pelo menos um ponto
04:51ou meio ponto de corte de juros nos Estados Unidos
04:54e a gente ainda vai ter um diferencial ainda bem atrativo
04:57para que os investidores estrangeiros
04:58continuem olhando para a renda variável brasileira,
05:01para outros investimentos que nem você perguntou,
05:04além do Tesouro.
05:05Porque o que eles tiveram foi uma oportunidade
05:07que não tinham há muito tempo de se investir em renda fixa,
05:11parece pouco para a gente,
05:12mas 4,5%, 5% foi uma oportunidade para eles
05:15pendante aos últimos 20 anos
05:17e a cada 0,25% que vai sendo reduzido por lá,
05:20a gente vê recursos saindo da renda fixa americana
05:22e indo para a renda variável americana
05:24e para a renda variável de outros mercados,
05:27mundo afora, em busca de retornos mais interessantes.
05:31Gustavo, no final agora do ano,
05:34o Congresso Nacional acabou aprovando
05:36um pacote arrecadatório de cerca de R$ 20 bilhões a mais,
05:40esse é o potencial do projeto,
05:42para o governo federal.
05:44Deu um respiro para o Palácio do Planalto
05:46fechar as contas de 2026.
05:49Por outro lado, a gente mostrou agora há pouco
05:51que o governo continua gastando mais do que arrecada.
05:55O ano que vem, um ano eleitoral,
05:57e a União deve injetar mais dinheiro na economia,
06:01sendo em projetos sociais,
06:03enfim, isso acontece com qualquer governo
06:07que estivesse disputando uma reeleição.
06:10Isso preocupa, porque a gente está vendo
06:12que está sendo feita a lição de casa,
06:14mas isso preocupa, pode atrapalhar os planos
06:17para a economia brasileira?
06:19Isso atrapalha, sim,
06:21porque você vê os preços de ativos
06:22bem sujeitos ao que acontece na ordem fiscal.
06:26A gente vê que realmente a taxa de juros
06:28teve que ir para o maior patamar em 20 anos,
06:30porque com o outro braço, na parte fiscal,
06:32você continuou estimulando a atividade.
06:35Então, diante disso, você exige uma taxa de juros maior.
06:38A demanda por um incentivo eleitoral,
06:41ela acontece.
06:42No último ciclo eleitoral,
06:44a gente viu o governo buscando a reeleição
06:46dando cerca de 0,7% do PIB
06:48em medidas visadas das eleições.
06:50No último, a reeleição da Dilma,
06:53ela deu cerca de três, quatro vezes mais
06:56do que esse valor.
06:57Então, realmente, é uma tradição bem negativa
06:59que existe e que deve ser perdurada
07:01com o próximo ciclo eleitoral.
07:04E isso acaba puxando bastante
07:05os contratos de juros a prazos mais longos.
07:10Então, como que o telespectador pode se relacionar?
07:13Se ele for fixar em um financiamento de veículos,
07:15de imóveis, eles vão estar um pouco mais caros ainda,
07:19porque por mais que a taxa de juros caia,
07:22elas vão ser negociadas nos prazos mais curtos
07:24a taxas mais baixas.
07:26Mas a prazos mais longos,
07:28elas ainda vão sentir esse efeito
07:30da fragilidade fiscal.
07:32Ou mesmo quando for comprar um eletrodoméstico,
07:34que vai pagar parcelado,
07:36essas contas ainda vão estar um pouco sujeitas
07:38a essa discussão fiscal mais solta.
07:42Então, realmente, chega no dia a dia do brasileiro
07:44e, curiosamente, chega também no dia a dia
07:47da popularidade do governo,
07:49embora eles não enxerguem esse efeito
07:51por ser indireto.
07:52Porque como ele exige uma taxa de juros mais alta,
07:55ele aperta a renda familiar,
07:58ele aumenta a inadimplência das pessoas físicas
08:00e, conversando com as matérias
08:01que vocês estavam apresentando,
08:02você até tem a menor taxa de desemprego
08:05da série histórica,
08:06que naturalmente ajudaria
08:08a ter uma popularidade maior,
08:10mas não tem,
08:11porque justamente o ciclo,
08:13a renda familiar fica mais contraída.
08:16Gustavo, falando de dólar,
08:18porque o dólar esse ano,
08:20a gente começou aqui o programa,
08:21eu e o Eric Klein falando sobre o dólar,
08:23que o dólar esse ano deve fechar
08:25com uma queda ali de 10%.
08:27É um número que, quando a gente olha
08:29esse número cru,
08:30é um resultado ótimo
08:32para valorização do real.
08:34Só que quando a gente pensa
08:35que o dólar começou o ano
08:37muito valorizado,
08:39super valorizado,
08:40por conta de todos os problemas
08:42enfrentados no fim do ano passado,
08:44de toda a incerteza gerada
08:46no fim do ano passado,
08:48essa queda de 10% é quase uma correção
08:51em torno da moeda americana.
08:53Bom, nas últimas semanas,
08:55o dólar subiu acima
08:57do que o mercado estava esperando.
08:58o Boletim Focus colocava o dólar em 5,40,
09:01a moeda americana chegou a bater 5,57 ontem,
09:04hoje está em queda, 5,53.
09:07Enfim, para 2026,
09:09te preocupa o dólar?
09:12O dólar pode escalar,
09:14se aproximar dos R$6?
09:15É claro que fazer projeções do dólar
09:17é sempre uma missão muito difícil,
09:20mas no patamar atual
09:21e as expectativas que você tem,
09:23você está mais preocupado
09:24ou você está mais otimista?
09:26Olha, mais uma vez,
09:28no ciclo eleitoral,
09:29Rodrigo, acho que de fato
09:31o que dá para esperar
09:31é uma volatilidade muito grande do dólar.
09:34Existe uma tendência
09:36de que seja o ativo
09:37o que mais vai oscilar
09:38para cima ou para baixo
09:39conforme as pesquisas eleitorais
09:41forem aparecendo.
09:43Pensando na correção,
09:44o dólar perdeu força
09:46contra praticamente
09:47todas as moedas de países emergentes
09:48e todas as moedas
09:49de países desenvolvidos também.
09:51O real acompanhou esse ciclo
09:53de enfraquecimento
09:54do outro lado da gangô
09:55e foi a moeda americana
09:56perdendo força ao longo do ano.
09:58O que a gente vê já
09:59desde 2015
10:00é que depois que a situação fiscal
10:03ficou em evidência
10:04para o investidor doméstico,
10:05estrangeiro,
10:06é que em momentos
10:07de desvalorização
10:08da moeda americana
10:09contra o resto do mundo,
10:11a moeda brasileira
10:12se valoriza menos
10:13contra eles.
10:14Em momentos de valorização
10:16da moeda americana
10:17contra as outras moedas do mundo,
10:19o real perde mais
10:21contra o dólar.
10:21Então, esse sistema fiscal
10:23ele é insistente,
10:25mas ele aparece
10:26realmente nos números
10:28quando a gente faz
10:29comparação com outros países
10:30dá para sentir
10:31a fragilidade do Brasil.
10:32Então, para o ano que vem,
10:33eu imagino que a gente
10:34tem um ponto doméstico
10:36que é o corte de juros
10:37que joga
10:38para uma desvalorização cambial,
10:40naturalmente acontece isso,
10:41mas vai depender muito
10:42do outro lado da gangorra
10:43mais uma vez,
10:44porque você tem
10:45a primeira vez agora
10:47que a economia americana
10:48vai reagir com as tarifas
10:49em 100% do tempo,
10:51a não ser que tenha
10:51alguma mudança,
10:53mas eles vão ter que
10:54de janeiro até dezembro
10:55lidar com tarifas
10:56na economia,
10:57isso pode puxar a economia
10:58para um desempenho pior
11:00e a gente tem uma tendência
11:01de cortar juros
11:02com uma inflação mais alta,
11:04que vai gerar
11:04muita polêmica
11:05nos Estados Unidos
11:06essa mudança
11:08de medida,
11:10de forma,
11:11de condição
11:11do Banco Central americano
11:12que atualmente
11:13era muito focado em dados,
11:14mas agora vai ter
11:15dois grupos
11:16com um grupo
11:16muito focado
11:17na parte política,
11:18tentando mexer
11:19na política monetária americana.
11:20Até porque
11:21o ano que vem
11:21também nos Estados Unidos
11:22tem eleição parlamentar
11:25por lá
11:25e ninguém vai querer
11:27também perder.
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