00:00Na última semana do ano, o mercado financeiro reduziu novamente a expectativa da inflação.
00:07A Júlia Fermina, que está de volta em tempo real, e nos conta agora qual é a aposta dos economistas, Júlia.
00:17Bruno, 4,32%, viu?
00:22Essa é a sétima redução já seguida no Boletim Focus.
00:27Essa divulgação foi feita hoje, então, pelo Banco Central e é a última do ano também.
00:32De acordo com os economistas, 2025 deve fechar o IPCA, o índice de inflação, oficial de inflação, em 4,32%, então, como eu havia dito.
00:43O valor que está um pouco abaixo do que foi registrado ainda na semana passada, que era de 4,33%.
00:50E aí, para o PIB, que é o produto interno bruto, a previsão é de crescimento.
00:55Crescimento esperado, que já estava, já era um número esperado, de 2,26%.
01:01Então, esse número está mantido.
01:03Em relação ao dólar, ele teve aí uma mudança, expectativa de preço ajustada para cima, subiu para 5,44 reais.
01:12E aí, em relação à taxa Selic, que é a taxa básica de juros, a previsão para 2026, então, para o ano que vem, é de queda, né?
01:21Que a taxa básica de juros, a Selic, fique em 12,25% e essa queda, na previsão da inflação, reforça aquela ideia de desaceleração mais gradual, né?
01:33Que leva um tempo das pressões inflacionárias ao longo do ano de 2026, então, do ano que vem, está quase aí batendo já a porta, né?
01:41E isso está atrelado também à expectativa do mercado financeiro, que é de cortes na taxa Selic, que atualmente está fechada em 15% ao ano.
01:51Bruno?
01:52As expectativas do mercado financeiro, a Júlia Fermino volta já já com outras informações das ruas de São Paulo, nesta segunda-feira, véspera, quase de feriado, com as movimentações.
02:03Mas, ainda, essa expectativa do mercado financeiro.
02:07A Cássio Miranda, quero ouvi-lo também, a gente chegou a comentar aqui várias vezes na Jovem Pan.
02:13Olhando no retrovisor, não muito distante, quando Roberto Campos Neto estava no Banco Central, tinham várias críticas de que a taxa Selic estava alta,
02:22de que havia uma insegurança no mercado financeiro.
02:24E, agora, o Gabriel Galípolo foi indicado, um aliado do governo federal, dizendo, ó, estamos indicando alguém da nossa confiança,
02:32alguém da confiança do Ministério da Fazenda.
02:35Mas a taxa de juros não recuou e as críticas não vieram.
02:41Onde estão os que estavam criticando a taxa de juros, o comportamento do mercado?
02:47O que, de fato, acontece quando se tem uma crítica ao inimigo, mas não se critica quem está no nosso barco?
02:55Bruno, a economia, especialmente os resultados negativos na economia, se dão por uma série de fatores.
03:04A inflação e as taxas de juros elevadas são consequência de parte desses erros.
03:12Primeiro, nós dissemos a exaustão. O mercado pede que o governo respeite o déficit, o superávit fiscal.
03:24O governo gasta mais do que arrecada. E isso passa uma mensagem muito ruim para o mercado.
03:31O mercado entende que a nossa economia não é sólida e a nossa economia pode, a qualquer momento, entrar em erupção.
03:41Nós sabemos que não é algo tão simples, mas é uma leitura que o mercado faz.
03:46Afinal, para que alguém, e aí não precisam ser grandes investidores, nós mesmos,
03:52quando a gente vai aplicar os nossos recursos, a gente quer solidez.
03:57Quando não há essa solidez, a gente coloca os recursos em outro lugar.
04:02A partir do momento que o mercado vê essa instabilidade por conta do superávit fiscal,
04:09a obtenção de recursos fica mais escassa no Brasil,
04:13consequentemente, as taxas de juros ficam mais altas.
04:18A inflação é reflexo de tudo isso, mas a inflação, nesse momento, decorre até de um dado positivo,
04:27que é o crescimento do emprego no Brasil.
04:30Como há a abertura de novas vagas de emprego, consequentemente, mais dinheiro vai sendo gasto
04:37e isso contribui para a inflação.
04:40Então, nós só teremos estabilidade como um todo quando esse tripé estiver mais ou menos no mesmo patamar.
04:49Superávit fiscal, taxas de juros diminuem e a inflação variando, mas acompanha tudo isso.
04:59No momento que nós não tivermos essa tríade, nós vamos viver algo que nós vivemos nesse momento.
05:06Recursos saindo do Brasil, a economia vai ficando mais instável e o governo vai sofrendo mais críticas.
05:15E no final do dia, nós falamos aqui de uma eleição polarizada,
05:20mas aquele eleitor de centro pendular, ele não vota com o coração, ele vota com a razão.
05:27E o que vai motivá-lo, em termos de racionalidade, é a economia.
05:33Quero ouvir a Deise Siocari também sobre essa influência e essa expectativa do mercado financeiro,
05:43porque no ano que vem há também uma expectativa da saída do ministro Fernando Haddad,
05:49ali do Ministério da Fazenda.
05:50Então, toda essa reforma na esplanada dos ministérios gera uma insegurança em cada setor
05:56que é ligado àquela área, ou seja, do Ministério do Desenvolvimento, do Turismo, enfim.
06:02E como fica no mercado financeiro?
06:05Essa expectativa do mercado com essa movimentação que deverá acontecer no ano que vem,
06:12numa eventual reforma com a saída de ministros que vão disputar as eleições.
06:15Bruno, tudo que o mercado financeiro quer é previsibilidade e estabilidade.
06:22E é tudo que o Brasil não consegue oferecer.
06:25Então, por isso que a gente tem sempre essa questão da dúvida dos investidores externos
06:28em relação ao Brasil, porque a gente só funciona a curto prazo e na reação,
06:33depois que as coisas acontecem.
06:35Essa redução que a gente viu agora do boletim Focus, ele é uma boa notícia,
06:39mas ele não é a notícia salvadora, como alguns querem pintar.
06:43Porque isso não quer dizer que o Brasil venceu a inflação, né?
06:46Os preços, eles continuam acima da meta.
06:49Quando a gente vai olhar, energia, alimentos e serviços ainda estão pesando bastante
06:55pra população de baixa renda.
06:57E isso no ano eleitoral vai ser um grande problema.
07:01Some-se a isso, como você falou, essa troca de ministros,
07:04que daí já coloca o mercado num estado de alerta.
07:08Pra além disso tudo, tem uma outra questão que a gente tem que trazer aqui,
07:11que é a manutenção da Selic em 15%.
07:15Porque em 15%, por tanto tempo como a gente tem visto,
07:20isso freia justamente os investimentos, os investimentos externos,
07:24que o Brasil precisa tanto, o consumo e o crédito.
07:28Ou seja, a gente está tentando ali controlar a inflação,
07:32mas ao mesmo tempo, com essa taxa Selic de 15%,
07:35ela está mostrando que a gente está justamente sacrificando o crescimento do país.
07:41Então, vamos ver.
07:41Obrigada.
07:41Obrigada.
07:41Obrigada.
07:41Obrigada.
Comentários