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TVTranscrição
00:00Ai, Branca, você não vai acreditar.
00:02Acho melhor você tomar um calmante.
00:03Eu lá preciso de calmante, Rose?
00:05Depois de tudo que aconteceu comigo nos últimos tempos.
00:08Ah, vamos lá, Rose.
00:09Eu sou forte.
00:11Senta.
00:12Fala logo.
00:14Bom.
00:17Ah, Zilá.
00:21Sim, senhora.
00:22Zilá, você tá bem?
00:24Eu tô ótima, minha senhora.
00:25Eu tô maravilhosa.
00:27Já botou a roupa suja pra lavar?
00:29Já, tá tudo na lavanderia.
00:31Vem pra cozinha?
00:32Já, sim, senhora.
00:33E o almoço?
00:34Quem é que tá cuidando do almoço?
00:36Eu, já tá tudo providenciado.
00:38Ótimo.
00:39Então, já que você fez tudo, sai daqui, chispa.
00:44Inventa qualquer coisa pra fazer, mas some da minha frente.
00:47Vai limpar a prata, vai.
00:50Minha filha aqui em casa, os paredes têm ouvidos.
00:54Fala, Rose, que bomba é essa que você tem pra me dar?
00:56O Olavo me disse que o Arnaldo está transferindo todo o dinheiro depositado lá fora pra uma conta só dele, em outro banco.
01:10Caralha!
01:11Então é verdade.
01:14Salafrário, ladrão.
01:16Mas o Arnaldo perdeu o juízo de vez?
01:18O que ele tá pensando?
01:20Que vai me passar pena?
01:21Ah, não, Rose, isso não vai ficar assim, não.
01:24Você acha que ele pode estar te roubando, Branca?
01:26Eu não tenho a menor dúvida.
01:28O pior de tudo não é saber que ele pode ficar com a parte do leão, não.
01:31Mas quem me garante que essa salafrária da Isabel não tá por dentro dessa operação?
01:36Mas ele não pode fazer isso.
01:37Ele também não podia dar um apartamento de 500 mil dólares pra ela, nem aquela fortuna em joias.
01:43E, no entanto, ela tá lá.
01:45Com as joias e com o apartamento.
01:46Você acha mesmo que o Arnaldo seria capaz de fazer uma coisa...
01:49Ele não, ela, a alpinista social, não está satisfeita.
01:54Ha!
01:55Ela quer mais, ela quer a minha parte, ela é voraz.
01:59Ela não quer só a minha parte, não, como a do meu filho.
02:03E o imbecil do meu marido, ela não percebeu isso?
02:06A informação que o Olavo me deu é que ele estava transferindo o dinheiro todo pra uma conta só em nome dele.
02:12Ora, Rose, apenas um disfarce, um primeiro passo.
02:16Depois ela enrola direitinho o tigrão com as suas promessas e ele acaba dando boa parte do meu patrimônio pra aquela infeliz.
02:24E o que você pretende fazer?
02:28O que se faz pra acabar com uma conspiração?
02:33Principalmente uma conspiração como essa, onde está em jogo o patrimônio de uma família.
02:40Cadeia para os conspiradores.
02:42Hum, meu Deus, eu já estou até vendo a Isabel com aquelas roupinhas listadas de presidiário.
02:47Acho que vai ficar muito bem nela.
02:49Ela atrás das grades eu já me daria por satisfeita.
02:53E ele bem, ele pode servir num regime semiaberto.
02:57Isso, vem pra casa durante o dia, visita os filhos, a noite volta pra dormir na cadeia.
03:05Assim serei poupada de muitas noites desagradáveis ao seu lado.
03:09Pensa aí, seu caraminholas, que a Rose mete na tua cabeça e você fica fazendo da minha vida um inferno.
03:16Não são caraminholas, não, senhor.
03:18Não culpe a Rose pelas informações que ela me deu.
03:21Fui eu que pedi pro Olavo que rastreasse as suas belas contas bancárias e me fizesse um relatório.
03:26Não foi trabalho de amador, não, mas foi sim de profissional.
03:29Não, peraí, peraí, peraí. Essas contas são absolutamente secretas. Elas são protegidas por um código.
03:35E eu duvido, duvido, duvido que o Olavo consiga penetrar nessas contas.
03:43De jeito nenhum. Isso aí ele tá te enrolando e vai te cobrar caro por toda essa enrolação.
03:49Você vai ver.
03:50Você pensa que todos os homens são iguais a você e Arnaldo?
03:54Olha, pra ter um Arnaldo Mota é preciso acontecer 100 anos e aí só tem um...
03:59Ah, se você pensa que você vai me fazer rica suas piadas em fome, você tá muito enganado.
04:03Tô mais afim de chorar, sabe?
04:05Então tá, então eu vou fazer o levantamento de todas as coisas que tem
04:09e vou providenciar uma divisão justa entre nós dois e os nossos três filhos. Pronto.
04:13Nossos três filhos não, senhor, hein?
04:15Entre nós dois e o meu filho Marcelo.
04:17Os outros dois não me interessam de maneira nenhuma.
04:19Por que que eu vou privilegiar o Marcelo em detrimento dos outros dois?
04:24Ah, Melina e o Leonardo estão envolvidos com uma gentinha aí
04:27que não merecem colocar a mão em um centavo sequer do meu dinheiro.
04:32Vão acabar casando os dois,
04:34ela com aquele piloto, ele com aquela lourinha suburbana.
04:39Tô sabendo que a menina vai se casar em Niterói.
04:42Quando é que ela vai casar?
04:43Eu não sei.
04:44Mas eu ouvi uma conversa dela no telefone, sem querer, lógico.
04:47Ela tava dizendo que vai se casar numa igreja lá em Niterói.
04:50Vai morar lá mesmo.
04:51Você acha que isso me deixa feliz?
04:54Que isso me deixa disposta a investir um centavo nessa menina?
04:58Quer casar em Niterói? Que case.
05:00Quer morar lá? Que more.
05:01Quem sabe ela abre um salão lá em Niterói.
05:04Ou quem sabe ela fica sócia daquela sogrinha chique.
05:07Mas não com o meu dinheiro.
05:08Não.
05:09Quer saber de uma coisa?
05:11Pra mim tá tudo bem, porque afinal de contas os três são meus filhos.
05:17Não tenho tanta certeza assim, Arnaldo.
05:21O que que há, hein?
05:22Se não são meus filhos, são filhos de quem?
05:25De quem?
05:26O que eu quero dizer
05:27é que os homens não podem assegurar que são pai deste ou daquele filho.
05:33Só nós, mulheres, é que sabemos que somos mais.
05:36Só nós.
05:36Por que essa coisa entre nós agora?
05:41Você vem com esse papo de mãe é que sabe, pai não sabe nada.
05:45O que que é isso?
05:46Por que esse assunto entre nós o tempo todo?
05:48Porque eu acho fascinante.
05:50Mas eu acredito piamente que todos os seus filhos são meus filhos, apesar de tudo que você aprontou
05:56a tua vida inteira.
05:56Ah, é uma suposição ou uma acusação frontal essa que eu aprontei?
06:02É uma suposição baseada em indícios relevantes.
06:06Isso tá parecendo uma conversa de advogado.
06:10É uma suposição não, constatação.
06:12Porque você mesmo uma vez me disse, um dia que você tava cheia de martinha, até a
06:15alma, você me disse que você teve vários casos com vários homens.
06:19Vários?
06:19Inclusive com atilho.
06:21Mas eu desdisse depois que a bebedeira acabou.
06:24E é de bom tom que um cavaleiro que se preza esqueça tudo o que uma mulher disse sobre
06:27o efeito do álcool.
06:29Lembrar-se a coisa de mal educado.
06:31Quer dizer, você...
06:32Mas também o que eu posso esperar de você a essa altura das nossas vidas, né?
06:36Quer dizer, você agora vai mudar o rumo da conversa.
06:37Eu não estou mudando o rumo da conversa, não.
06:40E quer saber, agora com o Martini, mas nem tantos, eu tive casos, sim.
06:46Muito menos do que você.
06:48Agora vamos competir em matéria de infidelidade.
06:53Impossível competir com você em qualquer coisa suja, Arnaldo.
06:57Eu tive casos.
06:58E nunca tive remorsos.
07:00Porque tudo que eu fazia contra você era no mínimo pra esquecer o que você fazia contra
07:04mim.
07:04Desculpas, mulher infiel e cícita.
07:06E com a última que você aprontou, dando a Isabel metade do nosso pão, do pão da
07:10nossa família, depois disso, se eu não tivesse um pingo de arrependimento pelos belos enfeites
07:16que eu coloquei na sua testa, ele teria desaparecido de vez.
07:19Meus erros não justificam os seus, tá?
07:22Porque eu vou te contar uma coisa.
07:24Eu sempre soube do seu mau comportamento aqui dentro.
07:27Aliás, eu não.
07:28Todo mundo sempre soube do mau comportamento que você teve a vida inteira.
07:31Inclusive, a própria Isabel veio me perguntar qual era o teu relacionamento com Atílio.
07:36Ah, é?
07:37É.
07:38Ela perguntou.
07:39E você disse o quê?
07:40Eu disse que sabia sim, que era verdade sim.
07:44Você escancarou isso aos quatro ventos.
07:46Você queria o quê?
07:46Aqui em casa, todo mundo sabe, até as paredes sabem do teu furor.
07:50Do teu furor.
07:51Tá olhando o quê?
07:52Zilá?
07:53Pode falar a palavra.
07:54Essa tonta deve confundir uterino com vitorino.
07:58Nome do segurança.
08:01Eu nunca tive furor nenhum, tá ouvindo o seu Arnaldo.
08:03O que eu tive foi um grande desamor.
08:05Uma grande carência afetiva.
08:07Porque você, como tinha pai rico, sempre me tratou com grande superioridade.
08:12E eu, Branca?
08:14Pelo amor de Deus.
08:15Eu sempre te amei, Branca.
08:17Eu casei com você absolutamente apaixonado por você, pondo em risco, inclusive, a herança
08:23do meu pai.
08:24Herança que teria acabado em menos de um ano se eu não estivesse ao seu lado.
08:28Que lado atrás de você, te empurrando pra frente?
08:32Porque você era uma mula teimosa com vocação pra perdedor.
08:36Eu sempre valorizei a tua ajuda.
08:41Sempre.
08:44Isso tem um grande charme.
08:47Alguém vitorioso reconhecer a ajuda da mulher.
08:51Chega de conversa, fiado.
08:52Eu quero a divisão por três.
08:54Eu, Marcelo e você.
08:55E que Leonardo e Milena herdem a falência da empresa e o que temos legalmente em nossos
09:00nomes.
09:01Isso aí eu não vou fazer, não.
09:03Se você não fizer, eu mergulho na pobreza.
09:06Mas eu te entrego como sonegador.
09:11Por que você não fizer, Branca?
09:14Polícia Federal, Arnaldo.
09:17Fisco.
09:18Delegacia do bairro.
09:20Vigilância sanitária.
09:21Corpo de bombeiros.
09:22Enfim.
09:23Eu te ferro de todos os lados.
09:26E aí eu denuncio a Isabel como conivente.
09:28Mas como sócia, parceira, comparsa.
09:36Cúmplice.
09:38O que você quer?
09:41A senhora vai dormir aí, mãe?
09:43Vai ficar com dor no pescoço, na coluna?
09:47Quer me deixar em paz, Leo?
09:50Vamos subir.
09:51Eu ajudo a senhora.
09:52Tô muito bem aqui, viu?
09:59Tá incômodo pra você, né?
10:01Ai, diabos.
10:02Sou eu que tô deitado.
10:03E você que sabe que você tá incômodo?
10:06Leo.
10:07Leo, por favor.
10:08Presta pra mim meu remédio.
10:10Eu estou muito apéssimo.
10:11O que que essa prima dona tá gritando, hein?
10:16Tô indo.
10:17Eu vou levar um remédio pra ela e venho te buscar.
10:22Você é o próprio bom samaritano, Leonardo.
10:24Quando você morrer, você vai direto pro céu.
10:28Sapato, guarda-chuva, tudo.
10:33Direto pro céu.
10:35Direto.
10:36Mãe?
10:50Mãe?
10:54Agora vamos lá que eu vou levar a senhora a subir.
10:57Ah, eu tenho que ir mesmo, Leonardo.
10:59Mas não pode uma pobre mulher dormir no seu sofá?
11:01Tem que ser na cama?
11:04Sozinha, abandonada, como um cachorro?
11:07Você que quis dormir sozinha, mãe.
11:08Deixou papai no outro quarto?
11:11Quando eu falo abandonada e sozinha,
11:13eu não penso no seu pai, não.
11:15Eu penso no meu amor.
11:17No amor que me falta.
11:19É de amor que eu tô precisando, Leonardo.
11:21Não de companhia pra dormir.
11:26Então me leva.
11:27Ai, Léo, me leva.
11:33Ai, tá muito bom naquele sofá.
11:36Tá satan.
11:40Ô, Zilá, onde é que se meteu todo mundo?
11:43Ah, a Milena tá tomando banho só na piscina
11:45e o Léo e o doutor Arnaldo, eles saíram cedinho.
11:48Acho que foram pro escritório.
11:50Mas eles não me disseram, não.
11:53Ah, eu dormi como uma pedra, meu Deus.
11:56Que horas são, hein?
11:56Ah, mais meio-dia.
11:58A senhora quer tomar um café ou vai esperar o almoço?
12:01Eu não quero nenhuma coisa nem outra.
12:03Providencie aí um bolo, uma torta,
12:05mais presunto, queijo, pão, croissant, brioches.
12:09A Rose e a Meg vão aparecer pra lanchar no meio da tarde.
12:13Escutou sonsinha?
12:15Sim, senhora.
12:17Não tem que ficar com a orelha em pé
12:18só quando quer ouvir o que te interessa, não, viu?
12:21Você tem que prestar atenção aqui na patroa
12:23quando ela fala e faz recomendações.
12:24Mas eu tô sempre atenta, dona Branca.
12:28Vocês, às vezes, ficam pedindo um tronco, sabe?
12:32Não acho uma má ideia botar um lá fora
12:34pra quando vocês merecerem.
12:36Ah, dona Branca, tem um recado aqui, olha.
12:38É de São Paulo, eu anotei pra senhora.
12:40Que isso, hein?
12:43Quando é que você vai aprender a escrever direito?
12:45Não tá nem pra entender a sua letra.
12:47Olha, você toma cuidado.
12:48Do jeito que eu no mercado de trabalho
12:50já tenho muita advogada, médica, engenheira
12:53vendendo cachorro quente no calçadão.
12:56Logo, logo eu arrumo uma doméstica
12:58com diploma universitário e você dança.
13:01Eu não tô entendendo nada.
13:02Lê aí pra mim, rápido.
13:03Lê aí, professora.
13:04É, ó, o senhor Clodovil, São Paulo.
13:07O Clô, meu querido amigo.
13:10Eu vou promover uma festa pra quando ele vier ao Rio.
13:12Bom, deixa o número dele aí em cima
13:14que eu vou ligar depois, vai.
13:15Sim, senhor.
13:16Você entendeu direito que eu pedi, não entendeu?
13:18Sim, senhor.
13:20Casamentos.
13:21Os homens se casam porque estão cansados
13:23e as mulheres porque são curiosas.
13:27Agora, passado um tempo,
13:28os dois se decepcionam da mesma maneira.
13:31Você é muito sábia.
13:34Mas a frase é de Oscar Wilde,
13:36escritor inglês.
13:37Sua tolinha.
13:39Certamente copiou de você.
13:42Ai, Branca.
13:44Eu sinto tanto essa crise que você tá passando com o Arnaldo.
13:47Pois não sinta, meu bem.
13:49Durou mais do que uma penitência no encerno.
13:52Eu já paguei todos os poucos pecadinhos que eu tenho
13:54com esses 30 anos sob o mesmo teto que o Arnaldo.
13:58Meu Deus, Branca, 30 anos?
14:01Ah, mas você deve ter casado muito jovem.
14:03Ah, vamos mudar de assunto, Rose.
14:05Quando começa muito número,
14:07meu cérebro bloqueia, trava, entra em pane, tá?
14:11Idade, então?
14:12E o que sou eu sem o meu cérebro borbulhando, hein?
14:16Mas mesmo com essa turbulência toda,
14:18eu acho que você tá muito bem.
14:19Ah, eu aprendi a tirar de letra, né, meu bem?
14:22Nada mais me assusta nessa vida.
14:24O tempo ensina tudo que a gente se dispõe a aprender, sabe, Rose?
14:28Eu fui somando experiências, alegrias, tristezas,
14:32ódios, amores.
14:34Eu encaro qualquer situação no salto alto sem perder a voz.
14:39Ai, minha querida, mas os homens são muito diferentes.
14:42É que os homens com o tempo apodrecem sem amadurecer,
14:46enquanto as mulheres amadurecem, mas jamais chegam à podridão.
14:51Eu vou te falar uma coisa, Branca.
14:52Todos os dias, quando eu acordo, eu digo...
14:55Ai, meu Deus, muito obrigada por ter colocado Branca Letícia no meu caminho.
15:00Eu vou te falar, eu tenho aprendido muito, muito mesmo nesses últimos meses
15:03de convivência assim mais íntima com você.
15:05Mesmo a pupila?
15:07Que honra, Rose!
15:09Só que experiência não se passa por osmose, viu?
15:11Tem que levar seus tombinhos pra aprender a levantar sozinha.
15:15Um dia eu enjoo de você, como é que você vai se ligar sem mim?
15:19Não, eu não mereço tal castigo, Branca.
15:21Sem a sua amizade, jamais.
15:23Não, não.
15:25Amizade canina, diga-se de passagem.
15:28Talvez por eu ser rica, eu esteja atravessando essa crise matrimonial, entende?
15:34Porque quem casa com o pobre tem mais sorte, sempre dura mais.
15:38Eles adoram aquela coisinha medíocre de um amor e uma cabana.
15:42A pobreza aproxima os casais.
15:44O dinheiro afasta.
15:47Mas antes, uma riquinha sozinha, infeliz, do que uma pobrinha acompanhada
15:52dividindo as despesas de uma kitnet em Niterói.
15:56Não é não, Milena?
15:58Não é não, Milena?
15:59Não.
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