Marcelo Favalli e Mariana Almeida analisaram a escalada entre Estados Unidos e Venezuela após Donald Trump convocar uma reunião de emergência. O debate explorou petróleo, Opep, presença de China e Rússia e o impacto político da possível mudança de regime no país.
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00:00Por que eu estou colocando a Venezuela na pauta para a gente voltar a falar sobre esse estado de tensão, para dizer o mínimo, entre Estados Unidos e Venezuela, que ganhou um outro contorno a partir da noite de ontem, porque os Estados Unidos, na figura do presidente Donald Trump, chamou uma reunião de emergência da cúpula nacional, cúpula americana de segurança, para falar sobre Venezuela.
00:25Ponto. Reunião a portas fechadas. Até agora, a gente não sabe os meandros, os detalhes dessa conversa.
00:33Quem teve uma noite muito mal dormida? Nicolás Maduro, que já está projetando que esta conversa, que vem depois de dois meses de uma presença forte militar dos Estados Unidos, ali nas costas da Venezuela, no Mar do Caribe,
00:49está achando, Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, que isso pode ser ali uma conversa para um próximo passo, que seria uma intervenção militar dos Estados Unidos diante da Venezuela.
01:02Nós preparamos aqui uma certa linguagem gráfica para nós entendermos uma projeção.
01:07Tá bom. Os Estados Unidos têm feito isso com a justificativa de combater o narcotráfico, cocaína, da Venezuela para os Estados Unidos.
01:18Mas exploramos isso bem ontem, no Agora, de segunda-feira, mostrando que o grande fluxo de cocaína saindo da Venezuela não é bem para os Estados Unidos, é mais para a Europa.
01:30O abastecimento de cocaína da América do Sul para a América do Norte é muito mais pelo Pacífico do que pelo Atlântico.
01:38E as armadas americanas estão no Mar do Caribe.
01:41Vamos fazer um exercício aqui de projeção, um exercício imagético.
01:48O que estaria por trás dessa suposta intervenção militar com justificativa de cocaína?
01:55Tirando, então, o tráfico de droga aí do componente, olhando o que está em camadas mais baixas.
02:01Mariana Almeida, que conhece a Venezuela de dentro para fora, inclusive, está aqui para me ajudar.
02:07Vamos olhar o que está por trás dessa tensão entre Estados Unidos e Venezuela.
02:11Olhando o passado, a gente entende o presente e talvez projetemos o futuro.
02:14Antes de Chaves, a relação Estados Unidos-Venezuela antes de 1999, ExxonMobil, Chevron, ConocoPhillips,
02:25que são grandes empresas petrolíferas americanas, trabalhando livremente americanas na Venezuela.
02:32A PDVSA, que é a estatal petrolífera da Venezuela, tinha joint ventures majoritariamente americanas.
02:39E os Estados Unidos eram o principal destino do petróleo venezuelano.
02:45Não precisa ser um grande especialista em relações internacionais, principalmente nessa relação de poder na América do Sul.
02:51Estamos falando de petróleo, Mariana Almeida.
02:53Pois é, e petróleo, digo de novo, mais cedo eu comentei aqui que o petróleo é muito estudado por economistas
02:59com o que acontece com as economias que são muito ricas em petróleo.
03:02Porque tem aquela coisa de é muito bom, mas é muito ruim.
03:04Porque acaba que a rentabilidade é tão alta que quando você vai pegar investimento e escolher,
03:10ele suga a maior parte dos investimentos da atividade econômica.
03:14E aí, o que se faz com a rentabilidade do petróleo faz diferença.
03:17E nesse cenário aqui, o que estava desenhado, e foi isso que o movimento chavista, inclusive,
03:22falou e conseguiu ter apoio popular durante um tempo, exatamente com base nisso,
03:26é que, olha, boa parte do rendimento da atividade petrolífera não está nem ficando na Venezuela.
03:31Isso está indo para os Estados Unidos, vamos mudar o modelo de exploração do petróleo aqui,
03:36tentando trazer, o que falava de novo no modelo ali, Chaves,
03:39tentando trazer a rentabilidade do petróleo para desenvolver a Venezuela.
03:42Algo que essas empresas não estavam fazendo.
03:45E aí começa o acirramento aí da conversa entre Estados Unidos e Venezuela.
03:50Isso aqui não é só uma linha de pensamento nossa.
03:54Isso aqui não são argumentos, são fatos.
03:56Porque depois de 1999, que é a ascensão do Hugo Chaves e o primeiro movimento desse modelo
04:03de administração na Venezuela, que a gente passou a chamar de chavismo,
04:07nacionalização progressiva da PDVSA, da estatal do petróleo,
04:13contratos revisados a favor do Estado venezuelano e a retirada desse poder
04:18das grandes empresas americanas e empresas americanas estão perdendo o controle operacional.
04:25E aí os Estados Unidos foram ter que bater em outras portas para compensar essas perdas.
04:31A exemplo da Arábia Saudita, trazer petróleo de outras partes.
04:36Tem um redesenho aqui de uma geopolítica, né, Maria?
04:38Muito forte, inclusive porque no início, um dos movimentos que o próprio Hugo Chaves acabou fazendo
04:43foi de fortalecer a sua influência também na OPEP, tentando fechar exatamente essas portas,
04:49sabendo que Estados Unidos vai dar a volta, vai tentar falar com outros países produtores de petróleo.
04:55E ali existiu um movimento intencional de fechar essas portas o máximo possível,
05:00fazendo acordos, inclusive, internos mais sólidos para subir o preço do petróleo.
05:04Isso foi um movimento ativo ali do chavismo.
05:08Para quê? Para ter uma rentabilidade maior para todo mundo e tentando garantir com isso
05:11um fluxo de interesse comum entre os países participantes,
05:14coisa que os Estados Unidos acabaram ficando apartados.
05:17E teve lá os seus, digamos, desdobramentos para ambas as economias.
05:21Brilhante Mariana Almeida, OPEP, Organização dos Países Exportadores do Petróleo.
05:26Segura que a gente vai voltar nela.
05:28Deixa eu pedir a próxima arte, porque a Venezuela tem uma postura importante.
05:32É uma das fundadoras da OPEP, é a maior reserva de petróleo do mundo.
05:36Está aqui, mas aparece um novo componente.
05:39A gente já volta na OPEP, porque a gente tem uma nova personagem,
05:42que é a Maria Corina Machado, líder da oposição e atual detentora da medalha Prêmio Nobel da Paz.
05:52Ou seja, ela está com o capital político lá em cima.
05:55Caso haja uma deterioração do governo Maduro, que ele deixe o poder,
06:01a gente já tem uma figura muito forte que pode vir a ascender.
06:06E está alinhada com os Estados Unidos.
06:08Qual que é o ponto comum de Maria Corina Machado e Donald Trump?
06:14Privatização parcial da PDVSA, retorno de empresas internacionais à Venezuela,
06:19alinhamento com políticas da Casa Branca na atual gestão e reformas pró-mercado.
06:25Ela está um pouco fora do cenário fisicamente da Venezuela,
06:29mas ainda é uma figura muito presente no imaginário do venezuelano mais da direita, né Mari?
06:35Sem dúvida, porque ela é uma figura que agora está ganhando essa visão, visibilidade internacional,
06:39mas ela faz parte do cenário político venezuelano desde o início dessa conversa que a gente estava trazendo aqui, Favale.
06:45Ela não foi a principal concorrente na fase de Hugo Chávez,
06:52mas inclusive ela era antes desse processo também, desenvolvendo aí para um desenvolvimento venezuelano.
06:57Depois ela se afasta dessa política e começa já a fazer as críticas dela.
07:02Está envolvida, inclusive, em movimentos que os chavistas indicam que seriam movimentos de golpe contra o chavismo.
07:08Então, ali na Venezuela, nada é simples de entender.
07:11Então, ela tem esse histórico, ela tem uma memória muito forte com os venezuelanos.
07:15E aqui, o que a gente está trazendo aqui é, na visão econômica e geopolítica,
07:22ela acaba criando essa camada de maior encontro com o Donald Trump, com os Estados Unidos,
07:27e aí dando uma volta na questão anterior.
07:30Agora, fica aqui a pergunta, e o desenvolvimento da Venezuela, e as questões humanas mesmo?
07:35Porque na prática é isso, quem está ali vivendo fica sofrendo esse vai e vem aí da conversa,
07:41e fica a pergunta, dá para aumentar a renda com organização política sólida, democrática?
07:49Isso parece que nem está no debate principal, né, Favari?
07:53Casamento perfeito aqui.
07:55Não estou fazendo nenhum proselitismo, nenhuma defesa de um lado ou do outro,
07:59só estou trazendo os fatos.
08:00A gente está falando de dinheiro.
08:02É que dinheiro e poder sempre andam de mãos atadas, né?
08:06Trump e Machado, né?
08:07A convergência de interesses políticos geoposicionados.
08:13Ambos criticam o socialismo do século XXI, os dois defendem a abertura de capital estrangeiro,
08:21e também Maria Corina Machado seria uma importante aliada da Casa Branca, de Washington,
08:27na administração republicana, para isolar Cuba e Nicarágua,
08:32tirando um pouco aí desse eixo à esquerda que ainda tem uma certa força na América Latina.
08:38Para a gente encerrar, tem mais um conjunto aqui de linhas numa próxima tela,
08:43em que aí que eu chego, né, na OPEP, o tabuleiro geopolítico.
08:48Perda dos Estados Unidos com Maduro, a atual gestão, né?
08:53O atual cenário.
08:54Acesso à maior reserva de petróleo do mundo.
08:57Os Estados Unidos, não é que não acessem, mas tiveram, perderam privilégios
09:02no acesso à maior reserva de petróleo do mundo, que é a Venezuela.
09:05Influência na OPEP.
09:07A Venezuela é membro, integrante, fundador.
09:11Presença russa e chinesa na Venezuela.
09:14Eu gosto muito dessa linha, para a gente voltar a uma teoria política
09:18das relações internacionais, Mari, não tem vácuo de poder, né?
09:21A partir do momento em que, pós-chavismo, os Estados Unidos deixam de ter uma influência,
09:28a Venezuela deixa de ser um dos quintais floridos dos Estados Unidos,
09:33Rússia e China, que o chavismo se alinha com eles por uma identificação ideológica
09:39e por Estados ricos, principalmente a China, com disposição para investir fora da China
09:44na América do Sul, passaram a ter uma presença forte na Venezuela.
09:50Mari Almeida, te passo a palavra.
09:51Que dor de cabeça para Washington.
09:54Sejam republicanos ou sejam democratas os presidentes, né?
09:57China.
09:58Pois é.
09:59Tem essa presença, e você falou bem, né?
10:01Tem a questão política e econômica.
10:03O debate econômico, ele parece mais fácil de entender o conflito de interesse que está posto.
10:08Por que é isso?
10:09É um espaço que tem um enorme potencial de ganhos internacionais, tem um papel estratégico
10:14e tem alguém ganhando com isso que não eu, digamos assim, do ponto de vista dos Estados
10:17Unidos.
10:17Então, estão entrando ali as forças.
10:19Talvez o grande componente de dificuldade do assunto, e aí, voltando para o seu anterior,
10:24para a arte anterior, é, do ponto de vista ideológico, mesmo essa conexão Rússia-China-Venezuela,
10:30ela vai sendo cada vez mais frágil.
10:31E os Estados Unidos identificam isso, porque não é um alinhamento perfeito do ponto de como
10:36já foi século XX.
10:37Tem uma intenção de trazer alguma questão de uma certa esquerda que resiste ao imperialismo
10:42norte-americano, mas tem um cheiro de antigo isso, né?
10:46Não cola mais da mesma maneira.
10:47A Venezuela vinha querendo pautar um socialismo do século XXI, inclusive questionando o que
10:53teria sido o socialismo real criado por Rússia e China, né?
10:56Que vieram mais fortes como Rússia e China.
10:59Então, a conexão ideológica que poderia amarrar um pouquinho mais as forças venezuelanas
11:04a essas duas presenças, ela acaba sendo mais frágil.
11:08Aí vai para a econômica, é uma guerra de interesses mesmo.
11:11E aí, os Estados Unidos estão fortes agora, querendo entrar mais pesado.
11:15E aí, nós vimos a frente da página.
11:18Vamos olhar para o verso, que é um exercício de projeção nosso?
11:23Ganhos com uma mudança de regime.
11:26Sai o chavismo, sai Maduro e provavelmente entraria Marina, Maria Corina Machado ou algum
11:33representante da direita, acabando com esse um quarto de século, né?
11:38Mais de 25, quase 26 anos de chavismo na Venezuela.
11:42Um ganho estratégico para Washington, né?
11:46Enfraquecer esse eixo anti-americano, China, Rússia, Nicarágua, Cuba, Venezuela, econômico.
11:55Retomar o controle sobre o petróleo.
11:58A gente está olhando para, de novo, a maior reserva de petróleo do mundo.
12:01E um dos três grandes consumidores de petróleo, Estados Unidos, China, União Europeia.
12:06Os Estados Unidos estão geograficamente próximos da Venezuela.
12:11Político, vitória ideológica de Donald Trump sobre o socialismo do século XXI.
12:18Isso não é uma bandeira, um capital político enorme para o Donald Trump, que não vai se
12:22reeleger, mas o ano que vem precisa manter a sua bancada dentro do Congresso americano.
12:27E regional, mensagem à esquerda latino-americana.
12:32Quem manda sou eu.
12:33Tem a política do Big Stick dos Estados Unidos, né?
12:36Chamada política do porrete, que é manter aqui todo mundo sobre as minhas asas com relação
12:43aos Estados Unidos.
12:45Olha o que nós estamos falando aqui.
12:46A palavra cocaína, tráfico de drogas, não apareceu em momento nenhum.
12:51Para ficar essa pergunta, esta operação militar se justificaria pelo tráfico de drogas
12:58ou tem estas camadas abaixo?
13:02E aí, para a conclusão, eu passo a palavra para a professora Mariana Almeida.
13:06Acho que aqui só, pegando exatamente essa amarração aí na prática, isso é um jeito muito
13:11Trump de fazer, né?
13:12Quer dizer, o que é que está dito na primeira linha e o que é que a gente faz se quer quando
13:17a gente vai a fundo nessa história, né?
13:20E é isso.
13:20A gente normalmente vai...
13:22Não é a narrativa inicial.
13:24Quando a gente sopra a fumaça, aparece uma realidade bastante mais complexa.
13:28Eu sou mais antigo, né?
13:30Não sei se a Mariana lembra dessas expressões.
13:33CQD, como queríamos demonstrar.
13:36Para finalizarmos, tem a última tela, que é uma conclusão.
13:40Para que deixemos tudo isso na memória, né?
13:43Aqui, ó, dívida, a relação Venezuela-China.
13:48A dívida, né?
13:49Venezuela tem uma economia em frangalhos, de plena deterioração.
13:57A moeda já mudou tanto de nome, nem lembro mais.
14:00Bolívar Fuerte, que de Fuerte só tem o nome, né?
14:04Ou Bolívar Soberano, que só tem o nome.
14:07Hoje, a Venezuela tem uma dívida com a China de 60 bilhões em empréstimos, que paga com petróleo.
14:14Aqui é uma relação de win-win, ganha-ganha, né?
14:17Eu tenho um produto que a China quer, tá bom.
14:20Pagamentos em barris com desconto.
14:23A presença russa na Venezuela.
14:27A Rosneft, que é uma petrolífera russa, tem 40% dos projetos.
14:32Na faixa do Orinoco, que é um bloco de exploração do petróleo, interesse americano.
14:38Deslocar influência chinesa-russa, fica muito claro.
14:41Retomar hegemonia na zona de influência americana.
14:46Mariana, a gente já falou de Days of Our Lives.
14:49Quer dizer, isso aqui é uma longa novela, mais perto da mexicana do que da americana.
14:55Que nome que a gente podia dar aqui, né?
14:57Puxa, aqui eu não sei.
14:58Eu só fico, na verdade, preocupada aqui no fundo, porque a vida econômica concreta
15:02na Venezuela passa muito ao largo de tudo isso aqui.
15:05E a gente acaba...
15:06São muitos factóides, seja a cocaína, seja o debate mais geral de quem é que vai coordenar
15:11no nível China, Rússia.
15:13E, na prática, tem muito venezuelano sofrendo, muito venezuelano que tem fugido, inclusive,
15:16do país.
15:17E essa é uma situação que a gente vai perdendo os mecanismos de realmente debater
15:21para dar resultado para o que importa, né?
15:23Que é a vida das pessoas que deveria estar melhor.
15:25A gente está falando aí de mais de 80% da população venezuelana que foi empurrada
15:31para a faixa da pobreza.
15:32Desses, muitos foram para a miséria.
15:35E, por conta dessa deterioração do Estado como um todo, né?
15:39Não só da economia, como a falta de garantias dos colchões sociais,
15:44a Venezuela protagonizou o maior exodo da América Latina depois da Segunda Guerra Mundial.
15:50Quer dizer, é uma tragédia anunciada e tem aí um embate de forças.
15:55Ou seja, todo mundo entendeu que os capítulos ainda são muito extensos.
15:59Professora Maria Nalmeida, muito obrigado por essa rápida lição aqui.
16:02Uma salva de palmas.
16:04Sua.
16:05Sua, professor Marcelo Favalli, aqui com as explicações internacionais.
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