Pular para o playerIr para o conteúdo principal
A assinatura do acordo Mercosul-União Europeia ficou para janeiro, mas o Brasil fechou 2025 com conquistas comerciais, alívio no tarifário dos EUA e novos mercados para o agronegócio. Eduardo Saldanha, pós-doutor em direito internacional, explicou os impactos e desafios desses acordos no Radar.

🚨Inscreva-se no canal e ative o sininho para receber todo o nosso conteúdo!

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC nas redes sociais: @otimesbrasil

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:

🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: https://timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

#CNBCNoBrasil
#JornalismoDeNegócios
#TimesBrasilCNBC

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Ficou para janeiro a assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.
00:05Mesmo assim, a diplomacia brasileira fecha 2025 com boas notícias,
00:09como o alívio no tarifácio do governo Trump e também a conquista de novos mercados de exportação para o agronegócio.
00:16A gente vai repercutir os principais acordos comerciais do período com Eduardo Saldanha,
00:21que é pós-doutor em Direito Internacional.
00:24Boa tarde, professor. Seja muito bem-vindo ao Radar.
00:27Boa tarde, Marcelo. Boa tarde a todos.
00:30Bom, primeiramente, vamos falar dessa guerra comercial aí do tarifácio.
00:34Começou muito tenso, depois a coisa foi ficando um pouco mais tranquila,
00:38mas o fato real é que a gente ainda tem produtos aí taxados com 40%, o que não é nada bom.
00:44Qual o balanço que você faz do tarifácio nesse ano?
00:49Na verdade, o tarifácio esse ano tem algumas coisas positivas e muitas coisas negativas.
00:54Primeiramente, as questões negativas, que é a impossibilidade de produtos essenciais da balança comercial brasileira
01:03entrarem nos Estados Unidos com os preços mais baixos, diminuindo o mercado brasileiro.
01:08Talvez esse seja o grande problema, também demonstrando a baixa capacidade de negociação do Brasil frente aos países mais desenvolvidos.
01:19Por outro lado, o tarifácio mostrou que o Brasil tem uma grande diversidade de parceiros comerciais,
01:28fazendo com que o Brasil conseguisse escoar toda a sua produção que uma vez ia para os Estados Unidos da América
01:36para outros países do mundo, buscando novas oportunidades, novos parceiros comerciais.
01:41Portanto, nós estamos em uma balança de soma zero, coisas positivas e coisas negativas.
01:48Como é que você vê a aproximação do presidente Trump com o Lula?
01:52O que tem por trás disso, na sua opinião?
01:55O presidente Trump utilizou a mesma estratégia com diversos países do mundo.
02:00Primeiro, taxar.
02:02Depois, chamar para a mesa de negociações.
02:04Portanto, a aproximação de Donald Trump com o presidente Lula
02:08não foi nada mais além do que aquilo que o presidente Trump sempre planejou, sempre buscou.
02:15Chamar para a mesa de negociação em posição de vantagem.
02:18Então, já era esperada essa aproximação.
02:21Não é aquela vitória contundente da diplomacia brasileira,
02:26mas sim uma vontade demonstrada pelos Estados Unidos
02:29numa estratégia de negociação comercial que os Estados Unidos mostrou com o mundo inteiro,
02:33não somente com o Brasil.
02:35Vamos falar de União Europeia agora?
02:37Esse acordo, depois de 25 anos, parece que vai sair no dia 12 de janeiro,
02:42mas esse parece de acontecer outras vezes.
02:44Ele não se concretizou.
02:46Por que agora a gente deve ter alguma esperança de que isso realmente aconteça?
02:52Vamos lá.
02:53A gente tem que entender qual é o itinerário que faz uma negociação internacional,
02:58um tratado internacional, para que ele tenha validade.
03:00Houve uma fase muito longa de negociações,
03:03o que é muito normal quando se trava da diminuição de tarifas de importação,
03:07tarifas de importação, questões sobre licenciamento de importação e exportação.
03:11Portanto, essas negociações são bastante longas.
03:14Depois disso, vem a fase de assinatura,
03:17que é na fase na qual nós nos encontramos nesse momento.
03:20Para que essa assinatura aconteça dentro da União Europeia,
03:23eu preciso de uma aceitação do Parlamento Europeu.
03:26O que não houve nesse momento, não há um consenso
03:30sobre os benefícios para a União Europeia
03:33da aprovação de um acordo entre Mercosul e União Europeia.
03:37E é por isso que nós temos esse determinado momento de assinatura do acordo travado.
03:45Mas não para por aí.
03:47A simples assinatura do acordo não quer dizer imediato o vigor desse acordo.
03:51Então nós temos um caminho muito longo a percorrer.
03:53Por quê? Porque nós precisamos das ratificações necessárias
03:58para que esse acordo entre em vigor.
04:00Ou seja, para que os produtos brasileiros tenham benefícios tarifários na União Europeia
04:05e para que os produtos europeus tenham benefícios tarifários no momento de entrar no Brasil.
04:10Portanto, o caminho ainda é longo.
04:12Porém, nós já passamos as fases mais difíceis.
04:15São as fases de negociação desses acordos bilaterais,
04:19que é o caso do acordo União Europeia e Mercosul.
04:22Falando um pouco do nosso agro aqui, né?
04:24A União Europeia está colocando uma série de proteções aí para os agricultores de lá.
04:29Mesmo assim, é um acordo vantajoso para o nosso agro?
04:32Na verdade, o acordo é muito vantajoso para a União Europeia se houvesse uma negociação justa quanto ao agro.
04:41O agro brasileiro é o que mais perde nos acordos com a União Europeia,
04:46caso essas barreiras que eles querem impor sejam mantidas.
04:50Porque é uma grande preocupação da Europa quanto à sua produção agrícola.
04:55A França, por exemplo, é um dos países que mais protegem a sua agricultura.
05:01É um dos países que mais protege a sua produção local.
05:05E isso gera um entrave nas negociações desses acordos que visam liberalizar os produtos.
05:12Ou seja, diminuir tarifas.
05:14Diminuindo tarifas dos produtos agrícolas brasileiros.
05:17Quer dizer, uma enxurrada de produtos brasileiros baratos na Europa.
05:23E uma grande possibilidade de uma crise no setor europeu.
05:26É exatamente por este motivo que os europeus são muito, mas muito cuidadosos nas negociações.
05:33Principalmente no setor agrícola.
05:35A abertura do mercado europeu para o Brasil é muito boa.
05:39Vês que somos muito competitivos do mercado agrícola.
05:43Vamos falar agora de Venezuela, porque os Estados Unidos estão agindo da forma mais agressiva que já agiram contra o país.
05:50Por outro lado, o ditador Nicolás Maduro sentou na cadeira e não sai de jeito nenhum.
05:55Mesmo tendo perdido uma eleição de lavada.
05:58E o Brasil, que não reconheceu a eleição dele, ainda tenta se equilibrar.
06:01Ainda tenta ter algum papel de interlocutor, de mediador nessa negociação.
06:06Mas você acha que o Brasil ainda consegue fazer isso?
06:08Na verdade, as intenções e a política externa brasileira, ela está muito clara para países como os Estados Unidos.
06:19O Brasil nunca se posicionou de maneira direta a favor do governo de Maduro.
06:23Mas ele dá os seus indícios com aquela política diplomática sul-sul.
06:28Onde nós devemos apoiar os regimes que estão próximos de nós.
06:32A grande e velha política sul-sul.
06:35O que acaba trazendo essas dificuldades com o norte, que seriam os Estados Unidos.
06:40Portanto, aqui no Brasil, embora a posição oficial não tenha sido declarada aos sete ventos,
06:48ela é bastante óbvia.
06:49Bastante óbvia também para os Estados Unidos.
06:52O que acaba por prejudicar e minar a posição brasileira como interlocutor de um possível acordo
06:58entre Estados Unidos e Venezuela.
07:00Acordo este que está longe, mas muito longe de acontecer, Marcelo.
07:04Agora, vamos combinar que essa preocupação do Brasil de não querer um conflito aqui perto da gente,
07:09ela é uma preocupação bastante razoável.
07:11Porque se os Estados Unidos invadirem, por exemplo, a Venezuela, isso abre um precedente perigoso.
07:16Porque a gente sabe que os americanos sempre viram a América do Sul como quintal.
07:20E fica aquele medo de que no futuro, por qualquer outro motivo, isso aconteça também com outro país.
07:25Na verdade, esse é um risco para o mundo inteiro, principalmente para os países que estão próximos à Venezuela.
07:32Nós estamos falando aqui de violação da soberania de um Estado.
07:35Estados são soberanos.
07:37Esses Estados têm a capacidade de se autodeterminar.
07:41A intervenção externa é algo que deve ser motivado por causas muito, mas muito graves.
Seja a primeira pessoa a comentar
Adicionar seu comentário

Recomendado