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Em entrevista exclusiva sobre a instalação da CPI do Crime Organizado no Senado, o relator Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou que as "facções de maior porte cada vez mais invadem o mercado legal".

Segundo o senador, é crucial que a CPI entenda essa "dinâmica" de lavagem de dinheiro e atuação empresarial dos criminosos para que o combate seja eficaz.

Assista à íntegra: https://youtube.com/live/WDRPXFydgs0

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Transcrição
00:00CPI do crime organizado.
00:01O nosso entrevistado agora é o senador Alessandro Vieira, do MDB de Sergipe,
00:05que foi escolhido nesta terça como relator da comissão.
00:08Tudo bem, senador?
00:09Sempre bom receber o senhor aqui na Jovem Pamba.
00:11Muito bem-vindo, boa noite.
00:13Boa noite, é um prazer estar com vocês.
00:15Senador, eu vi agora há pouco, inclusive, uma declaração do senhor
00:18destacando que o objetivo, pelo menos essa é a convicção do senhor,
00:24que é preciso investigar o crime organizado
00:27que se instalou em áreas legais, vamos dizer assim.
00:31Queria que o senhor explicasse qual que é a diferença do crime organizado
00:34que a gente está conhecendo cada vez mais, se ramificando em áreas da sociedade.
00:41De que forma é possível fazer essa investigação, senador?
00:46A gente vai fazer um processo cuidadoso de escuta
00:50dos profissionais que já atuam no combate ao crime organizado no Brasil.
00:54E quem atua no combate ao crime organizado já tem ciência
00:57de que as facções de maior porte cada vez mais migram,
01:02invadem o mercado legal, a economia legal.
01:05O setor de combustíveis, setor de cigarro,
01:09a parte de turismo e eventos,
01:11isso tudo vem sendo cada vez mais pressionado e ocupado
01:15pelo crime organizado, que deseja fazer lavagem de dinheiro
01:18e deseja também explorar essas atividades não cumprindo os requisitos legais
01:23e aumentando sua margem de lucro.
01:25É importante entender esse tipo de dinâmica.
01:27Acho que na medida em que a gente vai ouvir mais de 10,
01:3012 pelo menos, estados, seus governadores, secretários de segurança,
01:34profissionais da segurança pública, que efetivamente estão no combate,
01:37setor de inteligência, setor de planejamento,
01:39a gente vai ter capacidade de fazer um diagnóstico completo
01:41e com o diagnóstico apresentar soluções que comprovadamente funcionam.
01:47A gente sabe em segurança pública o que funciona, o que não funciona.
01:50É importante nivelar esse conhecimento com a sociedade e com os parlamentares
01:55para que a gente possa colocar o Brasil no rumo certo.
01:58Senador, essa CPI vem a reboque dessa operação no Rio de Janeiro
02:01e eu pergunto para o senhor o seguinte,
02:04nesse momento, claro que falar sobre segurança pública é fundamental e importante
02:07porque o brasileiro vive uma sensação de segurança
02:10e a gente sempre usa essa expressão aqui na Jovem Pan,
02:13é muito como enxugar gelo, porque a gente não vê uma evolução,
02:16só há uma evolução do crime organizado que a cada vez mais avança
02:20e deixa o poder público sem qualquer ação, sem qualquer espaço,
02:26perdendo, na verdade, espaço para o crime organizado.
02:30Essa CPI, lá na frente, o senhor como relator,
02:33o que é possível propor para que o Brasil tente começar
02:38a virar essa página efetivamente, senador?
02:40O nosso objetivo é criar cada vez mais consensos técnicos sobre segurança,
02:46aquilo que consensualmente, governo, oposição, esquerda, direita,
02:50entendem que funciona, dentro dos limites da nossa Constituição,
02:54porque não adianta fazer populismo defendendo propostas
02:57que não têm adaptação para o nosso regime constitucional.
03:02Nós temos uma série de garantias na Constituição,
03:04que são cláusulas pétreas, e a gente vai trabalhar dentro desses limites.
03:06Então, se ao final do processo ele construir esses consensos,
03:10e eu tenho convicção de que isso vai acontecer,
03:12fica muito mais fácil você apresentar um planejamento global
03:15que envolva das Forças Armadas as Forças de Segurança,
03:19que tenha um processo de liderança conjunta entre Estados e Governo Federal,
03:24e que seja suficientemente financiado,
03:27porque atividade de segurança, atividade de defesa,
03:29são atividades caras, elas custam muito dinheiro.
03:31Mas tem que ser uma escolha da sociedade,
03:33a sociedade tem que saber que ou ela faz um grande investimento
03:36em inteligência policial, em patrulhamento das nossas fronteiras,
03:40onde vai ficar eternamente, para usar a expressão que você usou,
03:43enxugando gelo, fazendo enfrentamento do crime dentro da comunidade
03:47com altíssimo risco de letalidade,
03:50e com baixa efetividade, com baixo impacto
03:52na mudança da trajetória do crime.
03:55Porque não adianta só subir o morro,
03:57você vai ter que subir o morro, você vai ter que ter o confronto.
04:00Eu não sou daqueles que acham que você vai resolver o crime
04:03com rosas, com flores ou com palavras.
04:07Nenhum bandido entrega o território, entrega a arma, entrega a droga,
04:11de boa vontade.
04:12Então, de fato, as forças policiais vão ter que, em algum momento,
04:16ter oportunidades de confronto com o crime.
04:18Mas isso tem que ser feito dentro de um planejamento,
04:20um passo a passo, onde você tem o confronto,
04:22e esse confronto resulte numa redução do domínio territorial,
04:26numa reocupação ou retomada do território,
04:29na cessação de uma linha de fornecimento,
04:33de entorpecentes ou de armas, por exemplo.
04:35Então, acho que a CPI pode colaborar muito,
04:37dando voz a quem trabalha com segurança pública,
04:40quem efetivamente está na ponta,
04:43delegados, policiais militares, agentes, peritos, auditores, promotores,
04:47a turma que pega mesmo no trabalho e que sabe exatamente quais são os gargalos,
04:53quais são as dificuldades e onde o Estado brasileiro vem falhando há tanto tempo.
04:57Senador Alessandro Veira, vou chamar os nossos comentaristas.
05:00A próxima pergunta é de Nelson Kobayashi.
05:02Senador, boa noite, é um prazer falar contigo.
05:06Senador, eu tenho visto que o trabalho da CPI visa convocar autoridades,
05:13governadores, pessoas que combatem o crime organizado.
05:18Quero entender se há a intenção de convocar,
05:20para serem ouvidos também,
05:22accionados, delatores, investigados,
05:24pessoas que teriam ali como colaborar nas investigações,
05:29já que estamos falando de uma comissão parlamentar de inquérito.
05:32Eu não vejo o grande proveito em dar espaço e palco para o bandido.
05:38Então, vou dar um exemplo.
05:40Se a gente vai tratar dos nossos custodiados,
05:44os criminosos, os accionados que se encontram em presídio,
05:49é muito mais importante ouvir o pessoal que trabalha com eles.
05:52Porque eles não têm nenhuma intenção de colaborar
05:55para que você reduza a incidência criminosa.
05:57A hipótese do delator, caso ela surja ao longo do processo,
06:01evidentemente ela vai ser valorizada.
06:04Mas não é uma figura muito comum quando a gente trata de facções violentas.
06:08Não temos muitos casos, ao longo do, pelo menos num curto espaço de 5, 6 anos,
06:13eu não consigo me recordar de muitas oportunidades
06:15onde você teve uma delação valiosa
06:18para desarticular um processo de quadrilhas.
06:22Teve aquele caso de cidadão em São Paulo, que foi assassinado.
06:25Teve outro caso no Rio de Janeiro,
06:27que acabou apontando aquela chamada sintonia dos gravatas,
06:30a rede de advogados que atua para o crime.
06:33Mas nada disso me parece tão relevante
06:37quanto é relevante ouvir os profissionais.
06:39Porque eles estão nesse dia a dia de combate
06:41e eles sabem por que brechas o crime passa.
06:45Eu tenho usado o exemplo dessa questão específica do Rio de Janeiro,
06:48não pela operação em si,
06:49porque essa operação é mais uma operação,
06:51ela chama atenção pelo número de mortos.
06:54Mas essa forma de atuação, ela já é antiga,
06:56ela acontece há muito tempo
06:57e ela gera baixo efeito na redução real do crime.
07:02Ela cria um efeito momentâneo
07:04e o crime se rearticula novamente
07:05porque é uma atividade econômica, avisa o lucro
07:08e tem mão de obra farta.
07:11Mas se aquela comunidade,
07:13Penha, Complexo do Alemão,
07:14efetivamente movimenta 10 toneladas de torpecentes,
07:17que eu estava circulando em algumas falas
07:20na imprensa pós-evento,
07:22essa droga toda, essas armas todas,
07:24elas têm que subir e descer o morro o dia inteiro.
07:27Elas têm que entrar no estado do Rio de Janeiro pelas rodovias,
07:30elas fazem toda uma circulação pelas fronteiras
07:32e o estado brasileiro falha em todas as etapas.
07:36Então a gente tem que encontrar caminhos
07:37e os profissionais vão dar essa linha de direção
07:41para tapar esses buracos,
07:43saber o quanto o estado brasileiro precisa investir,
07:46a gente sabe que vai ser muito dinheiro,
07:47mas a gente precisa investir
07:49para fazer com que o custo dessa criminalidade
07:52aumente muito e isso desestimule as quadrilhas.
07:55Ao mesmo tempo que você vai ter as oportunidades de confronto,
07:58de disputa pelo território,
08:00vai ter, infelizmente,
08:01confronto armado,
08:02vai ter, infelizmente,
08:04morte nesses confrontos,
08:06porque faz parte da rotina
08:08quando você está falando de facções violentas,
08:10mas tem que ter um planejamento de consequências,
08:12senão a gente só fica rodando em círculos.
08:14Senador, pergunta agora de Cristiano Vilela.
08:17Senador, boa noite.
08:18Senador, na sua avaliação,
08:21será difícil construir,
08:24ao longo dos trabalhos da CPI,
08:26a possibilidade de consensos,
08:29a possibilidade de um debate efetivo
08:31na linha do que o senhor está propondo,
08:34especialmente diante de um tema
08:35sob tanta polarização
08:37e de um tema que acaba sendo extremamente politizado,
08:41usado pelos lados da política,
08:44para a politização,
08:46para a alimentação das torcidas
08:49e a alimentação dos apoiadores de cada lado?
08:52Na sua avaliação,
08:53o senhor entende que é possível
08:54fazer com que personagens tão antagônicos
08:57possam se alinhar
08:58para a construção de saídas consensuais,
09:02como o senhor está colocando?
09:04Sim, acredito que é possível.
09:06Vai exigir um trabalho de presidência,
09:08relatoria, vice-presidência,
09:10que é o general Mourão,
09:11o senador pelo Rio Grande do Sul,
09:13que vai dar uma contribuição muito grande,
09:15eu tenho certeza.
09:17Nós que estamos na mesa,
09:18temos a responsabilidade de conduzir esse debate.
09:21E hoje ele demonstrou que é possível
09:23chegar nesse consenso.
09:24Você teve disputa no voto pela presidência,
09:26mas foi uma disputa respeitosa,
09:29há todo o tempo reconhecendo
09:31que o senador Contarato,
09:32do Espírito Santo,
09:33é um homem sério,
09:34que tem uma história na polícia,
09:36que tem uma história na segurança pública,
09:38que tem vários projetos apresentados
09:40e aprovados na área do combate ao crime
09:42e que tem trânsito livre,
09:44da mesma forma como eu tenho trânsito livre
09:46com governo e oposição.
09:48Então, acho que sim, existe espaço,
09:50é óbvio,
09:51estamos muito próximos de uma eleição
09:52e sempre vai ter quem tente fazer
09:55de cada oportunidade um palanque,
09:58o que mais cabe a quem está na condução
09:59trazer de novo para o centro,
10:01porque é uma responsabilidade muito grande.
10:03Se nós conseguirmos sucesso
10:05nessa formação de consensos técnicos
10:07e conseguimos entregar para o Brasil
10:09um planejamento efetivo de segurança pública,
10:12de escala nacional,
10:13é uma contribuição histórica.
10:16Eu acho que todos,
10:16mesmo políticos dedicados às suas eleições,
10:20todos querem dar essa contribuição.
10:21E a gente viu isso nas conversas,
10:24tanto com a liderança do governo,
10:26o senador Jacques Wagner,
10:27PT da Bahia,
10:28como o senador Flávio Bolsonaro,
10:29do PEC do Rio de Janeiro.
10:31Todos aqui convivem há três ou há sete anos,
10:35conhecem suas características,
10:37sabem quem é sério, quem não é sério,
10:39e o momento é muito grave.
10:41Então, todos estão engajados
10:42em entregar respostas.
10:44Eu acho que o primeiro dia
10:45foi um dia muito simbólico,
10:46porque ficou já muito claro
10:47que serão convocados,
10:50serão ouvidos,
10:50tanto figuras da base do governo,
10:53como da oposição ao governo.
10:55Sem distinção.
10:56O nosso foco é um trabalho pelo Brasil,
10:58não um trabalho partidário eleitoral.
11:01Agora, Alessandro Vieira,
11:02do MDB de Sergipe,
11:04escolhido nesta terça-feira
11:05como relator da CPI.
11:09Muito obrigado mais uma vez
11:10pela atenção, pela gentileza.
11:11Volto sempre.
11:11Até a próxima.
11:13Até a próxima.
11:14E aí,
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