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O sociólogo Eduardo Matos de Alencar, especialista em políticas públicas e segurança, analisou no programa as razões que levaram ao fracasso das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) no Rio de Janeiro. Criadas com o objetivo de retomar territórios dominados pelo tráfico e promover a integração das comunidades, as UPPs acabaram apresentando resultados contrários ao esperado.

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Transcrição
00:00A gente sempre lembra, né, que aquela frase onde diz que o passado é prólogo, né?
00:04O passado deixa lições pra entendermos onde nós estamos e onde nós podemos ir juntos.
00:09A gente tem que saber de onde nós viemos, até porque a história do Brasil
00:13e a relação com o crime organizado se enraizando e se estruturando
00:17em verdadeiros continentes aí do Estado brasileiro,
00:21com certeza é uma das mais complexas e realmente profundas, né, do mundo.
00:26Especialmente no Rio de Janeiro, que fique claro,
00:27que tem sempre o agravante ali da topografia, dos morros e tal.
00:30E um dos pontos, pelo menos, de esperança dessa história
00:33foram, em algum momento, as unidades de polícia pacificadora, as UPPs, né?
00:38Um projeto que queria estabelecer um policiamento comunitário mais ostensivo
00:42em territórios dominados pelas facções,
00:44mas que acabou sendo um dos fracassos da segurança pública da capital carioca.
00:48Você pensa num projeto que começou com muita promessa
00:50e acabou degringolando e revelando ser só um paliativo.
00:54A gente geralmente, quem é carioca, geralmente fala da UPP,
00:57quase como se fosse um sinônimo automático.
00:59Mas para sabermos, enfim, a resposta de por que tantas e tantas tentativas
01:04acabam frustradas, a gente vai propor uma reflexão aqui
01:07com o sociólogo e especialista em UPP,
01:10o Eduardo Matos de Alencar, que vai se juntando a nós,
01:12brindando com a presença aqui no Morning Show.
01:14Fala, doutor, beleza?
01:16É impossível que...
01:17Vamos fazer, traçar esse paralelo entre a operação no Complexo do Alemão em 2010.
01:23Todo mundo que, enfim, eu era um estudante do ensino médio na época
01:27e a gente lembra que todas as escolas ali foram embargadas.
01:30O dia ali também acabou, enfim, completamente refém disso,
01:33o cotidiano do Carioca naquele momento.
01:35E também traçando um paralelo com a operação que nós vimos transcorrer ontem.
01:40A gente lembra que havia toda a promessa ali em 2010.
01:43O que aconteceu nesses 15 anos que a situação, pelo visto, só se agravou?
01:46Palavra sua.
01:48Bom dia, Marinho.
01:49Bom dia, Mano Ferreira, todo mundo aí da Jovem Pan.
01:52Prazer estar aqui com vocês.
01:53Bom, vamos lá.
01:54Eu acho que uma análise rápida dessa operação
01:57é preciso enfatizar o caráter técnico que está envolvido.
02:00Então, apesar da grande quantidade de mortos ali envolvidos
02:03e da baixa lamentável dos quatro policiais,
02:05inclusive o delegado Marcos Vinícius,
02:07que era uma figura histórica ali na Polícia Civil do Rio de Janeiro,
02:10lamentável o que aconteceu.
02:12Mas a gente tem que entender que foram dez meses de investigação
02:16pra essa operação.
02:18A polícia tinha detectado mais de cem homens armados com fuzis
02:22naquilo que era o bunker do Rio de Janeiro.
02:24É preciso entender também quem é que era o alvo dessa operação,
02:27porque entre todos...
02:28A gente está falando do bunker do Comando Vermelho no Rio de Janeiro.
02:32E o principal alvo dessa operação, que era o DOCA,
02:34que era uma das lideranças do Comando Vermelho
02:36que comanda a facção fora da prisão,
02:40ele é investigado por mais de cem homicídios.
02:44Então, tem mais de cem homicídios nas costas.
02:46Esse aqui é o camarada que a gente está lidando
02:48e o tipo de pessoa que a gente está lidando.
02:49Então, a gente está falando de uma área muito grande,
02:51com duzentas mil pessoas,
02:53com mais de cem pessoas com fuzis,
02:55com estruturas de guerra,
02:56e que não tem mais aquele...
02:58A gente pode até dizer aquele romantismo antigamente,
03:00que tinha o fogueteiro, que ficava ali, né,
03:02preparado pra quando a polícia entrava,
03:04ele avisava e tal. Não, não tem isso.
03:05Os drones que a gente...
03:34Sim, pra contextualizar o cenário que está posto a operação.
03:55Duzentas mil pessoas,
03:56uma concentração populacional absurda,
03:58banca do Rio de Janeiro,
03:59por traficantes fortemente armados
04:03em uma situação de guerra mesmo,
04:05de guerra regular.
04:07Eu acho que esse é um cenário principal
04:09pra que as pessoas possam entender,
04:10dizer assim, ah, não houve inteligência,
04:12não tem inteligência pra haver uma situação dessa.
04:15Quer dizer, tem uma inteligência,
04:16a inteligência de mapear quantos homens de fuzil,
04:18onde são os montos de barricada,
04:20quem são os traficantes envolvidos,
04:22os mandatos de prisão precisam ser cumpridos,
04:23as casas que ele ocupa,
04:24o lugar do paiol, etc.
04:26Houve inteligência pra isso,
04:27e tem que haver, de fato.
04:29Mas na hora do enfrentamento,
04:30o enfrentamento vai acontecer,
04:31e é absolutamente inevitável.
04:34A gente trouxe aqui, né, professor,
04:35muito sobre e pertinente a tua fala agora,
04:38mas a gente acompanhou também
04:40como o Comando Vermelho se alastrou.
04:43Os tentáculos do Comando Vermelho,
04:44recentemente há células ali
04:46identificadas no Amapá,
04:47Pernambuco, Espírito Santo,
04:48nem se fala.
04:49Mas o problema é o seguinte,
04:51a gente até notou,
04:52como você bem colocou aqui,
04:53esses bunkers do crime,
04:55como o próprio Rio de Janeiro
04:56se tornou quase que um resort,
04:58uma colônia de férias,
05:00um refúgio pra bandidos,
05:01inclusive dos 100 alvos de ontem,
05:0330 ao que tudo indica,
05:04eram de outros estados,
05:05principalmente do Pará,
05:06e é sintomático também
05:07de como o Rio de Janeiro
05:08se tornou, como eu disse,
05:10essa incubadora do narcoterrorismo.
05:13Eu vou aqui com o Mano Ferreira
05:14complementando,
05:14a gente faz a pergunta final
05:15e conclui aqui o nosso papo de hoje.
05:17Bom dia, Eduardo.
05:18Eu queria, sabe,
05:20primeiro, obrigado por estar aqui com a gente.
05:21Eu queria entender contigo
05:23como deve ser o conjunto estratégico
05:27para além da operação,
05:29pra que o Estado efetivamente
05:31possa retomar o controle territorial.
05:33Porque a gente lembra daquelas cenas
05:35de mais de 10 anos atrás,
05:38de aquela coisa super espetaculosa.
05:41Botando a bandeira do Brasil.
05:41Saindo, botando a bandeira do Brasil,
05:44super midiático,
05:45e mais de 10 anos depois,
05:48estamos enfrentando a mesma coisa.
05:49Então, como fazer com que
05:51operações como essa
05:52não acabem sendo
05:54uma operação de enxuga-gelo
05:56e o Estado efetivamente
05:57possa recuperar o controle territorial?
06:00Contando também com tua experiência
06:02como gestor,
06:04como, enfim,
06:05alguém que viveu a experiência
06:07das UPPs na prática, né?
06:10Tá.
06:10Então, vamos lá.
06:11Só juntando aqui as duas colocações.
06:13O Marinho colocou a questão
06:14do que é que aconteceu
06:15ali no meio do caminho.
06:16O importante é ter em mente o seguinte.
06:192020, a DPF 635.
06:21Quando a DPF aconteceu em 2020,
06:23não adianta a gente só
06:24colocar toda a culpa na DPF,
06:26não é o caso,
06:26mas, de fato,
06:27ela impôs alguns embargos
06:30muito certos
06:30para operações policiais
06:31no Rio de Janeiro.
06:32Então, a operação policial
06:34foi classificada como
06:35era preciso ter o caráter
06:36de excepcionalidade.
06:38Você tinha que avisar
06:39vários órgãos,
06:40Secretaria Estadual,
06:41Ministério Público,
06:42PGR,
06:44Secretaria Estadual de Saúde,
06:45Educação, etc.
06:46Então, as operações
06:47ficaram mais difíceis,
06:49mais fáceis
06:50de serem detectadas
06:51pelos criminosos,
06:52por vazamento, etc.
06:53e mais complexas.
06:56E também com determinados
06:57embargos técnicos
06:59importantes,
07:00pontuar aqui.
07:00Por exemplo,
07:01a proibição de aeronave,
07:03de helicóptero,
07:04com plataforma de tiro,
07:06que era um reforço
07:06muito grande
07:07para controle
07:08da expansão
07:08do clima organizado
07:09com essas operações
07:10sistemáticas
07:12que eram realizadas
07:13e foi embargado
07:14até 2025,
07:15até abril desse ano,
07:162025.
07:18Nesse período,
07:19nesse íntegro de tempo,
07:20de 2020 até 2025,
07:23você teve um crescimento
07:24exacerbado
07:25nessas organizações,
07:26principalmente
07:26pela sua ocupação
07:27para outras atividades
07:29criminosas,
07:29algo que foi falado aqui,
07:31mas talvez a audiência
07:31não tenha dimensão
07:32do que isso significa.
07:34Você pode imaginar
07:35uma população
07:35como complexo da penha
07:36de 200 mil pessoas,
07:37imagine qual é o percentual
07:39daquelas pessoas
07:40que usam droga
07:41e agora imagine
07:42qual é o percentual
07:43dessas pessoas
07:43que usam serviço
07:44de gás, de luz,
07:45de internet, de telefone, etc.
07:48Tudo isso,
07:48vários tipos de serviços
07:49que são organizados
07:50faccionalizados hoje
07:52e isso significa
07:53que a grana
07:55dessas organizações,
07:56o dinheiro delas,
07:57hoje é 20% da droga,
07:59às vezes 14%, 15%.
08:00O resto vem
08:01desses serviços
08:02de ocupação
08:03de um território
08:03propriamente dito.
08:05Então, é importante
08:06entender o que aconteceu.
08:07Essas organizações
08:08se expandiram,
08:09expandiram suas atividades
08:10econômicas
08:10e se apropriaram
08:13de fatias inteiras
08:14do território carioca.
08:16Essas operações
08:16que eram feitas no passado,
08:17elas tinham o intuito
08:19ou então o resultado
08:20delas,
08:20era controle
08:21como o vereador
08:22colocou aqui,
08:22o mato cresce,
08:23você corta,
08:24o mato cresce,
08:24você corta.
08:25É o suficiente?
08:26Não, não é o suficiente.
08:27O suficiente é
08:29ter que ocupar território,
08:30tem que ter urbanização,
08:32política de urbanização,
08:33algo que a gente não tem
08:34sistemático,
08:34porque é muito caro,
08:35não adianta esperar
08:36que isso passe
08:36só do ente federado
08:38e você tem que ter
08:40programas
08:41de controle efetivo ali.
08:43A gente tem que ter
08:44polícia funcionando,
08:45delegacia funcionando,
08:47patrulhamento funcionando,
08:48mas nada disso vai acontecer
08:49se a gente não tiver
08:50uma reforma estrutural
08:51da legislação
08:52que permita
08:53que esse tipo de coisa
08:54seja operacionalizado
08:56de fato.
08:58E é uma desgraça,
08:59porque a pacificação
09:00prometida,
09:01até trazida em algum momento
09:02pelas UPPs,
09:03ali gerou,
09:05quase que trilhou
09:06um facho de esperança
09:08até para que essa urbanização
09:09planejada se instalasse,
09:11mas acabou só dando lugar
09:12para essa invasão
09:14e ocupação completamente
09:15desregrada
09:17e estamos refém
09:18desse estado de coisas hoje.
09:20Mas a esperança
09:21é a última que morre,
09:21pelo menos é o que
09:22eu me socorro aqui.
09:23Obrigado, professor,
09:24muito obrigado pela presença.
09:26Eduardo Matos de Alencar
09:27agregou em muito
09:28e portas abertas
09:29aqui no Morning Show, tá?
09:30Valeu, Marinho, obrigado.
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