Pular para o playerIr para o conteúdo principal
No Direto Ao Ponto, o diplomata e ex-presidente do Banco dos BRICS, Marcos Troyjo, analisa a política comercial do presidente Donald Trump. Troyjo alerta que, embora os EUA vivam um momento de "opulência" econômica, a estratégia de protecionismo radical e cortes de impostos pode ser prejudicial a longo prazo, especialmente ao gerar inflação e desorganizar as cadeias globais.

▶️ Assista à íntegra no canal da Jovem Pan News no YouTube: https://youtube.com/live/9iLXo7SEp9I
#DiretoAoPonto

Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/

Inscreva-se no nosso canal:
https://www.youtube.com/@jovempannews/

Entre no nosso site:
http://jovempan.com.br/

Facebook:
https://www.facebook.com/jovempannews

Siga no Twitter:
https://twitter.com/JovemPanNews

Instagram:
https://www.instagram.com/jovempannews/

Kwai:
https://www.kwai.com/@jovempannews

#JovemPan
#DiretoAoPonto

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Vai lá, Marcelo.
00:01Proirro, será que ele vai ter fôlego?
00:04Porque ele está no começo, evidentemente,
00:06primeiro ano de governo, tomou posse em janeiro.
00:08Ele vai ter fôlego para manter toda essa situação?
00:12Porque a gente sabe que também haverá reflexos
00:14nos Estados Unidos, inflação,
00:17uma economia que vai ficar mais cara.
00:19Evidentemente, ele não está preocupado com reeleição,
00:21porque ele não pode mais.
00:22É diferente do presidente Lula, que está no cargo
00:24e já praticamente age pela reeleição.
00:26Não existe isso nos Estados Unidos.
00:28Mas ele terá fôlego ou o freio vai vir justamente dos Estados Unidos
00:32aquilo que for feito de maléfico dentro da economia norte-americana.
00:37Veja, Marcelo, essa é uma situação que vai parecer muito.
00:42Você está dentro do carro e você liga o aquecedor.
00:45Então, começa a ficar muito quente dentro do carro.
00:48Só que aí você abaixa a janela.
00:50Então, a temperatura volta a se equilibrar mais ou menos.
00:53Eu concordo com você de que no médio e longo prazo,
00:56para os Estados Unidos, a atual combinação de política comercial
01:00com política industrial, será ruim para os Estados Unidos.
01:03Entre outras coisas, porque ela é, como você bem disse,
01:06estagflacionária.
01:07Ela é inflacionária.
01:10Porque, mais uma vez, você está aumentando o custo dos insumos
01:14por meio da política tarifária.
01:17E ela tem um elemento de estagnação, porque é o seguinte,
01:19como você não sabe bem o que vai acontecer,
01:24até porque o presidente Trump tem uma personalidade que oscila muito
01:27em ciclos políticos, ciclos de 24 horas,
01:29as empresas acabam deixando o freio de mão puxado
01:32e essa ausência de decisão econômica tem um reflexo
01:35na formação de expectativas e no desembolso de investimentos.
01:39Então, é estag... por isso que é estagflacionário.
01:42Agora, fora isso, que é política comercial e industrial,
01:45você tem uma outra coisa muito interessante acontecendo.
01:47Eu não sei se o Evandro se lembra, né?
01:50Mas, quando você tem as imagens da posse do Trump,
01:54que foi dentro do Capitólio, né?
01:56Você tinha lá o púlpito onde ele estava falando
01:58e você tinha um reservado onde estavam praticamente
02:01todos os bilionários, né?
02:03Estavam alguns bilionários americanos
02:05e tinha um bilionário europeu chamado Bernard Arnault.
02:11É o homem mais rico da Europa.
02:14Ele é dono da Louis Vuitton,
02:15ele é dono da Champagne Moëte Chandon, né?
02:17Ele é dono de um monte de coisa boa, né?
02:20E eu me lembro de ter assistido,
02:22eu não sei se vocês viram, né?
02:23Mas é um trecho de um discurso que viralizou nas redes sociais,
02:27que é o Bernard Arnault falando num seminário na França
02:30um mês, mais ou menos, depois da posse do Trump.
02:33Então, o que eu estou te contando deve ser
02:3420 de fevereiro desse ano.
02:36E o Bernard Arnault está falando para os compatriotas deles,
02:40para os franceses, né?
02:41Ele dizia o seguinte,
02:42olha, pessoal, eu estou voltando dos Estados Unidos
02:43e eu fiquei fascinado com o que está acontecendo lá.
02:47Fascinado.
02:48Enquanto nós aqui na França
02:50temos o judiciário brigando com o executivo,
02:53o executivo brigando com o legislativo,
02:56na França.
02:57Na França.
02:58Na França.
02:59Na França.
02:59É mera coincidência.
02:59Enquanto a gente não para de falar sobre a criação
03:01de novos impostos aqui na França,
03:03novas camisas de força sobre atividade empreendedora,
03:06novas regras que nós mesmos inventamos
03:08ou acabamos adotando por conta
03:10de que elas vêm de Bruxelas, né?
03:12Da União Europeia.
03:13Os americanos não param de falar em cortar impostos,
03:16desburocratizar e desregulamentar.
03:19E você teve esse ano a tal da Big Bill,
03:22que é uma peça legislativa,
03:24que vai fazer cair impostos,
03:26sobretudo em relação a corporações,
03:28empresas nos Estados Unidos.
03:31Então, se você tem uma queda
03:32do imposto que vai cindir sobre empresas,
03:35se você é uma unidade fabril
03:37que estava localizada na China,
03:40você quer diminuir a sua exposição a risco na China,
03:42o que você faz?
03:42Você vai para a Índia,
03:44onde a carga tributária com percentual do PIB é 18%,
03:46você vai para o México,
03:48onde a carga tributária com percentual do PIB é 19%,
03:51você vai para o Marrocos,
03:53você vem para os Estados Unidos,
03:54onde a carga tributária com percentual do PIB
03:55hoje é 27%,
03:56mas vai cair até 23%,
03:59com essa diminuição de impostos sobre empresas,
04:01ou você vem para o Brasil,
04:03onde mesmo após toda a tão propalada reforma tributária,
04:07a carga dos impostos é de 33%.
04:10Aliás, hoje, Evandro,
04:12a carga tributária com percentual do PIB no Brasil
04:14é maior do que a carga tributária com percentual do PIB na Suíça.
04:18Mas temos serviços compatíveis.
04:23Aliás, isso é muito importante mencionar,
04:26porque a gente se preocupa muito com o tarifaço,
04:28o tarifa tudo bem, o tarifaço.
04:30Na minha opinião, uma ameaça muito mais grave
04:33ao projeto de prosperidade brasileiro
04:37é essa comparação entre o ambiente de negócios
04:41e o peso dos impostos na maior economia do mundo,
04:44que está louca para se reindustrializar
04:47e as nossas próprias ambições
04:49de criar atividade econômica de mais valor agregado.
04:51Então, eu acho que, se por um lado você tem essa força,
04:55que é uma força, a meu ver,
04:58que vai prejudicar os Estados Unidos,
05:00que é a combinação de política comercial com política industrial,
05:03você tem essa outra força,
05:05que é uma força de desregulamentação,
05:06desburocratização e corte de impostos,
05:09que vai acabar funcionando como um ímã de investimentos
05:12para os Estados Unidos.
05:13Compensação também, né?
05:14A compensação em quanto tempo uma coisa acontece
05:17comparada com a outra,
05:19também pode ser uma medida de, por exemplo,
05:23se o presidente Trump terá mais ou menos chances
05:25nas eleições legislativas
05:27ou se um candidato que ele vier a ungir
05:30terá mais ou menos chances daqui a três anos e meio.
05:33Vai lá, Luciano.
05:34Troirro, falando um pouco do papel do Brasil
05:36nesse mundo polarizado entre China e Estados Unidos,
05:39o Brasil sempre teve uma estratégia telediplomática ali
05:42de ser amigo de todo mundo, né?
05:44Comerciar com todo mundo
05:45e até em que pese esse atrito recente com os Estados Unidos,
05:49o Lula tem falado isso em discursos
05:51que também quer negociar com todo mundo,
05:53quer ser amigo de todo mundo,
05:54não quer escolher um bloco.
05:57Mas será que vai ser possível
05:58não escolher um bloco do jeito que as coisas estão andando no mundo?
06:02E aí, dentro desse contexto,
06:03eu ia te perguntar,
06:03você que já esteve lá no banco dos BRICS,
06:06até que ponto te incomoda ou não
06:08a nova composição dos BRICS,
06:10esse papo de sul global,
06:11será que o Brasil não está entrando numa barca ali
06:14que talvez se for ter que escolher
06:15não seria a melhor?
06:18Eu gosto da ideia,
06:19eu gosto da ideia de ser amigo
06:23do maior número de países possível
06:27e eu gosto da ideia de minimizar
06:30alergias contenciosas,
06:33disputas com partidões.
06:37Eu gosto dessa ideia.
06:38Eu não sei se é isso que o Brasil está fazendo agora.
06:40Por exemplo, você acha que o governo brasileiro
06:42no conflito Rússia e Ucrânia
06:44tem predileção por um dos lados?
06:46Você acha que na relação Israel-Ramás,
06:49Israel-Hezbollah, Israel-Irã,
06:53o atual governo brasileiro
06:54tem predileção por algum lado?
06:57Não quer nem esconder, né?
06:58É, vocal.
06:58Desculpa, mesmo se não é uma guerra fria,
07:01é uma paz quente entre os Estados Unidos.
07:03Você acha que o atual governo brasileiro
07:04tem predileção por um outro lado?
07:07Então, enfim, na política externa de diplomacia,
07:09às vezes você diz uma coisa,
07:11mas se o seu interlocutor é minimamente escolhado,
07:14ele olha para ver o que a legenda diz.
07:16Você disse uma coisa, mas ali a legenda
07:20está dizendo alguma outra coisa.
07:22Então, as pessoas sabem as predileções desse governo.
07:24A presença do Brasil no mundo tem que ser uma combinação
07:31entre os valores do Brasil com os interesses do Brasil.
07:35Então, por exemplo, se eu tivesse que dizer, né?
07:38Então, eu, por exemplo, eu me considero um ocidental.
07:41O que é o ocidente?
07:42É uma fórmula matemática.
07:43O ocidente é igual a democracia representativa,
07:45mais economia de mercado, mais Estado de Direito,
07:48mais sistema multipartidário.
07:49Então, eu consigo claramente olhar para o mapa mundo
07:53e ver quais são as geografias com as quais eu tenho mais afinidade.
07:57Agora, por outro lado, eu preciso, eu tenho um desafio, né?
07:59Se o Brasil tivesse, quiser escolher um grande desafio,
08:02eu diria que é chegar até 2040, né?
08:05Nos próximos 15 anos,
08:08há uma renda per capita de 25 mil dólares.
08:10Então, os caminhos que eu vou utilizar
08:12para chegar a essa renda per capita de 25 mil dólares,
08:14eles passam, por exemplo, muito pela Ásia.
08:16muito pela Ásia.
08:18A gente tem que aumentar negócios com os Estados Unidos e com a Europa,
08:21mas eles vão passar muito pela Ásia
08:22porque existe uma grande complementariedade.
08:25Você tem países naquela região
08:26de grande contingente populacional,
08:28renda per capita baixa,
08:29mas de crescimento econômico acelerado.
08:32Quando você percebe essa trajetória,
08:34em geral, os níveis de renda adicional
08:36são consumidos na forma de mais calorias,
08:38mais nutrientes,
08:40mais investimento em infraestrutura,
08:41áreas que são boas
08:42para aquilo que o Brasil, com vantagem comparativa,
08:45pode utilizar para gerar grandes excedentes
08:47para o próprio Brasil diversificar a sua economia
08:49e agregar valor e assim por diante.
08:51Então, a gente tem que ter uma coisa mais equilibrada.
08:53Não sei se é isso que o governo brasileiro tem agora, não.
Seja a primeira pessoa a comentar
Adicionar seu comentário

Recomendado