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O programa 3 em 1 debate se a ameaça do presidente Donald Trump de taxar países ligados aos BRICS em 10% pode gerar uma nova crise econômica global. A bancada avalia os efeitos dessa postura, debatendo a influência dos EUA no comércio internacional.

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Transcrição
00:00No fim do começo aqui, Donald Trump já ameaçando taxar em 10% esses países todos aliados aos BRICS.
00:05Claro, ele ameaça toda hora, porque afinal de contas ele age como xerife do mundo.
00:09Então, veja, descontando a parte que o presidente claramente jogou para a torcida,
00:16o fato é que ele tem razão quando ele critica o que ele chama de unilateralismo.
00:22O mundo não tem xerife, o mundo não tem dono.
00:24Então, os blocos, os países, eles precisam conversar, eles precisam negociar.
00:30Eu continuo muito defensor das saídas e das negociações multilaterais.
00:37Vamos estrear, Bruno Musa?
00:38Quero a sua opinião sobre o anúncio feito por Donald Trump e a reação brasileira do presidente Lula.
00:43Bom, vamos lá. Primeiro, eu falando filosoficamente aqui das ideias, das tarifas em si,
00:50eu entendo o motivo pelo qual o Trump tem anunciado isso.
00:54Correção dos déficits comerciais e do déficit em conta corrente de forma estrutural nos Estados Unidos.
00:58O diagnóstico, eu concordo, não necessariamente com o remédio que são as tarifas.
01:03Eu acredito que essas tarifas, elas geram distorções no comércio que acabam trazendo consequências.
01:09Mas, de novo, compreendo os motivos pelos quais ele tem feito isso.
01:13Agora, voltando um pouco aqui no discurso que nós vimos do Lula, tem algumas coisas que me chamam a atenção.
01:21Primeiro, a grande parte da narrativa, como o próprio Piperno falou, de jogar para a torcida.
01:24Eu anotei aqui alguns pontos em que ele fala, ora, o Trump não pode sair ameaçando por aí e colocando taxas.
01:31Se ele defende a soberania de cada país, ele está defendendo que o próprio Trump deve ser soberano no país dele
01:36e fazer o que ele quiser, concordando ou não.
01:39Fazer o que ele quiser dentro das regras constitucionais americanas, obviamente.
01:44Dito isso, o Lula vem a público e fala assim, ora, se ele taxa, vamos taxar também.
01:49Vamos ver quem tem coragem.
01:52Porque taxar os Estados Unidos na reciprocidade como eles fazem, as consequências também são mais severas.
01:58E a gente vê que o Trump pressionando o BRICS tem até um sentido pela fraqueza que está sendo essa cúpula.
02:07O Xi Jinping não veio, o Putin não veio, o que acaba por enfraquecer a própria cúpula em si.
02:13E aí ele fala, no primeiro trecho que nós colocamos aqui, sobre fortalecer a democracia dentro dos BRICS.
02:23Analisemos quais são os países do BRICS.
02:25Inicialmente era Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
02:29Depois entra Etiópia, Irã, que estava sentado à mesa.
02:34Quem mais? Arábia Saudita.
02:36Enfim, países que não são democráticos.
02:38Que tipo de democracia você quer fazer com países que são autoritários por natureza?
02:43Então tudo isso me gera total sensação que, mais uma vez, ele joga para a plateia
02:49e os dados, as falas dele, não se concretizam com o que a vida real está empregando.
02:55Então eu acho que, de novo, tudo isso traz consequências e reitero o que o Piperno falou aqui no final.
03:01Sobre as negociações e o multilateralismo.
03:04Concordo amplamente com isso.
03:05Eu venho da mesma escola que o Milley.
03:07Vamos negociar mercados abertos, mercados livres.
03:10E isso surte efeito para todo mundo.
03:12Isso está muito claro.
03:14Agora, a questão é com quem nós vamos alinhar, nos alinharmos e com quem nós vamos negociar.
03:18E você, senhor Alangani, como viu essas manifestações do presidente, essas críticas todas aí que ele faz?
03:24Há uma certa independência, né?
03:25Ele quer mesmo valorizar os blocos todos.
03:28Faz sentido? Isso é bom ou é ruim para o Brasil?
03:29Tem vários aspectos na fala dele.
03:31Um dos aspectos é que ele diz ali, ah, que são democracias que fazem parte dos BRICS.
03:38Então, os regimes autoritários ficaram lá no passado.
03:41Não é verdade, né?
03:42Se a gente pegar, por exemplo, China é um país, é uma ditadura.
03:46Rússia é um regime autocrático.
03:48Se a gente pegar a Índia, está longe de ser uma democracia.
03:51África do Sul idem, né?
03:54Então, veja, não são países democráticos.
03:56Essa fala é descolada da realidade.
03:58Quando ele fala do multilateralismo, e aí eu concordo, ele faz uma crítica muito sutil aos Estados Unidos, né?
04:07Não cita nominalmente os Estados Unidos.
04:09Ainda bem que ele não fez isso, justamente para não escalar essa retórica e essa briga comercial.
04:15Mas ele está dando um recado ali de que deve-se buscar mais globalização.
04:21Concordo absolutamente aqui com o Musa e com o Piper.
04:24Eu acho que o mundo de hoje vai nessa direção e não dá...
04:29A globalização, ela tomou um corpo, Koba, que não dá mais para você voltar atrás.
04:34Por mais que haja uma guerra tarifária, por mais que o Trump coloque barreiras protecionistas,
04:39ninguém mais leva muito isso a sério.
04:41A China retalhou, o Trump voltou atrás, chegou ali num meio termo.
04:45Hoje mesmo ele tweetou o acordo com o Japão, falando,
04:48Olha, a gente tem um comércio com vocês muito injusto, mas vamos seguir em frente.
04:55Então, quer dizer, o mundo real se impõe que não dá mais para você voltar atrás com o processo de globalização.
05:02Queira ou não, é multilateral.
05:04Sr. Fábio Piper, uma coisa que chamou muito minha atenção foi o presidente Lula falando de improviso ali,
05:09neste encerramento, e o mundo todo olhando aqui para o encerramento da cúpula dos BRICS.
05:13São países muito importantes nas relações comerciais, nos conflitos que estão acontecendo no Oriente Médio.
05:19A Rússia é participante, e isso foi assunto, mais uma vez, o presidente Lula pedindo a paz.
05:24Mas como é que você vê uma fala que é tão aguardada, tão assistida, sendo feita de improviso?
05:31Porque daí, no final das contas, acabou o presidente falando em construção de estados democráticos sentado ao lado do Irã.
05:36Por outro lado, ele também falou de se respeitar a autodeterminação dos povos, a soberania dos estados,
05:43criticando as ações de Donald Trump na sua função de presidente dos Estados Unidos.
05:48Precisaria ter ali um apoio um pouco mais institucionalizado, um discurso redigido pelo Itamaraty, por diplomatas?
05:56Como é que você vê essa ideia do presidente de falar de improviso em relação a matérias internacionais?
06:02A carreira do presidente Lula não foi feita como de discurso redigidos pela sua assessoria, por mais gabaritada que seja, a do Itamaraty.
06:10Então, é claro que, de vez em quando, está sujeito a algum deslize.
06:15Quando o presidente fala em democracia, claramente não está se referindo aí aos parceiros de BRICS.
06:22Aliás, de bloco algum, porque em todos os blocos há nações com um viés autocrático, até mesmo ditaduras explícitas.
06:34Mas, enfim, no próprio bloco dos BRICS, além dos países já citados aqui pelos colegas, tem o Egito, que, aliás, é grande aliado dos Estados Unidos daquela região do mundo.
06:46Enfim, o general Alcís deu um golpe lá em 2002 e continua até hoje.
06:50Então, veja, realmente, eu diria para você que o DNA democrático não é uma característica comum a esses países que fazem parte do BRICS.
07:01Isso não dá a ninguém, a nenhum outro país, o direito de se autonomear o xerife do mundo.
07:09Então, nesse sentido, essa é a parte mais correta desse discurso, desse pronunciamento aí do presidente Lula.
07:17Ou seja, hoje ninguém mais manda em ninguém. Não adianta continuar pensando assim.
07:22E vejam só, na questão, inclusive, do comércio exterior, da balança comercial com os Estados Unidos,
07:29seria importante, inclusive, que os Estados Unidos tratassem o Brasil com um pouco mais de atenção,
07:35porque com o Brasil eles são superavitários. Eles não são superavitários como o resto do mundo, mas com o Brasil, por enquanto, são.
07:42Deixa eu receber o Zé Maria Trindade, que se junta ao nosso time aqui.
07:44Zé, estamos discutindo aqui a manifestação, o discurso do presidente Lula no encerramento da cúpula dos BRICS,
07:51e ele falou sobre vários assuntos, incluindo a situação do presidente americano, as suas ideias de taxação.
07:57Ele falou que não é razoável que o presidente fique ameaçando pelas redes sociais, ficar taxando os outros países todos.
08:04Como é que você vê esse enfrentamento, ainda que numa cerimônia, ainda que num discurso, do presidente brasileiro para com o presidente americano?
08:13Zé Maria Trindade, bem-vindo. Boa tarde.
08:16Pois é, eu estava acompanhando aqui, doido, para enfiar a minha colher aí nessa panela, nessa conversa boa.
08:22Seja bem-vindo, Bruno. Grande abraço, Piperno.
08:24E olha, Alan e a você, Kobayashi, são dois ângulos para serem analisados aí nesta fala do presidente Lula.
08:37Ele tem razão, muita razão, quando ele critica a forma.
08:41Um presidente da república, de qualquer país, não deve continuar falando e tratando de assuntos sensíveis
08:50e, de certa forma, que balançam a economia através das mídias sociais.
08:56Então, isso aí é quanto à forma.
08:59O presidente Lula critica a forma que Donald Trump vem tratando esses assuntos.
09:05Aumentar tarifa, isso muda a vida de muita gente.
09:09Isso impacta preços em várias partes do país e em vários produtos.
09:14Então, não dá para ficar aleatoriamente falando, ah, eu vou aumentar a tarifa.
09:18Porque quem vai comprar já começa a comprar mais, para evitar a execução do aumento da tarifa.
09:25Isso muda, inclusive, o valor de certas empresas que trabalham naquele setor.
09:31Então, quanto à forma, o presidente Lula tem toda a razão em dizer que não se deve tratar de assuntos assim
09:38nas mídias e nas plataformas.
09:41Mas é que as relações internacionais mudaram muito.
09:45Eu acompanhei aqui, por exemplo, o Itamaraty, que tem uma grande formação de diplomatas.
09:52O mundo inteiro reconhece a qualidade da escola Rio Branco.
09:56Então, assim, houve uma mudança, primeiro, no tratamento das relações entre países.
10:01E ficou, sim, mais comercial.
10:03Então, se fecha os olhos para regimes, para posicionamentos, em nome do comércio,
10:09em nome da troca de mercadoria e, por que não dizer, de progresso também.
10:14Então, isso é uma mudança e, talvez, chegamos a isso aí.
10:18De que todos os presidentes possam formar uma plataforma, um grupo, sei lá, de WhatsApp para discutir assuntos.
10:26Mas, por enquanto, isto ainda é estranho.
10:30Isto quanto à forma.
10:31Agora, quanto ao mérito, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na minha opinião,
10:36ele deu uma sacudida no mundo, mudou o eixo do mundo, o eixo político, o eixo econômico e o eixo social.
10:42E até a maneira de discutir as coisas, né?
10:45Ficou muito mais transparente.
10:46E, nesse aspecto aí comercial, ele entendeu que, se nada for feito,
10:52os Estados Unidos estarão sendo engolidos em pouco tempo pela China.
10:55A China já tem um movimento no mundo inteiro e tal, muito mais intenso do que os Estados Unidos,
11:01que tem uma liderança, é um poderio bélico muito superior, enfim, e ainda é o grande líder mundial.
11:08Então, é preciso analisar dos dois pontos.
11:10E, no segundo ponto, no conteúdo, o presidente norte-americano tem razão em defender.
11:15Agora, veja bem o cuidado que ele não teve.
11:18Durante uma reunião do BRICS, criticar o BRICS, ou seja,
11:21isso repercutiu muito mais do que a própria reunião do BRICS.
11:25Quer dizer, isso ficou mais importante e vai dar, está dando mais notícia,
11:30do que o próprio encerramento dos BRICS e aquela tradicional foto de família BRICS.
11:35Uma foto de família, todos ali, pousando para uma foto muito bonita, inclusive, né?
11:39Vocês viram o fundo da foto ali com cor covado.
11:43A foto é bonita, meu querido Alan Gani.
11:45Eu quero saber o conteúdo ali.
11:47Quero saber mais ainda, se você concorda com o Zé em relação a essa crítica à forma.
11:50Porque o presidente americano, ele tem adotado isso como comum no dia a dia, né?
11:56Os seus principais anúncios são feitos nas redes sociais.
11:59Até o ataque às bases nucleares iranianas foi anunciado, primeiro, nas suas redes sociais,
12:05e só depois, mais de hora depois, inclusive, foi que o Pentágono, a Casa Branca, deram seus comunicados oficiais.
12:12Você acha que é um caminho sem volta, esse uso das redes?
12:15Você acha adequado ou você se associa a essa crítica quanto à forma de se manifestar em relação a questões importantes?
12:21Olha, você sabe que eu e o Zé, quando a gente fala de rede social, a gente tem aí alguns atritos, né?
12:27Eu perguntei, né, o Alan Gani?
12:30Exatamente, mas nessa eu vou estar com ele.
12:32Quando são pronunciamentos muito importantes, aí eu sou a favor de uma certa formalidade da liturgia,
12:39passar pelas instituições, passar pelo filtro das instituições.
12:44Essa comunicação direta, eu sou a favor, muitas vezes, né, quando, sei lá, a gente está falando de críticas abertas,
12:52mas quando a gente fala de Estado, chefe de Estado, aí eu, como um bom conservador,
12:57eu defendo essa liturgia e os canais tradicionais.
13:01Bruno Musa, seja bem-vindo aqui, a gente instiga o debate, viu?
13:04Esse é o 3 em 1 aqui da Jovem Pan.
13:05Eu quero saber a sua opinião também, se faz sentido passar pelas instituições,
13:10diferenciar a pessoa física ali da pessoa jurídica, né, a pessoa do cargo?
13:15E aí, qual a sua opinião?
13:16Bom, vamos lá, em essência, eu, como Alan, eu também sou conservador.
13:19Então, eu tendo a manter, conservar as instituições, como ele próprio falou, a liturgia.
13:25Mas o grande ponto é que, talvez, a comunicação no mundo de hoje esteja mudando.
13:29E a forma como eu, com 43 anos, eu sinto que eu tenho uma determinada dificuldade em me adaptar a isso.
13:37Mas talvez seja uma comunicação nova que tenhamos que nos adaptar a ela, né?
13:42Porque ela é mais rápida, ela, ao mesmo tempo, traz consequências positivas ou negativas,
13:47mas, de fato, é algo que o objetivo, muitas vezes, é atingido de maneira muito mais rápida.
13:52Então, é uma coisa que, de novo, em essência, eu concordo com o que o Alan falou,
13:56mas eu me questiono se a gente não tem que colocar à prova aquilo que nós acreditamos que sempre tenha sido a comunicação
14:05e que hoje, realmente, de fato, mudou, né?
14:08Olha só, agora são 16 horas e 26 minutos, um rápido intervalo para você que está na rádio.
14:13Por aqui, a gente segue debatendo e o que eu quero trazer agora para o nosso debate é o seguinte.
14:18O presidente Lula, ele tem feito diversas críticas aí ao presidente americano Donald Trump,
14:22só que, aqui no Brasil, em encontros bilaterais, vocês acreditam que o fato dessa crítica ter sido feita no bloco dos BRICS
14:31tenha gerado, de fato, a reação do Donald Trump pela relevância?
14:35Isso não dá a importância que o BRICS tem, de acordo com o que diz o próprio presidente Lula, hein, Piperno?
14:41Eu acho que, à medida em que o presidente Trump partiu para o ataque,
14:45ele aumentou, inclusive, a importância desse encontro que não contou com a sua maior estrela,
14:49que é o presidente chinês, que não veio ao Brasil, até porque esteve no Brasil outro dia, agora, em novembro.
14:55Então, ele achou que, né, talvez fosse desnecessário vir ao Brasil de novo,
14:59participar dessa cúpula outra vez e mandou lá, enfim, o representante.
15:04Também uma forma que o Putin não pode, porque, enfim, tem aí mandado de prisão contra ele.
15:09Mas, de qualquer forma, seria uma reunião, seria um encontro quase que protocolar, né,
15:16sem grandes temas na agenda, temas, pelo menos, de grande impacto.
15:24Mas, à medida em que o presidente Trump se mostrou incomodado,
15:29aí essa reunião, ela ganha, sim, uma dimensão que, muito provavelmente, ela não teria.

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