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O economista Lucas Ferraz, Coordenador do Centro de Negócios Globais da FGV, avalia o encaminhamento do encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Donald Trump (Republicano-EUA).

O especialista afirma que a abertura do diálogo é "uma boa notícia", sendo a melhor opção para o Brasil diante do tarifaço imposto por Trump.

Assista na íntegra: https://youtube.com/live/qsE2hdBBY9M

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Transcrição
00:00Ainda sobre o encontro de hoje na Casa Branca entre o secretário Marco Rubio e o ministro Mauro Vieira.
00:06O nosso entrevistado é o coordenador do Centro de Negócios Globais da Fundação Getúlio Vargas,
00:11Lucas Ferraz, ex-secretário de Comércio Exterior.
00:14Tudo bem, professor? Como sempre, muito obrigado pela atenção, pela gentileza, por nos atender mais uma vez.
00:19Boa noite.
00:20Sempre um prazer, Tiago. Boa noite.
00:22Ô, secretário, claro que foi uma primeira conversa presencial entre um ministro e um secretário
00:30e agora pavimentando essa possibilidade do encontro presencial entre os dois presidentes.
00:36O senhor sabe muito melhor do que ninguém que em diplomacia as coisas andam, às vezes,
00:41numa movimentação bem mais amena do que se esperava, bem menos intensa do que se esperava.
00:48Mas esse encontro, a gente pode rotular esse encontro de que forma?
00:53Já que não temos tantos detalhes ainda, efetivamente, o que foi conversado, apesar da declaração do ministro Mauro Vieira.
01:02Olha, Tiago, eu acho que esse encontro simboliza mais um passo importante de reaproximação entre Brasil e Estados Unidos.
01:13Como você bem disse, não há que se esperar negociações e resultados concretos dessas negociações
01:22em reuniões de alto nível, que envolvem ministros.
01:26Brasil e Estados Unidos têm muitos temas de comércio para serem tratados
01:31e esses temas certamente não serão tratados diretamente numa reunião entre ministros.
01:36Via de regra, essas reuniões são reuniões de alinhamento, para que a partir daí comecem a haver, sim, reuniões técnicas,
01:46grupos técnicos do lado brasileiro e do lado americano, para tentar destravar as negociações
01:53e reduzir as tarifas que foram colocadas para o Brasil, sobretudo a partir do 9 de julho, com um adicional de 40%.
02:00Então, eu entendo que é uma boa notícia no sentido de uma distensão, um passo a mais, depois da reunião entre os presidentes,
02:08mas não havia que se esperar, digamos, nada de concreto, nenhum resultado efetivo,
02:14apenas, sim, um alinhamento para que, a partir de agora, iniciem-se negociações concretas envolvendo equipes técnicas entre os dois governos.
02:21Os dois presidentes, eventualmente, se encontrarão na semana que vem, lá na Malásia, no encontro da ASEAN,
02:28mas, provavelmente, também, caso exista esse encontro, é até possível que não exista,
02:34porque não haverá nada de concreto para ser decidido, se houver um encontro, entendo eu que será uma reunião basicamente de cortesia
02:41e de uma aproximação ainda maior.
02:43Mas, de novo, os temas tarifários, os temas não tarifários, inclusive, que já foram colocados pelos Estados Unidos
02:50no âmbito da sessão 301, são temas que demandam negociação, negociação profunda, são temas complexos
02:58e serão tratados, possivelmente, num nível de grupos técnicos formados entre esses dois países.
03:05Secretário, eu vou trazer os nossos comentaristas. Próxima pergunta é de Dora Kramer. Dora.
03:09Boa noite, secretário. Como é que é? Porque a gente viu ali a manifestação do ministro Mauro Vieira,
03:18menos de quatro minutos, muito breve, naquela linguagem diplomática, né?
03:22Que é feita exatamente para não dizer quase nada, ou melhor, se é nada, melhor ainda, né?
03:29Mas tem ali uma entrelinha, que o senhor deve, com o seu olhar treinado,
03:35deve ter pescado, decodificado alguma coisa. Por exemplo, eu não sei se estou correto,
03:42quando ele falou assim, abordamos assuntos práticos, me pareceu que era uma indicação
03:48de que estávamos tratando de economia, de assuntos objetivos, e não tratando de outro tipo.
03:55Ele disse também que haverá novos encontros, né? E aí, como o senhor traz muito bem,
04:01isso tudo é um processo, que não é assim. Conversa e se resolve.
04:06Como é que é? Primeiro, essa coisa, o que o senhor pescou ali da manifestação dele?
04:12E como é que é o ritual agora? Como é que se dá esse processo?
04:15Entre os dois chanceleres, primeiro, conversa breve entre os dois presidentes,
04:22encontro pessoal entre os dois chanceleres, daqui até uma conversa entre os dois presidentes,
04:29como é que é esse ritual?
04:31Pois é, na verdade, o que a gente observou desse encontro de hoje,
04:39foram duas reuniões paralelas, né?
04:41Uma reunião menor, de 15 minutos, uma reunião basicamente bilateral, né?
04:46Entre o ministro Mauro Vieira e o Marco Rubio,
04:49e depois uma reunião maior, com presença de embaixadores do Itamaraty,
04:55o Maurício Lírio, o Felipe Duff, né?
05:01Que são embaixadores muito experientes, são negociadores muito experientes,
05:06e do lado americano, também o USTR, né?
05:10Que é o Jameson Greer, o que significa que, de fato, ali foi uma reunião onde se tratou
05:15de um alinhamento para futuras negociações de temas técnicos.
05:20Mas chamou a atenção essa reunião bilateral menor, né?
05:23De 15 minutos, que é quando exatamente se tratam os temas mais sensíveis.
05:29E, possivelmente, nessa reunião bilateral, nessa curta reunião bilateral,
05:32se tratou das questões políticas que envolvem também a relação bilateral.
05:37Lembrando que a nossa carta de 9 de julho, ela tinha uma componente política
05:41e ela tinha uma componente comercial também.
05:44E me parece que, nesse momento, como seria desejável,
05:48essas duas questões foram separadas.
05:50Parece que elas estão caminhando em treques separados,
05:54o que é importante para o sucesso, digamos,
05:58para termos aí algo concreto dessas negociações,
05:59porque esses sistemas se misturam, certamente o resultado seria muito ruim.
06:04Então, me parece que houve ali uma separação importante, estratégica.
06:07E, daqui para frente, é esperar que os grupos técnicos se reúnam,
06:11equipes técnicas do lado americano e equipes técnicas do lado do Brasil,
06:15para discutir temas que são temas profundos e técnicos.
06:18A questão das big techs, a questão da propriedade intelectual,
06:22a questão dos acordos preferenciais, a questão do etanol,
06:25a questão propriamente envolvendo o PIX, enfim,
06:28foram temas que foram levantados lá no âmbito da sessão 301,
06:31daquela investigação aberta pelos Estados Unidos,
06:34e que certamente serão tratados.
06:35Porque, afinal de contas, os Estados Unidos hoje, ao fim e a cabo,
06:40tem um leverage, tem uma vantagem nessa negociação,
06:43porque está com a tarifa de 50%.
06:44O Brasil vai ter que oferecer alguma coisa
06:46que seja vantajosa para os Estados Unidos,
06:49para que o Trump possa fazer esse movimento
06:51e seja politicamente aceito nos Estados Unidos pela sua base.
06:55Professor, agora a pergunta de Túlio Nassa.
06:58A gente está falando sobre o encontro hoje na Casa Branca.
07:01Túlio.
07:03Lucas, boa noite. Obrigado por atender a Jovem Pan.
07:07A minha pergunta vai no seguinte sentido.
07:09Ontem, antes da reunião de hoje entre Mauro Vieira e Marco Rubio,
07:14Eduardo Bolsonaro foi recebido pelo Departamento de Estado
07:17lá nos Estados Unidos.
07:18O que, para você, na sua sensibilidade, isso pode sinalizar?
07:22Eduardo Bolsonaro tem realmente essa influência?
07:26Existe algum componente político que os Estados Unidos
07:29devem colocar nessa negociação ou não?
07:32Como que você vê essa questão?
07:35Olha, é difícil avaliar exatamente a dimensão,
07:38digamos, a importância das gestões que têm sido feitas
07:43no âmbito do Departamento de Estado,
07:45no âmbito do governo americano, de uma forma geral.
07:47Eu sempre lembro que o deputado Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos
07:51desde o começo do ano e vem colocando esses temas,
07:56vem colocando os temas internos, sobretudo, não as questões comerciais,
08:00mas sobretudo os temas internos relativos ao processo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
08:04E, ainda assim, no dia 2 de abril, chamado Liberation Day,
08:07o Brasil ficou com a tarifa de 10%.
08:09Então, eu tenho a impressão que, na verdade, várias coisas aí se misturam.
08:14Pode ser que tenha, sim, uma influência das informações que são levadas
08:19ao governo americano por parte do deputado e de outras pessoas também,
08:23de outros agentes que estão também trabalhando nesse sentido nos Estados Unidos,
08:27mas é possível também que existam irritantes do nosso lado,
08:30aqui do lado brasileiro, com declarações que foram feitas no passado,
08:33a questão, por exemplo, da insistência do governo brasileiro
08:37na moeda, na transação em moeda local no âmbito dos BRICS,
08:40a própria declaração dos BRICS que houve aqui no começo de julho,
08:43pouco antes da gente receber o tarifaço da carta do dia 9,
08:47enfim, declarações ruins, declarações muitas vezes com tom de provocação
08:52que podem ter feito com que esses dois temas,
08:55que antes eram temas separados, os temas de política interna
08:57e os temas comerciais, podem ter feito que esses temas se misturassem.
09:02E agora é a hora de a gente desatar esse nó,
09:05é a hora de separar os temas e me parece que nessa reunião de hoje,
09:09essas duas reuniões foram justamente moldadas para tentar ter esse efeito,
09:15ou seja, discutir o tema de política interna no âmbito bilateral,
09:19entre os ministros diretamente,
09:22e uma discussão mais ampla comercial envolvendo, para além dos ministros,
09:26dos embaixadores, negociadores do nosso lado,
09:28e o negociador-chefe americano, que é o seu OSTR, que é o Jameson Greer.
09:32Então daqui para frente é esperar que esse processo continue,
09:36vai ser um processo longo, eu não espero que seja um processo curto,
09:39porque os temas são complexos e certamente serão temas da sessão 301,
09:43é possível que agora, enfim, com a questão da China,
09:47com o anúncio que a China colocará licenças para exportação de terras raras
09:51a partir de dezembro.
09:53Isso até se constitui uma vantagem para o governo brasileiro,
09:56porque o Brasil é um país abundante em minerais críticos, em terras raras,
10:00e isso também eventualmente pode entrar no âmbito da negociação
10:03de uma maneira favorável para o Brasil,
10:06num momento que os Estados Unidos precisam muito ter acesso a esse tipo de bem
10:10para conseguir seguir movendo a sua economia.
10:13Professor Lucas, agora a pergunta de Deise Siocari.
10:16Professor, quando um republicano conservador senta, como o Marco Rubio,
10:22ele senta com o Mauro Vieira, o que está em jogo?
10:25É a diplomacia, é o comércio, ou é uma tentativa dos Estados Unidos
10:30de recolocar o Brasil no seu raio de influência?
10:35Olha, eu acho que é um pouco de cada coisa.
10:37Tem um pouco ali, evidentemente, de diplomacia,
10:39o Marco Rubio é o secretário de Estado,
10:42ele é o equivalente do chanceler americano,
10:44o nosso Mauro Vieira também é o nosso chanceler,
10:47e esses temas de diplomacia, eles se misturam muito também com temas comerciais.
10:52Mas eu entendo que o Marco Rubio, nesse momento,
10:56nessa negociação especificamente,
10:58ele simboliza o processo político.
11:01Lembrando que, digamos, o tarifácio, as sanções
11:04que vieram contra o Brasil,
11:06elas foram, digamos, impulsionadas pelo Departamento de Estado.
11:09Elas não vieram do USR,
11:11ou muito menos do Departamento de Comércio,
11:13ou muito menos do secretário de Tesouro americano.
11:16Então, o Marco Rubio está presente nessas negociações
11:19porque ele, digamos, ali está por trás,
11:21digamos, dessa linha mais dura do governo americano,
11:25de ter uma atitude, digamos,
11:27mais confrontativa em relação ao Brasil.
11:30Mas agora, acho que o mais importante é,
11:32a partir desse encontro,
11:33a partir da boa relação que, inclusive, existia
11:36entre o Marco Rubio e o Mauro Vieira,
11:38lembrando que o Mauro Vieira foi embaixador do Brasil em Washington,
11:40o Marco Rubio era senador à época,
11:42então eles têm já uma relação no passado,
11:45que é uma relação que, em princípio, fluida,
11:47é tirar proveito desse bom momento,
11:50dessa boa relação que já existe entre os dois
11:52e fazer caminhar essa agenda.
11:54Professor, pela sua experiência,
11:56a gente sabe que o tarifácio também está afetando
11:59itens da cadeia produtiva dos Estados Unidos.
12:03E, claro, que o presidente dos Estados Unidos sabe disso,
12:07é informado pelos seus assessores em relação a isso.
12:10Até que ponto isso vai pesar nessa decisão
12:13de, eventualmente, não reverter totalmente o tarifácio,
12:16mas amenizar esse impacto aqui para o Brasil?
12:19Eu acho que pesa bastante, Tiago.
12:22O setor privado, no momento em que nós tivemos
12:26quase que um apagão diplomático entre Brasil e Estados Unidos,
12:29pelo menos no período entre 2 de abril até mais recentemente,
12:34até a semana passada,
12:36foi o setor privado, na verdade, junto,
12:38o setor privado, eu digo, brasileiro e o americano,
12:41que conseguiram excepcionar do tarifácio de 9 de julho
12:45cerca de 700 produtos,
12:47o que significou, basicamente,
12:48metade da pauta de exportação brasileira
12:51para os Estados Unidos no ano passado,
12:53algo como 20 bilhões de dólares.
12:55Então, o setor privado, de fato,
12:56tem um papel bastante importante
12:58nessa negociação
13:00e o Trump tem ouvido,
13:02tem ouvido sensíveis, digamos,
13:04às demandas do setor privado.
13:05É claro que alguns setores,
13:07são setores que são, digamos,
13:10estão sendo afetados,
13:11mas não são setores que fazem parte,
13:13digamos, do movimento MAGA.
13:14E aí a tendência do governo americano
13:16é ser menos sensível.
13:18Mas, de uma forma geral,
13:19eu entendo que o setor privado
13:20tem atuado positivamente
13:22e deve continuar acompanhando de perto
13:24essas negociações
13:25e, na medida do possível,
13:27tentando influenciar o resultado
13:29beneficamente, eu diria,
13:30mutuamente para Brasil e Estados Unidos.
13:33E só mais uma dúvida.
13:34Em relação à China,
13:36os Estados Unidos estão em pé de guerra
13:37de novo com a China,
13:39a gente vem acompanhando
13:40nesses últimos tempos,
13:41tem a ver com a questão
13:42das terras raras.
13:43O senhor acha que os Estados Unidos
13:44têm capacidade de discutir
13:46essas duas frentes?
13:47Ou seja,
13:48essa questão com a China
13:49não interfere necessariamente
13:51a discussão com o Brasil?
13:54Eu acho que pode ter uma ligação, sim,
13:56uma conexão.
13:57No momento em que a China anuncia
13:59a imposição de restrições,
14:01de licenciamento
14:02para a exportação de terras raras,
14:05de uma forma geral,
14:07empresas estrangeiras,
14:09isso, evidentemente,
14:11dada a importância da China
14:12como supridor dessas matérias-primas,
14:15cerca de 70% do mercado mundial
14:17é servido pela China,
14:18evidentemente sugere uma demanda
14:20adicional para os Estados Unidos
14:22para, digamos,
14:24colocar esse tema com o Brasil
14:25na medida que o Brasil
14:26é um país muito abundante
14:28em minerais críticos
14:28e terras raras.
14:30Então, eu entendo
14:30que esse movimento
14:31que tem sido feito pela China,
14:33ainda que isso possa gerar
14:34repercussões negativas
14:36em termos mundiais,
14:37dada a importância
14:38dessas matérias-primas,
14:39desses minerais
14:40para os processos produtivos,
14:42sobretudo de tecnologias modernas,
14:44painéis solares,
14:45baterias elétricas,
14:46semicondutores,
14:47mas, sob o ponto de vista bilateral,
14:50isso pode ser um ativo
14:51para o Brasil
14:52negociar com os Estados Unidos
14:54e tentar,
14:56por meio de investimentos americanos,
14:58de investidores americanos,
15:00conseguir desenvolver,
15:01conseguir avançar
15:02na exploração
15:03de terras raras
15:04aqui no Brasil,
15:05sobretudo,
15:06agregando valor,
15:08se possível,
15:09com a questão do beneficiamento,
15:11com a questão do refino,
15:12que é a etapa
15:13do processo produtivo
15:14que mais agrega valor
15:15nessa cadeia.
15:16Professor Lucas Ferraz,
15:18secretário de Comércio Exterior,
15:19como sempre,
15:20muito obrigado
15:20por atender a Jovem Pan,
15:21pelas explicações,
15:22voltaremos a nos falar.
15:23Bom descanso,
15:24um abraço para o senhor.
15:24Bom descanso,
15:26um abraço para o senhor.
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