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  • há 2 meses
“Eu nasci com o tacacá”, resume a tacacazeira Neide Sobrinho, de Belém, sobre o ofício que aprendeu com a avó, de quem herdou o dom e o amor por preparar a iguaria. O trabalho das tacacazeiras, já reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Pará, pode agora se tornar Patrimônio Cultural do Brasil, graças a uma consulta pública aberta pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), um feito comemorado por Neide e outras pessoas que vivem da venda de uma das comidas típicas mais queridas da região Norte.

REPORTAGEM: ANDRÉIA SANTANA
IMAGENS: CRISTINO MARTINS
EDIÇÃO: BIA RODRIGUES (SUPERVISÃO: TARSO SARRAF)

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Transcrição
00:00Eu já trabalho há 28 anos aqui nesse ramo, mas começou tudo pela minha avó.
00:11A Vendici já tem 65 anos, a minha avó que é matriarca, ela que começou tudo.
00:15Então, desde 2011 ela não está mais presente entre a gente e eu estou seguindo o legado dela.
00:20Agora o IFAM abriu uma consulta pública para tornar a Estaca Caseiras Patrimônio Cultural do Brasil.
00:25O que você acha disso? Pacta no trabalho de você?
00:28É um marco na nossa história, porque isso faz com que a sociedade veja a importância do nosso ofício,
00:36o reconhecimento e a valorização de um prato que não é somente um prato.
00:40O Takaká não é somente um prato, ele é uma história viva da nossa ancestralidade
00:46e fazer com que isso, as novas gerações futuras tenham o conhecimento do saber, do fazer
00:51e da continuidade a essa tradição tão representativa da nossa região que é a nossa cultura, o Takaká.
00:58O Takaká sempre começou em bancas de ruas que a gente fala, então o Takaká já é um símbolo da nossa cultura,
01:06da nossa tradição. Se tornou um hábito da pessoa toda tarde procurar uma banca de Takaká no sol quente mesmo,
01:15que é a tradição a gente tomar no sol fervendo e a pessoa tomando o Takaká.
01:19Então isso já é um hábito. E isso faz sim com que a gente tenhamos mais visibilidades também.
01:26Inclusive ano passado, de dezembro, a gente esteve no Paraguai, fazendo uma demonstração do Takaká lá.
01:32Estava tendo um encontro, uma conferência intergovernamental dos países e a gente fez essa experiência levando o Takaká para fora.
01:39Então para a gente é um marco fazer com que o nosso trabalho, que eu digo que não é só nosso,
01:45eu digo que é da minha avó, dos antepassados da minha avó, levando o futuro e as gerações criando,
01:51tendo continuidade desse legado, é tão importante. É um pertencimento nosso, né?
01:58Quais são as maiores dificuldades que a Takakáza enfrentam hoje?
02:01Eu acho que é mais um apoio político, né?
02:07Tem equipamentos que as pessoas têm condições de manter,
02:10seus equipamentos mais sofisticados, tem outros que não têm.
02:14E a gente sente uma dificuldade na hora de fazer um empréstimo,
02:19tem pessoas que não abrem pelas burocracias, não abrem para as pessoas terem o equipamento melhor.
02:26Se houvesse um olhar mais, eu digo, carinhoso a respeito disso,
02:32eu acho que isso faz com que também nós tenhamos mais respeito ao olhar do próximo.
02:38O que torna o Takaká, o seu Takaká diferente dos outros?
02:41Tem alguma receita especial, uma coisinha especial no seu Takaká?
02:45É o toque de amor passado de vó para neta.
02:49Como eu falo, o Takaká é um pertencimento nosso.
02:52A gente valorizar mais o que é nosso.
02:54Fazer com que o nosso Takaká tenha mais visibilidade mundo ao fora,
02:59apesar que já ganhamos muita visibilidade, né?
03:03Com a música até da própria Joelma que levou,
03:06fez com que muitos viessem de fora para conhecer o que era o Takaká,
03:10querer saber o que é o Takaká.
03:12Então eu acho que é valorizar mesmo o que é nosso.
03:14As próprias pessoas estão de dentro mesmo valorizar o que é seu,
03:18que as outras pessoas vão também valorizar.
03:21Para você mesmo, o que significa ser Takakazeira?
03:24Para me significar tudo, né?
03:30Porque eu digo que desde a barriga da minha mãe nascer fazendo Takaká.
03:36Eu aprendi com a minha avó, desde o tirar a mandioca, tirar o tucupi.
03:41Então a minha história de vida é o sustento da nossa família
03:45para me significar tudo.
03:47E é um orgulho.
03:48Você tá Takakazeira?
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