Uma operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo (MPSP) desarticulou um plano da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) para assassinar o promotor de Justiça, Lincoln Gakiya, e o coordenador de presídios, Roberto Medina.
A ação cumpriu mandados de busca e apreensão no interior de São Paulo, resultando na prisão de suspeitos ligados ao esquema.
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00:00Os policiais cumpriram 25 mandados de busca e apreensão em endereços dos integrantes do PCC em sete cidades na região oeste de São Paulo.
00:10A investigação apontou que os criminosos monitoravam a rotina do promotor do GAECO, Lincoln Gakia, e do diretor das unidades prisionais do Oeste Paulista, Roberto Medina, até mesmo por meio de drones.
00:22As investigações começaram em julho deste ano, quando os policiais militares prenderam Vitor Hugo da Silva, conhecido como VH, integrante do PCC, por tráfico de drogas.
00:34Ao analisar o celular dele, os policiais identificaram várias fotos e vídeos com informações acompanhando a rotina do coordenador dos presídios.
00:46Logo após a prisão de Vitor Hugo, outros dois criminosos foram presos, suspeitos de envolvimento no plano para assassinar as autoridades, como conta o próprio promotor Lincoln Gakia.
00:57Um atentado contra o Estado, na medida em que sucessivas vezes são descobertos planos de atentados contra autoridades, no meu caso aqui, eu contabilizo pelo menos uma dezena de planos para me assassinar.
01:14Esse último chegou bastante perto.
01:18O procurador-geral de Justiça Paulista, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, destaca que para as forças de segurança avançarem contra o crime organizado, a legislação precisa mudar urgentemente, classificando as facções como máfias.
01:32E é no âmbito do Congresso Nacional que a sociedade deve buscar, junto com os parlamentares, a imprensa e todas as instituições e órgãos de segurança, aprimorar um sistema legislativo que não só trate da questão da segurança dos seus agentes, mas use um maior rigor no tratamento de criminosos.
01:53No caso de hoje, essas pessoas que foram presas, elas não podem ter o mesmo tratamento do criminoso comum ao serem encaminhados à prisão.
02:01Deve ter uma espécie de isolamento muito mais eficaz, cautelar, preventivo, para que as autoridades possam buscar informações relevantes.
02:11Lincoln Gakia afirmou que a operação realizada nesta sexta-feira também tem a tentativa de descobrir o que motivou a morte do ex-diretor-geral da Polícia Civil, Rui Ferraz Fontes,
02:23no dia quinze, no mês passado.
02:25As investigações ainda estão em andamento, não é?
02:29Nenhuma hipótese está sendo descartada, seja pela Polícia Civil, seja pelo Ministério Público.
02:36Porém, os indícios são fortes no sentido de que a ordem partiu do PCC e o setor da sintonia restrita teria sido responsável por esse assassinato.
02:48O promotor Lincoln Gakia atua há mais de duas décadas no combate ao PCC e já foi alvo de outras ameaças da facção criminosa, assim como o coordenador dos presídios, Roberto Medina.
02:58Em anos anteriores, o grupo também elaborou planos para assassinar outras autoridades, entre elas o atual senador Sérgio Moro, quando era ministro da Justiça e Segurança Pública do governo de Jair Bolsonaro.
03:11Bom, claro que esse é um assunto delicado, já já a gente vai ouvir uma especialista para falar sobre isso, mas antes eu quero ouvir o Cristiano Villela.
03:19De novo, né, Villela, a gente acompanha uma operação contra o crime organizado e o procurador, inclusive, ele fala que é necessário mudar leis.
03:30Há quantos anos a gente ouve falar sobre isso, o Congresso Nacional ampliar a alteração de leis, fazer mudanças?
03:38Nessa semana tivemos algumas propostas até do governo, mas isso não sai do papel e fica por isso mesmo, né?
03:45E o que é pior, né, Tiago? Muitas vezes até se altera uma legislação aqui, outra colar, mas a sensação de impunidade é muito forte no Brasil.
03:53O crime organizado, ele se estrutura e para cada operação como essa que vem a desvendar uma tentativa de assassinato,
04:02quantos outros homicídios não são praticados, quantas operações envolvendo tráfico de drogas,
04:09envolvendo possibilidade para esquentar dinheiro, para lavagem de dinheiro.
04:14Nós vimos recentemente operações tremendas que conseguiram identificar movimentações de grande vulto,
04:23agora tantos e tantos milhões e bilhões de reais acabam passando ao largo das investigações.
04:30O fato é que o Estado brasileiro precisa ter uma atuação bastante profissional, bastante racional em relação ao crime organizado.
04:39Não dá para tratar o crime organizado como o bandido, o coitadinho, o ladrão de galinha.
04:44Tem que haver, sim, uma atuação orquestrada por parte do Estado brasileiro, tratando o tema com seriedade,
04:51despolitizando e organizando o governo federal e as unidades da federação.
04:56Enquanto a gente continuar, um falando grego, outro falando japonês, o outro falando português,
05:02aí ninguém vai se entender.
05:03É preciso uma consertação entre os atores da segurança pública para, minimamente, tentar equiparar esse jogo do crime,
05:10que é cada vez mais bem organizado.
05:13Agora, o que eu queria perguntar para você é o seguinte, como é que o mundo político entende a segurança pública
05:18ou encara a segurança pública?
05:19Porque hoje saiu uma análise até que eu li, dizendo que o poder público já está totalmente aberto ao crime organizado,
05:30não consegue fazer absolutamente nada ou apenas tomar medidas paliativas.
05:35O poder público teme o crime organizado, essa que é a questão.
05:39E ano que vem é um ano eleitoral.
05:41A gente fala, vocês falam muito aqui na Jovem Pan, que esse é um tema que vai ser primordial na campanha política,
05:48mas de que forma que isso, em algum momento, vai ser revertido, Dora?
05:52Olha, não tem muito jeito, a não ser porque essa coisa de legislações e planos isolados, tal,
06:00cada um gás, suscitam discussões.
06:06Como o Vilela falou, cada um fala um idioma diferente.
06:10Quando você pergunta, como é que o mundo político entende?
06:13Não entende.
06:14Não entende.
06:15Porque há um embate aí de visões que vem de muito tempo.
06:20Enquanto esse muito tempo, que é a esquerda achando, está começando a abandonar,
06:28achando que é só um problema social,
06:31e a direita achando que é um problema de um embate só com violência.
06:38Eu estou resumindo, fazendo um resumo aqui muito simplista, né?
06:42Mas há um choque e ninguém se mexe, né?
06:46Quando a gente teve governos que saíram da ditadura,
06:51todo mundo tinha muitos pisando em ovos para lidar com esse assunto,
06:56porque era o combate à criminalidade,
07:01tinha uma identificação com a ditadura, não é?
07:04Então você teve aí o governo Fernando Henrique,
07:08o governo Collor entrou nessa questão.
07:11Depois o governo Lula, o governo Dilma,
07:15e aí ficou, se ficou nessa patinação.
07:18Enquanto isso, o crime organizado que veio surgir lá na ditadura,
07:24nas prisões, no encontro de presos comuns com presos políticos,
07:29que aí que aprendem, começam essa semente da organização.
07:33Então, olha quanto tempo o crime organizado teve para se organizar.
07:39Tiago, concordo muito quando você diz
07:41o Estado teme o crime organizado,
07:45e o crime organizado não teme o Estado.
07:48Eu tenho a impressão, não tenho certeza.
07:51Sabe quando a gente,
07:53quando o país se organiza, claro,
07:56liderado por um governo,
07:58para dar combate a um problema que está arrasando com o país,
08:04é só isso que vai dar um jeito,
08:07ou pelo menos dar um caminho nessa questão que só piora.
08:11Tivemos isso na inflação guardadas as proporções,
08:15mas sabe, aquilo é um país unido
08:19sob a liderança de um governo
08:22para que se enfrente um problema que só faz piorar
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