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O Hora H do Agro entrevistou Douglas Alves Vidal, Supervisor de Operações da Fundação Mato Grosso, para um mergulho no sistema agrícola que revolucionou o manejo do solo no Brasil e impulsionou a produção, especialmente no Cerrado mato-grossense, que exige constante investimento em fertilidade. Douglas explica o que é o Plantio Direto – baseado nos pilares de ausência de revolvimento do solo, rotação de culturas e cobertura permanente com palha – discute as pesquisas mais recentes para o aprimoramento do sistema, e detalha o crucial papel da técnica na sustentabilidade e na mitigação dos impactos das mudanças climáticas, abordando também os desafios que ainda persistem para a completa adoção dos seus três pilares em diferentes regiões do país.

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Transcrição
00:00E no dia 23 de outubro foi celebrado o Dia Nacional do Plantio Direto.
00:06O método de semeadura começou a revolucionar o manejo do solo no Brasil lá na década de 70 ainda.
00:12E desde lá vem possibilitando a produção em estados onde isso não era possível.
00:18Um dos estados que mais se beneficiou do plantio direto foi Mato Grosso,
00:23cujo solo do Cerrado precisa de investimentos em fertilidade com recorrência.
00:28Para conversar conosco sobre isso, nós vamos receber o Douglas Alves Vidal,
00:33Supervisor de Operações da Fundação Mato Grosso.
00:36Bem-vindo ao Araga do Agro. Muito obrigada pela sua disponibilidade, Douglas.
00:41E eu queria começar, para o começo de conversa, né?
00:44A gente sabe que quem é do agro conhece muito bem o plantio direto,
00:47já está acostumado a ouvir esse termo, a saber o que significa.
00:51Mas queria partir do princípio e te pedir para explicar o que é, então, o plantio direto.
00:56Para quem não conhece, para quem não está familiarizado no agro,
01:00o que é e como que, de fato, então, isso tem modificado a forma de produzir no Brasil.
01:06Obrigada, de novo, pela sua disponibilidade.
01:10Realmente, muito obrigado.
01:11É uma satisfação estar aqui para falar justamente nessa semana,
01:16que a gente comemora o Dia Nacional do Sistema de Plantio Direto.
01:19E eu vou ser bem sucinto e bem simples na explicação para que todos entendam perfeitamente.
01:27Então, o sistema do plantio direto, ele começou a ser instalado no Brasil ali no finalzinho da década de 60,
01:33mais para o início da década de 70.
01:36Mas ele foi amplamente difundido no Brasil só a partir da década de 1990.
01:41De lá para cá, a gente teve muitas mudanças, muitas alterações que a gente deve escorrer aqui ao longo da entrevista.
01:50Mas é importante frisar o quê?
01:52O sistema de plantio direto, ele é baseado dentro de três pilares.
01:56Não revolvimento do solo,
01:58manutenção de palhada do sistema
02:00e rotação de culturas,
02:03visando uma preservação do solo e do sistema de produção.
02:06Perfeito.
02:08Então, aquela ideia, só para situar bastante o pessoal que não entende do agro,
02:12que não está familiarizado,
02:13aquela ideia antiga de arado, de ficar fuçando na terra.
02:17Exatamente isso que o plantio direto não quer.
02:20Deixa o solo intacto, coberto com palhada,
02:24fazendo todo esse mix de cobertura para questões que são benéficas para os nutrientes.
02:31E aí, então, você disse que existe uma maior proporção disso no Brasil,
02:37da prática do plantio direto no Brasil,
02:39a partir da década, então, de 1990.
02:42O que que...
02:44Eu queria entender um pouco esse histórico na pesquisa.
02:47O que a gente tem visto de melhorias de lá para cá?
02:50E o que vocês acreditam dentro da fundação
02:54que é possível, inclusive, melhorar?
02:56Como que vocês acompanham essa parte dos avanços do plantio direto?
03:01Perfeito.
03:02É bom a gente voltar um pouco em história,
03:05sendo bem breve, só para o entendimento.
03:07Então, quando se falava em sistema de plantio,
03:10sistema de plantio direto na década de 70,
03:13a gente falava de mexer o mínimo possível no solo
03:16em plantas sem revolvimento.
03:19Hoje é uma sistemática completamente diferente.
03:22O nosso solo, ele é um ser vivo.
03:24Ele tem uma infinidade de variáveis que interferem na produtividade
03:30e na sustentabilidade do sistema que a gente está conduzindo.
03:33Então, lá no início da década de 70,
03:37falava-se de plantio direto, era isso.
03:39Soja, milho, pouco revolvimento de solo,
03:42feito com plantadeiras convencionais.
03:45De lá para cá, a gente conseguiu melhorar esse sistema
03:48em todas as áreas do conhecimento.
03:51Então, quando se fala de máquinas,
03:52a gente teve um grande avanço de engenharia de máquinas,
03:55de semeadoras, de todas as empresas possíveis,
03:59pensando em revolver o mínimo possível do solo.
04:02Então, em alguns casos, você já chega na área.
04:05Você consegue ver só aonde ali a lâmina de corte
04:09para a introdução da semente passou.
04:11É um mínimo de revolvimento possível.
04:13A gente teve avanços nesse sistema,
04:16tentando entender a área de nematóides.
04:19Então, em algumas áreas do país,
04:21a gente já está falando de inviabilidade,
04:23inviabilização da produtividade devido a nematóides.
04:28Então, através do sistema de plantio direto,
04:30na escolha correta da cobertura,
04:33daquilo que a gente está estudando aqui,
04:34daquilo que a gente quer entender que pode ser
04:36ou não um problema para o produtor,
04:39a gente vai avançando nesse sistema.
04:40Então, hoje a gente já faz sistema de plantio direto.
04:44Soja, milho e algodão.
04:45A gente não fala mais só dessas três.
04:47A gente entra com novas coberturas.
04:51A gente fala de trabalhar com vários tipos de braquiária,
04:54vários tipos de leguminosas, crotalárias,
04:58que são coberturas que têm, de certa forma,
05:01uma adição benéfica para a cultura de interesse.
05:05Então, eu estou falando de fixação de nitrogênio,
05:08eu estou falando de ciclagem de nutrientes,
05:10eu estou falando de redução de nematóides patogênicos
05:14para as culturas de interesse,
05:16eu estou falando de redução de doenças.
05:19Então, é um sistema vivo, ele é extremamente integrado.
05:23Perfeito.
05:24Você traz essa visão bem ampla, né,
05:27dos benefícios, então, do plantio direto.
05:30Mas, ainda assim, a gente precisa lembrar
05:34que isso também está muito ligado com as propriedades do solo,
05:38como você mesmo está falando, né?
05:40Praticar o plantio direto no Maranhão é uma coisa,
05:43no Rio Grande do Sul é outra, no Mato Grosso é outra.
05:46O que você traz para a gente, desse ponto de vista também,
05:50do quanto que a ciência agronômica
05:52precisa estar atenta para não pasteurizar
05:54pasteurizar o plantio direto, né?
05:56Para que ele realmente seja efetivo,
05:58que seja uma técnica, uma ciência,
06:00que também seja adaptada às diferentes realidades do Brasil, né?
06:05Como que...
06:06Eu sei que você fala, claro, do estado do Mato Grosso,
06:09mas como que você avalia essa questão
06:11do ponto de vista de ciência agronômica
06:15e do avanço do plantio direto no Brasil?
06:17Perfeitamente.
06:19Então, cada região do país,
06:21ela tem uma característica climática diferente.
06:24E a gente não pode levar a ferro e fogo
06:27o que é executado em um local
06:28ou pode ser perfeitamente replicado em outro.
06:31Então, a pesquisa entra para entender isso.
06:34Quando eu falo especificamente de Mato Grosso,
06:36por exemplo, eu tenho um regime hídrico.
06:38Quando comparado, toda a região do Brasil
06:41é favorável para a produção de grãos.
06:43E quando eu vou indo para outras regiões do país,
06:47essa distribuição de chuva é um pouco diferente.
06:50Eu vou ter situações em que o estado
06:52ele tem um pequeno volume de chuva
06:57e muito bem distribuído.
07:00E eu vou ter estados em que eu tenho muita chuva,
07:03mas muito mal distribuído.
07:05E isso tem que ser muito bem estudado,
07:07caso a caso, região a região.
07:10Então, é importante que o agrônomo
07:12que faça a recomendação do sistema de plantio
07:14entenda a realidade do produtor
07:16e entenda a realidade da região.
07:18Então, por exemplo, Mato Grosso,
07:20a gente tem muita facilidade,
07:22através do sistema de plantio direto,
07:24em formar palhada.
07:26Em formar palhada que vai passar para a entre safra
07:29e vai nos garantir uma cobertura de solo
07:31que vai trazer vários benefícios.
07:34Redução de umidade,
07:35manutenção de umidade no solo,
07:40dentre diversos outros fatores
07:41que a gente pode abordar mais à frente.
07:44Mas quando eu falo, por exemplo,
07:45de uma região semiárido,
07:46o meu regime de distribuição de chuva
07:48é um pouco menor.
07:50Então, a cultura de interesse
07:53é a mais importante nesse momento.
07:55Para a gente conseguir formar uma cobertura
07:57bem feita,
07:59que atenda às necessidades
08:01do sistema de plantio direto,
08:03a gente precisa entender qual cultura de sucessão
08:06vai ser adaptada para aquela região.
08:09Então, na região do semiárido,
08:11especificamente, a gente tem essa dificuldade.
08:13Porque as culturas, elas ainda não estão muito bem
08:15adaptadas para a região.
08:18E isso precisa ser estudado e analisado caso a caso.
08:21É aí que a pesquisa entra para trazer para o agricultor
08:25informações que ajudem ele na tomada de decisão.
08:29Perfeito.
08:30Então, pelo que você está falando,
08:31a aplicação,
08:34colocar o sistema de plantio direto
08:37vai muito também em linha com
08:39todas essas culturas.
08:40Como você falou,
08:41hoje a gente fala muito de soja,
08:43de milho, de algodão,
08:44das próprias forrageiras em geral.
08:46Mas quando traz para outras regiões do Brasil,
08:49é preciso entender quais são essas culturas
08:51e se elas são, de fato,
08:54adaptáveis ao plantio direto.
08:55É isso?
08:56Queria entender um pouco como que...
08:58Qual que é a dificuldade de avançar?
09:00O que vocês acompanham aí do ponto de vista agronômico,
09:04científico, exatamente para essas regiões,
09:07como você falou, do semiárido também.
09:09Porque para quem não acompanha muito agro,
09:12a gente gosta de situar aqui, é isso.
09:14O sistema de plantio direto,
09:15ele é muito bem difundido.
09:17Mas não é porque ele é bem difundido
09:18que necessariamente ele está sendo bem executado.
09:20Sim, existem dificuldades em algumas regiões como você traz.
09:25Quais que são esses impactos?
09:27Queria que você trouxesse um pouquinho mais de detalhe,
09:29nesse sentido, por gentileza.
09:31Perfeito.
09:32Acho que é importante a gente frisar primeiro os benefícios
09:35do sistema de plantio direto
09:37para entender qual é a dificuldade em cada região.
09:40Então, quando eu falo de benefício,
09:44eu estou falando de cobertura diária,
09:46redução de plantas daninhas que vão sair da safra
09:48para a intersafra e para a safra seguinte.
09:51Eu estou falando de retenção de umidade no solo.
09:54E eu estou falando de redução de doenças, nematóides.
09:58E de forma genérica, esses quatro pontos principais.
10:02Mas para isso acontecer, eu preciso ter massa,
10:07eu preciso ter cobertura no chão, no solo.
10:11E a dificuldade do semiárido hoje é essa.
10:14Porque quando a gente entra com a cultura de interesse,
10:17seja a soja, seja o algodão,
10:19a gente está focado no regime hídrico
10:21para essas culturas de interesse.
10:24Então, às vezes ali o produtor
10:25ou até o próprio grupo de exploração agrícola
10:29perde um pouco a mão na cobertura que vai vir na sucessão.
10:33Falta chuva, literalmente, falta água
10:36para a gente ter o estabelecimento dessa cobertura.
10:39Que ela já não é adaptada para aquela região específica
10:42e ela está ficando em uma janela de plantio um pouco tardia
10:45ou fora do ideal.
10:47Então, se a gente não consegue garantir essa palhada,
10:51que é o que traz benefícios para o sistema,
10:53acaba saindo como um tiro na colatra.
10:55Porque você vai ter todo um sistema
10:57para a instalação desse sistema de plantio direto
11:00com a cobertura de interesse que você selecionou,
11:02e ela não vai trazer os benefícios que a gente precisa.
11:05Então, novamente, eu preciso ter informação de qualidade
11:09para a tomada de decisão
11:11e eu preciso ter condições para a execução dessa técnica.
11:15Perfeito.
11:17E aí você traz dois pontos aí importantes,
11:21que é solo, regime hídrico.
11:22Você está falando de solo e de chuva.
11:25Não tem como ouvir essas palavras sem pensar em clima
11:28e logo mudanças climáticas.
11:30E tem o sistema de plantio direto,
11:33além da produtividade,
11:34de todos esses ganhos que você já trouxe.
11:36É isso, sim.
11:37É um ganho para a sustentabilidade,
11:39olhando para o pilar do meio ambiente.
11:41Como que o plantio direto também influencia, então,
11:45e pode ajudar a diminuir os impactos das mudanças climáticas?
11:50Queria trazer um pouquinho também
11:51de uma avaliação sua nesse sentido,
11:55porque a gente vê que o regime de chuva
11:57está mudando ao longo dos anos.
12:00Os produtores rurais estão tendo que se adaptar
12:02a uma nova realidade do clima.
12:05com o que, de fato, o plantio direto pode ajudar também
12:09nessa mitigação, nessa adaptação às mudanças climáticas?
12:14Perfeito.
12:15Hoje, principalmente no Mato Grosso,
12:16mas acredito que seja nacional,
12:19o sistema de plantio direto viabiliza o sistema.
12:23Por que eu digo que ele viabiliza o sistema?
12:26Vamos começar pelo quesito umidade.
12:29Hoje a gente não consegue trazer com clareza
12:32quando as chuvas vão, de fato, começar na semana.
12:35A gente tem um histórico de chuvas
12:38que pode se concretizar para o ano seguinte ou não.
12:42Esse volume de chuva pode ser pequeno
12:44ou pode ser excessivo.
12:47E é onde entra o sistema de plantio direto nisso.
12:49Vamos falar de seca primeiro.
12:52Eu tive uma chuva muito pequena no meu sistema.
12:55Choveu 10 milímetros.
12:56Uma chuva de 10 milímetros,
12:58dependendo da condição do solo,
12:59ela é muito pequena e muito arriscada
13:02para mim começar a semeadura
13:04da cultura de interesse,
13:06seja soja ou seja milho.
13:07Então essa palhada,
13:09essa cobertura que se forma
13:10de proteção no solo,
13:13ela me garante por maior tempo
13:15a umidade no solo,
13:16que é o que vai garantir o desenvolvimento
13:18da semente que eu estou depositando no solo.
13:20Esse é o primeiro ponto.
13:22Segundo ponto,
13:23quando eu tenho chuva demais,
13:25quando eu tenho chuva demais,
13:26eu fiz a minha semeadura na área
13:28e choveu 100 milímetros de uma única vez,
13:31em uma hora, 30 minutos,
13:34eu vou ter um escoamento considerável do solo
13:37na área de interesse.
13:39Eu vou chamar de erosão.
13:41Então é um dos primeiros impactos visíveis
13:45que é visto no solo.
13:47Umidade.
13:49Aí a gente parte para outros elementos.
13:52Hoje existem fungos que estão depositados no solo,
13:57na primeira superfície do solo.
14:00E o que leva eles para as plantas é a chuva.
14:03Então a gota de chuva cai no solo
14:05e transporta o fungo para a planta
14:08que vai se desenvolver no ciclo da soja,
14:10no ciclo do algodão,
14:12no ciclo do milho.
14:13Essa cobertura que a gente coloca
14:15no sistema de plantio direto
14:16funciona como uma barreira
14:18para que esse patógeno
14:22não encontre a cultura de interesse.
14:24Outro ponto que também vale a pena
14:26ser citado,
14:30além de água e além de doenças,
14:32nematóides.
14:34Então, como eu disse,
14:35tem áreas de interesse no Mato Grosso
14:39e no Brasil
14:39que está sendo inviável a produção agrícola,
14:43porque o nematóide está reduzindo
14:45a produtividade em 50%, 60%, 70%.
14:47Então, dependendo do material que eu escolhi
14:50para formar a minha cobertura,
14:53eu reduzo significamente
14:54a população de nematóide
14:56que vai seguir para a safra de interesse.
14:59Certo?
15:00E aí
15:13E aí
15:14E aí
15:22E aí
15:26E aí
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