Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 3 meses

Categoria

📺
TV
Transcrição
00:00As perdemos o 1 e o 2.
00:06Todos os quatro motores de um avião indo para uma região suburbana dos Estados Unidos param de funcionar.
00:12É preciso poucas coisas para fazer um motor funcionar e uma delas é combustível.
00:15Pessoal, nós vamos evacuar o avião. Fiquem calmos.
00:20No Japão, um avião pega fogo com todos os 165 passageiros e tripulantes ainda a bordo.
00:25A única situação na qual você tem combustível demais num avião é quando ele está em chamas.
00:31Acabamos de perder o motor.
00:34Tenha calma.
00:36E a tripulação de um 737 é obrigada a fazer um pouso forçado na selva amazônica.
00:41Tem alguma coisa de muito, muito errada aqui.
00:46Três acidentes misteriosos fazem investigadores buscar provas.
00:50Será possível que essas tragédias todas tenham a mesma causa?
00:57Especial de Mayday, desastres aéreos.
01:17Esta é uma história real baseada em relatórios oficiais e relatos de testemunhas.
01:21O uso de emergência na floresta amazônica.
01:24O voo 173 da United Airlines está a 35 quilômetros do aeroporto internacional de Portland, 28 de dezembro de 1978.
01:32Os 189 passageiros a bordo estão voltando para casa depois do Natal.
01:38United 173 pede autorização para uma aproximação 28 esquerda agora.
01:42O comandante, Malborne McBroom, um veterano da Segunda Guerra Mundial, é um dos pilotos mais experientes da United.
01:52O copiloto, Rod Bibi, tem mais de 5 mil horas de experiência em voo.
01:59O engenheiro de voo, Forrest Mendenhall, é o terceiro membro da tripulação.
02:04Certo.
02:06Sua tarefa é monitorar os motores do DC-8.
02:08O voo partiu de Nova York com uma escala em Denver.
02:16United 173 Heavy.
02:18Muito bem, e para 010 para a vista 28 à esquerda.
02:24O controlador de tráfego aéreo, Ed Kingrey, libera o voo 173 para pousar.
02:33De repente, um alarme dispara na cabine.
02:35Estamos perdendo o motor.
02:41Ele parou.
02:43Vamos perder o 3 em um minuto.
02:48Dois dos quatro motores do avião param de funcionar.
02:54Tem que continuar, Forrest.
02:56Sim, senhor.
02:56O engenheiro se esforça para manter os dois últimos motores funcionando.
03:00A que distância nós estamos?
03:06Acredito que...
03:07Eu disse a ele, 18 milhas aéreas, que incluía a perna base até a reta final e a curva para a reta final até a cabeceira da pista.
03:16Nós perdemos o 1 e o 2.
03:27Agora o voo 173 perde todos os quatro motores.
03:30Com o avião descendo a mais de 900 metros por minuto, o comandante McBroom faz um cálculo horrível.
03:44Não vamos conseguir.
03:46Com certeza não.
03:49Certo, declare Mayday.
03:52Torre de Portland, United 173, Mayday. Os motores pararam.
03:55McBroom precisa encontrar um lugar seguro para descer com o avião e tentar salvar a vida de todos.
04:11Dava para ver ele vindo do sul com as luzes de navegação piscando.
04:16Dava para ver que estava bem embaixo.
04:25O DC-8 fez um pouso forçado num bairro arborizado em Portland, Oregon.
04:48Oito passageiros e dois membros da tripulação morrem.
04:52Incrivelmente, 179 pessoas sobrevivem.
05:02Um avião da United Airlines caiu oito quilômetros a sudeste do aeroporto de Portland em uma área residencial.
05:09Duas casas foram atingidas. Uma foi totalmente destruída.
05:12Na manhã seguinte, investigadores do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes, NTSB, já estão no local.
05:23Um dos membros da equipe é o especialista em fatores humanos, Alan Deal.
05:30Quando vi que tinha chegado bem perto dos prédios de apartamentos, me dei conta de que poderia ter sido um dos piores acidentes da história.
05:37Os investigadores esperam que os sobreviventes possam fornecer informações sobre o que fez o avião cair.
05:50Quando você viu que tinha alguma coisa errada.
05:55Eles descobrem com os passageiros que uma hora antes do acidente, o comandante fez um anúncio.
05:59Senhoras e senhores, este é o comandante falando.
06:05A tripulação estava tendo problemas com o trem de pouso.
06:08Não temos certeza se está funcionando corretamente.
06:11Então faremos umas verificações de rotina.
06:14Mas uma coisa não faz sentido para Deal.
06:18Como um problema de trem de pouso faz um avião cair?
06:21No local do acidente, os gravadores de voo do avião são recuperados.
06:33Eles são enviados para análise para a sede do Conselho Nacional de Segurança nos transportes em Washington.
06:39Enquanto esperam os dados do voo, os investigadores continuam a falar com testemunhas.
06:50Incluindo Ed Kingrey, o controlador que cuidou da aproximação do voo 173.
06:55Eu os liberei para uma aproximação para a pista 28.
06:58Eu estava para passá-lo para o controle da torre.
07:01Negativo, vamos ficar com você.
07:03Temos um problema com o trem de pouso, nós informaremos.
07:06Ele disse que ficaria comigo.
07:09E que tinha algum tipo de alerta do trem de pouso.
07:14O comandante McBroom queria tempo para solucionar o problema do trem de pouso.
07:18Então Kingrey liberou o voo 173 para voar em um circuito de espera ao sul do aeroporto,
07:24sobre a região suburbana de Portland.
07:26Um circuito de espera daria a ele uma faixa do espaço aéreo,
07:32para ele fazer o que tinha que fazer.
07:33Mas o voo 173 circulou em Portland por um tempo muito longo.
07:42Ficaram circulando por cerca de uma hora.
07:46Então os pilotos fizeram uma chamada chocante para a torre de Portland.
07:50Eu me lembro de ouvir o comandante dizer à torre que estavam perdendo os motores.
07:56Não havia indicação para mim sobre a gravidade da situação.
08:04O que aconteceu durante aquela hora que fez um defeito no trem de pouso?
08:10Nós temos um problema com o trem de pouso.
08:12Nós informaremos.
08:13Viraram uma falha catastrófica de motor.
08:15Os motores estão parando.
08:17Nós vamos cair.
08:18Não conseguiremos chegar ao aeroporto.
08:21Eu fiquei muito curioso em saber como um comandante tão experiente podia voar
08:25por mais de uma hora perto do aeroporto com tempo bom
08:29e não aterrissar o avião com segurança.
08:36Dennis Grossi, investigador do NTSB,
08:39se junta ao esforço para descobrir o que deu errado.
08:41Fui designado para ser o engenheiro de performance de aviões para esse acidente.
08:50Certo, então vamos lá.
08:52Se houve algum defeito, ele espera que o gravador de voz da cabine
08:55mostre a conversa entre os pilotos.
08:57Senhoras e senhores, este é o comandante falando.
09:00A gravação começa 30 minutos antes do acidente,
09:03enquanto os pilotos circulam sobre Portland.
09:06É que é só esta luz de alerta que está ligada.
09:08Eles ouvem o engenheiro de voo sair da cabine para ver o problema no trem de pouso.
09:19Quando o trem de pouso é abaixado,
09:21uma pequena haste sai na asa,
09:23fornecendo uma confirmação visual de que o trem foi acionado.
09:27O comandante pode pedir ao engenheiro de voo
09:30para verificar os indicadores mecânicos dos trens de pouso.
09:34Com licença, posso olhar por essa janela?
09:36Ele poderia dar uma olhada nas hastes que sobem e descem
09:40e ver se os trens de pouso estavam estendidos e se estavam travados.
09:45Como está o trem de pouso principal?
09:47Ah, os dois estão abaixados e travados.
09:51Mesmo com o relatório do engenheiro,
09:53o comandante McBroom ainda parece preocupado.
09:57Tem esse item que não verificamos.
10:00O sinal de alerta do trem de pouso.
10:02Ah, certo.
10:06Certo.
10:07Certo.
10:08Normalmente, quando temos esse problema da luz do trem de pouso não acender,
10:12é só uma lâmpada ou algum circuito pequeno.
10:15Parece que um pequeno problema elétrico
10:17se tornou uma grande distração para o comandante McBroom.
10:22Mas isso ainda não explica por que todos os quatro motores pararam.
10:25Então os investigadores fazem uma descoberta chocante.
10:32Estamos perdendo o motor.
10:33Está parando.
10:34Por quê?
10:37Combustível.
10:37O gravador de voz da cabine do voo 173 da United
10:47revela que o comandante não sabia
10:49que seu avião estava ficando sem combustível.
10:54Ele perguntou o que tinha causado aquilo
10:56e teve uma resposta bem incisiva dizendo combustível.
11:01Como se dissesse, estamos tentando te falar isso o tempo todo.
11:05O número dois parou.
11:05O número dois parou.
11:07Vamos perder o número três em um minuto.
11:11A falta de combustível desliga todos os motores,
11:16deixando o DC-8 sem potência.
11:21Certo. Declare Mayday.
11:24Como uma tripulação experiente
11:27poderia perder a noção de quanto combustível tinha
11:30e chegar a ficar sem combustível
11:33se estavam perto do aeroporto?
11:37O comandante McBroom pode ser o único capaz de fornecer respostas.
11:43Ele está no hospital, se recuperando dos ferimentos,
11:46mas bem o suficiente para falar com os investigadores.
11:48Eu me lembro de ver as luzes de aviso do número um e número dois,
11:55mas eu sabia que tínhamos combustível.
12:00Ele ainda estava convencido de que, de alguma forma,
12:03o combustível havia vazado dos tanques
12:05ou que a queima que tinha sido alta demais
12:07ou que os medidores estivessem errados.
12:09Os investigadores se perguntam se os medidores de combustível
12:15estavam com defeito e confundindo os pilotos.
12:18Para descobrir, os pesquisadores estudam a transcrição
12:21do gravador de voz da cabine,
12:23concentrando-se na conversa dos pilotos
12:24sobre os níveis de combustível.
12:26A tripulação falou sobre que quantidade de combustível tinham.
12:30Eles tinham 2.260 quilos.
12:32E é só pegar os dados e aplicar no fator tempo
12:34para descobrir quanto combustível ainda tinham.
12:372.260 quilos. É exatamente isso.
12:42A equipe descobre que não há nada de errado com os medidores.
12:46O sistema de combustível do voo 173
12:48estava funcionando exatamente como deveria.
12:52Com a falha mecânica descartada,
12:55a equipe agora explora os fatores humanos,
12:57especificamente o comportamento do comandante McBroom.
13:03Quanto de combustível temos agora?
13:051.800.
13:05Os investigadores ouvem o gravador de voz da cabine
13:09para estudar o seu desempenho.
13:13Quanto de combustível temos agora?
13:16Eles descobrem uma coisa alarmante na conversa.
13:21Quanto de combustível temos agora?
13:241.800.
13:25450 quilos em cada.
13:27O copiloto e o engenheiro estavam bem cientes
13:32da situação do combustível.
13:35Os colegas de tripulação tentaram alertá-lo mais de uma vez
13:39sobre a situação do combustível.
13:41Mas McBroom ficou focado no trem de pouso quebrado.
13:44Tem esse item que não verificamos.
13:46O sinal de alerta do trem de pouso.
13:48Ah...
13:49Certo.
13:51Certo.
13:52Certo.
13:53Então o que faremos?
13:57Naquela época, ao voar com um comandante muito antigo,
14:01seria muito difícil questioná-lo sobre uma questão como combustível.
14:05O comandante estava tão focado no problema do trem de pouso
14:12que perdeu a visão geral da situação.
14:14Eles não viram a emergência real.
14:17A falta de combustível.
14:20A fixação do comandante McBroom com o trem de pouso,
14:23junto com a falha de seus colegas por não o alertarem,
14:26fizeram com que o avião ficasse sem combustível
14:29e caísse na área suburbana de Portland.
14:31Depois desse acidente, a ANTSB determinou que os membros da tripulação
14:37precisavam ser melhor treinados para se comunicarem
14:40quando tivessem problemas de segurança no voo.
14:45Em uma ação com um impacto permanente na segurança das companhias aéreas,
14:49a Administração Federal de Aviação adota um sistema de treinamento
14:52desenvolvido pela NASA,
14:54conhecido como Gerenciamento de Recursos de Tripulação, ou CRM.
14:58O CRM ensina os comandantes a ouvirem melhor
15:01e ensina os outros membros da cabine a serem respeitosamente assertivos.
15:06Se a tripulação do voo 173 tivesse recebido treinamento de CRM,
15:11eles poderiam ter insistido para que o comandante McBroom
15:14aterrissasse imediatamente.
15:16Não é suficiente.
15:1815 minutos vão nos deixar sem combustível.
15:21Certo.
15:21Em vez disso, eles esperavam que o comandante tomasse a decisão certa.
15:25Se não fosse por essa investigação,
15:28eu tenho certeza que o Gerenciamento de Recursos de Tripulação
15:30não teria sido adotado.
15:32Talvez fosse no futuro.
15:34Mas até que fosse adotado, muitas aeronaves teriam caído.
15:39Em 2007, uma explosão aterradora é um lembrete para os investigadores
15:43de que falhas catastróficas de combustível não acontecem apenas no ar.
15:4720 de agosto de 2007
15:54O voo 1-2-0 da China Airlines está na aproximação final para aterrissar em Okinawa, Japão.
16:03Senhoras e senhores, vamos começar nossa descida ao aeroporto Okinawa-Naha.
16:08Por favor, cooperem com nossas comissárias enquanto fazem os preparativos para a aterrissagem.
16:13O comandante é Yu-Chien Ko, de 47 anos.
16:18Qual o clima para a aproximação?
16:21O teto de nuvens é de 8 mil pés.
16:22Ventos a oito nós.
16:24O copiloto é Tseng Tao Wei, de 26 anos.
16:29Os dois pilotos têm somados mais de 8.500 horas de experiência de voo.
16:34Esta manhã, há 157 passageiros e oito tripulantes a bordo.
16:43Por favor, levante a bandeja e vivele o cinto de segurança.
16:45Está bem.
16:53Os pilotos reconfiguram o avião enquanto diminuem a velocidade e descem para aterrissar.
16:58Vamos colocar os flaps em 25.
17:02Flaps 25.
17:03Eles acionam os flaps no bordo de fuga das asas, junto com os slats no bordo de ataque.
17:10Esses dispositivos mantêm o avião no ar em velocidades mais baixas.
17:27É um pouso perfeito.
17:33Flaps para cima.
17:37Agora os pilotos da China Airlines só precisam estacionar o avião.
17:46Acionadores de ignição.
17:48Acionadores de ignição desligados.
17:51Cintos de segurança.
17:52Cintos desligados.
18:00Então uma passageira percebe que alguma coisa não está certa.
18:03Mas o que é isso?
18:11Ei, o que é isso?
18:14O que está acontecendo?
18:16Bem quando achavam que haviam estacionado em segurança...
18:19Cabine solo.
18:20Há fogo no motor número 2.
18:21Uma chamada de rádio, os alertas sobre um incêndio no motor direito.
18:24Tá neste 1, 2, 0.
18:26Já chamamos um caminhão de bombeiro.
18:27Fiquem no aguardo.
18:30O avião está pegando fogo!
18:32Tipulação, preparem-se para a evacuação.
18:35Preparem-se para a evacuação.
18:40Em minutos, o fogo engole as duas asas.
18:43Sem empurrar, sem empurrar.
18:49As comissárias de bordo trabalham para evacuar os passageiros o mais rápido possível.
18:53O avião pode explodir a qualquer momento.
19:01Comandante.
19:01Todos os passageiros já saíram.
19:03Vocês são os últimos.
19:08Mas pode ser tarde demais para os pilotos.
19:11A fumaça espessa invade a cabine.
19:14Então eles terão que escapar através de uma pequena janela.
19:17Você primeiro.
19:17Sim, senhor.
19:34Incrivelmente, os dois pilotos conseguem sair bem a tempo.
19:37Todas as 165 pessoas a bordo escapam ilesas.
19:47Eu nunca havia ouvido falar de uma evacuação sequer na qual ninguém saísse ferido.
19:52Tirar tantas pessoas em uma situação tão crítica, em um período tão curto de tempo, sem ferimentos, foi um milagre.
19:59É muito raro um avião pegar fogo nessa fase do voo.
20:05Então, isso despertou muito interesse.
20:10Uma equipe de investigadores internacionais de acidentes aéreos é imediatamente chamada.
20:16Eles precisam encontrar a causa antes que haja outra explosão fatal.
20:20Em todo o mundo, existem mais de 5 mil aviões Boeing 737 em serviço.
20:30Tem um 737 decolando e pousando a cada 3 ou 4 segundos pelo mundo.
20:36Sabendo que inúmeros passageiros poderiam estar em risco,
20:39os investigadores precisam descobrir rápido como um avião que aterrissou com segurança,
20:44de repente pegou fogo.
20:45Muito bem.
20:50Vamos ao trabalho.
20:52O desafio para o investigador é que a maioria das evidências é destruída pelo fogo.
20:58Enquanto os trabalhadores de recuperação coletam os destroços queimados,
21:02a equipe começa a entrevistar testemunhas oculares.
21:05O que você viu?
21:07Um funcionário que viu a explosão fornece um detalhe crítico.
21:10Um funcionário que estava na pista, no lado direito do avião,
21:15disse claramente que viu um líquido escorrendo pela borda da asa direita antes do fogo começar.
21:22Obrigado.
21:24Vazamento de fluido desta parte da asa do avião só pode ser uma coisa.
21:30Combustível.
21:30O 737 comporta 16.617 litros de combustível.
21:37Grande parte fica em tanques localizados dentro das duas enormes asas do avião.
21:43Quando ficamos sabendo que estava vazando combustível,
21:48isso foi um verdadeiro avanço nas investigações.
21:51Sabemos que vazou combustível, mas de onde?
21:55Os investigadores examinam o que resta dos tanques de combustível do 737.
22:05Os tanques são feitos de uma liga de alumínio e nunca deveriam rachar ou vazar.
22:13Eles usam uma pequena câmera chamada poroscópio para ver dentro do tanque direito.
22:18E o que ela revela muda o curso de toda a investigação.
22:30Nossa, vocês virão isso?
22:33Ao examinar o tanque de combustível direito do avião da China Airlines,
22:37os investigadores encontraram um pino alojado na parede do tanque.
22:42De repente, claro como o dia, vimos que um pino tinha perfurado o tanque.
22:48O pino perfurou o tanque, bem onde o funcionário viu o vazamento de combustível.
22:56É difícil descrever o quanto isso foi importante.
22:59Esse foi o centro da investigação.
23:05Mas de onde saiu o pino?
23:08Certo.
23:10Aqui está.
23:11Os investigadores comparam a peça aos esquemas da estrutura da asa do 737
23:21para descobrir exatamente de onde veio.
23:26E logo tem a resposta.
23:31É do conjunto da trava.
23:33O conjunto da trava faz parte do mecanismo de slats no bordo de ataque da asa.
23:40Vamos colocar os flaps em 25.
23:42Flaps 25.
23:44Os pilotos estendem os flaps e os slats durante as decolagens e pousos.
23:51A trava é fixada no final de um trilho que desliza para frente e para trás.
23:55O dispositivo impede que os slats se movam muito para frente.
24:01Tínhamos a peça, sabemos que ela tinha perfurado o tanque.
24:04Nosso próximo passo foi tentar descobrir como isso poderia acontecer.
24:07Ao comparar o conjunto da trava do avião com os esquemas da Boeing.
24:18A equipe descobre uma pista crucial.
24:21Decidimos contar cada peça e vimos que faltava uma arruela.
24:26Deveria haver uma arruela logo atrás da porca.
24:30Onde está?
24:30Poderia uma simples arruela ter tido um papel tão crítico no acidente?
24:42Muito bem.
24:43Agora vamos testar sem a arruela.
24:47A equipe faz testes com o pino suspeito do voo 120 para ver como ele funciona sem a arruela.
24:56Eles fazem uma descoberta impressionante.
25:00A pequena arruela é a única coisa que impede a unidade de cair do conjunto.
25:09Sem a arruela, ele falha.
25:17Os investigadores precisam descobrir como a arruela poderia ter sumido.
25:21Nós fomos a China Airlines pedir que demonstrassem como efeito o serviço de manutenção.
25:30Às vezes os registros de manutenção não contam a história real.
25:36Eles descobrem que haviam pedido um conserto da peça algumas semanas antes do acidente.
25:42Um mecânico demonstra como ele realizou o reparo.
25:48Depois de aplicar a cola, é só pegar e colocar no lugar.
25:52Mas alcançar o local onde a trave é instalada, é um desafio.
26:01Dá pra imaginar você debaixo da asa sem... sem conseguir ver.
26:12Desculpe senhor, deixei cair.
26:14Tranquilo, é fácil de pegar.
26:16Não é fácil confirmar que, ao terminarem o serviço, fica tudo em ordem.
26:32Os investigadores acreditam que a arruela deve ter caído durante o serviço de manutenção em Taiwan.
26:37A sequência de eventos que levaram ao incêndio devastador do combustível em Okinawa fica finalmente clara.
26:53Seis semanas depois do reparo com a falha da trava...
26:57Por favor, cooperem com nossas comissárias enquanto fazem os preparativos para a aterrissagem.
27:01Uma descida em Okinawa exige que os pilotos usem os flaps e os slats, como de costume.
27:12Dentro de um dos conjuntos de trilhos na asa direita, o pino, sem a arruela, não está firme como deveria.
27:21E o toque do avião no solo faz com que o pino saia do lugar.
27:27Flaps pra cima.
27:28A tripulação, desavisada, logo recolhe os flaps e slats.
27:33O potente sistema hidráulico do avião empurra o trilho dos slats de volta ao lugar.
27:39Mas agora o pino da trava está no caminho.
27:42O trilho o empurra para trás, perfurando o tanque de combustível da asa direita, causando o vazamento de milhares de litros de combustível.
27:54Verificação da pós-aterrissagem.
27:56Quando os pilotos estacionam e desligam os motores,
28:00o combustível começa a pingar diretamente no cano de escape quente.
28:08E ele se incendeia ao contato.
28:10Com a explosão do avião da China Airlines, autoridades de aviação de todo o mundo pedem uma inspeção de toda a frota de 737.
28:24Apenas nos Estados Unidos, 21 aviões estavam para ter o mesmo defeito.
28:30Todos com o risco de vazamento de combustível e incêndio catastróficos.
28:34A Boeing toma medidas imediatas.
28:37Eles redesenham o mecanismo da trava.
28:40E cuidam para que uma peça aprimorada seja instalada em todos os aviões.
28:45Na aviação atual, a falha de qualquer componente especial no que diz respeito a um sistema de combustível é um evento raro.
28:52Mas você tem uma chance melhor de sobreviver se tiver num evento catastrófico no solo.
28:58Mas à medida que o avião sobe, o mesmo acontece com o nível de risco.
29:02No Brasil, investigadores descobrem outro problema fatal.
29:08Quando uma desastrosa falha de combustível faz um avião cair na selva amazônica.
29:163 de setembro de 1989.
29:19O Brasil, no final dos anos 80, é um país em transição.
29:24Cidades em desenvolvimento estão espalhadas pela densa floresta amazônica.
29:28Em Marabá, a tripulação do voo 254 da VARIG se prepara para decolar.
29:37Verificação externa concluída.
29:40Há 48 passageiros a bordo.
29:46O voo 254 tem uma hora de duração da cidade de Marabá até Belém, perto da foz do rio Amazonas.
29:52A tripulação insere os dados do trajeto para guiá-los até seu destino.
30:03É isso aí.
30:09O comandante César Garcês está pilotando o avião nesta noite.
30:13Enquanto o copiloto Nilson Zilli monitora os instrumentos.
30:17V.U.
30:20Girar.
30:22O Boeing 737 sobe até a altitude de cruzeiro.
30:36Depois de 23 minutos, o computador de voo avisa ao comandante que eles estão chegando perto de Belém.
30:43Já estamos chegando.
30:47Torre de Belém, VARIG 254, solicitando descida.
30:51Torre de Belém, VARIG 254.
31:01Torre de Belém, na escuta.
31:05Estranhamente, eles não têm resposta da torre.
31:08Deixa eu tentar.
31:09Torre de Belém, VARIG 254.
31:13Hum, que estranho.
31:15O quê?
31:15Não estamos pegando a estação deles também.
31:20Os aeroportos têm estações com sistemas de radionavegação por VHF, chamados VOR.
31:27Seu sinal guia os aviões que chegam até a pista.
31:31Eu vou ligar para a torre na HF.
31:33O comandante muda para alta frequência no rádio e tenta fazer contato novamente.
31:39Torre de Belém, VARIG 254.
31:40Torre de Belém, VARIG 254.
31:43Felizmente, sua estratégia funciona.
31:46VARIG 254, Torre de Belém.
31:48Prossiga.
31:49Belém, estamos na aproximação, mas não vemos o VOR.
31:51A estação está desligada?
31:53Negativo, 254.
31:55Parece que o problema vem daí.
32:00Entendido.
32:00A tripulação terá que se aproximar de Belém sem a ajuda do sinal do VOR.
32:07O comandante verifica seu sistema e calcula quando chegarão.
32:12Belém, estamos a 25 minutos, solicitando descida para a aproximação final.
32:17Entendido.
32:18VARIG 254, liberado para o nível de voo 200.
32:25Conforme o avião desce abaixo das nuvens, o comandante procura as luzes de Belém.
32:30Onde estão as luzes?
32:34Onde está o aeroporto?
32:38Mas há apenas escuridão.
32:44Nenhuma luz visível, comandante.
32:48Em Belém, o controlador fica preocupado.
32:51O voo 254 já deveria ter aterrissado.
32:55Mas a torre não tem radar, então ele não tem como rastrear o avião.
33:00O comandante procura um sinal de rádio local, esperando que ele os guie para a cidade.
33:15Agora podemos seguir o sinal em direção a Belém.
33:19Virando à direita.
33:20Direção 165.
33:22Depois de duas horas e meia de voo, o comandante está confiante de que agora está no curso certo.
33:36Agora sim.
33:39Estamos sobre o rio Amazonas.
33:42Belém fica perto da foz do rio Amazonas.
33:45Os pilotos devem chegar até a cidade, seguindo o rio.
33:47Mas segundos depois...
33:53É o alerta de combustível.
33:55O voo 254 está ficando sem combustível.
33:59Os pilotos de repente percebem que não conseguiram chegar até Belém.
34:03Flaps em dois.
34:06Temos que fazer uma descida controlada.
34:07Eles terão que fazer um pouso forçado na densa floresta amazônica.
34:18Acabamos de perder o motor.
34:20Fique calmo.
34:22Eu vou pousar o avião.
34:28E agora perdemos o outro.
34:29O inevitável impacto está apenas a alguns segundos de distância.
34:38Eu só preciso colocar o avião no chão.
34:42Com muita calma.
34:45E agora perdemos o avião no chão.
35:14Quatro passageiros e tripulantes, seis morrem no impacto.
35:20Muitos estão gravemente feridos, incluindo o copiloto Nilsson Zilli.
35:28O comandante cuida dos feridos, enquanto esperam para serem resgatados.
35:36Mas ninguém lá fora sabe onde o avião caiu.
35:39Os investigadores realizam uma busca atrás do voo 254 da Varig, na área perto de Belém.
35:49Mas não há sinal do avião desaparecido.
35:54É um pouco ansioso, porque você quer encontrar o avião logo.
35:58Você sabe que uma pessoa, nas primeiras 48 horas, pode ficar viva e depois pode acabar morrendo.
36:05Depois de duas noites na selva, um pequeno grupo sai em busca de ajuda.
36:14Horas depois, encontram uma casa numa fazenda.
36:25Acharam sobreviventes.
36:26Então é uma espécie assim de...
36:28Um alívio, que a situação não é tão ruim.
36:32Pressa de chegar para começar a trabalhar logo.
36:34Onde disse que eles estão?
36:40O local do acidente está bem longe de Belém.
36:44Caiu aqui, não é?
36:47Os destroços do voo 254 estão na selva amazônica, a quase 1.100 quilômetros de distância.
36:55Como lhes foram parar lá?
36:59Foi por isso que não acharam o sinal da estação.
37:02Estavam muito longe do destino.
37:04Em poucas horas, militares brasileiros chegam ao local do acidente do voo Varig-254.
37:11Eles encontram 43 sobreviventes.
37:15Cinco pessoas morreram esperando o resgate.
37:17E outra morre logo depois.
37:24Logo depois dos esforços de resgate, há um grande avanço.
37:28A descoberta dos dois gravadores de voo do avião.
37:31Os investigadores esperam que eles revelem por que o voo 254 estava tão fora do curso.
37:38A gente realmente confiou nos dois sistemas de registro de borda e por que os pilotos estavam vivos.
37:46Então a gente tinha certeza de que era muito fácil chegar a uma conclusão.
37:50Mas quando os investigadores revisam os dados do voo, isso cria uma imagem confusa.
37:59Em vez de voar para o norte, para Belém, o avião decolou para o oeste e voou na direção errada durante todo o tempo.
38:12Isso norteou também boa parte da investigação de saber por que a nave se desviou tanto da rota dela.
38:20Os investigadores se perguntam se a tripulação recebeu dados errados de navegação.
38:31Felizmente o plano de voo do voo 254 da companhia aérea está entre os documentos recuperados da cabine.
38:38Não, obrigado.
38:39Vamos ver o que isso vai dizer.
38:44Eu acho que sei o que fizeram de errado.
38:46O sistema de plano de voo deles tem quatro dígitos.
38:55Isso é muito, muito incomum, porque quase sempre tem apenas três números.
39:01O número 0270 era para significar 27.0 graus.
39:08Quando olhamos aquilo ali, vimos que dá possibilidade de que em vez de ele colocar 027, que era para Belém, ele tivesse colocado 270.
39:23O comandante leu como 270 graus, ou oeste.
39:28Então em vez de voar para o nordeste...
39:30Eles foram para o oeste.
39:32Seguiram 270.
39:35Ele inseriu a direção errada.
39:38E voaram por mais de três horas na direção errada.
39:44Os investigadores suspeitam que o avião ficou sem combustível,
39:48obrigando a tripulação a fazer um pouso forçado na selva amazônica.
39:52Para confirmar suas suspeitas, eles chamam o comandante Garcês para contar seu lado da história.
40:10Vou tentar ajudar.
40:11Sob intenso questionamento, ele admite ter lido errado o plano de voo, fazendo com que o avião voasse a centenas de quilômetros fora do curso.
40:23Olha, infelizmente eu acabei errando.
40:26Mas registros mostram que a companhia aérea começou a imprimir seus planos de voo de um jeito novo, enquanto o comandante estava de férias.
40:38É fácil ver o motivo dessa confusão.
40:41A partir dali, a causa, quer dizer, a situação básica para o acidente estava determinada.
40:47Mas o copiloto também foi obrigado a inserir a direção do plano de voo.
40:54Por que ele não viu o erro do comandante?
41:00A psicóloga da aviação, Kat Mosier, explica o motivo.
41:04O copiloto, provavelmente depois de muitas experiências com comandantes que sempre fizeram o que era certo,
41:10e que nunca tiveram dúvidas, acabou colocando o que o comandante havia determinado, e achou que estava certo.
41:15Então, nesse caso, o auxílio sumiu.
41:17Por que o copiloto não fez a verificação cruzada?
41:22O erro original de navegação foi do comandante, mas lamentável, neste caso, é que os dois pilotos concordaram com isso.
41:37O voo 254 estava voando na direção errada desde o momento em que decolou.
41:42Em vez de pedir ajuda, o comandante tentou voltar ao curso usando um sinal de rádio local.
41:49Ele achou que tinha encontrado a estação de Belém, mas em vez disso, pegou um sinal na direção oposta, o que os levou para ainda mais longe de seu destino.
42:01O orgulho dele impediu dizer para o colega, cara, estou frito, me ajuda.
42:09Aí teria sido outro comportamento.
42:12Ao escanear o radar, a tripulação achou que estava vendo o rio Amazonas, que os levaria até Belém.
42:18Mas o rio que eles viram era o Xingu, quase mil quilômetros a sudoeste de Belém.
42:23Como puderam ficar tão confusos por tanto tempo?
42:30Eu acho que estamos perto.
42:32Os investigadores concluem que a tripulação estava presa ao que é conhecido como viés de confirmação.
42:39A tendência de favorecer informações que confirmam alguma coisa em que já acreditamos.
42:44Quando eu vi o rio, eu tive certeza de que estávamos perto de Belém.
42:47Isso serve para mostrar que qualquer um pode cair em armadilhas de decisão.
42:52E até especialistas precisam estar sempre alertas.
42:56O relatório do acidente culpa os dois pilotos pelas ações que levaram o avião com 54 pessoas a bordo a ficar sem combustível e cair na selva.
43:08Depois da queda do voo Varig 254, a companhia aérea muda seus planos de voo para que a casa decimal fique claramente marcada.
43:16Eles também melhoram o treinamento de pilotos.
43:19O sistema nacional de radares do Brasil é modernizado e expandido para cobrir o país todo, tornando menos provável que um avião desapareça.
43:28O gerenciamento de combustível em voo é responsabilidade dos pilotos na cabine.
43:33Mas você pode ter esses mesmos erros humanos em solo.
43:38O que existe de comum entre esses três acidentes é o fator humano.
43:44É a responsabilidade de não apenas ter o conhecimento do que você está fazendo, mas um entendimento fundamental para que você possa aplicá-lo adequadamente.
Seja a primeira pessoa a comentar
Adicionar seu comentário

Recomendado