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Em entrevista exclusiva para a Jovem Pan, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, comenta as investigações de maior repercussão no país. Ele detalha os inquéritos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a as eleições, apuração sobre as bets, o caso do metanol, as investigações sobre emendas parlamentares, PEC da Segurança Pública, situação da Venezuela e projeto da anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro. Reportagem Especial: Victoria Abel.

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Transcrição
00:01Conversamos agora com o diretor-geral da Polícia Federal, doutor Andrei Rodrigues,
00:05para falar sobre as operações da Polícia Federal, além de outros temas relacionados à segurança pública no Brasil.
00:12Doutor Andrei, seja bem-vindo ao Jovem Pan, obrigada pela entrevista.
00:16Obrigado, é um prazer falar com você, Vitória, e com todos que nos acompanham.
00:20Doutor Andrei, eu queria começar perguntando, porque recentemente surgiu muitas operações relacionadas à lavagem de dinheiro nas bets,
00:27inclusive envolvendo influenciadores digitais.
00:31O senhor acredita que esse esquema de lavagem de dinheiro por meio das bets, ele tem se tornado mesmo um padrão?
00:40E é possível que bets que estejam reglamentadas pelo governo estejam participando desse esquema?
00:47Veja, Vitória, a temática de lavagem de dinheiro ou ocultação de patrimônio é foco de atenção da Polícia Federal já há algum tempo,
00:56e falo especificamente durante a nossa gestão.
00:59Um dos principais pilares do enfrentamento ao crime organizado é a descapitalização,
01:04ou seja, é retirar o poder econômico do crime organizado e também prender as lideranças.
01:10E há um fenômeno que não é tão recente, mas acentuou-se há pouco,
01:15que é a penetração do crime, seja organizado ou não,
01:19mas a penetração de criminosos na economia formal,
01:24em atividades que têm uma aparência de legalidade, licitude,
01:28mas que na verdade estão utilizando o sistema formal econômico para lavar dinheiro,
01:33para ocultar patrimônio.
01:35E você cita alguns casos, cita o caso de Betis,
01:38que são importantes, temos uma operação relevante semana passada,
01:42com um dito influencer, e que tem ou tinha um patrimônio de fato muito grande,
01:48e agora a investigação segue e está em curso para que a gente identifique as eventuais ilegalidades.
01:56Então, essa de fato tem sido uma preocupação nossa,
01:59de uma atuação muito forte na descapitalização do crime organizado e lavagem de dinheiro,
02:05seja com Betis, seja em qualquer sistema econômico que ocorra.
02:11E isso nos traz também essa muito forte parceria com o COAF,
02:16com o Banco Central, que são também atores prioritários nesse enfrentamento.
02:22Tanto Betis quanto criptomoedas, parece que são novas formas do crime e lavar dinheiro.
02:28O senhor acredita que essa já tem sido a forma principal que o crime organizado já alcançou para lavar dinheiro?
02:35E aproveito e pergunto também se o PCC, que é a maior organização criminosa do país,
02:40está usando já esse mecanismo.
02:41Veja, Vitória, há muitas modalidades de ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro.
02:47Você cita algumas delas e que nós já estamos atuando e estamos enfrentando.
02:54É difícil a gente categorizar qual é a forma atual que está determinada organização criminosa utilizando.
03:03Mas você fala em criptoativos e aqui é importante a gente falar naquilo que eu tenho chamado da nova economia digital,
03:10que é um novo modelo de sistema econômico, onde empresas de tecnologia que têm sedes em outros países,
03:18que atuam aqui no país, que temos dificuldades muitas vezes regulatórias,
03:23são novas modalidades de emprego, é uso de inteligência artificial,
03:27são novas modalidades de investimentos.
03:29E veja que, recentemente, numa operação que investigou cadeia de combustível, lavagem de dinheiro,
03:36identificamos muitas temáticas relacionadas a fundos de investimento utilizados para lavagem de dinheiro.
03:44Então, esse é um foco, como eu disse e repito, é um foco da Polícia Federal,
03:49que ano passado retirou do crime organizado R$ 6,4 bilhões.
03:53E esse ano, nessa única operação de enfrentamento a essa cadeia de combustíveis,
04:00nós devemos chegar a cifras acima de R$ 3, provavelmente quase R$ 4 bilhões em uma única operação.
04:07Então, essa é a nossa dinâmica, é o nosso esforço diário.
04:10O senhor acha, então, que a economia digitalizada favoreceu a lavagem de dinheiro?
04:27Eu acho que o Estado brasileiro, os Estados, e aqui não falo só no Brasil,
04:34acho que isso é um problema global, onde eu tenho participado de muitos foros internacionais
04:39e que tem se debruçado sobre essa nova dinâmica financeira.
04:45E que, é claro, como novidade, muitas vezes os órgãos regulatórios vêm atrás dessa movimentação
04:52para poder criar mecanismos de maior controle, de maior filtro,
04:57e que iniba a utilização desse que é um mercado positivo, que é o mercado digital,
05:02que são as novas evoluções tecnológicas naturais do sistema,
05:06mas que, por outro lado, vão enfrentando os órgãos reguladores brechas
05:13e vão enfrentando novos desafios, assim como nós, da segurança pública.
05:18Precisamos sempre de atualizações, novos mecanismos, novas tecnologias
05:22para enfrentar essa nova modalidade, você fala em criptoativos,
05:28e há outras modalidades de transações instantâneas que, até pouco, não eram uma realidade.
05:35Agora, o senhor também falou recentemente que existe,
05:38inclusive acho que foi em um evento fora do país,
05:40que existe um certo exagero da mídia quando a gente fala da participação de facções criminosas,
05:45por exemplo, no caso do metanol, que é um caso de contaminação de bebidas,
05:50a gente parece ser um caso coordenado de contaminação de bebidas,
05:55o senhor acha que, de fato, nem sempre a organização criminosa está presente nesses casos?
06:01No caso do metanol, não tem nenhuma participação de organização criminosa?
06:05Vitória, a minha crítica é a antecipação de fatos que a investigação é que vai dizer.
06:11Hoje, de fato, eu acho que há um exagero, um excesso em atribuir a determinadas organizações criminosas
06:18que têm maior visibilidade, inclusive, fatos que são muitas vezes ordinários e corriqueiros,
06:26e aí eu não sei com que interesses de divulgação, de interesses da mídia,
06:32interesses de autoridade se promoverem ou se posicionarem e terem mais visibilidade.
06:38Mas isso pouco importa. O que nós temos que trabalhar é com a técnica e com a seriedade.
06:44O que a Polícia Federal não vai fazer é dizer, às vezes, no minuto um da ocorrência de um crime,
06:50que aquele crime foi cometido por determinada organização, determinada pessoa,
06:55quando sequer a investigação começou.
06:57Então há que se ter cautela, há que se colocar a bola ao chão,
07:02há que se fazer a investigação com técnica, com seriedade,
07:05e, ao final, apontar aquilo que a investigação concluiu,
07:09e não aquilo que está na cabeça das pessoas naquele momento.
07:13E esse caso da investigação da cadeia de combustíveis, do metanol,
07:17e todas elas seguem essa mesma lógica.
07:20O que, e você fala de eventos internacionais,
07:22eu estive agora na reunião dos chefes de polícia da Europa, na AIA, na sede da Europol,
07:28onde uma grande preocupação é o que eles chamam do crime como um serviço.
07:34Ou seja, são organizações criminosas, são grupos criminosos,
07:38que prestam serviços, por exemplo, de lavagem de dinheiro, de ocultação de patrimônio,
07:43a quem quiser praticar essa modalidade delitiva.
07:47E isso não tem diretamente relação com uma determinada organização criminosa,
07:51mas é um serviço que nós precisamos enfrentar,
07:54e estamos enfrentando, como é esse exemplo da operação ou das operações
07:59em relação à cadeia de combustíveis.
08:01Mas no caso da contaminação de bebidas,
08:03o senhor acha que é uma ação coordenada,
08:06é vinda de um único grupo?
08:07Porque aconteceu meio que ao mesmo tempo em diversos lugares do país, né?
08:11Vitória, isso a investigação dirá.
08:13Nós, semana passada, fizemos a apreensão
08:16em dezenas de lugares,
08:18de amostras de metanol, enfim, de outros produtos.
08:21Estamos trabalhando também em parceria com a Polícia Civil do Estado de São Paulo,
08:26também para essa troca de informações e de amostras também para as perícias.
08:31E isso será tudo confrontado também com a operação que fizemos
08:37em relação a combustíveis,
08:39e aí houve também a apreensão de metanol,
08:41há o desvio já identificado a partir do porto de Paranaguá
08:45nessa outra operação,
08:47e que, eventualmente, podem se conectar às coisas.
08:49Agora, isso não sou eu quem vai dizer.
08:51Isso será a investigação que vai fazer a perícia,
08:55que vai fazer a análise de todos os elementos coletados,
08:59tanto na questão das bebidas,
09:01como na questão dos combustíveis,
09:03e aí sim poder concluir se há uma ação orquestrada,
09:06se há um grupo organizado,
09:07ou se houve outra prática que levou a esses danos.
09:12A Polícia Federal também tem se aprofundado na investigação
09:15que vê o uso das emendas parlamentares,
09:18como que essas emendas estão sendo utilizadas.
09:21Vocês acreditam, pelo que o senhor acompanha das investigações,
09:24que existe um padrão de desvio,
09:27que não necessariamente feito por deputados,
09:31mas por pessoas ali que estão trabalhando no pagamento de emendas.
09:35Existe um padrão nesse desvio?
09:37Veja, Vitória, eu não posso falar em detalhes das operações
09:40que a Polícia Federal conduz.
09:42O que nós podemos garantir é que todas essas investigações,
09:47inclusive referente a eventual desvio de emendas parlamentares,
09:53são tratadas com a responsabilidade e com a seriedade
09:56de quem conduz investigações de maneira técnica.
10:00Nós não podemos criminalizar a política,
10:02isso já nos levou a efeitos danosos ao país.
10:06Nós temos que respeitar a atividade política,
10:08temos que respeitar a destinação de emendas parlamentares,
10:10e ao mesmo tempo sermos muito severos e rigorosos
10:13no controle e na apuração de eventuais desvios.
10:17Então, cada uma dessas investigações,
10:19e há, eu diria, mais de uma centena de investigações em relação a isso,
10:23tanto em desvio de primeiro grau,
10:25ou seja, que não sinaliza a participação de pessoas com prerrogativa de foro,
10:30como diretamente na Suprema Corte.
10:32Então, são investigações técnicas que levarão às suas próprias conclusões.
10:37E a gente tem um prazo de quando que essas investigações vão ser reveladas,
10:41até para que a população saiba quais políticos estão envolvidos com isso?
10:46Vitória, já houve várias ações que a Polícia Federal fez com responsabilização de parlamentares,
10:51com responsabilização de políticos, com indiciamentos, com busca e apreensão,
10:55com prisões referentes a essa modalidade criminosa.
11:00Então, eu não posso dizer de mais de uma centena de operações qual é o prazo de cada uma,
11:05cada investigação tem o seu período necessário de maturação
11:09e, ao fim e ao cabo, chegará às suas conclusões técnicas e rigorosamente baseadas na lei.
11:16Por falar em política, eleições do ano que vem,
11:19já existe um temor de que a disseminação de notícias falsas
11:23acabe escalando justamente por conta até da inteligência artificial.
11:28Como que a Polícia Federal tem se preparando?
11:30Vocês estão pensando em algum tipo de esquema especial para as próximas eleições?
11:35O nosso trabalho em relação a crimes eleitorais,
11:39e nós somos a Polícia Judiciária Eleitoral,
11:42ele não parou desde a última eleição e nós já trabalhamos, inclusive,
11:46muito proximamente com o Tribunal Superior Eleitoral
11:49para fazer enfrentamento a todas as modalidades de delito.
11:54E aqui nós entramos numa pauta central,
11:56que não é apenas a divulgação de uma informação inadequada ou falsa,
12:02mas o cometimento de crimes a partir dessas informações.
12:07E é isso que a polícia apura, são crimes.
12:09Então, toda vez que alguém cometer um crime na rede de computadores,
12:13enfim, pela internet, redes sociais, onde for,
12:16nós vamos apurar, assim como nós apuramos quem comete crime na vida física,
12:21no dia a dia, seja no processo eleitoral, seja em qualquer outra situação.
12:25Então, é claro que há a preocupação até pelo avanço das tecnologias,
12:30de deepfake, inteligência artificial e tudo mais,
12:34que é possível se fazer hoje pelas redes,
12:36que nos traz essa preocupação e o nosso time já está trabalhando,
12:42como eu disse, junto com o Tribunal Superior Eleitoral,
12:45em várias medidas que nós vamos, já estamos, na verdade, trabalhando.
12:49Nós fizemos operação recente, semana passada, fruto de operação realizada
12:54na eleição municipal anterior e, assim, nós vamos seguir acompanhando,
12:59fazendo todo o trabalho de polícia judiciária.
13:01Mas, o senhor poderia dar um exemplo do que vocês já estão acertando
13:05para tentar coibir essas ações?
13:08Nós temos, por exemplo, uma operação que fizemos em relação à deepfake,
13:11identificando o modus operandi de como foi construída essa falsificação de imagens,
13:20de vozes e que levaram a danos severos em relação ao processo eleitoral.
13:25Então, é claro que eu não vou entrar em detalhes técnicos aqui
13:29do que estamos fazendo ou deixando de fazer,
13:32mas o que eu tenho a garantia de dizer
13:35é que a Polícia Federal hoje tem buscado acompanhar todas as ações
13:41e se modernizar, investir em tecnologia, em capacitação dos nossos profissionais,
13:46a partir, inclusive, da criação de uma diretoria de crimes cibernéticos
13:49que hoje é responsável por cerca de 30% das operações da Polícia Federal
13:54que são realizadas e são mais de 3 mil operações por ano.
13:58Então, são adequações que nós temos de fazer
14:02sempre para acompanhar também o ritmo que, infelizmente, a criminalidade avança.
14:07Dá para fazer algum acordo com as empresas de redes sociais
14:11para que se tenha um novo mecanismo de controle disso no ano que vem,
14:15nas eleições especificamente?
14:17Eu não tenho dúvidas.
14:18As empresas de tecnologia, elas têm sido, muitas vezes, parceiras,
14:23têm atuado em cooperação com os órgãos públicos
14:28e, muitas vezes, ajudado nesse enfrentamento ao crime organizado
14:33e ao cometimento de delitos.
14:34Então, eu sou entusiasta de parcerias.
14:37A Polícia Federal tem parcerias com a Febraban, com a Zeta,
14:40com universidades privadas, com universidades públicas, obviamente,
14:45com outras polícias do mundo inteiro,
14:47onde nós acreditamos que essa troca é benéfica para todos,
14:52inclusive para as empresas de tecnologia.
14:54Então, eu não tenho dúvida que as empresas sérias, elas serão parceiras
14:59e atuarão em conjunto com a Polícia Federal e com os órgãos do sistema de justiça criminal,
15:05que têm as ferramentas também para compelir as empresas
15:08que, eventualmente, insistam em não cooperar.
15:12Mas dá para propor algo novo para coibir isso?
15:15Isso já foi feito, em alguma medida, na última eleição,
15:20a partir do Centro de Apuração e Acompanhamento de Tecnologia lá do TSE,
15:26que a Polícia Federal também participa,
15:28e conosco, onde há uma troca instantânea, eu diria, em tempo real,
15:33de informações das empresas com esse centro de enfrentamento à desinformação
15:39e que nos permite, identificadas irregularidades,
15:43informar as empresas de tecnologia para fazerem as suas checagens e o seu controle.
15:48O que nós precisamos enfrentar é o cometimento de crimes, Vitória.
15:52É a desinformação que leva, por exemplo, à violação de crianças e adolescentes pelas redes,
15:57que leva à mutilação de jovens, que leva ao tráfico de drogas, ao tráfico de armas,
16:02que leva ao homicídio, que leva ao suicídio pelas redes.
16:06Isso é inaceitável que nós acompanhemos passivamente.
16:11E, para isso, é necessário, sim, que se tenham regras muito claras de uso
16:16e de mecanismos para coibir essas atividades criminosas.
16:21Eu citei esses exemplos, mas também isso vale para os crimes eleitorais,
16:25vale para os crimes de ódio, vale para os crimes contra a honra,
16:30vale para toda a sorte de crimes.
16:32E, para isso, seria necessária uma nova legislação de regulação das big techs?
16:36Eu não tenho dúvida que é importante uma legislação que regulamente o funcionamento,
16:41assim como todos os canais de comunicação, por exemplo, a Jovem Pan,
16:45obedece regras e obedece normas.
16:48Os veículos, digamos, tradicionais de imprensa,
16:52não podem anunciar a venda de drogas nas suas comerciais,
16:55não podem mostrar a violação de crianças na sua televisão.
17:00Por que as empresas de tecnologia poderiam fazer isso?
17:04Então, as mesmas regras, adaptadas, obviamente, aos novos padrões digitais de comunicação,
17:11precisam também existir para todos os veículos que trazem informação, comunicação,
17:16e alcançam crianças, e alcançam a sociedade,
17:19inclusive com maior amplitude, muitas vezes, que os veículos tradicionais.
17:22Então, é óbvio e é muito claro que se diga, é importante que se diga,
17:28que é fundamental nós termos regras de negócio também para as empresas de tecnologia.
17:34O senhor tem auxiliado o governo na elaboração desse novo projeto?
17:37Já tem um prazo para enviar para o Congresso?
17:39Há vários projetos, há várias iniciativas.
17:42O Ministério da Justiça, recentemente, também encaminhou um projeto focado,
17:48especificamente, nesse caso, na proteção das crianças e jovens,
17:52onde sempre a nossa área técnica da Polícia Federal é consultada
17:56e faz a sua manifestação técnica daquilo que vê nas suas unidades,
18:01e aqui eu cito a nossa diretoria de crimes cibernéticos novamente,
18:04daquilo que acompanhamos no nosso dia a dia, nas nossas investigações,
18:09levamos a experiência e as propostas de maneira técnica para os projetos do Ministério.
18:15Ainda falando sobre eleição, teve várias denúncias na última eleição municipal,
18:20inclusive, de participação do crime organizado na política, nas eleições.
18:25O senhor acha que isso está crescendo e o que as investigações estão mostrando
18:30em relação à participação na política do crime organizado?
18:34Essa é uma ótima questão, Vitória.
18:36E veja que, pela primeira vez na história, nós fizemos a prensão
18:40de mais de 30 milhões de reais em espécie na última eleição municipal.
18:45Prendemos dezenas de pessoas, candidatos, inclusive,
18:49e várias pessoas que estavam envolvidas no cometimento de crimes eleitorais.
18:54E essas operações, que foram, repito, inéditas nos últimos períodos eleitorais,
19:00nos trouxeram um volume de informações importantes, inclusive para ações que nós seguimos fazendo
19:06durante esse período e que servem também como prevenção à penetração do crime organizado
19:12também no sistema eleitoral e na participação política.
19:17Agora, isso passa também por outros mecanismos de controle do próprio sistema da justiça eleitoral
19:23e do trabalho que estamos fazendo e continuamente faremos.
19:27Veja agora essa nossa grande interação com o Banco Central e com o COAF,
19:34que é a unidade de inteligência financeira também responsável por enfrentar a lavagem de dinheiro
19:41e ocultação de patrimônio, que tem trazido resultados muito importantes para a nossa atuação.
19:46Eu preciso lembrar que numa única apreensão na eleição municipal passada,
19:53nós apreendemos 5 milhões de reais em espécie às vésperas da eleição.
20:00Então, são parcerias, são ações cooperadas, integradas, que vão nos levar aos melhores resultados.
20:07E, bom, falando ainda também sobre eleições,
20:11todo o processo de julgamento envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro
20:14está no Supremo Tribunal Federal, também diz respeito às eleições de 2022.
20:19E no Congresso Nacional se discute o projeto de anistia,
20:25tanto ao ex-presidente Jair Bolsonaro, quanto aos outros participantes
20:28que se envolveram ali numa tentativa de golpe.
20:32A senhora avalia que teria alguma chance de acordo para esse projeto de anistia,
20:37na opinião do senhor, dá para fazer um meio termo,
20:40que é o que alguns partidos de centro têm defendido?
20:42Primeiro, é importante dizer que a Polícia Federal fez uma investigação técnica,
20:49rigorosa e apresentou elementos suficientes para o sistema de justiça criminal
20:55que teve andamento com a denúncia e com a condenação de investigados.
21:02Portanto, nós entendemos que a missão da Polícia Federal nesse processo,
21:07nessa etapa, foi concluída, inclusive com um volume de provas muito importantes que aconteceu.
21:15Eu tenho maior respeito pelo processo legislativo, pelo Parlamento Brasileiro,
21:19e jamais ousaria que me excluírem em temas que são atinentes ao Parlamento Brasileiro.
21:25O que eu posso falar em relação ao trabalho que fizemos é que é um trabalho muito robusto,
21:32consistente, que apresentou as provas necessárias e que vários juristas, inclusive,
21:39comentaram do não cabimento de processo de anistia para determinados delitos.
21:43Agora, isso não é uma pauta da Polícia Federal.
21:46Eu quero, sempre que o trabalho seja concluído, que as pessoas julgadas, um julgamento claro, transparente,
21:54regular, com ampla defesa e que cumpram as condenações a que foram submetidos.
22:00Um projeto de dosimetria, por exemplo, o senhor acha que não cabe?
22:04Volto a insistir, Vitória.
22:06Isso é uma atribuição do nosso Parlamento que eu tenho maior apreço e respeito pelo processo legislativo.
22:12Da nossa parte, da Polícia Federal, a missão foi cumprida, as pessoas condenadas,
22:17e eu espero que respondam pelos atos criminosos que cometeram.
22:22Recentemente, o ministro Alexandre de Moraes também reabriu um processo contra Jair Bolsonaro
22:27sobre a suposta interferência dele na Polícia Federal,
22:30uma denúncia que foi feita pelo ex-ministro, agora senador Sérgio Moro.
22:34O senhor avalia que já existem provas ou suspeitas de que realmente o ex-presidente
22:41fez uma interferência na polícia para tentar favorecer familiares?
22:45Vitória, isso independe de opinião pessoal de quem quer que seja em relação a esse fato.
22:51O que nós recebemos foi uma decisão da Suprema Corte,
22:55a partir da manifestação da Procuradoria da República,
22:59em razão de descoberta de fatos novos,
23:02que ensejaram a reabertura desse processo de investigação.
23:05Então nós, com absoluta serenidade, recebemos esse material,
23:10encaminhamos a nossa área técnica, que agora vai fazer a investigação,
23:14cotejando os acontecimentos, que são públicos e notórios,
23:19ocorridos no governo anterior,
23:21e que dizem respeito à eventual interferência na rotina aqui da instituição da Polícia Federal.
23:29Eu não posso antecipar nenhuma decisão, nenhum julgamento,
23:32Isso, quem vai dizer, é a investigação, é o inquérito,
23:37o inquérito que será técnico, será com a responsabilidade necessária,
23:42balizado pela lei, pela Constituição,
23:44submetido ao crivo do Ministério Público e apreciação do Poder Judiciário.
23:49Quais novas evidências que levaram a essa abertura, novamente?
23:52Isso consta na representação do Ministério Público,
23:55de eventual relação com ações e fatos e atitudes
24:02que foram desvendadas nesse processo da tentativa de golpe de Estado
24:07e na interferência das instituições democráticas.
24:10Então, é a partir desse novo cotejamento,
24:14sugerido pelo Ministério Público,
24:16que vai se buscar eventuais elementos que comprovem,
24:20ou não, se houve interferência do ex-presidente na instituição.
24:24Então, existe uma ligação entre essa suspeita de interferência
24:27feita lá atrás pelo senador Sérgio Moro
24:30e os processos atuais de tentativa de golpe.
24:33As duas podem estar interligadas.
24:36Isso consta na representação do Ministério Público,
24:39que foi publicado, enfim, divulgado pela imprensa,
24:43nesse sentido de possível relação entre essa ingerência na instituição
24:49e as descobertas, tanto na bem paralela, chamada bem paralela,
24:56como nas investigações sobre o golpe de Estado.
24:59Agora, repito, Vitória, com muita serenidade,
25:02nós vamos analisar esses dados, analisar essas informações,
25:06com uma equipe técnica,
25:07e que vai chegar às conclusões que apresentará ao Poder Judiciário.
25:11Mas que tipo de prova, por exemplo, que o senhor pode mencionar aqui para a gente?
25:15Claro, as investigações têm as suas partes sigilosas,
25:17mas o que o senhor pode demonstrar?
25:19Algum tipo de troca de mensagens envolvendo o ex-presidente?
25:23O que o senhor pode mostrar para a gente?
25:25Eu não posso falar sobre isso, Vitória,
25:27até porque esse é um processo que chegou agora,
25:29semana passada, aqui na Polícia Federal,
25:32que tem uma autoridade policial,
25:33que eu sequer sei quem seja,
25:36que estará conduzindo,
25:37e que vai, então, ver os elementos, os dados,
25:40que eu não posso aqui, na função de diretor-geral,
25:43antecipar ou questionar o que quer que seja.
25:45Então, eu repito,
25:47é mais uma investigação que nós vamos conduzir,
25:49com a responsabilidade que conduzimos
25:51as 49 mil investigações que tramitam aqui na Polícia Federal.
25:56Só para eu entender,
25:57essa ligação seria justamente porque a interferência dele na Polícia Federal
26:01poderia impedir, por exemplo,
26:03que a polícia monitorasse uma tentativa de golpe?
26:07Como que seria exatamente essa ligação?
26:09Esse é o objeto da investigação, Vitória.
26:12Eu não sei antecipar aqui para você
26:15a relação entre essas questões.
26:18O que há, de fato,
26:19foi uma representação da Procuradoria Geral
26:23pela reabertura em razão de fatos novos,
26:26que eu repito,
26:27agora vão ser cotejados
26:28para que tenhamos, então,
26:31o descortinamento desse episódio.
26:33E veja que houve esse processo de investigação,
26:38processo longo,
26:39que foi conduzido a partir do começo de 2023,
26:44a partir do 8 de janeiro,
26:46e que voltou ao tempo
26:48para buscar elementos
26:49que instruíram essas investigações.
26:52E na análise feita pelo Ministério Público,
26:55esses fatos se conectaram
26:57com uma possível interferência
26:59na Polícia Federal,
27:00a par de troca de dirigentes,
27:02de próprios diretores gerais,
27:04que eram trocados
27:04a cada oito meses, um ano.
27:07Havia outras questões que,
27:10repito,
27:11vão ser apuradas,
27:12e aí a conclusão do inquérito
27:13é que vai dizer
27:14se houve ou não interferência na instituição.
27:17Teve alguma troca de dirigente
27:19perto das eleições de 2022?
27:23Vitória, eu posso falar
27:24pela minha gestão.
27:25Na minha gestão,
27:26eu estou há quase três anos
27:28como diretor-geral.
27:30A nossa diretoria
27:31quase toda permanece.
27:33Houve mudanças em razão
27:35de destinação a postos no exterior,
27:37superintendentes da mesma forma,
27:39com a absoluta autonomia
27:41que recebi
27:41do ministro Ricardo Lewandowski,
27:43do ministro Flávio Dino
27:44e do presidente Lula
27:46para conduzir a instituição.
27:49Infelizmente,
27:50isso é um fato notório,
27:51houve no governo anterior mudanças.
27:53Nós tivemos,
27:54se considerarmos um diretor-geral
27:56que sequer
27:57possa e pode tomar,
27:59nós tivemos cinco diretores-gerais
28:00em quatro anos.
28:02E isso com as consequentes trocas
28:04de diretores e superintendentes.
28:06Isso é ruim
28:06para qualquer instituição.
28:08Agora,
28:08isso pode ser um processo normal,
28:11pode haver interferência indevida.
28:12E é isso que a investigação
28:14vai apurar.
28:15Na nossa gestão,
28:16nesse período,
28:17a partir de janeiro de 2023,
28:19há uma estabilidade na instituição
28:22que sinaliza que o processo
28:25é técnico e que a nossa equipe
28:27segue na condução.
28:29Eu queria falar um pouco
28:29da PEC da Segurança.
28:31O relator,
28:32Mendonça Filho,
28:33disse que vai fazer
28:35diversas mudanças no texto
28:36para apresentar.
28:38Um dos pontos do texto
28:39que tem sido criticado
28:40por parlamentares
28:41é o empoderamento
28:43da Polícia Federal,
28:45até levando a Polícia Federal
28:47também a investigar crimes ambientais
28:49nos estados.
28:50Isso teria incomodado
28:51um pouco as corporações estaduais.
28:54Como o senhor acha
28:54que esse texto vai ser desenhado?
28:56É importante que,
28:57nesse modelo,
28:58a Polícia Federal
28:59tenha uma centralização
29:00mesmo de investigação
29:02dos crimes organizados
29:03no país?
29:05Vitória,
29:05a PEC é uma grande oportunidade
29:08do Brasil avançar
29:09no enfrentamento
29:10ao crime organizado
29:11e melhorar o seu sistema
29:13de segurança pública.
29:14e ali tem vários elementos.
29:17Eu destacaria,
29:18por exemplo,
29:19a questão da coordenação nacional.
29:22O crime organizado
29:23não é mais local,
29:24ele é nacional
29:25e muitas vezes transnacional
29:27e que, portanto,
29:28precisa de uma resposta
29:30uniformizada
29:31e o que,
29:32em medida alguma,
29:33retira o poder
29:34e a atribuição
29:34das polícias estaduais.
29:36Mas um olhar central
29:38e nacional
29:39e até internacional
29:40é importante
29:41para que o enfrentamento
29:42seja mais qualificado.
29:44Em relação
29:45à eventual ampliação
29:47do papel da Polícia Federal,
29:48eu não vejo
29:49por que
29:50pessoas temerem
29:52que a Polícia Federal
29:53vá atuar
29:53mais em uma pauta
29:56ou outra.
29:56Você cita a questão ambiental,
29:58a Polícia Federal
29:58já atua na questão ambiental.
30:00Tem responsabilidade
30:01sobre isso.
30:02Veja a questão
30:02das queimadas,
30:03às vezes tem um parque nacional
30:04ao lado
30:05de um parque estadual.
30:07O fogo
30:08vai pegar os dois parques
30:10ao mesmo tempo
30:11e a Polícia Federal
30:11só poderia limitar-se
30:13a investigar
30:14um pedaço
30:15desse processo
30:16e o outro
30:17fecharíamos os olhos.
30:19Então,
30:19isso não tem sentido.
30:20É importante
30:21esse enfrentamento
30:22uniformizado
30:23até em razão
30:25da interestadualidade
30:27dos delitos.
30:28E isso
30:28em nada
30:29retira o poder
30:30atribuição
30:31das forças
30:32de segurança
30:32estaduais
30:33que, aliás,
30:34trabalhamos integradamente
30:36e aqui é o outro ponto
30:37de como fazer
30:38essa coordenação
30:39e sim,
30:40eu acredito
30:41e já disse isso
30:41reiterado às vezes,
30:43a Agência Nacional
30:45de Coordenação
30:46para Enfrentamento
30:47ao Crime Organizado
30:48já existe no Brasil
30:49e é a Polícia Federal.
30:51E nós
30:51demonstramos isso
30:53fazendo
30:53uma grande integração
30:55com os 27 estados
30:56onde nós temos
30:57as forças integradas
30:58de combate ao crime organizado.
31:00Reunindo
31:01nós,
31:02Polícia Federal,
31:03as Polícias Federais,
31:04a Polícia Rodoviária Federal,
31:06a Polícia Penal Federal
31:07com as Polícias Estaduais,
31:09Polícia Civil,
31:10Polícia Militar,
31:11muitas vezes
31:12até o município
31:13também participando
31:14com as guardas municipais
31:15num grande esforço
31:17conjunto
31:17para o enfrentamento
31:19ao crime organizado
31:20com o financiamento
31:21do Governo Federal,
31:22do Ministério da Justiça
31:23e uma parceria
31:25muito forte
31:25com resultados
31:26impactantes
31:27que nós já temos
31:28nesses quase
31:30três anos
31:30que estimulamos
31:31essa iniciativa.
31:32A ideia
31:32com essa PEC
31:33seria inclusive
31:34trazer as investigações
31:35envolvendo o PCC,
31:36por exemplo,
31:37para essa agência
31:38e, portanto,
31:40sob ali a coordenação
31:41da Polícia Federal?
31:42A proposta da PEC
31:43permite
31:44essa coordenação
31:45nacional
31:46e essa visão
31:47global
31:48do crime organizado.
31:50E traz também
31:51uma pauta central
31:53que é o financiamento
31:54da segurança pública,
31:56que são os fundos
31:57que precisam existir
31:58constitucionalmente
31:59e que não sejam
32:00contingenciáveis.
32:02Então,
32:02isso são avanços
32:03extraordinários
32:04que nós teríamos
32:05com a aprovação
32:07da PEC
32:08e, é claro,
32:09sempre há oportunidade
32:10de debate,
32:10de melhoria,
32:11de sugestões.
32:12Eu acho que esse é o papel
32:13do Parlamento
32:14que o Parlamento
32:14está cumprindo agora.
32:16Agora,
32:16eu entendo também
32:17que, sim,
32:19a Polícia Federal,
32:20como sendo
32:21a única agência
32:22brasileira
32:23de atuação
32:24como Polícia Judiciária
32:25em todo o território
32:26nacional
32:27e como representante
32:28da União
32:29responsável
32:29pela cooperação
32:30internacional,
32:31eu entendo
32:32que podemos
32:33ser esse
32:34elemento agregador
32:36a exemplo
32:36do que já fazemos
32:37nessas forças
32:38integradas,
32:40ampliar essas forças
32:41integradas,
32:41aí sim com recursos
32:42definitivamente
32:43constituídos
32:45e com isso
32:46qualificar
32:47o enfrentamento
32:48ao crime organizado.
32:50Só queria perguntar
32:51um pouco
32:51de ABIN.
32:52O senhor falou
32:52da questão
32:52da ABIN paralela,
32:54caso revelado,
32:55de uso
32:56indevido
32:57da ABIN,
32:58o senhor acha
32:59que ainda é necessário
32:59mudanças
33:00na agência?
33:02É possível
33:03que a agência
33:04mude
33:04para realmente
33:05ter um enfoque
33:06em investigações
33:08de relevância
33:10e também
33:10em conjunto
33:11com a Polícia Federal?
33:12O que precisa mudar?
33:13Veja,
33:14é importante entender
33:15o papel
33:15de cada instituição.
33:18Eu tenho
33:19maior respeito
33:19pela Agência
33:20Brasileira
33:21de Inteligência
33:21que cumpre
33:22que cumpre
33:22um papel
33:22no Estado
33:23brasileiro
33:24de assessoramento
33:25ao Poder Executivo
33:27com informação
33:28de inteligência,
33:28com todos os
33:29mecanismos
33:29que tem
33:30e que não
33:31pode
33:32transbordar
33:33disso.
33:34Nós somos
33:35instituições
33:36com funções
33:37diferentes.
33:38A Polícia Federal
33:38é a Polícia Judiciária
33:39da União,
33:40ou seja,
33:40ela faz investigações
33:41além de prestar
33:42serviço de imigração,
33:43de expedição
33:44de passaporte
33:45na área
33:45de Polícia
33:46Administrativa.
33:47Então,
33:47são papéis
33:48absolutamente
33:49distintos
33:50e quando
33:51se misturam
33:52agências
33:56com funções
33:57distintas,
33:58uma tentando
33:59fazer o papel
34:00da outra,
34:01isso dá errado.
34:02E todos nós,
34:03agências estatais,
34:05temos um grande
34:06parâmetro
34:07que é a Constituição
34:08da República
34:09e que são
34:10as leis.
34:11Toda vez
34:12que nós sairmos
34:13desses parâmetros,
34:15a coisa vai andar mal.
34:16Infelizmente,
34:17foi o que vimos
34:18com alguns setores,
34:19enfim,
34:19algumas pessoas
34:20que ocuparam
34:21postos na agência,
34:23inclusive,
34:24ex-diretor da BIN,
34:25já condenado
34:26pela Suprema Corte.
34:28Então,
34:28é importante
34:29que se tenha
34:30isso muito presente
34:31de que
34:32todo o desvirtuamento
34:34do papel
34:34das instituições
34:36de Estado
34:37levam a efeitos
34:38danosos.
34:39Então,
34:39eu sou um institucionalista,
34:42eu sou um legalista,
34:43eu prezo muito
34:44pelo papel
34:44que a Polícia Federal
34:46tem
34:46e cumpro
34:47e tento aqui
34:48todo dia
34:49exercer essa função
34:51para que a gente
34:51esteja sempre
34:52dentro dos nossos limites
34:53e cumprindo
34:54a nossa missão
34:55constitucional.
34:56Para a gente
34:57encerrar,
34:58queria perguntar
34:59um pouco
35:00sobre
35:00o clima
35:02que está ali
35:03na Venezuela
35:03com a vinda
35:04de prováveis
35:05forças americanas
35:06na fronteira,
35:07queria saber
35:07se a Polícia Federal
35:08tem monitorado isso,
35:10tem se preocupado
35:11com isso
35:11de alguma forma.
35:12Vitória,
35:14questões soberanas
35:16de outros países,
35:17não nos cabe aqui
35:18fazer qualquer tipo
35:19de comentário.
35:21O que nós
35:21temos sempre presente
35:23é eventual reflexo
35:25que isso possa trazer
35:26para a segurança
35:27do Brasil
35:28e até o momento
35:29nós não temos,
35:30ainda segue um fluxo
35:31migratório
35:33de venezuelanos
35:34ao Brasil,
35:34mas que já é
35:35o que vem acontecendo
35:37nos últimos anos,
35:38então nada
35:39que nos acenda
35:41nenhum alerta
35:42em relação
35:42à segurança pública
35:44propriamente.
35:44Então a gente
35:45segue interagindo
35:47com as polícias
35:48da América Latina
35:49como um todo
35:50na sede
35:50da Meripol
35:51onde a Polícia Federal
35:53e eu exerço
35:53o papel de secretário
35:54executivo
35:55onde nós
35:56permanentemente
35:57trocamos informações
35:58e acompanhamos
35:59toda a situação
36:00não só na Venezuela
36:01mas em todos
36:02os nossos parceiros
36:03aqui na região
36:05também a partir
36:06das adidâncias
36:07que a Polícia Federal
36:08tem
36:08em todos os países
36:09da América do Sul.
36:11Então vocês estão
36:11fazendo esse monitoramento
36:12em conjunto
36:13com as polícias
36:14de outros países
36:15mas ainda não
36:17seria o momento
36:17de por exemplo
36:18fortalecer o policiamento
36:20na fronteira
36:20com a Venezuela?
36:22Nós temos um foro
36:23permanente
36:23Vitória
36:24não é nesse momento
36:26que se acendeu
36:27algum mecanismo
36:29diferenciar
36:29nós temos um ambiente
36:30permanente
36:31de acompanhamento
36:33de troca
36:34de informações
36:35entre as polícias
36:36das Américas
36:37que a Meripol
36:38cuja sede
36:38fica em Bogotá
36:39na Colômbia
36:40e ali sempre
36:41fazemos nossos diálogos
36:43reuniões
36:44agora em novembro
36:45teremos uma reunião
36:46presencial
36:47de todos os chefes
36:48de polícia
36:48da Meripol
36:49aqui em Brasília
36:50onde nós discutimos
36:52traçamos estratégias
36:54conjuntas
36:55e discutimos
36:56eventualmente
36:56operações
36:57bilaterais
36:59multilaterais
37:00e acompanhamos
37:01o cenário
37:02regional
37:02para eventual
37:04apoio
37:05como tivemos
37:05por exemplo
37:06no caso
37:06de uma crise
37:07no Equador
37:07recentemente
37:08onde os outros
37:10países
37:10ofereceram
37:11apoio
37:12em termos
37:12de tecnologia
37:13de treinamento
37:13capacitação
37:14para enfrentamento
37:16da crise
37:17contra o crime
37:18organizado
37:19no Equador
37:19e assim
37:20que agimos
37:21de maneira
37:22cooperada
37:22integrada
37:23regionalmente
37:24claro que
37:25por enquanto
37:26é só uma hipótese
37:27mas se caso
37:28escalar
37:29essa crise
37:29entre Venezuela
37:30e Estados Unidos
37:31o papel
37:32da Polícia Federal
37:33seria de fortalecimento
37:35da fronteira
37:35para a proteção
37:36do Brasil
37:37ou o senhor acha
37:37que dá para auxiliar
37:39de alguma forma
37:40o governo
37:40venezuelano?
37:42Vitória
37:42a Polícia Federal
37:44é a Polícia Judiciária
37:45da União
37:45nós trabalhamos
37:46com investigações
37:47eu não posso
37:49aqui entrar
37:49no campo
37:49especulativo
37:51de se acontecer
37:52tal coisa
37:53vai ter não sei o que
37:53o que nós podemos
37:55trabalhar
37:56é com o papel
37:57de cada agência
37:58eu falava isso
37:58em relação
37:59a resposta
38:00que falei da BIM
38:00o papel
38:01de cada instituição
38:02nesse cenário
38:03de proteção
38:04da soberania
38:04nacional
38:05de proteção
38:06de fronteiras
38:07de imigração
38:08de segurança
38:09de fronteiras
38:10enfim
38:10aí é um conjunto
38:11de elementos
38:12de instituições
38:14que tem que cumprir
38:15o seu papel
38:16constitucional
38:17e legal
38:17em relação
38:18a segurança pública
38:19que é aquilo
38:20que a Polícia Federal
38:21faz
38:21repito
38:22seguimos cooperando
38:23integrando
38:24trocando informações
38:25com todos
38:26nossos países
38:27nossos parceiros
38:28países latino-americanos
38:30que inclusive
38:30muitos deles
38:31já estão
38:32no centro
38:33de cooperação
38:34policial internacional
38:35da Amazônia
38:36em Manaus
38:38que é um ambiente
38:38onde nós reunimos
38:40os nove países
38:41da Pan-Amazônia
38:42mais os nove
38:43estados amazônicos
38:44e ali trocamos
38:45informações
38:46para operações
38:47contra crimes ambientais
38:49e crime organizado
38:50em geral
38:50mas vocês
38:52têm
38:52monitorado
38:53alguma coisa
38:54que indique
38:55de fato
38:56que pode ocorrer
38:57o risco
38:57de uma escalada
38:58nessa crise
38:58entre Estados Unidos
38:59e Venezuela
39:00Vitória
39:01nós
39:02insisto
39:02aí eu entraria
39:03no campo
39:04especulativo
39:05e invadiria
39:06inclusive
39:06a questão
39:07soberana
39:08de relação
39:09entre outras
39:09duas nações
39:10que tem lá
39:12as suas
39:12idiosincrasias
39:13então
39:13nós
39:15repito
39:15seguimos
39:16com o nosso papel
39:17de segurança
39:19pública
39:19de integração
39:20e de cooperação
39:21com os outros países
39:22Obrigada
39:23doutor Andrei
39:24conversamos com
39:25o doutor Andrei
39:25Rodrigues
39:26diretor-geral
39:27da Polícia Federal
39:28e aí
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