- há 3 meses
O Tribuna Política analisa três temas políticos centrais. Primeiro, a tensão entre o governo Lula e o Congresso, que foi atribuída a um problema estrutural do presidencialismo brasileiro, onde as emendas impositivas dão poder excessivo aos parlamentares.
Em segundo lugar, foi destacado o impasse na federação PP-União Brasil no Espírito Santo, cujos líderes locais, Marcelo Santos e Da Vitória, seguem rotas divergentes e articulam apoios opostos para a eleição de 2026.
Por último, foi discutida a paralisação do projeto de mudança da Câmara de Vitória para o Centro, uma iniciativa de revitalização sepultada após a ocupação do prédio da Caixa e a interferência da polarização política.
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Em segundo lugar, foi destacado o impasse na federação PP-União Brasil no Espírito Santo, cujos líderes locais, Marcelo Santos e Da Vitória, seguem rotas divergentes e articulam apoios opostos para a eleição de 2026.
Por último, foi discutida a paralisação do projeto de mudança da Câmara de Vitória para o Centro, uma iniciativa de revitalização sepultada após a ocupação do prédio da Caixa e a interferência da polarização política.
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NotíciasTranscrição
00:00A relação conflituosa entre o presidente Lula e o Congresso Nacional vai acumulando capítulos
00:09de muita tensão. Por que tem que ser assim? Aqui conosco o cientista político Tomás Tomasi e
00:15Eduardo Maia. Tomás, como é que você analisa esse momento do presidente Lula com o Congresso?
00:20Precisa ser tão difícil desse jeito? Ou melhor, isso é uma característica do regime presidencialista?
00:26Luciano, esse não é um problema exclusivo do presidente Lula, muito menos desse mandato
00:32dele como presidente, muito pior, não é pior do que foi nos outros dois mandatos de Lula
00:40ou do próprio presidente Jair Bolsonaro na sua relação com o Congresso Nacional. Isso
00:45está ligado um pouco ao nosso presidencialismo, que tem uma Câmara, que é bicameral, na sua
00:53representação parlamentar, tendo o Senado com a paridade dos Estados, mas o Congresso
01:00tem também a Câmara de Deputados, que ela tem a proporcionalidade dos Estados. E essa
01:07proporcionalidade gera e traz para dentro do Congresso Nacional múltiplos pensamentos.
01:13O que é salutar, por sua vez, porque está tudo dentro do sistema de pesos e contrapesos
01:19da nossa democracia, ou seja, na partição dos poderes, o judiciário lá com suas particularidades,
01:24mas o executivo e o legislativo cumprindo os seus papéis. Em outros lugares do mundo,
01:29essa dinâmica também ocorre. O parlamentarismo que existe na Europa, Alemanha, Inglaterra com
01:37sua particularidade, tem a eleição, diferente do Brasil, tem a eleição por parte do primeiro
01:45ministro, ou seja, do chefe de governo, como um dos membros do parlamento. No Brasil não
01:51é essa a realidade. No Brasil a nossa inspiração é muito parecida com a dos Estados Unidos,
01:56onde o presidente da república representa não só o chefe, ele não é o representante
02:03só como chefe de governo, mas também como chefe de Estado. No Brasil a crítica que eu faço
02:09e que é problemática para a gente, e eu deixo a discussão e a reflexão para quem nos assiste,
02:14está ligado ao fato de que o parlamento tem as emendas, as emendas parlamentares. Essas emendas
02:20tornam cada um dos mandatos um mandato executivo e emendas que hoje em dia são impositivas, ou seja,
02:28todos os parlamentares no Congresso Nacional têm emendas impositivas e que acabam executando
02:35o orçamento e o que não é papel do parlamentar. Na verdade o papel do parlamentar é fiscalizar
02:41o poder executivo, legislar e também fazer o seu papel de representação nas dinâmicas
02:49políticas da nossa Câmara Federal.
02:51Uma questão ainda, Tomás, lógico que o nosso papel aqui é um papel também de falar para os
02:57iniciados em política, quem acompanha a política a fundo, que conhece os bastidores, mas também
03:02aquelas pessoas que tentam entender o jogo democrático, enfim, o jogo republicano no Brasil.
03:10Nesse caso, você entende como poder de menos do presidente ou poder de mais do Congresso?
03:16Existe essa dicotomia, essa possibilidade de avaliação?
03:21Essa é uma ótima pergunta, Luciano, e eu entendo claramente como poder de mais e poder
03:27além do Congresso. O Congresso tem sim que viver a sua dinâmica de embates e de discussões,
03:35ele tem que fiscalizar o governo e muitas vezes é papel do Congresso pressionar o governo
03:41por meio da representação social. Todo parlamentar, ele representa uma camada da sociedade, então
03:48não adianta a gente muitas vezes reclamar da política e se esquecer de que quem coloca
03:53aquelas pessoas lá no Congresso somos nós. A votação é que coloca aquele representante
03:58nosso. Fica um pouco afastado do conhecimento do público? Como que esse parlamentar chega lá?
04:05Essa é uma outra crítica que eu faço também. Mas efetivamente, dentro da sua pergunta,
04:10eu tenho certeza que isso é poder de mais para o parlamento e que gera dificuldade para o governo.
04:17Perfeito. Eduardo, você em relação à bancada federal capixaba, como é que você analisa
04:23a posição da bancada em relação ao governo Lula? Você acha que o governo Lula, a bancada
04:29capixaba tem uma posição, vamos explicar isso para o nosso ouvinte. Dividido até que ponto
04:35em relação ao governo federal?
04:37É, Luciano, não é muito dividida não. A maioria dos parlamentares se posiciona ao contrário
04:41ao governo do presidente Lula, de forma clara, a gente pode acompanhar isso nas últimas votações,
04:46nas últimas, mas desde que essa legislatura começou. Então, fica mais nichado nos parlamentares
04:52de esquerda. Paulo Foleto do PSB, Jaque Rocha do PT, Helder Salomão do PT, geralmente são
04:57os deputados que mais acompanham o governo Lula, mas o restante é muito difícil a gente
05:02ver alguém votando a favor do governo. É mais contrário ao governo mesmo.
05:07Perfeito. Vamos voltar aqui agora para uma questão que você abordou na sua coluna, que diz respeito
05:13à federação. Você falou na sua coluna a respeito da manifestação do presidente da
05:19Assembleia, Marcelo Santos, em favor da candidatura de Ricardo Ferraço ao governo do Estado e o quanto
05:23de ruído que isso gerou. Vamos falar sobre isso.
05:26Vamos. Primeiro, só explicar rapidamente que a Federação União Progressista é a junção
05:31de dois partidos, que é o PP Progressistas com o União Brasil. O PP local é presidido
05:36pelo deputado da Vitória e o União Brasil pelo presidente da Assembleia, Marcelo Santos.
05:41Tomás até vai poder falar um pouquinho melhor tecnicamente sobre isso, mas, a grosso modo,
05:46o que representa uma federação é a questão de todos caminharem em um único sentido nas
05:52eleições de 2026 ou em outros processos eleitorais, enfim. Ou seja, não se pode ter divergências
05:58ali. Por exemplo, a Federação precisa abraçar um só projeto e não é isso que a gente tem
06:04acompanhado, pelo menos nesse momento, no recorte atual, que é Marcelo Santos frequentando o
06:10evento Gio Cláudio Sampaio em Cariacica, falando em cima do palco que, para ele, o partido deveria,
06:18e ele e o CPF também, deveria apoiar Ricardo Ferraço ao governo do Estado. Só que o presidente
06:24local da Federação é da Vitória, que tem uma outra visão. Ele não declara que é contra, muito pelo
06:32contrário. Não declara que é contra Ricardo, mas é uma peça nesse xadrez que mantém uma relação
06:39muito próxima com Lourenço Pasolini, prefeito de Vitória. É uma peça no xadrez que tenta trazer o
06:44prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, para se filiar ao PP. E todos nós sabemos que Arnaldinho
06:48Borgo quer a oportunidade de disputar o governo do Estado. Então, essa conta não fecha. Não há
06:56possibilidade de Marcelo Santos apoiar Ricardo Ferraz, enquanto Josias da Vitória acena para Lourenço
07:02Pasolini e, ao mesmo tempo, acena para Arnaldinho Borgo. Então, é preciso que haja um entendimento
07:08entre todos esses atores, até pelo menos abril, imagino eu, né, Tomás? Para que seja tudo fechado
07:14em favor de um projeto. Enquanto isso, o governo quer muito que a Federação caminhe com ele,
07:19Lourenço Pasolini quer muito que a Federação caminhe com ele, Arnaldinho corre aí por fora
07:23querendo se filiar nessa Federação, querendo o espaço para disputar o governo do Estado. Então, é um puxando
07:30para cada lado. Estão puxando para um lado diferente e isso está gerando muito ruído
07:34dentro da Federação, dentro dessas próprias pessoas e dos interlocutores aí em volta,
07:39que está todo mundo de olho nos movimentos dessa super Federação.
07:42Tomás, me parece que essa questão da Federação, ela é crucial nesse momento rumo às eleições
07:50de 2026. Ela é uma questão muito importante. Vou aproveitar para você recapitular para o nosso
07:55ouvinte. Como funciona o sistema de Federação nesse momento?
07:58Vamos lá. O sistema de Federação, ela é uma alternativa, ele é uma alternativa dentro
08:04da reforma partidária que houve no Brasil há alguns anos atrás e que estabeleceu o surgimento
08:10de um mínimo, de uma cota mínima que os partidos devem ter de votação para terem representação
08:18no fundo partidário e no fundo eleitoral e também para ter espaço dentro do Congresso
08:25Nacional quando dá a eleição de seus deputados federais.
08:29O sistema de Federação, ele é uma alternativa porque antes a gente tinha o sistema de coligações.
08:36Esse sistema de coligação antigo, ele era ligado ao processo eleitoral de maneira pontual.
08:42Os partidos se uniam pontualmente para aquela eleição e depois eles não tinham compromisso
08:48futuro, ficavam só registrados naquele momento daquela eleição. O sistema de Federação
08:54faz com que os partidos possam se tornar um, como eram no processo eleitoral, como eram as
09:00coligações, mas eles têm que caminhar juntos no Congresso Nacional durante quatro anos.
09:08E esse é um processo que ele tem um impacto nacional. Então ele vem de cima para baixo
09:14de maneira muito verticalizada. Então esse é o sistema de federações que tecnicamente
09:21ele tem a intenção de preservar a ideologia de alguns partidos. Eu vou trazer alguns exemplos
09:28aqui para a gente poder entender. Quando o PCdoB se federa com o PT, por exemplo, essa é
09:36uma alternativa para que o PCdoB não deixe de existir. Também acontece isso no caso
09:43de PSOL e Rede, que é uma alternativa para que os dois partidos possam sair fortalecidos
09:50dos processos eleitorais.
09:52Eduardo, por onde passa o caminho para desatar esse nó?
09:56Olha, acredito que pelo diálogo, Luciano. Vai ser preciso dialogar muito até abril de
10:0126 para ver o que pode ser acertado nessas conversas. Mas eu acredito que se por algum
10:07motivo essas conversas não forem mais incisivas, não houver solução sobre isso, pode ser que
10:13haja alguma intervenção nacional. Porque os partidos já estão federados, não tem mais
10:17o que fazer. Então alternativas que a gente pode pensar. Poxa, da vitória deixar o partido,
10:22que é o presidente da federação, acho improvável. Marcelo Santos deixa a união, acho improvável.
10:27Acabou de chegar, acabou de ser empossado presidente. Então é preciso ter diálogo para todo mundo
10:33conseguir se resolver. Agora, como isso vai acontecer? Hoje, a preço de hoje, da vitória e Marcelo Santos
10:40são candidatos ao mesmo cargo, que é deputado federal. Talvez um dispute uma outra vaga?
10:45Pode ser uma possibilidade. A gente está esquecendo de uma peça que é o Vair de Melo, que faz parte do PP,
10:51que também tem voz dentro do Progressistas e quer disputar o Senado. Mas o Marcelo disse que o candidato
10:56deles é o Euclério. Então vai ter que ser uma reunião com grandes figuras da política capixaba
11:03para ver qual caminho vai ser tomado e qual grupo essa federação vai abraçar em 2026.
11:09E numa situação como essa, qual é a possibilidade de uma intervenção da cúpula nacional?
11:16Se não houver martelo batido local, a possibilidade é muito alta.
11:21Só fazer uma observação. Essa federação União Brasil PP é uma federação robusta, gigante, eu posso dizer.
11:29É uma federação importante e que no Espírito Santo o PP tem dois deputados federais.
11:34Então essa é uma federação que nacionalmente é muito forte e que no Espírito Santo a força está mais
11:41concentrada dentro do PP. Obviamente que no processo eleitoral de 2026 a União Brasil vai fazer sua
11:48contribuição para tentar ter também. Marcelo Santos, presidente da Assembleia Legislativa,
11:54é candidato a deputado, pré-candidato a deputado federal. É um candidato fortíssimo.
11:59Então é uma chapa muito forte. Nesse processo eleitoral que é nacional, o grande olhar dos partidos
12:10está ligado às chapas de deputado federal. Então os partidos nacionalmente precisam de ter
12:15representação no Congresso robusta. E esse é o olhar principal que se dá também no Estado do Espírito Santo.
12:22PP e União Brasil têm grandes candidatos. Felipe Rigoni ainda não saiu do União Brasil,
12:27então teoricamente ele está no União Brasil. Então estamos falando de Felipe Rigoni, Marcelo Santos,
12:33Evair da Vitória, dentre outros grandes nomes que compõem essas duas legendas.
12:41A dificuldade que eu tenho escutado nos bastidores, e o Eduardo pode falar muito melhor sobre esse tema,
12:48está ligada à montagem de chapa. E essa dificuldade, ela não é única e exclusiva de União Brasil e PP.
12:55Ela é uma dificuldade horizontalizada. Ou seja, todo mundo está tendo a mesma dificuldade. Por quê?
13:03Porque a gente teve uma diminuição dos partidos, então as oportunidades também de composição, elas diminuíram.
13:10Aquele candidato que tem uma expectativa de encontrar uma chapa onde ele vai conseguir ser eleito com poucos votos,
13:17ele está tendo medo e prefere disputar uma eleição de deputado estadual, que tem muito mais vagas,
13:24tem muito mais chance de um partido fazer três, quatro vagas, se esse partido tiver grande votação,
13:32e aí acaba dividindo a atenção também daqueles que já são mandatários.
13:37Então essa é a dificuldade de momento que a gente tem observado no cenário político capixaba.
13:43Eu conheço pouco das particularidades de outros estados, mas acredito que isso também deve estar se reproduzindo.
13:49Porque você imagina um estado como São Paulo, que tem tanta população, e Minas Gerais,
13:54como que eles vão abrigar poucas, muitas pessoas em poucas legendas.
13:59Esse é o tema que tem permeado o cenário político local.
14:04Um outro tema que ficou um hiato desde a nossa última gravação do Tribuna Política até este momento
14:15é em relação à transferência da Câmara de Vereadores de Vitória para o centro da cidade,
14:22que é uma reivindicação de vários setores e foi uma iniciativa do presidente da Câmara, Anderson Gorge,
14:31e ele, após as dificuldades com a invasão do prédio,
14:38ele declarou que está sepultada essa possibilidade.
14:43Eduardo, não tem retorno? Isso se quebrou de vez?
14:46Não há como retomar essa conversa para a volta da transferência da Câmara de Vereadores para o centro de Vitória?
14:51É, Luciano, é uma decisão mais de Brasília, da Caixa Econômica Federal, do que local.
14:56Hoje, realmente, a ideia está sepultada.
14:58Recapitulando, o prédio foi ocupado por manifestantes de movimento sem terra no dia 7 de setembro,
15:04então, desde então, está com várias famílias lá dentro.
15:07A preocupação do presidente Anderson Gorge é de como esse edifício estará quando essas famílias desocuparem.
15:14A Caixa, a princípio, deu cinco dias para eles desocuparem,
15:18e depois aumentou essa quantidade de dias para 30, e 30 dias úteis.
15:23Então, eles, na prática, não sabem como é que esse prédio está lá dentro, falando ali da estrutura mesmo.
15:29Então, hoje, esse sonho, infelizmente, está interrompido.
15:33Anderson Gorge e Marcos Del Maestro chegaram a viajar à Brasília
15:35para conversas mais aprofundadas com a direção da Caixa Econômica,
15:40e o que falaram, o que propuseram para o Anderson foi a...
15:44Eles perguntaram, na verdade, a possibilidade de a Prefeitura, a Câmara, enfim, os poderes municipais de Vitória
15:50conseguirem realocar essas pessoas em outras unidades habitacionais, enfim, realocá-las em outros lugares.
15:58E o Anderson respondeu que Vitória já possui um projeto, um programa de habitação,
16:04e que essas pessoas deveriam entrar na fila.
16:06Não havia possibilidade de colocar essas famílias na frente de outras pessoas que já estão guardando a habitação.
16:11Então, aí, nessa conversa há esse embrólio, e, momentaneamente, o presidente Anderson Gorge deixou esse assunto de lado.
16:19Agora, pessoalmente, se as famílias desocuparem o prédio, quando isso acontecer,
16:25a depender das condições do edifício, eu não vejo muitas dificuldades desse assunto, dessa conversa, ser retomada.
16:33É claro que a gente entende que a Caixa Econômica é um banco público, é um banco estatal,
16:38ligado ao governo Lula, e, politicamente, o que isso significa?
16:42Significa que o PP desembarcou do governo Lula.
16:44Então, talvez, haja alguma dificuldade política nesse aspecto,
16:49de o PP não fazer mais parte do governo Lula,
16:52e a gente relembra que Josias da Vitória foi um intermediador entre a Caixa Econômica e a Câmara de Vitória.
16:57Então, isso pode ser um fator que pode dificultar.
17:01É uma costura política difícil, né, Tomás?
17:03Ela é uma costura política difícil, Luciano, mas que deveria ter um caráter de Estado não partidário,
17:09não político partidário, e muito menos com o lado de direita ou de esquerda, tá?
17:15A ida da Câmara para o centro de Vitória foi um esforço louvável por parte daquela mesa diretora,
17:22da mesa diretora capitaneada por Anderson Gorge,
17:25e que tinha o apoiamento de toda a Câmara, os vereadores queriam esse processo de ida para o centro,
17:32e que tinha uma importância também na nossa capital, capital essa, que é uma ilha e que precisa de espaço.
17:43O centro de Vitória está abandonado há muitos anos, Luciano,
17:47e a nossa capital merecia ter a ida de mais serviços públicos para lá,
17:52para que o setor privado fosse junto.
17:55Segundo o Gorge, seriam mais ou menos mil, mil e poucas pessoas por dia circulando naquela região.
18:00Chegou a falar em mil e quinhentas pessoas.
18:01Então, eu ia perguntar para vocês esses números.
18:04Então, se a gente fala entre mil e mil e quinhentas pessoas no centro de Vitória,
18:08naturalmente vão surgir lanchonetes, restaurantes, lojas,
18:12as pessoas vão ter necessidade de todo tipo, academia, vai fortalecer o comércio do centro.
18:18Valorizar até a área imobiliária.
18:20Vai valorizar a parte imobiliária da cidade de Vitória.
18:23Mais uma vez, lembrando que Vitória é uma ilha, já está estrangulada,
18:26não tem para onde crescer e seria muito positivo.
18:29Então, essa dinâmica, Luciano, deveria ser uma dinâmica de Estado,
18:34uma dinâmica em que todos deveriam apoiar, independente do partido.
18:38Mais uma vez, perde a população, perde a capital de Vitória,
18:43que não vai ter mais serviços ali.
18:45E o que o Anderson me disse em particular e que o desejo era de levar mais serviços
18:52para além da própria Câmara, então ampliar serviços à comunidade,
18:56nessa briga de direita e de esquerda, eu percebo que quem perde sempre é a população.
19:03Sobretudo no Brasil, um país que a gente ainda tem necessidade de desenvolver a nossa economia,
19:08quando a gente compara com outras forças mundiais, pela nossa população,
19:13pelo nosso tamanho, por nossas vocações,
19:16eu tenho certeza que o Brasil devia estar figurando em posições muito melhores.
19:21Mas eu acho que a gente está estagnado numa discussão que muitas vezes não faz sentido nenhum.
19:27E essa é mais uma vítima, Eduardo e Luciano,
19:30dessa discussão que não leva a lugar nenhum, que é a direita e a esquerda.
19:36É interessante, Tomás, você já me falou isso uma vez,
19:39você é uma pessoa que pesquisa muito isso,
19:41essa relação de outras cidades, mundo afora, em relação às suas áreas centrais,
19:47que são áreas que naturalmente se degradam pela movimentação urbana etc.
19:53E é um desafio também aqui em Vitória, Vila Velha, enfim,
19:57todas essas áreas têm um centro histórico de manter a importância dessas regiões.
20:02A Câmara seria um impulso grande para resolver isso.
20:07Mas me parece que não há uma saída no momento.
20:10É, me parece que não há uma saída.
20:12Existe um movimento de busca, de luta por moradia,
20:16que é um tema importante.
20:17Que é legítimo, é importante que se diga.
20:19É, exatamente, é um tema importante que deve ser discutido,
20:23mas que nesse caso em específico, Luciano,
20:26me parece mais ligado a outro tipo de temática do que a luta efetivamente por moradia.
20:33Por que aquele prédio?
20:35Por que nesse momento, entendeu?
20:37E por que parou algo que seria tão importante para a população?
20:41A cidade de Vitória merecia ter a sua Câmara lá resgatada.
20:44O prédio da Câmara, do lado da Prefeitura, outra coisa que os vereadores já discutiam,
20:50eram projetos para aquele prédio.
20:51Eu cheguei, a gente fez um podcast sobre a Biblioteca da Finlândia.
20:56Parece que a Prefeitura e a Câmara pensavam numa biblioteca,
20:59num espaço cultural ali.
21:01Seria algo que a cidade ganharia muito.
21:04Acho que perdeu todo mundo.
21:05Perdeu quem está na esquerda, perdeu quem está na direita.
21:07Esse era um tema que a gente deveria ter preservado mais,
21:10ter esperado para discutir, debater e brigar em outros momentos.
21:13Bom, esse foi mais um Tribuna Política.
21:17Eu agradeço a sua audiência.
21:18Legenda Adriana Zanotto
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