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Na CPI dos Pancadões, o doutor em música Thiago de Souza (Thiagson), da USP, afirmou que o cânone da música clássica era composto majoritariamente por pessoas brancas, gerando debate com o vereador Rubinho Nunes (União Brasil-SP). Nunes rebateu lembrando do compositor Carlos Gomes, considerado o maior de ópera brasileiro e negro, provocando um embate sobre representatividade e racismo na história da música clássica. O caso foi comentado pelo jornalista Josias Teófilo.

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Transcrição
00:00...da CPI do Pancadão, pessoal, realizada pela Câmara Municipal de São Paulo.
00:05Dessa vez ouviu o professor de música Tiago Barbosa Alves de Souza,
00:10conhecido para os íntimos como Tiagson,
00:13que respondeu às perguntas do presidente da comissão e vereador da cidade, Rubinho Nunes.
00:18Vamos acompanhar um trecho, vamos lá.
00:20Carlos Gomes é o maior compositor de ópera brasileiro.
00:24Ele era negro.
00:26Isso foi uma descoberta recente, ele foi muito embranquecido pela história.
00:28Ah, tá. E o senhor não estudou Carlos Gomes.
00:31O fato de ele ter sido, na sua acepção, embranquecido pela história
00:35apaga a qualidade do seu amplo trabalho e toda a sua contribuição para a música brasileira?
00:41A questão é que para ele se consagrar como Carlos Gomes,
00:45compositor do Guarani, ele teve que passar por um processo de embranquecimento.
00:50É isso que eu estou falando.
00:51Se ele se assumisse como leigo naquela época, talvez seria uma catástrofe.
00:55Porque a sociedade ainda é muito racista.
00:58Então, o senhor esquece todo o trabalho dele para a história, toda a sua contribuição
01:05e talvez a dor que ele tenha experimentado naquela época por conta da guerra racial
01:08e simplesmente prefere dizer que não são considerados artistas negros
01:12e joga no lixo toda a contribuição de Carlos Gomes.
01:15Isso não seria racista da sua parte?
01:17Racismo ao contrário?
01:18O senhor está jogando granada no lixo.
01:22Eu estou enaltecendo.
01:23Me parece que o senhor está querendo de alguma maneira e por algum motivo apagá-lo.
01:26Eu queria entender por quê.
01:27O senhor manifestando uma nobreza, uma preocupação, ele com a sua obra.
01:31Por que o senhor não se compadece com os MCs de hoje?
01:33Que levam uma vida difícil e que ainda assim conseguem produzir uma música
01:37que deixa pessoas como o senhor com medo.
01:39Assim, o que mais uma vez uma CPMI, que na minha opinião, enfim, começou com uma investigação séria,
01:47ou a proposta de uma investigação séria contra os caos perpetrados nos bailes funk,
01:51está virando de novo um palco para, sei lá, acirrar, esgarçar o tecido social brasileiro,
01:56polarização racial, discursos divergentes.
01:58Mas ninguém melhor para tentar, eu ia falar, apagar esse incêndio, mas é pelo contrário.
02:04Tacar a querosene nesse fogo do que o cronista mais ácido da cultura brasileira,
02:09Josias Teófilo, chegando ao vivasso aqui.
02:11Mais uma sessão, né, Josias, marcada por brigas, pontos de vista divergentes,
02:15para dizer o mínimo, revisionismos históricos, no final das contas.
02:19Qual é a sua opinião? Vamos lá.
02:23Ah, eu achei maravilhoso isso, porque começou com...
02:26O primeiro foi o seguinte, ele estava falando que o cânone da música clássica
02:32é composto inteiramente por gente branca.
02:35Foi exatamente essa frase que ele falou.
02:37E não se estudavam pessoas negras, não haviam pessoas negras.
02:41E por quê? Só existe gente branca na música clássica,
02:44é por isso que ela é tratada como a música de elite,
02:50ou a melhor música, e na verdade o funk é desconsiderado,
02:55porque é feito por gente negra.
02:56Que é uma visão totalmente ridícula, dual, típico dos identitários, né?
03:01Mas aí veio o Rubinho, que veja bem, o Rubinho está fazendo aí a CPI dos pancadões,
03:08que trata da questão dos pancadões que causam problemas sérios
03:14para as pessoas que moram nas favelas.
03:17Então, ele teve muito voto nas periferias por causa disso,
03:20porque ele vai lá, leva a polícia e acaba com o pancadão
03:24que fica até as 5 horas da manhã.
03:26Então, o que acontece é, aí ele foi entrevistar esse sujeito
03:29que fez doutorado em musicologia na USP,
03:34e ele veio defender os pancadões e tal.
03:39Pois bem, aí ele disse isso,
03:41que o cânone é inteiramente feito por gente branca.
03:43Aí ele lembrou do Carlos Gomes.
03:45E aí, pelo jeito, ele não soube o que responder,
03:48porque ele disse, não, ele foi embranquecido,
03:51ele foi tratado como branco.
03:52Olha, é muito comum esse pensamento racial atualmente,
03:57não é, colocar a música clássica como elitista.
03:59Eu já falei aqui para vocês,
04:01a música clássica não é elitista,
04:03a música popular é elitista.
04:04O Oruan cobra mais do que o mais caro músico clássico brasileiro.
04:09O Oruan cobra 100 mil reais no mínimo para fazer um show.
04:14O maior músico clássico brasileiro cobrava muito menos do que isso.
04:19Então, é exatamente o contrário.
04:22Agora, esse pensamento dele é totalmente errado,
04:26inclusive basta lembrar também do José Maurício Nunes Garcia,
04:30que era o chefe da...
04:34comandava a música na corte do Rio de Janeiro,
04:38ainda na época do Império,
04:39antes da chegada da família imperial portuguesa,
04:42da família real portuguesa.
04:44Então, e também a música negra é muito influente
04:46na música clássica brasileira.
04:48Eu vou dar um exemplo, o Marlos Nobre,
04:49que morreu esse ano,
04:51tinha, entre a música, a música negra é importantíssimo.
04:55O ritmo da música negra foi fundamental
04:56para as suas principais obras,
04:58como o Ritmetron e tantas obras importantes.
05:03Não, concluindo o raciocínio aqui,
05:04só porque a bancada está ansiosa aqui
05:06para estimular o diálogo,
05:08mas concluindo o raciocínio.
05:10Ah, tá.
05:10Pois é, então.
05:11Aí, o que é que acontece?
05:13É uma visão totalmente distorcida
05:15e que ele foi...
05:17Esse cara é o autor da frase.
05:19Veja o que é que ele disse.
05:20Ele disse,
05:20Bum Bum Tantan, aquela música do MC Fiote,
05:24é mais complexo do que bar.
05:27Essa aí, essa é a frase do Thiagson.
05:30E beleza!
05:31Veja o Bum Bum Tantan.
05:33Lembra que...
05:34O governador João Dória usou muito isso, né?
05:37Mece no Bum Bum Tantan.
05:38Lembra disso?
05:39Vamos aqui.
05:40O que é isso?
05:41My Way, Dória, do nada.
05:42O que é isso?
05:44Não gostei.
05:45Mostra que a sonoplastia está entrosada
05:47com o apresentador.
05:47Jota, o David já trouxe uma excelente introdução até, né?
05:52Fiquei um pouco decomposto aqui diante disso, mas...
05:55O que mais me assusta
05:57é essa confusão sobre o termo embranquecimento.
06:00Assim, eu fiquei muito curioso em saber o que é isso.
06:02Ah, porque ele precisou passar por um processo
06:03de embranquecimento, né, Josias?
06:06E minha curiosidade é a seguinte,
06:07como tu bem trouxeste no teu comentário,
06:10a CPI busca sanar um problema
06:13que é tido hoje dentro das favelas.
06:16Dentro das favelas e os pancadões
06:19atrapalham a vida de pessoas que moram nas favelas.
06:23Quem mora nas favelas,
06:25mais de 80% são pessoas negras.
06:28Eu queria saber de ti.
06:29Essas pessoas negras que moram na favela,
06:31que são trabalhadores,
06:32que acordam no dia seguinte,
06:33cinco horas,
06:34pra ficar duas horas dentro do trânsito,
06:35será que também passaram por esse processo
06:37de embranquecimento,
06:39segundo o investigado?
06:40Segundo, né, essa pessoa que está aí?
06:42É muito engraçado isso, né?
06:44Você veja, estava lá na própria CPI,
06:46depois dele veio um sujeito branquinho,
06:49um funkeiro, um MC,
06:51bem branquinho,
06:52e eu fiquei,
06:53olha, mas esses são representantes
06:55da música negra, o funk?
06:56Olha, que coisa ridícula,
06:58pelo amor de Deus.
06:59Na verdade, olha,
07:00a anotação musical
07:01que foi criada na Europa,
07:04ela serve a todas as pessoas,
07:06entendeu?
07:06A música tem um caráter universal.
07:08Isso é uma coisa básica, né?
07:10Mas, além disso, olha,
07:12isso é tão comum eles falarem
07:13que tem uma secretária de cultura
07:15chamada Aline Torres,
07:16que era secretária do município,
07:18que ela dizia que ela trouxe os negros
07:20para o teatro municipal.
07:22Foi ela que trouxe os negros
07:25em 2000 e, sei lá,
07:262019,
07:27quando ela era secretária,
07:28foi ela que trouxe pela primeira vez
07:30os negros.
07:31Aí eu lembrei,
07:31eu escrevi um artigo dizendo,
07:32olha só,
07:33quando o teatro municipal
07:34foi inaugurado
07:35pela abertura da ópera Guarani,
07:38de Carlos Gomes,
07:39que foi composta por um negro,
07:40o Carlos Gomes.
07:41Na época,
07:42em 1900,
07:42o teatro municipal foi criado
07:44em 1911.
07:45Em 1910,
07:46o presidente brasileiro,
07:47Nilo Peçã,
07:48era negro.
07:51Verdades e inconvenientes.
07:52Mano Ferreira.
07:52Isso é muito curioso, né,
07:54Jesus?
07:54Porque existe uma tentativa
07:56de apagar figuras históricas
08:00que contradizem,
08:01de alguma forma,
08:02a narrativa militante, né?
08:04Assim como, sei lá,
08:05André Rebouças,
08:06Machado de Assis,
08:08era negro.
08:09E muitas vezes,
08:10a militância esquece
08:12grandes ícones da história
08:13e da cultura brasileira.
08:15A memória é seletiva da militância.
08:16Agora...
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