00:00Com a química entre os presidentes Lula e Donald Trump, a eleição brasileira em 2026
00:06pode ser alvo de interferência dos Estados Unidos.
00:10Repórter Matheus Dias, mais uma vez aqui com a gente.
00:13Essa é uma preocupação real do governo brasileiro, é isso, Matheus?
00:20É isso sim, viu, Tiago? Boa noite novamente pra você.
00:22Aquela frase, né? Amigos, amigos, negócios à parte.
00:26Pelo menos, mesmo que esse ano se mostrou de uma aproximação entre Lula e Trump,
00:30depois do acordo entre eles, retirada da maior parte das tarifas impostas às exportações brasileiras,
00:36parece que pro ano que vem o governo federal, o Planalto, tem sim um certo medo de que Trump
00:42acabe influenciando ou tentando participar das eleições aqui no país.
00:49Isso porque é uma prática de Trump, ele já fez isso esse ano duas vezes,
00:53nas eleições na Argentina e em Honduras.
00:56Trump, que nas eleições da Argentina declarou apoio claro nas eleições legislativas,
01:02a chapa de Javier Milley, inclusive, deu um auxílio de 20 bilhões de reais.
01:07No caso de Honduras, Trump declarou apoio aberto ao candidato da ultradireita,
01:12Nasri Tito Asfura.
01:14Tanto que a atual presidente do país, né, a eleição lá em Honduras ainda está em andamento,
01:20a contagem de votos ainda acontece, ainda não tem o resultado,
01:22mas a presidente atual de Honduras, a Xiomara Castro,
01:26ela alega que houve, sim, uma interferência de Trump
01:28e alegou até golpe político pra que o candidato da ultradireita fosse eleito, então.
01:34No caso, a candidata da oposição em Honduras, da esquerda,
01:38Xixi Moncada, segundo Trump, se ela fosse eleita,
01:42o país estaria nas mãos da Venezuela e de Nicolás Maduro,
01:45fez todo esse apoio à eleição, tanto na Venezuela quanto no Brasil,
01:50sendo que na véspera da eleição na Venezuela,
01:54Trump concedeu indulto ao ex-presidente de Honduras,
01:57Juan Orlando Hernández,
01:59ele que estava preso, condenado a 45 anos,
02:01investigado e condenado por traficar cocaína aos Estados Unidos,
02:07Trump deu indulto a ele por ele ser aliado do candidato da ultradireita hondurenha.
02:12As tendências, então, são sempre que Trump mostre apoio aos candidatos da direita
02:17e esse é um medo aqui do Planalto,
02:19que Trump tenha aquela tendência a apoiar e tentar influenciar as eleições
02:24pra que vença a direita, na qual tem pensamentos mais parecidos
02:28com os que hoje existem no governo norte-americano.
02:31O governo, então, tenta esquematizar uma espécie de vacina
02:35pra tentar evitar que isso aconteça.
02:37A aproximação de Lula a Trump é uma dessas táticas,
02:40mas outro ponto também foi aprovado recentemente,
02:44foi divulgado recentemente,
02:46que o Brasil também vai ajudar os Estados Unidos
02:49a atuar no combate ao narcoterrorismo.
02:52Mas isso é, claro, uma linha tênue ali,
02:55em que Lula tende a dizer publicamente que vai ajudar nesse combate ao narcoterrorismo,
03:01tanto dentro das dependências do Brasil quanto fora delas,
03:04mas não tem nenhuma vontade,
03:07ou, na verdade, tem mais vontade de evitar ainda que Trump invada a Venezuela,
03:12como já ameaçou algumas vezes.
03:14Porque pra Lula, se isso acontecer,
03:16sob a justificativa de combate ao narcoterrorismo,
03:18mas houver essa invasão,
03:20abre precedentes pra que futuras invasões aconteçam,
03:23como Lula diz no caso da Colômbia e do México.
03:26Por isso é uma linha tênue.
03:27Apoiar o governo, mas se isentar em outro ponto,
03:30mas, de toda forma, tentar fortalecer relações
03:33pra que no ano que vem,
03:35Trump, que é um papel, claro, político,
03:37extremamente importante mundialmente,
03:40não atue aqui nas eleições do Brasil
03:41e possa acabar criando alianças e fortalecendo a direita.
03:45Tudo isso acontece em meio a uma relação também de Lula e Trump,
03:48em que eles ainda vão negociar,
03:51porque a vontade aqui do Planalto
03:52é tirar o resto das tarifas
03:54que sobraram ainda sobre as exportações brasileiras
03:58e também retomar os vistos norte-americanos
04:01de ministros e familiares.
04:03Inclusive, tinha uma reunião entre ministros
04:04que deveria ter acontecido em novembro,
04:06mas foi adiada e deve acontecer só a partir de janeiro.
04:10Por isso, Tiago, eleições do ano que vem,
04:13as agendas presidenciais,
04:14pelo menos de candidatos à presidência,
04:16não vão acontecer só dentro do Brasil, não.
04:18Mas também fora dele,
04:19porque a campanha é daqui pra fora, viu, Tiago?
04:23Pra ver, Matheus Dias,
04:25com as últimas informações, até daqui a pouquinho.
04:28Cristiano Villela,
04:29essa avaliação, muitos analistas políticos têm feito
04:33de que Donald Trump poderia interferir
04:35na eleição aqui no Brasil,
04:37como os Estados Unidos já fizeram em outros tempos,
04:40um pouco antes do regime militar,
04:43também durante o próprio regime militar,
04:45a preocupação de se manter
04:46com aquele cenário político que o Brasil vivia
04:50naqueles 21 anos.
04:52Mas eu pergunto pra você o seguinte,
04:54será que é um medo real que o governo brasileiro,
04:58no caso político, deve ter?
05:00Será que o governo dos Estados Unidos tem todo esse poder,
05:03num país como o Brasil,
05:04de interferir, de uma certa maneira, na eleição?
05:08Olha, Tiago,
05:09essa é uma preocupação que está sendo disseminada
05:12por apoiadores do governo,
05:13que não tem a menor fundamentação.
05:15é algo que está sendo usado
05:18para justificar,
05:19para começar a gerar algum disfarço
05:21por conta da força
05:23que os segmentos mais à direita
05:24têm demonstrado,
05:26especialmente no que se relaciona
05:27ao uso das redes sociais.
05:30Eu não vejo absolutamente chance nenhuma
05:33a atuação dos Estados Unidos
05:35em relação à Venezuela,
05:37ela não é uma atuação
05:38no sentido de influenciar
05:40do ponto de vista eleitoral,
05:42absolutamente.
05:42ela é uma atuação
05:44contra uma ditadura
05:45em território latino-americano.
05:47E o que o governo deveria fazer
05:49é se posicionar
05:51contra essa ditadura.
05:52O Brasil,
05:53que busca ser
05:54a principal liderança
05:56no âmbito da América Latina,
05:58país importante,
05:59que é uma das maiores economias do mundo,
06:01deveria se posicionar
06:03contra essa ditadura,
06:05que é uma ditadura
06:06que, no entanto,
06:07acaba sendo apoiada
06:08pelo governo brasileiro.
06:10E com isso se fomenta
06:11esse tipo de discurso.
06:12Olha, os Estados Unidos
06:14podem se utilizar.
06:15Isso não pode em nada.
06:17É quando se fala
06:18da atuação norte-americana
06:20em outras eleições,
06:21em outros momentos históricos,
06:23isso se trata de algo
06:24que aconteceu
06:25e ficou no passado.
06:27Hoje em dia,
06:28dentro da atualidade,
06:30não há mais
06:30próprios elementos práticos
06:33que os Estados Unidos
06:34possam realizar
06:35para promover
06:37algum tipo de retaliação
06:39dentro de um processo eleitoral,
06:41que é um processo eleitoral democrático
06:43como no Brasil,
06:43como na Colômbia
06:44ou em outros países.
06:46É importante separar
06:47o joio do trigo.
06:48Venezuela é uma ditadura.
06:50Brasil, Colômbia e México
06:52são democracias,
06:53onde ora se ganha a esquerda,
06:55ora se ganha a direita,
06:56ora se ganha o centro,
06:57enfim,
06:57situações que fazem parte
06:59da normalidade democrática.
07:01É, o Matheus citou até a Argentina
07:03como exemplo de apoio
07:05do governo americano.
07:06É claro que os países
07:07têm preferências.
07:09O próprio presidente Lula
07:10não gostaria, por exemplo,
07:12que Donald Trump
07:13ganhasse a eleição.
07:14Ele preferia Kamala Harris,
07:16que estava concorrendo
07:17por ter o alinhamento
07:18ideológico mais parecido.
07:20Mas, de qualquer forma,
07:21citar também a Argentina,
07:23são países diferentes,
07:24dimensões diferentes,
07:26não é, Vilela?
07:26Pois é, Tiago.
07:28A gente está vendo o uso,
07:31a criação,
07:32a construção
07:33de uma fake news preparatória.
07:36Uma fake news
07:37para eventualmente justificar
07:38um fortalecimento da direita.
07:41Ora, o que aconteceu na Argentina
07:43não tem absolutamente nada a ver
07:45com Donald Trump.
07:46O que aconteceu na Argentina,
07:48a vitória, por exemplo,
07:49que tivemos na direita,
07:51teve nas eleições intermediárias
07:53a vidas agora,
07:54no ano de 2025,
07:55ela vai justamente
07:57por conta
07:58da grande mudança,
08:00da virada de página
08:01que Milley promoveu
08:03na Argentina
08:03e que, de uma forma geral,
08:05tem sido bem vista
08:06pelo cidadão local,
08:07pelo eleitor local.
08:09Não há que se falar
08:10absolutamente
08:11na atuação efetiva
08:13dos Estados Unidos
08:14em relação a nenhum país
08:16da América Latina.
08:17Onde nós vemos
08:19um conflito efetivamente,
08:22algo que,
08:23onde os Estados Unidos
08:24têm atuado
08:25de uma forma
08:26mais direcionada,
08:28se dá exclusivamente
08:29na Venezuela.
08:30E é importante frisar
08:31mais uma vez,
08:32a Venezuela é uma ditadura
08:34e, como tal,
08:35não pode ser comparada
08:36às democracias brasileiras,
08:38argentina,
08:39mexicana,
08:40da Colômbia,
08:40enfim,
08:41não pode ser comparada
08:42à normalidade democrática
08:44que permite
08:45que as manifestações
08:47sejam feitas
08:48de uma forma livre,
08:49sem a influência do Estado,
08:51muito menos
08:51de um Estado estrangeiro.
08:53de um Estado estrangeiro.
08:55Não pode ser comparada
08:56à normalidade democrática
08:56ou de um Estado estrangeiro.
08:57Não pode ser comparada
08:57à normalidade democrática
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