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Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender a reaproximação com os Estados Unidos, rechaçando a ideia de "química" e afirmando que "não pintou química, pintou uma indústria petroquímica". O presidente reitera a confiança no diálogo com o presidente Donald Trump e confirmou uma reunião de negociação entre os países nesta quinta (16).


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Transcrição
00:00O presidente Lula reitera a confiança em um acordo com Donald Trump e faz uma cobrança aos brasileiros de olho na eleição de 2026.
00:09A reportagem do Rio de Janeiro, Rodrigo Viga.
00:12Depois do presidente norte-americano afirmar que havia uma química entre ele e o presidente Lula,
00:18foi depois de um encontro na coxinha nos bastidores de uma conferência da ONU lá no território dos Estados Unidos.
00:24Agora, o presidente Lula afirmou que a relação é muito mais do que uma química entre eles.
00:32Existe uma indústria petroquímica.
00:35Lula e Trump conversaram recentemente pelo telefone.
00:39Foi uma longa conversa que tinha como foco central o tarifácio norte-americano que entrou em vigor para produtos brasileiros a partir do mês de agosto.
00:48O embaixador brasileiro, ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, está nos Estados Unidos para um encontro com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
01:01A perspectiva desse encontro, segundo o Lula, é bastante animadora.
01:07Ele me ligou, eu falei, presidente, eu queria estabelecer uma conversa sem liturgia.
01:13Eu estou fazendo 80 anos hoje, você vai fazer 80 anos, dia 14 de junho, porque eu tinha pesquisado, dia 14 de junho, significa que eu sou oito meses mais velho do que você, então vamos nos tratar de você, sem liturgia.
01:31E aí comecei a falar o que eu achava que deveria até falar, então.
01:35Sabe, não pintou química, pintou uma indústria petroquímica.
01:38Lula veio ao Rio de Janeiro nesta quarta-feira para participar do lançamento da Carteira Nacional do Docente.
01:46Foi num dia simbólico, dia dos professores comemorado em todo o país.
01:51Essa carteira vai dar uma série de benefícios de banco, aplicativos aos portadores desse documento.
01:58Professores ativos e também aposentados.
02:02Lula aproveitou o ambiente favorável para dar um tom de palanque de eleições aqui no Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, zona sudoeste da capital.
02:14Falou muito sobre 2026, pediu para que os eleitores tenham consciência na hora do voto e na escolha do candidato.
02:22E aproveitou para fazer críticas à atual composição do Congresso Nacional.
02:27Não se inibiu nem com a presença do presidente da Câmara, Hugo Mota, e disse que o atual Congresso tem o mais baixo nível de toda a história.
02:38O ano que vem tem eleição.
02:41Eleição não é brincadeira.
02:44A gente não vota porque recebe um papelzinho na porta da escola.
02:48É preciso pesquisar quem são as pessoas.
02:50Quem tem compromisso com a gente.
02:53Quem pensa, não igual a você, porque ninguém precisa pensar igual a ninguém.
02:58Mas quem é que tem, sabe, compromisso com as coisas que você acredita que precisa ser feito nesse país.
03:06É assim que a gente escolhe.
03:07Enquanto o Lula foi aplaudido e ovacionado durante todo o evento,
03:12o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e o presidente da Câmara, Hugo Mota, ouviram vaias na plateia.
03:19Os professores, inclusive, pediam durante a fala de Mota para que o Congresso Nacional não aprove nenhum projeto
03:27envolvendo a anistia daqueles que participaram, direta ou indiretamente,
03:32nos atos de 8 de janeiro de 2023 na capital federal do Rio.
03:38Rodrigo Virga.
03:41Odora, sobre a expectativa dessa reunião amanhã entre o ministro das Relações Exteriores,
03:47e o secretário Marco Rubio, e essa fala do presidente Lula.
03:50Ele está depositando total confiança nesse encontro.
03:55Ele joga para a plateia, como sempre, mas, de qualquer forma, é uma questão diplomática
04:00e não tem como saber o desfecho.
04:03Não, claro que não.
04:04Mas, de qualquer maneira, é muito positivo.
04:06Vamos descontar essa história da petroquímica, da química,
04:10que é o presidente sempre querendo trazer para o pessoal.
04:12E, como a gente está sempre careca de saber, os países não têm amigos.
04:18Os países têm interesses.
04:20E é isso que vai começar a ser discutido amanhã com a reunião do Marco Rubio
04:25com o nosso chanceler Mauro Vieira.
04:27Eles já tiveram o encontro, mas foi um encontro lá em julho,
04:31quando as coisas estavam... os ânimos estavam muito acerrados.
04:34Então, eu acho que vai se dar em um outro clima.
04:38E eu diria que é uma espécie de reunião preparatória.
04:41Nós vamos saber... não vamos saber tudo.
04:44Evidentemente que não vamos saber tudo, porque essas conversas,
04:47elas não vazam completamente.
04:49Mas, de qualquer maneira, a gente supõe...
04:52O presidente Lula já disse que qualquer tema está em jogo,
04:56menos a questão da política de Bolsonaro, decisão do judiciário,
05:01e isso não está aí, tem terras rápidas, tem sanções, tem tarifas.
05:06Mas, obviamente, é uma conversa preparatória, não é uma conversa decisiva.
05:11Mas mostra que aquela história lá, quando Trump e Lula se encontraram ali na ONU
05:19e depois trocaram telefonemas, e aí que ficava o pessoal mais radical do bolsonarismo
05:24dizendo que isso era ótimo porque o Trump estava traindo o Lula por uma armadilha,
05:30eu acho que isso está muito claro com a determinação do presidente Trump de mandar
05:35o equivalente do nosso chanceler, secretário de Estado, Marco Rubio,
05:40ao encontro do nosso chanceler, está mais do que claro que a determinação é sim
05:46dar prosseguimentos a essas conversas.
05:49Por enquanto, eu acho que o máximo que a gente pode dizer é de aproximação,
05:55o que já é muito bom.
05:56Seria um termômetro, né?
05:58Essa reunião de amanhã é um termômetro, Kobayashi?
06:00Porque a gente imagina que os principais pontos que serão discutidos
06:04não teremos uma resolução efetiva, mas sim, como a Dora falou,
06:08é uma reunião preparatória e sim para o encontro entre os dois presidentes.
06:13Será certamente uma manifestação de interesses de lado a lado, né?
06:17Vão ali mostrar com o que podem contribuir e o que pretendem ambos os países
06:22através de seus representantes.
06:24E aí, adiante, é que a gente vai ver como é que isso pode ou não virar um acordo
06:28de modo a atender tanto aos interesses do governo brasileiro
06:32quanto aos interesses do governo americano.
06:34Por parte do governo brasileiro, o que interessa?
06:37Acabar com qualquer tipo de taxação aos produtos brasileiros nos Estados Unidos, né?
06:42E aí, em definitivo, não só aquelas exceções que já estavam anunciadas há algum tempo
06:48e, de alguma maneira, também oferecer o que pode ser objeto de novos
06:53e negócios mais bem elaborados a partir de agora, como é o caso das terras raras,
06:58principalmente porque os Estados Unidos têm encontrado algumas limitações
07:01em relação a esse tipo de produto, que é muito específico, em outros locais do mundo.
07:07Do lado dos Estados Unidos, aí é o que cabe saber qual é o interesse dos Estados Unidos
07:13nessa negociação.
07:15A gente sabe que tem a ver com os interesses econômicos e de poder de Donald Trump, né?
07:20De aproximação, inclusive, dos Estados Unidos com alguns países estratégicos,
07:24como é o caso do Brasil aqui na América do Sul, né?
07:29Inclusive, geograficamente estratégico, geopoliticamente estratégico,
07:33é importante o Brasil para as relações dos Estados Unidos,
07:37lembrando que as medidas anunciadas por Donald Trump foram feitas justamente
07:42no dia seguinte da cúpula dos BRICS, em que o presidente Lula,
07:47tão próximo de China, Rússia e todos os demais países dos BRICS,
07:51estava atacando a hegemonia americana, da moeda americana, no caso.
07:55Talvez tenha a ver com isso também, mas isso tudo a gente só vai saber lá na frente
08:00quando esse acordo for, de fato, fechado.
08:02Amanhã é manifestação de intenções para dar início a essa série de negociações.
08:08Mais um ponto, Kobayashi.
08:09O presidente dos Estados Unidos é um empresário e é o que você falou,
08:13conhece bem os números.
08:14O talifácio entrevigou já faz dois meses.
08:17E se alguém chegou com um balanço, olha,
08:20esses modelos que a gente está vendo aqui na mesa
08:24estão prejudicando a economia americana,
08:27por mais que tenha essa questão política de pano de fundo
08:30para o começo do talifácio.
08:32Ele reverte, não reverte?
08:36Depende, Tiago.
08:36Porque às vezes, no mundo empresarial se chama de dumping,
08:39você sustenta um prejuízo pensando em lucrar lá na frente.
08:43Porque ainda que seja ruim para a economia
08:46e para a própria popularidade do presidente americano
08:48sustentar um eventual prejuízo com os números todos
08:52a partir desse talifácio anunciado há meses atrás,
08:55isso pressiona a ponto de, nessa negociação,
08:59se aproximar ao Brasil e indiretamente,
09:02seja com o cessar das críticas da hegemonia do dólar,
09:05seja com uma diminuição, um pé atrás, um pé no freio
09:09no intento brasileiro contra o próprio líder americano,
09:13mundo afora, nos discursos do presidente Lula,
09:16e aí sim, lá na frente, lucrar.
09:17Talvez tenha a ver com isso.
09:19Lembrando que, como você bem disse,
09:20um empresário sabe muito bem usar dos seus poderes
09:24quando estão por cima.
09:25Sustenta um prejuízo para lucrar lá na frente.
09:27Pode ter a ver com isso também o que tem feito Donald Trump.

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