O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, confirmou que os presidentes Lula (PT) e Donald Trump estão dispostos a se reunir. Segundo o chanceler, o encontro está sendo acertado, mas o Brasil "não abrirá mão da soberania" nas negociações para encerrar a crise diplomática com os Estados Unidos. Reportagem: André Anelli.
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NotíciasTranscrição
00:00Eu quero falar de uma outra situação também, que é o possível encontro entre Lula e Trump.
00:04O ministro das Relações Exteriores, João Vieira, disse que eles estão dispostos a fazer mesmo esse encontro,
00:10está sendo organizado, e durante uma audiência na Câmara, ele, o ministro,
00:14disse que as questões diplomáticas devem ser cautelosas.
00:18Vamos conversar com o André Anelli, que tem as informações para a gente agora.
00:21O que o ministro está colocando em jogo nesse bate-papo aí, hein, Anelli? Bem-vindo.
00:24Obrigado, Evandro. Muito boa tarde a você e a todos aqui no 3 em 1 da Jovem Pan.
00:31Essa foi a sexta vez que o ministro Mauro Vieira, das Relações Exteriores,
00:36participou da comissão homônima na Câmara dos Deputados,
00:40dessa vez agora por convocação dos parlamentares da oposição.
00:45E foi naquela participação, então, que Mauro Vieira disse que viu com bons olhos o Brasil,
00:51na verdade recebeu como um sinal positivo todos aqueles elogios do presidente Donald Trump
00:57na semana passada, durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas,
01:02ocorrida em Nova Iorque.
01:04A partir de então, Mauro Vieira disse que existe uma nova demonstração
01:08de disponibilidade do país governado por Donald Trump
01:12de abrir um diálogo em relação àquele tarifácio que foi imposto ao Brasil
01:17nas importações daqui e para lá.
01:21O presidente Lula jamais se negou a qualquer tipo de interlocução,
01:26ele já teve as melhores relações com vários chefes de Estado dos Estados Unidos
01:31e de outros países, inclusive da região,
01:34de pessoas com uma posição ideológica e com uma origem partidária totalmente oposta a dele.
01:40Mas ele sempre deixou muito claro que a posição dele é de defesa do interesse nacional,
01:47que por isso estará sempre pronto a conversar com todos os chefes de Estado,
01:51como tem feito até agora.
01:53Há uma disposição dos dois lados e as questões diplomáticas têm que ser sempre cautelosas
02:01e mantidas um pouco em sigilo até o momento em que se confirma e se realiza.
02:07Essa questão envolvendo a cautela, então, que o Ministério das Relações Exteriores
02:15acaba citando nessa participação na Câmara dos Deputados
02:18é justamente com aquela possibilidade de haver algum constrangimento
02:22promovido por Donald Trump, assim como ele já fez com outras autoridades
02:26que se encontraram pessoalmente com ele.
02:29Há exemplo de Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia,
02:32e Sirio Ramaphosa, presidente da África do Sul.
02:35A gente relembra ainda que recentemente Celso Vieira,
02:38ele que é assessor de assuntos internacionais da Presidência da República,
02:43já afirmou que o presidente Lula não vai se deixar humilhar
02:47pelo presidente americano Donald Trump.
02:49Só que mesmo assim existe uma cautela da diplomacia brasileira
02:53que prega, inclusive, a possibilidade de uma reunião telefônica
02:57entre os dois presidentes, antes de um eventual encontro pessoal,
03:01presencial, entre os dois, encontro esse que tem sido costurado
03:06para acontecer na Malásia, quando então os dois países,
03:09tanto o Brasil quanto os Estados Unidos, vão participar como convidados
03:13de um encontro da Associação de Países do Sudeste Asiático.
03:19Paralelamente, existe a possibilidade de uma reunião bilateral
03:22entre Lula e Donald Trump, só que essa reunião ainda não tem data,
03:26não tem hora, não tem local para acontecer, mas já está sendo costurada
03:30com cautela, Evandro.
03:32Agora, a 4h27, quem nos acompanha pela rádio, um rápido intervalo,
03:35já já espero vocês, nas outras plataformas seguimos.
03:38José Maria Trindade, há uma grande possibilidade desse encontro ser presencial,
03:42as negociações acontecerem por telefone, mas em determinado momento
03:45eles viajarem para se encontrar.
03:47E o que o chanceler, a embaixada, todo mundo tem dito aqui no país,
03:52os diplomatas brasileiros, é de que a soberania e os assuntos relacionados
03:56à justiça não entrariam na pauta.
03:59Agora, é difícil você controlar um assunto que pode entrar na pauta pela outra parte,
04:05ou seja, os nossos diplomatas nem o presidente Lula conseguem controlar
04:09o que pode ser pauta para o presidente norte-americano Donald Trump.
04:13A questão é como o presidente Lula vai se posicionar.
04:15E os diplomatas têm dito também que ele não abrirá mão em relação a esses temas,
04:21não baixará a cabeça em relação a esses temas e tentará focar naquilo que é econômico,
04:25em possíveis acordos envolvendo terras-áreas e etc.
04:28Você acha que pode funcionar, Zé?
04:31Pois é, eu fui em campo aí tentar entender o que está acontecendo aí nos bastidores
04:36e no entendimento de cada setor do Congresso e dos assessores do presidente Lula.
04:41O ministro não é ministro, mas é um assessor para a área internacional,
04:46Celso Amorim, que foi chanceler brasileiro, né?
04:49E que negocia em nome do Brasil, todos sabem que ele fala em nome do presidente Lula
04:54quando se fala de assunto internacional.
04:57E ele foi buscar informações exatamente sobre o grau de conhecimento de Donald Trump
05:03sobre o Brasil, sobre o presidente Lula e sobre o Supremo Tribunal Federal.
05:07E ele levou ao governo a informação de que é pequeno o conhecimento do presidente Donald Trump
05:14e de que há uma barreira de chegar informações sobre o Brasil no Donald Trump.
05:20Daí, houve uma estratégia definida pelo governo, o seguinte, de falar como é o Brasil.
05:26Não sei se isso vai dar certo.
05:28Por parte dos partidos de oposição, dizem que não,
05:31que Donald Trump sabe o que está acontecendo no Brasil
05:34e que conhece realmente o que está acontecendo sobre o poder do Supremo Tribunal Federal,
05:39sobre a política nacional.
05:41Mas há ali uma ideia muito clara e estratégia do governo
05:45de tentar levar a Donald Trump para a seguinte ideia.
05:49De que houve mesmo uma tentativa de golpe
05:52e de que nessa tentativa de golpe havia, inclusive, um plano que eles chamam lá diabólico
05:58para matar autoridades brasileiras, inclusive o presidente eleito e ministros da Suprema Corte,
06:05do Supremo Tribunal Federal.
06:07E eles entendem que se conseguirem levar ao presidente Donald Trump
06:12e ele acreditar que havia mesmo essa tentativa de golpe,
06:15o plano, que é o punho alvejo amarelo,
06:18de matar o presidente eleito,
06:19de que ele ficaria convencido de que há uma independência de poderes.
06:23também de que não dá para levar à mesa a possibilidade de mudança
06:28do julgamento do Supremo, porque isso não existe.
06:30Não existe essa possibilidade.
06:31O que existe, ali, são nas entrelinhas,
06:34uma mudancinha aqui, outra ali,
06:36um acordo de prisão aqui, outra ali,
06:39mas nunca de mudar o julgamento do Supremo Tribunal Federal.
06:43Realmente, não dá para entender o que vai acontecer neste encontro.
06:49O que está sendo planejado é o seguinte,
06:50que primeiro um entendimento básico de assessores através de telefonemas,
06:55isso já está acontecendo.
06:57E depois uma conversa via internet,
07:04e depois um encontro propriamente dito,
07:06que pode acontecer, inclusive em outros países,
07:08que não nos Estados Unidos ou no Brasil.
07:10E aí inventaram várias fake news,
07:12está cheio de notícias que o Donald Trump viria ao Brasil,
07:15enfim, é muito complexo e não dá para saber o que vai acontecer
07:20neste encontro, se ele vai acontecer presencialmente.
07:23Mas é a tendência.
07:24Exatamente, Zé Maria Trindade.
07:26E há aquele temor com a imprevisibilidade de Donald Trump,
07:29e a possibilidade de tentar algum movimento que possa gerar constrangimento,
07:33assim como já vimos acontecer com outros líderes
07:36que tiveram encontros recentes com o presidente norte-americano.
07:39Para você, Piperno, digamos, o histórico do presidente Lula,
07:43o fato de ele ser respeitado na comunidade internacional,
07:46traz um, digamos, já faz a porta se abrir de uma maneira diferente para esse encontro?
07:51Bom, primeiro que só o fato de haver o encontro já seria algo bastante positivo.
07:57É óbvio que isso tem que se concretizar ainda.
08:00A gente está falando aí, por enquanto, de uma hipótese.
08:03Muito forte, é verdade, a partir de tudo que aconteceu na semana passada,
08:08mas ainda uma hipótese.
08:10Segundo, o Lula encontrou mais chefes de Estado na vida
08:14do que o Trump nos seus dois mandatos,
08:17aí no seu mandato terminado e nesse recém-iniciado.
08:21Terceiro, o Lula não é o Zelensky.
08:23O Lula tem uma estatura maior, presidente pela terceira vez,
08:28muito mais acostumado a esse tipo de armadilhas
08:31do que o buquihoto ucraniano, que fala, fala, fala, resolve pouco.
08:36É evidente que o presidente Trump, ele é um homem de relações públicas.
08:39Ele é capaz de estender um tapete vermelho para o Putin,
08:43conversaram, foi tudo muito amável, bacana, não aconteceu rigorosamente nada.
08:48Isso é possível também que ocorra.
08:50Eles vão lá, se encontram e conversam e não decidam nada.
08:54Então, veja, não adianta a gente imaginar aí, montar imensas expectativas,
09:00porque ninguém sabe o que vai acontecer.
09:02Agora, do outro lado, é evidente também que há um embate entre pragmáticos e ideológicos.
09:10Os pragmáticos do lado, por exemplo, que se alinham lá com o secretário de Comércio,
09:16os ideológicos mais próximos ao secretário Marco Rubio,
09:22que é quem conversa com o lado bolsonarista aqui no Brasil.
09:25Então, lá também é algo que não está, veja, não há uma unanimidade em relação à viabilidade desse encontro ou não.
09:36Então, muita coisa ainda vai acontecer, mas é claro que foi muito importante esse primeiro gesto.
09:42Fala, Bruno Mousa.
09:43É, sem dúvida. A gente vinha falando há muito tempo aqui que seria importante essa diplomacia.
09:47Então, de fato, se esse evento realmente, esse encontro realmente acontecer,
09:51é claro que tende a ser benéfico, mas eu concordo.
09:54A gente tem a imprevisibilidade do Trump e também tem do Lula.
09:58Ele, quando ele fala dentro do script, é uma coisa.
10:01Se esse encontro, de alguma maneira, for aberto, como foi o do Zelensky,
10:05que eu acredito que se ocorrer não será dessa forma,
10:07e ele resolve também falar por fora ali do script,
10:10muitas vezes ele dá certas escorregadas que a coisa pode tornar o encontro mais imprevisível ainda dos dois lados.
10:18Então, vamos partir do pressuposto do primeiro passo,
10:21de esperar que ele aconteça e que saia da melhor forma possível.
10:26Mas fora disso, é completamente especulação nossa o que pode ser falado em meio a isso.
10:32E a gente já discutiu muitas vezes aqui no nosso 3 em 1 o posicionamento de Lula
10:35antes desse encontro começar a ser costurado a partir da participação deles ali na Assembleia Geral da ONU.
10:42O quanto as falas ideológicas de Lula não serviam para nada
10:45e o quanto isso poderia prejudicar ainda mais o movimento pragmático
10:48que estava sendo tocado pelo vice-presidente da República ali pelo bastidor.
10:52Agora, nesse encontro, Alangani,
10:54você entende que a postura de Lula deva ser de bastante firmeza,
10:59de sequer ouvir algo relacionado a questões de soberania,
11:04sobre o julgamento de Jair Bolsonaro, da justiça e etc?
11:08Ou seria um movimento mais moderado diante da possibilidade de aliviar também a situação econômica
11:14dos muitos setores que continuam prejudicados pela taxação?
11:17Olha só, Evandro, ele tem que ter uma postura racional, pragmática, moderada,
11:22porque ele está defendendo os interesses do Brasil.
11:26Se este assunto de Jair Bolsonaro vier à tona, ele pode simplesmente dizer o seguinte,
11:32olha, não tem nada que eu possa fazer, isso cabe ao Supremo Tribunal Federal e não a mim.
11:39Agora, tem outras questões, aí de fato cabe a mim.
11:42Então, se o Trump está conversando com o Lula ou mostrou essa disposição a conversar, Evandro,
11:49significa que ele também tem interesses no Brasil.
11:52O Brasil não é um país pequeno, é um país relevante no cenário mundial.
11:57É o celeiro do mundo, tem muita energia, tem terras raras que interessam muito ao Trump.
12:03Então, basta fazer uma boa negociação que você tem uma relação ganha-ganha.
12:09É o país, os Estados Unidos, é o país que mais coloca dinheiro aqui no Brasil,
12:13é o segundo parceiro comercial.
12:15Então, é importante a gente estar próximo dos Estados Unidos.
12:19E é claro também que a gente tem algo a oferecer nos Estados Unidos.
12:23Isso significa, Evandro, que estar próximo dos Estados Unidos não significa necessariamente romper com a China.
12:30E, Perno, o que você estava com esse olhar de soslaio para o nosso amigo Gani?
12:33Porque o Alan Gani falou algo que vai muito na contramão do que, por exemplo,
12:38apregou a grande parte da direita brasileira.
12:41É exatamente isso. O Brasil tem muito a oferecer.
12:44Eles também precisam do Brasil.
12:46Por isso, o Brasil tem o dever de se manter com toda a altivez.
12:52Soberania é inegociável.
12:54Isso não quer dizer que o Brasil tenha que ser agressivo.
12:56Mas, sim, o Brasil é importante nisso.
12:59O Brasil, por exemplo, pode amanhã depois hospedar data centers,
13:02que é outra coisa que está sempre agora em meses de negociações.
13:05Então, eu acho que, nesse sentido, o Brasil, ao suportar a primeira onda de pressões, se deu muito bem.
13:15Agora nós vamos negociar com outro status, sem o status de submissão.
13:21Você sabe o que é interessante?
13:22Só pegando um gancho no que o Piperno falou, né?
13:24Naquela famosa entrevista do Trump à Fox News, antes mesmo de ser eleito,
13:30ele mostra uma preocupação com países emergentes.
13:34Ele fala, opa, a gente não pode perder aí alguns países emergentes.
13:37Aí ele cita a Índia, ele cita o Brasil.
13:40Como, geopoliticamente, o mundo mudou,
13:44hoje eu pergunto, num cenário mundial, quem é mais importante, a Inglaterra ou a Índia?
13:49A Índia.
13:50Com certeza.
13:50Então, você vai ver o Trump falando de Índia e não vai ver o Trump falando da Inglaterra.
13:55Embora a importância histórica da Inglaterra,
13:57mas num cenário geopolítico mundial, a Índia se tornou mais relevante do que a Inglaterra.
14:02Não estou falando que a Índia tem o melhor padrão de vida, nada disso.
14:06Estou falando do ponto de vista geopolítico e estratégico.
14:08De negócios.
14:09De negócios.
14:10Quer ver uma mudança rápida?
14:11Sabe qual é o país hoje com a maior importância na indústria que o Piperno mencionou na Europa?
14:15Polônia.
14:17E a gente tira completamente do radar de análise.
14:20Eu estava lendo esses dias, estou ouvindo um podcast interessante,
14:23um pessoal de lá, conhece-se, falando...
14:24Tem três grupos, basicamente, de países hoje na Europa.
14:29Os países que eles são historicamente desenvolvidos,
14:33mas eles já não conseguem assumir que eles não são mais, digamos, aquele motor.
14:38Isso engloba, por exemplo, a Alemanha.
14:39E aquele milionário que perdeu o dinheiro, mas continua morando naquela casa.
14:42Aí você tem o sul da Europa, Espanha, Portugal, Itália,
14:45que eles já perderam esse status e sabem que perderam esse status.
14:48E você tem os grupos dos Balcãs, por exemplo, Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia,
14:53e os países do leste que eram colônias soviéticas,
14:56ou pertenciam à União Soviética,
14:58e que hoje estão, em alguns deles, puxando a União Europeia para cima.
15:02Isso é muito interessante.
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