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A guerra em Israel é uma questão de sobrevivência do Estado ou uma manobra de Netanyahu para se manter no poder? No Visão Crítica, especialistas analisam o cenário. Alberto Pfeifer avalia que a guerra é uma estratégia política de Netanyahu à visão de que é a única resposta possível para a segurança da população e a aniquilação do Hamas.

Confira o programa na íntegra em: https://youtube.com/live/j7gsmyLWnIQ

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Transcrição
00:00Gente, médio, a única democracia é Israel.
00:02Então nós temos que partir sempre desse pressuposto.
00:06A única democracia é Israel, onde você tem alternância no poder,
00:09tem o parlamento, tem os três poderes,
00:12que não é fácil que há conflito entre eles,
00:15mas manifestações de rua, em suma.
00:18Você tem uma liberdade de imprensa,
00:20muito debate desde o surgimento do Estado de Israel.
00:23O entorno é marcado por autocracias,
00:26que eventualmente tem uma outra eleição, como no Egito,
00:30pouco tempo atrás, e a Irmandade Muçulmana venceu
00:33e ficou muito pouco tempo no poder,
00:35porque logo se impôs novamente uma ditadura.
00:38A Jordânia, que era Transjordânia,
00:41e virou Jordânia ocupando uma parte da futura Palestina
00:44na partilha lá atrás, no final dos anos 40,
00:48também é uma autocracia.
00:50Vez por outra, seguindo algum outro parlamento, fantoche e tal.
00:54A Síria, onde está o Assad?
00:56Procura-se Assad e seus...
00:59Estão lá escondidos na Rússia.
01:00E o Libro é uma situação muito complicada,
01:03a forma de organização do Estado libanês até hoje
01:07e passou por sucessivas, infelizmente,
01:10nos últimos 60 anos, sucessivas guerras civis.
01:12E algumas vezes com a intervenção direta de Israel e da Síria.
01:16Bem, só para vocês situarem,
01:18quão complexa é a questão.
01:20Não é como alguém uma vez disse,
01:21é igual numa mesa de bar,
01:22a pessoa senta, coloca a cerveja, discute.
01:25A questão é muito mais complexa.
01:27Eu pergunto à professora Carina a seguinte questão.
01:31Como é uma sociedade democrática,
01:32as formas de negociação têm de passar também pelo parlamento,
01:35pela sociedade,
01:37pelos jornais que estão debatendo,
01:39pelas universidades, tudo isso.
01:42Há uma forte rejeição em relação ao primeiro-ministro de Israel.
01:45As manifestações de rua mostram isso,
01:47e algumas com participação de militares,
01:49e até de ex-primeiro-ministro.
01:51Basta lembrar, artigos recentes,
01:53como é que o debate está na imprensa israelense.
01:57Essa é uma guerra hoje,
02:00muito depois do 7 de outubro.
02:02É uma guerra de Israel,
02:04ou é uma guerra de Netanyahu?
02:07A cada vez que nós falamos sobre isso,
02:12e o tempo vai passando,
02:13vai se tornando mais claro que é uma guerra de Netanyahu.
02:15Eu já falo disso há muito tempo,
02:17que é uma guerra de Netanyahu.
02:18Isso porque, obviamente, a partir do 7 de outubro,
02:21houve um apoio majoritário na sociedade israelense,
02:25de que houvesse uma resposta.
02:27E era esperado.
02:28Até mesmo o professor que está aqui conosco,
02:30que é do direito internacional, pode confirmar.
02:32Mas, do ponto de vista do direito internacional,
02:35a guerra de defesa é permitida.
02:37Ela é vista como legal perante o direito internacional.
02:41Então, era esperado pela população israelense
02:43que Israel reagisse e combatesse o Hamas
02:47depois do 7 de outubro.
02:49Principalmente por conta dos reféns.
02:50Na época, 250 pessoas que foram sequestradas,
02:54a maior parte israelenses,
02:55mas também estrangeiros,
02:56que foram levados à faixa de Gaza pelo Hamas.
02:59Então, havia, ali no primeiro momento,
03:01o governo israelense anunciou
03:02que os objetivos da operação militar
03:04eram o resgate dos reféns
03:07e a destruição do Hamas.
03:09E com os reféns em primeiro lugar, sempre.
03:11A partir do momento que a guerra vai se desenrolando,
03:15os meses vão passando
03:16e vai se identificando que os reféns
03:21não conseguem ser resgatados pela operação militar,
03:24que o maior número de reféns é resgatado
03:26a partir de acordos que são feitos,
03:28obviamente, com intermediação dos Estados Unidos,
03:30com intermediação do Egito,
03:31com intermediação do Qatar,
03:33a população israelense vai percebendo
03:37que a guerra não faz tanto sentido.
03:39Também existe a contrapartida dos mortos israelenses,
03:44dos militares israelenses que morrem.
03:46Mais de 900 militares israelenses morreram nessa guerra.
03:50Muitos deles jovens.
03:52Jovens de 18, 19, 20 anos.
03:55O que, para a sociedade israelense,
03:56é algo também que pesa muito.
03:59Porque lá o serviço militar é obrigatório
04:01e é diferente do serviço militar obrigatório no Brasil.
04:03Homens e mulheres fazem,
04:05os homens fazem por três anos,
04:06houve agora uma extensão do serviço militar,
04:08inclusive por conta do estado de guerra,
04:09pode chegar a quatro anos,
04:11e mulheres fazem por dois anos.
04:13Então, há realmente uma imersão na vida militar,
04:16o serviço militar é realmente uma vivência.
04:19E vão para o fronte de guerra.
04:21E esses jovens morrendo.
04:24Voltando traumatizados,
04:25taxa de suicídio aumentando,
04:28vício em remédios,
04:30em medicamentos para depressão,
04:32para ansiedade,
04:33também aumentando.
04:34Então, a sociedade israelense foi vendo que,
04:37na balança,
04:38não valia mais a pena continuar o conflito.
04:40Era melhor fazer um acordo,
04:41por pior que seja,
04:43por mais que a sociedade israelense não queira mais o Hamas,
04:45obviamente,
04:46para resgatar os reféns,
04:48que é a prioridade,
04:49era necessário fazer um acordo.
04:51Só que,
04:52não é o que o governo pensa.
04:53Não é o que o governo,
04:54e a coalizão,
04:55porque lá é um parlamentarismo de coalizão,
04:57o que a coalizão de Benjamin Netanyahu
04:58entende.
05:00Inclusive,
05:01o próprio acordo agora proposto por Trump
05:02encontra muita resistência
05:05por parte da coalizão de Benjamin Netanyahu.
05:08Partidos que são parte da coalizão
05:10não estão aceitando,
05:11não querem esse acordo.
05:12Estão ameaçando sair da coalizão,
05:14caso o acordo seja assinado.
05:16Então,
05:17a população agora tem esse embate
05:19entre o governo e a população,
05:20que vai às ruas,
05:21fez greve geral,
05:22tem manifestações há meses,
05:24e o governo não escuta as ruas.
05:27Não parece escutar
05:29o que as ruas têm a dizer.
05:31Então,
05:31há uma crise de legitimidade hoje
05:33no governo de Israel,
05:34e por isso que a popularidade
05:36de Benjamin Netanyahu
05:37está tão embaixo.
05:39Professor Pfeiffer,
05:40a mesma questão.
05:41E lembrando a quem nos acompanha,
05:43sempre isso.
05:43Nós estamos falando,
05:44é só de uma democracia
05:46que o povo está na rua
05:47se manifestando,
05:49debatendo,
05:50criticando,
05:51debatendo nas universidades.
05:52Eu insisto nisso,
05:54porque eu sei que essa é uma questão
05:55complicada de tratar,
05:56inclusive no Brasil,
05:57porque é uma forte presença,
05:59não tão grande judaica,
06:00na Argentina é muito maior
06:01do que no caso aqui do Brasil,
06:03mas nós temos uma forte presença
06:05de sírios,
06:05libanês,
06:06muitos palestinos,
06:07eu dei aula em escola
06:09que tinha muita presença de palestinos,
06:11mas entende lembrar o seguinte,
06:13o Estado de Israel
06:14tem um parlamento,
06:15a professora lembrou,
06:16são 120 assentos,
06:18a maioria é uma república parlamentarista,
06:21e você governa em coalizão,
06:22e tem uma minoria extremista religiosa
06:25que é fundamental para a maioria
06:26do atual primeiro-ministro.
06:28Então, se ela sai do governo,
06:31vai ter um voto de censura,
06:33que é uma espécie, entre aspas,
06:35do impeachment do parlamentarismo,
06:36para explicar quem nos acompanha,
06:38e aí teria de ser convocado,
06:40se não tivesse formado um novo gabinete,
06:42novas eleições,
06:43e aí a situação do atual primeiro-ministro
06:45seria difícil em termos jurídicos,
06:47que ele tem problemas legais complicados.
06:49Isso eu faço para o Sr. Faif Santos,
06:51essa introdução,
06:52para lembrar que,
06:54quem nos acompanha,
06:55para entender como que a questão é complexa,
06:57e nós estamos falando de um Estado novo,
07:00nasceu em 1947,
07:01mas com instituições que inexistem no entorno.
07:05Para o senhor,
07:05hoje é uma guerra de Israel,
07:07ou é uma guerra de Netanyahu?
07:10Estendendo um pouco essa tua apreciação
07:12sobre a característica,
07:13a singularidade de Israel,
07:14lembrar que a população de Israel,
07:1610 milhões de habitantes,
07:18cerca de 8 milhões de judeus,
07:202 milhões árabes, cristãos,
07:23e os árabes têm cidadania plena,
07:27tem juízes árabes na Suprema Corte,
07:30tem parlamentares árabes,
07:32então é uma sociedade igualitária,
07:34que aceita o debate democrático,
07:37inclusive dos não crentes na fé judaica.
07:40Um comandante em chefe de uma nação,
07:45que foi atacada covarde e traiçoeiramente,
07:48como foi o caso do Hamas,
07:50um conflito irregular, assimétrico,
07:53numa disposição que Israel demonstrava
07:56de normalização,
07:57de integração da população palestina,
07:59ele não pode ouvir as ruas,
08:01ele tem que ouvir a boa doutrina militar,
08:03ele tem que ouvir o mandamento
08:05de sobrevivência do Estado.
08:08A missão desse presidente hoje,
08:10seja Netanyahu,
08:11seja qualquer outro,
08:12é cuidar da segurança da sua população.
08:15A ideia de se manter o Hamas operante
08:20e tendo um território,
08:23uma base para manter a sua funcionalidade
08:27é inaceitável,
08:27é tão simples quanto isso.
08:29Enquanto não forem devolvidos os reféns,
08:31essa campanha não acaba.
08:32Se os reféns já tivessem sido entregues,
08:35certamente teria havido
08:36uma desescalada do conflito,
08:39teria sido encontrada outra maneira,
08:41já ter sido um cerco à Gaza,
08:43uma contenção da população,
08:46porque os militantes do Hamas
08:49estão misturados,
08:50mesclados com a população civil,
08:52isso é um expediente
08:53que o Hamas adotou,
08:55usando hospitais,
08:57edifícios de administração pública,
08:59escolas, escudos humanos,
09:01quer dizer, expedientes traiçoeiros,
09:03não típicos de um combate,
09:05de uma guerra.
09:06De fato, nós estamos falando aqui
09:07de uma guerra,
09:08estamos falando de um conflito assimétrico,
09:10um conflito urbano,
09:11um conflito mesclado
09:12entre civis e combatentes.
09:15Nesse sentido,
09:15a manutenção do empenho no combate
09:20é a única saída que tem
09:23é o governo de Israel.
09:24É claro que o acordo agora
09:26apresenta uma possibilidade de saída,
09:29um cessar-fogo, uma trégua,
09:31um afastamento das tropas,
09:32enfim, para verificar
09:34se o Hamas responde a esse aceno.
09:37O Hamas está fadado a ser extinto.
09:40Grande parte da sua liderança
09:41já foi neutralizada.
09:44O remanescente lá
09:46é uma pequena parcela
09:48da sua capacidade operativa.
09:50Vamos lembrar que o Hamas também
09:51tinha o apoio do Hezbollah no Líbano,
09:53que igualmente foi decapitado
09:54na sua liderança.
09:56Tinha o apoio do regime sírio,
09:57de Bachar Al-Assad,
09:59que também foi retirado
10:01de operacionalidade.
10:03e tinha o apoio ostensivo
10:05do governo teocrático do Irã,
10:07que igualmente perdeu muito
10:09da sua capacidade operacional
10:11e da sua capacidade de coerção
10:14com o ataque às instalações militares
10:17e com a eliminação de várias lideranças,
10:20do regime, da guarda revolucionária,
10:23enfim, das equipes científicas e militares.
10:27Hoje, os RUTs do Iêmen,
10:29que é um agrupamento quase que primitivo,
10:32artesanal,
10:32mas que é dotado de alguma capacidade militar,
10:37por exemplo,
10:37lançam lá uns mísseis
10:38e causam algum problema,
10:42é o remanescente desse eixo desestabilizador.
10:45Então, o Hamas não tem escapatória.
10:48Ou ele depõe as armas,
10:50se entrega e devolve os reféns,
10:53ou ele vai ser aniquilado.
10:55É tão simples quanto isso.
10:55Doutor Alexandre Treixeira,
10:58para o senhor,
10:59como é que fica?
11:00É uma guerra do Estado de Israel
11:02ou é uma guerra do primeiro-ministro Netanyahu?
11:08Professor,
11:09a gente andando nas ruas de Tel Aviv
11:12e até mesmo de Jerusalém
11:13e conversando com as pessoas,
11:15muitas pessoas têm a percepção
11:17que realmente o primeiro-ministro
11:19tem alongado essa guerra
11:22na tentativa de se livrar de problemas
11:25jurídicos que ele tem.
11:27Inclusive com denúncias graves
11:29que se forem apuradas
11:30podem causar muito problema para ele.
11:33Mas, já levando para um lado
11:35mais o aspecto político e militar,
11:38eu concordo plenamente com o professor Alberto.
11:41O Estado de Israel
11:43não tem outra resposta a dar
11:45a não ser realmente
11:46a libertação dos reféns
11:48e a aniquilação do Hamas.
11:50e eu tenho as minhas dúvidas,
11:54porque de tudo que eu vi,
11:56eu fui lá há pouco tempo,
11:57estive perto de Gaza,
11:59se realmente essas manifestações
12:01que são feitas em Tel Aviv,
12:03se elas realmente simbolizam
12:05a vontade dos 10 milhões
12:07que o professor citou,
12:09de habitantes.
12:11É uma coisa curiosa,
12:13não vi nenhum tipo de segregação
12:15entre judeus, cristãos e árabes.
12:18Muito pelo contrário.
12:20Israel, há pouco tempo atrás,
12:22fez uma demonstração de força na Síria
12:24porque o governo da Síria
12:27estava matando drusos.
12:29E mais do que isso,
12:30os drusos israelenses
12:31se reuniram e invadiram
12:34uma vila na Síria
12:35para poder recuperar os seus parentes.
12:38E isso com a quiescência de Israel.
12:41Israel considera,
12:42e é bom lembrar que
12:43Israel considera que isso é uma guerra
12:45de sete frentes.
12:46O Hamas e Gaza é apenas uma delas.
12:50Israel está em guerra com o Irã,
12:52com os rautistas do Iêmen.
12:55Israel está em guerra internamente,
12:58na Cisjordânia,
13:01o West Bank,
13:01fazendo algumas operações
13:03anti-terroristas.
13:04Israel acredita que esteja em guerra
13:06com o Hezbollah ainda,
13:07apesar de estar decapitado,
13:09apesar de estar fraco.
13:10Essa semana já houve um outro ataque
13:12no território libanês.
13:13Israel acredita que tem a possibilidade
13:16do Iraque também reagir de alguma forma.
13:18Então, são muitas frentes.
13:20Gaza, na minha opinião,
13:22é a frente mais complicada
13:24para o primeiro-ministro resolver.
13:27Mas eu acho que não existe
13:29uma solução no campo político,
13:32estratégico,
13:33que não seja realmente
13:34aniquilar o Hamas,
13:36depor todas as armas
13:38e acabar com essa ameaça.
13:41Porque a gente não pode
13:43chamar o Hamas
13:44de um grupo guerrilheiro,
13:47de um grupo de combatentes.
13:50É um grupo de bárbaros.
13:52É bárbaros.
13:53Eu estive no Kibbutz,
13:54que fica a um quilômetro
13:55da faixa de Gaza,
13:57estive contato com os sobreviventes,
13:59conversei sobre os casos.
14:00São casos horríveis.
14:02Horríveis.
14:02Pessoas que trabalhavam no Kibbutz
14:05levaram os terroristas
14:07na casa das pessoas
14:08que davam emprego para elas.
14:10Então, foram mortes terríveis.
14:13A gente não concebe
14:14que um ser humano consiga ter,
14:17inclusive no século XXI,
14:19até mesmo em questão
14:20de conflito armado,
14:21com todo o direito internacional
14:22do conflito armado,
14:23que um ser humano consiga fazer
14:24uma daquelas que foram feitas
14:26durante o 7 de outubro.
14:30357 jovens mortos
14:31no Festival da Paz.
14:34Então, eu concordo
14:34com o professor Alberto.
14:35A resposta do Estado
14:37é a guerra,
14:38é o conflito,
14:40até que sejam,
14:41pelo menos,
14:42resgatados.
14:43Eu tenho a opinião
14:44de que,
14:45a hora que esses reféns
14:46forem resgatados,
14:48vivos ou mortos,
14:50o governo vai sentar
14:51para negociar
14:52de uma forma mais contundente.
14:54Mas, até lá,
14:55na minha opinião,
14:56não tem nenhuma outra alternativa.

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