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O doutor em relações internacionais Késsio Lemos analisou no Visão Crítica o que os especialistas chamam de “transição hegemônica”, que é evidenciada pelas guerras no Oriente Médio e no Leste Europeu. Karina Calandrin avaliou a possibilidade da expansão dos ataques israelenses aos países palestinos vizinhos. Danilo Vieira comentou sobre o possível protagonismo da Rússia geopolítica envolvendo os dois conflitos.

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Transcrição
00:00É, Késtio, como pesquisador, já um pesquisador de pós-doutorado, eu queria pegar um gancho, se é possível, nós pensarmos a questão da Rússia,
00:09porque é só bom lembrar quem nos acompanha que a criação do Estado de Israel teve o apoio da Rússia, né,
00:14e boa parte daqueles que, da liderança, vieram da Rússia, inclusive apoio de armas que vieram da antiga Tchecoslováquia,
00:23e foram fundamentais naquela primeira guerra, na formação do Estado de Israel com a partilha.
00:27O curioso é a Rússia hoje, né, ela tem uma presença forte, tinha, acho que na Síria, né, com a derrocada do Assad,
00:35apesar que ainda tem tropas lá, como é que fica a Rússia que foi tão importante no final dos anos, na região,
00:40no final dos anos 40, década de 50, 60, 70, 80, e hoje parece, dá impressão ao menos a mim,
00:47que não tem que estar mais preocupada com as suas questões, especialmente a Ucrânia, do que com o conflito do Oriente Médio,
00:54mas especificamente Israel, Palestina e o episódio da Faixa de Gaza.
00:59Muito boa noite, professor Vila, boa noite Danilo, Karina, a todos aqueles que nos assistem.
01:05De fato, a lógica por trás do Vladimir Putin é a lógica da RealPolitik.
01:10Então, ao meu ver, ele tem também interesses importantes russos envolvidos no conflito da Ucrânia,
01:16e o Danilo, ele vai trazer esse abre-alas aí para a gente entender,
01:22e traduzindo um pouco dentro dos conceitos das relações internacionais,
01:25isso que a gente está vendo no mundo hoje é o que alguns teóricos chamam de transição hegemônica,
01:31ou transição de poder, ou seja, um momento de redistribuição de poder internacional,
01:36onde a potência líder do sistema internacional percebe que a sua hegemonia,
01:41o seu poder relativo está diminuindo e está havendo uma ascensão de novos desafiantes.
01:47Então, quando isso acontece, à luz dessa teoria, nós temos a multiplicação de ondas e choques
01:54que multiplicam as ondas de instabilidade internacional, no Oriente Médio especificamente, e na Rússia.
02:00No Oriente Médio, como o Danilo falou muito bem,
02:03nós temos uma preocupação iminente de um Irã que estava assistindo a uma possível normalização
02:12dos seus principais rivais históricos, que é a Arábia Saudita e Irã,
02:18Arábia Saudita e Israel, mediado pelos Estados Unidos.
02:23E a ativação desse conflito, através do 7 e do 10, vai tentar mexer nesse cálculo geopolítico
02:31para tentar colocar o mundo árabe, de fato, a partir da destruição da guerra,
02:36colocar o mundo árabe contra a Arábia Saudita.
02:39E onde é que é o papel da Rússia nisso tudo?
02:41O papel da Rússia é que a Rússia também viu, a Rússia tem se aproximado do Irã.
02:46O Irã hoje é um dos principais fornecedores de drones para a Rússia na guerra da Ucrânia.
02:52Nós temos uma aproximação também em termos de comércio energético.
02:56As indústrias energéticas, tanto do Irã e da Rússia, estão muito próximas.
03:01Por quê? São dois países sancionados.
03:03Então, esses países procuram alternativas dentro das sanções
03:06e acabam fechando laços políticos e econômicos mais profundos.
03:12E a ativação desse conflito no Oriente Médio serviria especificamente para distrair,
03:19gerar uma distração enorme para o principal apoiador da Ucrânia,
03:25que é os Estados Unidos.
03:27Os Estados Unidos passam a ter um novo conflito onde ele tem que delimitar os seus esforços políticos e econômicos
03:35e assim, de certa forma, comprometer o todo empenho dos Estados Unidos para com a guerra na Ucrânia.
03:42Então, até a lógica do ataque do 7 e do 10, quando os drones lançam granadas,
03:49os vídeos que depois foram divulgados,
03:51são lógicas de ataques que são utilizados na guerra da Ucrânia,
03:56começaram a ser utilizados na guerra da Ucrânia.
03:58Então, para mim, está claro que talvez a Rússia possa ter tido um papel também,
04:06seja com inteligência, seja com o fornecimento de relatórios militares,
04:14que possam ter colaborado também, porque, de certa forma, a Rússia ganha
04:20a partir de um novo envolvimento dos Estados Unidos em um grande conflito internacional.
04:26Professora Karina, é interessante para o pesquisador, para o analista,
04:31o que está acontecendo ali em Israel nas suas fronteiras.
04:34Se, de um lado, tem os episódios da faixa de Gaza, os trágicos episódios,
04:40na fronteira norte tem o grupo Hezbollah,
04:43que eu que acompanho isso à distância, só lendo as notícias,
04:47imaginei que eu faria uma ofensiva, no sentido que Israel dividisse as forças,
04:51pensando em termos militares.
04:53E me parece que isso não tem ocorrido.
04:55Por outro lado, na Síria, é difícil falar em governo central,
04:58que domine todo o território,
05:00porque nós temos um novo governo, uma aliança que parece frágil,
05:05e é um país que tem uma disputa histórica com Israel das colinas de Golã.
05:10E aí a situação fica mais complicada.
05:12Se a faixa de Gaza é uma questão complexa,
05:14e a senhora destacou que é muito difícil chegar a um acordo entre os dois
05:18com o processo de autoeliminação,
05:20lembrar que temos o Hezbollah no norte e a Síria hoje com o poder fragmentado.
05:25Exatamente.
05:25O Hezbollah, Israel enfrentou recentemente,
05:29no ano passado nós vimos, inclusive, uma incursão terrestre.
05:33Começou com aquele ataque dos Pagers,
05:35foi um ataque orquestrado a alvos do Hezbollah,
05:40visados por Israel,
05:42e posteriormente uma incursão terrestre no Líbano.
05:45Lembrando que Israel já enfrentou o Hezbollah em um outro conflito em 2006,
05:49uma incursão muito maior, envolvendo atores diversos,
05:53e essa última incursão, esse último ataque de Israel ao Hezbollah,
05:58levou à eliminação do líder supremo do Hezbollah, o Nasrallah.
06:03Isso representou um golpe muito forte para o Hezbollah.
06:06E temos que considerar que o Hezbollah é diferente do Hamas.
06:10Não só na questão ideológica, na questão religiosa,
06:15porque eles são xiítas e o Hamas é sunita,
06:19então já tem uma diferença aí, por isso que o Hezbollah foi criado
06:22e é apoiado diretamente pelo Irã,
06:24por essa identificação numa perspectiva religiosa,
06:29e não só numa perspectiva pragmática,
06:31como é a identificação do Irã com o Hamas.
06:35Mas o Hezbollah é um exército mais poderoso que o exército do Líbano.
06:41Ele tem uma força e está num estado formal.
06:44O Líbano é um estado soberano,
06:46diferente da faixa de Gaza, que não é.
06:47Então, para o Hezbollah adquirir armamento,
06:51adquirir financiamento, é muito mais fácil do que o Hamas,
06:55que está contido em uma faixa de terra cercada por Israel
06:59com um embargo terrestre, aéreo, marítimo.
07:02Então, assim, é muito mais difícil.
07:03Para o Hezbollah é mais fácil eles se armarem,
07:05é muito mais fácil eles terem um treinamento.
07:06E mesmo assim, Israel conseguiu impor uma derrota importante ao Hezbollah.
07:13E é por isso que nós não vemos mais um conflito direto do Hezbollah com Israel,
07:17por conta desse conflito do ano passado,
07:19que levou à morte do líder supremo do Hezbollah,
07:22que era uma figura muito popular também.
07:24Então, o Hezbollah, ele ainda é uma força existente, ele existe.
07:27Ele é importante dentro do Líbano,
07:29até porque ele representa um grupo específico,
07:31que são os chitas libaneses.
07:33Ele faz também assistencialismo,
07:35ele tem programas sociais dentro do Líbano.
07:37Ele não é só uma força paramilitar,
07:39tem assentos no parlamento libanês.
07:40Então, é uma força muito mais, vamos dizer assim,
07:44complexa até na sua análise política dentro do Líbano,
07:47do que o Hamas por si só,
07:49que atua não em um Estado soberano,
07:52em um território que busca a sua soberania,
07:54busca a sua independência.
07:56Então, por conta desse episódio do ano passado,
07:58nós não vemos esse conflito.
08:00Na Síria, a situação ainda é muito difícil de analisar
08:04como vai se dar.
08:05Exatamente porque não existe uma centralização do poder.
08:07Não existe um Estado soberano na Síria
08:09do ponto de vista do controle governamental.
08:13Desde a queda do governo no final do ano passado,
08:16não se sabe, não tem uma definição do que será a Síria.
08:20Para enfrentar Israel ainda mais,
08:22é difícil prever se isso vai acontecer.
08:25Então, acredito que a Síria não é uma preocupação
08:27neste momento para Israel,
08:28mas é claro que aparece no radar
08:30por conta das colinas de Golan,
08:31que é um território anexado por Israel,
08:33foi indevidamente anexado,
08:35diferente de faixa de Gaza,
08:36diferente da Cisjordânia.
08:37Então, é parte oficial do Estado de Israel,
08:40mas que não é reconhecido pela comunidade internacional.
08:43O professor Danilo,
08:44eu estava pensando aqui,
08:46em certo momento,
08:47quando o Késtio fez uma referência,
08:50uma questão que você tinha comentado de passagem,
08:53há uma expressão usada,
08:55armadilha de Tussirits,
08:57lembrando lá da história da guerra do Polo Poneso
08:59e da ascensão de Atenas,
09:02o choque em Esparta,
09:03e que muitos usam,
09:05fazendo alguns autores,
09:06comparações a vários momentos da história
09:08dos últimos dois séculos,
09:09mais ou menos em torno disso,
09:11e pegando a questão agora
09:12dos Estados Unidos e China.
09:14Então, eu queria que você,
09:15por favor, pense,
09:16não sei o que você acha dessa discussão,
09:18dessa questão,
09:19dessa análise,
09:20mas como é que fica isso,
09:21essa ascensão da China,
09:23e que é uma coisa evidente,
09:24palpável a todos nós,
09:25com uma grande potência econômica,
09:27mas ainda não parece ser uma grande potência militar,
09:29ao menos em termos mundiais,
09:30e o conflito do Oriente Médio,
09:33porque a impressão que dá a mim,
09:34como que acompanho essa distância,
09:36é que há um grande ausente ali,
09:37que é a China,
09:38pela importância que ela tem no mundo,
09:40como é que você vê essa questão?
09:42Eu não vejo ausência, professor Vila,
09:44eu vejo descrição.
09:46Descrição.
09:47A China tem um papel importante
09:50até a ascensão de Trump 2.0,
09:57no que se refere ao Oriente Médio.
10:01Utilizando aqui alguns pontos
10:04que o professor Kersson nos trouxe,
10:06devemos lembrar que a rota da seda
10:11desenhada pelos chineses,
10:15considera o Irã.
10:18A estratégia da China,
10:21junto com a Rússia,
10:23não foi à toa
10:25em trazer o Irã
10:27e a Arábia Saudita
10:29para dentro dos BRICS.
10:33Montar um bloco organizado.
10:36Eu só enfatizo uma questão,
10:39professor Vila.
10:40O projeto hegemônico chinês
10:43é um projeto econômico,
10:46não um projeto cultural-civilizacional
10:50como testemunhamos
10:53na história dos hegemons ocidentais.
10:58Não existe esse universalismo.
11:02E o que nos parece
11:03é que as forças motrizes
11:07da ação americana contra a China
11:11não são somente o quê?
11:13De contraposição econômica,
11:16mas de algo que não existe
11:18na pauta chinesa.
11:20É uma questão de uma afirmação
11:22civilizacional.
11:23Nós devemos lembrar
11:24que isso não é novidade,
11:26professores.
11:27Nós temos aquele clássico,
11:29a clássica obra,
11:31que me parece mais atual do que nunca,
11:33o choque de civilizações
11:35do Samuel Huntington.
11:37Então, me parece que há esse ponto.
11:39E volto a insistir, professor Vila,
11:42é nesse sentido que os americanos
11:44titubeiam e tentam compor com os russos.
11:49Hoje nós vimos uma situação complicada
11:51onde o Trump demonstra
11:54uma certa ingenuidade
11:56contando com o quê?
11:59Com uma dissuasão russa
12:02em relação à continuidade do conflito.
12:06O conflito se intensifica.
12:08Isso se intensifica por quê, professor?
12:11Ao meu ver, Putin sabe
12:13da importância estratégica
12:15desses novos agentes políticos
12:19nessa nova ordem mundial.
12:21Os americanos entendem
12:23que enquanto a China
12:25não for a superpotência militar,
12:29o avalizador militar,
12:31por meio de aliança,
12:33será a Rússia.
12:34Então, o caminho é trazer à Rússia
12:37o quê?
12:38O mais próximo possível
12:39dos americanos.
12:41É por isso da importância
12:43da parceria russa-americana
12:45na composição do conflito
12:47entre Paquistão
12:49e Índia
12:51na busca do acordo nuclear
12:54com o Irã
12:56e em contrapartida
12:59uma pacificação
13:01abre aspas
13:02a qualquer custo
13:04na Ucrânia
13:05pró-Rússia.
13:07Então, esses são os pontos.
13:08E aí
13:14a Rússia
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