- há 4 meses
CIDADE PACATA CRIME CRUEL (DUBLADO EM PORTUGUÊS)
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TVTranscrição
00:00Eu sempre achei que Montrose fosse uma cidade linda.
00:24Ela é conhecida pelas atividades ao ar livre como caminhadas.
00:27É linda.
00:28Montrose era uma cidade pacata de fazendeiros comuns.
00:33Todo mundo ajudava todo mundo.
00:35E todos conheciam bem uns aos outros.
00:38Numa região tão pequena, eu não pensaria que conseguiriam se safar disso.
00:43Assassinato é uma coisa assustadora para se acontecer num lugar desses.
00:47Porque você conhece seus vizinhos ou acha que conhece.
00:50Esse foi um caso clássico de encontro e o assassino.
00:54As pistas esfriaram rápido e ela desapareceu.
00:57Montrose é uma cidade pequena, então todos sabem um pouco de todo mundo.
01:02Mas alguém por aí conseguiu se safar de alguma coisa.
01:06Existem alguns casos de desaparecimentos mais longos, mas geralmente encontramos as pessoas bem rápido.
01:11Ou pelo menos algo que indique para onde elas foram.
01:14A gente só queria saber o que houve.
01:17Se ela estava sozinha, se ela estava machucada.
01:20Foi uma coisa terrível.
01:21Eu queria acabar com a raça dele.
01:22Eu queria acabar com a raça dele.
01:23Cidade pacata, crime cruel.
01:44Cidade pacata, crime cruel.
01:57Nós moramos aqui desde pequenas.
02:00Isso é muito normal.
02:02Muitas pessoas dizem, ah, eu cresci numa fazenda ou cresci na cidade, mas a gente cresceu num monte de pedras de 300 hectares.
02:08O meu pai foi pedreiro quando mais novo, então ele achou uma boa ideia abrir sua loja de construção.
02:14Não havia muitas lojas vendendo essas coisas, principalmente nessa região, mas várias pessoas precisavam de pedra.
02:20Ele achou que seria um negócio lucrativo.
02:23A minha mãe e o meu pai começaram a Montrose Stone juntos e acho que eles se deram bem por um tempo.
02:36Os nossos pais se separaram quando eu tinha 8 anos.
02:39Eles brigavam muito, é só isso que eu lembro.
02:41Eles brigavam muito.
02:43Eu não acho que eles combinavam.
02:45E dava pra ver que não era saudável pra eles ficarem juntos.
02:48Eles brigaram pela custódia.
02:50A minha mãe ficava com a gente nos finais de semana e meu pai na semana.
02:53Quando os meus pais se separaram, eles decidiram que o meu pai abriria sua própria empresa em Carbondale,
03:01enquanto a minha mãe gerenciaria essa daqui.
03:03Numa quarta, 9 de abril de 2003, a minha mãe me deixou um recado.
03:18E nele ela parecia um pouco perturbada.
03:22Dava pra perceber que a voz dela tava fraquejando.
03:25Ela ficou falando o quanto amava a gente, dizendo
03:28Eu amo vocês, eu sempre vou amar vocês.
03:31E a gente ficou tipo
03:33Tá bom mãe, a gente entendeu.
03:35Achamos que ela tava tendo um dos seus ataques emocionais.
03:38Eu tinha 16 anos.
03:40Então eu não achei que fosse nada demais.
03:42Eu tentei ligar de volta, ela não atendeu e eu deixei por isso mesmo.
03:45Eu só tinha 13 anos na época.
04:04Eu tentei falar com ela a semana inteira.
04:07Eu fui até o campinho de futebol onde as minhas irmãs mais velhas jogavam.
04:14E nós fomos juntas até a casa da mamãe.
04:25Eu entrei procurando por ela.
04:27Eu andei pela casa toda chamando ela várias vezes, mas sem resposta.
04:34E daí eu liguei pro Lionel perguntando
04:38Você sabe onde tá minha mãe?
04:40Sabíamos que ele passava muito tempo com ela, já que ele trabalhava na empresa.
04:46Sabíamos que ele era como o braço direito dela na empresa, já que ele fazia muito do trabalho pesado de lá.
04:53Mas aí ele falou, eu passo aí pra gente procurar.
04:56Ele perguntou pra onde eu queria ir e eu falei pro hospital de Montrose.
05:00Perguntamos se Irene Trujillo já tinha sido levada naquele hospital, mas eles disseram que não.
05:14Eu liguei pro meu pai e eu disse, a gente não acha mamãe.
05:20Eu não sei onde ela tá. Ele foi me buscar e eu...
05:25Só lembro de voltar pra casa com ele, com o coração partido.
05:29Não consegui dormir pensando.
05:32Por favor, mãe. Por favor, esteja viva. Por favor, volta pra casa.
05:36Eu trabalho na polícia há 20 anos. Trabalhei cerca de 16 anos pra polícia de Montrose.
05:45E quatro anos com o xerife do condado antes de me aposentar.
05:49Quando eu estava mais ativo na polícia, nós recebíamos alguns casos de pessoas desaparecidas.
05:56E algumas eram de pessoas que fugiram por causa de problemas pessoais.
06:00E outras nós encontrávamos festejando.
06:12Nós fomos chamados pela polícia pra investigar a pedreira de Montrose Stone.
06:16Que fica uns 9 quilômetros a oeste da cidade.
06:20E eles nos pediram pra ir até lá, dar uma olhada na região.
06:24E entrar em contato com as pessoas do local.
06:28E descobrir se alguém havia visto ou falado com a Irene.
06:40Eu e o detetive Smith viemos aqui.
06:42Eles não a viam há uns dois ou três dias. Nada fora do comum.
06:46Ela sumia de vez em quando.
06:48E já que era a chefe, ela podia fazer isso.
06:50Eu conheci a Irene através da Yolanda.
06:56Era a minha parceira na época.
06:58Trabalhávamos juntas na Montrose Stone.
07:02Eu era uma amiga bem próxima da Irene.
07:06Eu dava carona.
07:08Eu levava ela pros compromissos.
07:10O pessoal da empresa era muito, muito chegado nela.
07:14A gente parecia uma família.
07:16Numa região tão pequena, é claro que você conhece o seu vizinho.
07:24Aqui em Montrose estão todos a 6 graus de separação.
07:28Então alguém sempre conhece alguém na família dos outros.
07:31Pra mim, a Irene era como se fosse uma mãe.
07:34Ela parecia muito calma.
07:36Mas era bom não gritar com ela.
07:38Porque ela não levava desaforo pra casa, sacou?
07:41E eu acho que ela aprendeu isso com pessoas que passaram a perna nela antes.
07:47Então quando eu a conheci, ela não era uma pessoa que aceitava que você falasse o que quisesse.
07:53Eu trabalhei pra Irene até ela desaparecer.
07:57Ela era uma boa pessoa.
07:59Quando ela desapareceu, eu suspeitei de algo ruim imediatamente.
08:04Eu assumi que o marido dela estava envolvido.
08:07Ou que ele foi diretamente responsável, ou contratou alguém.
08:12Ou sei lá, eu não sei ao certo. Eu não sou o juiz nem o júri.
08:16Bem no começo da investigação, as funcionárias Yolanda e Lisa, que eram parceiras, voltaram ao trabalho como se não tivesse acontecido o que pareceu acontecer.
08:32Um pouco estranho para nós.
08:34A Yolanda estava pagando as contas e trabalhando como se Irene ainda estivesse lá.
08:41Então, uma das primeiras coisas que nós investigamos foi o histórico de finanças e cartões de crédito.
08:50Boletos de banco, telefone, contas, esse tipo de coisa.
08:53Qualquer pessoa que ela tinha entrado em contato, essas coisas são importantes para a investigação.
08:58E é o que nós fazemos.
09:00Porque, muitas vezes, nós encontramos uma informação nesses papéis que nos dão uma direção de investigação.
09:07Nesse caso, as pistas ficaram frias muito rápido.
09:10Ela simplesmente sumiu.
09:12Nós mantivemos nossos olhos e ouvidos abertos para conseguir aquela única pista que poderia ajudar nesse caso
09:19e que pudesse nos levar a encontrar a pessoa viva e bem ou, infelizmente, morta.
09:24E foi isso.
09:26Em abril de 2003, eu era repórter investigativo do jornal de Montrose.
09:35Eu lidava com notícias criminais e investigações.
09:39Eu trabalhava há cinco anos quando Irene Trujillo desapareceu.
09:43Os fatos de ela estar passando por um divórcio truculento, desaparecer sem deixar rastro e não haver sinais de violências em sua casa me deixaram bem interessado.
09:55Eu conversei com Rick Trujillo, o ex-marido, enquanto escrevia a matéria.
09:59E ele disse, precisamos encontrá-la, mas foi mais pelo bem de suas filhas. Foi o que pareceu.
10:08Os pais ainda estavam no meio do processo do divórcio.
10:13Ela se recusou a assinar vários papéis, criando uma situação meio complicada.
10:21Esse artigo foi publicado 11 de junho de 2003, de uma entrevista minha com Harry Tucker, o advogado de Irene no divórcio.
10:32Eu falei com o advogado porque, aparentemente, ele foi a última pessoa a vê-la viva.
10:38Ele estava lidando com um divórcio complicado há mais de três anos entre ela e Rick Trujillo
10:44e me disse como ela estava feliz com a aproximação do término do processo de divórcio.
10:49Ela disse que não estava deprimida, mas sim feliz de que aquilo terminaria.
10:56O advogado acreditava que ela não estava viva.
10:58Ele falou, ela não está viva. Ela não tinha onde ir.
11:01Tem um amigo fora da cidade. Alguma coisa deve ter acontecido.
11:04Cerca de um mês depois da minha mãe desaparecer, alguém invadiu e roubou a casa dela.
11:21Depois da invasão, a polícia nos mostrou os estragos na casa.
11:27Parecia que alguém estava procurando alguma coisa nas gavetas da mamãe.
11:32Todos os eletrônicos e aparelhos da casa foram roubados.
11:37Tem pessoas que fazem de tudo para ajudar o próximo.
11:41Mas, infelizmente, tem pessoas que roubam ou até machucam o próximo.
11:46E, infelizmente, é aí que eu entro, porque existem criminosas em Montrose.
11:50Aparentemente, levaram o laptop e outros itens da Irene.
11:54Ela poderia ter alguma informação naquele computador sobre seu marido.
11:59O divórcio era conhecido.
12:00Então, é normal que, neste caso, suspeitem do marido.
12:05Isso principalmente quando há muitos problemas no relacionamento.
12:09Eu me lembro de receber as informações pelo rádio sobre um suspeito em potencial do roubo.
12:21Leonel Lopes é um funcionário e pode ter sido visto por uma testemunha com algum objeto roubado naquele dia.
12:30Ele foi interrogado e depois ele foi interrogado e depois identificado e preso um pouco mais tarde.
12:39Nós estávamos achando que a Irene tinha dado uma televisão para o Leonel antes de desaparecer.
12:52Eu entendo como possa parecer que ele a roubou.
13:00Montrose é uma cidade bem conservadora.
13:03Então, quando o Leonel foi acusado dessas coisas, eu achei que ele estava sendo bucha de canhão para, seja lá qual for a situação.
13:12Eu entendo que eles queriam uma solução e o Leonel parecia a pessoa certa para acusar.
13:20E isso foi um caso da minha carreira que chamou a atenção.
13:31Foi triste ver as meninas com a mãe desaparecida, sabe?
13:36Sendo pai, eu sempre penso, caso eu ou a minha esposa desaparecêssemos, como isso afetaria nossos filhos?
13:45Tom Ellis, o parceiro de negócios de Rick, era mais um parceiro no papel do que qualquer coisa a princípio.
13:58Mas quando Rick e ele perceberam a dívida imensa, eles precisaram ir até lá, já que corriam risco de perder a pedreira e isso era um grande problema, perder a sua propriedade.
14:10Tom Ellis iria morar num estacionamento de trailer e ele precisava de água para viver de maneira confortável, enquanto ele e o Rick manejavam todos os negócios.
14:29O marido de Irene sabia que existia uma fonte de água bem aqui, então eles ficaram tentando localizar essa fonte pela terra.
14:41O Rick percebeu uma pedra, mas sabia que ela não estava ali antes.
14:46Era uma rocha bem grande, desse tamanho.
14:49Então eles acabaram entrando na empilhadeira, tiraram a rocha, colocaram ela em outro lugar e tiveram aí a certeza de onde era a fonte de água.
15:01Então eles começaram a cavar em busca da água.
15:08Eles encontraram algumas coisas estranhas, uma substância parecida com concreto que acabou atrasando os dois, mas eles continuaram.
15:19E aí eles encontraram ossos.
15:26Eles entenderam que Irene Sam Bernard estava morta e que ela foi enterrada ali.
15:33Eles continuaram cavando.
15:42E...
15:44Tom Ellis viu o que ele pensou ser um dedo humano.
15:49Foi aí que ligaram para a emergência.
15:51Eu e a minha irmã estávamos em casa vendo TV, quando, de repente, um amigo da família entrou em casa dizendo,
16:10Fiquem aqui, não saiam de casa.
16:14Ele estava com muito medo.
16:16Dava para ver o terror no rosto dele.
16:19Eu tive um pressentimento de que eles encontraram a minha mãe.
16:22Eu vi o corpo e o local de onde eles o haviam recuperado.
16:29Quando você chegava perto, ficava óbvio que havia alguma forma de apodrecimento ali.
16:34Só dava para perceber que eram restos humanos, mas eles pareciam ter sido desmembrados e queimados.
16:40Eles também foram cobertos com o que parecia ser cimento.
16:44Alguém teve muito trabalho para tentar esconder o que estava ali.
16:49O médico legista, ele identificou os restos do corpo como sendo da Irene Trujillo.
16:57A causa da morte foi o homicídio por tiro na cabeça.
17:01E uma vez que o médico legista determinou isso, a investigação, de repente, mudou de pessoa desaparecida para o homicídio.
17:09Eu acompanhei as notícias na época.
17:14Foi assim que eu descobri que a Irene estava morta e que havia sido assassinada.
17:22A única palavra que me descreveria é devastada.
17:26Eu estava bebendo cerveja com um amigo quando eles descobriram os restos de Irene.
17:31Não havia sombra de dúvidas que ela havia sido assassinada.
17:34Os sentimentos que eu tive na época foram de pavor, medo e uma mistura de várias outras emoções que eu não conseguia acreditar.
17:51Isso está acontecendo?
17:53Não parecia real. Parecia que eu estava sonhando e imaginando.
17:57A gente tinha as nossas teorias, mas agora estava certo.
18:01Ela nunca mais ia voltar.
18:08Fiquei chocado.
18:10Foi como perder um membro da família.
18:13Ela não merecia isso.
18:15Não, Irene.
18:17Oh, meu Deus.
18:20Eu senti o ar.
18:23Sair do meu peito e todas as minhas esperanças simplesmente desapareceram.
18:31A gente pensou que ela seria encontrada.
18:39Viva.
18:40Viva.
18:41As pessoas começaram a ligar dizendo que compraram pedras depois do desaparecimento de Irene e que eles disseram que ela estava de férias.
18:59Foi muito suspeito.
19:00Foi muito suspeito que os restos dela foram encontrados na propriedade e eles, depois disso, agiram como se estivesse tudo, tudo normal.
19:12Então, nós interrogamos a Yolanda e a Lisa na delegacia.
19:18Eu não sei o que eles falaram para a Yolanda na outra sala, mas no fim da minha conversa com os policiais, eu sentei na mesa com a porta aberta.
19:29Eu ouvi uma comoção e eu vi os policiais pressionando Yolanda contra a parede, falando que ela seria acusada de alguma coisa que soava como assassinato.
19:48Eu, por muito tempo, mantive umas coisas sentimentais meio bregas, sabe, que a minha mãe me deu, que me lembravam ela.
20:02Esse bilhete, para Marissa, ninguém te ama como eu. Adivinha quem é? Foi na sexta série.
20:08E todo dia dos namorados ela me deixava com vergonha com isso ou com um bichinho de pelúcia.
20:13Então, eu escrevi aqui, mas a minha mãe também. Eu não sei quando ela escreviu isso.
20:22Ela disse, eu amo a minha mumu. Mamãe e papai têm custódia dividida e nós te amamos muito.
20:28Ela sempre dizia isso. Ela fazia tipo uma surpresa, sabe?
20:45Esse é o cartão do obituário da minha mãe.
20:48Em memória de Irene Trujillo, 5 de setembro de 1955 a 16 de junho de 2003.
20:55A única coisa que eu me lembro do dia do funeral é que tinham várias pessoas.
21:02Ela ajudou tantas pessoas diferentes.
21:06Para mim, tudo aquilo que aconteceu parecia um sonho.
21:11Não parecia real. Eu estava confusa.
21:14Tudo pelo que a gente estava passando parecia como se eu estivesse no piloto automático.
21:19Eu me sentia dormente, indiferente a tudo. Eu não sabia o que estava acontecendo.
21:24Muitas vezes, durante essas investigações, nós falamos com a população e pedimos ajuda com qualquer tipo de informação.
21:40Que liguem pra emergência, pro delegado ou até pra polícia local.
21:44Isso ocupa tempo e recursos. Mas nunca se sabe. Algumas vezes, os rumores e boatos ajudam a resolver os casos.
21:51A polícia recebeu dezenas de testemunhas, mas receberam uma que dizia que o irmão de Rick Trujillo era responsável pela morte de Irene.
22:10Por causa de um problema entre ele e Rick.
22:14A polícia investigou o irmão de Rick e descobriu que ele estava preso durante o assassinato da Irene.
22:23Uma pista dizia que uma máfia mexicana havia mandado dois membros de gangue de motos para assassinar a Irene.
22:31Porque ela devia 4 mil dólares de um acordo de cocaína que deu errado.
22:34Investigamos as acusações de que ela tinha uma plantação de maconha no porão da fazenda e era um local perfeito.
22:45Ninguém suspeitaria. Nós procuramos bastante.
22:49Mas havia algum indício de criação de plantas ou alguma coisa ali.
22:55Nós tínhamos certeza de que aquilo não acontecia naquele edifício. Não havia prova nenhuma.
23:00Minha mãe era amiga dos companheiros de trabalho. Ela fazia amizade com todo mundo.
23:13Mesmo que tivessem más intenções ou atitudes ruins com ela, ela ainda fazia amizade.
23:18As pessoas aprenderam isso e tiravam vantagem dela de vez em quando.
23:21Então, eu acho que alguém que trabalhava com ela tirou vantagem dessa situação.
23:26Eu costumava me chamar Yolanda.
23:39E eu me identificava, na época, como mulher.
23:44Em 2017, eu decidi parar de viver essa mentira.
23:47E comecei a transicionar para o homem que eu sou hoje.
23:52E o meu nome é Javier. Javier Francisco Sanz.
23:58No dia em que me levaram para o interrogatório, eu estava com muito medo.
24:02Eles me levaram para uma sala sozinho e começaram a descrever certas coisas.
24:07Coisas que eu era capaz de fazer, coisas que eu não era capaz de fazer.
24:10Eles me transformaram num assassino naquele dia.
24:12Eles me algemaram, pegaram minhas digitais, coletaram amostras de cabelo e disseram que eu a matei.
24:19Só podia ser um pesadelo.
24:22Não tinha como aquilo estar acontecendo comigo naquele dia.
24:27Depois que passamos muito tempo interrogando a Yolanda, nós nunca conseguimos provar que ela sabia do assassinato de Irene.
24:40E ela mantinha um histórico que era bem detalhado de finanças.
24:45Então, ela estava ganhando muito.
24:48Ela estava ganhando muito dinheiro gerenciando aquele negócio.
24:52Além do que ela tinha um álibi para a noite do desaparecimento da Irene.
24:59Como uma pessoa que me conhece poderia pensar que eu machucaria alguém?
25:04Eu nunca, nunca a machucaria. Nem a ninguém.
25:09No seu interrogatório, Yolanda nos informou que Lionel e Irene haviam se confrontado pouco antes do desaparecimento.
25:22Sobre como Lionel poderia estar roubando pedras para vender para outras pessoas.
25:28Ela até me disse que em algum momento, Irene deu alguns dias de folga para Lionel para que eles resolvessem suas diferenças antes dele poder voltar ao trabalho.
25:42Avisei aos investigadores que Lionel estava conduzindo negócios sem o consentimento da Irene.
25:49Ele pedia para que as pessoas ligassem para o celular dele.
25:53Em vez do escritório, Lionel também foi pego assistindo pornografia no computador de trabalho.
25:59Ela estava ficando cansada das atitudes dele e ficou cansada dele passar a perna nela.
26:05Ela ia falar com ele, se você for parar para pensar, Lionel tinha acesso a tudo na vida dela.
26:10O Lionel tinha um relacionamento bem próximo comigo e as minhas irmãs.
26:18Ele era como um irmão mais velho para nós.
26:22Sabíamos que ele estava passando muito tempo com a mamãe.
26:25Ele era quem ajudava ela com as tarefas, cuidava dos negócios, nos pegava na escola.
26:30O Lionel não era o responsável pela morte da minha mãe.
26:32Lionel Lopes obviamente se tornou um suspeito, mas ele tinha um advogado que se recusava a cooperar com a investigação.
26:44E por isso nós tivemos que continuar com as outras pistas que recebíamos enquanto tentávamos falar com Lionel.
26:49Lionel não.
26:55Richardson Garla, o pai da Irene, era um policial aposentado.
26:59Ele estava conduzindo a sua própria investigação relacionada ao desaparecimento dela e o delegado teve várias conversas com ele naquela época.
27:06O pai da Irene rapidamente tentou se inserir na investigação da polícia.
27:14Ele estava constantemente ligando.
27:17Ele queria ter conduzido uma busca em Montrose Stone e, infelizmente, lhe disseram que essa não era uma boa ideia.
27:24O pai da Irene, ele nos ligou e disse, ei, vocês precisam investigar o Rick, o marido, porque ele relatou o desaparecimento e porque também no final do dia eles assinaram os papéis do divórcio.
27:45Ele achou isso um pouco suspeito, então ele mudou o foco da investigação para cima do Rick.
27:55Durante o curso da investigação, uma mulher apareceu e informou para a polícia que ela teve uma conversa com um homem chamado Bill Hill, um morador local de Montrose e ele trabalhava numa lojinha da cidade.
28:23Bill Hill falou para essa testemunha que Rick Trujillo estava se gabando com ele sobre ter alguma coisa a ver com o assassinato da Irene.
28:34Eu estava trabalhando na lojinha quando o detetive foi me interrogar.
28:40Eu falei para o Roger Cross que eu ouvi Rick falando para um pedreiro.
28:45Eu te falei que eu ia conseguir a pedreira de volta. Eu não fui com a cara dele desde o começo.
28:51Sabe como os cachorros sentem o caráter das pessoas? Ele não me dava uma sensação muito boa.
29:01O Rick obviamente era um suspeito, mas nós não podíamos excluir o Lionel Lopes.
29:08Nós tínhamos várias pistas para seguir e para verificar e deduzir quem era o verdadeiro suspeito ali.
29:15A dinâmica dos meus pais era complicada. Eles se amavam, mas eram dois cabeças duras. Então as coisas ficavam feias entre eles. A gente viu eles brigando.
29:30A maioria das pessoas acha que não se deve bater numa mulher. Mas a minha mãe batia no meu pai. Era desse jeito mesmo. A gente tinha medo da minha mãe. Ela era durona. Não era como se as brigas deles fossem só de um lado.
29:44Rick e a Irene tinham um casamento muito explosivo. E ela disse que uma vez brigando ele jogou ela em cima de uma mesa de vidro.
29:58O Rick não era uma boa pessoa. Eu odeio dizer isso, mas ele não tinha escrúpulos e muito menos uma moral muito boa. Ele propositalmente começava discussões para deixá-la triste.
30:13E ela voltava para casa chorando enquanto eu, na época eu também tinha um pavio curto. Eu queria acabar com a raça dele para assustá-lo.
30:20A Irene tinha medo de que ele a machucasse. Então eu queria acabar com a raça dele.
30:26E ela tinha medo de que ele a machucasse. Então eu queria acabar com a raça dele para assustá-lo.
30:34A Irene tinha medo de que ele a machucasse. Então eu disse, bem, você pode ir na delegacia para emitir uma medida cautelar de afastamento contra ele.
30:49Havia uma medida cautelar de afastamento de Irene contra Rick. Provavelmente por violência doméstica. Ele não podia nem aparecer na propriedade.
30:56E isso era um problema sério para ele. E acreditava que Irene não estava operando a empresa apropriadamente e que estava perdendo dinheiro.
31:07O pai da Irene entrou em contato comigo. Ele queria algumas informações, já que não haviam prendido ou interrogado ninguém.
31:25Então eu o entrevistei, comecei a investigar o assunto e nós desenvolvemos um artigo de aniversário da morte para gerar interesse e com sorte gerar uma pista.
31:36O pai de Trujillo, Richard Sungaila, ex-policial do departamento de Arapahoy, e seu irmão chegaram em Montrose procurando informações sobre o caso.
31:44O engraçado é que ele não nos chamava de netas e nem nos contou nada.
31:49Ele ter falado com todos esses jornais, os noticiários e os policiais era como se ele soubesse de alguma coisa, mas a gente quase nunca ouviu durante toda a nossa vida.
32:00Então, quando a gente soube que ele entrou nesse caso assim, ficamos muito frustradas.
32:06O pai da Irene e Rick conversaram várias vezes e parecia que cada um queria saber o que o outro poderia fazer sobre o caso.
32:20Ao mesmo tempo, parecia que Rick estava tentando pensar num álibi mostrando a sua preocupação com a Irene.
32:26Ele chamou o pai da Irene de pai várias vezes e como eles tinham uma relação complicada, eu achei isso um pouco estranho para ele fazer algo assim de repente.
32:38Nós investigamos o Rick como suspeito. Houve muitos problemas durante o relacionamento dele com a Irene durante o seu divórcio.
32:53Naquela época, nós já havíamos interrogado o Rick mais a fundo e nós também perguntamos se ele toparia fazer o teste do polígrafo e ele concordou.
33:08O poligrafista nos disse que o Rick mostrou algumas coisas durante as perguntas sobre o seu relacionamento e sobre as brigas que eles tiveram.
33:25Mas durante as perguntas do polígrafo referentes ao desaparecimento e ao assassinato da Irene, Rick estava dizendo a verdade.
33:38O nosso pai ter sido investigado como suspeito afetou a vida de todas nós, suas filhas, porque numa cidade pequena, quando alguém escuta o rumor de que uma pessoa suspeita ou que ela é responsável, essa notícia se espalha.
33:57Isso impactou a personalidade do meu pai.
34:04Afetou até a sua empresa, sua reputação também. Todos passaram a falar dele e isso o afetou muito. Nós ouvimos muito as pessoas falando.
34:12Eu me lembro de alguns amigos e familiares pensarem que meu pai era o responsável sem se preocuparem com os fatos. O meu pai fez o teste do polígrafo e tinha um álibi.
34:27Não, não havia nenhuma pista que apontasse para o meu pai, mas as pessoas, é claro, numa cidade pequena, sempre presumiam.
34:34E aí, em setembro, um informante confidencial apareceu e falou para os investigadores de como ela estava se relacionando com Lionel Lopes e que durante suas interações com ele, ele deixou que ela lesse um livro de poesia.
35:04Esse livro parecia ser de poesias românticas e mencionava o nome da Irene, o que a fez pensar que talvez houvesse algo mais entre os dois.
35:14Isso é muito interessante, porque pode apontar vários motivos diferentes, como raiva, inveja, vingança.
35:22Isso foi uma pista e tanto para eles. Agora eles tinham um suspeito definido em mente, mas muitas pessoas achavam que isso nunca seria resolvido.
35:31Nesse momento, a nossa informante confidencial estava com medo e ela não queria testemunhar mais.
35:41Ela não queria entrar mais no tribunal e nem se envolver com esse caso.
35:45Durante a investigação, se tornou difícil, se não impossível, comprovar algumas das pistas, já que as pessoas que as providenciavam ficavam quietas.
35:58Não retornavam as ligações, suas informações não eram completas.
36:04Elas tinham coisas a ganhar com aquelas informações e acabava criando algumas dúvidas nas informações que elas davam.
36:10Mas em outubro de 2004, após um ano e meio de investigação, um cara apareceu com uma pista imprescindível,
36:21dizendo que uma pessoa, em várias ocasiões, confessou para ele ter matado a própria Irene.
36:30Eu ouvi de alguém que o Lionel estava ganhando dinheiro extra com as pedras da Irene por aí.
36:45As pessoas apareciam.
36:48Depois de fechar, iam até lá para pegar umas pedras.
36:51Pagavam o Lionel e era isso aí.
36:53Eu ouvi isso mais de uma vez.
36:55E eu disse, Lionel, por que está fazendo isso? Ela paga bem.
37:03Era muito fácil para o Lionel fazer o que ele queria.
37:06Ela confiava nele.
37:09Aquele lugar ficou à disposição dele.
37:11Em outubro de 2004, Greg Haines apareceu e ele trabalhava na mesma empresa de paisagismo que o Lionel na época.
37:32E ele disse que o Lionel estava roubando pedras e vendendo para essa empresa de paisagismo na qual os dois trabalhavam.
37:43Greg também nos disse que Lionel confessou diversas vezes que ele matou a Irene.
37:51Uma outra pista que nós recebemos foi que o Lionel Lopes e a Irene Trujillo foram vistos numa loja de descontos local no dia em que ela desapareceu.
38:05E surgiu a dúvida de que eles haviam comprado munição naquele dia.
38:11Nós tentamos chamá-lo diversas vezes para um interrogatório, mas foram semanas até ele realmente ser interrogado apropriadamente.
38:19Lionel disse que a Irene comprou a munição, já que ela estava devendo o seu salário há algum tempo.
38:28E ela precisava dessa munição para uma viagem de caça de negócios que ela ia fazer em algum outro estado.
38:35Isso foi importante porque nos deu uma linha do tempo para o dia em que a Irene desapareceu.
38:44Nós acreditamos que ela a levou de carro para a leste de Montrose.
38:49Atirou na sua cabeça com um rifle e depois a transportou em sua caminhonete até a pedreira.
38:59Acreditamos que ele tenha tentado desmembrar ou desconfigurar o corpo a fim de dificultar a identificação.
39:07Ele tentou colocá-la numa máquina quebradora de pedras que não teve o efeito que ele estava desejando naquele momento.
39:16Ele a colocou no buraco e jogou gasolina para tentar queimar o corpo, mas acabou não dando certo.
39:26Depois ele tirou o cimento da fazenda, colocou por cima do corpo, encheu o buraco e com a empilhadeira ele pegou uma rocha grande e a colocou em cima do local.
39:38Greg Haines morreu.
39:52Então as suas informações se tornaram inválidas, porque nós perdemos a testemunha para esclarecer as informações durante o julgamento.
40:06Não tínhamos mais a pessoa que se disponibilizou a testemunhar.
40:21Então a defesa disse que os testemunhos eram apenas boatos que afetou a sua credibilidade.
40:28A defesa dizia que o Rick poderia ter pago o Lionel para matar a Irene, para que ele retomasse os negócios.
40:39Eu sei que o advogado do Lionel disse que o caso era fraco e inteiramente circunstancial,
40:44mas existem muitos casos por aí que são fechados com provas circunstanciais.
40:49Nós ficamos muito, muito frustrados, já que estávamos certos que ele havia matado a Irene.
40:58Um acordo do Alfred é quando o acusado admite que o júri pode ter provas suficientes para prendê-lo e não quer admitir a culpa.
41:19Mas pareceu que depois do Lionel aceitar esse acordo, muitas pessoas da cidade não ficaram felizes com isso.
41:25E isso levanta a pergunta de que se ele era cúmplice, quem ele ajudou?
41:33E se ele estava mais envolvido que isso, por que ele pôde fazer um acordo como cúmplice então?
41:40E, além do mais, havia pessoas dizendo que ele confessou para elas que ele foi contratado pelo Rick Trujillo justamente para isso.
41:49Há cinco anos, em 2015, o meu pai faleceu.
41:57E algumas pessoas acham que o meu pai era o responsável.
42:01Sinceramente, no fim das contas, eu não acho que o meu pai faria isso com as suas filhas.
42:07Ele não escolheria a propriedade e os negócios em vez do amor das suas filhas.
42:15Ele não criaria uma experiência tão traumática para nós.
42:19Isso não faz nenhum sentido.
42:24Lionel saiu da prisão em cinco anos e foi deportado para o México.
42:28Por que você tiraria uma mãe por razões tão egoístas?
42:36A Irene me fez sentir muito importante, muito amado, muito especial.
42:42Não importava quem eu amava, ela me amava sem restrições.
42:45Ela me entendia, me dava apoio.
42:49Não passamos muito tempo juntos, mas ela causou uma impressão permanente em mim.
42:54Eu sonhei em encontrá-la.
42:57E é sempre esquisito, porque eu sempre falo, eu te amo, eu te amo, te amo e sinto saudades.
43:01Mas eu me orgulho de ser filha dela, com certeza.
43:06E eu quero agradecer por tudo que me deu para eu me tornar a mulher que eu sou hoje.
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