00:00Tem mais uma notícia. Após as tarifas de 50% começarem a vigorar no Brasil, as exportações para os Estados Unidos caíram 18,5% em agosto, na comparação com o mesmo período do ano passado,
00:13segundo dados da Balança Comercial, que foi divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Comércio, Indústria e Serviços.
00:20Segundo a pasta, foram 600 milhões de dólares a menos vendidos à maior economia do mundo.
00:26Entre as principais quedas em termos de volume nas exportações para os Estados Unidos estão minério de ferro com queda de 100%, aeronaves e partes com recuo de quase 85%,
00:39produtos semi-acabados de ferro e aço, além de óleos comestíveis de petróleo, açúcares e também melaço.
00:48Então exportações para os Estados Unidos caindo quase 19% no mês de agosto.
00:55Vamos começar essa rodada com o Roberto Mota, só para a gente fechar as discussões em torno dos impactos do tarifácio.
01:03Mota, quase 20% de queda das exportações para os Estados Unidos.
01:07Naturalmente, alguns setores sensivelmente impactados, mas há uma grande dúvida entre produtores e empresários
01:14sobre o senso de urgência do governo para tentar reverter essa situação.
01:22Enfim, uma situação que prejudica muito, principalmente, alguns setores da nossa economia que não estão vendo luz no fim do túnel.
01:31Uma situação delicada, principalmente, quando a gente olha para alguns segmentos da nossa economia.
01:37Deixa eu só receber as pessoas que se juntarão a nós em Os Pingos nos Is,
01:43que nos acompanham, inclusive, pelas emissoras de rádio espalhadas por todo o território nacional,
01:49sempre agradecendo muito a audiência.
01:51Você que nos acompanha pelas emissoras de rádio, obrigado pela preferência em prestigiar o programa Os Pingos nos Is,
01:57sempre bem informado e também acompanhando as análises dos nossos comentaristas.
02:02Agora, a reflexão é do Roberto Mota, inclusive, um dado importante.
02:05As exportações para os Estados Unidos caíram 18,5% em agosto, após a tarifa imposta pelos Estados Unidos.
02:14Com você, Mota.
02:15Essa queda, provavelmente, é consequência do tarifácio.
02:22Mas é preciso analisar os dados com detalhes que ainda não estão disponíveis,
02:28porque parece que as exportações totais tiveram um leve aumento, por volta de 4%.
02:35Há muitos fatores envolvidos nisso.
02:38Agora, é lógico, o clima de incerteza prejudica muitos negócios e, provavelmente,
02:45está levando ao adiamento de muitos negócios.
02:48Agora, uma coisa é certa.
02:50Não me parece muito sensato contar com o senso de urgência do governo para resolver isso.
02:58Pois é, Diego Tavares, essa era a aposta de muitos, né?
03:03Bom, diante da imposição do tarifácio, o governo vai correr contra o tempo para tentar minimizar essa situação.
03:11A gente viu, pelo menos, Geraldo Alckmin, em alguns integrantes da diplomacia brasileira,
03:17elencando algumas alternativas, inclusive, aquele projeto que prevê um apoio
03:22àqueles empresários dos setores mais afetados.
03:26Mas há outros ingredientes que poderiam ter sido contemplados, né?
03:31É preciso apostar em uma urgência por parte do governo,
03:35mas muitos não estão vendo justamente esse movimento do governo.
03:40Eu acho que a gente acaba caindo naquela sua análise inicial, né?
03:44É um cenário cômodo, apesar de terrível para alguns empresários, para alguns setores,
03:49mas acaba sendo um cenário muito cômodo,
03:51porque reforça uma narrativa que vai ser adotada, possivelmente, no processo eleitoral, né?
03:59Exatamente, Caniato.
04:00E essa informação se confirma principalmente porque o próprio Donald Trump disse por várias vezes
04:05que a mesa de negociações estava preparada,
04:08que seu telefone estava pronto para receber uma ligação de Luiz Inácio Lula da Silva,
04:13uma ligação essa que nunca foi realizada, nem sequer cogitou-se um contato para início de uma tratativa séria com os Estados Unidos
04:23a respeito das possibilidades que poderiam minimizar os impactos no talifácio.
04:30Claro que essa inércia já está aí mostrando os seus resultados,
04:34essa queda nas exportações, que certamente vai perdurar pelos próximos meses,
04:40que certamente vai fazer com que verdadeiros setores da nossa economia entrem em colapso,
04:46é fruto justamente dessa negligência que, como nós já apuramos e repercutimos aqui durante o programa de hoje,
04:53tem como fundamento gerar competitividade para um governo que está em frangalhos,
04:58para um governo que tem sua popularidade morro abaixo, no processo eleitoral que se avizinha em 2026.
05:05O Mota trouxe um dado real, de fato as nossas exportações cresceram nesse período,
05:10mas foi justamente porque esses segmentos que tiveram as suas exportações diminuídas em relação aos norte-americanos
05:17correram para fazer venda aos chineses, correram para fazer vendas aos mexicanos,
05:22correram para engrossar também os negócios com os argentinos,
05:25que foram, salvo engano, as relações comerciais que mais tiveram crescimento nesse período aqui no nosso país.
05:34Mas o fato é que esse movimento, esses números que se apresentam,
05:39e novamente a relutância que o presidente da República tem em sentar à mesa de negociações com o Donald Trump,
05:46deixa muito claro que essa situação no tarifácio veio para ficar.
05:50E mais do que isso, veio para ficar e para piorar um pouco mais ainda esse cenário,
05:54porque, como eu disse, pensando nas eleições de 2026, pensando na narrativa que tem sido construída,
06:01inclusive com um novo slogan do governo federal, que prestigia a tal da soberania,
06:07que prestigia o tal do orgulho de ser brasileiro,
06:11a despeito do empobrecimento que essa estratégia tem causado,
06:15mostra que a situação realmente é de terra arrasada, de quanto melhor, pior.
06:21Quanto pior estiver a situação brasileira, mais culpa recairá sobre a direita,
06:25mais culpa recairá sobre Jair Bolsonaro.
06:28Com isso, a polarização se acende e o governo gera capital eleitoral,
06:32gera competitividade para ir para as urnas em 2026.
06:35Pois é, eu ia lembrar, inclusive, o Diego,
06:38que quando ele mencionou que o governo brasileiro não fez movimentos,
06:42ou pelo menos o presidente brasileiro não fez movimentos,
06:45para ligar para o presidente norte-americano,
06:48inclusive, teve uma sinalização, né, Diego, inicialmente de Donald Trump,
06:53que poderia conversar com o presidente brasileiro quando ele quisesse.
06:58E aí, muitos acreditavam nessa possibilidade,
07:01mas eu acho que dois ou três dias depois,
07:03o presidente brasileiro recuou,
07:06dizendo que não iria se humilhar perante o presidente norte-americano.
07:10Agradecer as várias mensagens, inclusive, do Fernando Tortorello.
07:15Obrigado pela gentileza.
07:16Você, Beraldo, as exportações para os Estados Unidos caíram quase 20%,
07:21e, naturalmente, os produtores e empresários pensam em alternativas, né,
07:27no escoamento da produção, muitas vezes, para outros países.
07:31Só que esse não é um processo fácil e imediato, né,
07:35você não aperta o botão e aí muda a rota do navio.
07:39Pronto, não vai mais para os Estados Unidos, agora vai para a China.
07:42Alguns produtos que iriam para os Estados Unidos podem ser exportados para a China.
07:47Outros não, né, porque há uma questão que envolve legislação,
07:51a produção customizada para determinado mercado.
07:55Há uma série de desafios e dificuldades para o empresário
07:59que acaba produzindo especificamente para um país, né.
08:03Não necessariamente aquela produção consegue ser redirecionada para uma outra nação.
08:08É mais ou menos isso, né?
08:10Não, sem dúvida.
08:11E eu acho que o exemplo que melhor ilustra esse tipo de dificuldade, Caniato,
08:15é quando nós observamos as exportações de frango para o Oriente Médio.
08:23Você tem toda uma questão religiosa da forma como o frango tem que ser abatido
08:28que impacta na aceitação ou não daquele produto.
08:33Então, não adianta você pegar uma fábrica que é dedicada à exportação para os Estados Unidos
08:38e direcionar para aquele mercado, por exemplo.
08:40Mas você tem uma série de outros aspectos que são levados em conta
08:45por um determinado mercado e que muitas vezes não são levados em conta por outro.
08:51Portanto, não é fácil você reajustar.
08:54E aí tem um outro elemento.
08:55Quer dizer, houve aí essa redução que só não foi maior
08:59porque os principais mercados acabaram preservados por iniciativa dos Estados Unidos,
09:05do governo norte-americano.
09:06Mas quando você olha para um crescimento da exportação,
09:12você está olhando para algo que tem um projeto de longo prazo.
09:16Quando você tem relevância na balança comercial,
09:20não é porque você simplesmente sai com a sua pastinha debaixo do braço,
09:24vai rodando os países até que você encontra um comprador
09:28e no mês que vem você está vendendo.
09:30Não é assim.
09:31É tudo muito planejado.
09:33E às vezes, Caniato, você tem até um aumento de um volume de exportação
09:39porque o próprio mercado nacional pode ter sofrido pressão de algum produtor
09:46que para atender uma determinada demanda
09:49teve que exportar até mais do que ele estava acostumado a exportar para os Estados Unidos.
09:54Mas muitas vezes isso vem também com uma implicação de perda financeira.
09:59Ele precisa vender mais barato,
10:01mas pelo menos ele não vai ficar com aquele produto parado no estoque.
10:05Então, tem uma série de elementos que são muito particulares
10:08e precisam ser considerados
10:10que não basta a pena nós olharmos o número cru,
10:14mas é preciso entender tudo que está por trás.
10:18Agora, fato concreto para eu encerrar.
10:20Fato concreto é que o governo brasileiro
10:22ele não é um indutor de desenvolvimento de mercados estratégicos para o Brasil.
10:29o governo brasileiro tem servido de porta-voz garoto
10:35propaganda de empresas específicas
10:39que estão sempre a bordo do avião presidencial
10:43fazendo parte da comitiva presidencial
10:45de uma agenda internacional do presidente da república
10:48que parece ser estabelecida conforme os interesses
10:52deste próprio grupo empresarial.
10:55Então, não é para ajudar o Brasil, não é para ajudar setores estratégicos.
10:59é para ajudar aqueles que se colocam como amigos dos governantes.
11:04Pois é, deixa eu só passar para o Mota,
11:06talvez ele queira fazer um complemento,
11:09porque inclusive o Mota compartilhou há pouco, não é Mota?
11:13Manifestações de Vladimir Putin
11:15em relação à situação que envolve o Brasil e Estados Unidos.
11:19E aí na fala do Putin,
11:21ele fala sobre uma desproporção no comércio
11:23entre os Estados Unidos e Índia,
11:26entre os Estados Unidos e China,
11:27mas disse depois,
11:29e não há desproporção
11:31nas relações econômicas entre Brasil e Estados Unidos,
11:35justificando que seria, na verdade,
11:38uma motivação conectada
11:40ao episódio que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro.
11:44Não foi, Mota?
11:45Pois é, o Brasil não faz parte do BRICS?
11:50Será que o Estado brasileiro, o governo brasileiro,
11:53não fala com o Putin?
11:55Dá uma ligadinha para o Putin,
11:57fica a dica aí.
11:58Está aí a entrevista dele,
12:00é muito interessante essa entrevista,
12:02até pela expressão facial do Putin.
12:05Eu sempre recomendo às pessoas,
12:07se você quiser entender o que está acontecendo com o político,
12:09pega o vídeo onde o político fala,
12:12tira o som,
12:14presta atenção só no gestual,
12:16na expressão facial,
12:18porque isso diz muito.
12:19É impressionante a tranquilidade
12:21com que o Putin responde a essa pergunta.
12:24É uma pergunta sobre as ações dos Estados Unidos,
12:27e alguém deve ter perguntado sobre a situação do Brasil,
12:29se as medidas de Donald Trump,
12:33o objetivo da tarifa era corrigir algum desbalanceamento
12:38entre as relações comerciais do Brasil e Estados Unidos,
12:41e o Putin diz, não, não é nada disso.
12:44É uma questão de política interna,
12:46tem a ver com a situação de Bolsonaro.
12:49Então, está aí.
12:50Para bom entendedor,
12:52meio Putin basta.
12:55Pois é, naturalmente,
12:56as pessoas que tiverem curiosidade
12:58conseguem acessar a internet
13:00e verificarem essa entrevista
13:02que foi concedida pelo líder russo,
13:05Vladimir Putin.
13:06Enfim, só para a gente encerrar,
13:08muitas perguntas em relação
13:09às consequências para o Brasil,
13:13caso o tarifaço perdure,
13:15e aí há quem diga,
13:17há quem faça o seguinte apontamento.
13:21E se a anistia for aprovada,
13:23Cristiano Beraldo,
13:24e os Estados Unidos não retirarem o tarifaço?
13:27Não existe também essa possibilidade?
13:31Existe, Caneto,
13:32porque não se sabe de fato,
13:34o governo brasileiro não sabe de fato
13:37o que está passando na cabeça
13:39de Donald Trump
13:42como estratégia do governo norte-americano.
13:45Apesar da menção feita por Donald Trump
13:50fazer referência objetiva à questão do julgamento,
13:53ou seja,
13:54é até o aspecto equivocado
13:58dessa manifestação dele,
14:00porque ele exige uma determinada conduta
14:03do poder judiciário
14:05e, para forçar essa conduta,
14:08ele aplica uma sanção comercial,
14:10que é conectada ao poder legislativo.
14:13muito mais efetivo
14:14foi a cassação de vistos,
14:17a imposição da lei Magnitsky
14:18no ministro Alexandre de Moraes.
14:19Isso tem sentido.
14:21Agora, questão tarifária,
14:23não vejo conexão.
14:24Portanto,
14:25caso haja,
14:27por parte do Congresso Nacional,
14:28a aprovação
14:29da anistia,
14:31fica a pergunta.
14:33Mas,
14:33a crítica ao poder judiciário,
14:36a percepção de que o poder judiciário
14:38está abusando dos poderes constitucionais
14:40que tem para tomar medidas
14:42contra empresas e cidadãos norte-americanos,
14:46isso permanece.
14:47Em tese,
14:48não terá sido resolvido esse problema.
14:51Portanto,
14:52é uma incógnita caniato.
14:55A gente,
14:56se houver realmente aprovação da anistia,
14:58é que a gente vai descobrir
14:59como será a reação
15:01do governo de Donald Trump.
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