00:00Então o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, está preocupado com a disputa pelo Senado no Estado.
00:06A avaliação é que se a esquerda lançar dois nomes fortes para as vagas, a direita corre o risco de perder espaço.
00:13Misael Manete chega ao vivo aqui em Os Pingos nos Is, vai trazer detalhes dessas articulações, dessas negociações.
00:20Misael, conta para a nossa audiência, Tarcísio tem defendido candidaturas mais moderadas, mais ao centro, é isso?
00:30É, nos bastidores dizem que Tarcísio está abandonando qualquer ideia de tentar dois candidatos de direita ou um candidato de direita e um bolsonarista, por exemplo.
00:43Seria mais estratégico tentar um candidato de direita e um candidato de centro.
00:48Muito boa noite para você, Caniato, para todo mundo que acompanha Os Pingos nos Is.
00:53Por que isso seria mais estratégico?
00:55Porque se ele conseguir uma cadeira para o Senado, por exemplo, de Guilherme de Ritchie e outra cadeira de um candidato de centro, ele atrapalharia, de certa forma, a esquerda.
01:08Aí o presidente Lula teria menos chances de apoiar um candidato que teria aí, de apoiar um candidato para o Senado.
01:16Por exemplo, estão no alvo aí, na jogada, para tentar uma cadeira no Senado, por exemplo, o ministro Fernando Haddad do PT.
01:26Este seria um grande temor, entre aspas, de Tarcísio de Freitas do Republicanos, prevendo então isso, em vez de tentar uma dupla direita, uma dupla bolsonarista,
01:39ele tentaria então algo mais moderado.
01:43A gente já sabe que Guilherme de Ritchie é o queridinho de Tarcísio de Freitas, ele que foi secretário de Segurança Pública,
01:51veio com uma proposta mais pragmática, ele ganhou protagonismo, por exemplo, com o PL Antifacção e também com projetos de lei
02:00que envolvem o fim da saídinha temporária e promete pragmatismo nos projetos, caso consiga uma cadeira no Senado.
02:08Pois bem, então a gente já tem esse candidato de direita posicionado.
02:13E Tarcísio de Freitas tentaria então um outro candidato mais centro.
02:18Agora tem várias situações aí para a gente citar, vou até aproveitar aqui e pegar minhas anotações,
02:24Só para finalizar essa história com Guilherme de Ritchie, eu falei com ele mais cedo e sobre essa cadeira ao Senado,
02:31de Ritchie disse o seguinte, abre aspas,
02:33Meu foco está totalmente na disputa pelo Senado, conforme uma decisão construída junto ao meu grupo político.
02:41É algo que foi pensado e trabalhado com responsabilidade.
02:44Quero ter a oportunidade de participar do debate político para ajudar a reformular nosso sistema de justiça criminal
02:51em defesa de uma sociedade mais segura e que não seja refém do medo.
02:55Fecha aspas, disse o deputado federal Guilherme de Ritchie do PP.
03:00Agora também estão na jogada outros nomes que têm interesse no Senado.
03:07A gente pode falar de Marcos Feliciano, ele que é pastor, ele que é do PL,
03:13também é uma figura que está muito ligada a denúncias de homofobia,
03:19mas é uma figura que tenta o Senado.
03:22Também temos o Ricardo Salles, que já foi ministro do governo Bolsonaro,
03:28atualmente deputado federal, ele que está no novo e também tentaria uma cadeira pelo Senado.
03:34E o caso de Eduardo Bolsonaro, a gente já sabe que não consegue se eleger,
03:39mas Eduardo Bolsonaro tem certa influência e já indicou aí Gil Diniz do PL para tentar uma cadeira.
03:47Agora as alianças de bolsonaristas com o Tarcísio de Freitas
03:51acabam sendo um pouco frustradas por essa vontade do governador dos republicanos
03:57ter um candidato mais centro.
04:00A gente vai acompanhando essa costura que vai se formando, se reformulando,
04:05até chegar num denominador comum.
04:07Caniato?
04:08Legal, Misael Maionete continua acompanhando essas movimentações,
04:12vários nomes sendo aventados, né?
04:15Os partidos fazem cálculos, há pesquisas que indicam nomes mais fortes,
04:20outros nem tanto, mas esse cálculo do segundo nome é sempre importante, né?
04:24Um talvez mais à direita e um mais moderado,
04:27porque poderia ser o segundo candidato, inclusive de quem vota na esquerda.
04:31Obrigado, viu, Misael?
04:33A gente volta a conversar ao longo da programação.
04:34Começar essa rodada com o Roberto Mota, a escolha para a disputa do Senado em destaque,
04:40e aí tem essa leitura feita por Tarcísio de Freitas, Mota,
04:45entendendo que o ideal seria um mais à direita, Guilherme Derritte, possivelmente,
04:50e uma figura, um candidato mais moderado, porque esse poderia ser a segunda opção, inclusive,
04:55de eleitores de centro e eleitores de esquerda, né?
04:59Alguém que possa ser, seduzir aquele indeciso, né?
05:03Que não necessariamente vote em partidos de direita.
05:06Por muitos anos, Mara Gabrilli ocupou essa faixa, sabe, Mota?
05:11E, por vezes, acabou conquistando a cadeira no Senado Federal.
05:15Olha, Caniato, eu não sei se o Tarcísio tem ou não tem essa preocupação.
05:23Eu vejo o cenário político de uma forma diferente.
05:29Eu acho que não há espaço para quem for politicamente indefinido.
05:35Eu não vejo muito espaço para os candidatos ideologicamente indecisos
05:41e questiono muito essa classificação de radical, do pessoal da direita radical.
05:49O que eu vejo no Brasil são políticos despreparados e políticos preparados.
05:55Tem muita gente que é de direita, se diz de direita, eu sou de direita,
06:00eu sou um bastião do conservadorismo e vota no Congresso para aprovar o projeto Gás do Povo.
06:07Uma das coisas mais populistas que a gente já viu nesse país.
06:11E diz, não, olha, esse projeto não foi do governo, não, esse projeto é meu.
06:16Como assim, companheiro?
06:19Agora, essa preocupação com a eleição de São Paulo é legítima,
06:24porque essa é uma eleição muito importante.
06:26Segundo a leitura, que muita gente que eu respeito faz do cenário,
06:31o Guilherme Derritte já está eleito.
06:34E aí vem o segundo candidato.
06:36Quem será o segundo candidato ao Senado que vai ser eleito?
06:41Eu acho, o meu palpite, é que esse segundo candidato vai ser um candidato de direita.
06:49Independente do partido em que esse candidato estiver.
06:52Se os partidos de direita teimarem e lançar candidatos
06:57que não são percebidos pelo eleitor como de direita,
07:02o eleitor vai buscar uma alternativa em outro partido que lhe pareça de direita.
07:11Agora, dito isso, pelo que eu vejo, São Paulo tem um bom número de excelentes candidatos.
07:17Tem o Melo Araújo, que é um excelente candidato,
07:23que pode vir a ser candidato pelo PL, não é isso?
07:26Pode vir.
07:28Tem o Ricardo Salles, excelente candidato.
07:32O Ricardo é um ponto fora da curva em inúmeros aspectos.
07:35Pelo que eu entendi, vai ser candidato pelo novo, não é isso, Dávila?
07:39Então, o eleitor tem várias escolhas.
07:42Eu só não acredito que o eleitor vai escolher um candidato
07:49porque o partido mandou, e esse é o candidato oficial,
07:54a menos que o eleitor olhe para o candidato
07:56e reconheça esse candidato como sendo alguém
08:00que representa genuinamente as bandeiras da direita.
08:04Pois é, peguei um levantamento feito no final de dezembro
08:07e vários nomes foram colocados nessa projeção.
08:13E aí, para o lado mais à direita,
08:14Guilherme Derrite, Melo Araújo, como bem disse o Mota, pelo PL,
08:18Ricardo Salles, pelo Novo,
08:20aí mais ao centro,
08:22Paulinho da Força, pelo Solidariedade,
08:24Baleia Rossi, pelo MDB,
08:26Paulo Serra, pelo PSDB,
08:29tem o Acácio Miranda também, pelo Missão,
08:31Robson Tuma, pelo Republicanos,
08:33e aí, pela esquerda,
08:35Marina Silva, Rede, Fernanda Haddad, pelo PT,
08:39inclusive com percentuais altos nesse último levantamento.
08:42Você, Davila, ah não, desculpa, perdão, Musa,
08:45você, sua avaliação sobre essa disputa para o Senado Federal,
08:48os vários nomes que vêm sendo aventados,
08:50mas esse diagnóstico feito por Tarcísio de Freitas.
08:54Eu acho extremamente prudente e até urgente essa discussão
08:58porque eu considero o Senado
09:00uma das partes mais importantes das eleições que teremos esse ano.
09:04e talvez alguns anos atrás,
09:07todos nós, a população,
09:08até por sermos menos politizados no Brasil como um todo,
09:11e agora por necessidades óbvias,
09:14começamos a ver uma importância maior do debate no dia a dia,
09:18o Senado se tornou algo que começou a discutir na base
09:21da sociedade, em jantares e em família.
09:24Os poderes começam a se chocar e isso faz com que a população
09:30acenda a necessidade dessa discussão.
09:33Então os nomes realmente, eles são bastante fortes,
09:36mas eu acho que determinados conceitos subjetivos
09:42tendem a dificultar essa análise que o próprio Tarcísio fez.
09:45O que seria um perfil mais radical de direita?
09:50De repente, para você é uma coisa, para mim é outra,
09:52para o Dávila é outra, para o Mota é outra,
09:54esse conceito, ele me parece um pouco menos subjetivo.
09:58E essa é uma discussão que a gente tem bastante.
09:59Algumas vezes um determinado político faz um discurso
10:02e eu vejo pessoas que se dizem ao centro,
10:05que eu também concordo quando o Mota falou que não entende bem
10:08o que é considerado centro, eu também não entendo.
10:10Essas pessoas dizem, ora, isso é radical.
10:13Eu falo, para mim eu tenho outra visão.
10:15Então, o que seria isso?
10:18E eu concordo também que cada vez mais com esse advento da internet,
10:23da popularização, da visualização do que cada um dos políticos está fazendo,
10:40apresentados lá pelo seu político votado em
11:05importantes que São Paulo tem, nomes que se tornaram populares
11:11e que eu acho que tem um engajamento bastante grande.
11:14Eu acho que São Paulo pode sim marcar um posicionamento importante,
11:19mais ainda do que das últimas eleições aqui em São Paulo.
11:23Dávila, só para fechar, nessa estratégia da escolha dos nomes para o Senado,
11:28o Musa bem disse que será uma eleição turbinada, né?
11:32Nunca se valorizou tanto a escolha para os nomes que irão fazer parte do Senado Federal.
11:39Dois terços serão renovados.
11:41Eu queria que você nos dissesse qual é o cálculo que o cacique partidário faz
11:45para escolher o segundo nome, ou pelo menos a coalizão, né?
11:49Aquele grupo de partidos.
11:50Bom, então esse vai ser o cabeça, esse provavelmente será eleito.
11:55E o segundo?
11:56Tem uma lógica aí nessa escolha, né?
11:58Porque o segundo, muitas vezes, ele pode conseguir votos de vários grupos de eleitores,
12:03não necessariamente somente daquela bolha, né?
12:07Exatamente, Caniato.
12:08Primeiro, a fala de Tarciso está corretíssima.
12:12O que ele quer é uma estratégia para a direita capturar as duas vagas do Senado em São Paulo
12:18e não ficar apenas com uma.
12:20E se a escolha não for criteriosa, São Paulo pode ficar com uma única vaga,
12:26a direita e a esquerda ganhar outra.
12:29Por que isso?
12:30Porque a estratégia é escolher um candidato que parte da esquerda, não é a esquerda toda,
12:37mas parte da esquerda, não tenha ojeriza a esse segundo nome e fala,
12:41tá bom, vou votar nesse segundo nome, porque senão ela joga o voto fora.
12:44Ela vai votar no candidato que ela gosta, já que não tem nenhum outro mais ou menos do jeito dela,
12:49ela não vota o segundo, a segunda escolha não tem.
12:52E aí o que acontece?
12:53Vai se eleger um candidato da direita ou da esquerda.
12:56É isso que vai acontecer.
12:57Então o que que Tarciso está dizendo?
12:58Se a gente trazer alguém que tenha um perfil mais moderado, de direita,
13:05pode atrair parte desse voto de centro-esquerda, um voto, sei lá, tucano,
13:12que fala, tá bom, vai, o segundo voto eu dou para essa pessoa aqui porque eu acho que é ok.
13:17E aí essa pessoa tem chance de ganhar.
13:19Eu vou dar um exemplo aqui que nós já falamos várias vezes desse caso que é Santa Catarina.
13:23Carol Detone tem o voto de Carlos Bolsonaro e tem o segundo voto do Amin.
13:30E aí por isso que ela está em primeiro lugar, porque ela tem o segundo voto dos dois lados.
13:33Ela fala, bom, a Carol tem o voto próprio dela, o segundo voto do Carlos e o segundo voto de quem que prefere o Amin.
13:40É por isso que ela está em primeiro lugar.
13:43Então, em São Paulo, é preciso encontrar um nome com esse mesmo perfil.
13:50Agora, e nomes fantásticos, tem bons nomes, como a gente já mencionou aqui,
13:54mas eu vou dar só um exemplo para ilustrar.
13:57Se você escolhe, Derrite, que já é o candidato, e escolhe o Melo Araújo,
14:02duas pessoas ligadas ao setor de segurança pública, duas pessoas militares,
14:05alguém chega e fala, não, eu não vou votar, voto num, já que eu vou votar no Derrite, o Melo Araújo,
14:09e o outro voto, é óbvio que eu não vou votar no cara da esquerda.
14:12Então, joga-se um voto da direita fora.
14:16Esse é o ponto.
14:17E o que Tarcísio está dizendo é, se fizermos uma escolha criteriosa,
14:22a chance é um se eleger pelo voto integralmente dessa direita,
14:28e o outro por voto da direita e uma pequena parcela da esquerda
14:32para tirar o candidato da esquerda da segunda vaga do Senado.
14:36Esta é a estratégia.
14:38Não é simples, não é fácil encontrar esse nome.
14:42Mas, teoricamente, o que Tarcísio está buscando nesse momento está corretíssimo.
14:48Ele está em busca de um segundo candidato
14:50que possa garantir as duas vagas para a direita em São Paulo.
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