00:00Pois é, a gente sempre faz as leituras sobre o grupo conservador liberal brasileiro e a esquerda que hoje está no poder,
00:08mas também acontece essa divisão e há muitas ações, por exemplo, da esquerda norte-americana.
00:15Tem um bom exemplo, senadores democratas enviaram uma carta a Donald Trump questionando justamente essa tarifa de 50% imposta ao Brasil.
00:24Onze parlamentares da oposição assinaram esse documento. Eles acusam o republicano de abuso de poder e afirmam que ele está usando a economia americana
00:33para tentar interferir em favor de um amigo de longa data, e aí eles citam o ex-presidente Bolsonaro.
00:40Os senadores também expressam na carta preocupações com as ameaças de iniciar uma guerra comercial com o Brasil,
00:46que acabaria aumentando custos para as famílias americanas.
00:50Dávila, como você observa esse movimento de senadores democratas, não é exagero meu falar que o Partido Democrata é um partido,
01:00seria o que, de centro, é que um partido muito grande, né? Há grupos dentro do Partido Democrata,
01:05mas seria algo que, de centro-esquerdo, Beralda até uma vez fez uma boa comparação que tem uma célula dentro do Partido Democrata
01:14que é super à esquerda, talvez algo comparável ao PSOL aqui no Brasil.
01:19Mas, enfim, essa movimentação feita por alguns senadores que acusam Donald Trump de abuso de poder.
01:25É uma exploração política que o Partido Democrata está fazendo justamente para constranger o governo,
01:33e está fazendo com propriedade, porque, afinal de contas, esses senadores representam os interesses de seus estados.
01:41Esses estados têm empresas que lidam com o Brasil, e essas empresas certamente ligaram para esses senadores e começaram a reclamar.
01:49Falou, senador, faça alguma coisa, porque essa tarifa de 50% vai prejudicar ou o setor moveleiro do meu estado,
01:58ou a compra de avião aqui, ou vai prejudicar o suco de laranja ou o café.
02:04Então, é óbvio que os senadores fazem essa pressão e agora estão reagindo à tarifa do governo americano.
02:10Agora, quanto à questão partidária, nesse mundo dominado por populistas, parte do crescimento das candidaturas populistas,
02:20candidatos, se dá justamente porque os partidos deixaram de ser o filtro da moderação.
02:27Nos Estados Unidos, eu gosto sempre de lembrar que na eleição do Obama com o John McCain,
02:34quando o John McCain morreu, que era um candidato do Partido Republicano,
02:38o Obama foi fazer um discurso no funeral de John McCain.
02:42Olha que gesto de civilidade, de respeito e adversários políticos.
02:47E Obama falou, não, eu tenho grande respeito pelo McCain, apesar de nós termos visões completamente diferentes.
02:53Mas existia um grau de civilidade, de respeito.
02:58Isso acabou.
03:00O Partido Democrata acabou se radicalizando.
03:03O Bernie Sanders, que era uma minoria dentro do partido, agora se tornou maioria.
03:09Agora está todo mundo nessa maluquice que o Bernie Sanders criou dentro do Partido Democrata.
03:16E o republicano, a mesma coisa.
03:19Aquela tradição lá de família Bush e tal, acabou.
03:23Agora só tem os malucos beleza do Trump.
03:26Então, assim, é um negócio que os moderados estão sem partido, estão sem espaço político.
03:33E aqueles moderados dentro do Partido Republicano hoje apanham muito da ala Trump e do governo Trump e do próprio Donald Trump
03:43quando não agem de acordo com aquela cartilha do movimento Maga.
03:48Então, assim, esse esgarçamento do poder moderador dos partidos, ter ali um filtro, ter ali as alas que conversam, isso prejudica demais o debate político.
04:00E tudo vira esse UFC da política.
04:04Um entra para aniquilar o outro, não é mais para buscar entendimento, um meio termo.
04:09E isso acaba alimentando essa ideia do antissistema.
04:13O sistema não funciona, está corroído, está poluído.
04:16E aí o que vai salvar a gente é o salvador da pátria, é o populista.
04:20E o populista cresce.
04:21É por isso que nós vivemos essa fase do radicalismo político no mundo inteiro.
04:26No Brasil, nos Estados Unidos, tal, porque os moderados estão perdendo espaço e, portanto, perdem poder
04:34para influenciar as políticas públicas, negociar e criar candidaturas competitivas.
04:41Pois é, as ações de Donald Trump e o contra-ataque da oposição, os democratas acusando o presidente
04:47de abuso de poder após o anúncio da tarifa de 50%, Beraldo?
04:53Isso não tem nada a ver com o Brasil.
04:56Então, é como se tivéssemos agora um problema, aliás, temos vários problemas com o governo Lula,
05:02e aí ele recebesse lá uma carta dos senadores bolsonaristas.
05:08Não tem efeito absolutamente nenhum, do ponto de vista prático.
05:11Mas, no caso de Donald Trump, os senadores democratas aproveitam essa oportunidade
05:20para reforçar o argumento que existe contra a utilização das tarifas da forma que Donald Trump está fazendo.
05:29A gente precisa lembrar que há uma disputa judicial nos Estados Unidos
05:34para definir se Donald Trump pode ou não pode utilizar a colocação de tarifas,
05:41a imposição de tarifas a outros países, como ele tem feito,
05:46porque na Constituição diz que as tarifas devem ser estabelecidas pelo Congresso.
05:52Em 1977, foi criada uma lei especial em que o Congresso concedia essa autoridade
06:00ao presidente da República em condições excepcionais, em condições de guerra,
06:06e tem mais uma definição de emergência nacional, algo dessa natureza,
06:13que é o argumento que Donald Trump usa.
06:15Olha, é uma emergência nacional porque os Estados Unidos estão se enfraquecendo,
06:19nós estamos alimentando os nossos inimigos e nós estamos ficando para trás,
06:24e a gente precisa colocar os Estados Unidos de volta numa posição forte em relação ao mundo.
06:30Parte do Make America Great Again, faça os Estados Unidos grandioso outra vez.
06:37Então, essa disputa tem um julgamento em segunda instância da Justiça Federal dos Estados Unidos,
06:44agora no dia 31 de julho.
06:46Portanto, essa manifestação dos senadores, ela vem reforçar os argumentos que estão sendo utilizados no judiciário
06:57para limitar essa autoridade que Trump tem nesse momento.
07:02É um jogo muito mais amplo, é um jogo muito maior,
07:05e o Brasil aparece como um instrumento desses argumentos que estão sendo utilizados pelo Partido Democrata.
07:13Agora, o Partido Democrata realmente é o partido da centro-esquerda,
07:18então é como se ele reunisse o PSB, uma grande federação.
07:23Se a gente olhasse para o caso do Brasil, seria uma grande federação do PBT, PSB, PT e PSOL.
07:30Só que agora, como o Dávila trouxe, a turma do PSOL está mais protagonista,
07:36porque é mais radical, vai para o embate de uma forma mais feroz com o radicalismo que existe no Partido Republicano.
07:45Quer dizer, radicalismo no sentido da forma como Donald Trump defende as suas ideias,
07:51os seus propósitos e a sua ideia do que os Estados Unidos precisam.
07:55E os Estados Unidos, de novo, essas disputas políticas, elas existem de uma forma muito feroz atualmente,
08:05mas tem uma diferença importante em relação ao Brasil.
08:08As instituições norte-americanas são muito mais sólidas do que as brasileiras.
08:16A economia norte-americana é muito mais forte do que a economia brasileira.
08:21Por mais que esse debate aconteça e há muita incerteza,
08:26mas a força da economia você sente no dia a dia das pessoas.
08:31É muito pouco afetado nesse momento.
08:34Se você olha para o Brasil, essa incerteza quer dizer que a empresa que está colocando férias coletivas
08:41vai começar a demitir amanhã.
08:43Você tem outras que vinham fazer investimento, construíram uma nova fábrica, já não vai fazer.
08:47Porque não gera emprego, não alimenta, não coloca gasolina no tanque para o carro chamado Brasil andar.
08:54Então temos diferenças muito grandes nas duas realidades.
08:58Pois é, você, Cobal.
08:59Esses senadores se aproveitam de um cenário que, de certa maneira, ajuda a reforçar a sua retórica,
09:06o seu discurso.
09:07Mas, como disse o Cristiano Berardo, não tem muito a ver com o Brasil.
09:10Se fosse um outro país, sei lá, El Salvador, Nicarágua,
09:14talvez eles adotassem a mesma postura.
09:16Claro, tem a ver com o fato de serem opositores ao Donald Trump e, tendo ou não tendo razão,
09:21não conheço a legislação e nem essa discussão que nos trouxe o Berardo
09:25sobre a judicialização da questão lá nos Estados Unidos,
09:29mas os opositores estão fazendo oposição, é assim no mundo todo.
09:33São senadores democratas e um presidente republicano.
09:37Mas me chama muito a atenção que eles estão acusando o Trump de abuso de poder.
09:42E aí, só para uma reflexão, enquanto estava aqui ouvindo você trazer a notícia, Caniato,
09:47eu preciso lembrar que a gente teve essa situação da taxação aqui no Brasil
09:52num time muito interessante, que foi logo depois da discussão intensa
09:57de algumas semanas a respeito do IOF aqui no Brasil.
10:00E esse debate tem o seu paralelo também com a questão do IOF,
10:04porque há semanas atrás os governistas aqui no Brasil estavam falando
10:09que é competência do presidente, é prerrogativa do presidente aumentar o imposto por decreto,
10:14é do poder dele, então não tem que ninguém reclamar.
10:18E os opositores aqui no Brasil estavam falando, mas o Congresso pode sim questionar esse aumento
10:24porque o presidente exorbitou do seu poder regulamentar.
10:31Parece muito que esse abuso de poder, exorbitar do poder regulamentar, abusar do poder,
10:35ou seja, semanas atrás o discurso era outro.
10:39Então hoje tem aqueles que aqui no Brasil estavam falando de que o Congresso deve falar a respeito de impostos,
10:47aumento de impostos e o presidente não tem essa competência,
10:50estavam agora com a bandeira do Trump lá no Congresso Nacional,
10:52que fez o mesmo lá nos Estados Unidos por decreto ou por uma carta,
10:57até agora não tem nada formalizado,
10:59anunciou que vai aumentar unilateralmente os impostos para os produtos brasileiros.
11:04E por outro lado, os governistas que até pouco tempo estavam aqui defendendo
11:08as prerrogativas do presidente Lula de aumentar a IOF estão criticando lá o presidente americano
11:13e talvez estejam agora aderindo ao discurso dos senadores democratas também.
11:18Então a gente vê algumas contradições muito interessantes a respeito dos conceitos
11:22que dependem muito mais de quem do que o quê,
11:26de qual é o nome que está envolvido, se eu gosto desse nome ou se eu não gosto,
11:30ou mais até isso, do que propriamente do que está sendo feito,
11:35de qual medida está sendo tomada.
11:37É claro que qualquer medida que é tomada pelo parlamento
11:40sempre será mais democrática do que uma medida tomada unilateralmente por um presidente.
11:44Mas essa cena aí dos democratas atribuindo ao Trump um abuso de poder
11:49nos remete aqui também a semanas atrás,
11:52quando os polos estavam invertidos, já que a gente está falando de uma polarização.
11:56Bom paralelo pelo Colo. Qualquer semelhança é mera coincidência, não é, Dávila?
12:02É isso mesmo.
12:04Você vê que toda vez que mexe no bolso a discussão,
12:09tem um paralelismo muito grande no mundo.
12:12Porque no fundo, a gente vive numa época
12:14que o Estado só pensa em meter a mão no bolso do cidadão,
12:19porque os gastos estão crescendo, os gastos do Estado estão crescendo de forma absurda,
12:25por causa de várias coisas.
12:27Programas sociais, esse tal do contrato social de aguentar um Estado assistencial
12:32cada vez mais inchado, pesado, caro,
12:36no momento em que há uma inversão da pirâmide demográfica.
12:39Ou seja, a população envelhece mais e tem menos jovens.
12:42Então você não consegue pagar a conta.
12:44Então é uma fase que nós precisamos urgentemente
12:48de estadistas para reformar as instituições,
12:52para fazer o Estado caber no bolso e no PIB do país.
12:56Porque hoje nós gastamos...
12:58O gasto público no Brasil, hoje, Caniá,
13:01cresce muito acima do PIB e da inflação.
13:04Então é um negócio inacreditável.
13:07O PIB precisa estar crescendo 4%, 5%, 6% para aguentar o tamanho desse Estado.
13:12Aliás, um governo que confessa que em 2027 o Estado vai quebrar.
13:19Em 2027, 100% do arrecadado vai ser para cobrir gasto obrigatório.
13:24Então como é que nós podemos estar nessa situação
13:26e estar aqui nessa esgrima populista de um para cá?
13:30A gente precisa estar com esse senso de urgência
13:33e focar nas reformas.
13:35Porque se isso acontecer em 2027...
13:36Caniá, quem vai pagar essa conta são os nossos filhos,
13:41são os nossos netos, vai sobrar para eles.
13:44Um Estado que gasta 100% com o gasto público,
13:47com o Estado, não tem mais dinheiro para investimento,
13:50é um Estado que está paralisado.
13:52Então a gravidade do momento que chegou,
13:55o grau de endividamento,
13:56e isso não é só no Brasil não, no mundo.
13:59A Europa inteira está com uma dívida acima de 100% do PIB.
14:03O Estados Unidos já está com 120.
14:04Então como é que nós podemos viver assim?
14:07Imagina você viver com 120% de dívida, Caniá.
14:10Você conseguiria dormir?
14:12Mas é isso, é lógico que não.
14:15Então, é isso que nós precisamos enfrentar.
14:18E essa ausência de estadista faz com que esses populistas
14:22varram esse problema para debaixo do tapete
14:25e nós estamos deixando uma bomba relógio
14:28no colo da próxima geração.
14:31Recebendo as pessoas que nos acompanham
14:33pelas emissoras de rádio, programas Pingos nos Is.
14:35Quero chamar a atenção para a enquete do dia,
14:38a pergunta que nós publicamos todos os dias
14:40no nosso portal de notícias,
14:42jovempan.com.br.
14:44E se puder, entre agora e manifeste a sua opinião
14:47para esse questionamento que fizemos.
14:49Se os Estados Unidos impuserem sanções
14:51contra os presidentes da Câmara e do Senado,
14:54você acredita que aumenta a possibilidade,
14:57aumenta a chance do Congresso pautar
14:58e aprovar o PR da Anistia?
15:01Você acha que esse tipo de sanção
15:03poderia estimular os presidentes da Câmara
15:06a colocar esse projeto em votação?
15:08Duas opções, aumenta a chance
15:10ou diminui a chance.
15:12Conto com o seu apoio e com o seu voto.
15:14Tá certo?
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