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O Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para o dia 2 de setembro o início do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. A proximidade da decisão aumenta as tensões políticas e econômicas, em meio ao receio de que os Estados Unidos imponham novas sanções contra o Brasil. A bancada do Linha de Frente opinou.

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Transcrição
00:00O Supremo não vai retroagir absolutamente em nada, porque ao fazer isso seria, e eu não estou entrando no mérito,
00:06mas ao fazer isso seria dizer e assumir internacionalmente que o Trump está com a razão em todas as questões
00:14que ele posicionou como justificadoras da imposição do tarifácio.
00:20Nem até porque, não acredito que qualquer órgão nosso, sobretudo um órgão tão importante como o Poder Judiciário,
00:28deva se submeter a questões internacionais políticas.
00:32A grande questão toda é que virou uma discussão política que a gente teme suplantar a questão jurídica.
00:42A ver nos próximos dias como o julgamento vai prosseguir e a gente só espera que o jurídico prevaleça
00:50acima de qualquer questão jurídica, mas há um confrontamento político que já tomou as vias da inevitabilidade.
00:57Portanto, eu acredito sim que outras sanções, infelizmente, não sabemos nem mais o que,
01:04mas outras sanções poderão vir, lamentavelmente, porque são questões que em muitos aspectos
01:12suplantaram o interesse nacional, dos dois lados.
01:16E a gente que vai sofrer no meio de tudo isso, de fato, porque descredibiliza as nossas instituições,
01:22abala a divisão de poderes e torna uma insegurança jurídica de muitas formas.
01:28Portanto, Bia, nós estamos aí prestes a conhecer um momento, devo dizer assim, muito importante e marcante
01:36sobre o ponto de vista histórico, histórico político, histórico econômico e de direito internacional.
01:41A próxima semana nos traz aí momentos importantíssimos que a história está escrevendo.
01:50Luciana, durante a última semana, o presidente do PL, que é o partido do ex-presidente Bolsonaro,
01:56Valdemar Costa Neto, ele chegou a falar com a imprensa sobre uma estratégia que o partido teria
02:01para que Bolsonaro conseguisse tentar concorrer ao Palácio do Planalto no ano que vem.
02:06Ele está inelegível até 2030.
02:08Ele disse o seguinte, ele disse que tinham esperança ainda do julgamento se prolongar um pouco,
02:13com algum ministro pedindo vistas e que se Bolsonaro não fosse condenado,
02:18a estratégia para o ano que vem seria entrar com recursos no Tribunal Superior Eleitoral,
02:22porque no ano que vem tem mudança lá.
02:24O presidente muda, vira Cássio Nunes Marques e que foi indicado por Bolsonaro e não mais Alexandre de Moraes.
02:31Você vê sentido nessa estratégia, como advogada?
02:35É um caminho possível de percorrer?
02:38Perfeitamente possível.
02:39Ainda mais porque vai sair da mão do atual presidente, lá do TSE,
02:45e nós temos todo um regramento novo que está por vir para ser aprovado nos próximos dias,
02:50lá que está na CCJ, que é o novo Código Eleitoral,
02:54que vai trazer uma nova cara para a questão, inclusive das ineligibilidades.
02:59Então, eu acho que isso é uma estratégia boa, porém, não sei se é mais adequada guardar esse julgamento
03:07até o final do ano, começo do próximo ano, porque nós precisamos ter um candidato
03:12para as próximas eleições que represente a direita, pois somente desse modo nós vamos conseguir o quê?
03:19Ter o exercício correto da democracia, sem pressão, vote nesse, vote naquele,
03:24aonde o eleitor vai poder conhecer melhor o seu candidato.
03:28Agora, eu acho muito pouco provável que o Bolsonaro, ele seja candidato,
03:34porque ele já está ineligível, e a gente tem uma série de outras condenações
03:39que podem surgir por outros crimes, porque o Supremo, hoje,
03:45virou uma situação vergonhosa, a meu ver.
03:47Quando você tem, durante a semana que passou a notícia de que nós seríamos a Polícia Federal
03:52dentro da casa do ex-presidente Bolsonaro, eu fiquei me perguntando, eu falei,
03:58olha, nós tivemos o caso lá atrás do Nicolau, mas se justifica isso agora?
04:04Porque o lar é o asilo inviolável do cidadão.
04:09Então, se ele está em prisão domiciliar, eu acho assim,
04:11se a Luciana fugir da Polícia Federal, fugir do Supremo, é fácil.
04:17Agora, o Bolsonaro não consegue sair no portão da casa dele,
04:20que tem vizinho reclamando, tem imprensa em cima, a polícia está ali.
04:24Eu acho que a gente está...
04:25Houve um desvio ali, por parte, realmente, do nosso julgador.
04:29Acho que precisa haver uma separação, e as estratégias jurídicas existem.
04:34Agora, se elas vão ser viáveis ou não, é uma outra história.
04:37Mas eu acredito que o próprio presidente, que dizem que já está doente,
04:42emagreceu muito nos últimos dias, ele deve, em algum momento,
04:46já ter tomado consciência de que vai vir uma condenação, justa ou não,
04:53o próprio Poder Judiciário está aí, para os recursos.
04:56O que me preocupa, nesse momento, não é nem o julgamento em si,
05:00se a condenação do Bolsonaro.
05:02São os reflexos que vão acontecer na própria terça-feira, dia 2.
05:06porque cada voto é uma punição para o Brasil, mas uma nova sanção.
05:11Então, eu acho que a gente precisa olhar um pouco mais os reflexos de tudo isso.
05:16Então, a possibilidade existe.
05:19Agora, se é uma boa coisa para o Brasil, eu acredito que não seja postergar esse julgamento.
05:24Luana, você acredita que o julgamento já está posto, o resultado?
05:30Olha, Bia, é difícil prever.
05:31O que eu acho é que a tentativa vai ser de postergar o máximo possível,
05:37para que toda essa narrativa que foi criada, e todo esse cenário,
05:42na semana passada a gente teve a divulgação de áudios,
05:45mostrando uma desestabilização ali do grupo mais próximo ao ex-presidente.
05:50Enfim, se politizou isso aqui, a gente nem precisa repetir para a nossa audiência aqui,
05:56mas é importante só para uma questão contextual, que se politizou demais, excessivamente.
06:02Então, tanto de um lado quanto do outro, acaba se criando uma marra nessa situação,
06:08de modo a se beneficiar politicamente.
06:10O que eu acho que aconteceu é que a previsão de Eduardo Bolsonaro,
06:15que foi ali a primeira pessoa que se manifestou,
06:18gerando essa crise comercial, política, entre o Brasil e os Estados Unidos,
06:26esperava um efeito diferente, esperava que o benefício maior,
06:30e a gente vai falar aqui de números também, de pesquisas para 2026,
06:34esperava-se que o benefício maior ficasse com o grupo mais próximo a Jair Bolsonaro
06:39e o próprio Jair Bolsonaro,
06:40com um apoio maior, tanto das lideranças do seu grupo,
06:46quanto de grupos que não estavam tão ligados,
06:48mas que perderiam muito em não estar ali próximos,
06:51e até talvez o próprio Centrão, por que não?
06:53O que aconteceu foi um efeito contrário.
06:55A gente viu aí nas pesquisas o maior benefício político para o presidente Lula
07:01e a conta e o prejuízo para todos os cidadãos brasileiros.
07:04Ou seja, ficou o pior resultado possível,
07:07pensando com a cabeça aqui daqueles que construíram essa estratégia,
07:11pensando ali no resultado eleitoral,
07:13em segurar essa questão do julgamento,
07:15segurar a prisão de Jair Bolsonaro,
07:17segurar essa movimentação política que estava sendo feita
07:21para fortalecer a direita, o grupo mais próximo a Jair Bolsonaro, em 2026.
07:27Então, assim, o tiro realmente saiu pela culatra,
07:29porque olhando os números, isso se confirma.
07:31Agora, de que forma esse grupo que está desestabilizado,
07:35foi falado em diversos momentos por pessoas próximas,
07:39até emocionalmente, e talvez por isso essas mensagens,
07:42aquelas trocas de xingamentos, enfim,
07:45de farpas entre ali o grupo Eduardo Bolsonaro,
07:49Silas Malafa, enfim,
07:51tudo isso aconteceu por uma questão de desestabilização emocional,
07:54mas qual é a estratégia agora?
07:56Ao meu ver, pensando, o histórico seria manter
07:59essa situação o máximo possível,
08:01porque o pior cenário possível seria a prisão real,
08:05além da prisão domiciliar que já foi realizada,
08:09e do outro lado virou uma queda de braço.
08:11Então, já que estão nos levando a essa exposição internacional,
08:15as sanções, vamos ver até onde vai.
08:17E quem está sendo leiloado no final do dia?
08:19Você, caro cidadão, eu, cidadã,
08:22todas as nossas colegas aqui,
08:23e a sociedade brasileira,
08:24porque a conta maior, independente do que vai acontecer
08:27no julgamento ou o que vai acontecer na eleição em 26,
08:31é para nós, é para os trabalhadores que vão perder emprego,
08:34é para as pessoas que vão perder renda,
08:36é para a nossa economia que vai patinar muito
08:38até a gente conseguir sair dessa situação,
08:40e, quiçá, como a Cíntia colocou aqui,
08:42essa questão de outras sanções,
08:44quiçá outras sanções que são mais duras ainda
08:47do que essa econômica, e acreditem,
08:48existem sanções mais duras,
08:50que eu vou até me reservar aqui
08:53a não dizer, para não dar ideias,
08:54porque a gente tem muitas questões dependentes
08:57dos Estados Unidos e de outros países, enfim,
09:01que, no caso, os Estados Unidos podem enviar
09:05ou colocar aí em prática em relação ao nosso país.
09:08Então, é difícil a gente mensurar, Bia,
09:11o que vai acontecer,
09:13mas eu acho, dentro disso tudo,
09:15que a tendência é se arrastar,
09:17a tendência é tentar levar para vistas,
09:19é tentar levar para uma extensão desse julgamento,
09:22por conta dessas forças que estão competindo
09:25entre si por esse cenário.
09:28Inclusive, o próprio Valdemar,
09:29nesse mesmo dia das estratégias,
09:31disse a seguinte frase,
09:32eu acho que o Trump não vai parar.
09:34Então, sinalizou ali essas conversas
09:37sobre esse assunto.
09:38E aí
09:42G1
09:46E aí
09:51E aí
09:52E aí
09:53E aí
09:56E aí

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