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No Direto Ao Ponto, o chef e empresário Olivier Anquier conta como iniciou a carreira na televisão e relembra sua experiência como jurado em reality shows. Ele destaca aprendizados, desafios e curiosidades da vida na TV.

Assista na íntegra: https://youtube.com/live/zXMgkGqLIlw

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Transcrição
00:00Olivier, eu quero falar um pouquinho agora sobre os programas de gastronomia.
00:03Você participou recentemente de um deles.
00:06E eu quero entender de você qual é a sua visão sobre a importância desses programas
00:10para a difusão da gastronomia e para fazer talvez com que mais pessoas
00:13se identifiquem com a cozinha como um meio profissional,
00:18mas como um meio também de resgatar os seus afetos à sua união familiar.
00:24Como é que você enxerga isso?
00:25Então, eu acho que eu fui ator importante desta realidade que você acabou de descrever.
00:31O destino me colocou neste momento, em determinado momento,
00:36e me deu a oportunidade de poder criar o primeiro programa moderno de culinária
00:47da televisão brasileira, que era o Diário do Olivier, em 1998.
00:52Antes disso, eu já tinha tido uma experiência de televisão pela primeira vez,
00:59cozinhando, quando eu estava na minha primeira padaria,
01:04atrás do cimetério, tudo de branco, vestido, dormindo no saco de farinha,
01:09e formando a minha equipe, que hoje são sempre os meninos que estão comigo há 33 anos.
01:17Ele tinha 16 anos, o Claudinei tinha 16 anos de idade, quando ele começou a trabalhar comigo.
01:24Estava com ele hoje à tarde, em um homem de 40 e poucos anos,
01:28um meu chefe de produção.
01:31Então, aquele problema de mão de obra, eu formei na mesa, junto com eles,
01:39todas as minhas equipes.
01:40Essa é a minha particularidade.
01:41Mas, enfim, voltando à sua pergunta,
01:46eu estava na padaria e me veio buscar o Geraldo Rodrigues,
01:52um diretor de programa de televisão, na época não era chefe,
01:56chamada de culinarista.
01:58Olha, o vocabulário era diferente também.
02:01E eu vi, eu estou na Record, eu tenho um programa chamado Fono Fogão e Companhia,
02:06Companhia, tem culinarista, um diferente de cada dia.
02:11Na terça-feira, a minha culinaria saiu.
02:14Eu pensei em você para pegar o lugar.
02:16Eu falei, mas eu não sou ator.
02:17Eu falei, não, você não precisa ser ator.
02:19Você mesmo, você não sabe cozinhar.
02:21Eu falei, sei.
02:22Então, eu falei, tá bom.
02:24Então, minha primeira experiência foi, no Fono Fogão e Companhia,
02:28não ganhando nenhum tostão.
02:30Só para aparecer?
02:31Não, aparecer, não é só aparecer, viver uma experiência de vida se somando a todas as outras.
02:43É assim que eu sempre encarei a vida.
02:46É me enriquecendo.
02:47Para que não ser curioso?
02:49Se tem uma ferramenta muito importante que nós temos, nós, seres humanos,
02:53é a curiosidade.
02:56nunca fechar janelas e deixar entrar o que pode te surpreender e te enriquecer.
03:04Então, vamos lá.
03:06Foi a minha primeira experiência.
03:07E como eu conheci, na época, televisão, você zapeava.
03:11Até se perdeu essa palavra, né?
03:13Faxo, se perdeu, tá?
03:14Zapear também se perdeu.
03:16Porque agora você tem que demanda.
03:18Você tinha alguns...
03:19Você não tinha canal a cabo, você não tinha nada disso.
03:21Então, você zapeava naqueles...
03:23Aquelas...
03:24Aí, tudo aí.
03:25Então, já caí de ver se for no fogo aí.
03:28Eu achava interessante, mas é...
03:30Monótono, né?
03:32Era o estúdio fechado, branco, fogão, panela, colher de pau, geradera, pinguim,
03:38tudo de branco.
03:42Música de elevador e um homem, uma mulher aí.
03:45E não contando história nenhuma.
03:50Televisão é emoção.
03:51Não é...
03:53Tem que passar emoção.
03:56Por que eles não contam história?
03:57Quando eu ouvi isso, que eles me convidaram pra ficar referendo,
04:00então eu vou fazer aquilo que eu tava...
04:01Quando eu tô te falando, onde eu faço a televisão, sou telespectador.
04:04Tá faltando isso.
04:05Me coloca na posição, o que eu faço?
04:07Aquilo que eu tava sentindo que tava faltando.
04:10Saiu contando história.
04:11Saiu contando história.
04:12Da receita, do produto, daquilo, da minha receita, tal, tal, tal.
04:15E, bom, quando eu peguei na terça-feira, o Forno Fogão e Companhia, dava traço.
04:20De entrada, a Ana Maria Braga, que tava na Record.
04:23Quando eu saí do Forno Fogão, seis meses depois, dava quatro pontos de audiência.
04:29Então, primeira experiência.
04:30Segunda experiência, Copa do Mundo de 98, né?
04:33Que eu trouxe a Copa aí embaixo do braço.
04:35Não se sabe, né?
04:35E aí que eu juntei as duas experiências que eu teve de televisão,
04:43que foi Forno Fogão e Companhia Estúdio e a Globo,
04:46me dando a oportunidade de fazer esse Globetrotters de televisão na França,
04:56apresentando ao Brasil a minha França, sem roteiro, sem nada.
05:01Assim, não é?
05:02Aí, juntei as duas experiências, criei o Diário de Olivier.
05:05Está vendo como quem o destino faz as coisas?
05:07Nunca imaginei fazer televisão na minha vida.
05:11Nunca nem mesmo sonhei.
05:13Mas, uma janela se abre, curioso, eu vou, faço com sinceridade.
05:19E aí, pum, pum, criei o Diário de Olivier.
05:22O francês, durante a Copa do Mundo, teve muito sucesso,
05:26mas eu tava na França gravando, então não vivi esse sucesso.
05:30Eu senti isso quando eu posei que eu cheguei.
05:32Então, nossa, aí eu já, nesse Arthur, já sabia que ia continuar a fazer televisão,
05:38que eu tava gostando disso.
05:40E nessa área da culinária.
05:43Aí, eu juntei essas duas experiências,
05:45estúdio fazendo a receita,
05:48criei o Diário de Olivier,
05:49cozinhando no meu sítio, no meu fogão a lenha,
05:52e Globetrotters pelo Brasil, comi o Fusca,
05:56descobrindo os ingredientes,
06:00as receitas, mas principalmente
06:02a essência do Brasil.
06:05O brasileiro de todo o Brasil
06:08que o ia chegando, comi o Fusca,
06:11que era o carro da emoção do Brasil.
06:15Todo mundo tem uma história com o Fusca.
06:18O carro do meu pai, do meu avô,
06:19aprendi a dirigir, primeira transa.
06:21Enfim, é o Fusca.
06:23É aquele carro que tem carisma, né?
06:26Visualmente, então, tudo isso saiu daqui.
06:30Eu sou padeiro,
06:31mas eu sou ser humano,
06:33eu tenho sensibilidade, eu tenho...
06:35E aí, virou o programa,
06:38o primeiro programa moderno.
06:39E, graças ao Diário de Olivier,
06:41o jeito de cozinhar que eu aprendi
06:42dentro da minha família,
06:43com meu pai, minha mãe,
06:44essa intimidade com o momento de cozinhar,
06:53eu não sou chefe de nada.
06:55Eu cozinho e conto histórias.
06:57E aí, de repente, fez com que
06:59milhões de brasileiros
07:03começaram a entender a magia
07:06que é de cozinhar.
07:09Quando a cozinha estava sempre escondida na casa,
07:13com as pessoas que trabalhavam na cozinha das casas,
07:16de repente, estar à frente do fogão
07:19e de poder proporcionar as emoções às pessoas
07:22a que a gente oferece aquilo que a gente faz,
07:26eu fui o arquiteto disso.
07:28O arquiteto, eu fui, no arquiteto,
07:30eu fui o que despertou esse interesse.
07:35Eu fiz de propósito?
07:36Não.
07:36O destino me colocou nesse papel.
07:39Teria sido outra pessoa, com certeza,
07:41se não fosse eu,
07:42mas acontece que ele desenhou,
07:43designou eu.
07:45Eu fiz de tal forma que,
07:46durante 20 anos,
07:49realmente, eu transformei,
07:52respondendo a sua pergunta,
07:54eu transformei a atitude
07:57do brasileiro homem e mulher
08:00ao ofício de cozinhar dentro de casa,
08:05despertando o interesse de ser profissional
08:08a muitos cozinheiros,
08:10mesmo se eles não querem reconhecer,
08:12chefes e padeiros.
08:16Porque o padeiro, quem era?
08:17Era um português,
08:18senhor, de cabelo branco,
08:20de origem portuguesa,
08:22mal-humorado, barigudão,
08:23com a caneta-bica aqui,
08:25e de repente,
08:27eu dei uma outra imagem,
08:30quer dizer,
08:31então, tudo isso,
08:34o Brasil me deu,
08:35eu devolvi esse legado,
08:39eu tenho muito orgulho,
08:40eu sou muito grato com isso.
08:41Mas, Olivier, mais recentemente,
08:42você participou do Bake Off Brasil,
08:44que aqui no Brasil é transmitido pelo SBT,
08:47e ali você tinha que fazer um papel de jurado,
08:50um papel bem diferente do que esse
08:51que você exerceu como cozinheiro,
08:53como chefe.
08:54O que que essa experiência te trouxe,
08:57e o que que você acha desses realities
08:59que colocam muitos desses brasileiros
09:01para competir e para cozinhar,
09:03muitas vezes,
09:04alguns alimentos bastante difíceis
09:07num tempo recorte?
09:09Então, você falou reality.
09:12Então, reality show.
09:16Televisão reality,
09:17eu comecei bem antes,
09:19com o Diário do Orivi.
09:20Claro.
09:20Porque eu não conhecia as pessoas,
09:23eu já chegava e criava,
09:24roteirizava na hora.
09:26Por isso, o sucesso do Diário do Orivi.
09:28Porque era autêntico.
09:31Então, quando eu saí do GNT,
09:34depois de 20 anos do Diário do Orivi,
09:38em 2018,
09:41um ano depois,
09:42fui convidado pelo Pelégio
09:44para ingressar para ser jurado,
09:48junto com a Beca Milano,
09:51desse programa do SBT,
09:53chamado Becov.
09:56O primeiro reality show culinário
09:59é o que fiz no GNT,
10:01que era o cozinheiro em ação.
10:02no ano seguinte,
10:04entrou o Masterchef.
10:06Exato.
10:06Então, já tinha,
10:07mas aí não era jurado.
10:10Eu era mestre de cerimônia,
10:12eu era o...
10:13O apresentador,
10:15você conduzia ali, né?
10:17Eu conduzia,
10:19durante duas temporadas,
10:20eu conduzia o cozinheiro em ação.
10:22Aí,
10:24deixando esse papel de jurado,
10:28a Rangel,
10:30a...
10:30a...
10:32a...
10:32Enfim,
10:33a...
10:34Vanzetto,
10:35a...
10:36Bom,
10:39me foge os nomes.
10:40Tudo bem, sem problema.
10:41Aí,
10:41e...
10:43Então,
10:44confortável.
10:45Não tinha que julgar ninguém,
10:46porque eu não gosto de julgar.
10:49Eu gosto de somar,
10:50eu tenho...
10:51Mas eu não gosto de julgar.
10:54Aí,
10:54então,
10:55confortável.
10:55Quando o SBT me convidou,
10:59nem confeteiro eu sou.
11:02Eu sou apreciador de bolos,
11:05mas nem com técnicas assim,
11:08porque na França,
11:09padeiro é padeiro.
11:11Confeteiro é confeteiro.
11:14São duas professoras bem distintas,
11:17até porque,
11:19para fazer pão,
11:20você precisa de fermento.
11:21e se tem algo
11:22que a confeitaria não suporta,
11:25é fermento.
11:26Porque creme,
11:27o fermento,
11:28está no ar.
11:29Pátio,
11:29quando você trabalha com fermento,
11:31ele está no ar.
11:32E,
11:33então,
11:33você faz creme,
11:34inevitavelmente,
11:36contamina.
11:37Então,
11:37realmente,
11:38são duas profissões técnicas,
11:40e o universo é diferente.
11:42Tem uma confeitaria de panificação,
11:45que são tortas,
11:46torta de frutos,
11:47mas nada de bolo,
11:48essas coisas.
11:48Enfim,
11:49falei,
11:50bom,
11:51jurado,
11:53programa,
11:54deixa eu ver primeiro o programa que jurado,
11:56já tinha o Masterchef,
11:58já,
11:58e tal,
11:59e não gostava justamente desse lado agressivo,
12:03desse lado,
12:05até ofensivo.
12:07Às vezes quase humilhante,
12:08né?
12:08Humilhante.
12:08aí,
12:10eu assisti,
12:11vi,
12:11conheci,
12:12e realmente,
12:13dentro da grade do SBT,
12:14o Becoff,
12:16era um programa bonito,
12:17elegante,
12:18com,
12:20bonito,
12:22alegre,
12:22né?
12:22Alegre,
12:23tal,
12:24com a Beca e a Nádia,
12:25a Nádia,
12:26de minha cerimônia,
12:27de apresentadora,
12:28apresentadora principal,
12:31bonito,
12:32gentis,
12:33pessoas gentis,
12:34coração bom.
12:36Falei,
12:36bom,
12:37por que não?
12:39Nunca fechar a porta,
12:41sempre ser curioso,
12:42e viver,
12:43já que está batendo na porta,
12:45por que recusar?
12:46Aí,
12:48aceitei,
12:49e foi muito interessante,
12:51foi muito interessante,
12:51porque foi,
12:52para mim,
12:52um desafio,
12:53eu adoro desafio.
12:56E aí,
12:56me vejo ali,
12:57nesse cenário,
12:59e aí,
13:00com essas pessoas,
13:01que vieram em todo o Brasil,
13:05fazendo,
13:07esse,
13:08dando,
13:09tudo que podia dar,
13:11para realmente,
13:12surpreender,
13:13e fazer coisas,
13:14maravilhosas.
13:16Só que,
13:16muito,
13:18sempre as mesmas coisas,
13:19porque a confeitaria no Brasil,
13:20é leite condensado,
13:21já mete uma boca,
13:25aqui na confeitaria brasileira.
13:26E aí,
13:27e aí,
13:27não mente,
13:28né?
13:28Não,
13:29mas é,
13:29exatamente,
13:30não,
13:31mas o brigadeiro,
13:32é cultura.
13:34Gente,
13:35aí que entra,
13:37gente,
13:37eu entendo,
13:39eu gosto,
13:40mas não pode dizer que é cultura.
13:43É um produto
13:44hiperindustrializado,
13:47que vocês consideram como cultura.
13:49Vamos buscar,
13:51vocês,
13:51estão aqui no branco,
13:52então,
13:52é meu papel,
13:53fui de acender uma outra visão,
14:00participar de um movimento,
14:03para que essas pessoas simples,
14:05de todo o Brasil,
14:06que vim ali,
14:07se expor a fazer confeitaria,
14:12colocar eles,
14:14tirar eles de uma zona de conforto,
14:17não como eu,
14:18grande,
14:18profissional,
14:19não,
14:19mas como apreciador,
14:21e como compreendedor,
14:23que o espaço é imenso,
14:26para poder se expressar.
14:28E então,
14:29é claro que eu estava aqui,
14:31no meu papel,
14:32no papel de jurado,
14:34experimentando,
14:38tal,
14:39e,
14:40dando,
14:41as minhas,
14:42dicas,
14:43minhas,
14:44minhas,
14:45minha,
14:45minha,
14:45minha,
14:46minha,
14:46minha,
14:48minha,
14:48minha posição,
14:53a respeito daquilo,
14:54que estava sendo apresentado,
14:56pedindo,
14:57para fazer mais,
14:59para sair da zona de conforto.
15:02Tum,
15:02e funcionou,
15:03e funcionou.
15:05Eu não passei,
15:07nenhuma imagem,
15:08de pessoa desagradável,
15:10mas,
15:10sido uma pessoa,
15:12consciente,
15:13respeitosa,
15:15porém,
15:16claro,
15:18direto,
15:19sem,
15:20salamalé,
15:21que é tal,
15:22isso que você fez,
15:23é ruim.
15:23mas,
15:26ali,
15:26dentro daquilo que você fez,
15:28tem muitas coisas interessantes,
15:30que você poderia ter explorado,
15:32daquele meu jeito de falar,
15:33que vocês estão percebendo já,
15:34quase uma hora e meia,
15:35né?
15:37Uma hora e meia de conversa,
15:39acho que já deu para perceber.
15:39E aí,
15:40e aí,
15:40e aí,
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