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O ex-chanceler e assessor especial da Presidência, Celso Amorim, afirmou que as "tarifas são apenas a pontinha do iceberg" na crise com os Estados Unidos. Amorim defendeu que o Brasil precisa se preparar e se defender. Reportagem: Victoria Abel.

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Transcrição
00:00Eu quero contar também que o assessor especial para assuntos internacionais do presidente Lula, o Celso Amorim,
00:04disse que as tarifas de Trump aos produtos brasileiros seriam apenas a ponta do iceberg
00:10e que eles esperam novos ataques.
00:12Vamos então com a Vitória Bel, que vai trazer esse bastidor pra gente agora.
00:15Bem-vinda, boa tarde.
00:19Oi, Evandro. Olá a todos aqueles que nos acompanham.
00:22Pois é, essa interpretação que Celso Amorim nos contou vem depois que na última sexta-feira
00:30o presidente americano Donald Trump resolveu revogar os vistos de familiares do ministro da Saúde, Alexandre Padilha,
00:38e isso causou uma reação dentro do governo Lula.
00:41E conversando com o Celso Amorim, ele acredita que justamente as tarifas impostas pelo presidente americano ao país
00:48é a ponta de um iceberg de uma série de ataques que pode, inclusive, atingir autoridades brasileiras
00:54como já vem atingindo tanto o ministro da Saúde, Alexandre Padilha,
00:58quanto o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
01:02O que ele disse é que esses ataques são resultado de um plano que Trump tem,
01:07justamente de tentar levar o Brasil e outros países da América Latina, da América do Sul,
01:13para debaixo das asas dos Estados Unidos, para uma dependência em relação à economia americana.
01:19A gente conversou com ele e ele disse o seguinte, abre aspas,
01:23talvez eles estejam vendo que isso, a imposição de tarifas, não machuca o suficiente o Brasil
01:29e estão fazendo outras coisas contra o ministro Moraes e agora contra o ministro Padilha.
01:35É muito grave e é um completo absurdo.
01:38A gente conversou com ele por telefone, por isso que a gente não tem essas imagens disponibilizadas.
01:43O que a Morim também defendeu é que a melhor forma do Brasil se defender em relação a isso
01:48é justamente buscar novos mercados, novos comércios internacionais,
01:53que é o que a gente vem contando aqui nos últimos dias no 3 em 1.
01:56Apesar do governo brasileiro estar preparando possíveis respostas de reciprocidade ao governo americano,
02:05isso está sendo analisado com muito cuidado.
02:07E o primeiro passo, a primeira resposta a ser feita é justamente buscar outros mercados,
02:13fortalecimento com a União Europeia, por exemplo, com países do Sudeste Asiático.
02:17A gente contou recentemente a ampliação, a tentativa de ampliação do comércio com o Canadá,
02:22com o Acordo de Livre Comércio.
02:24Hoje, por exemplo, o presidente do Equador, Daniel Noboa, esteve aqui em Brasília.
02:29O presidente Lula conversou com ele.
02:31Inclusive, além dessa proximidade política que ele vem buscando, ele também vem buscando uma ampliação do comércio com o Equador.
02:40Portanto, um fortalecimento do comércio na América do Sul para além dos países do Mercosul,
02:45que hoje são Argentina, Paraguai e Uruguai.
02:49O que eu também aproveito para contar para vocês aqui é uma reação do Palácio do Planalto
02:54em relação ao resultado nas eleições na Bolívia.
02:57Porque, pela primeira vez aí, durante anos, a Bolívia ficou sem um candidato de esquerda no segundo turno das eleições.
03:05Ficam, nesse segundo turno, dois candidatos de direita, o Rodrigo Paz e o Jorge Quiroga.
03:11E o que o Palácio do Planalto avalia é que isso não deve impedir o diálogo do governo Lula com a Bolívia.
03:17Eles avaliam que os dois nomes são nomes, apesar de serem de direita e de centro-direita,
03:24são nomes equilibrados, moderados, que dá para manter o diálogo mesmo diante dessa reviravolta para a esquerda na Bolívia.
03:32A gente lembra que, desde Evo Morales, a Bolívia vem aí sendo comandada pelo país Movimento ao Socialismo,
03:40que é o partido do atual presidente Luiz Arce,
03:43mas, agora, portanto, a direita que deve comandar o país a partir do ano que vem, Evandro.
03:48Muito obrigado pelas informações, Vitória. Um abraço para você.
03:51Zé Maria Trindade, eu quero muito você que acompanha toda essa parte diplomática
03:55e também o quanto essas equipes técnicas atuam para conseguir um caminho que escape,
04:02digamos, da consequência política e foque apenas naquilo que é necessário,
04:07no que é pragmático, o que é a solução comercial.
04:09O que essa fala do Celso Amorim indica?
04:14Porque você sempre costuma dizer para a gente que aquilo que parece muito sutil,
04:18para eles é uma catástrofe, na maneira como eles falam,
04:22nesse linguajar específico dos embaixadores e daqueles que mexem com questões diplomáticas.
04:28Quando Amorim vem e diz, tarifas são apenas a pontinha do iceberg,
04:33como é que a gente tem que encarar o que está lá de baixo, hein, Zé?
04:36É de se preocupar.
04:40É realmente o itamaratês, né, que é uma linguagem própria do itamaraty, tem essas nuances, né?
04:47Às vezes, para as pessoas, quando diz, olha, chamou o embaixador para dar explicações,
04:53podia parecer uma coisa comum, não, é grave, é quase uma declaração de guerra.
04:58Acima disso, só expulsar o embaixador, o que já seria rompimento de relações,
05:03quer dizer, uma situação grave.
05:05O ex-ministro Amorim, ele é muito ligado ao presidente Lula, né?
05:12Durante a campanha, ele que formulou todos os conceitos e propostas de relações internacionais,
05:19ele correu o mundo dando entrevistas, assim, em nome da esquerda,
05:23em nome do, então, candidato Lula, nem era candidato oficial.
05:28E, tradicionalmente, o responsável dessa ligação, que é o assessor especial para assuntos internacionais da presidência,
05:39ele acaba sendo muito mais importante politicamente nas decisões do que o próprio ministro de relações exteriores.
05:46Porque esse assessor internacional, e isso não é só no governo Lula, todos,
05:51ele está diretamente falando com o presidente da República,
05:55e o ministro de relações exteriores não tem essa proximidade,
05:58ele é aquele grilo falante ali, o alter ego do presidente Lula.
06:03Então, se ele analisa assim, é o que está sendo colocado na mesa do presidente Lula,
06:08ou seja, muitos problemas, e é o momento de muitas, muitas interrogações.
06:13Ninguém sabe o que vai acontecer, porque fugiu da racionalidade.
06:18Sabe aquelas premissas onde se analisa aqui, analisa ali, e aquela avaliação de riscos,
06:26como o Musa costuma repetir aqui de uma maneira muito própria, né?
06:30Fugiram.
06:31Ninguém sabe mais o que o Donald Trump quer e qual é o objetivo final dele.
06:38dá a impressão, realmente, de que é algo muito maior do que simplesmente tarifa.
06:44Ô, Alangani, como é que você avalia?
06:46Olha só, eu vou pegar um gancho no que o Zé falou, e eu concordo bastante.
06:50Qual é o objetivo de Donald Trump?
06:52A gente especula muito, ele nunca falou claramente, né?
06:55Cada hora ele vai dando declarações dúbias.
06:58Então, o que tem de predominante, Evandro?
07:01Primeiro, você tem o uso das tarifas para reduzir o déficit comercial norte-americano
07:07com o resto do mundo.
07:08Essa é uma das hipóteses.
07:10A segunda é uma reindustrialização dos Estados Unidos,
07:14principalmente por uma questão geopolítica, né?
07:17Se você tem embates militares, você precisa ter indústria.
07:21E o terceiro seria uma espécie de isolamento da China,
07:24dado que a China hoje é uma ameaça à hegemonia econômica dos Estados Unidos.
07:29E uma forma de fazer esse isolamento seria uma pressão em cima dos países
07:34que mantêm relações com a China.
07:37Então, seria pressão via tarifas ou via sanções, etc.
07:42Talvez é tudo isso ao mesmo tempo.
07:44A questão é se é certo ou errado o que o Trump está fazendo,
07:47se tem lógico ou não, ele está fazendo isso.
07:49Então, como é que a gente lida com essa realidade?
07:53O Brasil, acredito eu, deveria se reaproximar dos Estados Unidos.
07:57E quando eu digo reaproximar, não significa submissão.
08:01Eu não defendo submissão aos Estados Unidos.
08:04Eu acredito que o Brasil deve defender os interesses do brasileiro.
08:07Nem submissão à China, tampouco submissão aos Estados Unidos.
08:11Mas uma reaproximação dos Estados Unidos, dizendo,
08:13olha, somos aliados históricos, temos muito em comum,
08:17temos negócios a fazer, mas também abrir frente com outros mercados,
08:23manter as relações com a China.
08:26tirando proveito de todos os lados.
08:29Agora, não escolher um lado, nem o chinês e nem o americano.
08:34O que me faz pensar muitas vezes, Bruno Moussa,
08:36é o fato de não haver como apresentar uma estratégia
08:41para um problema que você sequer reconhece por completo,
08:44como o Gani traz.
08:45Como é que a diplomacia age, se ela não entende especificamente,
08:49ou mesmo entendendo que seria um motivo político,
08:51como é que ela vai resolver com uma questão pragmática
08:53um motivo que é político ou ideológico, na visão de muitos?
08:57Como é que você avalia esse desafio?
08:59Bom, vamos lá.
08:59Modéstia à parte, essa frase que ele falou,
09:02o Celso Amorim,
09:03tarifas são apenas pontinha do iceberg,
09:05e fico feliz porque acho que ele estava nos ouvindo aqui
09:07há duas, três semanas atrás,
09:08que foi a frase que a gente falou aqui várias vezes.
09:11Falei exatamente isso.
09:12É a ponta do iceberg.
09:13Agora, eu tenho uma certa discordância de tudo isso que está sendo falado
09:18que a maioria não sabe.
09:20Tudo bem, não sabemos exatamente,
09:22mas há sinais claros, sim, do que Trump quer.
09:25Está muito claro.
09:26Enquanto a gente continua batendo na mesma tecla,
09:30que é apenas tarifa comercial,
09:32não vai andar como não andou.
09:34Veja, por exemplo, um tema que a gente não trouxe até aqui.
09:37Essa semana, o Rafael Correia,
09:39o ex-presidente socialista do Equador,
09:41ele veio a público e falou que é assessor do Maduro
09:44para assuntos econômicos que envolvem o chamado cartel de los Soles,
09:51que eu estive na Venezuela três vezes,
09:52e lá é tido como um Maduro liderando, sim, um desses cartéis.
09:58E ao falar isso, justamente traz uma nova cena.
10:03Será que toda a droga que Trump bate claramente na China e na América Latina,
10:07que está entrando nos Estados Unidos,
10:08o fentanil, segundo números americanos,
10:11são 100 mil americanos que morrem de overdose por ano,
10:14a droga passa por países, inclusive o Brasil,
10:17sendo um porto importante para chegar aos Estados Unidos,
10:20será que não tem a ver também com o estrangulamento de cartéis
10:24que estão operando aqui?
10:25Não é coincidência que vários desses cartéis
10:28foram colocados como associações terroristas.
10:31Será que as facções criminosas no Brasil
10:33podem também vir a ser colocadas como facções criminosas
10:36porque ajudam a droga a chegar lá nos Estados Unidos?
10:39Isso também tem a ver com a China, como ele fala,
10:42do importante do fentanil,
10:44que a China tem um papel preponderante.
10:45Então, eu acho que vai realmente muito mais a fundo
10:48e a gente tem que tentar enxergar a floresta e não só a árvore.
10:51Agora, às 5h24, quem nos acompanha pela rádio,
10:53aquele rápido intervalo, já já vocês estão de volta.
10:56Nas outras plataformas, seguimos.
10:57Arremate, Piper.
10:58Olha, a gente vive claramente um novo ambiente de guerra fria,
11:03de briga por ampliação de esferas de influência
11:07e, obviamente, o atual governo americano,
11:10ele não está contente com, digamos, a rebeldia brasileira
11:14que não vai se submeter a isso.
11:17O Brasil é um país altivo.
11:19O Brasil faz negócios e se relaciona com o mundo todo.
11:24O Brasil participa de vários blocos.
11:26Da mesma forma que o Brasil tem relacionamento com os BRICS,
11:30o Brasil faz parte de organizações e blocos
11:34aqui no continente americano.
11:37Ele procura um novo acordo com a União Europeia.
11:41O Brasil tem relações próximas com países da África.
11:45E vejam só, de fato, o Celso Amorim acerta numa coisa.
11:49As tarifas, por mais que doam a alguns setores da economia,
11:57as tarifas vão produzir um efeito que vai se dissipar com o tempo.
12:01Por quê?
12:01Porque a maior parte desses setores vão procurar novos parceiros,
12:06vão reorganizar seus sistemas de produção.
12:09Ou seja, eles vão acabar, de alguma forma,
12:12dentro de mais ou de menos tempo,
12:15eles vão acabar se encaixando.
12:18Ninguém vai, por exemplo, jogar café no mar.
12:20Ninguém vai, por exemplo, queimar cafezal
12:22ou deixar a carne apodrecer.
12:24Isso vai ser vendido para algum lugar.
12:26Isso vai ser escoado para algum lugar.
12:28Seja para o mercado interno, seja para outros credores.
12:31Há setores, por exemplo, como o moveleiro,
12:33que dependem muito, sim, dos Estados Unidos,
12:36que provavelmente esses empresários vão procurar outras negociações,
12:42quem sabe cortando o preço.
12:43Enfim, aí vai para o ambiente negocial.
12:46Agora, veja, então, a questão econômica é um pedaço.
12:50O que é muito perigoso é o fato de que
12:56o atual governo americano, diferente de todos os outros,
13:00ele tem ambições hegemônicas,
13:04inclusive passando por, eu não diria conquistas,
13:09mas até mesmo domínio territorial.
13:12Então, quando ele fala, quando ele aprova uma lei
13:14para enquadrar organizações criminosas como terroristas,
13:18dando aos Estados Unidos até o direito
13:20de entrar em outros territórios
13:23para tomar as providências que acham devidas,
13:26esse é, sim, um problema que passa pela questão territorial.
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