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O STF encerra nesta quarta-feira, 13 de agosto, o prazo para as alegações finais no processo que investiga a tentativa de golpe de 2022, envolvendo Jair Bolsonaro e outros réus.

A decisão final sobre o julgamento dependerá do ministro Alexandre de Moraes, que conduz a relatoria do caso.

Assista:

Meio Dia em Brasília traz as principais notícias e análises da política nacional direto de Brasília.

Com apresentação de José Inácio Pilar e Wilson Lima, o programa aborda os temas mais quentes
do cenário político e econômico do Brasil.

Com um olhar atento sobre política, notícias e economia, mantém o público bem informado.

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Transcrição
00:00O processo do STF sobre a trama golpista dá, nesta quarta-feira, o seu último passo
00:05antes do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus acusados
00:11de liderar a tentativa de golpe de Estado em 2022.
00:16As defesas têm até o fim do dia para entregar as alegações finais dos réus,
00:21um procedimento no qual os denunciados reúnem todas as informações que foram levadas ao processo
00:27para defender as suas inocências.
00:30O avanço da ação penal contra Bolsonaro ocorre em um momento de pressão contra o Supremo.
00:36O governo dos Estados Unidos, comandado por Donald Trump, aplicou sanções contra ministros do tribunal
00:42e determinou uma sobretaxa para produtos brasileiros te dispondo a reverter a crise
00:49somente com o arquivamento do processo contra Bolsonaro, o seu aliado político.
00:54E para entender essa nova etapa, estamos com Gustavo Justino, consultor em Direito Público.
01:01Boa tarde, doutor Gustavo.
01:05A pergunta básica é o que acontece daqui para frente?
01:11Boa tarde, boa tarde a todos.
01:13Bom, muito bem.
01:14Nós estamos tratando, então, do processo criminal que envolve todos os acusados do chamado Grupo 1 da trama golpista,
01:22que seria aquele núcleo central, um núcleo da inteligência, um núcleo estratégico dessa trama golpista,
01:28como a PGR entendeu ser e a configuração.
01:32E também o Supremo Tribunal Federal organizou os processos dessa maneira para fins de julgamento.
01:39Como vocês mencionaram, as alegações finais em termos de processo criminal
01:44constituem aquele último momento,
01:47aquele último momento para que os advogados e os próprios acusados possam expressar os seus entendimentos,
01:56pedir a absolvição, as razões de absolvição e assim por diante.
02:02Tem a ver com uma análise e uma argumentação em torno da prova,
02:11ou das provas que foram produzidas no processo criminal.
02:14Então, sem dúvida, é a curva para o final, vamos dizer assim.
02:20As alegações finais são aquela última oportunidade
02:24para que os acusados possam manifestarem as suas posições.
02:32E os advogados também, as suas teses de defesa voltadas, sobretudo, à absolvição total ou parcial.
02:39Lembrando que aqui nós temos na trama golpista, nesse núcleo 1,
02:46nós temos um concurso de crimes.
02:48Esse concurso de crimes tem os crimes principais, vamos chamar assim,
02:52que são os crimes, dois crimes previstos na lei 14.197,
02:59que é a lei que trata dos crimes contra o Estado Democrático de Direito.
03:04Então, todos os acusados estão respondendo por esses crimes,
03:09que é o crime de abolição violenta do Estado Democrático de Direito,
03:14que é a do 359, aqui, dessa lei, 359 do Código Penal.
03:20Essa lei foi integrada no Código Penal.
03:22E também a gente tem o crime de golpe de Estado, que é o 359M também.
03:28Então, junto com esses crimes, existe o concurso com outros crimes,
03:31que são os crimes comuns, vamos dizer assim,
03:33aqueles mais voltados à organização criminosa e também outros.
03:39Então, o que vai acontecer agora, vai ser feita a entrega dessas alegações finais.
03:49Obviamente, essas alegações terão que ser analisadas pelo ministro relator,
03:53então a gente vai ter um interregno, um espaço de tempo para isso,
03:57porém, e já houve a expressão por parte do ministro relator,
04:01o próprio Supremo também, de que há uma intenção da turma,
04:05do Supremo Tribunal Federal, em iniciar o julgamento em setembro.
04:09É pouquíssimo tempo para análise dessas alegações finais.
04:14E aí, caberá, claro, ao ministro relator preparar um relatório.
04:20Esse relatório tem uma parte de uma síntese dos fatos,
04:25uma síntese de tudo o que aconteceu no processo,
04:27e junto com esse relatório, um voto,
04:30que vai pela absolução ou pela condenação.
04:34Basicamente, é o que nós vamos perceber.
04:37Então, o ministro relator, o ministro Alexandre de Moraes,
04:40ele vai pedir para que esse processo, então, seja julgado,
04:47especificamente pela primeira turma, ele libera para julgamento,
04:50mas cabe ao presidente da turma, da primeira turma,
04:54o ministro Zanin, pautar.
04:57Pautar este processo para fins de julgamento.
04:59É um processo muito complexo,
05:02sobretudo essa parte final,
05:05se fosse só considerar o processo em si,
05:07já tem a sua complexidade,
05:08mas tem um cenário todo que se alterou muito
05:12do início do processo criminal,
05:15do inquérito, do processo para agora,
05:17que é essa pressão internacional,
05:19inclusive que o próprio Supremo vem sofrendo.
05:22O que nós ficamos pensando aqui
05:24é como a reação do Supremo Tribunal,
05:29como ela vai ser pautada,
05:33como ela vai impactar esse julgamento.
05:35Eu acho que isso me parece que talvez alguns ministros,
05:39mas sobretudo o ministro relator,
05:41que já vem fazendo isso,
05:42vai se utilizar dessa pressão também
05:44para fins de talvez ter um posicionamento
05:51não somente mais crítico
05:52em relação às práticas criminosas
05:55que estão sendo imputadas aos acusados,
05:59mas ao resultado
06:00desse processo criminal
06:03no sentido de uma condenação, digamos,
06:05mais severa,
06:06que já vem sendo a linha
06:08nos crimes contra o Estado Democrático de Direito
06:11quando a gente pensa nas condenações do 8 de janeiro.
06:15Elas são tidas como muito severas
06:18e talvez isso escale agora,
06:20tendo em vista todo o processo
06:23que acabou sendo radicalizado,
06:25não só no Brasil internamente,
06:28mas também com o apoio dos Estados Unidos.
06:30A gente teve essa semana,
06:31acho que foi ontem,
06:32um tradicional relatório de democracia
06:37do governo norte-americano,
06:39são muitos anos já desse relatório,
06:41e eu acessei e...
06:44É realmente assim,
06:46não só em relação ao Brasil,
06:49sem dúvida é muito contundente
06:50a análise em relação ao Brasil,
06:52mas há outros países
06:53tidos como países democráticos,
06:55Alemanha, por exemplo,
06:56e outros países.
06:57Sim, foi bem abrangente esse relatório.
07:00É, e a gente percebe,
07:02só para encerrar,
07:03eu acho que isso vai ter um impacto
07:05nesse processo,
07:06no julgamento desse processo criminal também,
07:08que o governo Trump,
07:10em pouquíssimo tempo,
07:12a gente está falando de um pouco mais de seis meses,
07:14talvez,
07:15e esse relatório,
07:16eu acho que ele expressa muito isso,
07:18tem um foco no apagamento da democracia,
07:21aquilo que a gente entendia como democracia.
07:24Então, talvez,
07:27dentro desse olhar todo da ultrapolítica,
07:31que a gente está,
07:32da hiperpolítica,
07:33que é o momento que a gente está vivenciando,
07:35de personalidades quase que televisivas,
07:38de espetáculo,
07:39que hoje estão à frente dos poderes,
07:41não só no executivo,
07:42mas no judiciário,
07:43acho que a gente vê um pouco isso também,
07:45no judiciário brasileiro,
07:47no legislativo também,
07:49algumas tendências,
07:51de alguns políticos,
07:52de alguns representantes,
07:54chamarem atenção somente para si.
07:56Então, é como que,
07:56se não importa mais o jogo coletivo,
07:58o processo coletivo,
08:00o que importa é a atuação individual.
08:02Isso é a hiperpolítica,
08:04isso é a ultrapolítica.
08:06Então, esse processo criminal também
08:08está inserido em um contexto político
08:10que é novo,
08:12que é um contexto da ultrapolítica,
08:13da hiperpolítica,
08:14talvez por isso todo esse processo
08:16de radicalização,
08:18a escalada, vamos dizer assim,
08:20até da violência política
08:21e assim por diante.
08:23Wilson Lima.
08:26Doutor, não repara que a ventaninha aqui
08:27está um pouco maior do que o normal,
08:31mas, enfim,
08:33está inclusive chegando aqui uma chuva,
08:35só para a gente ter uma ideia.
08:37Seguinte, doutor,
08:37a questão que eu queria voltar dos passos
08:40para falar especificamente sobre a ação penal.
08:42Teve um detalhe que o senhor falou
08:45na sua primeira intervenção,
08:48é sobre a pressa do ministro Alexandre de Moraes
08:51de pautar esse caso para setembro.
08:54Esse processo tem sido acelerado
08:57desde a fase da apresentação das denúncias,
09:01denúncias,
09:03a fase de depoimentos,
09:05levantamento de provas,
09:06enfim,
09:06então é um processo que ele tramitou
09:07em um período,
09:08em um tempo recorde.
09:09O senhor acredita que
09:12vai ser possível
09:14fazer uma análise de fato
09:16contundente,
09:18densa,
09:19de todas as alegações finais,
09:21de todo o conjunto probatório
09:22em um prazo tão exíguo,
09:25porque a gente está falando aí
09:26de praticamente três semanas.
09:28Não é muito pouco tempo
09:29para se analisar um processo
09:30de tamanha complexidade?
09:32É, exatamente isso que eu mencionei,
09:35não é?
09:36Quer dizer,
09:37com o que a gente está acompanhando
09:38na opinião pública,
09:40há uma intenção efetivamente do ministro,
09:43e eu acredito,
09:44de parte dos ministros também,
09:46havia uma intenção antes,
09:47né,
09:48dessa onda toda,
09:49agora capitaneada até internacionalmente
09:52pelos Estados Unidos,
09:53de pressão contra o Estado brasileiro,
09:56em relação, sobretudo,
09:59a esse processo criminal,
10:01a essa ação penal.
10:01Então,
10:02acho que a intenção original era,
10:05eu não diria apressar,
10:07mas era dar um tom,
10:09digamos assim,
10:10de mais celeridade
10:11a esse processo,
10:13e por quê?
10:13Talvez a gente tenha que perguntar por quê.
10:15O ano que vem é o ano de eleições,
10:182026, né?
10:19Então,
10:20esse tensionamento que está acontecendo,
10:22quer dizer,
10:23político,
10:23sobretudo dos grupos dominantes,
10:25talvez um deles não tão dominante mais,
10:28mas, enfim,
10:28um grupo que faz muito barulho,
10:29é crucial que essa escalada,
10:36essa tensão seja levada para 2026
10:39na visão dos grupos políticos.
10:40políticos, né?
10:41Agora,
10:42quando a gente pensa em como o Brasil hoje está sendo governado,
10:46a gente teve muitas,
10:48até há pouco tempo,
10:49talvez até o impeachment,
10:51talvez um pouco mais da presidente Dilma,
10:53a gente tinha um presidencialismo de coalizão,
10:55era uma unanimidade,
10:56a gente pensa,
10:57bom,
10:57então,
10:57qual é a forma,
10:58né,
10:58de como a dinâmica do governo,
11:01um presidencialismo de coalizão,
11:02executivo e legislativo.
11:04Hoje,
11:05nós temos,
11:06na verdade,
11:06uma política,
11:07a relação entre executivo e legislativo,
11:10no meu ponto de vista,
11:11é uma relação que tem a ver justamente com trocas e emendas parlamentares.
11:17E aí
11:21que tem a ver justamente com trocas e legislativo.
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