- há 5 meses
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DiversãoTranscrição
00:00Mário Jorge, Mário Jorge, não tô gostando nada dessa história de regressão, hein?
00:16Isso não vai dar em coisa boa, eu tô sentindo.
00:19Celinha, eu já tô tomado, Celinha.
00:22Eu já tô ficando tomado só com o clima.
00:25E além do mais, eu ouvi dizer que essa história de regressão é muito bom pra gente entender os problemas.
00:30Ou arrumar outros, né, Mário Jorge?
00:32Eu tô muito animada.
00:34Ai, não vejo a hora de saber quem eu fui na outra encarnação.
00:37Ah, eu acho que eu já fui um imperador, sabe?
00:40Por isso que eu acho que eu encarnei dentista.
00:42Porque eu sempre gostei e senti o peso de uma coroa.
00:46Alô aí, alô aí, testando.
00:49Olá, amigos, obrigada pela presença maciça de vocês.
00:55Mas, devido a mudanças eletromagnéticas do astral...
01:02Dona Álvaro, Dona Álvaro, o que são mudanças eletromagnéticas?
01:06São mudanças que mudam eletromagneticamente as coisas.
01:11Ah, só não respondeu a pergunta.
01:15A senhora fugiu da pergunta, não especificou.
01:17Bozena, senta aqui no colchonete ao meu lado.
01:20Nem nessa, nem em outra vida, Dona Deise.
01:22Dona Álvaro, olha, tá muito calor, cara.
01:25Posso ficar mais à vontade?
01:27Despida não pode.
01:28Ai, que saco.
01:29Dona Álvaro, se é pra começar, vamos começar de uma vez, que ainda hoje eu tenho terapia?
01:33Mas começar o quê?
01:34Eu acordei com a minha mãe me puxando da cama e me trazendo pra cá.
01:37Vamos começar o quê?
01:38Afinal de contas...
01:39A regressão, Tatalo.
01:42Nós todos agora podemos voltar ao passado, descobrirmos a origem de sermos tão...
01:48safrários, tão desleais, tão mesquinhos, provocadores, tão... gordos.
01:58Garota mal, cara.
02:00Álvaro, mais tarde nós vamos ter uma conversa séria.
02:05Conversa séria pra mim, Ladir?
02:07É só na horizontal.
02:12Concentração, concentração.
02:19Vamos receber Percival, o paranormal, mestre da regressão em vidas passadas.
02:33Valeu a boca!
02:34Silêncio!
02:35Silêncio!
02:36Já para o seu lugar, minha senhora.
02:37Vamos lá.
02:37É ir olhando a droga da pirâmide, sem mais, mais, mais.
02:42E se fixando nela, hein?
02:44Vamos lá, pessoal.
02:45É um, é dois, é três e foi.
02:56Cala a boca!
02:58Não, não, não, não, não, não, não.
03:00Isso.
03:01estamos começando a se sentir otários, isso, a bodarem, estão bodando, cada vez mais
03:12bodados, pode é para, agora vocês vão começar a se sentir enjoados, caindo no espaço,
03:22indo para trás.
03:31Galera, este vinho está vinagrado, mas eu vou tomar assim mesmo, emagrece, escrava bozena
03:47que não chega, esta bozena está me saindo melhor do que encomenda, esta negra agora
03:53sai sem pedir autorização, sem nada, eu não me espantaria nada dela estar no largo do
03:59espaço imperial de Lero Lero com o Debré, Debré é tão simpático, eu me ofereci para
04:04posar para ele, mas ele recusou, mas por que mamãe, porque ele não pinta nus, quer dizer
04:11então que não rolou com Debré, é ruim, não rolou o quadro porque ele não pinta nus,
04:18mas eu descobri uma coisa, veja só, o Debré não pinta nus, mas gosta de pintar nu, e como
04:25eu também adoro ficar nua, a coisa pegou fogo, rolamos em cima das tintas, foi uma
04:30loucura, há três dias eu estou tentando tirar uma mancha de tinta e ela não sai.
04:35Mancha de tinta onde mamãe?
04:40Prefiro não comentar, escrava bozena deve estar tentando entrar na rua do ouvidor, vai acabar
04:49na fogueira, já foi presa duas vezes tentando entrar, mas será que ela não sabe que a rua
04:54do ouvidor é proibida para escravos?
04:57Mas é claro que a bozena sabe, é por isso que ela quer entrar, mas como então as coisas
05:02aqui estão correndo soltas, a negra sai assim sem autorização?
05:07Bozena foi comprar galinhas, tive vontade de fazer uma galinhada, vai ver que foi porque
05:13hoje de manhã dei de cara com a vizinha Rita aí na frente ciscando.
05:19Esta galinha ordinária vem ciscar no meu portão eu sei pra quê.
05:24ordinária, vagabunda, ela vem ciscar aqui pra tentar escutar alguma coisa, pra tentar
05:33me roubar alguma venda, como fez anteriormente com a venda do cacho farru.
05:37Não se deve mandar uma galinha comprar as irmãs, elas fogem juntas.
05:43Hoje, tive uma visão, eu vi um aparelho chamado bicicleta, vai ter duas rodas, um guidom e
05:54vai ter quadro, rodas de borracha.
05:56Bicicleta, um guidom, esse menino está piorando a cada dia que passa, Marujorge, ai meu deus,
06:06vão me proibir de comungar, Marujorge, janela, janela, veja se não tem ninguém da inquisição
06:12escutando.
06:13Tem alguém da inquisição aí nos matos?
06:16Olha, se tiver, o Adonis está a brincar, viu, não é nada sério.
06:22Adonis, meu filho, olha, você tem que parar com essas visões, você já está um rapazinho.
06:27Filho, o futuro não existe, quem vê o futuro é contra Portugal.
06:33E além do mais, tu, com esta cara de carneiro, tu vais acabar assado.
06:38Estamos em 1800, um século novo, moderno, a inquisição perdeu o seu poder.
06:44Você que pensa, meu filho, ontem queimaram a inventora da feijoada.
06:48É verdade, foi condenada porque criou a feijoada para destruir com os portugueses.
06:55Eles fartavam, se comiam à vontade, depois as cólicas eram horrorosas, tinham um piriri violento.
07:01Teve exceção para vê-la queimando, de duas às quatro, de quatro às seis e de seis às oito.
07:06E de oito às dez não houve?
07:08Não teve, ela queimou muito mais rápido do que estava programado, tiveram que devolver as entradas.
07:13Mas estou muito preocupado e muito magoado com Dom João VI.
07:17O que foi?
07:18O que foi é que ouvi dizer que ele vai dar um grande baile e não nos convidou para o baile.
07:24O baile da quinta.
07:26Quinta-feira?
07:27Não, da Boa Vista, Celina.
07:30Não nos mandou convite também, Mário Jorge?
07:33Quem somos nós?
07:35Moramos por acaso num grande solar na rua São Clemente?
07:37Não.
07:38Somos ingleses?
07:39Não.
07:40Somos franceses?
07:41Muito menos.
07:42Meros brasileiros.
07:44Coisa triste, né?
07:45Ser brasileiro no império.
07:46Isso não se faz.
07:48Pois então eu não vendi três chácaras em Irajá para Dom Pedro.
07:52Seu problema, Mário Jorge, foi ter permitido que a vizinha Rita vendesse na frente o casfarru para a família Sá.
07:58O casfarru vai se chamar um dia praça 15.
08:02Ai, Jesus.
08:03Não vai!
08:04Não vai!
08:06Pare com isso, meu filho.
08:07Eu vou ser obrigada a te internar.
08:09Micro-ondas.
08:11Televisão.
08:12Ui.
08:12Fisqueiro?
08:15Liquidificador.
08:17Centrífico.
08:18A janela.
08:18Panela de pressão.
08:20A janela.
08:21Geladeira.
08:23Ai, a janela.
08:24E-mail.
08:26E-mail.
08:28E-mail.
08:29E-mail.
08:30E-mail.
08:31E-mail.
08:32E-mail.
08:33Marjosa, a janela.
08:34E-mail.
08:35Deve ser demônios.
08:37Demônios.
08:37E vou lhe dizer mais.
08:39São demônios do Oriente Antigo.
08:40E-mail.
08:41E-mail.
08:42Não invoca de...
08:43Eles estão invocando demônios.
08:44Não invoca...
08:45Agora aí, chegaram, chegaram.
08:46Chamou, vieram.
08:50Ô, Rita.
08:52Por acaso, você não tem vergonha, não, Rita?
08:54É, é uma coisa impressionante.
08:55O que pensa?
08:56Está tirando o pão da boca dos próprios filhos?
08:59E entram pela nossa casa dentro como Napoleão entrou em Portugal sem ser convidado.
09:04O quê?
09:04Eu não roubei a venda do Cais Farrou.
09:08Não fiz isso.
09:09A família Sá é que não suporta Mário Jorge.
09:13Eles acham que os da Suan são os inimigos franceses.
09:16E não esquecem a morte de seu antepassado, Estácio de Sá.
09:20Culpam a França, os tamanhos e Mário Jorge.
09:23Não necessariamente nessa mesma ordem.
09:26Vocês receberam um convite para os bales da Quinta?
09:31Oi, não é que recebemos.
09:32Só que eu não estava interessado.
09:35Então rasguei, piquei e deitei fora.
09:38Podiam ter dado para nós.
09:39Nós teríamos pago por eles.
09:41Pago?
09:42Com que dinheiro?
09:44Com o dinheiro que esse teu marido ganha fazendo uns sangramentos vagabundos e umas
09:49cirurgias suspeitas.
09:51Ora, pelo amor de Deus, como dentista, tu és um desastre, homem.
09:55Pois então, toda cor que comenta que Arnaldo arrancou fora o beiço inferior da Marquesa
10:00de Cascais.
10:02Mas o superior ficou.
10:06Para que lado inferior?
10:07É verdade.
10:08Ficava pendurada, parecia uma boba.
10:10Ai.
10:11Ai, meu Deus.
10:13Eu gostaria muitíssimo, muitíssimo de ir a este baile, sabe?
10:18Eu gostaria tanto de conviver novamente com a nobreza.
10:22A nobreza não nos quer, Arnaldo.
10:25Vamos nos divertir com o povo, que são nossos semelhantes.
10:29A nobreza se afastou muito, sabe?
10:32Da minha...
10:34Lá da minha boutique de barbeiro cirurgião, sabe?
10:37Só tenho arrancado dentes e só tenho, assim, raspado a cabeça, não é?
10:42De pés rapados.
10:44Eu só recebo em leitões e farinha.
10:48Minha casa parece um chicairo.
10:50Coitadinha.
10:50Para a base de quanto você está cobrando num dente, Arnaldo?
10:55Dentes artificiais de marfim, estou cobrando 4 mil réis.
10:59Ah, é justo.
11:00É, dentes naturais que são recebidos, assim, de parentes que já morreram, não é?
11:041.200 réis.
11:05E os incorruptíveis de porcelana vai a 2.400 réis.
11:09Mas, senhor protético, sempre que o senhor arranca um dente, o senhor arranca também os dois do lado.
11:16Tem gente que gosta de ter dente, cara.
11:18Mas eu cobro um só.
11:22São três e um.
11:24É promoção.
11:26Olha, eu não quero falar, porque eu não gosto disso e me disse.
11:29Mas me disseram que como barbeiro, tu és uma desgraça.
11:33Ah, é?
11:33E tu abriste um caminho de rato na cabeça de Dom Pedro.
11:37Hum, a culpa é de Dom Pedro.
11:39A culpa é dele, que ficava lá na boutique a olhar as raparigas que passavam.
11:43Olhava pra baixo, pra cima, pro lado, pra cima, pro lado.
11:46Acabei passando, raspando a cabeça dele.
11:48Deixei uma avenida no coro, cabe no uso dele.
11:50Um dia, vai ter uma avenida chamada Rio Brown.
11:54Jesus Maria José.
11:56Desde cedo que ele tá assim, acordou e deu pra prever o futuro.
12:00Oh, Adonis, onde está tua medicação, Adonis?
12:03Acabou.
12:04Voltei a prever o futuro tudo de novo.
12:06Não, isto não tem nada a ver com a medicação, acredita.
12:09Isto são as más companhias.
12:11O quê?
12:11Sim, porque ouvi dizer que Adonis está andando pra lá e pra cá com aquela vagabunda de Araxá.
12:18A tal de Dona Beja.
12:21Eu já lhe proibi de andar com Dona Beja.
12:24Ora aí, falei de uma vagabunda e chega outra.
12:28Ordinária.
12:29E alvoroçada, chegou alvoroçada.
12:31Sim, o barão de Barbacaju está chegando aí.
12:34Misericórdia.
12:35Uma escrava que não está para servir um copo d'água.
12:38Silêncio.
12:39Entra o barão.
12:41Bozena, Bozena.
12:46A escrava Bozena estava convencendo Debré de pintá-la.
12:50Estava sem camisa e mostrando os seus.
12:54Bozena não estava posando.
12:56Estava pedindo pra Debré que me colocasse pra dentro da rua do ouvidor daí.
13:00Ó Bozena, ó Bozena.
13:03Para com essa história de ficar insistindo pra Debré.
13:06Me pinta, me pinta, me pinta.
13:08O que é isto?
13:09Ele pinta quem ele quiser, ó aí.
13:12Meu Deus.
13:13Ele já pintou todas as negras desse Rio de Janeiro.
13:16Menos eu daí.
13:17Por quê?
13:18Só porque não sou carioca?
13:20Só porque sou de um quilombo no Paraná?
13:23Só porque?
13:24Só porque sou uma preta de pato preto?
13:26Nunca foi pintada por Debré.
13:30Bozena, trouxe as galinhas.
13:32Pelo visto só trouxe uma, ela própria.
13:36Tá vendo, Bozena?
13:38Ô Bozena, tá ficando falada, hein?
13:41O barão não tem nenhum estado pra desbravar.
13:43Vai desbravar.
13:45Vai se embranhar numa entrada, numa bandeira.
13:48E me esquece daí.
13:52Quem é o proprietário dessa escrava, dessa negra?
13:55Eu.
13:55Eu, eu.
13:56É, quer dizer, somos nós dois.
13:58Nós dividimos ela, vai pra lá um dia e vem pra cá o outro.
14:02Eu tenho uma oferta.
14:03Tô interessado nessa escrava e pago à vista.
14:06Ó, ó.
14:07É difícil, é difícil, como quê?
14:11Tu entra cá já e sai cá que casamento hoje é isso aí.
14:19Toma lá da cá e no rola rola, em bolo que há aí, aqui.
14:27Entre Copacabana e o sonho de Bocaroí.
14:32Vivendo e dançando, dois pra lá e dois pra cá.
14:41Porta a porta o amor fala entre si.
14:45Falsa, calma e aí o temporal.
14:48Um relevo baixo, retrato escolar.
14:51Do amor no país do carnaval.
14:56Tu entra cá já e sai cá que casamento hoje é isso aí.
15:02Toma lá da cá e no rola rola, em bolo que há aí.
15:07Minha mãe me mandou pra cá.
15:09Tem medo que as minhas previsões acabem nos mandando pra forca.
15:14Preciso descansar.
15:16Ah, não é possível.
15:18Ô, Rita, tu ainda não sangraste esse leitão?
15:21Ô, Rita.
15:21Mas se eu tivesse uma faca, se eu conseguisse encontrar a faca, eu teria feito isso.
15:26Hoje de manhã fui até bater na porta da vizinha pra pedir uma faca emprestada.
15:29Ela me bateu com a janela na cara, aquela vaca desgraçada.
15:33Minha Rita, meu Arnaldo, eu imploro.
15:36Por favor, não me vendam pro barão de barba a caju.
15:39Mas por quê?
15:40Ele vai pagar a vista.
15:42Mas eu tenho uma coisa.
15:44Eu tenho uma coisa que vocês querem muito.
15:46O que é, Bozena?
15:47Um convite pro baile na quinta.
15:50Pediu o debrele?
15:51Me dá as convites aqui.
15:52Me dá as convites aqui.
15:54E o que é que tu fizeste pra convencer o barão de dar as convites, ô negra?
15:58Prefiro não comentar daí.
16:01Passa pra cá, me dá as convites aqui.
16:06Isadora, acabamos de ser convidados para o baile na quinta.
16:11Qual o problema?
16:13Eu tenho convites sobrando para o baile.
16:15Vós-me ser, vai ao baile na quinta, na quinta?
16:18A negra está com os soluços.
16:20Não tô, não.
16:21Só tô feliz porque Isadora vai ao baile na quinta.
16:23Na quinta.
16:24Bebe água do cabeça pra baixo, migra.
16:28E acaso não sabem bater umas palminhas e fazer anunciar?
16:32Como vão, saibam que nós, Isadora, está sendo convidada para o baile na quinta.
16:36Na quinta, bem.
16:38Se continuar assim engraçadinha, vais para o tronco.
16:41Ainda bem.
16:42No tronco consigo descansar, bem.
16:44Mas a troco de que te convidaram, hein?
16:46Garota do Olho Junto.
16:49Eu vou dizer porquê.
16:51Sabes porquê, Rita?
16:53Porquê?
16:53Porque esta menina se mete numa carruagem e vai com a turminha do filho do conde de velhotes
16:58fazer sabe-lá Deus o quê na longínqua praia de Copacabana.
17:02Isto não vale um prato de conde.
17:05Mas o problema foi o ferro.
17:07Me lembro como se fosse hoje do dia do teu nascimento.
17:10Estava na panterinidade com minha tia Eda e escutei o médico gritar.
17:15A menina entalou.
17:17Não desce.
17:19Tragam os ferros.
17:20Apertaram demais os borsets.
17:22O crânio estreitou.
17:24Um olho juntou-se com o outro.
17:25O cérebro desapareceu.
17:28Que convite é este?
17:29Só posso dizer que são convites feitos por imperadores.
17:34Mas é o convite antigo do casamento de Napoleão com Josefina?
17:38Foi o que eu disse.
17:39Convite de imperadores.
17:40Sim, mas não são os nossos, não é, Isadora?
17:42Esta garota mau caráter falsificou o convite.
17:45Eu não acredito.
17:46Olha aqui, onde estava Napoleão, ela riscou o leão e botou João.
17:51Ficou o imperador Napo João VI, convida.
17:55E no lugar de Josefina, ela tirou o Zé Fina e botou Joaquina.
18:00Ficou Joaquina.
18:02Parece que é a imperatriz do Zil na hora de escrever a voz.
18:08Ai, que foi, ai, que foi.
18:09Joaquina.
18:11Isadora, estou muito preocupada com a senhorita.
18:13Com quem tens andado?
18:15Por acaso, ex-amiga da tal Domitila.
18:18Não quero saber de você andando com aquela Domitila.
18:21Tarde demais, mamãe.
18:23Eu e Titila somos unha e cara.
18:26Domitila vai virar Marquesa de Santos.
18:29Vai ser o amor de Dom Pedro.
18:30Inclusive, vai ter vários filhos com imperatriz.
18:32Eu tenho vontade de sumir quando vejo meu filho tendo esses ataques.
18:36Me sinto um fracasso como mãe.
18:38A baronesa Álvaro mesmo...
18:40Não, não, não, não.
18:41Não, não, não, não, não.
18:42Pai, misericórdia.
18:44Tarde demais.
18:47Boa noite, amigos.
18:49Tenho sofrido horrores.
18:52Mais um vestido de ladir foi atirado à fogueta.
18:56Oh, meu Deus do céu.
18:58A Inquisição condenou a coleção inteira de ladir.
19:03Fui presa.
19:04Que ironia.
19:05Eu, uma baronesa, dona dessas casas maravilhosas de vocês,
19:11presa como mazinha qualquer.
19:13Querem me exilar do Brasil.
19:17Querem me mandar para um convento.
19:20Aliás, eu gosto, porque eu adoro saia.
19:23O bom padre é aquele que roda saia.
19:26Oh, ladir criou saias rodadas para os uniformes da guarda real.
19:32Para que pudesse andar e rodar com mais facilidade.
19:38É, mas quem roda é o peru e somos nós, não é, seu ladir?
19:42Porque a guarda real mata.
19:44Mas é que eu deixei as coxas de fora.
19:49Coxas de fora é mara.
19:52Ah, é por essas e outras que ele não costura mais para a Carlota Joaquina.
19:58A estilista real agora é uma tal de Madame Clemenceau.
20:01Precisamos ir a esse baile, precisamos.
20:05Ladir precisa ter uma conversinha particular com a rainha.
20:09Precisa contar a ela que boa bisca essa tal de Madame Clemenceau é.
20:15Baronesa, tenho dois convites.
20:18Foi o que me sobrou, porque eu vendi tudo.
20:21Celinha mesmo quis comprar alguns e não tinha mais para vender.
20:24Mal caráter.
20:25Mas esses convites são uma falsificação grosseira.
20:32Eu adoro falsificações grosseiras.
20:36Eu gosto de tudo falsificado.
20:40Daí ter casado com o seu ladir.
20:42É verdade.
20:42Eu sou melhor do que o original.
20:45Lá em Pato Preto tinha um plantador de café
20:48que gostava muito de bater nas escravos.
20:51Já acordava pela manhã cantando...
20:54Vida de negra...
20:58Cala tua boca!
20:59Cala esta boca de uma vez, negra insolente.
21:03Pegue a caixa de seu ladir.
21:06Vamos.
21:07Se tu continuas a falar,
21:10saibas que vou fazer contigo pior
21:12do que fizeram com aquela negrinha muito famosa, Anastácia.
21:16Vou te botar uma mordaça de ferro,
21:18tu morres a míngua desgraçada.
21:20Eu vou tentar trocar estes convites
21:24porque afinal sou a baronesa Álvaro, não é?
21:27Isso, e eu irei com você.
21:29Porque com certeza ninguém vai olhar o convite de uma baronesa.
21:33O título de baronesa dela também deve ser falso.
21:36Vamos, Isadora,
21:37porque se pintar sujeira,
21:40eu engulo os convites.
21:44Arranjei um emprego.
21:46Entrei para uma companhia de saltimbancos.
21:51Ei!
21:56Assaltimbancos?
21:57O banco acabou de ser fundado,
22:01vocês já querem assaltar?
22:02Não, Celinha.
22:04Não são assaltambancos,
22:05são saltimbancos.
22:06É gente de teatro,
22:07é uma gentalha.
22:09Quem assalta bancos é o Jesse James.
22:12Que só vai nascer daqui a 37 anos.
22:14É verdade.
22:15Eu me apaixonei por uma atriz
22:17que engole fogo.
22:19Eu gosto dessas pessoas que engolem coisas.
22:23Estou farta de ser humilhada
22:25por essa vizinha e o marido dela.
22:27Por mim, eu colocava um muro
22:29entre as duas casas.
22:30Imagina só,
22:31eles vão ao baile e nós não.
22:33Mas eles não vão alugar nenhum, Celinha.
22:36Simplesmente porque...
22:38roubei os convites deles.
22:45Mas como?
22:46A negra Bozena me disse
22:48que havia feito um trato com o Arnaldo.
22:51Que ela daria os convites
22:53se ele lhe desse alforia.
22:54Ora, ele não pode dar alforia sozinho?
22:58Não é somente proprietário de negra,
23:00eu também sou.
23:01Então, ela preferiu dar a mim
23:04do que a ele.
23:05E você vai libertá-la?
23:06Quem?
23:07A negra Bozena.
23:09Eu?
23:09Nunca.
23:10Vai morrer acorrentada.
23:13Celinha,
23:14me empresta uma grana, né, hein?
23:16Eu estou devendo ao Percival.
23:19Quem é Percival?
23:20Percival Barbosa,
23:22curandeiro botânico,
23:24cura espinhela caída lumbago,
23:25bico de papagaio.
23:26vivi longos anos nas Índias
23:29vendendo especiarias.
23:31Celinha,
23:32ele aprendeu coisas na Índia
23:34que você precisa saber.
23:36Ele trouxe um livro
23:37que ensina a fazer umas massagens.
23:39Ah,
23:40inesquecível.
23:41Que livro é esse, mamãe?
23:43O Kama Sutra.
23:43Se a madame quiser,
23:47posso lhe aplicar umas massagens.
23:50Não,
23:50não quero massagem nenhuma, não.
23:51Muito obrigada.
23:52Celinha,
23:53eu e Percival vamos ao centro.
23:56Vamos dançar o catupé.
23:58O catupé, catupé, catupé.
24:00Ai, catupé, catupé, catupé.
24:02Mas o que é isto?
24:03Catupé, catupé, catupé.
24:04Oi, Eucopélia,
24:05vamos acabar com essa catupesada aqui dentro.
24:09O que é isto?
24:09É a dança
24:10que está enlouquecendo a galera.
24:12E aí, vai me emprestar o dinheiro ou não vai?
24:15Está bem, mamãe, vou.
24:20Vou me emprestar.
24:22Só que com dois V.
24:24Vai e volta.
24:25Mas comigo tudo tem dois Vs, meu bem.
24:28Vai e volta, vem e vai.
24:31Vem e vira, vira e vem.
24:32O que é isto?
24:34Vira o quê, mamãe?
24:36Olha,
24:37prefiro não comentar.
24:39Vamos, Percival.
24:40Vamos dançar a nova dança.
24:42É o catupé.
24:42Catupé, catupé, catupé, catupé.
24:43O que é isto?
24:44Catupé, catupé, catupé, catupé.
24:46Oi!
24:47Não vá, mamãe.
24:49Serás morta dançando catupé.
24:52Este seu vestido está muito indecente.
24:54Podem considerar uma rebelião contra Portugal.
24:57Celinha,
24:58eu engano o seu.
24:59Eu e a Carlota Joaquina
25:00somos amigas assim, íntimas.
25:02Quando eu me separei do seu pai,
25:03eu e a princesa
25:04acostumavam me sair
25:05para dar umas voltas
25:06na mata da Tijuca.
25:08Está ligado?
25:09Além do mais,
25:10mas eu não vim para esclarecer,
25:11eu vim para confundir.
25:13Vamos, Percival.
25:14Vamos lançar o catupé.
25:17Catupé, catupé, catupé.
25:18Oi!
25:19Catupé, catupé, catupé.
25:20Oi!
25:21Mas o que é isto?
25:25Adonis está preso
25:26no convento do Carmo.
25:27Justiça, José.
25:29Calma, minha filha.
25:30Calma, minha filha.
25:31Calma, minha filha.
25:32Ai, ai, ai.
25:33Calma, calma.
25:34Ele estava ganhando dinheiro
25:36fazendo algumas previsões
25:37numa feira no Rio Comprido.
25:39A última vez que vi,
25:41ele estava fazendo
25:42o horóscopo
25:42de todos os monges.
25:44E então, Marijorge,
25:46vai ou não vai vender
25:46essa negra?
25:47Tu queres mesmo
25:48uma negra, Barão?
25:49Claro.
25:50Então vai, Estela,
25:51com licença.
25:53Calma a porta.
25:54Não, Marijorge.
25:55Não.
25:58Ó de casa!
26:00Quem é daí?
26:01Quem é?
26:01Grão-Tuberão,
26:04pode levar a negra?
26:05Não, não.
26:08Coloca a negra no saco.
26:09Ai, estou.
26:10Leve, leve-se uma vez.
26:12Vamos lá.
26:12Sem machucar.
26:14Vamos lá.
26:15Vai levar.
26:19Espera aí.
26:20Vai saindo assim, Barão?
26:22Sem um agrado?
26:23Sem uma cervejinha?
26:24Ah, claro.
26:25Tem uma cervejinha.
26:27Isso aqui é uma intimação.
26:29Vocês estão todos intimados
26:30a comparecer no passo.
26:32No passo?
26:33Pra quê?
26:34Pra ir ao baile?
26:35Não.
26:35Pra responder as perguntas do rei.
26:37Mas o que o rei quer com a gente,
26:39meu Deus?
26:39Vocês estão tramando contra o rei
26:41e vão todos morrer na forca.
26:43Na forca.
26:48Adeus.
27:00Ai, meu Deus, meu Deus.
27:05Que horror.
27:06Acho que nós íamos morrer
27:07naquele calabouço.
27:09Ainda bem que Copélia
27:10resolveu tudo pra gente, não é?
27:12Não é?
27:13E até agora não sei como
27:14é que foi que sua mãe
27:15conseguiu libertar-nos assim.
27:17É?
27:17Prefiro não comentar.
27:19Os guardas da prisão,
27:20Celinha,
27:21puseram o apelido em vossa mãe.
27:23Não.
27:23É, eu via da minha cela
27:25quando ela passava,
27:26que ela devassa
27:27e os guardas gritaram
27:28papé maçaneta.
27:31Papé maçaneta
27:32e maçaneta lustrada
27:33é o que é pior.
27:34Ah, Marcos.
27:35Agora tu, Rita.
27:36O quê?
27:37Estou pelas tampas contigo.
27:39Ah, não diga.
27:39Com que então,
27:40linguaruda,
27:41língua rota
27:42que não cabe na boca,
27:43foste dizer lá no passo
27:45que eu tentara vender
27:46o jardim botânico
27:47pros ingleses
27:48por pouco o rei não me enforca.
27:50E tu?
27:51E tu que tivesse a pachorra
27:52de dizer ao rei
27:53que eu só me referi a ele,
27:54chamando-o de banana coroada.
27:57Pois tomei 15 batadas.
27:59Muito pior foi o Arnaldo
28:00que acusou o meu filho.
28:02Disse que ele invocava demônios.
28:04Imagine,
28:04eu vi um padre fazendo sabe o quê?
28:06Esfregando as mãos de alegria
28:08e ainda gritou
28:09Oba, fogueira!
28:11Celinha, Celinha,
28:13Adonis não será mais enforcado.
28:15Graças a Deus!
28:17Ele recebeu o perdão da coroa.
28:19Meu filho está livre da forca.
28:22Ué, vocês também foram presos?
28:23Não.
28:24Eu falei com alguns amigos
28:26que tenham no palácio
28:27e eles nos liberaram.
28:28Mas tu tens amigos
28:29tão importantes assim
28:31porque não nos liberaste,
28:32o infeliz?
28:33Porque tudo tem um limite,
28:34meu pai.
28:36Vocês são pessoas perigosas
28:37para a ordem pública.
28:39Foram palavras do próprio príncipe.
28:41Como é?
28:42Do príncipe?
28:44Mas quando é que esteves com o príncipe?
28:46Isadora,
28:47por acaso te entregaste ao príncipe,
28:49minha filha?
28:50Não.
28:51A Isadora ia fazer o sacrifício
28:53para que vocês não fossem enforcados.
28:56Mas eu fui muito abnegada
28:57e me sacrifiquei no lugar dela.
28:59Como Copélia tinha feito
29:01uma grande propaganda,
29:03eu resolvi experimentar.
29:04Mas então é com o príncipe
29:06que andas metida?
29:08Com o príncipe,
29:08com aquela turminha
29:09do filho do conde de velhotes?
29:11Eu sei que se metem todos
29:13numa carruagem
29:14e vão fazendo jujuba
29:15até Copacabana.
29:17Sem vergonha na cara,
29:19tu não tens
29:19nenhuma vergonha na cara.
29:21Não quero metida
29:22com tal de chalaça,
29:24que aquilo não vale nada.
29:25E tu?
29:27Foste preso por quê?
29:28Eu comi um galeto inteiro
29:30que era de Dom João VI.
29:32Vamos!
29:33Meu Deus!
29:35Eu vi seis galetos na mesa.
29:37Eu roubei um e comi.
29:38Achei que ninguém tinha visto.
29:39Sai!
29:40Dom João VI
29:41não vai demais me perdoar!
29:43Vamos comprar uma galinha,
29:46assar,
29:46e sem ninguém ver,
29:48Tatalo leva para Dom João VI
29:50com o nosso pedido de desculpas.
29:52Ai, que boa ideia!
29:53Mas será que há galinhas no mercado?
29:55As galinhas que tinham
29:57já se programaram.
29:58Meu Deus do céu, mas eu...
30:00Como é que faríamos?
30:01Eu preciso arrumar uma galinha!
30:07Não olha para mim não
30:08que eu engrosso, hein?
30:09Olha só,
30:10quando ela precisa de uma galinha,
30:11ela olha para mim, Marjorie.
30:13Não é disso que estou falando.
30:15Estou dizendo que todo mundo sabe
30:16do Rio de Janeiro,
30:17sabe que tu sempre tens
30:18uma galinha ali,
30:19escondida, guardada no forno.
30:21Gostaríamos que, por favor,
30:22emprestasse a galinha
30:23para que pudéssemos, não é,
30:24repor a galinha de Dom João VI,
30:27que Tatalo comeu.
30:28Vou pegar a galinha.
30:29Pegue a galinha, por favor,
30:31Celinha.
30:32Pegue.
30:34O que foi?
30:36O que houve?
30:37Quem comeu a galinha?
30:40Só pode ter sido teu filho,
30:41porque ele é quem anda a perigo.
30:43A galinha foi comida em partes,
30:45parece que foi torturada.
30:48Quem torturou essa galinha?
30:49Fui eu, confesso.
30:54Eu comecei dando uma mordidinha.
30:57Ela não reclamou.
31:00Eu achei que ela estava a gostar.
31:03Deixa ver.
31:04Mas essa galinha está sem coxa.
31:06A gente diz que ela veio da guerra.
31:08Mas essa galinha está sem peito.
31:11Quem é que vai dar a Dom João VI
31:13uma galinha sem peito?
31:14Eu tenho dois.
31:17Eu tenho uma ideia melhor.
31:19Pega os peitos da tua mulher,
31:21põe numa bandeja e leva pro rei.
31:23É, é.
31:24Mas não passas de um francês treidor.
31:27Ah, eu?
31:27Mal, quereter.
31:28Por que não ofereces a codorna da tua esposa?
31:32Ai, agora sim falei.
31:34Falei na cara.
31:37Codorna?
31:38Sou eu a codorna?
31:39Codorninha.
31:41Vou dar na face dela.
31:43Vou dar na face dela.
31:47Está pensando sempre.
31:50Copélia foi readmitida da corte.
31:55Vou desenhar os figurinos de verão das princesas.
31:59As princesas ficarão loucas
32:00porque meu marido tem muita testosterona.
32:03Tem.
32:04Meu bem.
32:06Testosterona é mala.
32:07A rainha só fala mara.
32:13Fala mara o dia inteiro.
32:15Oíste-me, Juá?
32:16Todo neste país é uma mierda.
32:20Todo aqui neste país é uma mierda.
32:23É assim que fala a rainha, né?
32:25Mierda,
32:25mas miladircito não.
32:27Miladircito é mara.
32:29É assim que fala a rainha.
32:30Mara, mara, ladircito.
32:33Dona Álvaro,
32:35o que a senhora disse no seu depoimento
32:36porque consta nos autos
32:37que a senhora fez uma intriga enorme
32:39entre Dom João e Carlota.
32:41Eu disse que eu não poderia depor
32:43porque eu era surda muda.
32:46Mas disseste como?
32:48Eu disse falando.
32:51Foi um sucesso.
32:52Previ um papa que só vai aparecer em 2005.
32:55Papa Bento XVI.
32:56Vou fazer uma turnê por todos os mosteiros do Brasil.
32:59Já tem um show marcado na Praça São Pedro em Roma.
33:02Ô, mãe,
33:03você ainda não conseguiu matar o leitão?
33:05Deus do céu.
33:06Já disse que não consigo enxer a faca.
33:08Faz seis meses estou procurando este facão.
33:11Ai, a Rita é impossível.
33:12A Rita é uma desmazelada.
33:14Sabias?
33:14A Rita não sabe cozinhar.
33:16Não sabe fazer nada, essa gaja.
33:18Sabe fazer nada.
33:19Tu não és que nem eu, querido.
33:21Não, não sou vegetariana.
33:22Devo ser vegetariana,
33:23pois me casei com vegetal.
33:26Olha, Arnaldo,
33:28a Rita, a única comparação
33:29que se pode fazer desta mulher,
33:31ela é como um bem deciso.
33:33Uma hora, quer queiras, quer não,
33:35tem que arrancar.
33:37Alguém me ajude.
33:38A Arma Caju está atrás de mim.
33:39Meu Deus.
33:40A negra fugiu.
33:41Chame-me o capitão de mato.
33:42Pega a negra.
33:42Pega a negra.
33:43Pega essa negra.
33:45A Arma Caju faz horrores comigo.
33:47Não gosto nem de lembrar disso.
33:49Consegui fugir pelas matas de Jujuba,
33:51mas acho que ele está atrás de mim.
33:53A guarda real está cercando as duas casas.
33:59Estão procurando alguém.
34:00Ai, meu pai.
34:01Olha aí.
34:01Exatamente como eu imaginava.
34:04A negra fugiu para cá
34:05e precisava ter trazido a guarda real.
34:08Quem trouxe a guarda real fui eu.
34:11Vocês estão presos.
34:13Mas então, você era o espião da coroa.
34:16Exatamente.
34:18E você caiu como uma pata.
34:19Oh, mas Elia.
34:21Elia.
34:22Ele pediu para contar intimidades do rei na cama.
34:27E eu contei porque eu achei que ele era meu amigo.
34:30Ele dizia que eu era a reencarnação da Índia Potirema.
34:34Potirema gostava de ficar nua à beira do rio.
34:37É por isso que sempre que eu me aproximo da água, eu sinto uma brisa nas partes.
34:44Vão todos serem forcados.
34:46Mais do que já estamos, vão perder a vida.
34:49Eu só espero que sua majestade seja misericordioso.
34:53E me deixe morrer como eu sempre vivi.
34:56Nua.
34:56O barão não quer que eu revele o segredo.
34:59Nenhuma palavra.
35:00Negra dos inferno.
35:02O barão é mulher.
35:06Então é por isso que ela usava as unhas bem curtinhas.
35:11Volume nas calças é puro enchimento daí.
35:13Por isso tanta maldade.
35:15O barão dorme dentro do armário.
35:17Não se preocupe, barão.
35:19No século XXI vão haver paradas gays com mais de um milhão de participantes.
35:23Ah, que maravilha.
35:26O século XXI vai ser mara.
35:32Ladir.
35:32Cala a boca.
35:35Ou eu te covo de cacete.
35:39Será, meu bem?
35:42Hereges.
35:43Vão arder na fogueira.
35:44Ah, eu não, não posso ir para a fogueira não, porque eu sou muito branquinha, chamusculó.
35:49Quando vocês discutem, eu vou pedir a guarda do rei para matar o leitão.
35:52Ah, meu Deus, mas eu já disse que perdi a faca.
35:55Não perdeu, não.
35:57Está aqui daí.
36:00Meu Deus.
36:00Mas eu estou negra amadouro, geral.
36:03Que negra mal caráter.
36:05Mas adora, proteja-se.
36:06A guarda real está aí.
36:08Sim, eu sei.
36:09Eu os informei.
36:11Ah, judeus.
36:13Recebi o título de Condessa das Alagoas.
36:18Portanto, a partir de agora, não posso ter nenhuma relação de parentesco com vocês.
36:23Não é possível.
36:24Isso inclui o fato de eu visitar os cabalouços e se...
36:28Calabouços.
36:31Calabouços.
36:32Calabouços.
36:32Isso.
36:33E, por favor, eu quero que finjam que não me conhecem.
36:37Condessa, Condessa, por favor, eu também sou da nobreza, afinal eu sou baronesa.
36:46Pois o título de baronesa que você comprou também era falso?
36:49Não.
36:50Era um travesti conhecido como baronesa.
36:52Portanto, você também vai para a forca.
36:55Ladir, Ladir.
36:56Eu adoro forca, a chumbara.
37:00Eu concordo, Ladir.
37:02A gente morre, mas bota a língua para o povo.
37:07Adeus, gentalha.
37:09Vejo vocês no inferno.
37:10No inferno.
37:15Homens!
37:17Um momento!
37:19Antes de ir, eu quero rogar uma praga daí.
37:23Nunca mais vamos voltar separados.
37:26Na próxima reencarnação, você vai voltar marido dela.
37:32Eu?
37:32Não.
37:33Você vai voltar mulher dele.
37:35Olha aí.
37:37Você vai voltar filho dele.
37:39E você, filho dele daí.
37:42Tudo o resto continua na mesma daí.
37:46É só de sacanagem.
37:51O barão vai sempre reencarnar mulher.
38:01Cavalo.
38:04Cala esta boca, saci do inferno.
38:07Ou se tu rogas uma praga, rogo-te duas.
38:11Ou melhor, rogo uma que vai acabar com tudo de uma vez.
38:15Esta preta, senhores e senhoras.
38:17É malhada.
38:19É uma preta bicolor.
38:22Onde está a mostra é preta.
38:25Onde o sol não bate é branca.
38:27E o senhor guarda não tem que rir.
38:30O senhor não guarda.
38:31Ora.
38:33A praga que te roga o infeliz é que volte sempre como escrava.
38:40Nogito.
38:42Guardas, leve embora daqui essa gentalha.
38:46Leve.
38:47Um momento.
38:49Um momento.
38:50Esperem.
38:51Isso não é verdade.
38:53É uma regressão que fizemos dentro de um programa de televisão.
38:57Televisão?
38:57É uma caixa com imagens passando, gente falando.
39:00Está possuído.
39:02Levem-no.
39:03Levem-no.
39:04E de oito às dez não houve?
39:09Não teve.
39:10Ela queimou muito mais rápido do que estava programada.
39:13Tiveram que devolver.
39:16Que recuar.
39:18Que devolver.
39:22Triste, viu?
39:23É.
39:24Triste.
39:24Pior ainda é não saber o que se diz em uma hora que precisa.
39:29Está ficando falado, hein?
39:31O barão não tem nenhum estado pra...
39:34Pra...
39:35Pra...
39:37Pra...
39:38Pra...
39:39Pra...