Pular para o playerIr para o conteúdo principal
O endocrinologista Dr. Cristiano Barcellos foi o convidado desta semana no Papo Saudável para debater sobre dietas, emagrecimento e as consequências do "efeito sanfona" na nossa saúde. Questionado sobre qual é o melhor método para perder peso, o médico respondeu baseado em pesquisas.

Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/

Inscreva-se no nosso canal:
https://www.youtube.com/c/jovempannews

Siga o canal "Jovem Pan News" no WhatsApp:
https://whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S

Entre no nosso site:
http://jovempan.com.br/

Facebook:
https://www.facebook.com/jovempannews

Siga no Twitter:
https://twitter.com/JovemPanNews

Instagram:
https://www.instagram.com/jovempannews/

TikTok:
https://www.tiktok.com/@jovempannews

Kwai:
https://www.kwai.com/@jovempannews

#JovemPan

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Para falar sobre esse assunto, sobre o mal que o efeito sanfona pode proporcionar para a gente,
00:10eu tenho o prazer de receber o endocrinologista Dr. Cristiano Barcelos. Obrigado pela sua presença.
00:17Eu que agradeço o convite, Márcio.
00:19Bom, vamos lá. Muitas pessoas, desde que eu nasci, eu vejo elas faz dieta, perde peso, reganha peso.
00:33Tem um casamento, faz dieta, faz exercício, reganha peso.
00:39Mais recentemente, alguns tratamentos, então a pessoa acaba tomando medicamento, baixa o peso, ganha peso.
00:47Qual o problema para a nossa saúde do efeito sanfona?
00:52Puxa vida, Márcio, essa pergunta é muito importante, né?
00:55Na verdade, essa ciclicidade do peso, Márcio, que a gente chama de efeito sanfona, tem uns que chamam de efeito ioiô,
01:03é uma característica de defesa do nosso corpo.
01:07Vamos lá, vamos explicar melhor para todo mundo entender bem, né?
01:10Quando a gente ganha peso e atinge um máximo de peso, por exemplo, na vida da gente,
01:16vou dar exemplo aqui, a pessoa pesava 70 quilos, ela passa a pesar 95 quilos, um homem, por exemplo, de meia idade.
01:25Ele vai perder o peso, porque aquilo não faz bem a saúde para ele, e à medida que ele vai emagrecendo,
01:32o nosso corpo, especificamente o nosso cérebro, o nosso hipotálamo, né?
01:37Ele vai fazer um esforço danado, Márcio, para fazer a gente reganhar esse peso.
01:43Tem um set point, como a gente fala, que vai propiciar um reganho desse peso, aumentando muito a fome,
01:51é isso mesmo, à medida que a gente perde peso, aumenta a fome.
01:54E a gente também, sem querer, é um mecanismo involuntário do nosso corpo, autônomo,
02:02faz com que a gente queime menos calorias ao longo do dia.
02:06E é por isso que existe essa tendência do reganho de peso.
02:09Bom, colocado isso como um processo natural, e a gente sabe que a obesidade, o sobrepeso,
02:16fazem muito mal à saúde, leva até a doenças oncológicas, além de doenças cardiovasculares,
02:22dentre outras, as pessoas começam a fazer o tratamento para a obesidade.
02:28E você viu que eu não falei emagrecer, vai fazer tratamento para a obesidade,
02:32porque o tratamento para a obesidade, ele inclui a perda e o não reganho desse peso,
02:38ou seja, esse peso perdido, ele precisa ser mantido, e por isso o tratamento precisa ser mantido.
02:44Obesidade é uma doença crônica, como a gente fala, ela ainda não tem uma cura, ela é recidivante.
02:51Entendi.
02:51O problema de saúde associado a isso é que a obesidade é inflamatória.
02:58Para todo mundo entender bem, porque a gente acha que inflamação causa dor, e sim, causa,
03:03mas no caso da obesidade, é uma inflamação que a gente não vê e a gente não sente,
03:08mas que causa vários estúdios no nosso corpo, especificamente entupimento das artérias,
03:16doenças cardiovasculares, até alguns tipos de câncer, por exemplo.
03:19E quando a gente tem essa perda para o tratamento, como você falou, e reganha o peso,
03:26aumenta até esse processo inflamatório.
03:29Sem falar que quando a gente emagrece, a gente não perde só gordura.
03:32A pessoa vai perder também um músculo, um número de massa óssea,
03:36e quando ela reganha o peso, esse músculo que ela até reganha um pouquinho,
03:42vai estar com muito mais gordura dentro dele, é a miosteatose,
03:45e pode até ser, alguns estudos estão sugerindo, que a gente não ganhe massa óssea
03:50quando a gente reganha o peso.
03:53E se você vai emagrecer outra vez, você vai ter esse processo de novo
03:57e vai ficando com músculo de cada vez menos qualidade.
04:00E a parte óssea também pode ficar bem prejudicada.
04:05Eu quero explorar, dentro dessa sua resposta, duas situações.
04:10Pegar uma situação bem comum de ex-atleta.
04:13O cara ali dos 12 até os 40 anos fez muita atividade física, se alimentou bem.
04:20Isso também, para quem não é atleta e que teve ali uma infância ativa,
04:27uma adolescência na faculdade, mas aí entrou na vida profissional.
04:31Quer dizer, ele passou ali 25, 30 anos magro, com peso bacana,
04:38fazendo atividade física, com estilo ok.
04:41E aí, por uma demanda profissional, ou o inverso, no caso do atleta,
04:45que não é mais obrigada a fazer atividade física, controla a alimentação,
04:50ele acaba num período de 2, 3 anos ganhando 10 quilos.
04:54E aí essa pessoa, ela resolve que, poxa, eu preciso fazer alguma coisa.
05:03Eu entendi que você falou que a gente tem um set point,
05:06que o corpo regula ali um peso, mas, pô, num cara de 40 anos,
05:10que durante 35 teve um peso normal,
05:12pô, ele meio que sabe o caminho das pedras ali para voltar.
05:18E aí a gente tem duas situações, e é essa que eu quero explorar.
05:23O cara vai cuidar desse excesso de peso, da obesidade,
05:27sem medicamento, com estilo de vida.
05:32Então ele vai ferir, fazer atividade física,
05:37e cuidar da alimentação.
05:39O que a gente vê é que, por uma crença que 80% é alimentação
05:46e só 20% é atividade física,
05:49e como é mais fácil restringir a alimentação,
05:52é mais fácil restringir 700 calorias, mil calorias,
05:55do que gastar mil calorias.
05:57Gastar mil calorias eu vou cansar, vai ficar doído.
06:01As pessoas partem por uma manobra de restrição alimentar
06:05grande, num curto espaço, que leva a essa perda de peso.
06:11Isso é um convite para o reganho?
06:13Talvez a estratégia para cuidar da obesidade tenha sido equivocada,
06:19porque ignorou a atividade física,
06:22e porque teve uma grande variação no consumo de caloria?
06:25Então, Márcio, o que a gente hoje tem com base científica
06:30é que, quando nós estamos na fase de perda de peso,
06:35que seria a primeira fase do tratamento da obesidade,
06:39vamos lá, em 4, 6 meses,
06:41esse ex-atleta dos 10 quilos, ele conseguiu perder os 10 quilos dele.
06:46A gente sabe, para perder peso,
06:50a restrição calórica, ela manda mais do que exercício físico.
06:56Só que, como eu falei,
06:57emagrecer é diferente de tratar a obesidade, entendeu?
07:00Porque se ele leva 4 meses para perder os 10 quilos,
07:04ele vai ter que passar a vida inteira dele
07:06mantendo uma forma de tratamento para a manutenção desse peso.
07:11E aí que está o X da questão,
07:12e vou entrar no que você falou.
07:13Gente, a manutenção de peso,
07:16ela depende quase que essencialmente do exercício,
07:21se a gente comparar com a dieta.
07:22Por quê?
07:23Os estudos, Márcio, têm mostrado
07:25que essas dietas que restringem muito caloria,
07:28ou restringem algum macronutriente,
07:31como carboidrato, por exemplo,
07:33ou restringem o tempo de consumo alimentar,
07:36como o popular jejum intermitente,
07:38essas dietas, na verdade,
07:39eu vou abrir um parênteses aqui,
07:41elas levam à perda de peso,
07:42não porque você restringiu o horário ou o carboidrato,
07:46é porque você come menos caloria,
07:48é por isso, né?
07:50Elas emagrecem, mas a explicação é,
07:52você não tem nenhuma mágica,
07:54é isso que eu quero dizer.
07:55Acontece que você restringiu alguma coisa do ser humano,
07:58os estudos mostram o quê?
07:59Estudos.
08:01Depois de um ano,
08:02ninguém está mais seguindo essas dietas.
08:04E eu acho que esses estudos são até muito bonzinhos,
08:07porque, na minha experiência,
08:09agora é experiência de consultório,
08:11é um número bem menor de pessoas do que os estudos clínicos.
08:13Depois de três meses,
08:15a pessoa não segue.
08:16E o paciente,
08:17mesmo quando avisado e bem orientado pelo médico,
08:20ele ainda tem aquela ideia de que,
08:22poxa, eu perdi os 10 quilos como esse atleta,
08:25agora eu dei a bandeirada do final
08:28e agora eu posso comer o que eu quiser
08:30e fazer o que eu quiser.
08:31Não, porque,
08:32como a gente já conversou aqui agorinha,
08:34a obesidade, ela é crônica, né?
08:36É uma coisa recidivante.
08:38Então, o exercício tem que ser feito obrigatoriamente,
08:43senão o reganho de peso é regra.
08:45Por isso que eu sempre falo
08:47para uma pessoa que está, sei lá,
08:498, 10 quilos acima e quer perder,
08:51ele não ter essa pressa.
08:54Para ele optar por aquela alimentação
08:56que ele vai conseguir seguir como estilo de vida.
08:59Para ele incorporar um movimento
09:01que ele vai conseguir manter
09:03de uma maneira sustentável na vida.
09:05Porque é para a vida.
09:07Não existe método
09:10que você vai fazer três meses,
09:12parar e garantir isso para o resto da vida.
09:14você vai voltar a ganhar.
09:16Isso é correto, esse pensamento?
09:19Na hora de eu optar,
09:21nesse momento,
09:22em vez de uma estratégia igual você falou,
09:24ah, vou comer só durante seis horas por dia.
09:27Pô, mas isso eu não vou conseguir manter na minha vida.
09:29Mesmo que o processo seja bem mais lento,
09:32é melhor eu optar por uma coisa que é sustentável?
09:35Não só é melhor,
09:37como é confirmado cientificamente
09:40e é o posicionamento atual
09:42da Associação Brasileira
09:43por Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica,
09:46que é a ABESO,
09:47o Departamento de Nutrição dessa sociedade,
09:50que é daqui do Brasil,
09:51em 2022,
09:52publicou uma cartilha
09:53para todos os médicos,
09:55nutricionistas,
09:56profissionais da saúde,
09:57enfim.
09:58E assim,
09:59vários tipos de dieta foram analisados.
10:01Aqui,
10:02realmente,
10:03com todas as deficiências que tem,
10:06porque muita gente acaba parando de seguir,
10:08como eu falei.
10:08Mas a que dura mais tempo
10:10e a que tem mais chance até de dar certo
10:12é a restrição calórica,
10:15é a low calorie diet.
10:16Você restringir,
10:17como você falou,
10:18500 a 750 kilocalorias só,
10:22porque a pessoa não vai ficar,
10:23entre aspas,
10:24morta de nome,
10:25não vai ficar com aquele desejo de comer.
10:28Você vê, às vezes,
10:28pacientes com o converso, né?
10:31Dando exemplo,
10:31eu acho que é muito importante,
10:33porque ilustra mais a situação.
10:34pessoas que perderam 8 quilos
10:37em menos de um mês,
10:39restringindo tudo que é caloria.
10:41Mas você vê que a pessoa,
10:42além de correr o risco de ficar doente,
10:44essa pessoa,
10:46ela fica com um déficit energético tão grande,
10:48o corpo sente isso.
10:50E se defende, né?
10:50A pessoa depois vai,
10:52é igual o cara que vem da guerra,
10:53é igual o Tom Hanks,
10:54naquele filme do Náufra,
10:55quando ele vê a comida ali.
10:57A pessoa quer comer tudo,
10:58e mais um pouco.
10:59Ela fala,
10:59doutor,
11:00eu comi duas caixas de bombom,
11:02que eu sou louca por chocolate,
11:04e tal.
11:05Então, assim,
11:06isso tem tempo,
11:08tem prazo de validade.
11:09Tem que ter uma coisa regrada,
11:11e de preferência,
11:12com os hábitos
11:13que aquele indivíduo já tem, né?
11:16Por isso que tem um nutricionista,
11:17para adequar esse cardápio
11:19para aquela pessoa.
11:20É,
11:21eu fico pensando assim, né?
11:23Década de 80,
11:24por exemplo,
11:25diabetes,
11:27quando você falava
11:27que uma pessoa era diabética,
11:29era quase que uma exceção.
11:31as pessoas eram fisicamente ativas
11:34pelo simples fato
11:36que a gente tinha
11:36tão pouca tecnologia,
11:38que as pessoas
11:39atingiam 10,
11:4012 mil passos,
11:42simplesmente pelo meio ambiente
11:44que a gente vivia.
11:45Hoje,
11:46quando a gente fala assim,
11:48diabetes,
11:49pré-diabetes,
11:50se eu colocar pré-diabetes
11:52no pacote de diabetes,
11:54eu acho que a gente deve ter
11:56mais de 20 milhões de brasileiros,
11:57estou dando um chute aqui,
11:59que não atinge
12:01o mínimo de movimento
12:02recomendado pelo MS,
12:0375% da população brasileira.
12:07Como que funciona
12:09falar dessa questão
12:11da glicemia
12:12quando você tem
12:1475% da população sedentária?
12:18O sedentarismo é uma doença, né?
12:20Só ilustrar uma coisa
12:21para quem não sabe,
12:22o médico,
12:23quando ele preenche
12:24algum documento,
12:25ele tem lá o CID,
12:26o Código Internacional da Doença.
12:28E para quem não sabe,
12:29o sedentarismo tem CID,
12:31portanto é uma doença
12:32e causa muitas outras doenças,
12:35inclusive o aumento da glicose,
12:37o diabetes,
12:38o pré-diabetes.
12:39E, Márcio,
12:40você acertou os 20 milhões,
12:43mas só de pessoas com diabetes.
12:44Só com diabetes.
12:46Lembrando que 90% dessas pessoas
12:48têm o diabetes tipo 2,
12:50seria 18 milhões,
12:52aproximadamente,
12:53é uma estimativa,
12:54que está ligada à obesidade,
12:56ao sobrepeso.
12:57Para você ter uma ideia,
12:58e para quem está acompanhando,
13:0190% até das pessoas
13:03que têm o diabetes tipo 2
13:04estão acima do peso.
13:0690% das pessoas
13:08que têm diabetes tipo 2
13:09estão acima do peso.
13:10Estão acima do peso.
13:11E tem fatores genéticos
13:13que levam ao diabetes,
13:15mas quando a gente
13:16tira a genética de fora
13:17e coloca outros fatores de risco
13:19para levar alguém
13:20a ter diabetes,
13:22a obesidade acaba sendo
13:23o grande,
13:25talvez o maior
13:25dos diretores de risco.
13:27E a obesidade
13:28e o diabetes tipo 2,
13:30ambas estão bem associadas,
13:32a gente até chama isso
13:33de diabetes,
13:33a obesidade,
13:34tanta intimidade
13:35que uma doença tem
13:36com a outra,
13:37e o sedentarismo
13:38é um fator de risco
13:39importantíssimo
13:40para ambas.
13:42A gente tem ali
13:43um dado
13:44de que as pessoas
13:45que têm sedentarismo,
13:47elas têm
13:4852% mais chance
13:50de desenvolver obesidade.
13:53Agora,
13:54para não confundir as coisas,
13:55quem tem sedentarismo,
13:57quem tem uma vida ativa,
13:59dorme pior,
14:01portanto,
14:01tende a ganhar mais peso,
14:02tá?
14:03Não tá no sono,
14:04faz piores escolhas
14:06para se alimentar.
14:08Quer dizer,
14:08tudo isso culminando,
14:10trabalhando
14:11para gerar obesidade
14:12e, claro,
14:13uma pitadinha
14:14de fator genético
14:15ali na pessoa
14:16com obesidade,
14:17ela vai ter o diabetes
14:18tipo 2.
14:19E no meio do caminho
14:20tem o pré-diabetes.
14:22Você sabe
14:22quantas pessoas
14:23no Brasil
14:24convivem com pré-diabetes?
14:26Vou dar um chute.
14:27Se tem 20 milhões
14:28de diabéticos,
14:29eu diria que deve ter
14:30uns 15 milhões
14:31de pré-diabéticos.
14:3240 milhões.
14:33Mais?
14:3340 milhões
14:34de pessoas
14:35com pré-diabetes
14:36e o pré-diabetes
14:37pode causar
14:38sequelas
14:39e doenças,
14:40complicações
14:41já do próprio diabetes.
14:43Por isso,
14:44talvez o termo
14:45mais adequado
14:46por pré-diabetes
14:47seja diabetes
14:48inicial,
14:48porque as pessoas
14:49acham que
14:49ter pré-doença
14:51não quer tratar.
14:53E o pré-diabetes
14:53pode, inclusive,
14:54aumentar o risco
14:55cardiovascular.
14:56A pessoa pode ter
14:57um infarto
14:58mais facilmente
14:59só por ter o pré-diabetes.
15:00e você sabe quantas pessoas,
15:02esse é um dado mundial,
15:03não é brasileiro,
15:04quantas pessoas
15:05no mundo
15:05que têm o pré-diabetes
15:07sabem que têm
15:08o pré-diabetes?
15:1010%.
15:1110%.
15:12Uma em cada 10.
15:13Uma em cada 10.
15:14É impressionante
15:15a falta
15:16de realização
15:18de exames,
15:19a comunicação,
15:20ela está ruim.
15:21Nós temos que melhorar
15:22muito esse cenário.
15:24É,
15:24a questão da atividade
15:25física, né,
15:26muita gente pensa assim,
15:28ah,
15:29é só para eu ficar magro.
15:30E não.
15:31O sedentarismo,
15:32ele vai ser fator de risco
15:33para muitas doenças.
15:34Só que a gente gosta
15:35muito de terceirizar
15:37a nossa saúde, né.
15:38Se eu puder terceirizar
15:39alguma tarefa,
15:41eu vou terceirizar.
15:42E agora,
15:43a pessoa quer emagrecer,
15:45precisa emagrecer,
15:48ela fala assim,
15:48cara,
15:49para que eu vou fazer exercício
15:51se eu posso fazer
15:53o uso de um medicamento
15:54que vai restringir
15:56o meu consumo
15:56de calorias
15:57em 30,
15:5850%,
16:00e eu não vou precisar
16:01transpirar.
16:03E aí?
16:04A pessoa,
16:04ela acaba optando
16:07pelo que ela acha
16:08que é mais fácil,
16:10mais rápido,
16:11e a gente sabe
16:12que não é o melhor
16:13para a saúde, né.
16:15Porque,
16:16pensando no contexto
16:17da perda,
16:19da manutenção
16:19do peso,
16:20é óbvio que
16:21está usando um medicamento
16:22se bem indicado,
16:24uma pessoa que tem
16:25realmente obesidade
16:26e não está
16:27com a dieta
16:28e o exercício
16:28conseguindo resolver
16:30esse problema,
16:30Márcio,
16:31o medicamento,
16:32ele pode ser indicado.
16:34A questão é,
16:35existe um tripé
16:37ali, né,
16:38e todos os
16:39são importantes.
16:41É a dieta,
16:43o exercício
16:44e o remédio.
16:45Se faltar
16:45um dos três,
16:47cai,
16:47essa pessoa
16:48não vai ter êxito,
16:50seja para perder
16:51ou até para a manutenção
16:52desse peso.
16:54E quando não se faz
16:55exercício,
16:56primeiro ponto,
16:57a pessoa restringe
16:58caloria,
16:59está comendo menos
17:00por causa do remédio,
17:01ela vai perder
17:03bastante peso,
17:04mas ela não perde
17:05só gordura,
17:05a gente já falou isso,
17:06ela vai perder
17:07muita massa magra,
17:08massa óssea,
17:09massa muscular,
17:10e ela pode
17:11vir a desenvolver
17:13um problema
17:14chamado sarcopenia,
17:16que é a falta
17:17de massa muscular,
17:18a falta de força muscular.
17:20Estuporose também, né?
17:22Pode,
17:22embora
17:23a sarcopenia
17:25seja muito associada
17:27à população
17:27mais idosa,
17:29isso pode acontecer
17:30também
17:31numa camada
17:32de faixa etária
17:33mais jovem, né?
17:34E eu te fiz essa pergunta
17:35porque a gente está falando
17:36de efeito sanfona.
17:38E hoje
17:38é um clássico
17:39de todos os estudos
17:40em relação
17:41a esses medicamentos
17:42que vieram agora
17:43de última geração
17:44para auxiliar
17:45no tratamento
17:45da obesidade,
17:47quando essas pessoas
17:48interrompem
17:49o uso do medicamento
17:51um ano após
17:52100% tiveram
17:53o reganho de peso.
17:55Quer dizer,
17:55parece que só fazer
17:56o uso do medicamento
17:58e interromper
17:59é como você entrar
18:01num projeto
18:02de atividade física,
18:03alimentação
18:03e abandonar tudo
18:04e começar a comer mais
18:05e ser sedentário.
18:06Você vai reganhar.
18:08É isso mesmo?
18:09Existe esse reganho
18:10de peso
18:11por parte
18:12de quem faz o uso
18:13e para de tomar?
18:15Exatamente o que acontece
18:17visto que a obesidade
18:19ela não tem cura,
18:21ela é recidivante.
18:22A gente vê isso
18:23com muita gente
18:24que faz cirurgia bariátrica,
18:25chega a perder
18:2640, 60 quilos
18:28e depois de alguns anos
18:30tendem a ter
18:31um reganho de peso.
18:32Demora mais
18:33do que um ano
18:34no caso da bariátrica,
18:35é claro,
18:35mas essas pessoas
18:36podem e reganham
18:39até um pouco de peso,
18:40sendo que algumas,
18:41Márcio,
18:41reganham totalmente
18:42o peso que elas tinham
18:44antes da cirurgia
18:45ou ficam com um peso
18:46até maior.
18:47Então, assim,
18:49todo tratamento
18:50para doença crônica
18:52como obesidade,
18:53como diabetes,
18:54como epilepsia,
18:55hipertensão,
18:56essência cardíaca,
18:58você não interrompe,
18:59você não suspende
19:00o tratamento.
19:02Tem muita gente,
19:03eu sei,
19:04até pode ser o motivo
19:06da sua pergunta,
19:07que se automedica
19:08com esse tipo
19:09de remédio,
19:11o que está
19:12completamente errado,
19:13visto que todo remédio,
19:15por mais seguro
19:16que seja comparado
19:17aos outros,
19:18pode levar
19:18e tende a levar
19:19efeitos colaterais.
19:21Essas pessoas
19:21podem passar muito mal
19:23em função disso,
19:24mas não é só isso.
19:25Essas pessoas,
19:27elas não vão saber
19:28manejar o controle
19:29da obesidade.
19:30É como se você
19:31comprasse um helicóptero,
19:33mas não tivesse
19:33um piloto para pilotar.
19:35Você sabe pilotar?
19:36Não.
19:37Você precisa de um piloto.
19:38Então, assim,
19:39a pessoa precisa
19:41de uma equipe
19:41multiprofissional
19:42de saúde,
19:43de preferência,
19:44com o médico,
19:45com o nutricionista,
19:47com o professor
19:47de educação físico,
19:48com o psicólogo.
19:49Eu sei que isso é
19:50o mundo ideal,
19:51mas seria realmente
19:52o melhor
19:53para aquela pessoa
19:54ter as orientações
19:56quanto à dieta,
19:57exercício,
19:58uso da medicação,
19:59que em tese
20:00tende a ser
20:02para a vida inteira
20:03também.
20:03E é interessante
20:05isso que você colocou,
20:06porque a obesidade
20:09é uma doença crônica,
20:10como o doutor Cristiano
20:12falou.
20:13Então, você precisa
20:14tratar aí
20:15por a vida inteira.
20:18A questão do estilo
20:19de vida,
20:19ela é muito interessante,
20:21porque o estilo de vida,
20:22quando a gente fala
20:23de ter uma melhor
20:24alimentação,
20:25de fazer uma atividade
20:26física regular,
20:27de cuidar do seu sono,
20:29obviamente você tem
20:30um impacto
20:31no tratamento
20:32da obesidade.
20:33Mas você vai ter
20:34um impacto
20:34em várias outras áreas
20:36da vida.
20:36Quando você é uma pessoa
20:37fisicamente ativa,
20:39você tem benefício
20:40na sua saúde emocional,
20:41na sua saúde cognitiva.
20:42Quando você dorme melhor,
20:44você também colhe
20:45enormes benefícios
20:46em outras áreas da vida.
20:47Quando você tem
20:48uma alimentação
20:48com muito mais nutrientes,
20:50menos calorias,
20:51mais fibras.
20:52Então, assim,
20:53investir no estilo de vida
20:54é uma boa?
20:56É uma boa, não.
20:57É uma ótima opção,
20:59tá, Márcio?
20:59Só para complementar
21:01algumas coisas.
21:02Hoje a gente vê
21:03no exercício
21:04um adjuvante potentíssimo
21:07até para tratamento
21:08de câncer.
21:10Claro,
21:11se a pessoa fez
21:12aquele tratamento
21:13de quimioterapia hoje,
21:14ela está meio enjoada,
21:16está indisposta,
21:16não vai treinar hoje,
21:17mas amanhã já pode treinar,
21:19ela vai fazer a químio
21:20daqui a uma semana,
21:21duas de novo.
21:23O treinamento ajuda
21:24a prevenir
21:25várias doenças,
21:26inclusive essas doenças
21:27oncológicas
21:28e é um auxiliar
21:30no tratamento
21:31dessas doenças.
21:32Só para ter uma ideia,
21:34você ajuda até
21:34a cuidar melhor
21:36de quem tem câncer
21:37e imagina
21:37de outras doenças.
21:38e isso.
21:39E aí
Comentários

Recomendado