00:00E ainda sobre Copom, a gente volta a falar dessa decisão que manteve a taxa Selic em 15%.
00:05Na ata divulgada, um dos destaques foi a citação do tarifácio dos Estados Unidos sobre exportações brasileiras,
00:13que deixa o cenário mais incerto e mais adverso.
00:16Esses foram os termos usados ali na ata do Copom.
00:19E Alberto Azental já está por aqui para fazer uma análise sobre essa divulgação,
00:23sobre o que a gente pode esperar para a próxima reunião do comitê.
00:27Conta tudo, Alberto Azental. Ótima tarde. Bem-vindo.
00:31Nath, boa tarde. Boa tarde a todos que nos acompanham.
00:36Alberto vai contar tudo.
00:38Como sempre.
00:39Vamos ver cada item.
00:40Não espero nada menos que isso.
00:43Mas então, vamos começar pelo começo.
00:45Por que o Copom manteve a Selic em 15% mesmo com sinais de desaceleração?
00:51Então, o que acontece é que a economia está com sinais mistos.
00:54O que quer dizer? Se você tem todos os sinais que a economia está crescendo,
01:00está indo numa determinada direção, ou está caindo, está indo nessa determinada direção,
01:06não tem nem o que discutir, fica claro.
01:09Mas em momentos de transição, quer seja de queda para estabilidade,
01:13ou estabilidade para subir, quando você tem uma inflexão,
01:17os sinais começam a se apresentar mistos.
01:20Então, eles falam disso, que tem uma inflexão de ciclo.
01:24E também que tem um aumento da inadimplência na questão de crédito.
01:30Que o crédito, de forma geral, ele diminui, o direcionado aumentou.
01:37De forma geral, o crédito diminui e tem aumento de inadimplência.
01:42E o mercado de trabalho segue aquecido.
01:45A gente sabe que a PNAD está com menor desemprego histórico, 5,8.
01:50Ontem saiu a Caged, ainda com saldo positivo de 166 mil vagas.
01:57Começa a mostrar um pouquinho de arrefecimento, mas ainda é positivo, bastante positivo.
02:04Então, a questão de emprego, ela pressiona a inflação.
02:08As expectativas de inflação, elas estão desancoradas.
02:13Quer dizer, os agentes econômicos acreditam que vai ter inflação.
02:19E é uma questão super importante.
02:21Parece besteira, mas assim, se eu vendo e eu acho que eu vou comprar mais caro amanhã,
02:27eu vou procurar vender mais caro.
02:29Quer dizer, eu já coloco um aumento.
02:31Se todo mundo acredita nisso, também a inflação acaba ocorrendo.
02:35E se você perguntar para os agentes, eles vão falar, não, tem inflação.
02:40E essa inflação não está arrefecendo, ela não está diminuindo.
02:44Então, expectativas desancoradas.
02:47E a gente tem uma questão de cenário fiscal que tem esmorecimento das reformas estruturais.
02:54Não tem reforma administrativa no país.
02:57Há uma questão fiscal importante.
03:00A gente está sempre falando disso, a piora da relação dívida-PIB, a tendência.
03:07E todo mundo entende e acredita que vai piorar.
03:11Então, isso gera uma grande incerteza sobre a dívida pública.
03:15Essas são as principais razões.
03:17Você vê que eu falei vários pontos e eles, via de regra,
03:21esses que eu falei são negativos, não são positivos.
03:25Então, se você tem esse cenário, qual que é a palavra?
03:28É o que a gente tem mais ouvido mesmo.
03:32Agora, a segunda é tarifa.
03:34Eu acho que a primeira é tarifa, a segunda é cautela.
03:36E uma vem na sequência da outra, né, a Zental.
03:38E as tarifas contra o Brasil influenciam nos juros daqui?
03:42Então, nessa ata, no item 6, eles falam explicitamente sobre a questão tarifária,
03:51esse aumento de tarifas.
03:55Eles, assim, o que eles estão mencionando?
03:59Que aumenta o risco cambial e a incerteza externa.
04:04Agora, o aumento das tarifas pode fazer com que o Brasil exporte menos.
04:10Se o Brasil exporta menos, entra menos dólar.
04:14Se entra menos dólar, você tem uma apreciação de dólar.
04:18Então, esse é um ponto que preocupa bastante.
04:22Incertezas econômicas, de forma geral, no mundo,
04:27traz maior risco para países emergentes, via de regra.
04:32Então, você tem menos investimento estrangeiro em países emergentes.
04:36Traz menos dólar.
04:38Se traz menos dólar, aprecia o dólar, desvaloriza o real.
04:43Quando acontece aqui no Brasil do dólar ficar mais caro,
04:48tudo aquilo que a gente importa fica mais caro.
04:52Então, pode ter pass-through, que é esse processo de valorização do dólar
04:59faz com que haja uma eventual inflação no mercado interno.
05:05Então, existe, sim, essa preocupação.
05:08Vamos dar um contraponto.
05:10Muita gente fala assim, não, mas se a gente exportar menos carne,
05:13exportar menos café, exportar menos algum desses itens,
05:17vai sobrar aqui no mercado, vai baratear.
05:20Isso pode até acontecer, mas é num curtíssimo prazo de tempo,
05:25até as exportações encontrarem outros compradores
05:29ou a produção brasileira se adaptar a essa menor venda exterior.
05:34Então, a grande preocupação e que a Ata menciona é a apreciação do dólar,
05:40desvalorização do real, pode trazer, sim, inflação para o país.
05:45E, Azental, o que significa a taxa neutra mais alta?
05:48E já vou emendar mais uma, tá?
05:50Quando que começa o tão esperado ciclo de corte, né?
05:52Qual que é a perspectiva para 2025 ou já precisamos falar de 2026?
05:58Perfeito, vamos então.
05:59Taxa neutra é mais técnico, né?
06:01Taxa neutra, dada um determinado país, a sua economia, as suas características,
06:08a taxa neutra é aquela taxa que, se o Banco Central usar aquela taxa como taxa básica,
06:15ela não é nem expansionista, nem contracionista.
06:18Então, é uma taxa de juros neutra, ela não puxa nem para um lado, nem para outro.
06:22Não vai fazer a economia esmaicer, nem ganhar velocidade.
06:28Essa é a taxa neutra.
06:29Em função das características das instituições e da economia brasileira,
06:35a taxa neutra brasileira é muito alta.
06:38Ela deve ser da ordem de 5%, ela é muito alta.
06:45Então, o que acontece, até trouxe esse dado aqui para vocês,
06:49o Boletim Focus, ele prevê para o final do ano, a Selic a 15,
06:53a gente ainda vai ter mais três reuniões até o final do ano.
06:57Eu anotei aqui, deixa eu contar para vocês,
07:00a gente tem uma reunião 17 de setembro, 5 de novembro e 10 de dezembro.
07:05E o Boletim Focus fala o seguinte, olha, a previsão da Selic para o final do ano é 15%.
07:10A gente tem mais três reuniões e hoje está 15%,
07:13o mais provável é que a gente fique, continue em 15% nas próximas três reuniões
07:19e termine o ano em 15%.
07:22Então, o Boletim Focus fala o seguinte, olha, a previsão dos agentes é que seja 15%,
07:27com o IPCA previsto de 5,07.
07:30Então, a nossa previsão de juros reais para o final do ano é de quase 9,5%.
07:35Hoje está em 9,15.
07:37São juros altíssimos e todo mundo vai dizer,
07:41nossa, 15% é uma taxa de juros nominal muito alta.
07:449,5% no final do ano, quer dizer, 9,45% para ser mais preciso, é absurdamente alta.
07:51Mas resgatando a tua pergunta, o juro neutro brasileiro já é muito alto, é da ordem de 5%.
07:57Se eu puser 5% não acontece nada, nem para mais, nem para menos.
08:02Então, na verdade, eu já tenho, o fato do neutro ser alto,
08:07a política monetária perde força, automaticamente ela perde força.
08:12Eu sou obrigado a dar um remédio mais forte,
08:15porque o paciente já está acostumado com o remédio.
08:19Basicamente é isso.
08:20Por isso que a gente tem que ter nominal tão alto, 15%,
08:23e uma real tão alta, 9,45%.
08:26E, concluindo, mais três reuniões,
08:30dificilmente vai mexer alguma coisa nessa taxa selic até o final do ano, Nati.
08:35Tá certo. Obrigada, Alberto Azental, por essa explicação toda.
08:40Ótima tarde para você e até a próxima.