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Pesquisadora da Embrapa Soja e vencedora do Prêmio Mundial da Alimentação, o "Nobel da Agricultura", Mariangela Hungria ressalta a capacidade da indústria nacional e de que maneira o Brasil pode se fortalecer como referência mundial em diversos setores.

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Transcrição
00:00A questão hoje da indústria dos biológicos, ela já está organizada suficiente para competir com a indústria química?
00:09Ou ainda ela está engatinhando nessa competição de mercado?
00:14Não, nós temos uma indústria, olha, que eu trabalho com o mundo todo.
00:20A nossa indústria aqui na Argentina também, olha, é top do top, tá?
00:26Nós temos indústrias fantásticas.
00:28Ainda a gente tem uma possibilidade, o que aconteceu?
00:33Está estourando, sabe assim?
00:34Nossa, é uma indústria nova por dia aí.
00:38Mas nós temos muito para crescer, porque apesar de nós sermos os líderes e tudo,
00:44em média, considerando assim toda a agricultura, 10 a 15% só ainda é de biológicos, o resto de químicos.
00:54Então nós temos muito para crescer.
00:55Tem um mercado grande.
00:56Qual que é o problema que eu vejo?
01:02Biológico, tem muita indústria de químico entrando no biológico.
01:06Biológico não é químico.
01:07Biológico requer o conhecimento.
01:10É difícil, tá?
01:11É bem difícil.
01:12Eu também sou professora, né?
01:15De mestrado, doutorado da Universidade Estadual de Londrina.
01:19Você formar um microbiologista ali há no mínimo dois anos.
01:23Você tem contaminação, você tem um monte de coisa.
01:26E surgiu uma ideia aí que qualquer um pode produzir, porque você produz queijo, cerveja,
01:32você pode produzir o produto que você vai usar na agricultura.
01:37E não é isso, sabe?
01:38São processos e micro-organismos totalmente diferentes.
01:42Por exemplo, da cerveja, do queijo, você pode produzir condições ao ar livre, né?
01:48São micro-organismos que não permitem a contaminação de outros micro-organismos.
01:55Tem pH muito ácido.
01:56Tudo isso é totalmente diferente desses de agricultura.
02:00Então, começou uma ideia muito de que qualquer um pode produzir o que quiser e ninguém tem
02:05nada a ver com isso.
02:06A gente está muito com essa coisa no Brasil, né?
02:08Cada um pode fazer o que quiser.
02:10Autodeclaração, autocontrole, autotudo.
02:12Agora também, né?
02:13Até para mineração, sendo votado aí a lei agora, né?
02:18Você se autodeclara, eu vou minerar, mas você é bonzinho, não vou contaminar o rio.
02:22Tudo isso.
02:23Então, são riscos que a gente tem que cuidar para não perder coisas que, que nem eu falei,
02:30foram 70 anos que a gente está construindo essa história linda que a gente tem de biológico.
02:36Não vamos jogar fora, né?
02:38Agora, professora Maria Ângela, o que nós precisamos fazer para organizar melhor a pesquisa?
02:46Porque hoje temos a Embrapa, mas assim, como colaborar melhor a universidade com o setor
02:51privado ou com pesquisas de longo prazo que não darão resultado do curto prazo, mas
02:56são pesquisas fundamentais que, à frente, farão a enorme diferença.
03:01Como é que nós podemos criar essa conscientização de que investir em pesquisa é fundamental
03:08para um país, principalmente para um país que é uma potência agrícola?
03:12Olha, organizados nós somos.
03:14Nós temos uma rede e, conforme eu falei, eu já trabalhei nos Estados Unidos, já trabalhei
03:20na Europa e tenho colaboração com todos os países.
03:25A organização, o espírito de colaboração que a gente tem, pelo menos na nossa área,
03:32que eu vejo na área de agro, na nossa área de biológicos, então, fantástica.
03:38Não existe no mundo.
03:40A gente colabora, a gente troca experiência, a gente troca tudo, sabe?
03:45Nós, por exemplo, temos um grupo aí, nosso grupo de biológicos, são 28 instituições,
03:51são Embrapa, são universidades, Instituto Federal, Instituto de Pesquisa Estadual,
03:58então, a gente colabora.
04:00O que falta para a gente é dinheiro mesmo, entendeu?
04:04É financiamento e o que que é?
04:08Eu falo assim, no Brasil a gente não faz pesquisa, a gente faz milagre,
04:12porque fazer o que a gente faz com o dinheiro que a gente dá, que dão para a gente, é um milagre.
04:19Então, fica assim uma situação que estão...
04:22O governo fica brincando que dá condição e a gente fica tapando o sol com a peneira
04:31e tentando fazer alguma coisa.
04:33Por exemplo, agora lá mesmo, estava submetendo a abrir o edital lá de projeto da minha empresa, né?
04:40Então, nós vamos achar soluções biológicas para o trigo
04:45e eu vou fazer vários experimentos do trigo no Paraná.
04:485 mil por ano, 5 mil por ano, entendeu?
04:54Não dá nem para eu fazer análise das plantas lá que eu vou colher.
04:58Então, é uma coisa assim, e é tipo 5 mil para 3 anos e de repente chega no segundo ano,
05:04ah, não, ficou condigenciado, não tem...
05:07A gente não tem regularidade, a gente não tem estabilidade na distribuição.
05:13Então, isso é muito difícil e isso acaba com a pesquisa.
05:18A pesquisa, então, básica, que é aquela que você tem que investir,
05:22que vai demorar para ter retorno,
05:24nossa, essa, então, tem que ser herói para fazer.
05:29E o setor privado procura muito a gente.
05:33O setor privado, ele...
05:36Olha, eu falo que eu nem posso,
05:38no nosso laboratório a gente nem consegue atender todo o setor privado que procura a gente.
05:44E a gente nem tem pernas para atender todo o setor privado.
05:48Por quê?
05:49E esse setor privado tem sido fundamental,
05:52porque o recurso que ele dá para a gente,
05:55a gente consegue até fazer outras coisas.
05:58Mas, daí fica aquela coisa,
06:00a gente não está só para atender o setor privado,
06:03a gente tem que atender o público também.
06:05Então, porque a gente tem que dar o retorno para a sociedade.
06:09Então, a gente tem medo disso,
06:12de só ficar atendendo ao setor privado.
06:14Então, falta uma estabilidade e regularidade orçamentária,
06:18ou seja, ter uma verba garantida.
06:20Como é o caso da FAPESP aqui,
06:21tem um percentual do orçamento do Estado.
06:23Então, o que acontece?
06:26Eu falo isso porque há 40 anos eu estou na pesquisa.
06:29Eu nunca, nunca, nunca em 40 anos vi isso que a gente está passando.
06:34Então, hoje a gente não tem orçamento para pesquisa.
06:38Então, a gente fica indo atrás de implorar a emenda parlamentar.
06:43Imagina, então aqui, ah, e um aqui ganhou outro.
06:45Não pode ser isso.
06:47Pesquisa tinha que ser uma coisa definida,
06:51um orçamento definido.
06:52Porque, o que acontece?
06:54Hoje, as coisas estão muito mais rápidas
06:58do que quando eu comecei, ou mesmo há 5, 10 anos.
07:03Hoje, a gente, por exemplo, a pesquisa,
07:06uma pesquisa que eu demorei 10 anos para fazer,
07:09hoje eu tenho capacidade de fazer em 3 anos.
07:11A gente tem edição gênica,
07:13a gente tem inteligência artificial, tem tudo.
07:15Se a gente parar no tempo, no espaço,
07:18nós vamos ficar dependentes de pesquisa externa.
07:21Nós vamos perder tudo,
07:23porque hoje está muito rápido.
07:24Nós não podemos perder isso.
07:26Então, tem que ser considerado uma coisa de soberania nacional.
07:30Nós temos que ter recursos e a gente está amíngua.
07:34Principalmente porque a nossa pesquisa é focada
07:36na agricultura tropical, que é uma coisa tipo.
07:38Exatamente.
07:38Então, não adianta fazer pesquisa em clima temperado
07:41e achar que nós vamos conseguir adaptar a agricultura tropical.
07:43Não, e quando a gente tenta transpor algum resultado
07:47da região temperada para cá, não dá, não dá.
07:50Já se sabe que não dá.
07:51Então, essa estabilidade orçamentária,
07:57a meu ver, acho que é mais fácil hoje nos governos estaduais
07:59do que no governo federal.
08:01Justamente porque os governos estaduais
08:03hoje têm mais juízo com a questão fiscal
08:05do que o governo federal.
08:06Então, assim, para garantir essa constância de verba.
08:11É possível fazer uma coligação de governadores
08:13em torno de financiamento de pesquisa,
08:15principalmente na região do agronegócio,
08:18os estados que são muito beneficiados pelo agronegócio?
08:21Ah, deveria ser, né?
08:23Porque é complicado isso que eu falo.
08:26Por exemplo, assim, você pega uma FAPESP.
08:30Tem soja aqui? Tem soja.
08:32Mas não é só aqui.
08:33Tem Mato Grosso, tem tal.
08:35Então, agora você pega, por exemplo, uma FAPESP.
08:39Os equipamentos que são financiados
08:41só podem ficar no estado de São Paulo.
08:44Não pode ir para o tipo Mato Grosso.
08:46Então, é muito complicado.
08:48Então, alguma coisa tem que ser em nível federal, entendeu?
08:54Então, ou também uma coisa,
08:57o agronegócio, ele contribui muito pouco, entendeu?
09:02Então, deveria ter um fundo para pesquisa.
09:06O agronegócio, ele reclama muito e dá pouco.
09:10Para pesquisa.
09:10O grande agronegócio.
09:12Não dá praticamente nada.
09:13que fala, ah, isso é coisa do governo.
09:14Mas não dá.
09:15Você sabe, o governo está totalmente engessado.
09:17Também não tem nada.
09:18O governo está aí com o IOAF,
09:21que não consegue ir para frente nem nada.
09:23Então, eu acho assim que também o agronegócio
09:27deveria ter fundos para poder financiar
09:31e tornar, tipo, porcentagem das culturas
09:35para poder financiar e dar um pouco mais de estabilidade.
09:39Porque, senão, vai virar contra eles mesmo.
09:42Senão, a pesquisa vira um ato heróico,
09:44como foi o seu caso,
09:46que recebeu esse grande prêmio Nobel da agricultura.
09:49É, eu falo assim,
09:51que acho que foi por resistência,
09:53resiliência e perseverança.
09:55Porque todo mundo falou
09:57que eu nunca ia dar nada na vida,
10:00que eu só fazia as escolhas erradas.
10:02E eu falava, não, mas alguma coisa dentro de mim
10:05fala que é isso que eu tenho que fazer.
10:07Então, deixa eu ir lá.
10:08Mas ninguém merece.
10:11É muito difícil.
10:12Então, olha, por exemplo,
10:13a gente tem, e eu tenho, né,
10:15ex-alunos que estão lá fora,
10:19que vai para fora.
10:20A gente fica muito triste,
10:22mas não pode criticar,
10:24porque é muito difícil, sabe?
10:26Eu sei que é muito difícil.
10:27Você não imagina quantas vezes
10:29eu chorei indo para trabalho
10:32porque você saber que você sabe fazer uma coisa,
10:36que você tem certeza que aquilo ia contribuir muito,
10:40e que você não tem condições para fazer
10:42porque você não tem o mínimo de dinheiro,
10:45é muito frustrante.
10:46Então, esses brasileiros vão lá fora,
10:48quase todos que vão para fora
10:52são excelentes e estudaram em universidades públicas,
10:57entendeu?
10:57São bem formados,
10:58nós gastamos dinheiro nele,
11:00e eles vão para fora
11:02porque estão frustrados aqui.
11:05Então, a gente tem que mudar essa realidade também.
11:07Você tem que ter um nostaliente aqui.
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