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  • há 1 semana
Vamos falar de Endometriose, a doença que fez a cantora Anitta fazer um desabafo nas redes sociais sobre a falta de um correto diagnóstico diante da queixa dela de dor. Será que seu caso pode ser endometriose também? Vamos tirar todas suas dúvidas sobre o assunto.

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Transcrição
00:08Olá, sejam bem-vindos ao Check-Up Saúde. Eu sou a Alice Sarsinelli e essa é a sua conexão com
00:14os
00:14maiores especialistas em saúde do Estado, pelo Folha Vitória e Pan News. Gente, hoje a gente vai falar
00:21sobre um assunto que entrou em evidência depois que a cantora Anitta falou que ficou mais de 9,
00:28quase 10 anos passando por fortes dores por causa dessa doença sem ter tido o diagnóstico. A gente
00:34vai falar sobre endometriose. Será que suas dores que você passa desde a adolescência no ciclo
00:41menstrual podem também estar relacionadas à endometriose? Além disso, a Anitta trouxe para
00:47a gente que ela, como cantora, na posição que ela está hoje, ela pôde faltar aos seus compromissos
00:55em casos de dor, mas que ela lamentava muito as mulheres que não podem se dar ao luxo de faltar
01:01ao emprego num momento de dor. Será que isso é verdade? Será que você tem direito em caso de dor,
01:07seja por endometriose ou outros casos faltar o seu trabalho? A gente vai esclarecer isso e muito mais
01:13no programa de hoje com os nossos especialistas. Sejam bem-vindos, doutor Sobral, doutora Guacira
01:20Muzi, podem se apresentar, ficar à vontade aqui no nosso check-up. Prazer estar aqui com você,
01:26discutindo junto com o Gacira esse termo tão importante da ginecologia que é a endometriose.
01:33Eu agradeço o convite também, Alice, uma satisfação estar aqui ao seu lado e ao lado do Sobral,
01:37que foi meu professor na universidade.
01:41Doutor Sobral, vamos começar entendendo, né? Quando a Anitta fala, fiquei nove anos,
01:47ela que a gente imagina ter acesso a diversos médicos, mas só agora teve o diagnóstico
01:53de uma doença que ela passou dores por nove anos sem ninguém descobrir o porquê da dor dela.
01:59Ela fala que chegou a sentir culpa, achava que era falta de higiene íntima, sentia dores
02:05durante as relações sexuais também, passa quase uma década de dor, sendo, a gente até
02:12pode dizer, negligenciada, né? Sendo colocada a culpa nela por essa dor, até que ela faz
02:17um exame mais específico e descobre realmente que não era da cabeça dela, que aquela dor
02:22tinha fundamento. Acho que os pacientes muitas vezes passam por isso. Quando o especialista
02:27não descobre a dor, a causa da dor que eles têm, fica parecendo que é uma dor imaginária,
02:32que é uma dor que a pessoa está inventando, não é, doutora Guaciria? A senhora também
02:37que passa por essa questão de dor.
02:40Exato. E a endometriose, ela tem essa particularidade na demora do diagnóstico, como a Anitta colocou
02:47aí, realmente observa, é comum. Às vezes, cinco anos para fazer o diagnóstico, desde o início
02:53da doença, né? E muito que vem com aquela questão de que cólica é normal, sofrimento é
02:59normal, associa isso à imagem da pessoa que reclama uma pessoa problemática. A sua
03:05avó teve cólica, a sua mãe teve cólica, você também tem que ter cólica, tem que
03:10aguentar. A endometriose é genética. Às vezes, a avó dela tinha endometriose, não foi
03:14diagnosticada porque não tinha recurso, a mãe dela tinha e ela também tem. Então, é
03:18preciso sempre pensar numa dor que piora com a menstruação, que pode ser endometriose.
03:24A dor na atividade sexual também é um dos sintomas, né? A dor na relação sexual
03:29é um dos sintomas da endometriose. A paciente tem que estar atenta a esse diagnóstico, a
03:34classe médica precisa estar atenta a esse diagnóstico, porque a gente sabe, diagnosticada
03:40no Brasil tem cerca de 7 milhões de mulheres com endometriose. No mundo são quase 200 milhões.
03:45Então, é uma doença de alta prevalência que deve estar no nosso pensamento, na forma de
03:52diagnosticar precocemente, tratar adequadamente e melhorar a qualidade de vida dessa mulher.
03:57Uma adolescente com fortes cólicas, né? Às vezes cólicas menstruais na escola, desde
04:03a adolescência ela já pode ter endometriose ou é uma doença da mulher, adulta?
04:08Então, como eu comentei, ela pode ter uma característica hereditária, né? Então, a paciente tem no
04:14DNA dela essa tendência de ter endometriose. Então, ela pode surgir os primeiros sintomas
04:19na adolescência. Algumas surgem mais tarde, porque nem tudo que está no nosso DNA vira
04:26manifestação de realidade de doença, né? É a questão do fenótipo não, do genótipo
04:32não gerar o fenótipo, né? A gente vem com aquela carga genética dos nossos pais, mas a gente
04:37pode ou não manifestar aquela doença, né? Exatamente. Ou manifestar mais tardiamente uma
04:43síndrome desmetabólica, pode acontecer isso, endometriose também. Mas é preciso pensar nessa
04:48adolescência, sim, né? Eu tive agora recentemente comigo uma paciente de 17 que eu operei, ela
04:53quando tinha 17 anos. Já operando. É, e ela tinha uma endometriose já um pouco severa e
04:59ela veio hoje depois de 20 anos me falar que está com a filhinha, mas que continua tendo
05:03sofrendo e que agora ela gostaria de tirar o útero e tudo, né? Mas você vê lá, com 17 anos
05:08ela fez o diagnóstico. Então, a gente precisa estar atento a essa possibilidade do diagnóstico
05:14nas adolescentes também. Gente, a Anitta, cantora, contou um pouquinho pra gente da
05:19sua dor, mas a gente também trouxe uma ouvinte nossa, a Rosângela, pra gente sentir na pele
05:25de quem tem endometriose, o que que é essa doença, o que que ela representa no dia a dia
05:30da pessoa. Olá, meu nome é Rosângela, eu sou mãe do Enzo e do Bernardo, dois meninos
05:39lindos e fofos. E eu vim aqui pra contar um pouquinho da minha história, de trajetória
05:45aí com a endometriose, que é uma doença que agora tá tão popular, né? Tão comum,
05:50tão comentada. E ela começou já desde o meu primeiro período menstrual, onde eu senti
05:59já dores fortes, né? Tanto menstruando quanto fora, que só foi se agravando. E depois quando
06:08eu comecei a fazer as tentativas de engravidar, eu acabei tendo um aborto e depois tive um pouco
06:15de dificuldade pra engravidar, mas no final deu tudo certo. E após o nascimento do meu segundo
06:21filho, né? Do Bernardo, eu resolvi procurar ajuda porque as dores só aumentaram e descobri
06:29que depois, com a ajuda de uma ressonância, que eu tinha endometriose profunda. Acabei
06:36procurando a opinião de vários profissionais e especialistas, tanto aqui no Espírito Santo
06:43quanto em São Paulo, e todos foram unânimes dizendo que eu necessitaria de uma cirurgia
06:49e de uma provável esterectomia. E assim foi feito. Eu fiz a cirurgia, fiz a esterectomia,
06:56e hoje eu tenho uma vida bem mais confortável, com as dores extremamente mais controláveis.
07:05E na medida do possível, sempre eu procuro não fazer uso de nenhum medicamento, coisa
07:12que antes era bem difícil.
07:14Doutor, o senhor falou em cirurgia, a nossa ouvinte aqui falou em cirurgia também.
07:20É mandatório? Todo mundo que tem o diagnóstico de endometriose acabará passando por uma cirurgia?
07:26A Anitta vai fazer a cirurgia, né? Essa é a forma de tratamento da doença?
07:31Na verdade, não. Nem todas as pacientes necessitam de cirurgia, né?
07:37A dor, ela pode ser resolvida com a mensossuspensão.
07:42A suspensão da menstruação através de medicamentos, né?
07:46Ou através de um DIU medicamentoso, ela pode permitir o controle da doença.
07:50E a cirurgia ficar para o último caso.
07:54Agora, tem pacientes que não podem usar a medicação, não suportam a medicação,
07:58ou que a medicação não resolve.
08:00E aí sim, uma cirurgia, né?
08:03Sempre de preferência com critério de cirurgia minimamente invasiva, por videolaparoscopia.
08:09Hoje nós temos a robótica, que permite uma recuperação mais rápida, né?
08:13Porque a doença é a doença da mulher jovem, né?
08:16Da mulher na fase produtiva.
08:17Como a Anitta falou, eu tive que cancelar shows.
08:19Eu tive condições de fazer isso.
08:21Mas há uma perda profissional aí, né?
08:24E a gente tem que minorizar também essa perda profissional dessa mulher que trabalha.
08:28Que não consegue trabalhar, né?
08:30Por fortes dores.
08:31Por fortes dores.
08:32Então, quando ela vai se submeter a uma cirurgia, também a cirurgia,
08:35que a recuperação e retorno às suas atividades profissionais seja mais rápida.
08:40A gente trouxe também uma advogada para comentar essa questão das faltas ao trabalho,
08:45por motivos de dor, seja por endometriose ou qualquer outra dor que você passe,
08:49algum problema de saúde, se isso é possível, se eu posso faltar, se isso é um direito do trabalhador.
08:57Então, a doutora Andréia vai esclarecer para a gente.
09:00Olá, Alice.
09:02Obrigada pelo convite.
09:04É um prazer falar para todos vocês.
09:06Eu sou a Andréia Camargo, advogada trabalhista.
09:09E vim esclarecer um pouquinho essa questão.
09:12Se é possível faltar o trabalho em razão de uma dor.
09:17Então, é possível?
09:19Sim, é direito do trabalhador faltar, por qualquer motivo.
09:24Agora, essa falta terá consequência de ser descontado o meu dia de trabalho?
09:31Então, quando falamos em dor, estamos falando de uma coisa muito subjetiva.
09:36O que é dor para mim pode não ser para o outro.
09:40Então, a lei concedeu ao médico e ao cirurgião dentista a possibilidade de atestar que essa dor é suficiente para
09:52o trabalhador ter aquela falta sem possibilitar o desconto no salário.
09:59Então, quando você está com uma dor, você deve procurar esses profissionais para, mediante um atestado médico ou odontológico, falar
10:10se você tem direito a um, dois, enfim.
10:13O profissional vai saber quantos dias você tem direito a faltar o trabalho e a empresa, se esse atestado for
10:20um atestado válido, será obrigada a não descontar esses dias no seu salário.
10:29Agora, e se você estiver com muita dor e não conseguir se deslocar a um PA, enfim, a ex-profissional?
10:36Nesse caso, infelizmente, você terá o dia descontado, mas não só isso.
10:46Você pode ter o seu repouso semanal remunerado descontado e ainda ter influência nos seus dias de férias.
10:56Porque o artigo 130 da CLT, ele fala lá que você tem direito a 30 dias de férias se você
11:04tiver 12 meses corridos de trabalho e menos de 5 faltas injustificadas.
11:12Então, se essas faltas não forem justificadas, o artigo vai trazer os dias direitinho que você terá a menos de
11:20férias.
11:20Então, tomem cuidado, procurem sempre um profissional de saúde para atestarem que naquele momento vocês realmente não podem se deslocar
11:30ao trabalho e ter um dia de trabalho.
11:33Tá bom? Foi um prazer esclarecer para vocês. Um abraço a todos.
11:39Doutora Guacir, então a gente vê que o paciente de endometriose, a paciente, ela acaba tendo que aprender a conviver
11:45com a sua dor também, né?
11:47E ela acaba procurando, muitas vezes, o especialista em dor, ela tem que aprender a gerenciar o momento de dor,
11:54que medicação tomar e também de uma maneira preventiva.
11:58Como é que funciona o trabalho, o seu trabalho como especialista em dor no tratamento da endometriose?
12:04Sim, Alice. Hoje em dia é muito comum que o próprio ginecologista encaminhe o paciente para o especialista em dor
12:10para manejar especificamente a dor.
12:12Porque, às vezes, a endometriose, ela fica tão difundida, tão espalhada, digamos assim, na pelve, que a dor passa a
12:20ser um problema muito grande,
12:21trazendo repercussões na vida social, profissional e também na vida conjugal.
12:26Então, hoje em dia, com a difusão dessa especialidade focada no tratamento da dor, é muito comum tanto o ginecologista
12:34encaminhar a paciente
12:35quanto a própria paciente buscar a ajuda de um especialista em dor. E aí a gente trabalha em paralelo com
12:41o ginecologista.
12:42É muito interessante que os dois profissionais se comuniquem, debatam o caso, discutam a evolução daquele caso,
12:48para que haja o melhor sucesso possível no controle da doença.
12:53Mas aí é durante uma crise? Como é que é feito esse tratamento?
12:57Não, a paciente vem fora da crise, porque a dor da endometriose, não só da endometriose, como a dor pélvica
13:04crônica.
13:05É importante frisar que existem outras causas de dor pélvica crônica.
13:09Essa dor próxima do útero?
13:11A dor da pelve. Agora a endometriose está em foco por causa dessa divulgação da Anitta,
13:17mas existem outras causas de dor pélvica crônica que não só a endometriose.
13:21Então a gente acompanha essa paciente, investiga a causa, algumas vezes ela já vem com o diagnóstico fechado,
13:28mas a gente investiga se há outro fator envolvido, como por exemplo o fator muscular.
13:33Às vezes o foco de endometriose pode estar alojado numa estrutura nervosa,
13:38provocando outros focos de dor além da endometriose.
13:42Por isso que é importante esse trabalho conjunto, tanto do ginecologista, do cirurgião,
13:46quanto do especialista em dor, trabalhando junto, unindo forças para que haja realmente o controle adequado da dor.
13:54E a fisioterapia também é uma alternativa? A gente trouxe uma fisioterapeuta para explicar.
13:59A senhora costuma indicar para fisioterapia?
14:02Sem dúvida. No tratamento da dor é muito importante não só o tratamento farmacológico
14:07ou de procedimentos para o bloqueio da dor, como também o tratamento não farmacológico.
14:12Não usar só o remédio, né?
14:13Sim, as duas coisas têm que estar atuando juntas.
14:16E no caso do não farmacológico, a fisioterapia tem um papel fundamental no controle dessas dores.
14:22Vamos entender então, gente, um pouquinho sobre como a fisioterapia pode auxiliar no controle da dor,
14:27no caso da endometriose.
14:30Olá, meu nome é Tatiana Passarela e eu sou especialista em saúde da mulher,
14:35ou fisioterapia pélvica.
14:37Eu vou falar da atuação da fisioterapia e mulheres portadoras de endometriose.
14:43Nós podemos receber em consultório essa mulher antes do diagnóstico, durante ou depois do diagnóstico.
14:51Nós vamos atuar ali pensando em uma mulher que tem uma dor pélvica crônica.
14:56Então, o que isso leva a gente a pensar?
14:59Que a musculatura ao redor da pélvica também pode ser afetada.
15:03Então, a gente avalia musculatura abdominal, que pode vir a ter pontos de tensão.
15:09Ela também pode sentir dor lombar.
15:12E às vezes a dor lombar dela é irradiada para membros inferiores.
15:17A gente atua na dor, então.
15:20É uma mulher que, como ela tem dor pélvica, ela pode sentir dor durante a relação sexual e ou após.
15:27Então, a gente atua melhorando a qualidade de vida sexual dessa mulher.
15:31É uma mulher que após vir apresentar disfunções urinárias, então ela pode chegar ao banheiro para fazer a mixão.
15:41Sentir que não fez todo o xixi e ter durante o dia essa vontade de ir sempre fazer xixi, porque
15:49acha que não eliminou toda a urina.
15:52Como ela tem dor pélvica, a dor também leva à fraqueza.
15:55Então, ela pode também não conseguir segurar o xixi.
15:58Então, na hora que ela tem muita vontade de fazer o xixi, ela perde totalmente a urina.
16:05É uma mulher que também tem disfunções fecais, na maioria das vezes, porque quando ela senta no vaso para evacuar,
16:13ela não consegue relaxar muito o assoalho pélvico, então ela acaba tendo muita constipação intestinal.
16:19A gente atua também nessa parte.
16:23Junto com a equipe multidisciplinar, nós temos uma atuação muito vasta, porque a gente precisa levar qualidade de vida para
16:31essa mulher.
16:33Eu fico agradecida pelo convite, eu falei muito rapidamente sobre a fisioterapia e eu estou à disposição para qualquer dúvida.
16:41Muito obrigada.
16:44Então, a gente vê a importância de uma equipe realmente integrada, multidisciplinar, várias especialidades conectadas, né?
16:52Fazer realmente um atendimento de acolhimento a essa mulher que está reclamando de dor.
16:57E a importância da mulher não desistir do seu diagnóstico, né?
17:00Exatamente.
17:01E na dor crônica, né?
17:02A gente tem que alertar que o uso de anti-inflamatórios, por exemplo, pode levar à lesão renal, pode levar
17:09a outras alterações.
17:10Então, realmente você ter uma especialista de dor que possa conduzir o tratamento medicamentoso com segurança,
17:18utilizar uma boa avaliação diagnóstica e com a equipe multiprofissional oferecer todas as terapias possíveis
17:26no sentido de diminuir a utilização de analgésicos e anti-inflamatórios é fundamental.
17:31Para a pessoa evitar também a automedicação, né, doutor?
17:34Sem dúvida.
17:35O ideal é que realmente seja prescrito.
17:37E existe prevenção?
17:39Ah, eu estou com medo de ter essa doença da Anitta, tenho medo de ter endometriose.
17:44Existe algum tipo de prevenção?
17:46Por exemplo, eu vim com a genética, né?
17:48Minha mãe teve endometriose, minha avó teve endometriose, eu começo a ouvir histórias na minha família de endometriose.
17:55Talvez eu tenha vindo com essa carga genética.
17:58Como prevenir?
17:59Como não fazer a doença aparecer?
18:01Existe algo que eu possa fazer?
18:03Olha, tem alguns, tem um tripé de segredos, sabe?
18:07Exercício físico, atividade física, alimentação, evitando principalmente glúten e alimentos que são inflamatórios.
18:15Então, a dieta, ela pode ajudar na prevenção.
18:19E a suspensão...
18:19Pão, então seria?
18:20Pão, macarrão...
18:22Macarrão...
18:22É tudo que tem glúten.
18:24Exatamente.
18:24É do trigo, né?
18:25Do trigo.
18:26Seria como na doença de quem não pode comer trigo.
18:29Na doença celíaca.
18:30Você evitar esses alimentos que vão favorecer o processo inflamatório no organismo de uma forma geral, que favoreceria, no caso,
18:40a endometriose.
18:41E a suspensão da menstruação.
18:44Então, são os três direcionamentos maiores aí, em termos de prevenção da endometriose.
18:49A gente sabe também, gente, que a endometriose está muito ligada à infertilidade.
18:54Então, a gente trouxe uma especialista nessa área, doutora Laysa, para falar um pouquinho sobre endometriose e infertilidade,
19:02que é um medo que surge diante desse diagnóstico.
19:07A endometriose é uma doença muito relacionada à infertilidade.
19:12Estima-se que cerca de 30% a 40% das mulheres que têm o diagnóstico de endometriose apresentam alguma
19:20dificuldade para engravidar.
19:22Existem vários mecanismos pelos quais a endometriose pode afetar a fertilidade,
19:29sendo que o mais importante deles é o processo inflamatório.
19:33Os mediadores inflamatórios dificultam o encontro do óvulo com o espermatozoide,
19:40prejudicam a qualidade do óvulo, distorcem as estruturas pélvicas, como as tubas utelinas,
19:47podendo até levar à obstrução tubária, e dificultam a receptividade do endometro pelo embrião.
19:55Dentre as alternativas de tratamento das pacientes que têm infertilidade associada à endometriose,
20:04nós temos o tratamento cirúrgico, o tratamento medicamentoso e o tratamento de reprodução assistida,
20:12sendo que a indicação vai depender do grau da endometriose e da presença de sintoma.
20:21Quando a endometriose é leve ou a endometriose peritonial,
20:26nós podemos lançar mão da técnica cirúrgica para que o casal tente engravidar naturalmente
20:32durante um período de seis meses, que nós consideramos janela de oportunidade.
20:38Quando a endometriose é profunda, a literatura demonstra que não há muitas vantagens
20:44em se realizar a cirurgia de endometriose antes da técnica de reprodução assistida.
20:50Então, nós indicamos a fertilização in vitro.
20:54Independente do desejo reprodutivo, sempre que houver indicação cirúrgica,
21:00nós aconselhamos que a mulher preserve a sua fertilidade antes de operar.
21:07Preservar a fertilidade seria ter seus óvulos coletados antes disso?
21:13Exatamente. Se é uma mulher que quer engravidar e já tem uma indicação de fazer uma fertilização in vitro,
21:20se ela é casada, se ela tem um companheiro, já tem uma possibilidade,
21:24o ideal é até congelar a embrião, que os embriões congelados têm um resultado melhor.
21:29Mas se ela é uma mulher, aliás, toda mulher deve colocar dentro do seu planejamento de vida
21:34essa possibilidade de congelar óvulos.
21:38As que têm endometriose, mais ainda deve estar atenta a essa possibilidade.
21:43Quando a endometriose acomete o ovário e tem endometriomas grandes,
21:48quando você vai retirar a doença, você acaba levando parte dos folículos ovarianos,
21:54parte dos óvulos podem se perder.
21:56Então é fundamental que seja oferecida ela a possibilidade dela congelar,
22:01tirar óvulos e formar embriões e congelar o embrião antes do tratamento cirúrgico
22:06ou congelar os óvulos antes do tratamento cirúrgico,
22:09quando existe o risco de perda de reserva, que a gente fala de óvulos.
22:14Doutor Sobral, a gente tem um compromisso com a saúde pública aqui também,
22:19com o acesso do SUS aos tratamentos que a gente cita aqui no programa.
22:24Tanto para o caso da dor, doutora Guacira, quanto os tratamentos para endometriose,
22:28eles estão disponíveis no SUS?
22:30Hoje a gente tem uma lacuna para cirurgias maiores no SUS.
22:35Lá no Hospital Universitário, no UCAM, a gente trata das pacientes com endometriose,
22:41a gente cuida, mas a gente tem uma dificuldade de fazer as cirurgias de mais alto custo,
22:46porque o SUS não consegue dar uma cobertura adequada.
22:49A gente tem projeto para oferecer esse tratamento,
22:53mas a gente não conseguiu ainda viabilizar isso junto à Secretaria Estadual de Saúde.
22:58Doutora Guacira, e em relação à dor, rapidamente,
23:01a gente está chegando ao final do programa,
23:02mas a mulher consegue acesso a esse tratamento pelo SUS?
23:06Aqui no estado, Alice, nós temos dois serviços de dor,
23:09um na Santa Casa e um no Hospital Santa Rita,
23:12porém ainda muito focados para o controle da dor oncológica.
23:16Os pacientes são direcionados internamente por outros médicos destes hospitais.
23:20Não é um serviço de porta aberta ao público, como a gente diz.
23:25Queria agradecer muito a presença de vocês nesse programa que foi tão esclarecedor.
23:29Acho que todo mundo ficou aí com pena da Anitta, se colocando no lugar dela,
23:33pôde entender um pouquinho mais sobre o problema que ela está passando,
23:36o problema que realmente pode levar à infertilidade,
23:39mas que tem controle.
23:40Então, as boas notícias que vocês trouxeram, eu agradeço muito.
23:43Doutor Sobral, doutora Guacira.
23:46Prazer, Alice.
23:47Estaremos sempre à disposição.
23:48Eu agradeço muito, Alice, principalmente como mulher,
23:51de trazer esse assunto tão à tona, trazer informação para a mulher,
23:54porque a dor pode ser controlada, não precisa conviver com essa dor toda.
23:58Exatamente.
23:59Eu acho que o alento é esse.
24:00Você que passa por dor não tem que ficar nove, dez anos passando por dor.
24:05A dor é subjetiva, cada um que sente,
24:08mas a dor é sua e você pode procurar o seu direito também.
24:12Esse foi o Check-Up Saúde de hoje e até semana que vem.

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