Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 2 semanas
No programa de hoje, Dra. Layza Merizio e Dra. Larrisa Galvão explicam tudo que você precisa saber sobre a endometriose, problema que afeta 1 em cada 10 mulheres no Brasil.

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:07Temos aqui hoje duas grandes especialistas, ambas ginecologistas.
00:13A gente vai aproveitar até para entender que tem sub-área dentro da ginecologia.
00:17Seja bem-vinda, doutora Larissa Galvão.
00:20Obrigada. Agradeço o convite.
00:22E doutora Laysa Merizio Borges, seja bem-vinda.
00:25Obrigada, Lissa. É um prazer estar aqui.
00:27Vou aproveitar, doutoras, vou perguntar para vocês a diferença dessas sub-áreas dentro da ginecologia.
00:33Como que vocês atuam conjuntamente? Explica um pouquinho para a gente.
00:38Posso falar?
00:40Eu sou ginecologista, obstetra.
00:43E na sequência eu fiz especialização em medicina fetal e imagem da mulher.
00:50Então a minha área de atuação é imagem.
00:52Eu não faço com história, como ginecologista.
00:54Que seria o ultrassom. Imagem é o ultrassom.
00:57Porque a gente imagina a fotografia.
01:00Perfeito. Ultrassom.
01:01Tanto nesse foco de gestante, né?
01:04Quanto na mulher, em todas as suas fases de vida.
01:07Aquelas que estão tentando engravidar.
01:09E aí vem a parceria com a Laysa.
01:11Você está grávida, né, doutora?
01:12Estou, estou gravidíssima.
01:14Nessa fase que a gente fica tão ansioso.
01:17Na fase de fazer as ultrassonografias.
01:20Saber se o bebezinho está bem dentro da nossa barriga.
01:23É muito importante esse acompanhamento.
01:25Explica pra gente a importância do ultrassom na gestação.
01:29Ah, sem dúvidas.
01:30O exame de imagem é o exame que vai guiar, então, né, o obstetra nas suas condutas.
01:35Então é realmente muito importante.
01:38E eu acho até que é um momento tão gostoso, né?
01:41Quando a gente vai fazer o ultrassom.
01:43Ver ali o bebezinho.
01:44Ver que está tudo bem.
01:46Então é uma satisfação muito grande trabalhar nessa área.
01:49Doutora Laysa, e a área, a sua área dentro da ginecologia, qual é?
01:54Então, eu sou também ginecologista obstetra.
01:57E, na verdade, esse é um pré-requisito, né, Larissa?
02:00Pra que você depois se aprofunde em alguma sub-área dentro da ginecologia ou da obstetrícia.
02:07Então a gente faz a residência e depois a gente se especializa, né?
02:10Eu fiz especialização em reprodução assistida.
02:13Então hoje eu atuo especificamente nessa área da reprodução.
02:17E auxilio casais que têm dificuldades pra engravidar a conseguirem alcançar esse sonho de ter um bebê.
02:25Hoje a medicina reprodutiva, ela ampliou um pouco também, né, os seus horizontes.
02:30Então mulheres que desejam engravidar mais tardiamente, a congelarem óvulos.
02:35E a gente tem aí uma amplitude enorme mesmo, assim, de tratamentos, né, que podem auxiliar as pessoas dentro dessa
02:44área.
02:45Então agora a gente quer entender sobre a endometriose e o papel, tanto da parte de fertilidade, quanto da parte
02:52de imagem, dentro deste tema.
02:55Vamos começar entendendo o que é endometriose.
02:57Acho que as mulheres têm esse assunto na ponta da língua porque alguém ou tem ou conhece alguém que tem
03:03endometriose.
03:04Talvez não seja tão comum aos homens.
03:07Nós temos histórias de famosas também, que vez ou outra aparecem aí relatos desta doença.
03:12Doutora, explica pra gente o que é endometriose.
03:15A endometriose, ela permeia tanto a área da infertilidade, quanto, né, a parte do ultrassom pro diagnóstico.
03:24É uma doença que é de difícil diagnóstico e ela tem vários mecanismos que podem explicá-las, várias teorias,
03:34porque é uma doença meio enigmática, né, mas a teoria mais aceita é a teoria da menstruação retrógrada.
03:42Nós mulheres, todo mês, quando nós menstruamos, nós temos uma parte do sangue que reflui pra dentro da cavidade abdominal
03:50e esse sangue que reflui, ele pode se implantar em alguns órgãos e ali gerarem focos de endométrio ectópicos, né,
04:01fora do lugar original.
04:03E esses focos vão gerar uma reação inflamatória, que geralmente leva a mulher a sentir dor na menstruação,
04:10dor na relação, infertilidade e uma série de outros sintomas.
04:15Então, o aceito é que haja sangue da menstruação na cavidade da barriga, dentro da barriga, fora do útero, onde
04:24deveria estar, né,
04:25saindo do útero pela vagina e isso estaria, então, espalhado pelos órgãos e isso geraria dor.
04:32Sim, exatamente.
04:34Doutora, e como que é o diagnóstico da endometriose? É importante sempre a imagem? É por relato?
04:40Quem tá em casa e pode desconfiar que tem a doença? Porque a gente é acostumada que menstruar dói, que
04:47a cólica é dolorida, né,
04:49que a menstruação é ligada. A gente fica um pouco frustrada, às vezes muito irritadas.
04:55Mas o que que dá sinais de endometriose?
04:59Perfeito. Eu gosto muito dessa pergunta, porque apesar de fazer a parte da imagem, né, o ultrassom,
05:06pra então entender, né, como que está a doença na pélvida da mulher, o diagnóstico, ele começa no consultório do
05:13ginecologista, né,
05:15com a escuta ativa. Então, valorizar a queixa do paciente.
05:21Aquela paciente que chega falando que tem muita dor, uma dor incapacitante, que tem dor na relação sexual.
05:29Então, tudo isso precisa ser valorizado e a gente precisa entender o porquê, né,
05:34eu acho que, eu sempre falo isso, eu acho que a grande mensagem, sentir dor não é normal.
05:39Não podemos aceitar, né, ah, mas faz parte, a gente escuta isso ao longo da nossa vida.
05:45É, que a mulher tem que aguentar, às vezes as próprias adolescentes já carregam pra escola o remedinho pra dor,
05:51já sabem o que usar.
05:53Perfeito. Mas sentir dor, sobretudo uma dor tão forte, definitivamente não é normal.
05:59Então, o diagnóstico, ele vai acontecer ali, naquele momento.
06:02E aí, na sequência, um exame físico detalhado, né, um profissional, sobretudo especialista em endometriose,
06:09consegue, através do toque vaginal, já sentir os focos da doença.
06:13E, em um terceiro momento, vem a imagem, tanto o ultrassom, como o preparo intestinal,
06:19que é o exame que eu faço, e também a ressonância.
06:24Ambos, os métodos devem ser feitos sempre por médicos especialistas, né,
06:28e nesse cenário a gente consegue, então, entender a distribuição da doença na pélvica da mulher.
06:35Então, são os três pilares aí do diagnóstico.
06:38Esse médico especialista é especialista em ultrassonografia ou tem que ser ultrassonografista para endometriose?
06:46Para endometriose, perfeito.
06:48Tem que estudar a endometriose.
06:50Até mesmo quem faz a ressonância, né, os radiologistas que fazem a ressonância,
06:55tem que ser um especialista na doença, alguém que estuda a endometriose,
06:59porque é um diagnóstico realmente complexo.
07:02E você ia complementar sobre os três pilares, então, quais são?
07:06Exato, a escutativa, né, então, valorizar as queixas, uma boa anamnese, uma boa história da paciente,
07:12o exame físico e os exames de imagem especializados.
07:16Mas existe endometriose que a gente não vai encontrar dor, doutora?
07:21Existe o paciente que fica assintomático, que tem, então, esse refluxo do sangue
07:27para dentro da cavidade abdominal, causando uma inflamação?
07:31Existe uma inflamação que esse sangue causa e, mesmo assim, a mulher pode ficar sem sintomas?
07:36Sim, nós sabemos que 20% das mulheres, aproximadamente, podem ser assintomáticas.
07:42E uma informação importante é que a intensidade da dor, né, a intensidade do sintoma,
07:49ela não guarda relação com a intensidade da doença.
07:52Então, às vezes, a paciente, ela tem muitos focos e ela é pouco sintomática
07:56e ela pode ter poucos focos e ter muitos sintomas.
08:00Então, isso também, né, é um mito, assim, ah, se a paciente não tem dor,
08:05então ela não tem endometriose.
08:07Se ela tem pouca dor, ela tem poucos focos de doença.
08:10Não é verdade.
08:11E, principalmente no caso da infertilidade, muitas vezes, lá no consultório,
08:17a gente faz o diagnóstico da endometriose porque a paciente não está conseguindo engravidar.
08:22Então, a infertilidade surge como o primeiro sintoma dela.
08:25E aí, quando a gente vai investigar as causas de infertilidade,
08:28a gente encontra a endometriose.
08:31E aí, no caso de dor, a paciente fala, não, eu tenho a dor, mas essa dor é suportável, né,
08:37porque muita gente não gosta de procurar médico logo que sente que tem algum problema.
08:42Ou culturalmente aprendeu, né, que a mulher sente dor ao menstruar
08:46e decide por não procurar tratamento.
08:50Qual é o perigo de não se tratar a endometriose?
08:53Você falou de infertilidade, mas tem outros danos aí que podem estar associados?
09:00A mulher pode, se a fertilidade, por exemplo, não for uma preocupação para ela.
09:04Ela pode conviver com aquela dor ou podem surgir outros danos aí vindos dessa doença?
09:10Então, a questão é que a endometriose é uma doença progressiva e é uma doença da menstruação.
09:16Então, a importância de se ter o diagnóstico estabelecido é a gente evitar que a doença progrida.
09:24Então, mesmo que ela não tenha sintomas, ela pode fazer um tratamento nutricional
09:28para diminuir o processo inflamatório, ela pode fazer um tratamento hormonal
09:33para abolir os ciclos menstruais e evitar que essa doença progrida.
09:37Porque à medida que os focos vão crescendo, vão invadindo os tecidos,
09:41ela pode ter comprometimentos vários no sistema digestivo, no sistema urinário.
09:49Então, ela pode, às vezes, não ter dor, mas ter sangramento nas fezes, ter sangramento na urina.
09:54Aí vai depender de qual órgão está comprometido pela doença.
09:58A gente quer entender, sim, mais sobre prevenção, mas antes a gente quer sentir na pele
10:04de uma ouvinte nossa que sofre com a doença.
10:08Olá, eu me chamo, sou portadora de endometriose.
10:13Fui diagnosticada no ano de 2020, graças à minha médica.
10:19E no ano de 2021, fui submetida a um tratamento cirúrgico
10:23que me possibilitou ter mais qualidade de vida.
10:27Graças a essa mesma cirurgia, no ano de 2022,
10:31eu consegui engravidar naturalmente da minha filha, que hoje tem nove meses.
10:37Graças a essa cirurgia, hoje eu tenho qualidade de vida, consigo levar uma vida normal.
10:44E a minha dúvida é a seguinte, por que tantas pacientes, assim como eu,
10:49são diagnosticadas tardiamente?
10:55Bem, infelizmente, essa é uma realidade, né?
10:58Os dados hoje apontam que a mulher leva de sete a dez anos para ter um diagnóstico.
11:06Eu acho que isso é devido, primeiro, ao que a gente pontuou lá no início, né?
11:14Aquela questão de escutarmos a vida inteira que sentir a dor é normal, né?
11:19E muitas vezes a gente até levar isso para o médico ginecologista que não valoriza
11:24e que não pesquisa o que está acontecendo, né?
11:27Ou a própria paciente encarar, né?
11:30Esse quadro como normal, né?
11:33Porque escutou a vida inteira isso.
11:36Além disso, tem a questão da imagem.
11:39De fato, o exame que eu realizo, que é a ultrassom transvaginal com preparo intestinal,
11:44é o exame que vai mapear a doença, é um exame especializado, né?
11:49Voltado para quem tem esse diagnóstico ou a suspeita do diagnóstico.
11:53Mas no exame de rotina, do transvaginal, que é um dos exames mais realizados por mulheres,
11:59se a gente conseguir um tempinho a mais conversar com a paciente,
12:04olhar as regiões mais acometidas, muitas vezes a gente já consegue ver um foco da endometriose,
12:10e direcionar aquela paciente para um médico especialista que vai tratá-la de forma adequada.
12:16Então, eu acho que o diagnóstico tardio é por conta disso daí, né?
12:21Dessa questão de normalizar a dor, tanto por parte da paciente,
12:26quanto por parte dos profissionais de saúde,
12:29e talvez a falta de treinamento da equipe médica nos exames de rotina.
12:36E também porque o ultrassom comum, ele muitas vezes não vê os focos profundos de endometriose.
12:42Então, a paciente faz, geralmente, um ultrassom endovaginal.
12:45Só vai verificar que tem endometriose se for ovariana, né?
12:50Ou endometrioma.
12:51Um ultrassom especializado, não.
12:53Ele tem todo um preparo, né?
12:56Ele tem um outro olhar.
12:57Então, a paciente muitas vezes fala isso, né?
12:59Poxa, eu sempre fiz ultrassom e nunca tive o diagnóstico de endometriose.
13:04Mas é porque não era um ultrassom específico, né?
13:08Especializado.
13:09E existe, doutora, também o caso da doença ter começado tardiamente?
13:14Eu posso ter passado 10 anos da minha vida sem endometriose
13:18e ela começar depois de uma década de menstruação?
13:21Então, acredita-se que existe uma relação genética, né?
13:26Da endometriose.
13:27Qual mulher vai ter endometriose ou não vai ter, né?
13:31Seja uma determinação genética.
13:33Tanto é que todas as mulheres têm essa menstruação retrógrada.
13:36Mas nem todas desenvolvem a endometriose.
13:40Então, ela precisa ter um receptor ali na pelve
13:42pra que essas células se implantem.
13:45Então, essas mulheres, elas já têm uma predisposição mesmo, né?
13:49De ter a endometriose.
13:50Mas o que vai definir?
13:52A velocidade que os focos vão progredir, né?
13:55Como que ela vai se manifestar?
13:57Isso é ainda incerto mesmo.
14:00E você, tem alguma dúvida sobre este ou outro tema?
14:03Me procure lá nas redes sociais, arroba, doutora Alice Sarsinelli.
14:08Mande sua dúvida, mande seu vídeo, que você pode ser um ouvinte que vamos sentir na pele.
14:14Vamos sentir agora na pele de mais um participante.
14:17Oi, meu nome é Uriana, eu tenho 25 anos.
14:20Há três meses eu estou tratando o ovário policístico que se desenvolveu após a minha gestação.
14:25Na minha família tem caso de endometriose.
14:27Eu gostaria de saber se nesses casos tem a chance de evolução do ovário policístico para uma endometriose?
14:36São doenças distintas, né?
14:38A endometriose e a síndrome do ovário policístico.
14:41Não é que a síndrome do ovário policístico vai levar ao desenvolvimento da endometriose.
14:46Mas elas também têm sintomas em comum e aí são confundidas.
14:51Ambas também têm essa verdade do diagnóstico tardio.
14:57Ambas podem levar a infertilidade, irregularidade do ciclo menstrual.
15:02E não é incomum na nossa prática encontrarmos pacientes com os dois diagnósticos.
15:08Agora, é interessante também que cada uma tem o seu tratamento específico, sim.
15:16Mas a mudança do estilo de vida, por exemplo, prática de exercício físico, vai estar tratando igualmente as duas doenças.
15:27Então, a gente consegue caminhar dessa forma e tratar ambas as patologias.
15:35E o que quem tem endometriose não deve comer?
15:39Os alimentos inflamatórios, né?
15:41Então, carne vermelha, álcool...
15:45Trigo também?
15:47Trigo.
15:48Exato.
15:49Então, fazer uma dietinha light para ajudar na sua dor.
15:52Perfeito.
15:54Doutora, explica sobre essa relação da fertilidade com a endometriose.
15:59Muitas mulheres que têm esse diagnóstico, a primeira coisa que vem à cabeça é
16:02meu Deus, será que eu não vou poder engravidar?
16:06Nós sabemos que não é uma sentença, né?
16:09Não são todas as mulheres que têm o diagnóstico de endometriose que vão ter infertilidade.
16:14Mas grande parte delas podem apresentar devido ao mecanismo da endometriose.
16:19Então, esse mecanismo inflamatório que nós mencionamos vai gerar uma liberação de mediadores
16:25inflamatórios na pelve.
16:27E esses mediadores vão dificultar o encontro do óvulo com espermatozoide, vão dificultar
16:33a receptividade endometrial, diminuir qualidade de óvulos.
16:37Podem causar alterações anatômicas nas trompas, então obstrução tubária, alteração
16:43da anatomia da trompa, dificultando a chegada do espermatozoide até o óvulo.
16:48Então, existem vários impactos.
16:50Pode causar endometrioma, que é a endometriose no ovário, né?
16:54E ocupar o parêntomo ovariano, dificultando a ovulação.
16:57Então, a gente tem diversos mecanismos pelos quais a endometriose pode comprometer a fertilidade.
17:05Mas não é uma sentença, como eu falei.
17:08É possível, sim, que a mulher consiga engravidar mesmo tendo endometriose, principalmente se
17:13ela for em estágio inicial, se ela for só uma endometriose leve, superficial.
17:18À medida que a doença vai ficando mais profunda, ela vai tendo um grau de profundidade, de comprometimento
17:28maior, o grau de infertilidade tende a piorar.
17:32Fica mais difícil de tratar.
17:34A gente vai caminhando para as técnicas de alta complexidade para conseguir ajudar essa
17:38paciente a engravidar.
17:40A ideia seria primeiro tratar a endometriose para depois buscar engravidar?
17:45Depende do grau da endometriose quando do diagnóstico, da idade da paciente, da reserva ovariana.
17:52Então, a gente tem que fazer sempre uma avaliação bem ampla.
17:54Se é uma paciente que já quer engravidar, já tem uma idade acima de 35 anos, já tem
18:00uma reserva ovariana ali no limite, né?
18:02A gente já, se ela for uma endometriose profunda, muitas vezes a gente já caminha mesmo
18:07para tratamento de alta complexidade.
18:09Às vezes a paciente já tem um tempo de infertilidade longo, né?
18:13Ela não pode ficar postergando esse tempo porque a doença vai avançando.
18:18Tem os casos que têm indicações cirúrgicas, então a gente precisa, nesses casos, congelar
18:23primeiro óvulos ou congelar embriões para depois operar, porque a manipulação da pelve
18:29pode diminuir ainda mais a reserva ovariana e comprometer mais a fertilidade, para no futuro,
18:35depois que ela se recuperar da cirurgia, a gente colocar o embrião dentro do útero.
18:39Então, as estratégias terapêuticas vão depender do grau da doença e das características
18:46da paciente.
18:47Se ela quer engravidar agora, se ela quer engravidar depois, o quanto ela tem de dor,
18:52então nem sempre é cirúrgico também a endometriose.
18:55Não precisa ter medo desse diagnóstico e relacioná-lo sempre à cirurgia.
18:59Nem sempre.
19:00A dor é uma indicação para a cirurgia, dor intensa.
19:04E não responsivo a tratamento conservador, né?
19:07Então, aquela paciente que está tentando medicação, mudança do estilo de vida e ainda
19:11assim não melhora, então a gente tem a indicação da cirurgia.
19:15Cada vez menos, né?
19:16Cada vez menos.
19:17A gente indica a cirurgia, justamente pelo comprometimento da reserva.
19:20Geralmente são mulheres jovens que têm desejo reprodutivo, então quanto menos a gente
19:26manipular a pelve cirurgicamente, melhor.
19:29Mas tem vezes que não dá para escapar.
19:31Tem vezes que não dá para escapar.
19:32Doutora, explica para a gente.
19:35Muita gente correlaciona a endometriose com o medo de ter câncer.
19:39É verdade?
19:40Esse é um risco?
19:42Quando eu dou o diagnóstico de endometriose, lá no ultrassom, eu sempre passo essa mensagem
19:48para elas.
19:48A endometriose é uma doença benigna.
19:51Sabemos sim que em poucos casos, aproximadamente 2%, os endometriomas, que é a endometriose ovariana,
20:01pode malignizar.
20:02Mas existem outros fatores que estão muito mais envolvidos nesse processo, né?
20:06Então, buscar sempre ter um estilo de vida saudável, se alimentar bem, evitar o tabagismo,
20:14o álcool em excesso.
20:15Eu acho que esses cuidados, né?
20:18Eles devem ser tomados e são muito mais preocupantes do que um risco tão pequeno, né?
20:27De uma malignização ali, de um foco ovariano.
20:30Isso a gente vai acompanhando.
20:31Então, eu sempre tranquilizo a paciente nesse sentido.
20:35Doutora Laysa, em relação ao risco durante a gestação, uma mulher que sofre de endometriose,
20:42passa por um tratamento, às vezes passa por um tratamento, né?
20:46Como a senhora acompanha, para engravidar.
20:49Conseguiu lá engravidar, teve um resultado positivo.
20:52A endometriose representa algum risco para o bebê, para essa gestação?
20:57Então, na verdade, a gravidez é um tratamento para a endometriose.
21:02Por quê?
21:02Ao longo do período da gestação, a mulher não vai menstruar.
21:07Então, ela já está ali com os focos quiescentes, né?
21:11Sem atividade.
21:13Depois, ela vai amamentar, né?
21:15Se tudo der certo, ela vai amamentar.
21:18Durante o período de amamentação, ela também não tem menstruação.
21:21Então, na verdade, gravidez é positivo para a endometriose.
21:25E ela também não tem riscos a mais por ter focos de endometriose.
21:31Uma vez engravidando, a gravidez vai ter os mesmos riscos de uma mulher naquela faixa etária, né?
21:38Tanto de abortamento, de parto prematuro, né?
21:40Não é pela endometriose que ela vai ter aumento desses riscos.
21:44Então, o risco ligado à gestação está sempre mais ligado à idade.
21:48Vamos deixar um recado.
21:49Você que está em casa, postergando aí o momento.
21:53Vou pensar na minha carreira, vou pensar nos meus estudos, vou deixar um pouquinho para depois.
21:59A idade, então, doutora, é um fator fundamental quando a gente pensa em gestação?
22:03A idade é o principal fator que a gente chama de prognóstico, né?
22:08Ou seja, ligado à chance de sucesso, a risco gestacional.
22:13Então, quanto mais cedo a mulher engravida ou começa as tentativas de engravidar, maior vai ser o êxito que ela
22:20vai ter.
22:21Maior é a chance dela conseguir engravidar e melhor vai ser a condição gestacional dessa mulher.
22:27A condição do bebê, ela tem menos risco de comorbidade, diabetes, hipertensão gestacional, prematuridade.
22:34Então, hoje, principalmente para as mulheres que tendem a engravidar mais tardiamente, a recomendação é, de fato, o congelamento de
22:41óvulos em torno dos 30 anos até.
22:44Porque vai ter uma... esses óvulos, eles vão ter uma chance de engravidar no futuro muito maior do que se
22:51ela for tentar depois dos 38 anos.
22:53Então, você que está aí querendo adiar, tem que lembrar do recado aqui da doutora Laysa.
22:58Depois dos 30, o ideal seria o congelamento.
23:02Então, pelas vias naturais, é sempre mais fácil.
23:05Não adie para depois, não deixe para depois o planejamento familiar.
23:10Procure um médico da sua confiança.
23:12A gente sempre traz aqui a importância, seja no SUS, seja no sistema privado, de você procurar profissionais que garantam
23:21a sua saúde através da promoção e da prevenção.
23:25Então, se você é SUS dependente, procure o clínico geral da sua unidade básica de saúde, o ginecologista que atende
23:34a sua unidade, faça a sua prevenção e obtenha o maior número de informação.
23:39Agradeço muito a participação de vocês.
23:42Eu sei que esse é um tema que vai gerar muitas dúvidas.
23:46Estamos lá também no Vida Saudável, nossa coluna diária, no Folha Vitória.
23:51Doutora Laysa, nossa colaboradora, está sempre esclarecendo sobre estes e outros temas.
23:56Mas queria agradecer a presença da doutora Larissa.
23:59Obrigada, foi um prazer estar aqui com vocês.
24:01Agradecer a presença da doutora Laysa.
24:03Obrigada, Alice.
24:06Esse foi o Check Up Saúde de hoje.
24:08Mande suas dúvidas no arroba doutora Alice Sarcinelli.
24:12Até o próximo programa.
Comentários

Recomendado