Em Washington, o chanceler Mauro Vieira se reuniu com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, no mesmo dia em que Donald Trump oficializou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. Após o encontro, Vieira repudiou a ingerência estrangeira no Judiciário brasileiro e afirmou que o caso Bolsonaro é tema interno do Brasil. Cristiano Vilela e José Maria Trindade comentaram. Reportagem: Marília Ribeiro Comentaristas: Cristiano Vilela e José Maria Trindade
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00:00Seguimos no tema, mas vamos até a Brasília, porque o ministro Mauro Vieira se reuniu ontem com o secretário dos Estados Unidos, Marco Rubio, para discutir o tarifácio de 50%.
00:10Marília Ribeiro chega ao vivo com os detalhes para a gente. Oi Marília, bom dia para você.
00:18Oi Soraya, bom dia. Pois é, esse encontro aconteceu nesta quarta-feira.
00:21A princípio ele não estava previsto na agenda do chanceler Mauro Vieira, que foi para Nova York para poder participar de um evento da ONU.
00:31Mas o fato é que aconteceram articulações e ele se encontrou com Marco Rubio, que é o secretário dos Estados Unidos.
00:39E de acordo com Mauro Vieira, ele acabou afirmando que é inaceitável e descabida a ingerência na soberania nacional no que diz respeito às decisões do poder judiciário brasileiro.
00:51A gente separou um trechinho da fala do chanceler para acompanhar agora.
01:10Enfim, o que ele falou, né, Mauro Vieira, entre os assuntos que foram discutidos nesse encontro, nós tivemos aí, foi a questão atual da relação bilateral.
01:20Mauro Vieira disse que o Brasil está aberto a dar seguimento às negociações comerciais e ressaltou que não haveria espaço para poder debates envolvendo temas políticos ou da justiça brasileira.
01:33Segundo o ministro, ele que retornou ontem para o Brasil, de acordo com Mauro Vieira, ele deve se encontrar com o presidente Lula para poder passar um balanço dessa reunião que aconteceu.
01:43E ele vai passar esse balanço para o presidente Lula e daí vai tomar as decisões do que deve ser feito com essa taxação que ontem nós tivemos esse decreto que foi divulgado pelo governo americano que deve começar a valer já aí nos próximos dias essa taxação em 50%.
02:03A gente já tem a sonora do chanceler Mauro Vieira e nós vamos acompanhar agora para saber direitinho o que foi que ele disse.
02:08Enfatizei que é inaceitável e descabida a ingerência na soberania nacional no que diz respeito a decisões do Poder Judiciário do Brasil, inclusive a condução do processo judicial no qual é réu o ex-presidente Bolsonaro.
02:28Afirmei que o Poder Judiciário é independente no Brasil, tanto como aqui, e que não se curvará a pressões externas.
02:38Nesse sentido, o governo brasileiro se reserva o direito de responder às medidas adotadas pelos Estados Unidos.
02:46Ao final do encontro, concordamos com a necessidade de manter diálogo para solucionar os problemas bilaterais.
02:52Vamos chamar aqui os nossos comentaristas, José Maria Trindade e Cristiano Vilela.
02:58Vilela, vou começar com você dessa vez.
03:01A fala do Mauro Vieira diz muito ali como a nota do governo brasileiro, em que Lula diz que também é inaceitável a interferência do governo norte-americano.
03:12Como que você vê o tom dessas manifestações?
03:15É um tom que é descabido na fala de um embaixador, de um chanceler, de um ministro de relações exteriores.
03:24A diplomacia, ela tem a característica de buscar consenso, de buscar caminhos.
03:30Muitas vezes as autoridades políticas, o parlamento, figuras mais ligadas ao aspecto político,
03:39podem ter discursos mais fortes, mais robustos.
03:41E aí cabe à diplomacia promover as costuras, promover os laços para que não haja fissuras
03:48ou para que as fissuras, quando existentes, elas não venham a aumentar.
03:52A fala, por exemplo, a explicação do ministro de relações exteriores, ela vai na contramão.
03:58Ela vai no sentido de replicar aquele discurso que o presidente da república tem feito,
04:04dentro do aspecto de soberania e tudo mais,
04:06reforçando as diferenças entre os dois países e reforçando o fato de que as cobranças,
04:13por exemplo, vindas do outro lado, dos Estados Unidos, seriam cobranças absurdas
04:19e cobranças que realmente acabam fazendo com que o Brasil igualmente não possa ceder nesse sentido.
04:25Ora, isso tudo nós sabemos, mas o foco realmente de uma construção que passe pela diplomacia,
04:32que passe pelo Itamaraty, é a construção de saídas no aspecto econômico.
04:38Esse deveria ser o caminho.
04:40Enquanto o Estado brasileiro continuar martelando na linha e na necessidade
04:45de uma convergência política diante dos fatos e dos elementos que já foram colocados na mesa,
04:53eu vejo que se torna ainda mais distante se chegar num consenso e que o tarifácio será, de fato,
04:59uma realidade existente nessa relação Estados Unidos e Brasil por um longo tempo.
05:06Zé Maria Trindade, por onde passa essa retomada de uma relação mais amistosa entre os dois países?
05:14Zé, o governo brasileiro não está sabendo lidar com esta situação.
05:19É uma crise, é um clima tenso e pode jogar no lixo uma relação intensa e longa com os Estados Unidos.
05:28Os Estados Unidos têm relação com o Brasil desde lá em 1824,
05:32quando reconheceu a independência do Brasil, um dos primeiros países do mundo a reconhecer essa independência.
05:38de lá para cá, houve sim áreas de tensão, né, num determinado momento ainda no governo militar,
05:46houve uma tensão por defesa de direitos humanos aqui no Brasil
05:50e que se rompeu relações militares, né, de cooperação militar.
05:56Mas nunca houve uma tensão tão grande como está acontecendo agora.
06:00Os nossos diplomatas são reconhecidos no mundo inteiro.
06:04Qualidade.
06:05A escola Rio Branco, que forma esses profissionais, ela é uma excelência.
06:11E houve um aprimoramento, uma atualização do jeito de trabalhar em relações comerciais, né,
06:18que se transformou as relações internacionais e, portanto, não é problema do Itamaraty e dos profissionais.
06:25Mas é um problema do governo.
06:26O governo está sabendo exatamente lidar com essa situação tensa.
06:30É uma situação tensa, é uma situação muito tensa, que pode, sim, distanciar o Brasil de um dos seus principais parceiros.
06:39Agora não é mais, né, é o terceiro, se considerar o bloco europeu como um bloco só, né,
06:44seria o terceiro parceiro comercial, mas não é só comércio.
06:48Mas existem relações ao longo da história.
06:51E agora, o que eu sei é que o Itamaraty, ontem, promoveu uma reunião, fez uma avaliação geral de como esse processo,
07:00essa relação americanos-Brasil e o que o governo pode fazer de volta.
07:06Veja bem que, estranhamente, ontem, o que mais preocupou o governo, o que mais assustou o mundo político por aqui,
07:13nem foi a história do tarifácio e das exceções colocadas aos produtos brasileiros,
07:19mas sim esta sanção ao ministro Alexandre de Moraes.
07:23Veja bem que o chanceler brasileiro centra exatamente nesta relação com o judiciário,
07:29ou seja, a relação com Alexandre de Moraes.
07:31É preciso o governo brasileiro acertar e unificar a fala.
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