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  • há 7 meses
Da insatisfação com a desigualdade de gênero no ambiente corporativo, Ana Fontes criou a Rede Mulher Empreendedora (RME), que capacita mulheres brasileiras para empreender. O que foi fundamental para que o negócio desse certo foram os fracassos que vieram antes: ela criou, ao lado de sócios, dois negócios que não deram certo. Nesta entrevista, ela conta sobre como transformou ideias que não vingaram em uma bem-sucedida.
Transcrição
00:00:00Minha convidada de hoje construiu uma carreira sólida no mundo corporativo,
00:00:04com passagens duradouras pelo marketing de empresas como a Volkswagen.
00:00:08Apesar de ter conquistado sucesso, ela não estava satisfeita com a desigualdade de gênero que via nas empresas.
00:00:16Então ela teve a ideia de empreender, mas as duas primeiras tentativas não deram certo.
00:00:20Foi só na terceira que ela criou a Rede Mulher Empreendedora, da qual é CEO até hoje,
00:00:26isso já fazem 15 anos, e ela também é CEO do Instituto Rede Mulher e apresentadora de dois podcasts.
00:00:33Eu sou Isabela Lessa, apresentadora do programa A Ideia, em que eu converso com pessoas de diferentes áreas
00:00:39sobre suas trajetórias e seus negócios.
00:00:42E hoje eu tenho o prazer de conversar com Ana Fontes, seja muito bem-vinda.
00:00:46Que alegria estar aqui, muito obrigada.
00:00:49A gente que agradece.
00:00:50Ana, eu quero voltar alguns passos atrás dessa introdução da Ana, que veio antes de tudo isso.
00:01:03Como que você cresceu? Onde você cresceu?
00:01:06Quais eram os seus sonhos antes de se tornar gente grande?
00:01:10Nossa, que bacana a gente voltar pra essa fase da vida, né?
00:01:14Eu nasci no Sertão de Alagoas, numa cidade que se chama Igreja Nova.
00:01:19Eu sou uma de dez filhos que meus pais tiveram, o Sr. Josina e a Dona Maria.
00:01:24Eu fiquei lá, eu tinha até quatro anos de idade, quando eles migraram aqui pra São Paulo em 1970.
00:01:30E dois irmãos faleceram ainda, pequenos lá mesmo em Alagoas.
00:01:35De coisas que, na época, infelizmente, tinham cura, mas não tinham acesso, né?
00:01:40E nós viemos em oito pra São Paulo.
00:01:44Eles escolheram Diadema, porque meu pai tinha uma irmã dele que morava lá.
00:01:50E aí eu cresci em Diadema.
00:01:51Então, dos quatro anos pra frente, até os 26 anos, eu morei lá, quando eu casei.
00:01:57E Diadema, na época, era considerada uma das cidades mais violentas do Brasil.
00:02:01Infelizmente, até hoje, ainda tem a imagem da cidade mais violenta, mas não é mais, felizmente.
00:02:08E, assim, passei a minha infância toda lá, estudei em escola pública,
00:02:12tinha muita, muita vontade de trabalhar numa grande empresa,
00:02:16porque esse era o sonho da minha geração, né?
00:02:18Trabalhar numa grande empresa, se aposentar nessa grande empresa,
00:02:23construir uma carreira e ter uma vida ali com o mínimo de solavancos, né?
00:02:27Quase igual às aspirações da geração Z de hoje.
00:02:30Nenhuma, né?
00:02:31Imagina pensar em se aposentar numa grande empresa.
00:02:34Pra nós, isso era o sonho da minha geração.
00:02:36Era um sonho desde criança?
00:02:37Desde criança, era um sonho desde criança.
00:02:40E você tinha inspirações já nesse sentido?
00:02:43Eu tinha vizinhos, amigas dos meus pais,
00:02:46cujos filhos estavam trabalhando em grande empresa.
00:02:50Mas eu, como criança, eu tinha uma coisa na minha cabeça
00:02:54que eu queria ser apresentadora do Jornal Nacional.
00:02:58Além do sonho da empresa.
00:02:59O sonho da empresa era muito o pé no chão, né?
00:03:01Aquela coisa mais, né?
00:03:03Todo mundo pensa em ter uma grande empresa como sobrenome.
00:03:07Mas eu olhava a TV e eu gostava muito daquela coisa da apresentação, do jornal.
00:03:12Eu lia muito.
00:03:13Eu era uma menina que vivia enfurnada nos livros
00:03:16depois que eu aprendi a ler livros bons.
00:03:18No começo, eu lia fotonovela,
00:03:20que a geração Z não deve nem saber o que é.
00:03:23Explica pra geração Z que tá nos ouvindo, nos assistindo.
00:03:27Olha, fotonovela era uma revista que contava uma historinha,
00:03:31mas não era como em quadrinhos,
00:03:32eram fotos mesmo, por isso que chamava fotonovela.
00:03:35E os personagens tinham aqueles balõezinhos falando lá a história.
00:03:40E eu adorava fotonovela.
00:03:42Depois eu evoluí das fotonovela
00:03:44e eu comecei a ler umas revistas,
00:03:46umas revistas não, uns livros que chamava
00:03:48Bárbara, Sabrina e Bianca.
00:03:50A geração Z não faz a mínima ideia do que seja isso.
00:03:54Eram os livros que tinham histórias de romance,
00:03:56eram sempre as mesmas histórias
00:03:58com nomes e personagens diferentes.
00:04:01Mas o que foi bom da fotonovela e desses livros
00:04:05é que eles me incentivaram a ler.
00:04:07Aí depois, aí sim, eu fui buscar clube do livro,
00:04:11fui buscar, aprendi a ler outros tipos de livros,
00:04:14gostava muito, gosto até hoje de histórias de crime,
00:04:18detetives, lia vários.
00:04:22Então, abriu as portas.
00:04:23Era meio estranho, mas abriu as portas.
00:04:25É, tudo que a gente consome
00:04:28acaba servindo de uma forma ou outra, né?
00:04:30De referência, de porta de entrada para outras coisas.
00:04:33Mas quando é que foi que você decidiu, então,
00:04:36que ia seguir esse caminho de trabalhar em uma grande empresa
00:04:39e não fazer jornalismo
00:04:41e se tornar apresentadora do Jornal Nacional?
00:04:44A necessidade fez, assim, eu pensar no que era mais prático, né?
00:04:48Nós éramos em oito, meu pai e minha mãe dez.
00:04:51Minha mãe ainda trouxe um irmão dela mais novo também
00:04:54para morar junto com a gente.
00:04:55Nós éramos em onze, numa família para comer em onze pessoas.
00:04:59Então, tudo era muito difícil, né?
00:05:01Então, todo mundo teve que trabalhar desde muito cedo.
00:05:05Trabalhos informais.
00:05:06Eu sou registrada com carteira de trabalho
00:05:09desde os 14 anos de idade.
00:05:11Porque naquela época, com 14 anos, era permitido.
00:05:14Hoje não é permitido mais.
00:05:15Ainda bem, está corretíssimo.
00:05:17Mas eu era registrada e eu, antes de ser registrada,
00:05:21eu trabalhei no chão de fábrica,
00:05:23trabalhei ajudando as vizinhas,
00:05:25tipo, ir na venda, comprar alguma coisa,
00:05:28limpar uma casa,
00:05:30ajudando, olhando, cuidando de crianças, das vizinhas.
00:05:34Nós fazíamos isso.
00:05:35E por que a gente fazia?
00:05:36Porque alimentar onze pessoas
00:05:38e pagar a conta de onze pessoas era muito difícil.
00:05:41Então, todo mundo tinha que contribuir.
00:05:43E aí, o sonho de entrar no Jornal Nacional ficou para o lado.
00:05:47Eu falei, não, eu preciso, de fato,
00:05:50ter o sonho ou olhar para esse sonho mais pé no chão,
00:05:53que é trabalhar em uma grande empresa,
00:05:55ter um bom emprego.
00:05:57Porque a visão nossa, na época,
00:05:59de sucesso para a família,
00:06:02eram os filhos, né?
00:06:03Os pais normalmente viam de uma situação bem difícil.
00:06:07Aí, os filhos estudavam,
00:06:09que era o meu caso e dos meus irmãos.
00:06:10E aí, estudavam e depois conseguiam bons empregos.
00:06:14Porque eram os bons empregos
00:06:16que iam garantir a nossa sobrevivência e a nossa vida.
00:06:20Então, a partir daí, eu comecei a olhar para bom emprego.
00:06:22Mas eu não consegui o bom emprego no começo.
00:06:25Eu trabalhei chão de fábrica lá em Diadema,
00:06:27numa fábrica que tinha brinquedos infláveis.
00:06:30Depois, trabalhei numa empresa de aço, né?
00:06:33De conexões de aço.
00:06:34Aí, eu trabalhei como auxiliar, né?
00:06:36De vendas, fazia documento, papel, arquivo.
00:06:39E aí, só depois que eu entrei na faculdade,
00:06:42que eu fui buscar a comunicação.
00:06:44Aí, eu prestei para a publicidade
00:06:46e passei em publicidade, na época.
00:06:49Tinha alguma referência para você na publicidade?
00:06:53Você decidiu ali num ímpeto?
00:06:57Ou já era alguma área com a qual você tinha afinidade?
00:07:00Eu gosto muito de comunicação.
00:07:02Publicidade não deixa de ser também uma área de comunicação, né?
00:07:06Comunicação, jornalismo, publicidade.
00:07:08Eu até pensei em fazer secretariado executivo bilíngue,
00:07:12que era muito chique na época também.
00:07:14Era uma coisa que chamava, especialmente pessoas mais simples, né?
00:07:16Que vinham de situação de mais pobreza,
00:07:19olhavam para essas carreiras, assim, com um pouco mais...
00:07:22Ai, que legal, vou fazer essa carreira.
00:07:24Mas aí, depois, eu refleti.
00:07:25Eu falei, não, eu não queria fazer secretariado.
00:07:27Eu queria fazer alguma coisa que trabalhasse a questão da comunicação.
00:07:31E, como o jornalismo era mais difícil para mim,
00:07:34porque não tinham tantas possibilidades que fossem mais perto,
00:07:38porque tinha que ver isso também, né?
00:07:39O ônibus, tudo, o valor da mensalidade.
00:07:43Aí, eu acabei optando por publicidade.
00:07:45Então, não foi assim uma escolha.
00:07:46Ai, que legal, que maravilhoso, vou fazer publicidade.
00:07:50Foi uma escolha.
00:07:50Olha, eu preciso trabalhar, preciso continuar pagando as contas,
00:07:53preciso dos boletos.
00:07:55Então, preciso trabalhar numa grande empresa,
00:07:57vou fazer publicidade.
00:07:58Foi esse o caminho.
00:07:59E tem uma coisa que você trouxe aqui,
00:08:02que é a necessidade se sobrepondo ao sonho.
00:08:07É um privilégio de muita gente poder escolher entre várias carreiras,
00:08:10poder ter esse tempo para sonhar.
00:08:13Mas você continuou sonhando.
00:08:16Como é que você não deixou essa dureza da realidade, digamos assim,
00:08:22atropelar os seus sonhos, atropelar as suas ambições?
00:08:26Eu sempre fui uma pessoa que gostava, gosto muito de ver outras pessoas,
00:08:32de ver outras coisas, de conversar com todo mundo.
00:08:35Eu sempre gostei muito de interagir com outras pessoas.
00:08:38E, às vezes, pessoas mais velhas.
00:08:40Então, eu conversava, perguntava sobre carreira,
00:08:43perguntava sobre o que estava acontecendo,
00:08:45perguntava sobre o mundo, adorava ler notícia.
00:08:48E aí eu pensava assim, bom, eu posso não ter esse sonho aqui agora,
00:08:52mas ele pode, em algum momento da vida, ele voltar.
00:08:56Isso, fazer uma faculdade ou ir por um caminho, não é um caminho definitivo.
00:09:00Eu não sei de onde eu tirava isso, mas eu pensava comigo, não é definitivo.
00:09:05Eu posso, no meio do caminho, mudar.
00:09:07Eu posso me, sei lá, buscar outras possibilidades.
00:09:11E aí eu fui com essa visão.
00:09:13Isso é necessário para eu fazer agora,
00:09:16mas isso não é definitivo na minha vida.
00:09:19Então, eu não deixei o sonho de lado.
00:09:20Eu trouxe ele junto comigo
00:09:22e fui pensando em formas de transformar esse sonho em realidade.
00:09:26Eu amo a publicidade, acho muito bacana,
00:09:29assim como amo o jornalismo.
00:09:30Depois, acho que uns, sei lá, nem sei quantos anos depois,
00:09:34eu fui fazer jornalismo.
00:09:35Porque era uma coisa que eu queria fazer.
00:09:37Que estava ali.
00:09:38Estava ali, eu queria fazer.
00:09:40Eu fiz depois, eu fiz publicidade na Embi Morumbi,
00:09:43que existe, e hoje eu sou do conselho da Embi Morumbi.
00:09:46Olha que coisa bacana.
00:09:47E depois eu fiz jornalismo na Metodista.
00:09:50Não tirei meu diploma até hoje,
00:09:52porque eu deixei duas adaptações para fazer.
00:09:55Fiquei com preguiça, não deveria.
00:09:57Mas eu fiz jornalismo lá na Metodista, adorei,
00:09:59porque era uma coisa que era de sonho de criança.
00:10:01E eu trabalho com comunicação até hoje.
00:10:04Sim.
00:10:04E durante o curso de publicidade e propaganda,
00:10:09você foi se afeiçoando,
00:10:13você foi adquirindo mais familiaridade.
00:10:16Como é que você entrou de vez nesse mundo?
00:10:20Eu gostava muito de publicidade e propaganda,
00:10:22mas na época eu não sabia muito a divisão.
00:10:25A área de criação,
00:10:27a área de planejamento,
00:10:28a área de marketing.
00:10:30E eu me apaixonei por marketing e pesquisa.
00:10:32Porque eu gosto muito de dados,
00:10:35gosto muito de informação,
00:10:36gosto muito de ler.
00:10:38E aí eu apaixonei por essa área.
00:10:40Naquela época, a faculdade dividia.
00:10:44A partir do segundo ano da faculdade,
00:10:46você fazia igual até o segundo ano.
00:10:49Do segundo para o terceiro para o quarto,
00:10:51você se dividia em quem ia fazer marketing
00:10:53e quem ia fazer criação.
00:10:55Hoje acho que nem é mais dividido assim,
00:10:57se não me falha a memória.
00:10:58Mas aí eu fui para marketing,
00:11:00porque eu gostava de planejamento,
00:11:02gostava de pensar,
00:11:03gostava das pesquisas,
00:11:05gostava de buscar dados
00:11:06e de comportamento do consumidor.
00:11:08Me apaixonei por essa área.
00:11:10E aí foi nessa área que eu me desenvolvi.
00:11:12Foi nessa área que eu busquei,
00:11:14que eu aprendi muito,
00:11:15gostava de pesquisa.
00:11:16Eu já trabalhei com pesquisa muitos anos,
00:11:18gosto muito de dados
00:11:19e comportamento consumidor.
00:11:21Então eu fui me apaixonando pela área.
00:11:23E quando é que foi que você
00:11:25começou a se incomodar
00:11:27com a desigualdade de gênero,
00:11:30com tudo que perpassa
00:11:33a desigualdade de gênero
00:11:34em ambiente corporativo?
00:11:35É salário?
00:11:36É tratamento?
00:11:38Diário?
00:11:39É tudo.
00:11:39Quando você tomou consciência disso?
00:11:41Tiveram algumas ocasiões
00:11:43que foram mais emblemáticas.
00:11:45É óbvio que no dia a dia
00:11:46tinha de tudo.
00:11:47Desde eu ligar para um par meu,
00:11:50e como eu sou mulher,
00:11:51a voz de mulher,
00:11:52a secretária desse outro executivo
00:11:56pedia para eu colocar o chefe na linha.
00:12:00Porque na cabeça não podia imaginar
00:12:03que uma mulher pudesse ser chefe.
00:12:05E aí, assim,
00:12:06durante todas as oportunidades,
00:12:09as ocasiões,
00:12:10eu tinha que o tempo inteiro lutar
00:12:11contra essa coisa
00:12:13de que eu era a única
00:12:15ou era uma das únicas
00:12:17dentro desses ambientes.
00:12:18Mas aí tiveram algumas coisas
00:12:20muito duras,
00:12:21muito pesadas
00:12:21que aconteceram
00:12:22que eu falei,
00:12:23puxa vida, né?
00:12:24O que eu posso fazer?
00:12:25Eu tinha sempre na minha cabeça
00:12:27que eu vinha
00:12:27de uma situação de pobreza,
00:12:29que eu tinha estudado
00:12:30em escola pública.
00:12:31Inglês, para mim,
00:12:32era sempre uma dificuldade.
00:12:33Depois eu fui fazer
00:12:34um esforço enorme
00:12:35para estudar inglês.
00:12:36E também, na época,
00:12:38a faculdade em Biba Nubi
00:12:39não era muito reconhecida.
00:12:41E aí eu fui tentando
00:12:42trabalhar essas,
00:12:44vamos dizer assim,
00:12:44dificuldades, né?
00:12:46Eu fiz uma pós-graduação
00:12:47super bacana
00:12:48em marketing na época,
00:12:50fiz na SPM.
00:12:51aí o inglês
00:12:52era muito difícil.
00:12:54Eu fiz curso de inglês
00:12:55várias vezes,
00:12:55depois eu pedi
00:12:56uma licença
00:12:57não remunerada
00:12:59para estudar fora.
00:13:00Estudei três meses fora
00:13:01e já adulta,
00:13:03com um monte de dificuldade,
00:13:04já casada,
00:13:05com um monte de coisas.
00:13:07E depois,
00:13:08essa questão da escola pública,
00:13:09obviamente,
00:13:10não tinha como mudar.
00:13:11E aí eu achava
00:13:12que tirando essas coisas
00:13:13da frente,
00:13:14a minha carreira
00:13:15era deslanchar.
00:13:15Então, assim,
00:13:16eu pensava sempre
00:13:17três coisas
00:13:18que eram muito importantes
00:13:20e que eu achava
00:13:21que dificultavam
00:13:23ou criavam desafios
00:13:24maiores para eu trabalhar.
00:13:26Eu vinha,
00:13:27estudava em escola pública,
00:13:28a minha faculdade,
00:13:29na época,
00:13:29em Biba Nubi,
00:13:30não era super reconhecida.
00:13:32Aí eu busquei
00:13:33uma pós-graduação
00:13:34na SPM
00:13:35para poder dar essa,
00:13:37sei lá,
00:13:38essa musculatura.
00:13:40E depois,
00:13:40a questão do inglês,
00:13:41eu pedi uma licença
00:13:42não remunerada
00:13:43e fui estudar inglês fora
00:13:44durante uns três meses.
00:13:46Mas, mesmo assim,
00:13:47mesmo tendo
00:13:48ticado essas questões,
00:13:50esses desafios,
00:13:51eu ainda percebia,
00:13:53mas eu não tinha
00:13:54muita clareza
00:13:54do que era,
00:13:55porque eu não tinha
00:13:55repertório na época.
00:13:57Eu não sabia o que era machismo,
00:13:58não sabia nada disso.
00:14:00Mas eu sentia na pele
00:14:01essas dificuldades.
00:14:03E aí tinham dificuldades
00:14:04que eram, tipo,
00:14:05coisas muito práticas,
00:14:07do dia a dia,
00:14:08dos colegas
00:14:10não me chamarem,
00:14:11por exemplo,
00:14:11para almoçar.
00:14:12Isso era uma coisa
00:14:14muito comum,
00:14:15infelizmente.
00:14:16Às vezes,
00:14:16eu ficava muito sentida.
00:14:18Até coisas muito duras,
00:14:20como, por exemplo,
00:14:21um dia eu fui concorrer
00:14:22a uma vaga,
00:14:23a uma promoção,
00:14:25e eu era, claramente,
00:14:26a mais qualificada
00:14:27e tinham outros dois concorrentes.
00:14:29Era uma vaga interna.
00:14:31E aí eu fui fazer
00:14:32a entrevista final
00:14:33com o diretor,
00:14:34junto com uma pessoa de RH,
00:14:36e esse diretor olhou
00:14:37para a minha ficha
00:14:38e falou,
00:14:39nossa,
00:14:39sua ficha,
00:14:40seu currículo é perfeito,
00:14:41sua ficha é perfeita,
00:14:42eu já tinha pós-graduação,
00:14:44inglês,
00:14:44já tinha resolvido tudo isso.
00:14:46Aí ele virou para mim
00:14:47com a maior tranquilidade do mundo
00:14:49e falou,
00:14:49pena que você é mulher.
00:14:51E eu, assim,
00:14:52como a gente está aqui,
00:14:53eu sentada,
00:14:54assim,
00:14:54eu falei,
00:14:54gente,
00:14:55como é que eu respondo isso?
00:14:56E que ano que era isso?
00:14:57Você se lembra?
00:14:58Ah, sei lá,
00:14:59acho que 1998,
00:15:02por aí,
00:15:03acho que mais ou menos
00:15:03nessa época.
00:15:04E eu não sabia
00:15:05nem o que responder
00:15:06para ele.
00:15:07Até a pessoa de RH
00:15:08também ficou assim.
00:15:09aí eu falei,
00:15:10mas o que você precisa
00:15:12que uma mulher
00:15:12não pode fazer?
00:15:13E ele respondeu.
00:15:15Ele falou,
00:15:15eu quero alguém
00:15:16que bata na mesa,
00:15:17que fale alto,
00:15:18que fale grosso,
00:15:19nesse tom,
00:15:20e eu quero que essa pessoa
00:15:22faça os funcionários
00:15:23fazerem o que eles
00:15:24têm que fazer.
00:15:26Ouvindo isso hoje,
00:15:27a gente deve pensar,
00:15:28gente,
00:15:28isso é surreal.
00:15:29como é que uma pessoa
00:15:30conseguiu fazer isso,
00:15:31falar isso?
00:15:32Mas naquela época
00:15:33isso era normal.
00:15:35Naturalizado.
00:15:35Era naturalizado.
00:15:36Falado abertamente.
00:15:38Sim,
00:15:38o estilo de liderança
00:15:39que era valorizado
00:15:40era esse estilo agressivo,
00:15:42essa energia masculina
00:15:44que o pessoal fala,
00:15:45assim.
00:15:45E aí eu falei para ele,
00:15:46escuta,
00:15:47mas eu posso,
00:15:48eu ainda tentei argumentar,
00:15:49eu falei,
00:15:50eu posso
00:15:50cumprir os mesmos objetivos
00:15:54sem bater na mesa,
00:15:55sem gritar,
00:15:56e sendo quem eu sou.
00:15:58E aí,
00:15:59bom,
00:16:00terminamos a conversa,
00:16:01ele ia escolher,
00:16:02e não me escolheu,
00:16:03obviamente,
00:16:03ele escolheu um cara
00:16:05para essa função.
00:16:06E aí,
00:16:07esse momento
00:16:08e alguns outros momentos,
00:16:09eu falei,
00:16:09puxa vida,
00:16:11o fato de eu ser mulher
00:16:12me cria barreiras,
00:16:14me cria desafios aqui.
00:16:16E aí,
00:16:16a gota d'água gigantesca
00:16:18foi quando eu,
00:16:20num ano,
00:16:20eu era executiva
00:16:21e a gente cumpria
00:16:22os objetivos do ano,
00:16:24no ano seguinte
00:16:24a gente ganhava um bônus.
00:16:26E a gente esperava muito
00:16:27esse bônus,
00:16:28obviamente,
00:16:28era um valor bacana,
00:16:30né,
00:16:30tudo.
00:16:31E aí,
00:16:31naquele ano,
00:16:32você tinha os objetivos,
00:16:33eram coisas muito
00:16:34práticas,
00:16:35matemáticas.
00:16:36E eu cumpri
00:16:37130%
00:16:38do meu objetivo,
00:16:39ou seja,
00:16:40eu tinha 100%
00:16:40para cumprir,
00:16:41eu cumpri 130%
00:16:43e recebi
00:16:43uma quantidade
00:16:44de dinheiro.
00:16:45Vamos chutar,
00:16:46eu não lembro
00:16:46quanto foi na época,
00:16:4750 mil reais.
00:16:49E estava super feliz.
00:16:50Na semana seguinte,
00:16:51conversando com outro
00:16:52colega meu
00:16:53da mesma área,
00:16:54ele cumpriu 100%
00:16:56do objetivo dele
00:16:57e ele ganhou
00:16:5880 mil reais.
00:17:00E aí,
00:17:01aquilo me desmontou
00:17:02de um jeito,
00:17:04assim,
00:17:04me deixou totalmente
00:17:06descoordenada.
00:17:07Porque eu falei assim,
00:17:08não é possível,
00:17:09eu cumpri todos os objetivos,
00:17:10eu fiz tudo,
00:17:11eu fiz melhor
00:17:12do que outras pessoas
00:17:13e a outra,
00:17:14por que eu estou ganhando menos?
00:17:15O que justifica?
00:17:16E você foi tirar satisfação?
00:17:18Foi,
00:17:18em todos os níveis
00:17:19e ninguém sabia
00:17:20me dar uma resposta.
00:17:22As respostas eram
00:17:23sempre muito evasivas,
00:17:25não tinha resposta.
00:17:26E aí,
00:17:26foi caindo a ficha,
00:17:28fui aprendendo,
00:17:29porque eu não tinha
00:17:30repertório.
00:17:31Falei assim,
00:17:32então,
00:17:32a única justificativa
00:17:33é por eu ser mulher
00:17:35e por não ter
00:17:35as relações masculinas.
00:17:38Os homens vivem
00:17:39em grupinhos,
00:17:40a tal bradeiragem
00:17:41masculina.
00:17:42Falei,
00:17:42gente,
00:17:43não é possível isso.
00:17:44E aí,
00:17:45aquilo foi me minando,
00:17:46fora todas as outras
00:17:47pequenas agressões,
00:17:49diárias,
00:17:51e aí,
00:17:51em 2007,
00:17:52eu pedi demissão.
00:17:53Eu falei,
00:17:54eu queria alguma coisa
00:17:55que tivesse mais a ver
00:17:56com o meu propósito,
00:17:57eu queria fazer alguma coisa
00:17:59que mudasse um pouco
00:17:59a minha jornada,
00:18:01e eu amava a empresa,
00:18:03amava o que eu fazia,
00:18:04mas eu falei,
00:18:05não me pertence mais
00:18:07isso daqui.
00:18:08Teve alguém
00:18:08a quem você recorreu
00:18:10nesse período
00:18:10que foi mais difícil
00:18:12antes de você pedir demissão,
00:18:14quando você estava
00:18:15vivenciando
00:18:16essas microagressões,
00:18:17quando você percebeu
00:18:20que tinha disparidade
00:18:21de salários
00:18:22e de bônus,
00:18:23enfim,
00:18:24tinha alguém
00:18:24com quem você conversava?
00:18:26Tinha,
00:18:27tinha.
00:18:27Tinha uma mulher
00:18:28que participava
00:18:29do Comex,
00:18:30dessa empresa,
00:18:31era uma mulher
00:18:32super mega poderosa,
00:18:33e aí eu trocava
00:18:36muita ideia com ela,
00:18:37e aí eu pedia conselhos,
00:18:40porque dentro
00:18:41da vice-presidência
00:18:42onde eu trabalhava
00:18:42tinham 59 executivos,
00:18:45ou melhor,
00:18:45tinham 60 executivos,
00:18:47na época eram 59 homens,
00:18:49e eu.
00:18:50Então,
00:18:50eu não tinha com quem trocar.
00:18:52Quando eu falava
00:18:52sobre isso com os homens,
00:18:53para eles,
00:18:54isso era bobagem
00:18:55da minha cabeça.
00:18:56E aí,
00:18:57quando eu troquei
00:18:57com essa mulher,
00:18:58eu troquei muito,
00:18:59eu não vou mencionar
00:19:01o nome dela,
00:19:02porque eu não sei
00:19:02se ela quer que mencione,
00:19:04ela foi muito importante
00:19:05para mim,
00:19:06porque ela me ajudou muito.
00:19:08Ela me deu clareza,
00:19:10e ela me deu,
00:19:11assim,
00:19:11a questão de eu pensar
00:19:13que não necessariamente
00:19:15eu precisava ficar ali,
00:19:16ou eu precisava aceitar
00:19:18essas agressões,
00:19:19porque isso não deixava
00:19:20de ser uma agressão.
00:19:21Na época,
00:19:22eu não achava que era,
00:19:24mas,
00:19:24no fim das contas,
00:19:26era uma agressão.
00:19:27E aí,
00:19:28eu resolvi,
00:19:29organizando a minha cabeça,
00:19:31porque eu estava
00:19:31nessa empresa
00:19:32há 18 anos,
00:19:33eu fui organizando
00:19:34a minha cabeça
00:19:34para sair.
00:19:36No último ano,
00:19:37eu fui pensando
00:19:38o que eu ia fazer,
00:19:39como é que eu ia me sustentar,
00:19:41o que eu ia pensar
00:19:42como o próximo passo
00:19:43de carreira,
00:19:44porque eu não tomei
00:19:45a decisão,
00:19:45as pessoas acham
00:19:46que eu tomei a decisão
00:19:47em dezembro
00:19:48e pedi demissão
00:19:49e fui sair.
00:19:50Não,
00:19:50eu fui maturando aquilo.
00:19:52Meses,
00:19:52pensando,
00:19:54qual era o seu plano
00:19:55depois de pedir demissão?
00:19:57Você tinha essa clareza?
00:19:59Não tinha total clareza.
00:20:00O que eu queria muito
00:20:01era sair
00:20:02para poder ter tempo
00:20:03para pensar,
00:20:04porque quando você está
00:20:05em um ambiente corporativo,
00:20:07às vezes,
00:20:07você não tem tempo
00:20:07para pensar.
00:20:09Você não consegue ter
00:20:10momentos para você digerir,
00:20:12para você trocar ideia,
00:20:13para você olhar
00:20:14para outras perspectivas.
00:20:16Então,
00:20:16lá dentro,
00:20:17eu não tinha isso.
00:20:18O que eu queria?
00:20:19Sair
00:20:20para poder enxergar
00:20:21o mundo fora,
00:20:22perceber o mundo
00:20:23através de outros olhares
00:20:25que não os meus,
00:20:26dentro de um setor,
00:20:28dentro de um segmento,
00:20:29e vivendo intensamente
00:20:31aquele setor
00:20:31e aquele segmento.
00:20:33Então,
00:20:33a minha primeira ideia
00:20:34era sair
00:20:35sem definição clara
00:20:37de se eu ia empreender
00:20:38ou se eu ia
00:20:39para o ambiente corporativo
00:20:40de novo.
00:20:41O que eu queria
00:20:42era um tempo
00:20:42para respirar.
00:20:44Eu também considerei
00:20:45voltar para o ambiente corporativo,
00:20:47mas eu queria respirar um pouco.
00:20:49E aí,
00:20:50foi muito curioso,
00:20:51quando eu saí,
00:20:51nos primeiros dois meses
00:20:52foi horrível,
00:20:54porque eu comecei
00:20:54a viver um luto
00:20:55e comecei a me questionar.
00:20:57E eu falo isso
00:20:59para as mulheres
00:20:59que me procuram hoje,
00:21:00inúmeras executivas
00:21:02me procuram,
00:21:02eu falo,
00:21:03olha,
00:21:03viva seu luto,
00:21:05porque o tempo do luto
00:21:06de sair de uma empresa
00:21:08há muito tempo
00:21:09ou ser saída,
00:21:10não importa,
00:21:10no meu caso,
00:21:11eu saí,
00:21:12mas o que eu mais vejo hoje
00:21:13são mulheres sendo desligadas.
00:21:15E aí,
00:21:16assim,
00:21:16viva o seu luto,
00:21:17esse momento de você
00:21:19falar,
00:21:19ai meu Deus,
00:21:20será que eu fiz certo,
00:21:20será que eu não fiz certo?
00:21:21E aí,
00:21:23um mês depois,
00:21:24teve uma amiga
00:21:25que era do RH
00:21:26dessa empresa,
00:21:27uma executiva também,
00:21:29e eu liguei para ela,
00:21:31a gente era muito próxima,
00:21:32infelizmente,
00:21:33ela faleceu de Covid,
00:21:34ela era mais nova que eu,
00:21:36e eu falei para ela,
00:21:37ai,
00:21:37eu estou ajudando
00:21:38as pessoas lá da empresa,
00:21:40os meus ex-funcionários,
00:21:41porque eles estão com dúvida
00:21:42em relação ao trabalho.
00:21:44E ela me deu uma bronca
00:21:45tão enorme,
00:21:47ela foi tão brava comigo,
00:21:49no primeiro momento
00:21:50eu fiquei meio chocada,
00:21:51ela falou assim,
00:21:52se eu souber
00:21:53que você ligou
00:21:55mais uma vez,
00:21:56ou alguém te ligou
00:21:57da tua área
00:21:58para tirar dúvida,
00:22:00eu vou denunciar
00:22:01para o RH.
00:22:03E aí,
00:22:03ela tinha muita razão,
00:22:05porque eu estava
00:22:06tão com medo
00:22:07que eu queria continuar
00:22:09com esse laço
00:22:10com as pessoas de lá.
00:22:12Então,
00:22:12as pessoas me ligavam,
00:22:13ai,
00:22:14estou com um problema
00:22:14em tal coisa,
00:22:15deu tal problema,
00:22:16não sei o que,
00:22:16só que eu já tinha saído
00:22:17de lá fazer um mês e meio,
00:22:19dois meses.
00:22:20E ela falou,
00:22:20você vai largar,
00:22:22você não vai responder,
00:22:23você não tem responsabilidade,
00:22:24você precisa cortar
00:22:25esse cordão umbilical.
00:22:28E foi o melhor conselho
00:22:29que ela me deu.
00:22:30Aí,
00:22:30eu dei uma baixada,
00:22:31assim,
00:22:32naquela coisa,
00:22:32ai meu Deus,
00:22:33eu realmente saí,
00:22:35a minha filha,
00:22:36eu já tinha
00:22:36minha filha mais velha,
00:22:38fiquei meio dedicada
00:22:39ali a ela,
00:22:40e fiquei aprendendo
00:22:41sobre novas coisas.
00:22:42Criei rede social minha,
00:22:44criei Orkut,
00:22:45criei LinkedIn,
00:22:46na época.
00:22:48Comecinho do LinkedIn.
00:22:49Comecinho do LinkedIn,
00:22:50acho que eu sou uma das primeiras
00:22:52que tem lá a conta
00:22:53no LinkedIn.
00:22:54Então, assim,
00:22:55foi um momento
00:22:55de muita descoberta,
00:22:56eu não sabia direito
00:22:58que caminho eu ia seguir,
00:23:00em alguns momentos
00:23:00eu tinha,
00:23:01assim,
00:23:02aquela coisa,
00:23:02ai,
00:23:03que medo,
00:23:03né,
00:23:03porque eu pagava
00:23:04as contas de casa,
00:23:05dividia com meu marido,
00:23:07ajudava a minha família,
00:23:08como ajuda até hoje,
00:23:10então,
00:23:10era muito difícil
00:23:11eu pensar eu
00:23:12sem ter fonte de renda.
00:23:13Fiz uma reserva,
00:23:15obviamente,
00:23:16né,
00:23:16porque quando eu saí,
00:23:17eu pedi demissão
00:23:18e eu fiz um acordo,
00:23:19a empresa me pagou
00:23:20um ano de salário
00:23:21pra frente.
00:23:22Então,
00:23:23foi muito legal,
00:23:23fiz uma reserva financeira
00:23:24bacana,
00:23:25mas reserva financeira
00:23:27não resiste muito tempo,
00:23:29né?
00:23:29Não,
00:23:30mas aí,
00:23:31quando é que veio
00:23:31o primeiro empreendimento?
00:23:34Veio no final de 2008
00:23:35pra 2009,
00:23:36eu me juntei
00:23:37com dois amigos,
00:23:39e a gente começou
00:23:40a falar,
00:23:41vamos começar o negócio,
00:23:42eles também tinham saído,
00:23:43vamos começar o negócio,
00:23:44vamos começar o negócio.
00:23:46Só que a gente era
00:23:46muito iludido,
00:23:47né?
00:23:48A gente achava
00:23:49que a nossa experiência
00:23:50no ambiente corporativo,
00:23:52nossa,
00:23:52abriria portas,
00:23:53tudo mais,
00:23:54não abriu nada,
00:23:54né?
00:23:55Só,
00:23:55em alguns momentos,
00:23:56a gente tomou decisões
00:23:57muito ruins,
00:23:59porque nós tínhamos
00:24:00aquela mentalidade
00:24:01de setor grande,
00:24:02de setor privado.
00:24:04Nós criamos juntos
00:24:05uma plataforma
00:24:06de elogios,
00:24:07uma plataforma
00:24:08que era o oposto
00:24:08do reclame aqui,
00:24:10se chama Elogia Aqui,
00:24:12ainda existe,
00:24:12a gente vendeu
00:24:13em 2011
00:24:14pra um outro grupo,
00:24:16e era uma plataforma
00:24:16de resenhas positivas.
00:24:18Só que ela veio
00:24:19muito antes
00:24:20do e-commerce,
00:24:21muito antes
00:24:22das redes sociais,
00:24:24e aí ela não teve
00:24:25o impacto,
00:24:26nós penamos muito
00:24:28no começo,
00:24:29a gente fez
00:24:29bons investimentos
00:24:31pra poder
00:24:31melhorar a tecnologia,
00:24:33a gente não entendia
00:24:34de tecnologia,
00:24:36a gente se desentendeu
00:24:37como sócio,
00:24:38não foi legal,
00:24:40e foi ali
00:24:40a primeira coisa,
00:24:41o primeiro choque
00:24:42e o meu maior
00:24:43doutorado da vida
00:24:44em negócios.
00:24:46É,
00:24:46isso que eu ia te perguntar,
00:24:48porque quem empreende,
00:24:50é difícil alguém
00:24:51que não tenha um fracasso
00:24:52na primeira tentativa,
00:24:54ou na segunda,
00:24:55ou na terceira,
00:24:55ou na quarta,
00:24:56qual foi o principal
00:24:57aprendizado
00:24:58com essa primeira tentativa?
00:25:01Tem que ter modelo
00:25:02de negócio,
00:25:03é muito importante,
00:25:04a gente ficou
00:25:04muito concentrado
00:25:05em divulgar,
00:25:06em ter escritório,
00:25:07e o brinco que baixou
00:25:08a síndrome do decorador
00:25:09na gente,
00:25:10que é muito comum
00:25:11nos empreendedores.
00:25:12Ah,
00:25:13eu quero ter um escritório bacana,
00:25:14uma mesa legal,
00:25:15quero ter puff colorido,
00:25:17e isso não era importante.
00:25:18Importante era a gente
00:25:19ter um negócio
00:25:20que tivesse modelo,
00:25:21que tivesse gente pagando,
00:25:23então,
00:25:23tenha,
00:25:24pense nisso,
00:25:25gaste energia
00:25:25em pensar
00:25:26no modelo de negócios.
00:25:27Vocês caíram nessa febre
00:25:29que era muito
00:25:30das empresas de tecnologia,
00:25:32escritórios bonitinhos.
00:25:33Tudo bacana,
00:25:34queria ter um escritório
00:25:35igual do Google,
00:25:36agora é essa a bobagem.
00:25:38E aí,
00:25:38a gente não se concentrou
00:25:39no mais importante,
00:25:40que era ter um negócio
00:25:41que fizesse a diferença
00:25:43na vida das pessoas,
00:25:44mas que tivesse dinheiro,
00:25:46tinha que entrar dinheiro,
00:25:47tinha que ter um modelo
00:25:47de negócio.
00:25:48E aí,
00:25:49a gente ficou batendo cabeça,
00:25:50e aí,
00:25:51nossa amizade foi para o buraco,
00:25:52porque negócio
00:25:54é uma das coisas
00:25:55mais difíceis
00:25:57para você conviver.
00:25:59A gente não tinha alinhado
00:26:00valores de vida,
00:26:02contratos,
00:26:03coisas,
00:26:03a gente fez tudo
00:26:04de forma muito amadora.
00:26:05e isso é muito
00:26:07importante falar.
00:26:08Sociedade
00:26:09não é um casamento,
00:26:11ela é uma,
00:26:12as pessoas falam,
00:26:13parece um casamento.
00:26:15Eu falo,
00:26:15gente,
00:26:15é pior que casamento,
00:26:16você tem uma super convivência
00:26:18com dinheiro envolvido
00:26:20e sem alinhamento
00:26:21de valores de vida.
00:26:23E isso foi muito duro
00:26:24para a gente.
00:26:25Acabou com amizade,
00:26:26acabou com,
00:26:27a gente acabou vendendo
00:26:28um negócio,
00:26:29as coisas não deram certo,
00:26:31e fora isso,
00:26:32a gente estava com um negócio
00:26:33que isso parece muito positivo,
00:26:36mas não é,
00:26:36à frente do tempo.
00:26:38Então,
00:26:38a gente tinha um negócio
00:26:39de resenhas positivas
00:26:40sem rede social
00:26:41e sem e-commerce.
00:26:43Então,
00:26:43não funcionava direito.
00:26:46E aí,
00:26:46a gente tentou,
00:26:47bateu cabeça
00:26:48até não dar certo,
00:26:49e aí a gente vendeu
00:26:50para a operação
00:26:51para uma outra empresa.
00:26:53Então,
00:26:53desse primeiro negócio,
00:26:54eu tiro essas lições,
00:26:55fazer sociedade
00:26:55de uma forma estruturada,
00:26:58colocar tudo em contrato,
00:27:00pensar no modelo de negócio,
00:27:01esquecer essa coisa
00:27:02da decoração
00:27:03e trabalhar muito
00:27:04no que a gente chama
00:27:05hoje de MVP.
00:27:07O ambiente empreendedor
00:27:08naquela época
00:27:09era muito incipiente.
00:27:10Você não tinha ninguém
00:27:11falando de startup,
00:27:12você tinha gente falando,
00:27:14você tinha o Sebrae,
00:27:15basicamente,
00:27:16na época
00:27:16e poucas outras coisas.
00:27:18Então,
00:27:18a gente teve que aprender
00:27:19tudo muito na marra.
00:27:21E aí,
00:27:21mesmo tendo aprendido
00:27:23essas três lições,
00:27:24a segunda tentativa
00:27:25também não deu certo.
00:27:27Não.
00:27:27O que deu errado
00:27:28daquela vez?
00:27:28O negócio não era bacana.
00:27:30A gente tinha um co-working
00:27:31e aí foi paralelo,
00:27:33nós tivemos os dois
00:27:33negócios paralelos,
00:27:34o Elogio Aqui
00:27:35e o Espaço de Co-Working,
00:27:37um dos dez primeiros
00:27:38co-workings do Brasil,
00:27:40chamava My Job Space,
00:27:41era com os mesmos sócios.
00:27:43Nós tivemos os negócios
00:27:44de forma paralela.
00:27:46E aí,
00:27:46o negócio de co-working
00:27:48é um negócio
00:27:48que não fazia muito sentido
00:27:51para a gente na época,
00:27:53porque é um negócio
00:27:53de altíssima dedicação logística,
00:27:56ou seja,
00:27:57é um negócio como se você
00:27:58trabalhasse de,
00:27:59o que eu chamo
00:27:59de porta aberta.
00:28:01Então,
00:28:01é de segunda a sábado,
00:28:03você trabalha até dez da noite,
00:28:04porque,
00:28:05na verdade,
00:28:05você tem que ter o espaço
00:28:06ali disponível para as pessoas.
00:28:08Era um negócio muito novo.
00:28:11As pessoas ficavam perguntando,
00:28:12mas o que eu faço aqui?
00:28:13Eu sento na mesa e pago?
00:28:15E a gente teve que fazer um trabalho?
00:28:17Nós nos juntamos,
00:28:18na época,
00:28:19aos outros espaços de co-working.
00:28:21Eu criei,
00:28:22inclusive,
00:28:22o grupo que existe até hoje,
00:28:23eu não estou mais lá,
00:28:24o grupo dos donos
00:28:26de espaços de co-working,
00:28:28porque a gente tinha
00:28:28um trabalho de educação
00:28:30com as pessoas.
00:28:31E aí,
00:28:31você tem que ter dinheiro
00:28:32para fazer educação.
00:28:33E aí,
00:28:33a gente tinha um negócio começando,
00:28:35as contas batendo na porta,
00:28:37porque o co-working,
00:28:38diferente dos outros modelos,
00:28:40você tem um custo mensal altíssimo,
00:28:42que é o custo do aluguel,
00:28:43da estrutura,
00:28:44de pessoal,
00:28:45e de resolver questões.
00:28:47Eu brinco,
00:28:48gente,
00:28:48quem tem co-working,
00:28:49não fique bravo comigo,
00:28:51que eu falo que ter co-working
00:28:52é ser síndico.
00:28:53Porque era isso,
00:28:54eu resolvi a briga de internet,
00:28:57briga de cliente
00:28:58que não gostava da voz do outro,
00:29:00resolvia se o café
00:29:01estava mais fraco,
00:29:02estava mais forte.
00:29:04Eu já separei briga física
00:29:05de cliente dentro do nosso co-working.
00:29:07Briga física.
00:29:08O cliente voou em cima do outro,
00:29:10porque não gostou
00:29:11de alguma coisa que falou.
00:29:13Então,
00:29:13assim,
00:29:14era um negócio que exigia muito
00:29:15emocionalmente,
00:29:17operacionalmente,
00:29:18eu achei que não valia a pena,
00:29:20e acabei depois desfazendo
00:29:21do co-working,
00:29:22que aí a gente
00:29:23foi o segundo negócio
00:29:25que não deu certo.
00:29:27E aí você teve a ideia
00:29:28de criar a Rede Mulher Empreendedora.
00:29:31Sim.
00:29:31Como foi esse processo?
00:29:33De ter esse estalo?
00:29:36Como é que se deu?
00:29:37Levou muito tempo?
00:29:38Levou muito tempo.
00:29:39Na verdade,
00:29:40assim,
00:29:40enquanto eu tinha o co-working
00:29:42e o Elogio aqui,
00:29:43eu me inscrevi
00:29:44para participar
00:29:45de um programa,
00:29:46eu,
00:29:47pessoa física,
00:29:48de um programa
00:29:48na época,
00:29:49da GV,
00:29:50aqui em São Paulo,
00:29:51que era um programa
00:29:52para mulheres
00:29:53que tinham pequenos negócios
00:29:54e era gratuito,
00:29:55era um programa social,
00:29:57onde você fazia
00:29:58um curso da GV
00:29:58de três meses,
00:30:00sexta e sábado,
00:30:01o dia inteiro,
00:30:02para aprender
00:30:02a fazer a gestão
00:30:03do seu negócio.
00:30:04Olha que coisa linda.
00:30:06Eu me inscrevi
00:30:06e esqueci disso.
00:30:08Passou uns meses,
00:30:09eu recebi a notícia
00:30:10de que eu tinha sido aprovada.
00:30:12E eu fiquei
00:30:12super feliz,
00:30:14tudo mais.
00:30:15Foi um dos motivos,
00:30:16inclusive,
00:30:16de confusão
00:30:17com os meus sócios.
00:30:17Ah, mas foi só você
00:30:18aprovada?
00:30:19Sim, foi só eu,
00:30:20fui eu que me inscrevi.
00:30:22E aí,
00:30:23eu,
00:30:23no primeiro dia de aula,
00:30:25era muito bacana,
00:30:26a gente,
00:30:26imagina,
00:30:27eu nunca tinha entrado
00:30:27na GV.
00:30:28Então,
00:30:29eu estava uma coisa
00:30:29meio,
00:30:30eu estava super feliz.
00:30:32E aí,
00:30:33o coordenador do curso,
00:30:34os dois coordenadores,
00:30:35que são meus amigos
00:30:36até hoje,
00:30:36falaram,
00:30:37olha,
00:30:37sintam-se felizes
00:30:38que vocês são
00:30:39as 35 privilegiadas
00:30:41que foram selecionadas
00:30:42para essa turma.
00:30:44E eu fiquei assim,
00:30:45nossa,
00:30:46que legal.
00:30:46Aí,
00:30:47eles falaram,
00:30:47nós tivemos mais de
00:30:481.500 inscrições.
00:30:50E aí,
00:30:50baixou uma coisa em mim.
00:30:53Eu falei,
00:30:53gente,
00:30:54tem um monte de mulher
00:30:55como eu,
00:30:56passando mesmo
00:30:57a dificuldade
00:30:58de fazer a gestão
00:30:59do negócio,
00:31:00bater no cabeça,
00:31:01porque eu conheci
00:31:02algumas durante
00:31:03o processo seletivo.
00:31:05E eu falei,
00:31:06e a gente está aprendendo
00:31:07tanta coisa aqui,
00:31:08porque imagina,
00:31:08sexta e sábado
00:31:09o dia inteiro.
00:31:10E aí,
00:31:10na segunda semana,
00:31:11nós já éramos
00:31:12amigas de infância,
00:31:13às 35,
00:31:14e aí,
00:31:15eu fui conversar
00:31:16com os coordenadores,
00:31:17o professor Tales
00:31:18e a professora Maria José.
00:31:19E eu falei assim,
00:31:20olha,
00:31:21eu resolvi criar um blog
00:31:22que eu chamei
00:31:23de Rede Mulher Empreendedora,
00:31:24não sei porquê,
00:31:25eu escrevi Rede Mulher Empreendedora.
00:31:27Saiu,
00:31:27assim,
00:31:28da sua cabeça?
00:31:28Saiu,
00:31:28saiu da cabeça,
00:31:29Rede Mulher Empreendedora.
00:31:31Eu procurei no Google,
00:31:32na época,
00:31:33tinha um negócio
00:31:33que se chamava
00:31:33Google Trends,
00:31:34e escrevi
00:31:35empreendedorismo feminino,
00:31:36mulheres e negócios,
00:31:38dava traço,
00:31:39não tinha busca.
00:31:40Eu falei,
00:31:41gente,
00:31:41não tem busca.
00:31:42Aí,
00:31:42eu procurei em inglês,
00:31:43tinha alguma coisa ou outra,
00:31:45mas aqui no Brasil
00:31:45não tinha nada.
00:31:46Aí,
00:31:47eu falei,
00:31:47Rede Mulher Empreendedora,
00:31:48e tinha um blog,
00:31:49que era um blog laranjinha,
00:31:51que eu acho que se chamava Blogger.
00:31:53E aí,
00:31:54eu pedi para os professores,
00:31:56eu falei,
00:31:56eu vou escrever
00:31:57sobre o que eu aprendo aqui.
00:31:58Olha a jornalista
00:31:59baixando aí.
00:32:00É,
00:32:00olha só,
00:32:02realizando,
00:32:03resgatando.
00:32:04Resgatando o sonho
00:32:05do jornalista,
00:32:06não tinha pensado nisso,
00:32:07pensei agora.
00:32:09E aí,
00:32:10eu chamei esse blog
00:32:11de Rede Mulher Empreendedora,
00:32:13e eu comecei a escrever
00:32:14sobre o que eu aprendia
00:32:15nas aulas.
00:32:16E aí,
00:32:16eu falei para eles,
00:32:17vocês podem mandar
00:32:18esse blog por e-mail,
00:32:20o link do blog,
00:32:21para as 1.500
00:32:22que não passaram?
00:32:23E eu falei,
00:32:24ah,
00:32:24podemos.
00:32:25E eles mandaram.
00:32:26E eu fui escrevendo.
00:32:27Você acabou democratizando
00:32:30o curso.
00:32:31O curso deles.
00:32:32E eles não se opuseram.
00:32:33Não,
00:32:34eles falaram,
00:32:34não, Ana,
00:32:35a gente manda.
00:32:35Não posso dar os e-mails
00:32:37para você mandar,
00:32:38mas a gente manda.
00:32:39E aí,
00:32:40eu mandei para eles
00:32:41o link do blog,
00:32:42e eu escrevia nesse blog
00:32:44à noite de final de semana,
00:32:45e eu escrevia uma vez
00:32:46por semana só.
00:32:48Você sabe que eu nunca procurei
00:32:49se esse blog ainda está lá?
00:32:50Um dia eu vou procurar.
00:32:52Fiquei curiosa também,
00:32:53eu vou procurar.
00:32:53É,
00:32:54nem sei se existe mais.
00:32:55E aí,
00:32:56eu comecei a escrever,
00:32:58só que a minha linguagem
00:32:59era uma linguagem
00:32:59muito do dia a dia
00:33:00de quem empreende.
00:33:02Então,
00:33:02eu escrevia
00:33:02de um jeito muito simples.
00:33:04E aí,
00:33:04eu fui escrevendo,
00:33:05escrevendo,
00:33:05escrevendo,
00:33:06fui fazendo o curso,
00:33:07fui respondendo os RSS
00:33:10que elas mandavam,
00:33:11as mensagens lá no blog.
00:33:13E aí,
00:33:13passou.
00:33:14Terminei o curso,
00:33:15me formei.
00:33:16Uns dois,
00:33:17três meses depois,
00:33:18quando eu fui contar lá
00:33:19os assinantes do blog,
00:33:21tinha 100 mil assinantes.
00:33:24Eu falei,
00:33:24gente,
00:33:25isso é alguma coisa.
00:33:27100 mil.
00:33:28E aí,
00:33:29no ano,
00:33:30acho que foi 2010 isso,
00:33:31acho que em 2011,
00:33:33se não me falha a memória,
00:33:33no final de 2010,
00:33:35surgiu o Facebook.
00:33:35Aí,
00:33:36eu criei uma página,
00:33:38Rede Mulher Empreendedora.
00:33:39Aí,
00:33:39virou uma loucura,
00:33:40porque elas podiam interagir.
00:33:42E aí,
00:33:42elas começaram a conversar
00:33:44na página.
00:33:45Eu falei,
00:33:46mulheres,
00:33:46eu não tenho como responder vocês,
00:33:47eu sou uma pessoa
00:33:48para responder.
00:33:50Eu falei,
00:33:50vocês me ajudem aí a responder.
00:33:52E tinha mulher de norte
00:33:53a sul do Brasil,
00:33:55já estava com 200 mil,
00:33:56300 mil,
00:33:57e o número ia crescendo.
00:33:58E eram principalmente
00:33:59perguntas
00:34:01sobre negócios,
00:34:02sobre como empreender.
00:34:04Sobre como empreender.
00:34:05às vezes tinham perguntas assim,
00:34:06eu lembro de um post até hoje,
00:34:08devia ter tirado o print desse,
00:34:10porque eu nem sei
00:34:10se eu consigo recuperar.
00:34:12Uma mulher falava assim,
00:34:12ah,
00:34:13eu quero começar a empreender,
00:34:14meu marido está em dificuldades,
00:34:16e eu pensei em vender calcinha,
00:34:18revender calcinha.
00:34:20E aí,
00:34:20entraram umas 1.500 mulheres
00:34:22no comentário dela,
00:34:23e falaram,
00:34:24olha,
00:34:24você pode,
00:34:25além de vender calcinha,
00:34:26você pode comprar tal coisa
00:34:27em tal lugar,
00:34:28você pode comprar roupa,
00:34:29você pode comprar,
00:34:30sei lá,
00:34:31sapato não sei aonde,
00:34:33e ajudar a vender as calcinhas.
00:34:35Aí,
00:34:36começou uma loucura.
00:34:38Esse post foi uma das coisas
00:34:39mais simbólicas,
00:34:41porque eu falei,
00:34:41gente,
00:34:42olha que irmandade feminina.
00:34:44Uma mulher estava tentando,
00:34:45ela falava que tinha dois filhos,
00:34:47tudo mais,
00:34:48e era muito bacana
00:34:49o quanto as outras
00:34:50iam lá e ajudavam.
00:34:51E aí,
00:34:52eu falei,
00:34:52gente,
00:34:52aqui tem alguma coisa.
00:34:54E eu comecei a fomentar,
00:34:55a fomentar.
00:34:56Nesse meio tempo,
00:34:57eu e meus sócios
00:34:58tinham já nos desentendido,
00:35:01eu estava no processo
00:35:02de venda do Elogia aqui,
00:35:03eu ainda tinha o espaço
00:35:05de co-working,
00:35:06mas muito menor,
00:35:07eu tinha diminuído o espaço,
00:35:09e eu estava investindo
00:35:10sozinha na rede
00:35:11Mulher Empreendedora.
00:35:12Então,
00:35:12eu estava fazendo divulgação,
00:35:15ajudando,
00:35:15e tentando transformar
00:35:16num negócio,
00:35:17sabe?
00:35:17Ou seja,
00:35:18você viralizou
00:35:19ali nos primórdios
00:35:20das redes sociais,
00:35:21virou blogueira.
00:35:24Virei blogueira,
00:35:24olha a jornalista aí,
00:35:26olha isso,
00:35:26e aí você resolveu
00:35:30transformar isso
00:35:30num negócio.
00:35:31Como é que foi a transição
00:35:33de plataforma de conteúdo,
00:35:34digamos assim,
00:35:35para um negócio?
00:35:36Foi quando as empresas
00:35:37começaram a me procurar.
00:35:39Eu nem entendia
00:35:40que aquilo era um negócio.
00:35:41Tinha gente que virava
00:35:42para mim e falava assim,
00:35:43tinham mulheres
00:35:44que me procuravam,
00:35:45falavam,
00:35:45cobra 10 reais
00:35:46de cada uma
00:35:47e transforma isso
00:35:49num negócio.
00:35:50Faz com que elas
00:35:51paguem uma assinatura.
00:35:53E aquilo não me soava bem.
00:35:55Eu falava,
00:35:55mas eu não quero
00:35:56que o dinheiro
00:35:56seja uma barreira
00:35:58para essas mulheres
00:35:58terem acesso
00:35:59a essa troca.
00:36:00Eu quero que seja
00:36:01uma coisa democrática.
00:36:02Quero que seja livre.
00:36:04Quero que elas tenham
00:36:04oportunidade ali.
00:36:06Não quero cobrar delas.
00:36:07Aí, duas empresas
00:36:09me procuraram na época
00:36:10e eu nem entendia direito
00:36:12o que eu ia fazer com elas.
00:36:13Uma delas falou assim,
00:36:14ah, eu estou vendo
00:36:15que você está fazendo
00:36:15esse negócio,
00:36:16chama a Rede Mulher Empreendedora.
00:36:18Posso te ajudar?
00:36:19Até posso falar.
00:36:19Era o Sebrae na época.
00:36:21O Sebrae falou,
00:36:21eu quero te ajudar.
00:36:22O que você precisa?
00:36:23Eu falei,
00:36:23ah, eu preciso de um auditório
00:36:25para reunir,
00:36:26porque a gente está fazendo
00:36:26uns cafés,
00:36:28o café com empreendedoras.
00:36:30Aí, eles falaram assim,
00:36:31não, a gente te dá auditório,
00:36:32dá alimentação,
00:36:33te ajuda na técnica,
00:36:35e aí você dá um espaço lá
00:36:36para a gente falar com as mulheres.
00:36:38O Sebrae,
00:36:39na época,
00:36:40eles não tinham
00:36:40nenhuma ação
00:36:42para mulheres.
00:36:43Eles só foram ter ação
00:36:44para a mulher,
00:36:45acho que há uns
00:36:45quatro anos atrás.
00:36:46porque eles olhavam para mim,
00:36:48eles falavam assim,
00:36:48o que essa mulher está fazendo aí?
00:36:50Não sei direito, né?
00:36:52E aí, eu falei,
00:36:52bom, parece ter alguma coisa aqui.
00:36:55Depois, uma empresa
00:36:55do setor privado
00:36:57nos procurou
00:36:57para eu criar um programa
00:36:58de mulheres empreendedoras
00:37:00para essa empresa.
00:37:01E aí, eles me pediram
00:37:02uma proposta.
00:37:03E aí, eu fiquei com uma cara assim,
00:37:04o que eu faço?
00:37:06O que eu respondo?
00:37:06O que eu respondo?
00:37:08E aí, eu falei,
00:37:09proposta?
00:37:10Sim, faz uma proposta
00:37:11de consultoria
00:37:12do seu trabalho,
00:37:13do que você está fazendo
00:37:13com as mulheres,
00:37:14porque nós queremos,
00:37:15era um banco.
00:37:16Nós queremos criar um programa
00:37:18para mulheres empreendedoras,
00:37:19mas nós queremos entender
00:37:20e vimos que você entende muito
00:37:22dessas mulheres.
00:37:24Aí, eu falei, legal.
00:37:25Aí, fiz uma proposta
00:37:27para eles,
00:37:28procurei um monte de amigos,
00:37:29sempre assim,
00:37:30amigos, mentoras.
00:37:31Falei, gente,
00:37:32eu não sei nem como precificar.
00:37:34Aí, lembrei do curso, né?
00:37:35Da GV, procurei meu professor
00:37:37para ajudar.
00:37:38Aí, precifiquei, mandei.
00:37:40E aí, passou, sei lá,
00:37:41uma semana,
00:37:42a pessoa que era
00:37:42minha interlocutora lá
00:37:44me respondeu,
00:37:44ah, está aprovada.
00:37:46Vou mandar o nosso
00:37:47departamento administrativo
00:37:49aqui falar com o seu jurídico.
00:37:52Com o seu jurídico
00:37:54e o seu financeiro.
00:37:55Aí, eu apavorei.
00:37:56Eu pensei assim,
00:37:58puxa, se ela aceitou
00:37:59rapidamente a proposta,
00:38:00é sinal que eu precifiquei mal.
00:38:02Fiquei com medo
00:38:03de ter precificado mal.
00:38:04Eu comento com ela até hoje,
00:38:06porque ela é minha amiga até hoje.
00:38:07E, no fim, você precificou mal?
00:38:08No começo, sim.
00:38:09Eu precifiquei mal.
00:38:10Depois, eu corrigi a precificação,
00:38:12que é um grande drama
00:38:13para a gente.
00:38:15Principalmente,
00:38:15precificar serviço,
00:38:16que são horas das pessoas.
00:38:18Principalmente,
00:38:18nesse âmbito da comunicação,
00:38:20eu vejo muita dificuldade.
00:38:23Muita dificuldade.
00:38:24Porque a gente não pode
00:38:25precificar ali o momento.
00:38:26Você tem que precificar
00:38:27todo o seu conhecimento.
00:38:29Precificar conhecimento
00:38:30é muito difícil.
00:38:31Então,
00:38:32ali, naquele momento,
00:38:33eu tive uma super dificuldade.
00:38:35Mas aí,
00:38:36precifiquei,
00:38:36fechamos.
00:38:37Aí, ela mandou o pessoal dela
00:38:38falar com o meu jurídico,
00:38:40o meu financeiro,
00:38:41e eu não tinha.
00:38:42A minha estratégia,
00:38:43na época,
00:38:43eu criei um e-mail genérico jurídico
00:38:46e um e-mail genérico financeiro.
00:38:48E todos caíam para mim.
00:38:51É o jeito.
00:38:53Depois,
00:38:53eu contei para...
00:38:54Anos depois,
00:38:54eu contei para essa nossa cliente.
00:38:57Ela é uma querida.
00:38:58Ela ri até hoje disso.
00:38:59Porque eu falei,
00:39:00eu não tinha outra solução.
00:39:01Eu não tinha financeiro nem jurídico.
00:39:03E aí,
00:39:03o jurídico do banco
00:39:04mandou para mim um contrato.
00:39:06sei lá,
00:39:07de 50 páginas.
00:39:08E aí,
00:39:08você teve que ir atrás de alguém
00:39:10que traduzisse.
00:39:10Aí,
00:39:10eu procurei ajuda.
00:39:12Eu falei,
00:39:12pelo amor de Deus,
00:39:13me ajuda.
00:39:13Não tinha IA na época ainda
00:39:15que pudesse ajudar.
00:39:16Falei,
00:39:17alguém me ajuda,
00:39:17me ajudaram,
00:39:18tudo isso.
00:39:19E foi o nosso primeiro cliente financeiro.
00:39:21O primeiro não financeiro
00:39:22foi o Sebrae.
00:39:23Depois,
00:39:23esse banco foi o primeiro financeiro.
00:39:26E,
00:39:26a partir daí,
00:39:27começaram a surgir
00:39:28vários pedidos de empresas
00:39:29do tipo,
00:39:30olha,
00:39:30vocês entendem de mulher empreendedora.
00:39:32Porque ninguém falava sobre isso.
00:39:34O que a rede fez,
00:39:37esse nosso processo,
00:39:39foi colocar o empreendedorismo feminino no mapa.
00:39:42Porque as pessoas achavam
00:39:43que era igual empreender
00:39:44para homens e mulheres.
00:39:46Então,
00:39:46nós colocamos o empreendedorismo feminino no mapa,
00:39:49sem cobrar das mulheres,
00:39:51fazendo com que elas tivessem acesso
00:39:52a conteúdo de qualidade,
00:39:54a educação,
00:39:55a mentoria,
00:39:56acesso à conexão entre elas,
00:39:58que é isso que a gente faz até hoje,
00:40:00sem custo.
00:40:00E,
00:40:01com isso,
00:40:02a gente conseguiu,
00:40:03do outro lado,
00:40:03trazer as empresas
00:40:04que têm interesse nesse público,
00:40:07mas o interesse tem que ser genuíno.
00:40:09Nós já recusamos empresa
00:40:10que tem um interesse
00:40:11puramente comercial.
00:40:14Oportunista.
00:40:15Oportunista.
00:40:15Ah,
00:40:15eu quero vender para as suas mulheres.
00:40:17A gente fala,
00:40:17a gente não quer.
00:40:18A gente,
00:40:18o que você tem,
00:40:19além de querer vender,
00:40:21é genuíno.
00:40:22Está tudo certo.
00:40:23Mas,
00:40:23o que você quer oferecer para elas
00:40:25para ajudar essas mulheres?
00:40:26Nós trabalhamos aqui com educação,
00:40:28com mentoria,
00:40:29com acesso a recurso financeiro.
00:40:32Então,
00:40:32o que você pode fazer?
00:40:34Se você não sabe,
00:40:35a gente desenha para você.
00:40:37Mas,
00:40:37não dá para querer usar as mulheres,
00:40:39a gente não faz isso.
00:40:41Como ponto de venda,
00:40:43aqui a rede não é um ponto de venda
00:40:44para poder você conseguir falar
00:40:47com as empreendedoras.
00:40:48Você tem que entregar alguma coisa
00:40:50de valor para elas.
00:40:51E é isso que a gente faz hoje
00:40:53para mais de 30 marcas.
00:40:55A gente entrega para essas marcas,
00:40:58empreendedoras,
00:40:59qualificação para elas,
00:41:01conexão para elas.
00:41:03Nós fazemos micro doações
00:41:05para as mulheres
00:41:05em situação de vulnerabilidade.
00:41:08E a gente consegue fazer com isso
00:41:09com que as mulheres conquistem
00:41:10independência financeira.
00:41:12Porque a gente quer botar dinheiro
00:41:13na mesa delas.
00:41:15E com dinheiro na mesa,
00:41:16essas mulheres geram mais impacto social.
00:41:19E,
00:41:20voltando só um pouquinho para trás,
00:41:22quando você ainda estava
00:41:23no universo corporativo
00:41:24antes de empreender,
00:41:25o que você aprendeu
00:41:28da cultura corporativa?
00:41:30Porque a gente falou
00:41:31da desigualdade de gênero,
00:41:33da parte ruim.
00:41:34Mas teve alguma lição,
00:41:36algum aprendizado
00:41:36que daí se aplicou
00:41:37na sua carreira como empreendedora?
00:41:39Muitas lições.
00:41:40Assim,
00:41:40eu brinco muito
00:41:41que tem muita coisa ruim,
00:41:42mas tem muita coisa boa.
00:41:44Sobre governança,
00:41:46sobre processos.
00:41:47Porque,
00:41:48normalmente,
00:41:48pequeno empreendedor
00:41:49não tem governança nenhuma,
00:41:51não organiza processos.
00:41:52e, obviamente,
00:41:54você tem que medir isso
00:41:55para o tamanho do seu negócio.
00:41:57Mas eu sempre pensei
00:41:58em como organizar melhor,
00:42:00quem faz cada coisa,
00:42:02papéis e responsabilidade,
00:42:03mesmo quando eu tinha
00:42:04dois funcionários
00:42:05e hoje que eu tenho 55.
00:42:08Então,
00:42:08eu sempre penso
00:42:09nessa parte de governança,
00:42:11de processos,
00:42:12como é que eu posso fazer melhor,
00:42:14como é que eu posso
00:42:15gerar mais impacto.
00:42:16E outra coisa,
00:42:18dentro da governança,
00:42:19é a parte que a gente chama
00:42:21tecnicamente de compliance.
00:42:23Eu sou uma das organizações,
00:42:25não são muitas,
00:42:26que tem área de compliance interna.
00:42:28Isso foi muito
00:42:29de ter adquirido
00:42:32essa experiência
00:42:33dentro do setor privado.
00:42:35Então,
00:42:35olhar para o compliance
00:42:36como sendo
00:42:37uma estratégia de negócio,
00:42:39olhar para os processos
00:42:40e para a governança
00:42:41como sendo
00:42:42uma estratégia de negócios
00:42:43e tentar,
00:42:44não estou falando
00:42:45que eu consigo 100%,
00:42:46eu não gosto nunca
00:42:47de glamourizar
00:42:49e nem de simplificar
00:42:50o ambiente empreendedor
00:42:52e tentar,
00:42:53o máximo possível,
00:42:54não criar um ambiente tóxico
00:42:56dentro da minha organização.
00:42:58Não acho que é simples,
00:42:59porque a gente está lidando
00:43:00sempre com pessoas,
00:43:01mas a gente luta
00:43:02todos os dias
00:43:03para dar um ambiente bacana,
00:43:05para não ter um ambiente
00:43:06de pressão,
00:43:07do tipo,
00:43:08ai, meu Deus,
00:43:09se você não fizer isso,
00:43:10você vai ser demitido.
00:43:12Porque eu vivi isso
00:43:13minha vida inteira.
00:43:15E eu achava horroroso
00:43:16você viver o tempo inteiro
00:43:17sob pressão.
00:43:18a gente tenta não fazer isso
00:43:20na rede,
00:43:21lá na rede,
00:43:21no instituto,
00:43:23e a gente tenta fazer
00:43:23com que as pessoas
00:43:24se sintam bem ali.
00:43:26Obviamente,
00:43:27não é a Disney,
00:43:28não é um espaço super,
00:43:30todo mundo é lindo,
00:43:31eu brinco com alguns funcionários
00:43:33quando estão começando
00:43:34a trabalhar lá,
00:43:35que ficam um pouco decepcionados,
00:43:37que tem que fazer
00:43:37planilha de Excel,
00:43:39tem que fazer PowerPoint,
00:43:41eles falam,
00:43:42ai,
00:43:42eu achei que só ia ficar
00:43:44todos os dias,
00:43:45toda hora lá,
00:43:46em contato com as mulheres.
00:43:47Eu falei,
00:43:48não,
00:43:48você também vai fazer isso,
00:43:50mas a gente também tem entregas
00:43:52que são de governança
00:43:53e de processos
00:43:54que precisam ser feitas.
00:43:55E aquele cara
00:43:56que quase te selecionou
00:43:58lá atrás,
00:43:58mas não te selecionou
00:43:59porque você era mulher,
00:44:01falou aquilo,
00:44:02de,
00:44:02ai,
00:44:03quero alguém que bata
00:44:04na mesa,
00:44:06que seja enérgico.
00:44:07Muitas mulheres
00:44:08que chegam
00:44:09a lugares de liderança,
00:44:10não sei tanto hoje,
00:44:12mas ao longo dos tempos,
00:44:13assim,
00:44:14acabaram adotando
00:44:15esse estilo
00:44:17de liderança
00:44:17masculino
00:44:18no mau sentido.
00:44:20Você caiu,
00:44:22de certa forma,
00:44:23em algum momento
00:44:24da sua carreira
00:44:25nessa,
00:44:26ou você manteve
00:44:27sempre fiel
00:44:28ao que você acreditava
00:44:29que deveria ser
00:44:30uma liderança
00:44:31mais empática,
00:44:32mais humana?
00:44:33Impossível não cair.
00:44:34Eu caí
00:44:35e fiquei muito tempo
00:44:36mimetizando
00:44:38o modelo de liderança
00:44:39dos meus colegas,
00:44:40porque eu não via
00:44:40outras mulheres.
00:44:41então eu aprendi,
00:44:44era uma coisa
00:44:44muito doida,
00:44:45eu falava mais alto,
00:44:47falava palavrão,
00:44:48coisa que eu não,
00:44:49e eu vivia dentro
00:44:50da área de vendas
00:44:50e marketing.
00:44:52Então, assim,
00:44:53eu achava
00:44:53que aquilo
00:44:54era o modelo.
00:44:55Falar mais alto,
00:44:56ser mais agressiva,
00:44:57interromper,
00:44:59e uma coisa
00:44:59que era uma coisa
00:45:00visual também.
00:45:01Eu usava
00:45:02só terninho.
00:45:03Quando eu pedi demissão,
00:45:05uma das coisas
00:45:05que eu cheguei em casa,
00:45:07eu olhei meu guarda-roupa,
00:45:08eu tinha 18 terninhos,
00:45:10das mais diversas cores,
00:45:11modelos muito parecidos,
00:45:13e assim,
00:45:13eu usava o cabelo alisado,
00:45:15eu tinha os terninhos,
00:45:16usava sapatos
00:45:17mais fechadinhos,
00:45:18quadrados,
00:45:20e tinha um modelo,
00:45:21que era, na verdade,
00:45:22imitando o modelo deles,
00:45:24porque eu achava
00:45:25na minha cabeça,
00:45:26e era o que era possível
00:45:27para sobreviver,
00:45:29eu tinha que estar
00:45:30naquele modelo,
00:45:32senão eu não poderia
00:45:33fazer parte.
00:45:35E eu vi
00:45:35inúmeras situações
00:45:37de outras mulheres
00:45:38em outras áreas,
00:45:40e até mulheres
00:45:40que não eram executivas,
00:45:42mas que eram analistas,
00:45:43tudo mais,
00:45:44sendo faladas
00:45:46ou sendo comentadas
00:45:47por conta da vestimenta.
00:45:51Visualizei,
00:45:51acompanhei,
00:45:52vi inúmeras situações.
00:45:54Então,
00:45:55o que eu fazia?
00:45:56A minha vestimenta
00:45:56não pode chamar atenção,
00:45:58eu tenho que ser igual a eles,
00:45:59eles se vestem
00:46:00de terno azul,
00:46:00preto,
00:46:01então eu vestia os terninhos,
00:46:03eu alisava o cabelo,
00:46:05eu estava sempre
00:46:05muito sóbria,
00:46:06eu tinha um tom de voz
00:46:07mais firme
00:46:08para poder me impor
00:46:09diante dos outros homens,
00:46:12só que você vai fazendo isso,
00:46:14como não é você,
00:46:15isso vai te consumindo.
00:46:17Chega uma hora
00:46:17que fica insustentável,
00:46:19em que momento
00:46:20que você percebeu isso,
00:46:21alguém te deu um toque
00:46:23ou você mesma
00:46:24falou,
00:46:24putz,
00:46:24não dá mais?
00:46:25Eu mesma percebia
00:46:26que eu,
00:46:27assim,
00:46:28era um esforço,
00:46:29quase todos os finais de dia
00:46:31quando eu voltava para casa,
00:46:32às vezes à noite,
00:46:33às vezes eu tinha crise de choro,
00:46:35de cansaço
00:46:37de fazer esse papel,
00:46:38porque, na verdade,
00:46:39você fazia um papel ali,
00:46:41de estar o tempo inteiro,
00:46:43eu lembro que uma vez
00:46:44eu recebi um feedback
00:46:45horroroso,
00:46:46na época,
00:46:47eu fiquei sem saber
00:46:48o que fazer,
00:46:49recebi um feedback
00:46:50de que eu era muito simpática,
00:46:53era um negócio horroroso,
00:46:56eu recebi,
00:46:56e aquilo era assim,
00:46:57um feedback ruim,
00:46:59você precisa parar
00:46:59de ser simpática,
00:47:01você precisa parar
00:47:02de ser legal,
00:47:03um bom chefe
00:47:04não é um chefe legal,
00:47:06um bom chefe
00:47:07é um chefe ríspido,
00:47:09é um chefe
00:47:10com postura
00:47:10de chefe,
00:47:12e o feedback
00:47:13na época
00:47:14do meu chefe direto
00:47:15foi,
00:47:16você precisa melhorar
00:47:17essa sua postura,
00:47:17você precisa deixar
00:47:18de ser legal,
00:47:19você precisa
00:47:20deixar de ficar
00:47:22sempre no meio
00:47:23dos seus funcionários,
00:47:24porque eu estava sempre
00:47:25com os meus colaboradores,
00:47:26com os funcionários,
00:47:27eu almoçava,
00:47:28às vezes,
00:47:28com eles,
00:47:28porque eu não era chamada
00:47:29para almoçar
00:47:30com os executivos também,
00:47:32mas, assim,
00:47:32eu gostava muito
00:47:33da convivência,
00:47:34e, assim,
00:47:35para mim,
00:47:35foi um feedback
00:47:36que me desmontou tanto
00:47:37que eu fiquei assim
00:47:38na frente do meu chefe,
00:47:40ele falou,
00:47:40você é muito legal,
00:47:41você fala muito,
00:47:42você é muito expansiva,
00:47:45você tem que segurar
00:47:46um pouco a onda,
00:47:47você tem que ser mais dura,
00:47:48foi esse o feedback,
00:47:49e na época,
00:47:50eu fiquei me martirizando
00:47:52e tentei mudar,
00:47:54para não ser mais legal,
00:47:56para ser mais dura,
00:47:57e para não ser muito falante,
00:47:59porque ele falou
00:48:00que eu era muito falante.
00:48:01Daí,
00:48:02hoje você concilia um pouco
00:48:04o ser legal
00:48:06com um pouco de,
00:48:09não sei nem a palavra,
00:48:10assim,
00:48:10você dosa de alguma forma
00:48:12ou você voltou
00:48:13a ser quem você era
00:48:14antes dele te dar
00:48:15esse feedback?
00:48:15Ah,
00:48:15eu sou quem eu sou
00:48:17de verdade,
00:48:18entendeu?
00:48:19Eu não consigo ser,
00:48:20eu não sei ser agressiva,
00:48:22eu tenho muita dificuldade
00:48:23de ser agressiva,
00:48:25assim,
00:48:25eu acho muito horrível
00:48:26você ser desrespeitoso
00:48:27com a outra pessoa,
00:48:28ou você fazer
00:48:30o que muita gente chama
00:48:30nas redes sociais
00:48:31que é sincericídio,
00:48:32né?
00:48:33Eu acho isso horrível,
00:48:34as pessoas falarem,
00:48:35serem grosseiras
00:48:36com as outras pessoas
00:48:37e colocar isso
00:48:38de um embaixo
00:48:38de um manto
00:48:40de,
00:48:40ah,
00:48:40eu sou sincera.
00:48:42Se você é sincera
00:48:43agredindo uma outra pessoa,
00:48:45desculpa,
00:48:45a sua sinceridade
00:48:46está servindo para quem,
00:48:47né?
00:48:47Tanto é que,
00:48:48hoje,
00:48:49as soft skills,
00:48:50as empresas,
00:48:52as corporações
00:48:52têm isso em alta conta,
00:48:54né?
00:48:54Vem mudando,
00:48:56não só para o lado
00:48:56das mulheres,
00:48:58inclusive dos homens,
00:48:59né?
00:48:59Dos homens.
00:48:59Uma liderança
00:49:01mais vulnerável,
00:49:02mais empática.
00:49:03Mas estar junto,
00:49:04o que eu era criticada
00:49:06era quem eu era
00:49:07na essência.
00:49:08Então,
00:49:08hoje,
00:49:09com os meus negócios,
00:49:10eu sou quem eu sou
00:49:11na essência,
00:49:12né?
00:49:12Eu não sou perfeita
00:49:14de jeito,
00:49:15longe,
00:49:16tenho vários meus,
00:49:17minhas vulnerabilidades,
00:49:19minhas coisas,
00:49:20né?
00:49:20Como todo ser humano,
00:49:21mas a minha essência
00:49:22é não ser uma pessoa
00:49:23combativa,
00:49:24não ser uma pessoa
00:49:25agressiva,
00:49:26minha essência é conversa,
00:49:27eu gosto muito da conversa
00:49:29e de entender o outro lado,
00:49:31ter empatia com o outro lado.
00:49:33Não vou falar
00:49:33que eu sou uma pessoa
00:49:34perfeita de jeito nenhum,
00:49:35mas esse é meu jeito,
00:49:37minha essência,
00:49:38né?
00:49:38Trabalho todos os dias,
00:49:39faço terapia,
00:49:41né?
00:49:41Que eu acho que é importante,
00:49:42todo mundo devia fazer terapia,
00:49:44faço terapia para lidar
00:49:45com as minhas questões pessoais
00:49:47e eu acho que é isso.
00:49:48Ninguém deveria,
00:49:49em troca de ser sincero,
00:49:53magoar uma outra pessoa
00:49:54ou falar sobre uma outra pessoa,
00:49:56alguma característica
00:49:58que você não gosta
00:49:59só porque você quer falar aquilo.
00:50:01Eu acho horrível
00:50:02e eu nunca fui assim,
00:50:03não consigo.
00:50:05E voltando a falar um pouco
00:50:07da Rede Mulher Empreendedora,
00:50:09que hoje vocês têm 30 marcas,
00:50:11né?
00:50:11Realizando trabalhos,
00:50:13quando o negócio começou
00:50:15a tomar proporção,
00:50:16também é difícil, né?
00:50:18Porque daí você tem que sustentar aquilo,
00:50:20amplificar aquilo.
00:50:21Qual que foi a principal
00:50:22encruzilhada que você enfrentou
00:50:24para,
00:50:25diante do sucesso
00:50:26que a Rede Mulher Empreendedora teve?
00:50:29Eu acho que é assim,
00:50:29a dor do crescimento
00:50:30que a gente fala
00:50:31no mundo dos empreendedores,
00:50:32ela não é,
00:50:33não deixa de ser uma dor.
00:50:34Tem gente que fala,
00:50:35mas que legal,
00:50:36você está crescendo.
00:50:37Mas é muito duro
00:50:38você crescer,
00:50:40porque você precisa colocar,
00:50:41comprar essa governança,
00:50:43processos,
00:50:44criar departamento pessoal,
00:50:46criar endomarketing,
00:50:48um monte de coisa
00:50:49que você fala,
00:50:49puxa vida,
00:50:50eu não sabia que precisava
00:50:51de tudo isso.
00:50:52E, de fato,
00:50:53você precisa.
00:50:55Isso é muito dolorido,
00:50:56porque,
00:50:57às vezes,
00:50:58você não tem a estrutura
00:50:59financeira necessária,
00:51:01num primeiro momento,
00:51:02para poder criar
00:51:03toda essa estrutura
00:51:04de governança,
00:51:06e, ao mesmo tempo,
00:51:06você precisa
00:51:07dessa estrutura.
00:51:08É como se você estivesse
00:51:09no ovo e na galinha.
00:51:11Eu não sou tão grande
00:51:13que eu tenha dinheiro
00:51:14para manter uma estrutura
00:51:15e nem sou tão pequena
00:51:17para fazer as coisas
00:51:17de uma forma mais livre.
00:51:20Então,
00:51:20quando você chega
00:51:21nesse momento,
00:51:22você fala,
00:51:22meu Deus,
00:51:23e agora?
00:51:24E aí,
00:51:25você tem que trazer
00:51:25pessoas boas
00:51:26para o seu lado.
00:51:27E eu acho que esse
00:51:28é o maior desafio
00:51:29do empreendedor,
00:51:30essa encruzilhada
00:51:31de continuar crescendo.
00:51:34Eu já tive sócio
00:51:35que não deu certo,
00:51:36esses no início,
00:51:36mas já tive sócios
00:51:37depois também.
00:51:38Eu tive uma sociedade
00:51:39depois,
00:51:40uma sociedade
00:51:41de uma investidora
00:51:42que acabou não dando certo,
00:51:44por conta de uma questão
00:51:45dela,
00:51:46dessa investidora.
00:51:47Eu quero trazer
00:51:49sempre pessoas boas
00:51:50para o meu lado,
00:51:51porque eu acho
00:51:52que o negócio só cresce
00:51:53e só consegue ser sustentável
00:51:55se você tem pessoas boas.
00:51:57Hoje, felizmente,
00:51:58eu posso dizer
00:51:59de boca cheia,
00:52:00que eu tenho uma equipe
00:52:01muito bacana,
00:52:02que eu tenho duas pessoas
00:52:03que são o meu braço direito
00:52:05e um time de liderança
00:52:06lá de quatro ou cinco pessoas
00:52:07que tocam a rede.
00:52:09Então,
00:52:10eu fico até...
00:52:10É engraçado,
00:52:11eu tiro folga
00:52:13ou eu vou para alguma coisa,
00:52:15eu fico com o coração
00:52:16meio assim
00:52:16e elas brincam,
00:52:17me deixa,
00:52:18deixa a gente aqui
00:52:19que a gente está tocando.
00:52:21Então,
00:52:21isso me permite
00:52:22viajar bastante,
00:52:23porque eu viajo
00:52:24bastante a trabalho,
00:52:26eu sou conselheira
00:52:27de outras empresas,
00:52:28sou conselheira
00:52:29do Pacto Global,
00:52:30sou conselheira
00:52:31da Embi Morumbi,
00:52:32do Conselhão
00:52:33da Presidência
00:52:34da República também,
00:52:35e isso faz com que
00:52:36eu tenha que me movimentar
00:52:37bastante.
00:52:38então,
00:52:38isso só é possível
00:52:40porque a empresa
00:52:41tem pessoas
00:52:42que conseguem lá tocar.
00:52:44Não é uma tarefa fácil,
00:52:45viu, Isa?
00:52:45É muito difícil.
00:52:47Quando a gente vai crescendo,
00:52:48o faturamento vai subindo,
00:52:50as responsabilidades vão aumentando,
00:52:52a necessidade de pessoas
00:52:53mais qualificadas
00:52:54vão aumentando,
00:52:56e o terceiro setor,
00:52:57que é o setor
00:52:58onde mais a gente atua,
00:53:00tanto a rede
00:53:00quanto o Instituto,
00:53:02é um setor
00:53:03que sofre muito
00:53:04a questão de mão de obra,
00:53:05a questão de pessoas,
00:53:07porque é um setor
00:53:08que normalmente
00:53:08não paga muito bem,
00:53:10que é um drama
00:53:11que existe no mundo inteiro,
00:53:13da gente conseguir
00:53:14pagar melhor,
00:53:15porque normalmente
00:53:15os doadores,
00:53:16financiadores,
00:53:17não querem destinar
00:53:18parte do recurso
00:53:20para a estrutura
00:53:20de pessoal,
00:53:21e a gente tem que atrair
00:53:23as melhores pessoas,
00:53:24então é sempre um desafio
00:53:25para a gente crescer.
00:53:27Indo já para a reta final
00:53:29do nosso papo,
00:53:30Ana,
00:53:30eu queria ouvir um pouco
00:53:31de você,
00:53:32o que que te mantém
00:53:33inspirada
00:53:34a seguir nos negócios,
00:53:36a seguir a frente
00:53:37da Rede Mulher Empreendedora,
00:53:38e fazendo parte
00:53:39de todos esses conselhos
00:53:41que você mencionou,
00:53:43a gente vive num mundo
00:53:45que a gente vive
00:53:46bombardeado também,
00:53:47por muitas mudanças,
00:53:49muito conteúdo,
00:53:50então o que que você faz
00:53:51para se manter inspirada,
00:53:52onde que você busca
00:53:53inspiração?
00:53:54Ah, eu gosto,
00:53:55eu sou muito caseira,
00:53:56eu sou super assim,
00:53:58família,
00:53:59então toda semana,
00:54:01salvo raríssimas exceções,
00:54:02eu vou ver minha família
00:54:03de domingo em Diadema,
00:54:04porque boa parte mora lá,
00:54:06então isso para mim
00:54:07é o que me dá energia,
00:54:09a minha família direta,
00:54:10minhas duas filhas,
00:54:11meu marido,
00:54:12assim,
00:54:13a convivência familiar,
00:54:14eu adoro assistir séries,
00:54:16adoro documentários,
00:54:17inclusive séries criminais.
00:54:19Alguma você está vendo
00:54:20agora atualmente?
00:54:21Eu acabei de assistir agora
00:54:22The Last of Us,
00:54:24que é bem,
00:54:24é uma série meio distópica,
00:54:26maravilhosa,
00:54:28adoro séries criminais também,
00:54:30eu acabei de assistir,
00:54:31como é que,
00:54:31Sobre o Sol da Escuridão também,
00:54:34super bacana,
00:54:35e adoro,
00:54:36não sei porquê,
00:54:36largados e pelados,
00:54:38não me pergunte porquê,
00:54:39eu não sei.
00:54:39É porque é muito divertido,
00:54:41é muito divertido.
00:54:42Eu jamais faria aquilo,
00:54:44adoro largados e pelados,
00:54:46assim.
00:54:46É, muito legal.
00:54:47E eu gosto de coisas
00:54:48muito simples,
00:54:48assim,
00:54:49gosto de viajar para perto,
00:54:50acho que eu canso
00:54:51tanto de viajar a trabalho,
00:54:52que quando eu estou em férias,
00:54:53eu quero ficar dentro de casa,
00:54:55mas não é justo com as minhas filhas.
00:54:57Então, às vezes,
00:54:58a gente vai viajar para perto,
00:54:59gosto dessas coisas
00:55:00de estar perto da natureza,
00:55:02eu tenho um cachorrinho também,
00:55:04o Simba,
00:55:05que a gente sai todo dia com ele.
00:55:07Então,
00:55:07isso me dá um pouco de energia,
00:55:09né,
00:55:10para poder me movimentar.
00:55:12E eu não deixo de me inspirar
00:55:14e de me comover
00:55:15com as histórias das empreendedoras,
00:55:17nunca.
00:55:18Tem gente que fala para mim,
00:55:19mas há 15 anos,
00:55:20e você ainda fica emocionada?
00:55:22Fico.
00:55:23O que mais te emociona?
00:55:24Ah,
00:55:25quando elas mandam mensagem
00:55:26nas redes sociais,
00:55:27falando assim,
00:55:27olha,
00:55:28Ana,
00:55:28fiz o curso,
00:55:29fiz o Ela Pode,
00:55:30que é um curso que a gente tem.
00:55:32Participei do Ela Pode,
00:55:33recebi o Capital Semente,
00:55:35que é a doação que a gente faz
00:55:36para elas,
00:55:37e consegui fazer com que
00:55:40o meu negócio desse certo
00:55:41e estou ganhando
00:55:423 mil reais por mês.
00:55:44Então,
00:55:44assim,
00:55:44eu falo,
00:55:45meu Deus do céu,
00:55:46a gente fica mostrando,
00:55:47é claro que é tudo muito difícil,
00:55:49a gente vive num país desigual,
00:55:51mas quando eu recebo
00:55:52essas mensagens,
00:55:53elas falam,
00:55:54vocês não têm ideia
00:55:55de como vocês mudaram
00:55:56minha vida.
00:55:57Ah,
00:55:57eu participei do Bora
00:55:58Empreender com Comida,
00:56:00eu participei do Elas Prosperam,
00:56:02porque nós temos programas
00:56:03com muitos nomes,
00:56:04né?
00:56:04E aí,
00:56:05elas mandam mensagem,
00:56:07algumas mandam vídeo,
00:56:08outras mandam áudio,
00:56:10tem umas que mandam áudio
00:56:10que parecem um podcast,
00:56:12contando toda a história.
00:56:13Olha,
00:56:14eu participei do programa,
00:56:15eu me esforcei,
00:56:16eu fiz o curso,
00:56:18foi muito bacana,
00:56:19mudou minha vida,
00:56:20botei dinheiro em casa,
00:56:22consegui sair de um relacionamento abusivo,
00:56:24é muito comum,
00:56:26a gente recebe dezenas dessas mensagens.
00:56:29É,
00:56:29uma emancipação dessas mulheres,
00:56:32né?
00:56:32Sim,
00:56:32independência financeira é,
00:56:34assim,
00:56:34para a mulher é fundamental,
00:56:36a violência contra as mulheres
00:56:37tem dois fatores,
00:56:38dependência emocional
00:56:39e a dependência financeira.
00:56:41Quando a gente tira adequação
00:56:43à dependência financeira,
00:56:44ela consegue se movimentar
00:56:46para tirar essa dependência emocional
00:56:48desse companheiro.
00:56:49Então,
00:56:50assim,
00:56:50isso para mim
00:56:51é o que me emociona,
00:56:52eu fico feliz,
00:56:53quando tem gente que fala assim,
00:56:54ah,
00:56:54mas você ganha tanto prêmio,
00:56:56eu falo,
00:56:56fico super feliz com os prêmios,
00:56:58não estou reclamando.
00:57:00São reconhecimentos importantes,
00:57:02fazem muito bem,
00:57:03né,
00:57:03para a nossa causa,
00:57:05para o nosso trabalho,
00:57:06mas para mim,
00:57:07quando eu recebo essas mensagens
00:57:08no inbox,
00:57:09o meu time até cansa,
00:57:12né?
00:57:12Às vezes eu tiro o print,
00:57:13eu falo,
00:57:14gente,
00:57:14ó,
00:57:14para vocês dormirem com o coração quentinho,
00:57:16olha mais uma mensagem aqui.
00:57:18É sobre transformar vidas,
00:57:20né?
00:57:20Sim,
00:57:21sim.
00:57:21E a gente faz um trocadilho aqui
00:57:23com o nome do programa,
00:57:25qual que foi a melhor ideia
00:57:26que você já teve
00:57:27e a pior ideia?
00:57:29A melhor ideia foi criar a Rede Mulher Empreendedora.
00:57:34É,
00:57:34eu imaginei.
00:57:34É,
00:57:35a melhor ideia,
00:57:36assim,
00:57:36não sei até hoje de onde eu tirei esse nome
00:57:38e até hoje é muito curioso,
00:57:40a gente volta e meia tem que acionar
00:57:41alguma,
00:57:43alguma outra instituição
00:57:44que usa o nosso nome
00:57:46e a gente fala assim,
00:57:47puxa vida,
00:57:48é um nome tão bacana
00:57:49porque é rede,
00:57:49né,
00:57:50rede mulher,
00:57:50a gente está junto.
00:57:52Então,
00:57:52para mim é a melhor ideia.
00:57:54E a pior,
00:57:55nossa,
00:57:55os donos de co-working
00:57:56vão me odiar.
00:57:58A pior foi ter criado o co-working.
00:58:00Foi inferno na terra.
00:58:01Foi inferno na terra.
00:58:02Gente,
00:58:03não me odeiem.
00:58:04Eu sei que tem gente que ama co-working,
00:58:06está tudo bem,
00:58:06está tudo certo,
00:58:08mas assim,
00:58:09para mim foi a pior ideia.
00:58:10Foi muito difícil lidar
00:58:12como síndica,
00:58:13tendo que ficar anotando as coisas,
00:58:15foi bem difícil.
00:58:17E você deu ao longo da conversa
00:58:20alguns conselhos,
00:58:21alguns aprendizados
00:58:23com o empreendedorismo.
00:58:25E aí eu queria que você desse uma dica,
00:58:28não sobre empreendedorismo,
00:58:29mas que tem a ver de certa forma também,
00:58:31que é o caminho
00:58:34ou a estratégia
00:58:37para a pessoa não desistir
00:58:39dos seus sonhos,
00:58:40da sua carreira,
00:58:41enfim,
00:58:42seja empreendedora ou não, né?
00:58:43É muito legal
00:58:44porque essa é uma pergunta
00:58:46que eu recebo muito
00:58:46nas minhas redes sociais.
00:58:48As minhas redes sociais
00:58:49são super ativas,
00:58:50eu converso eu mesmo
00:58:51com as pessoas
00:58:53e uma das perguntas
00:58:54que elas fazem
00:58:55é como é que você não faz
00:58:57para não desistir, né?
00:58:59O que você faz
00:58:59para continuar,
00:59:01para ter força,
00:59:02para continuar
00:59:02e o que você fez
00:59:03para ter força
00:59:04para continuar
00:59:05quando você não tinha dinheiro,
00:59:07quando a situação
00:59:08ficou bem difícil.
00:59:10Eu sempre me apeguei
00:59:11nas coisas que estão ali
00:59:12no meu dia a dia,
00:59:13tanto na família,
00:59:15quanto nas pessoas
00:59:16que sempre abriram
00:59:17as portas para mim.
00:59:18Eu tive gente muito boa,
00:59:20Isa,
00:59:20durante todos esses anos
00:59:21e eu jamais vou deixar
00:59:24de agradecer,
00:59:24obviamente não nominalmente,
00:59:26porque foram muitas pessoas,
00:59:28todas as pessoas
00:59:29que em algum momento
00:59:29me seguraram na mão,
00:59:31me falaram,
00:59:32olha, respira fundo,
00:59:33vai dar certo,
00:59:34pessoas que me abriram
00:59:36uma porta,
00:59:37que mostraram um caminho
00:59:38que eu não estava vendo.
00:59:40Então, para mim,
00:59:41a coisa que mais você tem que fazer,
00:59:42a pessoa tem que fazer
00:59:43quando ela está nesse momento,
00:59:45nessas encruzilhadas,
00:59:46é não achar que estar vulnerável
00:59:49é uma questão ruim
00:59:51e não achar que pedir ajuda
00:59:53é sinal de fraqueza.
00:59:55Pedir ajuda
00:59:55é um sinal de força imenso.
00:59:57Eu pedi ajuda inúmeras vezes
00:59:59para inúmeras pessoas
01:00:00durante a minha jornada
01:00:01e ajudas muito duras,
01:00:03do tipo,
01:00:04vou fechar amanhã
01:00:05porque eu não tenho como
01:00:06pagar as contas,
01:00:07botar comida em casa.
01:00:09E as pessoas falam,
01:00:09não, vamos arrumar um jeito,
01:00:11vamos pensar,
01:00:12faz consultoria para mim,
01:00:14vamos abrir uma porta
01:00:16de tal negócio.
01:00:17Para mim,
01:00:18é sobre isso.
01:00:19Eu tive sempre gente
01:00:20que me segurou na mão.
01:00:22Muito mais
01:00:23do que gente
01:00:24que fechou a porta.
01:00:26Eu vou ser eternamente grata
01:00:28a essas pessoas
01:00:28que foram muito bacanas,
01:00:30muito humanas
01:00:31e tiveram muita empatia comigo.
01:00:34Ana,
01:00:34muito obrigada
01:00:35por ter vindo aqui ao Ideia.
01:00:37Foi um prazer conversar com você.
01:00:38Adorei demais esse papo.
01:00:40Acho que é um dos mais bacanas
01:00:41que eu já fiz.
01:00:42Que ótimo.
01:00:43Adorei também.
01:00:44Até a próxima.
01:00:45Até a próxima.
01:00:46Continue acompanhando a ideia
01:00:48em todas as plataformas
01:00:49de meia e mensagem
01:00:50no nosso canal do YouTube
01:00:51ou em todas as plataformas
01:00:53de podcast.
01:00:55Os episódios são gravados
01:00:56no estúdio do Content Club
01:00:57em São Paulo.
01:00:59Até.
01:00:59Até.
01:00:59na próxima.
01:01:03E aí
01:01:04E aí
01:01:05E aí
01:01:07E aí
01:01:08E aí
01:01:10E aí
01:01:11E aí
01:01:11E aí
01:01:12E aí
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