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O ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou neste domingo (13) que o Brasil vai intensificar a busca por novos mercados internacionais como alternativa às tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que entram em vigor em 1º de agosto. Cristiano Beraldo e José Maria Trindade comentaram.
Reportagem: Marília Ribeiro
Comentaristas: Cristiano Beraldo e José Maria Trindade

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Transcrição
00:00Iniciamos aqui a nossa terceira hora, às oito horas e um minuto, com mais informações ao vivo da nossa reportagem,
00:05movimentando e atualizando você nesta manhã de segunda-feira.
00:09O ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou que o Brasil deve abrir outros mercados para minimizar a taxação de Donald Trump.
00:18Marília Ribeiro está de volta aqui no Jornal da Manhã, tem mais detalhes e informações aqui pra gente sobre esse assunto.
00:23Pois não, Marília?
00:24Pois é, Nonato, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, ele acabou reforçando aí o que outro ministro acabou dizendo na semana passada,
00:35o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Favra, de que o Brasil deve sim procurar a abertura de novos mercados, mercados competitivos,
00:43caso essa taxação de Donald Trump entre de fato em vigor a partir do dia 1º de agosto.
00:51E também reforça aí uma fala do próprio presidente Lula, que já disse que deve sim procurar outros mercados para poder colocar esses produtos brasileiros.
01:00A gente vem falando aqui dos produtos que devem ser mais atingidos, caso essa taxação de fato aconteça, Nonato.
01:06A gente fala do suco de laranja, do café e também do aço brasileiro, né?
01:13Esses produtos brasileiros, eles devem ser os mais atingidos com essa taxação imposta por Donald Trump de 50%.
01:20O ministro Rui Costa também disse que além da lei da reciprocidade econômica que a gente vem discutindo e na expectativa de ser regulamentada já aí nesses próximos dias,
01:30ele disse que o Brasil também deve tomar outras medidas.
01:33Ele não disse que medidas são essas, mas a gente também fica de olho nisso.
01:37Ele também classificou a carta de Donald Trump como absurda e que foi necessário até mesmo conversar com a embaixada americana
01:44para poder ter certeza da veracidade dessa carta que foi encaminhada aí através das redes sociais para o governo brasileiro.
01:53E hoje, Nonato, a gente fica aqui tratando ainda dessa expectativa sobre a reglamentação desse decreto aí,
02:01dessa medida que vem tratar sobre a reciprocidade econômica que o Congresso Nacional aprovou
02:07e que agora o governo Lula vem dizendo que vai sim colocar ela adiante, deve colocar ela de fato para poder funcionar.
02:15Nós temos aí a previsão de que a ministra das Relações Institucionais, Gleis Hoffmann,
02:20se reúna com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad,
02:23e também com o vice-presidente da República e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin,
02:28para poder formar aí o grupo de trabalho para poder tratar dessas medidas de reciprocidade
02:34que devem ser encaminhadas aí aos Estados Unidos.
02:37Esse grupo deve ser formado aí nesses próximos dias.
02:40Junto com isso, ontem o ministro, o vice-presidente e ministro, Geraldo Alckmin,
02:45afirmou que o presidente Lula deve fazer a reglamentação desse decreto aí,
02:51desse texto relacionado aí à reciprocidade econômica já nos próximos dias.
02:55Entre hoje, segunda-feira e terça-feira, a gente fica de olho.
02:59Ontem teve uma movimentação lá no Palácio da Alvorada,
03:02uma reunião aí para poder tratar a respeito dessas medidas que devem ser colocadas nesse decreto.
03:09Confirmados aí que nós conseguimos aqui na Jovem Pan foi a presença do ministro da Fazenda,
03:15Fernando Haddad, também do ministro Geraldo Alckmin e da ministra Gleis Hoffmann.
03:19E aí eles devem, de fato, colocar aí mais conversas na mesa para poder trazer, de fato,
03:26como será essa reciprocidade aos Estados Unidos.
03:30Fato é que aqui em Brasília, Nonato, a gente está vivendo de expectativa relacionado a esse tema,
03:35mas a gente vem trazendo aí as atualizações, caso essa reunião entre esse grupo,
03:39que vai formar aí o grupo de trabalho para essa reciprocidade econômica aconteça hoje.
03:43A gente traz ainda na programação do Jornal da Manhã, se não toda a programação da Jovem Pan, Nonato.
03:49Muito obrigado, Marília Ribeiro, direto de Brasília, atualizando essas informações.
03:53Já é um assunto aqui para a gente convidar também os nossos comentaristas,
03:57o Cristiano Beraldo e o José Maria Trindade, que estão conosco nesta manhã de segunda-feira.
04:00Vou começar contigo agora, Beraldo, à medida em que tem aí essa busca por novos mercados,
04:05mas assim, a gente já está vivendo uma outra realidade desde que o Trump tomou posse.
04:09Ele mexe não só com o Brasil, mas com os mais variados países.
04:12Ou seja, essa busca por novos mercados, por novos parceiros,
04:15ou até mesmo uma negociação direta com os Estados Unidos,
04:17já podia estar ocorrendo bem antes, não, Beraldo?
04:20Zé Nonato, beira a leviandade esse tipo de declaração,
04:25porque mercados internacionais são extremamente eficientes.
04:30Não é que o Brasil vai passar a vender para quem?
04:33Para os seus parceiros, a Venezuela, a Cuba, para o Irã,
04:36porque são os parceiros que o Brasil tem defendido na agenda internacional.
04:41O Brasil não tem como destinar sua produção de sucos de laranja para o Paraguai, para a Bolívia.
04:48Então, a gente olha para o mercado internacional como um todo,
04:52e aí descobre que há uma razão para que esses produtos sigam para o mercado norte-americano.
04:58Um deles, o mais elementar, é a questão logística.
05:00Se você está tendo que transportar os produtos produzidos no Brasil para distâncias maiores,
05:07obviamente o custo logístico é maior.
05:10E por isso, o produto brasileiro, o produtor brasileiro,
05:14tem que sofrer uma redução de preço para que ele possa ser competitivo em mercados mais distantes.
05:21Então, não é assim que se trata esse tipo de desafio que o Brasil está enfrentando agora.
05:26O Brasil tem que ter consciência do seu tamanho, tem que ter consciência da insignificância internacional
05:34que foi meticulosamente construída por esse governo.
05:38E o que eles estão fazendo é pavimentando a justificativa para entregar o Brasil ainda mais aos domínios da China.
05:47A China que está ávida para controlar a infraestrutura estratégica do Brasil.
05:52A China que está ávida para consolidar a dependência do Brasil na economia chinesa.
05:58E com isso, a China passa a ter um dependente, um subalterno estratégico próximo aos Estados Unidos.
06:06Esse, sim, o seu grande desafio, o seu grande inimigo, entre aspas, nesse momento.
06:12Zé, você acredita que essa taxação de Donald Trump foi uma espécie, então, de empurrãozinho, né,
06:18nessa busca por novos mercados?
06:20E, claro, a gente sabe que cada país tem seu desafio diferente, né?
06:24União Europeia, México, aqui o Brasil.
06:26Será que o Brasil está pensando nesse sentido por aí?
06:30Olha, eu não sou pessimista com relação às expectativas do Brasil.
06:34E sou posicionamento de insignificância mundial do Brasil.
06:38O Brasil é um dos maiores produtores, o maior produtor de soja do mundo,
06:42de milho também, já conseguiu.
06:45E nós estamos exportando commodities.
06:48Tradicionalmente, desde lá da Cepal, se dizia o seguinte,
06:52o país que exporta commodities tende a aminguar.
06:56Porque chega um ponto, se ele não elabora, se ele não industrializa,
07:01ele fica refém das commodities.
07:03E admito que o Brasil ficou mesmo refém de exportação de produtos agropecuários,
07:09e in natura, a pauta de exportação do Brasil é produto agropecuário,
07:15carne, soja e milho, né, para fazer ração no exterior,
07:20e na área de minérios, minérios, gás e petróleo.
07:24E acomodou aí.
07:26E isso não é bom.
07:27Graças a Deus que a China existe.
07:30A China salvou o Brasil.
07:31Já pensou se nós estivéssemos agora 100% dependentes dos Estados Unidos?
07:37O mercado se diversificou.
07:40O segundo grande importador do Brasil não é nem os Estados Unidos,
07:45mas o bloco europeu, se considerado um bloco.
07:50A exportação para vários países na Europa, se somados,
07:55a exportação fica maior que a dos Estados Unidos.
07:57E os brasileiros, a indústria brasileira e o governo também,
08:03têm procurado novos mercados.
08:05Recentemente o mercado asiático foi aberto, né?
08:09Vietnã vai importar mais do Brasil uma quantidade boa de proteínas,
08:15inclusive o Japão também.
08:18E isso pode sim ser um solavanco para o Brasil melhorar a qualidade das exportações.
08:24E uma lição, a gente tem que tirar essa dependência da China,
08:29que nos salvou agora, mas pode ser sim um problema para o futuro.
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