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O que explica a radicalização ideológica do primeiro-ministro israelense?
O Antagonista
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há 7 meses
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00:00
Uma coisa interessante que o Netanyahu, o que precisar fazer para estar no poder, ele faz.
00:07
Então agora ele está aí com esse aliado, que é o Itamar Bengvir, que você me ensinou aí, carranista.
00:14
Agora eu lembro de um passado recente do Netanyahu, em que o Netanyahu estava fazendo campanha nos bairros árabes de Israel.
00:23
E eu lembro até que ele se propagandava como Abu Yair, porque entre os árabes tem esse costume de que o pai ganha o nome do pai do filho.
00:36
Então o Netanyahu tem o filho que é o Yair, então ele vira o pai do Yair, o Abu Yair.
00:43
E a coisa parecia que estava indo bem, até com propostas de atender as reivindicações desses bairros,
00:51
que tem maioria árabe e tudo mais.
00:55
E no final foi uma super mudança que ele fez.
00:58
Ele deixou os árabes de lado, apagou, tentou apagar esse passado aí e foi para a extrema-direita.
01:05
Exatamente, porque ele quer se manter no poder.
01:07
Ele vai fazer tudo o que estiver ao alcance dele para se manter no poder.
01:11
O Netanyahu tem essa postura muito clara.
01:14
E ele, durante as discussões sobre a formação da coalizão, após as eleições de novembro de 2022,
01:20
ele até entrou em contato com um partido árabe, o Rahm, para tentar formar uma aliança com ele.
01:27
Só que os ortodoxos não quiseram, nem tanto à extrema-direita.
01:30
Os ortodoxos, que ele também precisava dos ortodoxos, e que já são naturalmente aliados do Netanyahu,
01:36
disseram que não, que não queriam árabes na coalizão.
01:40
Então essas negociações foram deixadas de lado e ele foi para a extrema-direita.
01:43
Mas, assim, se os partidos ortodoxos tivessem dito, ah, ok, pode seguir em frente,
01:49
talvez ele tivesse feito aliança com os árabes.
01:51
O Netanyahu, assim, do ponto de vista pessoal, ele não é ortodoxo, ele não é.
01:57
Ele, sim, a postura dele de, vamos dizer, economia, sociedade, centro-direita, né,
02:03
não é tão extrema-direita.
02:05
Às vezes no Brasil citam, né, o Likud, um partido de direita.
02:08
Partido de direita no quê, né?
02:09
Porque na economia e sociedade não é tão direita assim.
02:13
Religião não é direita, em hipótese alguma.
02:15
Talvez na questão de segurança, seja mais direita.
02:18
Mas comparado a essa, agora, coalizão do Ben Givir, não, não tem ideia.
02:23
Likud é o mais à esquerda neste governo.
02:26
O que eu aprendi, estudando um pouco o Israel, é que quando os israelenses falam direita e esquerda,
02:33
realmente não tem muito a ver com o que a gente fala aqui, né?
02:36
Isso está principalmente ligado à questão dos palestinos, né?
02:41
À direita, em Israel, são aqueles que são mais refratários a um acordo com os palestinos,
02:46
e à esquerda é que tenta fazer, enfim, propor soluções aí para esse imbróglio, né?
02:54
Agora, a situação do Netanyahu, embora, assim, ele tenha sido bem-sucedido, né?
03:01
Ele assumiu na semana passada, né?
03:03
Ele foi já uma primeira vez, primeiro-ministro na década de 90, depois dos anos 2000, né?
03:10
Agora é o Netanyahu 3, né?
03:12
Que nem o Lula 3, né?
03:15
Só que é isso, acho que para ele estar no governo, ele traz, então, esse sujeito
03:21
que está acendendo a faísca ali, né?
03:25
Ou, como disse o Hamas, jogando gasolina no fogo, né?
03:30
Jogando combustível.
03:31
Jogando combustível.
03:52
Jogando combustível.
03:53
Jogando combustível.
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