- há 7 meses
Em conversa com Felipe Moura Brasil, de O Antagonista, o cofundador do Partido Novo e ex-presidenciável João Amoêdo avalia o desempenho de Paulo Guedes, a exploração política do auxílio emergencial, a aliança de Jair Bolsonaro com o Centrão, o foro privilegiado retroativo de Flávio Bolsonaro, as divergências com o governador Romeu Zema, a postura de parlamentares do Novo em relação ao bolsonarismo e a perspectiva do partido para as eleições de 2020 e 2022. Assista.
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NotíciasTranscrição
00:00Salve, salve! Sejam bem-vindos, leitores e espectadores de O Antagonista.
00:05Eu sou Felipe Moura Brasil e recebo hoje mais um convidado especial
00:07nessa série de entrevistas durante a quarentena.
00:10Eu que estou em home office e hoje recebo um dos fundadores do Partido Novo,
00:15João Amoedo, que foi candidato à presidência da República em 2018.
00:19Boa tarde, João. Como vai?
00:21Boa tarde, Felipe. Obrigado pelo convite.
00:23É um prazer estar no Baixo Papo com vocês e com a turma que te segue.
00:27Prazer é meu, João.
00:27Muita gente sabe isso que eu acabei de falar para introduzir aqui,
00:31fazendo a sua apresentação, mas não sabe exatamente quais são as suas atividades atuais.
00:36Então, o que João Amoedo está fazendo nesse momento,
00:39tanto em relação à iniciativa privada, quanto em relação ao partido
00:44e à atuação no debate público também nesse momento?
00:48Felipe, vamos lá. Algumas coisas.
00:50Eu tinha certamente outros planos, assim como outras pessoas,
00:53depois de 10 anos no Novo, estava com as ideias de dar uma viajada,
00:57fazer um pouco mais de esporte, mas justamente a minha saída coincidiu
01:00com o início da pandemia.
01:03Então, o que eu já tenho feito?
01:04Eu tenho conseguido agora me dedicar um pouco mais de tempo aos meus investimentos,
01:07coisa que eu tinha deixado bem de lado nesse,
01:10todo esse tempo de dedicação ao Novo.
01:12Tenho sido acompanhado aí o que tem acontecido na vida pública do Brasil
01:16e tenho, certamente, acho que é importante colocar a minha opinião,
01:20a minha visão de tudo que está se passando.
01:24E com a pandemia, eu me dediquei também a um projeto,
01:28acho que vi muita gente ajudando em várias frentes,
01:30eu achei que tinha que ajudar numa frente justamente aquelas pessoas
01:32que têm maior necessidade.
01:34Então, montei um projeto com um pequeno grupo aí,
01:36chamado Colabora Agora,
01:38onde a gente fez uma espécie de Bolsa Família com dinheiro privado.
01:42Então, a gente conseguiu doações,
01:44eu puxei esse valor aí,
01:47e a gente já conseguiu atender 11 mil famílias,
01:50distribuindo um voucher de 200 reais,
01:52na verdade, é um cartão de crédito pré-pago para essas pessoas.
01:56Em oito estados do Brasil, é muito legal,
01:58a gente fez já 200 reais de carga e agora estamos fazendo mais de 200 reais.
02:02É parecido com o do governo, a diferença é que é mais simples,
02:07se ele tem um cartão, ele usa onde quiser,
02:08e o dinheiro é privado, não é público.
02:11E o dinheiro de quem, João?
02:14Quem é que está financiando isso exatamente?
02:16Olha, a gente já levantou aí cerca de 4 milhões e 300 mil reais,
02:20e eu prometi e fiz isso,
02:23quer dizer, para cada doação que a gente recebe,
02:25eu coloco 30%.
02:27Então, eu já coloquei mais ou menos um milhão desse valor,
02:29e foi doação assim, a gente teve mais de 2 mil doadores,
02:33gente que faz na internet,
02:34tem um site que a pessoa acessa, faz a doação,
02:39contatei algumas pessoas próximas,
02:40para também ajudarem,
02:43e o objetivo foi esse,
02:44eles recebem um cartão pré-pago,
02:47a gente conseguiu que o Itaú emitisse um cartão,
02:50a bandeira Visa,
02:52desculpe, bandeira Mastercard,
02:54e é muito legal porque a gente conseguiu justamente
02:57chegar nas comunidades mais pobres,
03:00então aí no Rio,
03:01fomos na Rocinha, no Alemão,
03:03São Paulo, Paraisópolis,
03:04mandamos cartões para Manaus,
03:06para Belém,
03:07para São Luís,
03:08para Aracaju,
03:09em Sergipe,
03:10quer dizer,
03:11e aí é com essa lógica,
03:13de dar os recursos para aqueles que mais precisam,
03:16e dar a liberdade à pessoa de usar o dinheiro naquilo que ele necessita,
03:19então,
03:20às vezes,
03:20eu compro remédio,
03:21compro alimento,
03:22o bujão de gás,
03:23o botijão de gás que acabou,
03:25e agora a gente está fazendo uma segunda rodada,
03:27que é acreditando mais de 200 reais,
03:29então,
03:29eu me dediquei muito a estruturar isso,
03:30a divulgar e a captar recursos,
03:33e a última atividade,
03:34só para fechar a tua pergunta,
03:36agora me dedicando também um pouco mais à Fundação do Novo,
03:39eu estou no Conselho Curador da Fundação,
03:41Fundação é uma obra que a gente já tinha há algum tempo,
03:43mas nunca foi muito operacional,
03:45e agora a ideia é que a Fundação passe a ser realmente um lugar
03:49para a gente formar novas lideranças para o partido,
03:53tanto para serem mandatários,
03:55quanto para participarem da gestão dos diretórios,
03:57então eu estou com um grupo lá me dedicando,
04:00o Bernardinho é o presidente do Conselho Curador,
04:02outras pessoas do Novo,
04:03e a gente está se dedicando a estruturar
04:05essas aulas aí para futuros mandatários.
04:09Certo,
04:09a gente vai abordar aqui na entrevista
04:10alguns assuntos relacionados a essas atividades,
04:13mas já que você tocou no assunto do Bolsa Família,
04:16vamos começar então a falar sobre o Bolsa Família estatal, de fato,
04:20a gente está vendo aí o Jair Bolsonaro,
04:23querendo inclusive deixar claro para a população
04:25que isso está vindo do governo,
04:27aí o próprio relator do Corona Voucher
04:29desmentiu uma história contada pela família Bolsonaro
04:33ali para a população,
04:35dizendo que o governo não queria dar mais de 200 reais no começo,
04:39e houve inclusive muita insistência para que isso acontecesse,
04:42aí o Congresso aprovou 500 reais,
04:44depois o governo para parecer também que estava elevando,
04:48aquele valor aumentou um pouquinho para 600,
04:50para tentar ganhar o crédito disso,
04:52a gente vê um desgaste do Jair Bolsonaro nas classes mais elevadas,
04:58inclusive as pesquisas agora estão confirmando isso,
05:00que eu venho analisando já há meses aqui no Antagonista,
05:03e compensando com esse crédito que é ganho em popularidade
05:08por causa do auxílio emergencial.
05:10Então, na sua opinião, até como fundador de um partido liberal
05:14que ergueu essa bandeira da contenção dos gastos públicos,
05:17qual é a importância?
05:19Existia já o Bolsa Família,
05:21é claro que o PT também fazia uma certa exploração eleitoreira,
05:25o Hélio Bicudo, que foi um dos fundadores do partido,
05:27depois que o autor do pedido de impeachment da Dilma,
05:29disse que ouviu do José Dirceu que o Bolsa Família
05:31eram 40 milhões de votos e tal.
05:33Agora, o Bolsonaro está querendo transformar em renda Brasil,
05:36quer dizer, se apossar do nome também,
05:38e certamente quer ganhar um crédito com isso,
05:41também tem uma perspectiva eleitoral.
05:43Mas estamos, de fato, durante uma pandemia,
05:46a pandemia do coronavírus,
05:47em que a população está tendo muita dificuldade econômica.
05:50Então, qual é a importância do assistência ali,
05:53de um programa de transferência de renda nesse momento,
05:56e quais são os pontos, assim, limites,
05:59para que isso se transforme numa exploração política
06:02ou numa extensão que o Estado não pode dar conta,
06:07porque esse dinheiro, afinal, vem dos pagadores de impostos.
06:10Qual é a sua análise desse Senado?
06:12É, assim, é importante até esse último ponto seu,
06:16é relevante, só para lembrar.
06:18Ontem saiu, foi divulgado o déficit do governo no mês de maio,
06:22a gente teve um déficit de 127 bilhões de reais,
06:25que é muito maior, 30 bilhões a mais,
06:27do que a gente teve no ano de 2019 inteirinho.
06:30E é interessante, eu, por acaso, fiz essa conta,
06:32onde você dividiu os 127 bilhões por 210 milhões de brasileiros,
06:40significa que a gente ficou devendo a mais,
06:42só no mês de maio, cada brasileiro, 600 reais.
06:45Coincidentemente, o mesmo valor do auxílio emergencial,
06:49que foi para alguns brasileiros.
06:51Então, assim, como o Partido Liberal,
06:53e sempre foi a nossa defesa,
06:55é importante ter um programa assistencial como o Bolsa Família,
06:59mas é importante que esse programa tenha a porta de saídas muito claras.
07:05E, no caso agora da crise,
07:07a própria bancada do Novo foi a favor e votou pelo auxílio emergencial.
07:13É uma situação única, uma pandemia,
07:15pessoas perdendo emprego, seus negócios, pequeno e médio,
07:18era importante ter um auxílio emergencial por um determinado período.
07:22Mas é muito preocupante isso virar uma política continuada
07:27e que sirva exatamente para o defeito eleitoral.
07:29E como é que a gente deveria evitar, na minha avaliação, esse processo?
07:33A primeira coisa é que ele deveria ser limitado por um longo prazo.
07:36Então, a gente já completou três meses
07:38e agora tem uma discussão para levá-lo por mais três meses.
07:43Isso eu acho que a gente tem que ter muito claro qual é o limite,
07:46inclusive qual é o limite que a gente consegue bancar.
07:48O segundo ponto, e que já ficou claro nessa primeira leva,
07:52é que teve muita gente que não precisava receber.
07:55Teve muita classe A e B recebendo,
07:57teve auxílio indevido a militares,
07:59teve filhos de políticos, políticos recebendo.
08:01Então, a gestão foi falha, precisa melhorar.
08:05E o que me preocupa mais,
08:06e aí falando já, tendo uma visão um pouco mais abrangente,
08:10era o seguinte, no meu entender,
08:12todos esses programas assistenciais,
08:14o governo deveria trabalhar e criar condições
08:16para que eles deixem de existir no médio e longo prazo.
08:18Para que as pessoas possam,
08:20através de um ambiente mais propício ao empreendedorismo,
08:23através de mais liberdade econômica,
08:25através de um ambiente de segurança jurídica,
08:28a gente poder ter empresas gerando emprego,
08:30as pessoas por educação se capacitando
08:33e saírem desse processo.
08:34E o que a gente está vendo no governo Bolsonaro agora
08:37é o contrário.
08:39Então, a gente está vendo o seguinte,
08:40bom, vamos prorrogar o dar dinheiro,
08:41que é muito mais cômodo, muito mais fácil,
08:43mas não é sustentável.
08:45E, por outro lado,
08:46as reformas que a gente gostaria de estar vendo,
08:48como acelerar a privatização,
08:50reforma administrativa,
08:51reforma tributária,
08:53maior abertura da economia,
08:55tudo isso está sendo muito demorado,
08:57não está sendo discutido.
08:58Quer dizer, as prioridades, no meu entender,
08:59estão erradas.
09:00Quer dizer, o Bolsonaro, semana passada,
09:02estava usando a base para discutir
09:04a questão da pontuação na carteira de motorista.
09:07E a gente está deixando de lado coisas relevantes.
09:10Então, me preocupa um pouco essa história
09:13de achar que devemos perpetuar,
09:16porque o Brasil é um país pobre ainda,
09:18a gente não tem condição de bancar
09:2050, 60 milhões de pessoas
09:22com esse tipo de auxílio por muito tempo.
09:26Tem dois pontos aí
09:27que acabaram ficando indicados
09:32na sua resposta,
09:33que é o seguinte,
09:34você falou em privatização.
09:37Aí, o presidente Bolsonaro,
09:39ele se aliou ao Centrão,
09:41que é a turma que gosta, justamente,
09:43de ganhar uma pouquinho
09:44em órgãos públicos.
09:46Quer dizer, essa turma, por essência,
09:49ela é contra privatizações,
09:51porque ela vive desse tomar-lá-da-cá,
09:53dessa distribuição de cargos,
09:55e se as empresas forem privatizadas,
09:57não vai haver mais esses cargos
09:58por indicação política,
10:00pelo menos não na quantidade
10:01que existe hoje.
10:03E o Paulo Guedes,
10:06ele tinha essas bandeiras também
10:08da privatização,
10:09do liberalismo econômico.
10:11Muita gente dizia, inclusive,
10:12que o liberalismo do Paulo Guedes
10:15estava muito mais próximo
10:16das bandeiras,
10:17dos ideais do partido,
10:18no rouco,
10:19do que, propriamente,
10:21do histórico de votos
10:22do Jair Bolsonaro
10:23como deputado federal
10:25nos quase 30 anos dele
10:26na Câmara dos Deputados,
10:28em que ele sempre privilegiou
10:29os seus nichos eleitorais mesmo,
10:31os militares, os policiais,
10:34com votos, assim,
10:35em decisões mais corporativistas,
10:37sem essa preocupação
10:38em retirar privilégios
10:41ou na contenção dos gastos públicos.
10:43Então, qual é a sua avaliação mesmo
10:46da equipe econômica,
10:47daquelas bandeiras
10:48de privatização e concessão,
10:50o que que já foi
10:52que está bem encaminhado
10:54e o que que está meio atravancado
10:56em razão dessas alianças?
10:58Quer dizer, qual é a sua visão
10:59a respeito disso?
11:00É, o grande problema, assim,
11:02o Novo, desde o início,
11:03sempre foi muito alinhado
11:05com as pautas do Paulo Guedes,
11:06especialmente essa de redução
11:08do Estado
11:09e a pauta da responsabilidade fiscal.
11:12E a redução do Estado,
11:13é isso que eu acho que é importante falar,
11:15e quando a gente fala
11:15de liberalismo também,
11:17muitas vezes aparecem
11:18as críticas,
11:19mas, e assim,
11:20eu gosto sempre de traduzir
11:21que, para mim,
11:22liberalismo, redução do Estado,
11:24significa dar mais poder
11:26ao cidadão, né?
11:27Quando a gente está pregando
11:28ter privatização,
11:29é porque a gente entende o seguinte,
11:31se a empresa for privada,
11:33vai ser o cidadão
11:34que vai decidir
11:34se ele quer investir ou não,
11:36é ele que,
11:36num ambiente de concorrência,
11:38vai dizer se o produto
11:39está funcionando ou não,
11:40através de se ele está comprando
11:41ou não aquele produto
11:42ou serviço,
11:42então, assim,
11:43é muito mais saudável.
11:45Só que isso,
11:46na verdade,
11:47interfere,
11:47como você bem colocou,
11:49com o interesse de políticos
11:49que querem ter o poder.
11:50Na hora que a gente
11:51tira o poder do Estado
11:52e leva para as pessoas,
11:53a gente significa
11:53reduzir poder
11:55dos que lá estão.
11:56e essa turma do Centrão
11:57precisa do poder
11:58para se perpetuar no poder, né?
12:01Então,
12:01essa história toda
12:02que as empresas privadas
12:05eram,
12:05as empresas públicas
12:06eram estratégicas,
12:07são estratégicas para eles,
12:08mas não para nós,
12:10cidadãos que pagamos a conta, né?
12:11Então, agora,
12:12voltando então
12:13à questão do Paulo Guedes,
12:14eu acho que a minha visão é,
12:15ele continua com essas bandeiras,
12:18mas por falta de um apoio
12:19mais firme do presidente,
12:21por conta dessas alianças,
12:22até para ele se sustentar mais
12:24no poder com o Centrão e tudo,
12:25a pauta dele
12:26vai ficando enfraquecida
12:28e isso faz com que
12:29a velocidade de implementação
12:31fique muito lenta.
12:32Então,
12:33nós estamos lentos
12:34na implementação
12:36de um processo,
12:36de um programa
12:37de privatização,
12:38a gente está lento
12:39na reforma administrativa,
12:41a reforma tributária
12:42também não caminhou.
12:43Então, assim,
12:44apesar de,
12:46e eu concordo
12:47basicamente com o que
12:48o Paulo Guedes tem proposto,
12:49mas assim,
12:50a velocidade de implementação
12:51da equipe econômica
12:52está deixando a desejar.
12:53e na minha visão,
12:55quando a gente tem
12:55uma pandemia
12:56que faz com que
12:57a gente perca a renda,
12:59perca a rentabilidade,
13:00as pessoas
13:00comprometam seus negócios,
13:03é mais importante ainda
13:04a gente acelerar
13:05esse processo
13:05e o governo
13:06não está fazendo isso.
13:08Então,
13:09vamos ver como é
13:09que as coisas evoluem.
13:11Eu,
13:12dentro desse cenário,
13:13fico reticente,
13:14quer dizer,
13:14fico mais pessimista
13:16em relação
13:17ao nosso crescimento
13:18como economia,
13:19porque a gente não está
13:20se preparando
13:20para o pós-crise,
13:21para o pós-pandemia.
13:22O Brasil
13:23provavelmente
13:25sairá atrás
13:26da grande maioria
13:26dos países
13:27por não estar fazendo
13:28o dever de casa.
13:30E você acha
13:30que o governo
13:31tem esse discurso
13:32um pouco de
13:33estava tudo indo muito bem,
13:35o Brasil estava decolando
13:36e aí veio a pandemia
13:37e aí teve todo
13:39esse problema
13:40que não tem nada a ver
13:41com a gestão
13:41política econômica
13:43do governo.
13:43Você concorda
13:44com essa tese
13:45ou você acha que
13:45antes já vinha
13:47tendo algum problema
13:48que foi inclusive
13:49refletido
13:50no PIB pequeno
13:51de 1,1%?
13:52Não,
13:53certamente.
13:53A gente não estava
13:54deslanchando
13:55basicamente
13:57porque a gente
13:58não tinha feito
13:58o dever de casa,
14:01ainda tinha muita
14:01insegurança jurídica,
14:03tinha muita
14:04incerteza,
14:04até pelo próprio histórico
14:05do presidente Bolsonaro,
14:06ele nunca foi
14:07um liberal
14:08convicto,
14:10em todos os 28 anos
14:11de atuação
14:12no Congresso,
14:13nunca foi a pauta
14:14que ele tenha comprado.
14:15Então,
14:15claramente,
14:17acho que não havia
14:18tido essa compra
14:19e, consequentemente,
14:20a gente não estava
14:21decolando mesmo.
14:22Até os números
14:22anteriores,
14:23mostro quando a gente
14:24viu aí,
14:25um pouco antes
14:26da instalação
14:27da pandemia,
14:28os números
14:29já estavam
14:29enfraquecendo.
14:30E o que houve?
14:30Agora,
14:31claro,
14:31foi uma piora.
14:32Então,
14:32não dá para culpar
14:33a pandemia
14:34teve problema nosso
14:36mesmo de ter demorado
14:37muito.
14:37Se a gente parar
14:38para pensar objetivamente,
14:40depois da reforma
14:41da Previdência,
14:42que já tinha sido
14:43rascunhada
14:44ou desenhada
14:45lá no governo Temer
14:46e quase foi aprovada
14:47lá,
14:48a gente não andou
14:49com nada muito relevante.
14:51Se a gente pensar
14:52o governo anterior
14:53fez a reforma
14:53trabalhista,
14:54aprovou o teto
14:55dos gastos
14:56e fez a reforma
14:57da Previdência
14:57e era um governo
14:58muito mais impopular.
15:01Então,
15:01a gente está
15:02perdendo tempo
15:03e poderia ter feito
15:04muito mais coisas.
15:04Estamos muito ainda
15:05no discurso.
15:07O discurso é bom
15:08no aspecto econômico,
15:10mas a gente ainda
15:11está muito no discurso.
15:12Quer dizer,
15:13para esse cenário
15:13pós-pandemia
15:14do qual você está falando,
15:16você considera
15:17que as medidas
15:17são privatização,
15:18concessão,
15:19reforma tributária,
15:21reforma administrativa?
15:23Tem mais algum elemento
15:24que precisa entrar aí
15:25para que haja
15:26uma retomada econômica melhor?
15:28Olha,
15:29assim,
15:29muito a parte
15:30da segurança jurídica
15:31e aí
15:31é importante
15:34o fortalecimento
15:34das instituições.
15:36A gente entrar
15:37num cenário
15:38onde a gente
15:38começa a atacar
15:39as instituições
15:40traz insegurança jurídica.
15:42Eu acho que teve
15:42de relevante
15:43que eu colocaria
15:44nesse rol,
15:44mas essa passou agora,
15:46isso foi bom,
15:47a questão do marco
15:48do saneamento,
15:49quer dizer,
15:50a gente tem um saneamento
15:51básico aí
15:51onde praticamente
15:52100 milhões
15:53de brasileiros
15:54não têm esgoto
15:55e 35 milhões
15:57não têm água tratada.
15:58É impressionante,
15:59até a gente teve partidos
16:00aí que se dizem
16:01tão favoráveis ao povo,
16:03os partidos de esquerda
16:04que eram contra isso,
16:05então não faz
16:07o menor sentido.
16:08Inúmeras doenças ainda
16:09decorrentes dessa falta
16:10de saneamento,
16:10então isso acho
16:11que pode trazer
16:11investimentos relevantes
16:13para o Brasil,
16:14uma melhoria na qualidade
16:14de vida de todos.
16:15O pessoal da esquerda
16:17estava falando
16:18que era privatização
16:19da água.
16:21Aliás, João,
16:21com o seu conhecimento
16:23a respeito desse assunto,
16:24como é que você explica
16:25para a pessoa
16:26mais simples
16:27que não acompanha
16:27o debate público
16:28a importância
16:29desse marco
16:29do saneamento?
16:30O que na prática muda?
16:33O que muda
16:34é que você passa
16:34a ter regras mais claras
16:36e passa a permitir
16:37que empresas privadas
16:39possam participar também
16:40de concessões,
16:42de ter acesso a isso.
16:43Qual é um dos grandes problemas
16:44que a gente tem
16:44na área pública?
16:45A gente vê isso
16:46lá em Minas,
16:47onde o novo
16:48tem o governador,
16:49quer dizer,
16:50o Estado não necessariamente
16:51tem recurso para investir.
16:52Então, mesmo que ele tenha
16:53a gestão,
16:54que normalmente não tem,
16:55mesmo que ele não tenha
16:56interferência política,
16:58que normalmente tem,
16:59e muitas vezes
17:00falta dinheiro
17:01para investir.
17:01Então, você precisa investir,
17:03precisa ter recurso
17:05para investir
17:05e o governo
17:06está usando os recursos
17:07que já são escassos
17:08que deveria usar
17:09para as outras áreas
17:10essenciais.
17:10Então, acho que
17:11a principal mensagem
17:12para aquelas pessoas
17:14que hoje estão
17:14sem água e esgoto
17:16é a gente até olhar
17:17a realidade em outros
17:18países.
17:19Eu gosto muito
17:20de citar o exemplo
17:21do Chile.
17:22No Brasil,
17:23só para a gente ter uma ideia,
17:24a iniciativa privada
17:26responde por cerca
17:27de 4%
17:28do saneamento básico
17:29e 96%
17:30são as empresas públicas.
17:34E a gente tem
17:34esse nível de cobertura.
17:35no Chile é o contrário
17:36e o nível de cobertura
17:37lá é 99%.
17:38Então, quando a iniciativa
17:40privada atua,
17:41ela tem os recursos,
17:43tem o interesse
17:44para fazer as coisas
17:45funcionarem.
17:46Então, esse marco
17:48regulatório abre espaço
17:49para trazermos investimentos
17:52e ter uma segurança jurídica
17:55para quem investir
17:56ter retorno
17:56e, consequentemente,
17:58incentivo a trabalhar
18:00na área de saneamento.
18:01E um dos motivos
18:02pelos quais o saneamento
18:03não funciona
18:04como deveria funcionar
18:05também é aquele
18:06do qual a gente estava
18:07falando antes,
18:07o aparelhamento político
18:09do Estado.
18:10Quer dizer,
18:10você tem ali cargos
18:11por indicação política
18:13para que haja uma boquinha,
18:15para que haja uma remuneração
18:16para aquele partido.
18:17Às vezes,
18:18você vê esquemas
18:19de corrupção
18:19nas estatais,
18:20como a Lava Jato
18:21descobriu bastante
18:22e muito pouca preocupação
18:24de fato
18:25com a qualidade
18:26do serviço oferecido.
18:28E, nesse caso,
18:28de suma importância.
18:31De suma importância.
18:31E a gente vê isso
18:32se repetindo
18:33em vários setores.
18:34Isso acontece no saneamento,
18:35acontece no Correio,
18:36acontece na Petrobras,
18:37acontece...
18:38Então, assim,
18:39esse é mais um motivo
18:40pelo qual,
18:41se a gente quer ter
18:41um ambiente menos propício
18:43para a corrupção,
18:44é importante
18:45essas empresas
18:46estarem privatizadas.
18:47Porque isso vai ajudar
18:48a reduzir corrupção,
18:49vai ajudar a alternância
18:50de poder,
18:51vai ajudar o cidadão
18:52a ter melhores produtos,
18:53vai ajudar nas contas públicas.
18:55Então, assim,
18:55na nossa avaliação
18:56não tem nenhum motivo
18:57pelo qual o Estado
18:59deva ter
19:00fazer a gestão
19:01de empresas.
19:03Agora, João,
19:03dando uma apimentada
19:04política aqui
19:05nessa conversa,
19:06o caso do Flávio Bolsonaro
19:09é um dos motivos
19:09pelos quais
19:10o Jair Bolsonaro
19:12se aliou
19:13tremendamente
19:14ao Centrão
19:14e a gente vê ali
19:15que, naquele bolo
19:16de investigados,
19:17réus,
19:18condenados,
19:19todos são muito solidários
19:20uns aos outros.
19:21Eu vejo
19:22que você tem defendido
19:24até a extinção
19:25do foro privilegiado.
19:26O caso da rachadinha,
19:28de gabinete,
19:28na Assembleia Legislativa
19:29do Estado do Rio de Janeiro,
19:31é um caso de desvio
19:32de dinheiro público.
19:35Houve dois inquéritos
19:36a partir desse caso,
19:38um é um inquérito eleitoral
19:39e outro é esse,
19:40contra o qual
19:42o Flávio Bolsonaro,
19:43a defesa dele,
19:43já apresentou nove
19:44a dez recursos
19:45na Justiça
19:46até conseguir agora
19:47esse foro privilegiado
19:48retroativo
19:49do Tribunal de Justiça
19:51do Rio.
19:52Ele primeiro tentou
19:53no STF
19:53dizer,
19:54olha,
19:54agora eu sou senador,
19:56então queria responder
19:57perante o STF.
19:58Aí o Marco Aurélio Mello
19:59negou e devolveu o caso
20:01à primeira instância.
20:02Ele não devolveu o caso
20:03considerando o mandato
20:05de deputado estadual
20:07que é o anterior
20:07do Flávio Bolsonaro
20:08que também tinha
20:09o seu foro específico.
20:12Mas mesmo assim,
20:13a defesa do Flávio Bolsonaro
20:14foi lá no TJ
20:15pedir então
20:16o foro privilegiado
20:17referente ao mandato
20:18anterior
20:19do deputado estadual.
20:20Aí um desembargador lá
20:21que é cheio de contradições,
20:23a gente mostrou muito isso
20:24no antagonista,
20:25deu o voto de desempate
20:26para que ele conseguisse.
20:27Mas agora o MP recorreu,
20:29só para contextualizar
20:30aqui para o nosso público,
20:32ao Supremo Tribunal Federal,
20:33caiu na mão
20:34do Gilmar Mendes
20:35e o Partido Rede
20:36também apresentou
20:38um pedido lá
20:39no Supremo Tribunal Federal
20:41que caiu
20:41com o Celso de Mello.
20:42Ambos esses pedidos
20:43são para que o caso
20:44retorne à primeira instância.
20:46Como é que você
20:46avalia esse caso,
20:48a questão do foro privilegiado,
20:50que importância isso tem?
20:51O Felipe,
20:53esse caso mostra
20:54a série de incoerências
20:56do Flávio Bolsonaro
20:58e que acaba batendo
20:59o presidente.
21:00A primeira coisa
21:00que a gente sempre cobrou
21:02quando a gente falava
21:03que tinha que tirar
21:04o PT do poder,
21:06transparência.
21:07Então,
21:09se ele é um senador,
21:11filho do presidente
21:11da República,
21:12está sendo investigado,
21:13a primeira coisa,
21:14ao invés de fugir
21:14de todos os embates,
21:15de postergar o processo,
21:16seria dar transparência
21:18e mostrar isso.
21:19Então,
21:20está errado aí
21:21nessa linha.
21:22Segunda coisa,
21:24a gente é totalmente
21:25contra o foro privilegiado,
21:26por que ser tratado diferente?
21:28Então,
21:28ele está usando também
21:29o subterfúgio
21:31que não deveria estar usando.
21:33E terceiro,
21:34mesmo utilizando
21:35o foro privilegiado,
21:37ele está indo já
21:37contra a decisão do Supremo,
21:39que é por isso
21:39que o Ministério Público
21:40está recorrendo,
21:40porque o Supremo
21:41já disse que ele só cabe
21:42durante o exercício
21:43do mandato,
21:44que não é o caso dele.
21:45Então,
21:46é tudo errado.
21:47e, de novo,
21:49a gente sai
21:50daquela linha
21:50que era,
21:51bom,
21:51o fundamental
21:52é o combate
21:53à corrupção,
21:54é a transparência.
21:56Agora,
21:56o mais interessante
21:57nesse processo
21:57é que eu ainda vejo
21:59alguns defensores deles
22:00dizendo assim,
22:00não,
22:00mas o fulano também faz,
22:02mas o fulano faz mais.
22:03Não interessa
22:04se alguém faz mais,
22:04se alguém faz mais.
22:05Mais ou menos,
22:06a gente tem que coibir
22:07o que está sendo feito errado,
22:08afinal de contas,
22:09nós queremos.
22:11Porque acho que
22:12isso é uma mensagem
22:12importante para o brasileiro
22:14e acho que para os eleitores.
22:15quando a gente dizia
22:18queremos um país
22:19que não tem o PT,
22:20queremos tirar o PT,
22:21o que estava por trás disso?
22:23A gente,
22:23como nação,
22:24como cidadão,
22:24não aceitamos corrupção,
22:26não aceitamos alguma coisa
22:28que fira as leis.
22:30Mas aí mudou,
22:31mudou o presidente.
22:34E a gente vai relativizar isso?
22:36Quer dizer,
22:36a gente vai dizer,
22:37não,
22:37a gente continua
22:38com os mesmos princípios
22:39e valores.
22:40Fez coisa errada,
22:41tem que esclarecer,
22:42não interessa
22:43se o outro está fazendo.
22:45Então,
22:45acho que esse é um exemplo
22:46de como,
22:47e aí,
22:48sendo meio crítico,
22:49já falando,
22:49eu tenho que falar sobre isso,
22:50como muitas vezes
22:51o bolsonarismo
22:52lembra muito o petismo.
22:54Quando começa a se aliar
22:55ao centrão,
22:56quando começa a dizer,
22:57não,
22:58a gente postergar
22:59as investigações,
23:00quando começa
23:00a colocar a culpa
23:01nos outros,
23:02criar os inimigos,
23:03a gente vai
23:03numa mesma linha
23:04de estratégia
23:05que era aquilo
23:06que a gente não queria
23:06no PT.
23:08Por isso,
23:08inclusive,
23:09eu tenho feito
23:09realmente uma crítica forte
23:11atuação do presidente
23:13por conta
23:14dessas características.
23:15A gente saiu
23:16do PT,
23:17não era só do nome,
23:18era das práticas.
23:19Não adianta mudar
23:20o nome,
23:21mas continuar
23:22com as mesmas práticas.
23:24Essa alegação
23:25do todo mundo faz
23:27é um passo
23:27para você cair
23:29no velho discurso
23:30do roubo a mais faz.
23:32Você aceitar
23:33isso que é
23:34uma imoralidade
23:35atávica
23:36no debate público,
23:37na arena política
23:38brasileira,
23:39e o ideal
23:40é que se cobre
23:41que os políticos
23:42não façam isso,
23:43que nós tenhamos
23:44representantes
23:45que não roubem,
23:46que não participem
23:47desses esquemas
23:48e que se estiverem
23:49ligados de alguma forma
23:51a eles,
23:52que não tentem
23:53blindar
23:54o seu entorno
23:55em relação
23:56a investigações,
23:57com interferências,
23:58com aparelhamento
23:59do Estado,
24:00tudo isso se zela
24:01para que não aconteça.
24:02Eu sou aqui
24:02do mercado da comunicação
24:03e no mercado da comunicação
24:05está cheio de gente
24:06que tem princípios
24:07e valores
24:08quando é com um grupo
24:09político.
24:11Quando é com outro,
24:12não,
24:12se joga tudo aquilo
24:13no lixo.
24:14Por que não ser acusado
24:16pela claque
24:16de algum grupo,
24:17de algum grupo militante
24:18e ter virado casaca
24:20e tal?
24:20Porque as pessoas
24:21só diferem assim,
24:22você tem que apoiar
24:24incondicionalmente
24:24aquele grupo político
24:26ou aquela corrente
24:27ideológica,
24:28porque princípios
24:28e valores
24:29até é uma questão
24:30abstrata,
24:31então as pessoas
24:32não sabem muitas vezes
24:33até aplicar isso
24:34a situações específicas.
24:36Mas quem tem os mesmos
24:37mantém a sua coerência
24:38e rejeita aquilo
24:40que está errado
24:40independentemente
24:41do grupo político,
24:42independentemente
24:43do governo.
24:45Exato.
24:46E só assim
24:47a gente constrói
24:48uma nação
24:48que seja bem sucedida,
24:50porque senão
24:50se a gente começa
24:52a relativizar isso,
24:54o que me preocupa muito
24:56é que você aí
24:57acaba dando
24:57uma sinalização
24:59muito ruim
25:00e se a gente
25:00quer trazer
25:01para a área pública
25:02pessoas que tenham liderança,
25:04que sejam capazes
25:04de fazer a mudança
25:05e você não dá
25:07indicação
25:07de que você
25:08quer pessoas
25:08com esse perfil,
25:09a gente acaba
25:10não conseguindo
25:10evoluir no debate.
25:13Exatamente.
25:14E, João,
25:15você acabou citando
25:16o Romeu Zema,
25:17governador de Minas Gerais,
25:19do Partido Novo,
25:19seu partido,
25:21e foi notícia
25:21ultimamente
25:22essas divergências
25:25ou diferenças,
25:26pelo menos,
25:27de posicionamento.
25:28Você, claro,
25:29não está
25:30num cargo eletivo,
25:32ele está lá
25:32como governador,
25:33também tem que ter
25:34as suas relações
25:35com o governo federal,
25:37num momento também
25:38de dificuldade econômica,
25:41mas você acaba
25:42criticando o bolsonarismo
25:44como movimento
25:44e grupo político
25:45e o próprio governo
25:47de uma maneira
25:48mais forte
25:49do que ele,
25:50que às vezes
25:50está ali
25:51de acordo
25:52com o presidente
25:53em determinadas bandeiras.
25:55Isso gera
25:55um certo ruído
25:56no debate público.
25:57Então,
25:58qual é o seu esclarecimento,
26:00a sua visão
26:00a respeito disso?
26:02É, Felipe,
26:02eu acho que você colocou bem.
26:03Primeiro,
26:04hoje,
26:05eu não represento
26:07mais o Novo
26:08como instituição,
26:09eu sou um filiado
26:09novo,
26:10fui o fundador,
26:11obviamente,
26:13tive esse histórico,
26:14mas eu não estou
26:15hoje à frente
26:16do partido.
26:17Então,
26:17quando eu coloco
26:17as minhas posições,
26:19não necessariamente
26:19são as posições
26:20da instituição,
26:21são as minhas posições
26:22como pessoa física.
26:23É natural
26:24que grande parte
26:25delas tenham
26:25identidade grande
26:26com os princípios
26:27e valores do Novo,
26:28mas não necessariamente
26:29elas coincidem.
26:30o papel do Zema
26:33eu entendo
26:33exatamente bem,
26:34quer dizer,
26:35o Zema hoje
26:35é um gestor público
26:37de um estado
26:37que ele recebeu
26:38totalmente quebrado,
26:40um estado onde
26:41as contas públicas
26:42estavam totalmente
26:42deficitárias,
26:43atraso,
26:44o governo do PT,
26:45do Fernando Pimentel,
26:48quer dizer,
26:48coisas absurdas,
26:50inclusive as informações
26:51foram truncadas
26:51quando ele recebeu.
26:52A partir daquele momento
26:55ele teve,
26:56logo de início
26:56na gestão,
26:57um desastre lá
26:58em Brumadinho
26:59que também
26:59trouxe não só
27:01perda de vidas
27:02mas perda de arrecadação
27:03também e depois
27:04está lidando
27:05com toda a questão
27:05da pandemia.
27:06Então,
27:07ele hoje
27:07tem uma prioridade grande
27:08e ele precisa
27:09estar próximo,
27:10precisa do auxílio
27:11do governo federal.
27:12A gente sabe
27:13como funciona
27:13a nossa federação
27:15que é muito dependente
27:16do governo central.
27:18Então,
27:19os estados
27:19ficam,
27:20de certa forma,
27:21reféns
27:21das decisões
27:22de Brasília.
27:23Então,
27:23é natural
27:24que ele adote
27:25uma postura
27:27mais neutra
27:28em relação
27:29ao Bolsonaro
27:30porque ele hoje
27:31tem como prioridade
27:31resolver a vida
27:32do mineiro
27:33e não
27:34ser um analista
27:36ou um crítico político.
27:37Eu,
27:37por outro lado,
27:38tenho mais liberdade
27:39e estou pensando,
27:41não estou fazendo gestão
27:42de nada,
27:43estou pensando
27:43um pouco mais
27:44no médio e longo prazo
27:45e no médio e longo prazo
27:46a gestão do Bolsonaro
27:48na minha avaliação
27:49para o Brasil
27:49é muito ruim
27:50porque como a gente
27:50já falou aqui
27:51as reformas estruturais
27:52e principalmente
27:53nessa crise
27:53foi isso que
27:54até,
27:56vamos dizer,
27:56fez com que eu passasse
27:58a ter um posicionamento
28:00mais forte.
28:01Quer dizer,
28:01na própria crise
28:02a postura dele
28:04como exemplo
28:04de liderança,
28:06dizendo que não era um problema,
28:08dando exposição,
28:10saindo sem máscara,
28:11quer dizer,
28:11uma série de atos
28:12fez com que
28:13certamente a gente
28:14tenha sacrificado
28:14vidas humanas ali,
28:15eu não tenho dúvida.
28:16Então,
28:17foi uma postura
28:17muito ruim como liderança.
28:18agora é natural
28:19que dentro do partido
28:20então,
28:21com posições diferentes,
28:23existam essas divergências
28:24sem que a gente
28:25deixe de ter
28:27os mesmos princípios
28:28e valores.
28:28Então,
28:28o Zema está lá
28:29trabalhando pela privatização,
28:32trabalhando pela reforma
28:32da Previdência,
28:33então,
28:34muito alinhado
28:34com o que o partido
28:35defende,
28:35mas essas opiniões
28:36sobre o líder político
28:38acaba cada um de nós
28:39tendo a liberdade
28:40e dentro da situação
28:42de cada um
28:42expressando a sua visão.
28:44Aprofundando isso
28:47um pouco,
28:48não para o lado
28:48do governador,
28:49mas até dos parlamentares
28:51do Partido Novo,
28:52muita gente tem sentido
28:53falta,
28:54e eu mesmo,
28:55na minha análise,
28:56nas minhas opiniões,
28:57de um pouco mais
28:58de fibra,
28:59de oposição moral
29:00à sujeira
29:01que aparece
29:02no bolsonarismo,
29:04seja na sua militância,
29:05quando aparecem
29:06esses casos,
29:07seja no próprio governo,
29:09seja na família,
29:10uma oposição
29:12mais que zele
29:13pela moralidade pública
29:15e que não venha
29:16daquela esquerda
29:17ligada ao PT
29:19ou diretamente
29:20petista
29:21ou dos seus partidos
29:23que eram chamados
29:23de linhas auxiliares.
29:25Até muitas vezes
29:26nos telejornais,
29:27a gente vê nos programas
29:28de televisão,
29:29quando eles precisam
29:30colocar alguém
29:31para criticar o governo,
29:33eles botam lá
29:33alguém da esquerda
29:35e dessa esquerda
29:36que está com a imagem suja
29:38para a maioria da população
29:39que votou em 2018
29:40contra ela.
29:41Então isso acaba
29:42muitas vezes
29:43reforçando até
29:44o próprio bolsonarismo
29:47como um todo.
29:48Ah, se o adversário
29:49é aquele,
29:50então peraí,
29:51vou continuar aqui
29:52mesmo que isso aqui
29:53esteja ruim.
29:55Aí a gente volta
29:56para aquela nossa
29:56conversa anterior.
29:58Então está faltando,
30:00me parece,
30:01muito claramente,
30:02uma oposição política,
30:04pelo menos naqueles assuntos
30:05em que a questão
30:07da moralidade
30:07está muito presente,
30:09por parte ali,
30:10pelo menos,
30:10do centro-direita
30:12até a direita,
30:13até conservadores
30:14de verdade
30:15que não sejam
30:16reacionários
30:17ou o pessoal liberal
30:18em economia
30:19que não tem
30:20as mesmas ideias
30:21à esquerda.
30:22E há vários parlamentares
30:23do Partido Novo
30:24que estão
30:24muito próximos
30:26do bolsonarismo.
30:27Não existe
30:27essa ausência,
30:28João?
30:29Olha,
30:30eu acho que tem
30:30de tudo,
30:31dentro do próprio Novo
30:33tem aqueles
30:33que são mais críticos,
30:35tem aqueles
30:35que são menos críticos.
30:36eu espero
30:37que a gente
30:38como um todo
30:38evolua
30:39para uma postura
30:39mais crítica.
30:42Quando a gente
30:43montou o Novo,
30:43acho interessante
30:44isso em 2010,
30:45quando comecei
30:46a montagem do Novo,
30:47o Lula
30:47tinha 97%
30:49de aprovação.
30:50Então,
30:50eu acho que nós
30:51não podemos
30:52nos motivar
30:53ou tomar
30:55nossas opiniões
30:56e posicionamentos
30:57por aquilo
30:58que está sendo
30:59de dado,
31:01que está sendo
31:02orientado
31:02nas mídias sociais.
31:03se tem uma
31:05pressão contra,
31:06a gente vê isso
31:07constantemente,
31:08diariamente,
31:09de grupos
31:09bolsonaristas,
31:10eu muitas vezes
31:11sofro isso,
31:12a gente não pode
31:13flexibilizar
31:13aquilo que a gente
31:14acredita
31:15eventualmente
31:17para ter mais
31:18curtidas,
31:19mais compartilhamentos,
31:20porque não é assim
31:21que a gente vai mudar
31:21o Brasil.
31:22Então,
31:23acho que isso é um processo,
31:25eu acho que as pessoas
31:25estão entendendo
31:27a realidade,
31:27estão vendo
31:28o que está acontecendo,
31:29obviamente,
31:30acho que todos nós
31:31gostaríamos que o governo
31:32desse certo,
31:33acho que como brasileiro
31:35eu achava
31:37pouco provável
31:38vendo os,
31:39quer dizer,
31:40tinha muitas críticas
31:41em relação à gestão
31:42do Bolsonaro
31:43pelo passado dele,
31:44mas claro,
31:44no momento que assumiu
31:46a gente gostaria
31:46que desse certo.
31:47Agora,
31:48é a nossa obrigação
31:49no momento em que as coisas
31:50estão indo de lado
31:52ou estão indo mal
31:53e principalmente
31:53onde estão se comprometendo
31:55os princípios e valores
31:56a gente falar alto
31:57e apontar os erros
31:58para que o próprio corrija
32:00ou que a gente tome
32:01as correções de rumo
32:02mais lá na frente.
32:03Então,
32:03eu acho que com o tempo
32:04a gente terá
32:05essa postura mais firme
32:07porque os fatos
32:08vão aparecer.
32:10Eu acho que,
32:11infelizmente,
32:12a economia vai demorar
32:13mais para se recuperar,
32:15o auxílio emergencial
32:16em algum momento
32:17vai parar,
32:18então,
32:19esse efeito
32:19que ele está tendo
32:21que acaba sendo
32:22um efeito
32:23um pouco eleitoral
32:23também vai deixar
32:24de existir
32:25e a realidade
32:26aparece.
32:27a gente está vendo
32:28a dificuldade
32:29do presidente
32:30para nomear os ministros.
32:31Estamos aí
32:32com o próprio
32:33ministro da Educação
32:34que vão completar
32:35já um ano e meio
32:36de mandato
32:36e até hoje
32:37não tem um ministro
32:38em uma área
32:39mais importante
32:40para o futuro
32:41e para gerar oportunidade
32:42para os jovens brasileiros
32:43que funcione.
32:44Então,
32:45acho que essa oposição
32:46mais forte
32:46vai aparecer
32:47e acho que ela tem
32:48uma grande diferença
32:49da oposição
32:50que é feita
32:50pela esquerda
32:52porque ela será
32:53uma oposição
32:54propositiva.
32:55Acho que isso
32:55que é a grande diferença.
32:57A esquerda
32:57é pouco propositiva
32:59e ainda está
33:00naquele velho discurso
33:03de que o Estado
33:04resolverá os nossos problemas
33:05quando a gente sabe
33:06que ninguém é melhor
33:06do que o cidadão
33:07para resolver
33:08os seus próprios problemas.
33:10Exatamente.
33:10Eu digo isso
33:11só para completar
33:12que,
33:13por exemplo,
33:13agora é o caso
33:14do Foro Privilegiado.
33:15Quem entrou lá
33:16com uma ação no STF
33:17foi a Rede.
33:18Quer dizer,
33:18um partido ali
33:19cheio de ex-petistas
33:20ligado mais à esquerda,
33:23Marina Silva,
33:24que mal conseguia
33:25dizer que o Lula
33:27cometeu um crime.
33:28Eu,
33:28na hora de entrevistá-la,
33:29precisei cercar
33:30de todo lado
33:31para ela dizer
33:31é corrupção
33:32porque ela não dizia
33:33na mesma frase
33:34o Lula é corrupto
33:35e tal.
33:36Tinha uma ligação ali
33:37que prejudicou
33:38todo esse pessoal,
33:39evidentemente,
33:40na campanha de 2018.
33:41O Ciro,
33:41que era contra a prisão
33:43do Lula,
33:43esses posicionamentos
33:45contra o impeachment
33:46da Dilma Rousseff.
33:48E aí,
33:48meio petismo
33:50ou petismo,
33:50o pessoal da esquerda
33:51votou no petismo mesmo.
33:53E aí você teve
33:54a outra ala.
33:55Então,
33:55a gente não vê
33:56iniciativas
33:57no campo
33:57do centro
33:59à direita
33:59contra
34:01essas questões
34:03imorais
34:04do governo,
34:05da família
34:06ou da militância
34:07bolsonarista.
34:07E não é que não haja
34:08coisas corretas
34:10em determinadas pastas.
34:11Às vezes,
34:12até sendo
34:13bloqueadas
34:14pelo próprio
34:15presidente,
34:15que é o que a gente
34:16estava falando
34:16a respeito
34:17da economia,
34:18das posturas
34:19do Paulo Guedes.
34:20Isso aconteceu
34:20também
34:21no Ministério
34:22da Justiça e Segurança
34:23Pública
34:23com o Sérgio Moro,
34:24que recomendou
34:25que fosse vetado,
34:26por exemplo,
34:27a criação da figura
34:27do juiz de garantia,
34:28restrições à prisão
34:29preventiva,
34:30restrição à delação
34:31premiada,
34:32transferência do
34:33COAF,
34:33tentou evitar
34:34interferência
34:35na PF,
34:36tudo isso que o
34:37Bolsonaro não fez.
34:38Então,
34:38havia gente ali
34:39para fazer
34:39coisa boa.
34:40No entanto,
34:41toda essa circunstância
34:42política,
34:43o passado
34:44da família,
34:45etc.,
34:45acabou
34:46atravancando
34:48um pouco
34:48isso também.
34:49A gente tenta
34:50aqui fazer
34:50as devidas distinções.
34:51É só
34:52o meu registro
34:53de que tem
34:54muita gente
34:55que espera
34:56haver um vídeo
34:57que seja compreendido
34:58pela população inteira
34:59de alguém colocando
35:01dinheiro diretamente
35:02no bolso
35:02para poder criticar.
35:04E tem coisas
35:05que são
35:05mais difíceis,
35:06de fato.
35:07elas exigem
35:08uma capacidade
35:08de abstração
35:09e exigem
35:10que você
35:10coloque a cara
35:11tapa
35:11para analisar
35:13aquilo que é
35:13uma questão
35:13moral evidente.
35:15Mas se você
35:15espera só
35:16para surfar
35:17na boa,
35:18aí já é uma
35:19pessoa apegada
35:19ao poder,
35:20querendo curtir,
35:21querendo compartilhamento.
35:22Então,
35:22é essa postura
35:23que eu critico
35:23em geral
35:24nas pessoas
35:25que se calam
35:26diante daquilo
35:27dos casos
35:28específicos
35:29que já são
35:30claros
35:32para quem
35:32acompanha
35:32minuciosamente
35:33o noticiário.
35:35Perfeito.
35:35Então,
35:35eu concordo
35:36com isso,
35:37até porque,
35:37Felipe,
35:38eu acho que
35:38na hora
35:40que o sujeito
35:40aparecer na foto,
35:43sendo algemado,
35:44pondo o dinheiro
35:45no bolso,
35:46não precisa
35:46das pessoas
35:47que são
35:47formadoras
35:48de opinião.
35:48As pessoas
35:49que são
35:49formadoras
35:50de opinião
35:51têm a responsabilidade
35:53de antever
35:54um pouco
35:54as coisas,
35:55baseado,
35:55claro,
35:56em obviedade,
35:57na racionalidade,
35:58e expor
35:58isso para a população.
36:00Acho que esse
36:00é o papel
36:01de todos
36:02que são
36:02formadores
36:02de opinião,
36:03seja os políticos,
36:04seja a imprensa,
36:04quer dizer,
36:04é um papel
36:05educacional.
36:07Então,
36:07eu acho que como nação
36:08a gente tem que fazer isso,
36:09porque eu brinco sempre,
36:11quando você
36:11entra num carro,
36:13você não deveria esperar
36:14o carro bater
36:16para você saber
36:16se o motorista
36:17é ruim ou não.
36:18Quando ele começa a dirigir,
36:19da forma como ele dirige,
36:21você já pode julgar
36:22se ele é um bom motorista
36:23ou não.
36:24Esperar o carro bater
36:25é sempre mais custoso
36:26e traumático,
36:27você pode se machucar.
36:29João,
36:30só para a gente concluir,
36:32eu queria entrar
36:32num caso bem específico
36:33que tem até a ver
36:34com o caso
36:34do Flávio Bolsonaro,
36:37mas que é
36:38o gabinete,
36:39a quantidade
36:40de assessores,
36:41por exemplo,
36:42isso faz parte também
36:43da bandeira
36:45do Partido Novo,
36:46de enxugar
36:46os gastos públicos,
36:48desperdiçar
36:48menos dinheiro,
36:50tanto na verba
36:51de gabinete
36:51quanto no chamado
36:52cotão parlamentar,
36:54também em viagens,
36:55etc.
36:56A gente vê ali
36:57a repercussão,
36:59o dano que está causando
37:00um caso
37:01que foi surgido
37:03no gabinete,
37:04quer dizer,
37:04é um assessor,
37:05é o desvio
37:06de parte do salário
37:07dos funcionários,
37:09então existe
37:10aquele velho problema
37:12de haver assessores
37:13demais,
37:14e existe também
37:15outro problema
37:16que é a falta
37:17de regras mais rígidas,
37:19de fiscalização
37:19para aqueles que de fato
37:21estão trabalhando,
37:22estão produzindo,
37:23porque tem muito assessor
37:24que hoje está ganhando
37:25para fazer
37:25militância na internet,
37:27às vezes usando
37:28conta anônima,
37:28que era o caso
37:29de um assessor
37:29do deputado federal
37:31Eduardo Bolsonaro,
37:32tem assessor fantasma
37:34que está sendo descoberto
37:35pelas investigações,
37:37quando a gente vê
37:38o histórico
37:38de outras pessoas,
37:39vê que teve cargo
37:40num lugar
37:41enquanto estudava
37:42no outro,
37:43etc.
37:44Quer dizer,
37:44o que se pode fazer
37:47de movimento
37:47para que mude isso?
37:49Porque isso também
37:50acaba favorecendo
37:51se a tese
37:51que todo mundo faz,
37:52tanto que eles
37:53não querem mudar,
37:53só que é claro
37:55que é sujo,
37:55é imoral
37:56e a gente
37:57precisa apontar.
37:58Então,
37:59eu vejo muitas vezes
38:00pessoas do Partido Novo
38:02dizendo,
38:02olha,
38:02eu não gastei tanto
38:03e tal,
38:04mas que tal
38:04os políticos
38:06que defendem
38:06essa ideia
38:07criarem um movimento
38:09para mudar
38:10essas regras
38:11para os outros também,
38:12para que os outros
38:13gastem menos,
38:14não só para mostrar
38:15para o eleitor,
38:16olha,
38:16eu gasto menos
38:17que os outros,
38:18mas vamos fazer
38:18um negócio
38:19para todo mundo
38:19para que não haja mais
38:20funcionário fantasma,
38:22laranja,
38:23queiroz,
38:24em qualquer gabinete?
38:26Felipe,
38:26eu acho que assim,
38:27até para dar
38:28alguns números
38:28que realmente,
38:30você vê,
38:30quando a gente fala
38:31de assessores,
38:32São Paulo e Rio,
38:34eu não lembro exatamente
38:35qual dos dois,
38:36mas um tinha 20 assessores
38:37para vereador
38:38e outro 14,
38:39no Novo a gente
38:39trabalha com 6
38:40e funciona muito bem,
38:41para que precisa
38:42dos 14,
38:43dos 8 a mais?
38:44Os deputados do Novo,
38:46os mandatários do Novo
38:47vão fazer uma economia
38:48de 150 milhões de reais
38:49nos seus mandatos,
38:50se os seus pares
38:52nas assembleias
38:53que eles estão
38:54fizessem a mesma economia,
38:56a gente estaria falando
38:57de 5 bilhões
38:58e 700 milhões de reais,
39:00quer dizer,
39:01é muito dinheiro,
39:02agora,
39:03é difícil lá dentro,
39:04enquanto a gente
39:04ainda é minoria,
39:05você fazer esses movimentos,
39:06então,
39:07eu acho que,
39:07por exemplo,
39:08agora a gente vai ter
39:08eleições em 2020,
39:10eu acho que cada eleitor
39:11brasileiro deveria colocar
39:12na pauta,
39:12num momento de crise,
39:13num momento que o Estado
39:14está sem recursos,
39:15é o seguinte,
39:15bom,
39:16uma das preocupações
39:17com ele,
39:18se ele não vai conseguir
39:19entender muito a pauta
39:20do que eles vão fazer,
39:21de todas aquelas promessas
39:22que o candidato faz,
39:24deveria cobrar um,
39:25como é que você pretende
39:26tratar a sua questão
39:28de assessores
39:30e de verbas de gabinete,
39:31quanto você pretende usar,
39:32o que você se compromete
39:33a fazer,
39:34eu acho que se a gente
39:34coloca isso no debate,
39:35como a gente tem tentado
39:36fazer esse mesmo debate
39:38com a questão do fundo
39:39partidário,
39:39fundo eleitoral,
39:40que é um absurdo,
39:41nós tentamos usar
39:42o fundo eleitoral
39:43e o fundo partidário
39:44para a saúde
39:46e não conseguimos,
39:48os partidos não permitiram,
39:49então o Novo,
39:50inclusive,
39:50agora abriu mão
39:51de retirar o fundo eleitoral
39:52a mais de 30 milhões de reais
39:53e a gente não vai usar,
39:55e a gente está vendo agora
39:56nessa prorrogação
39:57das eleições,
39:58uma tendência do Centrão
39:59pedir mais dinheiro
40:00ou pedir mais horário
40:01eleitoral gratuito,
40:02que não tem nada de gratuito,
40:04e lembrando sempre,
40:05esse dinheiro está saindo
40:06do nosso bolso,
40:07então eu acho que é importante
40:08ter esse movimento lá dentro,
40:09mas de novo é importante
40:11o cidadão se conscientizar
40:13que é possível ter parlamentares
40:15gastando muito menos
40:16e cobrar eles,
40:17fazer essa escolha
40:18agora em 2020.
40:21Aliás, o deputado estadual
40:22Chicão Bulhões,
40:23na Alerje,
40:24fez aí uma cobrança
40:25a respeito dessas denúncias
40:27sobre o funcionário fantasma,
40:28eu estava vendo,
40:29inclusive no seu Twitter,
40:30você repercutiu,
40:31quer dizer,
40:32algum movimento,
40:33pelo menos,
40:34para que seja investigado,
40:35para que seja apurado,
40:36para que seja punido
40:37esse tipo de caso.
40:39E, João,
40:41não podemos encerrar a entrevista
40:42sem falar aqui
40:43das futuras eleições,
40:45então temos essa agora,
40:46inclusive,
40:47havendo,
40:47eu vi que você
40:48está participando
40:49desse debate também
40:49a respeito do adiamento,
40:51mas elas vão acontecer,
40:52seja em outubro,
40:54seja em dezembro,
40:55seja quando for.
40:56Então,
40:56qual é a sua perspectiva
40:58para o Partido Novo,
40:59principalmente aqui,
41:00Rio e São Paulo,
41:02e a sua perspectiva também
41:05a respeito de uma candidatura maior,
41:07quer dizer,
41:07como é que foi essa experiência
41:08de 2018
41:09e para 2022,
41:11já que tem aí
41:12essa lacuna
41:14na área,
41:16na política,
41:17de uma liderança
41:18que represente
41:19esses princípios
41:21e valores
41:22que não foram
41:23empregados
41:25no governo do PT
41:26e que estão sendo,
41:28no mínimo,
41:29desperdiçados
41:30no governo
41:30do Jair Bolsonaro,
41:32com todas essas
41:33questões polêmicas,
41:35etc.,
41:36que a gente já tratou
41:37aqui em parte.
41:38Então,
41:38quais são as suas
41:39perspectivas eleitorais
41:40para o Partido Novo?
41:41Está certo.
41:42Bom,
41:42agora em 2020,
41:44o Novo vai lançar
41:45candidaturas a prefeito
41:46em 31 cidades
41:47e a vereadora
41:49em 46.
41:51É sempre uma discussão
41:52e é sempre um debate,
41:53porque como partido
41:54a gente quer crescer,
41:56quer ganhar espaço,
41:58mas você sempre
41:59tem que ter também
42:00o compromisso nosso
42:02de crescer
42:02fiéis aos nossos
42:03princípios e valores,
42:04ter a identidade,
42:06ter esses compromissos
42:08todos de corte
42:08e mordomias
42:09e, principalmente,
42:10acho que esse
42:11é o maior gargalo,
42:12você trazer pessoas
42:14para a política
42:14que possam ter
42:16posturas e práticas
42:17diferentes.
42:18Isso ainda não é fácil,
42:20não é fácil
42:20o cidadão
42:21largar o seu negócio,
42:22largar o seu emprego
42:23e vir para a política
42:25se expor.
42:26Então,
42:26esse acaba sendo
42:27um gargalo importante.
42:28Então,
42:29fazendo tudo isso,
42:30a gente fez processo seletivo
42:31para todas essas cidades
42:32e a gente terá,
42:33então,
42:3331 candidatos
42:34nas principais cidades.
42:35Então,
42:36teremos candidatura
42:36a prefeito no Rio,
42:38em São Paulo,
42:39em Belo Horizonte,
42:40algumas cidades
42:41no Nordeste também,
42:42no Sul,
42:42Centro-Oeste,
42:43e a gente está otimista
42:44porque ainda existe
42:45esse grande desejo
42:47de renovação.
42:48A campanha esse ano
42:48vai ser meio tumultuada
42:49por todo esse processo
42:50da pandemia,
42:51mas as mídias sociais,
42:52a gente sabe que são relevantes
42:54e isso nos ajudou bastante,
42:56particularmente a mim
42:57nas eleições de 2018,
42:59não sendo uma pessoa conhecida,
43:00sem ter dividido
43:02os debates
43:02e também gastando pouco
43:04deu para fazer
43:06uma campanha razoável.
43:082022,
43:09para mim,
43:09ainda é uma indefinição grande.
43:11Felipe,
43:11no Novo,
43:12a gente preza muito
43:13a história
43:13de ter um representante
43:15do partido,
43:16então,
43:16um pouco diferente
43:17da lógica
43:18que a gente sempre vê,
43:19normalmente a gente vê
43:20pessoas querendo ser candidatas
43:22e depois elas procuram
43:23um partido.
43:24E no Novo,
43:25o nosso roteiro
43:25é normalmente diferente,
43:26a gente quer ter um candidato
43:29e vamos procurar alguém
43:30que espelhe
43:31aqueles princípios
43:34e seja a pessoa
43:34mais preparada
43:35naquele momento
43:36para sair.
43:37Foi uma experiência
43:38muito interessante,
43:39eu não pensava
43:39em sair candidato,
43:41mas acho que foi muito bom,
43:43eu me surpreendi no final,
43:44acho que teve um nível
43:45de aceitação muito grande
43:46das ideias do Novo,
43:48o que o partido
43:50estava propondo,
43:51a gente conseguiu
43:52bater claus de barreira,
43:54eu tive votação
43:55em todos os estados,
43:56outro dia,
43:56por exemplo,
43:57só para dar um exemplo,
43:58no Maranhão,
43:58eu tive votação
43:59em todas as cidades
44:00do Maranhão,
44:01eu tive pelo menos
44:01algum voto,
44:02estou pegando um estado
44:04onde a gente não tem
44:05uma presença ainda tão forte.
44:07E 2022,
44:08vamos ver,
44:08aí é uma decisão
44:10do partido,
44:11eu ainda não estou
44:12muito claro
44:13do meu ponto de vista
44:14se vou querer sair ou não,
44:16quer dizer,
44:16vou ter que pensar,
44:17mas também é uma decisão
44:18em conjunto com o partido,
44:19mas eu acho fundamental
44:20isso que você falou,
44:22é nós termos
44:23uma alternativa
44:24que traga racionalidade
44:25ao debate,
44:26que traga os princípios
44:28liberais
44:28de mais poder ao cidadão
44:30e que tenha um projeto
44:32que seja alicerçado
44:33e melhorar o Brasil
44:34e não alguém que vá
44:35para se perpetuar no poder.
44:36Acho que a gente tem visto,
44:38acho que o próprio Bolsonaro
44:39tem dado esse exemplo,
44:40apesar dele ter dito lá atrás
44:41que estava vindo
44:42e não ia concorrer
44:44à reeleição,
44:44no momento em que ele foi eleito,
44:46a partir dali passou a trabalhar
44:47basicamente para ser reeleito,
44:49então tudo isso
44:50acaba prejudicando
44:51a própria gestão,
44:52porque ao invés
44:53a gente está pensando
44:53no longo prazo,
44:54fazendo as coisas
44:55que precisam ser feitas,
44:56começa a se aliar
44:57ao Centrão,
44:58postergar coisas importantes
44:59porque está mirando
45:00em 2022.
45:01Então, acho fundamental
45:03a gente ter isso
45:03e começar a discutir já
45:06qual é a proposta
45:07para o Brasil,
45:08quer dizer,
45:08qual é a agenda
45:09para o Brasil
45:09e aí depois a gente vê
45:10quem são os nomes.
45:13Acho que isso é um debate
45:14fundamental.
45:16Mesmo assim, João,
45:17só para completar,
45:17teve dois ministros
45:19que saíram do governo Bolsonaro
45:21em meio a polêmicas também
45:23e críticas que foram
45:24o Sérgio Moro
45:24e o Luiz Henrique Mandetta
45:25e que saíram
45:27com uma popularidade alta.
45:29O Moro já tinha
45:30de ex-juiz,
45:30o Mandetta teve
45:31muita proeminência
45:33e protagonismo
45:34durante o começo
45:36da pandemia.
45:38Há abertura no novo
45:40para essa espécie
45:42de aliança,
45:43para receber alguém
45:44mais antigo,
45:46existe uma prioridade
45:47com gente da casa,
45:48porque a gente vê,
45:49por exemplo,
45:50nesse momento,
45:50a esquerda muito fragmentada
45:52porque a esquerda
45:53vivia em torno do PT,
45:54o PT se queimou muito,
45:56muitos outros ali
45:57já não estão querendo
45:58ficar muito próximos
45:59ao PT,
46:00mas também não conseguem
46:01se desgarrar
46:02das bandeiras petistas
46:04e fica tudo
46:05muito parecido,
46:06mas fragmentado,
46:07sem força.
46:08No momento,
46:09tem muita gente
46:09que faz essa análise
46:10que a esquerda está assim
46:11e isso pode ser,
46:13pode favorecer
46:15inclusive o bolsonarismo
46:17numa eventual eleição.
46:19Então,
46:20se essas outras pessoas
46:21também chegarem fragmentadas,
46:24isso pode causar também
46:25uma perda de força.
46:27É claro que sempre tem
46:28aquele cálculo,
46:28mas vale a pena
46:29no primeiro turno,
46:30cada um por si,
46:31aí no segundo turno
46:32a gente vê e tal,
46:33e tudo isso se analisa na hora.
46:34Mas há uma abertura do novo
46:36para a formação
46:37de uma frente ampla
46:38de algum jeito,
46:39de alguma coisa?
46:41Felipe,
46:41eu vou dar a minha opinião
46:42como fundador do partido,
46:44não mais à frente da direção.
46:45O que a gente sempre falou,
46:46o novo,
46:46foi o seguinte,
46:47não temos nada contra
46:48fazer coligações
46:50e formar um grupo,
46:53o diálogo é importante.
46:54Agora,
46:54tem algumas coisas
46:55que a gente tem que,
46:57não estaria disposto
46:58a abrir mão.
46:59Então,
47:00primeira coisa,
47:01o fator fundamental
47:02para a gente escolher as pessoas
47:03não necessariamente
47:04é a popularidade,
47:05mas assim,
47:05a seriedade,
47:06a ética,
47:06a competência
47:07e o alinhamento
47:08com os princípios
47:08e valores do novo.
47:09Passado isso,
47:10óbvio,
47:10se a pessoa tiver tudo isso,
47:11tiver popularidade,
47:13excelente,
47:14mas assim,
47:14não pode ser a primeira regra
47:15a popularidade.
47:16E segundo,
47:17se a gente está falando
47:18que quer fazer uma política
47:19diferente,
47:19quer fazer uma política nova,
47:21eu acho que tem algumas coisas
47:22que a gente tem que ser
47:23muito inflexível.
47:24Então,
47:25por exemplo,
47:26não dá para fazer coligação,
47:27na minha visão,
47:28em partidos que usam dinheiro público
47:29para fazer campanha,
47:31porque é o dinheiro do cidadão
47:32que não deveria estar indo
47:33para a campanha,
47:34tem que ir para as outras áreas.
47:35Então,
47:35tem coisas assim...
47:36São todos,
47:37né?
47:37É,
47:38mas assim,
47:38então,
47:39o que a gente quer forçar
47:40é que haja uma mudança,
47:41porque se de fato
47:42a gente se propõe
47:43a fazer novas práticas,
47:45tem que ter essa...
47:46Porque senão a gente vai ser
47:47mais do mesmo
47:47e aí começa um atalho
47:48e a partir dali
47:49é usar o dinheiro público.
47:51Não,
47:51mas então vamos manter
47:51aquela empresa
47:52porque precisa dar cargo
47:53para aquele que nos apoia.
47:54Então,
47:55assim,
47:55inclusive,
47:56esse tem sido
47:57o nosso desafio
47:58desde o início.
47:58Muita gente dizia,
47:59vocês não vão dar certo,
48:00não vão conseguir as fichas,
48:01não vão conseguir eleger ninguém
48:02porque vocês não fazem isso.
48:04E a gente tem vencido
48:05palatinamente essas etapas
48:06fazendo o que a gente acha
48:07que é certo.
48:08Então,
48:08acho que a gente vai
48:09se consolidando com isso
48:10e eu espero
48:10que tenham outros partidos
48:11dizendo,
48:12a gente não vai usar
48:12dinheiro público,
48:13não vai...
48:14Só vai fazer
48:15coligação baseada em ideias.
48:16Obviamente,
48:17não dá para imaginar
48:18que a gente tenha
48:19com um grupo
48:19100% de alinhamento,
48:20a gente não tem
48:21dentro do próprio partido,
48:22acabamos de falar
48:23sobre isso aqui.
48:24Então,
48:25não é razoável supor.
48:26Mas você tem que ter
48:2760,
48:2770% de alinhamento
48:30e alguns princípios
48:31essenciais,
48:32você tem que estar
48:32assentado.
48:33E aí, sim,
48:34acho que dá para fazer
48:35um grupo
48:37que tenha um projeto
48:38para o Brasil.
48:39Certo.
48:40Eu conversei com o João Moedo,
48:41um dos fundadores
48:42do Partido Novo,
48:43candidato em 2018
48:45à presidência da República,
48:46que deixou aí
48:47meio no ar,
48:48não sabe ainda
48:48se vai se candidatar
48:50em 2022.
48:51Vamos acompanhar
48:52tudo isso aqui
48:53em oantagonista.com
48:54e no nosso canal
48:55de YouTube,
48:55youtube.com
48:56barra oantagonista.
48:57João,
48:57muito obrigado
48:58por mais essa entrevista.
49:00Bom trabalho,
49:01boa sorte
49:02e fique aí com a palavra
49:03se quiser dar
49:03a sua mensagem final.
49:05Obrigado,
49:06Felipe,
49:06era só agradecer a vocês,
49:08agradecer a turma toda
49:08que está nos assistindo
49:09e boa sorte
49:11para todo mundo
49:11e ao antagonista
49:12também,
49:13a toda a turma
49:13de vocês.
49:14Um abraço a todos.
49:15Um abraço,
49:16tchau, tchau, tchau.
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