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Em entrevista ao Papo Antagonista, o fundador do Novo, João Amoêdo, comentou o desempenho do partido nas eleições municipais, uma possível aliança para 2022 e fez críticas ao presidente Jair Bolsonaro.
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NotíciasTranscrição
00:00E agora já com o João Amoedo, fundador do Partido Novo, na linha comigo, seja bem-vindo, João Amoedo, muito obrigado por mais essa participação aqui.
00:09O Papo Antagonista é a primeira, mas você chegou a dar entrevista antes de começar esse programa, seja bem-vindo.
00:16Obrigado, Felipe, é um prazer estar de volta aí com vocês, obrigado pelo convite aí para o bate-papo.
00:21Maravilha, e o Partido Novo elegeu 29 vereadores, João me corrija se estiver errado, em 19 cidades e até o momento nenhum prefeito,
00:29mas o candidato do partido à Prefeitura de Joinville, em Santa Catarina, Adriano Silva, está no segundo turno contra o deputado federal Darcy de Matos,
00:38do PSD, o partido do Centrão, Gilberto Kassab, de quem eu estava falando agora no intervalo e em parte na conversa com o Diogo Mainardi.
00:46João, eu gostaria de ouvir de você, e eu só chamo de você porque você já me autorizou a não chamar de senhor,
00:52a sua avaliação sobre o desempenho do seu partido nessa eleição municipal pelo Brasil, inclusive porque, João, até já coloco essa questão para você,
01:02eu tenho visto manifestações um pouco variadas de pessoas envolvidas com o Partido Novo.
01:08Há uma manifestação de que o resultado foi abaixo do esperado, mas também se valoriza que houve conquistas, então qual é o balanço que você faz?
01:19Felipe, eu acho que primeiro o importante é dizer o seguinte, o Novo até por estratégia, a gente lançou poucos candidatos,
01:27então acho que a gente tem que ter cuidado quando a gente faz uma comparação da quantidade de eleitos pelo partido,
01:33até porque eu acho que tem uma filosofia bastante diferente no Novo, como a gente não usa dinheiro público,
01:39nós entendemos que o principal produto que o partido precisa ter inicialmente é ter filiado, ter voluntários, ter relevância na discussão,
01:48e depois vem as candidaturas, mas dito isso, só para lembrar, a gente lançou candidaturas a vereadoria em 46 cidades e a prefeitos em 30.
01:58Eu acho que foi razoável, eu não diria que foi tão boa como a gente teve em 2016 e 2018, acho que deixou a desejar na minha avaliação.
02:10Como você bem falou, quer dizer, acho que essa visão não é uniforme entre os filiados do Novo, mas eu acho que a gente poderia ter ido melhor.
02:21O partido, acho que a gente tinha uma expectativa, eu pelo menos, tinha que o Novo tivesse avançado mais, especialmente no debate,
02:28como relevância, não só como candidaturas, mas como relevância no cenário político, que é o que a gente tem feito desde o início da fundação,
02:36que é a construção de uma marca. Mas, assim, eu acho que a turma do Novo trabalhou bastante, lembrando que, como de novo,
02:43a gente não usou um tostão de dinheiro público, de fundo eleitoral, de fundo partidário, e elegeu essa turma toda aí,
02:50pessoas que estavam vindo pela política aí, a grande maioria delas, quase a totalidade pela primeira vez.
02:56Então, acho que é muito bom trazer essa renovação, mas a gente sempre quer mais, eu acho que a gente poderia,
03:01como eu disse, ter ido melhor, então acho que é importante agora fazer uma avaliação,
03:06o que a gente poderia ter ido melhor, o que falhou nesse processo.
03:11Eu, particularmente, tenho uma visão sobre alguns temas, para que o Novo venha mais forte em 2022.
03:20Certo, João, já vou querer ouvir essa sua avaliação.
03:22Agora, eu estava falando com o Diogo Mainardi a respeito do encolhimento do bolsonarismo nas urnas,
03:27e eu queria pegar alguns casos do Partido Novo para relacionar com isso.
03:32É claro que, em cada cidade, há outros elementos em jogo, mas eu não posso deixar de apontar, por exemplo,
03:38a vereadora Janaína Lima, do Partido Novo, não confundir, claro, com a deputada estadual Janaína Pascoal,
03:45ela foi reeleita e ela tem tido uma postura mais independente, crítica ao bolsonarismo,
03:51também aguentou, ali como o pessoal diz nas redes sociais, as pedradas.
03:55Então, ela conseguiu ser reeleita.
03:58O Leandro Lira, que era do Partido Novo, foi eleito em 2016 pelo partido,
04:04acabou migrando para o bolsonarismo, concorreu pelo Republicanos, o mesmo partido do Celso Russuman,
04:10teve pouco mais de 3 mil votos e ficou com a suplência, quer dizer, não foi eleito.
04:16Está aí, quem está acompanhando com imagem, está vendo os tweets dos dois.
04:19Também houve o caso do Felipe Sabará, que foi expulso do Novo, era candidato à prefeitura aqui em São Paulo,
04:27acabou declarando apoio ao Celso Russuman, candidato apoiado pelo Jair Bolsonaro, que foi derrotado.
04:33Ficou ali naquele bolo, lá em torno dos 10% dos votos, muito próximo do Gilmar Tato,
04:40candidato do PT, portanto o lulismo e o bolsonarismo, derretendo ali em São Paulo,
04:45embora o Lula ainda tenha ali um canal com o Guilherme Boulos para o segundo turno, contra o Bruno Covas.
04:52Como é que você viu, João, esse encolhimento do bolsonarismo nas urnas e também numa relação com a postura dos candidatos do Partido Novo?
05:05Porque você, eu até retomo aqui, porque a gente fez uma entrevista inclusive falando sobre isso,
05:10tem tido uma postura mais crítica ao governo, mas há integrantes do partido que têm uma postura menos crítica.
05:16Então, qual é a sua avaliação?
05:19Vamos lá, Felipe, acho que é um ótimo ponto.
05:21Primeiro, só para comentar, o Leandro Lira, que você comentou aí que teve 3 mil e poucos votos,
05:26na última eleição em 2016 pelo Novo ele teve quase 30 mil, então veio a 10% praticamente.
05:32mostrando aí duas coisas, primeiro a relevância da plataforma do Novo como instituição,
05:38e segundo, que realmente acho que isso foi provavelmente a principal conclusão dessas eleições de 2020,
05:44que o bolsonarismo já está em declínio, o que não é novidade, dada todas as entregas que têm sido feitas pelo governo.
05:51Na verdade, a falta de entregas, em várias áreas aí a gente depois pode falar sobre isso.
05:56De fato, quer dizer, no Novo, a gente, eu não estou mais na direção do partido,
06:02mas o partido resolveu adotar uma linha de dependência em relação ao Bolsonaro.
06:06E eu, desde março, tenho adotado uma linha de clara oposição,
06:10porque eu acho que a gestão dele é muito ruim para o país.
06:13E aí, de fato, durante o período eleitoral, por toda a força que o bolsonarismo tem nas mídias sociais,
06:20é natural que alguns candidatos tenham buscado essa linha de independência no partido.
06:25Eu acho assim, dentro da estratégia de que talvez mais independentes pudessem até capturar algum voto do bolsonarismo.
06:32Eu, por exemplo, fui muito atacado por isso, que muita gente até do próprio Novo me criticou,
06:37porque argumentava que estava perdendo votos por eu estar fazendo críticas ao Bolsonaro.
06:43Mas eu nunca acreditei nessa tese de que bolsonarista votasse no Novo.
06:46Eu acho que as pessoas que votam no Novo, que acreditam no nossos princípios e valores,
06:51são muito diferentes daqueles que o Bolsonaro prega.
06:54E acho que esse evento ficou claro aí nas eleições.
06:57Como você bem disse, no Novo, as pessoas aí que acabaram sendo eleitas se destacando
07:02não tinham esse viés mais bolsonarista.
07:06Eu acho que a gente deveria, acho que inclusive o fato do partido não ter adotado
07:10uma linha mais clara de oposição em relação ao Bolsonaro
07:14fez com que a gente não tivesse tido um desempenho melhor.
07:17Eu acho que a gente teria tido um desempenho melhor
07:20se tivesse realmente adotado uma postura firme de oposição ao governo
07:24que não tem entregue praticamente nada do que se comprometeu a entregar
07:28durante a campanha eleitoral.
07:29E eu acho que ficou esse aprendizado.
07:31Quando a gente vê aí, você mesmo estava comentando aí antes,
07:34o movimento do Kassab já se distanciando do Bolsonaro,
07:41a gente já entende um pouco que é um caminho, eu acho, sem volta.
07:46Uma deterioração do bolsonarismo aí.
07:50E só para complementar esse ponto, João, o Ricardo Salles, ele era do Partido Novo,
07:56houve vários ruídos entre ele e você e outras alas também mais ligadas a você
08:03dentro do Partido Novo.
08:05Vocês acabaram tecendo críticas ali ao comportamento dele no governo
08:11e também pelos ativistas bolsonaristas que estão no entorno dele,
08:16de outras pessoas ligadas ao governo Bolsonaro e com microfone nas emissoras,
08:20como eu digo, financiadas sem transparência pelo governo Bolsonaro,
08:23acabam apontando para você como sendo o problema,
08:27para você como sendo alguém que busca sempre a centralização do poder.
08:32como é que você reage a esse tipo de acusação que é feita contra você?
08:38Você acabou de falar que deixou, inclusive, um cargo no partido.
08:42Então, por um lado, você deixa um cargo, mas é acusado de centralizador.
08:47Por outro, você também não perde um pouco o controle do partido
08:50para esse pessoal mais ligado ao bolsonarismo?
08:55Essas acusações todas, eu até evito muitas vezes debater com essas pessoas,
09:00porque muitas vezes é o que elas buscam, na verdade,
09:03é relevância através do debate e as informações dadas
09:07não têm o mínimo de base factual, inclusive,
09:11só para a gente fazer uma análise muito lógica.
09:14Eu deixei o partido em março, tinha sido reeleito para um mandato de quatro anos,
09:19deixei ainda em 2019, então, quando eu deixei em março,
09:24eu ainda tinha três anos e meio de mandato,
09:25então, se eu quisesse realmente estar à frente do mandato,
09:27não teria sentido nenhum renunciar.
09:29E eu renunciei justamente para que a gente pudesse
09:31fazer um processo mais institucional.
09:34Realmente, a gente tinha um diretório bastante atuante,
09:37então, com as pessoas prontas que estavam lá,
09:39e eu entendi que isso era saudável para a instituição,
09:42para a gente não cair nessa velha armadilha
09:44da grande maioria dos partidos,
09:46onde você tem um cacique que se perpetua no partido,
09:50e, diferentemente disso, a gente realmente ter algo baseado nas ideias.
09:54E é interessante, quando eu ouço essas argumentações,
09:58que o João manda, o João que tira fulano, tira ciclano,
10:01eu estou dando um exemplo aqui, claro, para você,
10:04e você tem acompanhado esse meu posicionamento,
10:05pelo menos há uns seis meses,
10:08que eu sou claramente defensor de uma postura do partido
10:12de oposição ao Bolsonaro.
10:14E, no entanto, o partido não adotou essa postura.
10:16O partido, até hoje, se coloca como independente em relação ao Bolsonaro.
10:20Então, obviamente, se eu mandasse no partido,
10:23uma das primeiras coisas que eu mudaria
10:25era a postura do partido em relação ao Bolsonaro como presidente.
10:29Então, acho que só isso aí já ilustra bem.
10:31Agora, é natural, essas pessoas, muitas vezes,
10:34que não querem assumir seus erros,
10:40aí jogam a culpa nos demais.
10:41Todos os dois, tanto o Ricardo Salles quanto o Felipe Sabará,
10:45foram expulsos através do Comitê de Ética,
10:48do qual eu não tenho nenhuma participação,
10:50não interfiro em nada, nem tenho conhecimento mais,
10:53desde que saí do partido, dos casos que estão lá,
10:56e qual é a tramitação.
10:58Aliás, o Sabará, numa denúncia originalmente feita pelo Daniel José,
11:02deputado estadual em São Paulo,
11:04se eu não me engano, postou, inclusive, isso nas redes sociais.
11:08Agora, João, houve muita repercussão,
11:10depois que o ex-juiz e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública,
11:14Sérgio Moro, teve conversas com o Luciano Huck,
11:16que depois foram logo abafadas pelo Rodrigo Maia,
11:19já almoçou com o Luciano Huck,
11:21já houve um vazamento para a imprensa,
11:23de que o Huck disse que a turma dele é aquela mesmo.
11:25O Rodrigo Maia jogou o Sérgio Moro para a extrema-direita,
11:29dizendo que com ele não tem aliança.
11:32O Sérgio Moro mostrou ali uma inclinação,
11:36a abertura para conversa com candidatos que ele considera mais ao centro.
11:41É claro que esse comportamento do Jair Bolsonaro acabou gerando um pouco
11:47essa confusão ideológica no debate público sobre o que é centro-direita
11:50e direita propriamente dita.
11:53E eu vi uma declaração sua, me corrija se estiver errado,
11:56mostrando que não sabe direito como é que pensa o Sérgio Moro
12:00a respeito de questões econômicas,
12:02se defende as mesmas bandeiras liberais do Partido Novo.
12:05Como é que você vê essas possibilidades de aliança
12:10fora do terreno do petismo e do bolsonarismo para 2022?
12:16Já houve conversas com o Sérgio Moro, com o Luiz Henrique Mandetta,
12:20com todos esses nomes que estão sendo ventilados por aí
12:23como uma alternativa? Qual é o seu posicionamento?
12:27Felipe, primeiro, eu vejo como válido a gente ter opções,
12:31a gente tem que sair dessa polarização de PT e Lula
12:35e, eventualmente, a esquerda com o Bolsonaro.
12:40Acho que nenhum dos dois tem um projeto para o Brasil.
12:43Um não tem, o Bolsonaro não tem convicções,
12:46não tem capacidade de entrega, de liderança,
12:49e o projeto da esquerda é um projeto equivocado,
12:52de a gente aumentar o tamanho do Estado,
12:54é aquele que promete tudo e entrega muito pouco.
12:56A gente teve aí 14 anos de PT,
12:58e acho que a gente teve esse aprendizado aí.
13:01Então, acho positivo.
13:03Eu tive algumas poucas conversas muito rápidas com o Mandetta,
13:08troquei algumas conversas também com o Moro,
13:13mas, assim, qual é a minha visão?
13:15Eu acho que no Brasil a gente sempre cai naquela armadilha
13:17de dizer o seguinte,
13:18bom, vamos procurar alguém conhecido,
13:20alguém que seja viável eleitoralmente,
13:22para colocar essa pessoa.
13:24E aí, a gente, muitas vezes, quando consegue eleger,
13:28depois aí tem uma gestão ruim,
13:30e o país não avança, a gente não faz as reformas,
13:32a gente não consegue crescer,
13:33não consegue resolver o problema da educação,
13:36do saneamento, uma série de questões.
13:38Então, o que eu acho,
13:39e sempre que eu tive conversa com essas pessoas,
13:42o que eu sempre penso que a gente deveria priorizar,
13:44é primeiro um plano para o Brasil.
13:46O que a gente quer?
13:47Precisamos equilibrar nossas contas,
13:49precisamos, de fato, como eu estava falando,
13:50melhorar o país para ter mais oportunidades,
13:53dar um jeito na saúde, na educação,
13:55ter uma reforma para ter menos burocracia,
13:58abrir mais a nossa economia,
13:59feito um plano,
14:00aí vamos atrás de um nome,
14:02que tem a capacidade,
14:03que concorde com esse plano,
14:04e tem a capacidade de implementá-lo.
14:06A gente, eu fico sempre com medo de atrás,
14:08de ficar correndo no nome,
14:10e, eventualmente,
14:11se a gente juntar pessoas
14:13que não têm um alinhamento,
14:15pelo menos em boa parte das ideias,
14:17naquele, vamos dizer,
14:19num núcleo duro,
14:20e estão se juntando só para fazer frente
14:23a um competidor,
14:25eu acho que fica uma junção vazia.
14:27Então, eu acho muito importante
14:29ter conversas,
14:30ter um grupo,
14:32mas tem que ter um alinhamento
14:33dos princípios e valores
14:34da proposta para o Brasil.
14:36Se não, vai ser só uma guerra eleitoral,
14:40e que pode ser que um ganhe,
14:41outro ganhe,
14:42mas, no final,
14:42o cidadão, certamente,
14:44quando aquele for eleito,
14:45se não tiver um plano que fique de pé,
14:46não vai ser proveitoso para o país.
14:50Então, eu acho que a gente deveria
14:51sair dessa armadilha dos nomes
14:53e falar do projeto primeiro.
14:56Certo.
14:56A gente vai ter a oportunidade
14:58de conversar já em instantes
14:59sobre esses projetos,
15:00as suas visões a respeito do país,
15:03mas, só para concluir,
15:04você já consegue cravar hoje
15:06que o Novo terá, com certeza,
15:09um candidato à presidência em 2022?
15:11Ou existe uma abertura
15:13para o Novo apoiar uma chapa
15:16encabeçada por um outro partido?
15:19Bom, Felipe, quer dizer,
15:21hoje eu não falo mais pelo partido.
15:23Eu acho que seria importante
15:25o Novo, nesse processo ainda
15:27de crescimento,
15:28de colocação das suas ideias,
15:30ter um candidato.
15:31Agora, eu acho que, de novo,
15:34a situação do Brasil me preocupa muito
15:35como é que a gente chegará
15:37ao final de 2021
15:39e entrando em 2022.
15:41com tudo que a gente tem pela frente
15:43que a gente pode falar aí depois.
15:45Então, se tiver alguma coisa
15:47que para o país seja melhor,
15:49talvez considere,
15:49mas, prioritariamente,
15:51acho que o Novo deveria ter
15:52uma candidatura própria
15:54à presidência da República.
15:58Certo.
15:59João, você tweetou o seguinte
16:01hoje ainda.
16:02A segunda onda do coronavírus
16:04na Europa e nos Estados Unidos
16:05deve nos servir de alerta.
16:06Cuidados básicos,
16:07como o uso de máscaras,
16:09lavar as mãos,
16:09evitar aglomerações
16:11e manter o distanciamento
16:12ao falar,
16:13podem salvar vidas.
16:14Já são mais de 160 mil mortes
16:17no Brasil.
16:18Temos que fazer nossa parte.
16:20Esse tipo de declaração
16:22que você publicou no Twitter,
16:25a gente não costuma ouvir
16:26do presidente Jair Bolsonaro,
16:28que está sempre aí falando
16:30na economia desde o começo,
16:32inclusive,
16:33no começo,
16:34desdenhando da gravidade
16:36da pandemia.
16:36qual é a sua avaliação
16:38da conduta do presidente
16:39durante esse período?
16:42Não, foi muito ruim.
16:43Tanto é que foi a partir,
16:44se eu não me engano,
16:44do dia 22 de março,
16:46quando ele fez
16:46uma declaração
16:48em rede nacional
16:48dizendo que era só
16:49uma gripezinha,
16:51que não tinha problema,
16:52que não ia acontecer
16:53nada no Brasil,
16:54que eu entendi
16:55que tinha que ser
16:57oposição ao governo.
16:58Já tinha passado
16:59mais de um ano
17:00que ele tinha assumido o mandato,
17:02as reformas
17:03do ponto de vista econômico
17:04não tinham acontecido,
17:06na parte do combate
17:07à corrupção também
17:07foi ficando de lado
17:10e na hora em que ele falou
17:11que não teria problema nenhum,
17:13a gente já está aí
17:14com praticamente
17:14167 mil mortos,
17:16quando ele falou isso,
17:18eu falei assim,
17:18bom,
17:19esse não é uma pessoa
17:19que a gente pode ter
17:20no comando da nação
17:21e passei a adotar
17:22uma postura de oposição.
17:23Eu acho que o exemplo
17:24que ele deu
17:25desde o início,
17:26quer dizer,
17:27de não usar máscara,
17:28de promover aglomerações,
17:29de que aquilo
17:30não tinha problema nenhum,
17:31que o brasileiro é forte,
17:32é muito ruim,
17:33deixar de lado a ciência,
17:35quer dizer,
17:35todos os exemplos ruins
17:36e um presidente
17:37deveria ter a responsabilidade
17:39não só de conduzir bem
17:40essa crise,
17:41o que ele não fez,
17:42conversando com os estados
17:44e municípios,
17:45traçando um plano macro
17:46para o país,
17:47mas ele também deveria,
17:48pela posição que tem,
17:49de ser uma pessoa
17:50que desse o exemplo,
17:51sempre,
17:51e ele não fez isso,
17:53então não é à toa
17:54que quando a gente olha
17:55tanto os números absolutos,
17:57em termos de morte,
17:58esses 167 mil
17:59praticamente óbitos,
18:01quanto a posição relativa
18:02do Brasil,
18:02o Brasil,
18:02se eu não me engano,
18:03está entre o quinto,
18:04ali a quantidade de mortos,
18:07país pela quantidade de mortos
18:09por habitante,
18:10quer dizer,
18:10então nossa posição é muito ruim,
18:12e de novo,
18:13esse alerta eu fiz,
18:14porque lá atrás também,
18:15quando a gente começou a ver
18:16os casos na China
18:18e depois na Europa,
18:19muita gente achou
18:19que isso não ia chegar
18:20ao Brasil,
18:21e chegou com a intensidade
18:22tão grande ou maior
18:23do que lá fora,
18:24então assim,
18:25de novo,
18:25se a gente está tendo
18:26uma segunda onda
18:26que já está nos Estados Unidos,
18:28já está na Europa,
18:29e assim,
18:31e no Brasil
18:31a gente nem terminou
18:32a primeira,
18:33quer dizer,
18:33e estamos vendo já
18:34os dados já crescendo,
18:36crescendo aí
18:36em alguns hospitais
18:37já em São Paulo
18:38e no Rio,
18:39quer dizer,
18:39acho que a gente precisa
18:40ter atenção a isso,
18:41né,
18:42apesar do avanço
18:43que,
18:44acho que houve,
18:45só complementando,
18:46acho que houve um avanço
18:47aí no tratamento,
18:48no entendimento
18:49de como deve ser feito,
18:50mas ainda é uma doença
18:53muito difícil
18:55de ser tratada
18:56e a gente continua
18:56sem vacina,
18:57certo,
18:58eu peço para o João Amoedo
18:59esperar só um minutinho,
19:00eu vou encerrar aqui
19:01a nossa transmissão
19:02pela Rádio Educadora
19:03em Minas Gerais,
19:04mas vou continuar
19:05conversando com o João Amoedo
19:07no YouTube
19:07em o antagonista.com
19:09barra ao vivo,
19:10então você pode também
19:11continuar acompanhando,
19:13acessando aqui
19:13o antagonista.com
19:15barra ao vivo,
19:16além de milhares de pessoas
19:17que já estão nos acompanhando
19:19pelo YouTube,
19:20o João vai falar
19:20das propostas dele
19:22para o Brasil,
19:23a gente vai detalhar mais
19:24esse quadro,
19:25como é que ele analisa
19:26e vamos falar também
19:27do noticiário
19:27desse momento,
19:28em tempo real,
19:29o que está sendo publicado
19:30no antagonista
19:30e que inclusive
19:31complementa e ilustra
19:32tudo o que estamos conversando.
19:33Até amanhã
19:34para o pessoal
19:35de Uberlândia
19:36em Minas Gerais
19:37e eu permaneço
19:37aqui ao vivo.
19:44Muito bem,
19:45prosseguindo então
19:46na conversa
19:46com o João Amoedo,
19:47João,
19:48você também publicou
19:49o seguinte no Twitter,
19:50é bom aqui
19:51citar os dados
19:52porque aí a gente
19:53já tem um balanço
19:54para embasar
19:55a conversa.
19:56No final desse ano
19:57o Brasil deve ter
19:58desemprego de 13,4%,
20:01déficit primário,
20:02aí você colocou
20:03entre parênteses,
20:03arrecadação menos despesas
20:05de R$ 860 bilhões,
20:09dívida de 100%
20:10do PIB,
20:11inflação anual
20:12de 3,1%,
20:14ou seja,
20:1572%
20:16acima do previsto.
20:18Não existe atalho,
20:19somente reformas estruturais
20:21podem mudar
20:22para esta realidade,
20:23foi o que você escreveu,
20:24como os espectadores
20:25estão vendo
20:25que a produção é rápida,
20:27já colocou o print
20:28do tweet.
20:29Eu pergunto,
20:30João,
20:31em que consiste
20:32na sua visão
20:33essas,
20:34em que consistem
20:35essas reformas
20:36estruturais
20:37que o Brasil
20:37precisa fazer?
20:39O Jair Bolsonaro
20:39falou aos BRICS
20:40que defende
20:42essas reformas
20:43estruturais,
20:44no entanto,
20:44a gente tem visto
20:45a demora dele
20:46para apresentar
20:47certas reformas,
20:48quando apresenta
20:49já vem reforma
20:51desidratada,
20:52então,
20:52qual é a sua visão
20:53e o contraste
20:54com a dele?
20:56Bom,
20:57Felipe,
20:57primeiro,
20:57eu acho que a agenda
20:59de 2021
21:00vai estar muito
21:00centrada
21:01no crescimento
21:02econômico,
21:02e no aspecto
21:04um pouco mais técnico
21:05de responsabilidade fiscal.
21:07O Brasil
21:08hoje está com a taxa
21:08de juros
21:09muito baixa,
21:10de 2%,
21:10só que se você
21:12for tomar,
21:13o governo
21:13já está pagando
21:14para empréstimo
21:15de um ano
21:154%,
21:16ele já está pagando
21:174%,
21:17o dobro
21:18dos 2%,
21:19por quê?
21:20Porque as pessoas
21:21já começam
21:23a ficar,
21:23os investidores
21:24e os financiadores,
21:26já um pouco
21:26preocupados,
21:27apreensivos
21:28com a capacidade
21:29do Brasil
21:30de rolar sua dívida.
21:32Então,
21:32o que a gente
21:33precisa fazer?
21:34E só para lembrar ainda,
21:35além de todos
21:36esses problemas
21:37do governo federal,
21:38a gente ainda tem
21:38os estados e municípios
21:39também com endividamento
21:41elevado e com muitos
21:42problemas nas suas
21:43previdências,
21:44especialmente os municípios.
21:46então essa conta
21:47também vai ter
21:48que ser ajustada
21:49ou vai tudo
21:50acabar desembocando
21:51no governo central.
21:53Então,
21:53o que o Brasil
21:54precisa?
21:55A gente vai ter também
21:56o teto dos gastos
21:57e ainda com a pandemia,
21:58como a gente estava
21:59falando anteriormente,
22:00que pode estar tendo
22:00uma segunda onda,
22:02demandando ainda
22:04algum auxílio
22:05emergencial,
22:06que não vai ter mais
22:06onde tirar esse dinheiro.
22:07Então,
22:07o que a gente precisa
22:08é retomar o crescimento
22:09do Brasil e para isso
22:10a gente também precisa
22:12fazer um corte
22:13de despesas.
22:14então a primeira coisa
22:15que a gente deveria fazer
22:15é uma reforma administrativa
22:17que já atingisse
22:18os servidores atuais,
22:19não só a que foi
22:20apresentada pelo governo
22:21que passa a vigorar
22:23só para os novos servidores,
22:24porque ela não traz
22:25nenhuma economia inicial.
22:26Então,
22:27a gente ainda deveria
22:27fazer uma reforma
22:28administrativa imediata,
22:30abrangendo já
22:30os servidores atuais.
22:32A gente precisaria
22:32fazer uma reforma tributária
22:34que já vem sendo falada
22:35há muito tempo
22:35para simplificar
22:36a carga tributária
22:38do Brasil,
22:38que é muito complexa
22:39e fazer com que as pessoas
22:40possam ter mais facilidade
22:42para empreender,
22:43menos burocracia.
22:44A gente deveria
22:45fazer uma abertura
22:46da economia
22:47e algo que foi prometido
22:49já várias vezes
22:49pelo próprio ministro
22:50da economia
22:51que é a privatização
22:52de várias empresas públicas
22:53até para a gente
22:53reduzir o tamanho
22:55da dívida
22:55e passar esse gerenciamento
22:57para as entidades privadas.
22:59Então,
22:59acho que isso seria
23:00um mínimo
23:00e paralelamente também
23:02um investimento
23:03forte na educação.
23:05O Brasil tem caído
23:06a produtividade,
23:07com isso a gente tem
23:08dificuldade de gerar riqueza,
23:09tem dificuldade de crescer
23:10e de dar oportunidades
23:11para as pessoas.
23:12Agora,
23:13isso para mim
23:13tudo é urgente
23:14e estamos aí
23:15já há dois anos
23:16do governo,
23:17quer dizer,
23:17praticamente na metade
23:18do mandato
23:18e o presidente
23:19não tem nem convicção
23:21sobre esses temas
23:23e também não tem capacidade
23:26de colocá-los
23:27em execução.
23:29Quando a gente vê
23:30ele se aproximando
23:31do centrão
23:31e claramente,
23:32quer dizer,
23:33a prioridade
23:34é a sua reeleição
23:35daqui a dois anos,
23:37é difícil imaginar
23:38que essas coisas
23:39venham a ser feitas,
23:39a não ser que tenha
23:40uma disposição
23:41muito grande
23:42do Congresso
23:42e que a sociedade
23:43empurre isso.
23:44Agora,
23:45o risco que a gente tem
23:46é um retorno
23:47de inflação,
23:48taxa de juros subindo,
23:49desemprego aumentando,
23:50menos oportunidades,
23:51quer dizer,
23:52é piorar ainda mais
23:53o cenário
23:53que a gente tem hoje.
23:54Então,
23:55acho que isso
23:56é que deveria estar
23:56na pauta
23:57e estar sendo feito
23:58de forma urgente
24:00pelo governo.
24:01Ele deveria,
24:02o Bolsonaro,
24:03deveria ter isso
24:04como prioridade
24:04e estar se dedicando
24:05a isso.
24:06Agora,
24:07João,
24:07essa postura
24:08negacionista
24:09desde o começo
24:10do Jair Bolsonaro,
24:11ela também pode
24:12estar contribuindo
24:13para uma extensão
24:15da pandemia
24:16que poderia ser menor.
24:19E há muitas análises,
24:20o Diogo estava falando
24:21disso,
24:22que a gente às vezes
24:22fica com a impressão
24:23de que o Bolsonaro
24:24está torcendo por isso,
24:26dado o comportamento dele,
24:28e também para ter
24:30uma desculpa
24:30para prorrogar
24:31o auxílio emergencial,
24:33esses programas
24:34de transferência de renda,
24:35ampliá-los,
24:36turbiná-los,
24:38justamente para conseguir
24:39um eleitorado cativo,
24:41contrariando aquilo
24:42que ele criticava
24:43durante os governos
24:45petistas,
24:46para poder se eleger,
24:47já que a eleição municipal
24:48mostrou um encolhimento,
24:49ele se desgastou
24:50com aquele eleitorado
24:52antipetista,
24:53mas não necessariamente
24:54bolsonarista,
24:55o Centrão tomou ali
24:57muitas prefeituras,
24:59são centenas pelo Brasil,
25:00Gilberto Kassab
25:01já está tentando
25:02se descolar do Bolsonaro,
25:03acenando com a possibilidade
25:04de candidatura própria,
25:05então esse populismo
25:07com programas
25:08de transferência
25:09de renda,
25:10pode ser uma alternativa
25:12para o governo,
25:12e a gente vê
25:13essa tentação constante
25:15no governo,
25:17qual é a sua posição
25:19a respeito
25:19desse tipo de programa
25:21no cenário atual,
25:23e a minha pergunta,
25:25talvez para você
25:26associar na sua resposta,
25:28é o seguinte,
25:30o novo,
25:31você,
25:32João Amoedo,
25:32esses outros candidatos
25:35que estão fora
25:35da máquina pública,
25:36que não estiveram
25:37junto com o petismo,
25:39quando o petismo
25:39investia muito nisso,
25:41eles têm condições
25:42de falar com esse eleitorado,
25:44quer dizer,
25:45de mostrar para esse eleitorado
25:47que uma situação
25:49pode ser eventualmente
25:50melhor,
25:51do que permanecer
25:53com esse tipo
25:53de governo,
25:54quer dizer,
25:55há uma dificuldade,
25:56sem dúvida,
25:58de se comunicar
25:59com esse eleitorado,
25:59você acredita
26:00que é possível
26:01fazer isso?
26:02Então são duas questões
26:03da sua análise
26:03sobre esses programas,
26:05e a questão
26:06da comunicação
26:06com os beneficiários.
26:09Felipe,
26:10eu acho que
26:11essa estratégia
26:11faz muito sentido,
26:13essa que você comentou
26:14a ser feita
26:15pelo Bolsonaro,
26:16quer dizer,
26:16a estratégia
26:17do atalho
26:18de você
26:20realmente não fazer
26:21as mudanças estruturais,
26:22que dão muito mais trabalho,
26:24exigem muito mais negociação,
26:26e simplesmente
26:27acreditar
26:28que vai na reeleição
26:29através de
26:31distribuindo mais dinheiro
26:32para as pessoas.
26:32O problema
26:33que tem
26:34nessa estratégia
26:34hoje
26:35é que você
26:36não tem dinheiro,
26:37a gente vai bater
26:37no teto dos gastos.
26:40Então,
26:41aí ele vai ter que fazer
26:42algum malabarismo,
26:43porque vai bater
26:44no teto dos gastos,
26:44eu estava vendo
26:45hoje algum estudo
26:46que alguém fez
26:47mostrando que se
26:47o governo
26:49der 300 reais
26:50por três meses
26:51para 25 milhões
26:52de pessoas,
26:53que é um número
26:53muito menor
26:53do que ele
26:54tem atendido aí,
26:56já estoura o teto
26:57dos gastos.
26:58Então,
26:58assim,
26:58a margem de manobra
26:59é muito pequena.
27:01Então,
27:02acho que esse
27:03vai ser o constrangimento
27:05que ele vai ter.
27:06Essa história
27:07da explicação
27:09é sempre difícil,
27:10porque é muito mais fácil
27:11você chegar para as pessoas
27:12e prometer,
27:12dizer que vai dar um dinheiro,
27:13agora,
27:14isso acaba não sendo sustentável,
27:16e a realidade
27:16vem.
27:18Foi isso
27:18muito que aconteceu,
27:19inclusive,
27:20na gestão petista.
27:21baixou a taxa
27:22de juros,
27:23baixou a tarifa
27:25de energia,
27:26tudo na marretada,
27:28e depois a conta
27:29chegou para pagar.
27:30Eu acho que as pessoas
27:31aprenderam já isso,
27:33uma boa parte delas.
27:34Então,
27:34a forma de fazer isso
27:35é explicar para as pessoas
27:36que não tem mágica,
27:37que dinheiro não cai do céu,
27:39que a gente entende
27:39o problema,
27:40aí o que eu acho
27:41que tem que ser feito
27:42é realmente
27:43ser muito pontual
27:44para atender aqueles
27:45que realmente estão
27:46na miséria,
27:47e a gente sabe
27:47que dos programas sociais,
27:49muitos deles
27:49não são eficientes,
27:51o Bolsa Família
27:51é o que tem maior eficiência,
27:52mas alguns dos outros programas
27:54acabam atendendo pessoas
27:55que não estão
27:56na faixa mais baixa
27:57de renda,
27:57então precisa ser revisto,
27:59e o Brasil tem
28:00uma enorme quantidade
28:01de benefícios fiscais,
28:04que são desonerações
28:06que acabam atendendo
28:07setores específicos,
28:08a gente viu recentemente
28:09setor de bebidas
28:10na Zona Franca,
28:12setor de automóveis,
28:13quer dizer,
28:14então aqueles que fazem
28:15o lobby,
28:16aqueles que têm
28:16os seus grupos de pressão,
28:18e aí a parte política
28:19que acaba funcionando,
28:21levam um benefício
28:23e quem paga
28:23a custa disso
28:25é o cidadão,
28:26e principalmente,
28:27a gente não pode esquecer,
28:28porque acho que
28:29muita gente já esqueceu,
28:30porque a gente acabou
28:32basicamente com a inflação
28:33com o plano real
28:34em 94,
28:35mas a inflação
28:36é o pior atributo
28:37que tem
28:37e ele atinge
28:38diretamente
28:39exatamente o mais pobre,
28:40então se a gente não tiver
28:41equilíbrio das contas,
28:42tiver que rodar a maquininha,
28:43imprimir dinheiro
28:44e querer distribuir
28:46sem ter
28:46o mínimo de responsabilidade,
28:48a gente tem um risco
28:49grande de retorno
28:50da inflação
28:50e vai ser muito ruim
28:51para todo mundo,
28:52então acho que a gente
28:52vai ter que explicar
28:54com coerência
28:55para as pessoas
28:56para entenderem
28:57que não tem mágica,
28:58infelizmente
28:59não tem mágica,
29:01agora,
29:02o que a gente precisa fazer
29:03logo as mudanças estruturais,
29:04elas precisam ser rápidas,
29:06porque é daí
29:06que a gente pode realmente
29:07ter atração de investimentos
29:09e eu acho que
29:10a sinalização,
29:11se a gente começa
29:12a fazer as reformas,
29:14o efeito,
29:15a expectativa causada
29:16por elas,
29:17vai trazer recursos,
29:19vai trazer investimento
29:20e eventualmente
29:21a gente pode ter
29:21uma recuperação
29:22muito mais rápida
29:23num período
29:24muito mais curto
29:25do que se imagina.
29:27É, só para encerrar
29:29esse assunto,
29:29o que a gente tem visto
29:30no Brasil
29:31é muitas vezes
29:31esse tipo de puxadinho
29:33para resolver
29:34uma questão de poder,
29:35uma questão eleitoral
29:37e a falta de planos
29:39de médio e longo prazo
29:41sendo executados
29:42para criar justamente
29:43uma estrutura
29:44que faça a economia brasileira
29:46funcionar de uma maneira
29:47melhor,
29:48gerando empregos
29:49e uma condição
29:50de vida melhor
29:51para os cidadãos,
29:52né João?
29:53Exatamente,
29:54e aí a gente fica
29:55aquele famoso
29:55voo de galinho,
29:56o Brasil
29:57cresce um pouco,
29:59mas nessa última década
30:01o país basicamente
30:03ficou estagnado,
30:04o que teve de crescimento
30:05foi o que teve
30:06de crescimento
30:07da população,
30:08então basicamente
30:09a renda per capita
30:10ficou constante.
30:10Agora João Amoedo,
30:13eu volto aqui
30:14rapidamente
30:14à questão eleitoral
30:16das eleições municipais
30:17de 2020,
30:18o deputado estadual
30:20pelo Partido Novo
30:21em São Paulo,
30:21N.O.Z. Kukie,
30:23ele publicou o seguinte
30:25no Twitter,
30:26eu vou ler aqui,
30:27nunca me escondi
30:28e não será dessa vez
30:29que farei,
30:30ficar em cima do muro
30:31nessa eleição
30:31não é aceitável,
30:33diferença entre os candidatos
30:35é abissal,
30:36não podemos eleger
30:37alguém com ideologia
30:38tão ultrapassada
30:39quanto o Boulos,
30:40se referindo
30:40ao Guilherme Boulos
30:41que está no segundo turno
30:43em São Paulo.
30:44Tenho diversas críticas
30:45ao PSDB,
30:46mas meu voto
30:47será do Bruno Covas,
30:49então o Kukie
30:51fazendo aí
30:52todas essas ressalvas,
30:54mas preferindo
30:55o Bruno Covas
30:56apesar das críticas
30:57aos tucanos
30:59ao Guilherme Boulos.
31:00Você tem algum
31:01posicionamento
31:02para esse segundo turno
31:03em São Paulo
31:04e qual é a sua análise
31:05evidentemente
31:05desse cenário
31:06em que o PSOL
31:07passa a ser um carro-chefe
31:09da esquerda
31:10e o PT
31:10que antes tinha o PSOL
31:12como linha auxiliar
31:13agora é linha auxiliar
31:15dos PSOListas.
31:17Bom, Felipe,
31:18qualquer pessoa
31:19que leia
31:20o estatuto,
31:21o programa do Novo,
31:22os princípios e valores,
31:24a história
31:24de a crença
31:25no livre mercado,
31:26na liberdade do cidadão,
31:27no cidadão
31:27como indivíduo,
31:29como agente de mudança,
31:30como protagonista,
31:32tudo vai
31:33contra
31:34tudo
31:35que o pessoal
31:36fala,
31:37que o Boulos fala,
31:37quer dizer,
31:38não dá para ter,
31:38não tem nenhum alinhamento,
31:40uso de dinheiro público
31:41para campanha política,
31:44então, assim,
31:45qualquer pessoa
31:46que goste
31:47das ideias do Novo
31:48não tem como
31:49votar
31:50no Guilherme Boulos,
31:51a não ser
31:52que tivesse um outro
31:53com ideias
31:54exatamente iguais,
31:55mas, assim,
31:55a preferência
31:56vai ser sempre
31:57do lado contrário,
31:58mesmo não sendo,
31:59e isso é claro,
32:00não sendo o projeto
32:01do Novo,
32:02mas eu acho
32:03que me preocupa
32:04muito,
32:04porque essa ideia
32:07vendida pela esquerda
32:08de que vão resolver
32:09os problemas de todos,
32:10que o Estado
32:11tem condição de prover,
32:12que vai dar dinheiro
32:13para isso,
32:13que vai fazer
32:13transporte gratuito,
32:15é uma concepção
32:17que não para em pé
32:18e que não deu certo
32:19em nenhum lugar do mundo,
32:20né,
32:20então,
32:21por que a gente vai
32:22tentar isso
32:23num país
32:24que já está fragilizado,
32:26né,
32:26a gente não aguenta
32:27esse tipo de experiência
32:28que já foi tentado
32:29em outros lugares
32:30e não deu certo,
32:31quer dizer,
32:31então,
32:31é,
32:32obviamente,
32:32não dá para ter isso,
32:34quer dizer,
32:35então,
32:36acho que está,
32:37meu posicionamento
32:38está claro aí
32:38pela linha de que
32:39quem compartilha
32:41das bandeiras do Novo
32:42quer exatamente
32:43o contrário
32:44do que o Boulos defende.
32:45Certo,
32:45só preciso registrar,
32:46evidentemente,
32:47que gastar dinheiro público
32:48em campanha,
32:49o Bruno Covas,
32:49o PSDB,
32:50também gasta,
32:50aliás,
32:51ele é um dos que mais gastou,
32:53mas é claro que em toda a parte
32:54da pauta econômica
32:56existe uma proximidade maior
32:58mesmo com todas as diferenças
33:00entre o Novo e o PSDB
33:02do que em relação ao PSOL
33:03que tem ali uma linha
33:04bastante contrária.
33:05Aliás,
33:06só para concluir esse tema,
33:07João,
33:08eu sempre cito o caso
33:09do Gustavo Franco
33:10que saiu do PSDB
33:11para ser coordenador
33:13no Partido Novo,
33:14me corrija aqui
33:15se estiver errado,
33:16e eu lembro muito
33:17da carta
33:17porque escrevi a respeito,
33:19chamei atenção na época
33:20por causa justamente
33:21das minhas críticas ao PSDB
33:22que estavam ali
33:23aparecendo no texto dele
33:25também como alguém
33:26que estava lá por dentro
33:28e percebeu aquilo tudo.
33:29Ele escreveu que o PSDB
33:31hesitava em defender
33:33as pautas liberais,
33:35mesmo com as privatizações
33:37comandadas pelo FHC,
33:39eu sempre apontei
33:40que era muito menos
33:41uma questão de convicção
33:42do que mais uma necessidade
33:44de caixa ali
33:45em tempos de crise,
33:47e ele apontou isso
33:48e também uma hesitação
33:50em relação à questão ética,
33:51principalmente envolvendo
33:52o caso do Aécio Neves.
33:55O Gustavo Franco
33:55ainda continua nessa parceria
33:57com vocês?
33:58Como é que está isso?
33:59Continua,
34:00o Gustavo continua bastante ativo,
34:03ele inclusive,
34:03só lembrando,
34:04em 2018,
34:05ele foi responsável
34:06pelo meu plano de governo,
34:07especialmente a parte econômica,
34:09e tem um alinhamento
34:11muito grande
34:11das questões mais liberais,
34:13da crença,
34:13que no fundo é isso,
34:14quer dizer,
34:15o que a gente fala
34:16de forma muito simplificada
34:17é de que nós queremos
34:19que o cidadão
34:19seja o protagonista
34:20e não o Estado,
34:22e eu até fiz outro dia
34:23uma, falei sobre isso,
34:25alguma coisa que eu,
34:26que para mim é muito claro,
34:27quando você escolhe
34:28alguém da esquerda,
34:29a sensação é que você
34:30está escolhendo um chefe,
34:31e quando você escolhe
34:33alguém que acredita
34:34nas ideias liberais,
34:35na área pública,
34:35você está escolhendo
34:36um funcionário,
34:37porque é assim,
34:38a diferença é essa,
34:39você não quer alguém
34:40que vai para lá,
34:41que se compromete a fazer
34:42tudo por você,
34:44porque essas coisas
34:44não funcionam,
34:45e realmente é só pegando
34:47um gancho,
34:47só para esse ponto
34:48que você levantou
34:49do financiamento público,
34:50que é uma coisa
34:50que a gente bate muito
34:51no Partido Novo,
34:52e só para deixar registrado
34:53saiu hoje já uma matéria
34:54sobre isso,
34:56que muito se diz
34:56que os 2 bilhões de reais
34:58são o custo da democracia,
35:00para tornar o negócio,
35:01para aumentar a alternância
35:02de poder,
35:03hoje foi alguns dados
35:05do TSE mostrando
35:06que 80% da verba
35:08do fundo eleitoral
35:09foi destinada
35:10a 2% dos candidatos,
35:11então obviamente
35:12é um processo
35:13só para consolidar
35:16e perpetuar
35:17quem está no poder,
35:17não tem nenhum objetivo
35:19que não seja esse,
35:20e não tem nada
35:21de custo da democracia,
35:22pelo contrário,
35:23a gente para aumentar
35:23a alternância de poder,
35:25para dar mais representatividade
35:26ao cidadão,
35:27a gente precisa acabar
35:28com dinheiro público
35:29para a campanha política.
35:31Certo, João,
35:31caminhando para o final
35:32então da nossa entrevista,
35:33mas não posso deixar
35:34de tocar nesse assunto,
35:35já que você nasceu
35:36no Rio de Janeiro
35:37e eu também,
35:38e o segundo turno
35:39é entre Eduardo Paes,
35:41atualmente no DEM,
35:42e o atual prefeito
35:44Marcelo Crivella
35:45do Republicanos,
35:47que tem ali
35:47a Igreja Universal
35:48por trás,
35:49tem também o apoio
35:50do presidente Jair Bolsonaro,
35:52tem por volta
35:52de 15 pontos de vantagem
35:54o Paes sobre o Crivella,
35:56como é que você vê
35:57esse cenário?
35:58O Rio de Janeiro
35:58já ficou entre
35:59Crivella e Marcelo Freixo,
36:02agora fica entre
36:03o Eduardo Paes
36:04e o Marcelo Crivella.
36:06É, infelizmente aqui no Rio
36:12no segundo turno,
36:14pelo menos,
36:14porque no primeiro
36:15depois da criação do novo
36:17a gente teve boas opções,
36:18mas infelizmente como carioca
36:20toda eleição
36:21eu tenho que sempre escolher
36:22o menos pior para votar,
36:24e não é um voto feliz,
36:26mas é um voto no menos pior,
36:27e dada a gestão do Crivella
36:30e todo esse alinhamento
36:32e tudo que foi feito
36:34não dá para votar no Crivella,
36:36o voto tem que ser de oposição
36:38ao Crivella,
36:38pelo menos é assim,
36:39que é esse que eu vou
36:40fazer nas urnas.
36:42João Moedo,
36:43fundador do Partido Novo,
36:44candidato presidencial
36:45em 2016,
36:47em 2018,
36:48perdão,
36:48em 2016 foi a eleição
36:49do Trump nos Estados Unidos,
36:51em 2022,
36:52vamos ver como é que vai ser
36:54essa candidatura,
36:55essa eventual aliança
36:56do Partido Novo,
36:57mas muito obrigado
36:58pela sua participação
36:59no Papo Antagonista,
37:00João,
37:00boa noite,
37:01bom trabalho.
37:03Boa noite,
37:03obrigado pelo convite,
37:04boa noite a todos,
37:05Felipe,
37:05um abraço.
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