- há 8 meses
De volta a O Antagonista, onde terá um programa diário ao vivo (mais detalhes em breve), Felipe Moura Brasil faz uma análise audiovisual minuciosa dos acordos e desacordos entre o governo Bolsonaro e os parlamentares não bolsonaristas, passando pelos atritos entre Eduardo Bolsonaro e Janaina Paschoal, pela manifestação convocada com base no "Foda-se" do general Augusto Heleno, além das cobranças do senador Alessandro Vieira aos valentes de rede social que acusam os congressistas de "chantagem", mas que permitiram que o Congresso aprovasse o controle de R$ 30,1 bilhões do orçamento. Assista.
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NotíciasTranscrição
00:00Salve, salve! Sejam bem-vindos, leitores e espectadores de O Antagonista.
00:04Eu, Felipe Moura Brasil, colunista da Cruzoé,
00:07estou de volta também ao site e ao canal youtube.com.br
00:10O Antagonista, onde estrearei em breve meu programa diário ao vivo
00:13de jornalismo independente e vigilante,
00:16como sempre fiz e não poderia abrir mão de fazer.
00:19Enquanto preparamos tudo, vou publicando aqui meus vídeos
00:21com análises dos assuntos mais urgentes do debate público,
00:25com frequência dispersos, fragmentados e distorcidos na internet
00:28em meio a tretas políticas e ideológicas sem fim.
00:32Por exemplo, a tensão entre o governo Bolsonaro e o Congresso Nacional
00:36em torno do orçamento impositivo,
00:39que tem votação prevista para esta primeira semana pós-carnaval
00:42e que rendeu até a convocação de manifestação bolsonarista
00:45para o dia 15 de março.
00:47Antes de qualquer conclusão, convém entender o caso desde a sua raiz.
00:52O orçamento é discutido no âmbito da Lei de Diretrizes Orçamentárias, LDO,
00:56que estabelece quais serão as metas e prioridades para o ano seguinte.
00:59Ela fixa o montante de recursos que o governo pretende economizar,
01:03traça regras, vedações e limites para as despesas dos poderes,
01:07autoriza o aumento das despesas com o pessoal,
01:10regulamenta as transferências a entes públicos e privados,
01:14disciplina o equilíbrio entre as receitas e as despesas
01:16e indica prioridades para os financiamentos pelos bancos públicos.
01:20O senador gaúcho Alessandro Vieira, do Partido Cidadania e do Movimento Muda Senado,
01:25apresentou um breve histórico sobre a origem do orçamento impositivo.
01:30O orçamento é aprovado a cada ano para execução no ano seguinte.
01:34Partindo de uma proposta do Executivo,
01:36o Legislativo faz uma análise através de uma comissão mista
01:39que reúne senadores e deputados federais com muitas discussões,
01:42com muitos debates, para firmar uma peça orçamentária.
01:45Onde vai o dinheiro público que sai do seu imposto?
01:48Detalhadamente.
01:50No Brasil, historicamente, isso foi uma peça de ficção.
01:52Ou seja, o Congresso aprovava um orçamento
01:55e o Executivo, literalmente, não executava.
01:58Através do famoso contingenciamento, você tinha a retenção de verbas.
02:02O Congresso aprovava, por exemplo, verbas para uma obra pública
02:05e essa obra não era realizada porque o Executivo fazia outras opções.
02:09Esse espaço, esse vácuo, entre o que era aprovado no Congresso Nacional
02:13e o que era executado pelo governo federal,
02:15gerou um debate, é um debate válido, sobre o chamado orçamento impositivo.
02:20O que funciona no orçamento impositivo?
02:22Que já acontece em vários países.
02:24Tudo aquilo que é aprovado pelo Congresso
02:26é religiosamente executado pelo Poder Executivo, pelo governo federal.
02:31Essa obrigatoriedade do governo de executar o orçamento aprovado pelo Congresso
02:36já acontece no Brasil desde 2016 em relação às emendas individuais dos parlamentares,
02:42que são as verbas liberadas para que cada deputado ou senador
02:45invista na região do país que o elegeu.
02:48O argumento é que dar esse poder aos parlamentares
02:51significa alocar de forma mais eficiente os recursos do orçamento,
02:55pois deputados e senadores em tese conhecem muito melhor a realidade de seus estados
02:59que o governo federal que não consegue dar conta das múltiplas demandas pelo país.
03:05Então, cada parlamentar tem garantido uma cota individual
03:08de pouco mais de 15 milhões de reais
03:10para destinar, por exemplo, a obras de infraestrutura que têm visibilidade,
03:14como pavimentação de ruas e recuperação de praças.
03:18Obviamente, trata-se de um capital eleitoral,
03:20porque ficar bem na fita em seu reduto pode render votos para a reeleição.
03:25O mesmo mecanismo impositivo também foi aprovado em 2019
03:29para o caso das chamadas emendas de bancada,
03:32que o governo não poderá deixar de executar ao longo do ano fiscal de 2020.
03:36Elas são o resultado da reunião de parlamentares em grupos do mesmo Estado
03:40com o alegado objetivo de atender interesses estaduais
03:43por meio de obras e serviços de caráter mais estruturante
03:46em setores específicos como saúde, segurança pública e educação.
03:50O deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho 03 do presidente da República,
03:55votou a favor das emendas de bancada impositivas.
03:58Presidente, como vários parlamentares falaram,
04:00só queria deixar aqui a nossa posição favorável à PEC,
04:03parabenizar a vossa excelência pela presidência,
04:06que realmente é uma pauta que quando o Jair Bolsonaro era deputado federal,
04:10ele e eu somos favoráveis,
04:13que vai trazer independência para esse plenário,
04:15independência para os colegas deputados federais.
04:18Então, de maneira nenhuma, se trata de uma reforma do governo.
04:21Trata, sim, de uma relação harmônica entre os poderes.
04:24Então, parabéns, e o PSL vai votar a favor do presidente.
04:28Como disse Eduardo, seu pai Jair Bolsonaro,
04:30quando era deputado federal,
04:32defendia o orçamento impositivo,
04:34como fez em entrevista a Mariana Godói na Rede TV.
04:37Olha só, eu não sou comprado.
04:39O que um parlamentar tem para negociar em Brasília?
04:41É seu voto.
04:42Esse congresso melhorou muito em relação ao do passado.
04:45Em especial, graças ao atual presidente, Eduardo Cunha,
04:48que aprovou uma proposta, emenda com a discussão,
04:51que trata do orçamento impositivo.
04:53Ou seja, o governo não chantageia mais o executivo
04:55para liberar nossas emendas.
04:57Não, agora fica refém.
04:58Não, não fica refém.
05:00O governo não está refém.
05:01O governo tem que respeitar.
05:02Nós temos três poderes aqui.
05:05Inclusive, no meu entender,
05:07executivo, legislativo e judiciário,
05:09são os três poderes.
05:10O voto comprado não é reflexo ou sinônimo de democracia.
05:15Você pode ver, enquanto a Petrobras estava sendo assaltada
05:17no governo Dilma Rousseff,
05:19tudo o que ela queria era aprovado dentro da Câmara.
05:22Enquanto havia o mensalão no governo Lula,
05:25tudo era aprovado dentro da Câmara.
05:27Agora acabou.
05:30Simplesmente, está certo?
05:32Lógico, há o temor também de envolvimento
05:35nessas questões de jovens parlamentares,
05:37mas eu acredito na maioria dos parlamentares que estão lá,
05:40e graças ao episódio do orçamento impositivo.
05:43Esse Congresso, o Luiz Guimarães dizia,
05:46quando alguém critica o Congresso,
05:48espere o próximo, ia ser pior.
05:50O Luiz Guimarães, nessa,
05:52está no fundo do mar,
05:53respeitosamente, na Baía de Angra,
05:55faleceu, não acharam o corpo dele,
05:57mas, nessa vez, ele perdeu.
05:59O Congresso está muito bem.
06:01O caráter impositivo das emendas parlamentares e de bancada
06:04foi bastante discutido, inclusive em comissões mistas de orçamento,
06:08chamadas de CMO,
06:09e não rende mais grande polêmica.
06:11O ponto agora é outro.
06:13O senador Alessandro Vieira responde,
06:15onde está a polêmica que tem motivado tanto debate no Brasil?
06:19Numa mudança que foi feita, sem discussão na CMO,
06:23e em votação em globo,
06:24no último dia de votação do ano legislativo de 19,
06:27quando se aprovou uma emenda,
06:29que foi apresentada por algumas lideranças partidárias da Câmara dos Deputados,
06:34que foi aceita pelo relator do orçamento,
06:37o deputado federal Cacaleão,
06:39sem nenhum tipo de debate maior.
06:41E o que passou?
06:42Quando o governo percebeu,
06:43tinha se transformado também em emenda impositiva,
06:47ou seja, tem que ser executada compulsoriamente pelo governo,
06:50as emendas chamadas emendas do relator.
06:53Um deputado federal,
06:54neste ano, ano que vem,
06:55será um senador da República,
06:58que não foi votado para ter essa função,
07:00o cidadão não sabe que ele vai ter essa função
07:02e que passa a ter um controle orçamentário imenso.
07:05Para vocês terem uma ideia de magnitude,
07:07somando todos os valores das emendas individuais,
07:10dos parlamentares,
07:11deputados federais, senadores,
07:13das bancadas estaduais,
07:15você vai ter aproximadamente a metade daquilo que está disponível
07:18para o relator do orçamento.
07:19O relator do orçamento, pela legislação que foi aprovada,
07:22passa a ter um controle orçamentário em determinados ministérios
07:25maior do que o do ministro.
07:26Isso acontece na agricultura,
07:28isso acontece na justiça e segurança pública,
07:30acontece na cidadania, só para dar exemplos.
07:33Você vai ter uma distorção na execução orçamentária,
07:37porque você passa o controle do fluxo de caixa
07:39para quem não foi eleito para isso,
07:41para quem não foi votado para isso.
07:43Isso é muito perigoso para você ter uma gestão eficiente.
07:46Devidamente orientado pelo Ministério da Economia,
07:48o governo Bolsonaro veta esse dispositivo.
07:51É o famoso veto 52.
07:53O veto que está gerando tanto debate,
07:54tanta confusão nesse início de ano legislativo.
07:57O veto 52 recupera o controle da gestão desse orçamento
08:01para as mãos do governo federal,
08:03para as mãos do executivo, do presidente da república.
08:05Ele não afeta as emendas impositivas de bancada,
08:08ele não afeta as emendas impositivas individuais.
08:11Isso continua valendo normalmente.
08:13O que ele faz é retirar esse controle artificial
08:15que foi criado para a mão do relator,
08:17sem nenhum tipo de votação ou debate adequado sobre isso.
08:20Resultado.
08:21Foi marcada inicialmente para esta terça-feira, 3 de março,
08:25uma sessão do Congresso de análise dos vetos de Jair Bolsonaro
08:28à lei orçamentária.
08:30Se o veto 52 for derrubado,
08:32o Congresso tomará do Poder Executivo
08:34o controle de R$ 30,1 bilhões em emendas
08:38neste ano de eleições municipais.
08:41Para um veto ser rejeitado,
08:42é preciso o voto da maioria absoluta dos parlamentares
08:45de cada uma das casas legislativas,
08:48ou seja, 41 dos 81 votos no Senado
08:51e 257 dos 513 votos na Câmara.
08:56Parlamentares como o senador Alessandro Vieira
08:58e a deputada estadual do PSL de São Paulo
09:00e coautora do pedido de impeachment de Dilma Rousseff,
09:03Janaína Pascoal,
09:04criticaram o que consideraram um despertar tardio dos bolsonaristas
09:08para o risco de o governo perder o controle do orçamento para o Congresso.
09:12É importante você observar que no começo do ano legislativo
09:16se tentou fazer a derrubada desse veto.
09:19Na votação que aconteceu no dia 12 de fevereiro
09:21e você tem ao lado aqui as imagens que mostram exatamente como aconteceu.
09:25E é importante, neste ponto da nossa conversa,
09:27você atentar para o seguinte.
09:29Tem muito valente na internet,
09:31muita gente que gosta de polêmica,
09:33de postagens histriônicas, violentas, agressivas,
09:37mas só nas redes sociais.
09:38Na hora do debate de verdade,
09:40na hora do trabalho na comissão,
09:42na hora de encarar aquilo que é importante para mudar o Brasil,
09:45essas pessoas ficam caladas,
09:46não se manifestam.
09:48Você não escuta uma palavra.
09:49Quem conseguiu fazer o bloqueio dessa derrubada dos vetos
09:52foram justamente os independentes.
09:54Independentes que naquela ocasião,
09:56no Senado, eram representados pelo movimento suprapartidário Muda Senado
10:00e na Câmara pelos partidos Novo, Cidadania e Podemos.
10:04Esse grupo, que é independente com relação ao governo,
10:07ou seja, não é oposição,
10:08não é situação, foi quem conseguiu segurar a bronca toda
10:11de quem queria sequestrar uma parte muito grande do orçamento
10:14e tinha tudo na mão com a concordância dos dois presidentes das casas,
10:18Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia.
10:20O que aconteceu em seguida foi mais uma demonstração
10:23da desorganização do governo.
10:25Primeiro de tudo, o presidente da República,
10:27o cara que tem a maior responsabilidade nesse país,
10:29ficou calado.
10:31Ninguém ouviu uma palavra de Jair Bolsonaro
10:33condenando ou elogiando o acordão que transferiu o controle do orçamento
10:37das mãos dos ministros e do presidente para o relator do orçamento.
10:41Ele não falou nada sobre isso.
10:42Segundo, uma parte do governo,
10:45comandada ali pelo ministro-general Ramos
10:47e pelos líderes do governo no Congresso Nacional,
10:50articularam um acordo,
10:52uma nova partilha dos recursos públicos.
10:54Detalhe, quando Vieira se refere aos líderes do governo,
10:57convém lembrar que são também os dois membros do centrão
10:59que Bolsonaro escolheu para essas funções no Congresso,
11:02os MDBistas Eduardo Gomes e Fernando Bezerra Coelho.
11:06De novo, não chamaram você para saber o que estava acontecendo
11:09nem para escolher o que deveria ser feito.
11:11Fizeram um acordão ali nas paredes fechadas
11:13e tentaram implementar essa votação na semana seguinte.
11:16Novamente, não tiveram sucesso por conta da resistência dos independentes
11:20cada vez mais ampliada por outros parlamentares
11:23que estão percebendo a dificuldade que vai ter para a gestão pública.
11:27Mas o pior vem em seguida.
11:29Uma outra parte do governo,
11:30veja, está falando do mesmo governo,
11:32três ações diferentes.
11:33Um fica calado,
11:34um faz acordão com o grupo que critica
11:36e esse terceiro, aí capitaneado pelo ministro-general Heleno,
11:40faz uma crítica assodada ao Congresso Nacional,
11:42apontando o Congresso como chantageista
11:44e faz um chamamento público ao enfrentamento.
11:47O senador se refere à declaração do general Augusto Heleno
11:50captada pela imprensa
11:51que desencadeou a convocação da manifestação
11:54por grupos bolsonaristas.
11:56Abre o aspas.
11:56Nós não podemos aceitar esses caras chantagearem a gente o tempo todo.
12:00Foda-se, fecha o aspas.
12:01A cereja do bolo desse processo todo de desgaste da democracia
12:05é a postagem num grupo de WhatsApp
12:08pelo próprio presidente da República
12:10de um vídeo de convocação para esse tipo de ato,
12:12um ato contra o Congresso Nacional.
12:13O senador se refere à informação revelada pela jornalista Vera Magalhães
12:17de que Jair Bolsonaro enviou a aliados vídeos de convocação para o ato do dia 15.
12:22Depois, o presidente, em sua live semanal,
12:24disse uma mentira sobre o ano dos vídeos,
12:26alegando que se tratava de 2015,
12:29quando, na verdade, eles traziam também imagens
12:31da facada que Bolsonaro sofreu em 2018
12:33e de sua posse em 2019,
12:36como comprovou a jornalista em seguida no Twitter,
12:38exibindo cada vídeo e os prints das mensagens que obteve.
12:42Qual é o grande problema desse tipo de postagem?
12:46Não tem problema nenhum em fazer manifestação.
12:49O bom de você viver na democracia é que você pode se manifestar contra ou a favor de qualquer coisa.
12:53E faz parte do jogo, não tem problema nenhum.
12:55O problema está no governo desinformar deliberadamente o cidadão.
13:00Passar uma mensagem que não é verdadeira
13:03de que ele não faz parte desse jogo.
13:05Como eu mostrei lá atrás, ele faz parte do jogo, sim.
13:08Os seus ministros, os seus líderes, participam diariamente das negociações.
13:13O ministro-general Ramos foi taxativo em dizer
13:15que nunca fechou nada, nenhum acordo,
13:17sem a anuência expressa do presidente da República.
13:20Para aumentar essa percepção de que eles fazem parte desse jogo,
13:23como devem fazer, é natural que façam.
13:26O presidente tem dois filhos eleitos pelo Legislativo,
13:29um deputado federal e um senador da República.
13:31Então não faltam para ele canais oficiais e extra-oficiais
13:36para ter as informações e para interferir no processo.
13:39Na hora do debate, na hora em que você está construindo o formato das soluções,
13:42apresentando alternativas, fazendo restrições e fazendo críticas.
13:46Nenhum desses atores se manifestou.
13:48O Filho 01 e o Filho 03, em todos esses processos mais relevantes,
13:52durante o ano 2019 e durante o ano 2020, ficaram calados,
13:57anuindo tacitamente com tudo aquilo que era acordado.
14:01E você que está em casa, recebendo esse bombardeio de informações pelas redes sociais,
14:05fica com a impressão de que nós temos um presidente que é vítima de um sistema
14:08e que não faz parte dele,
14:11e que existe um bando de vilões, de bandidos,
14:13do outro lado da Praça da República,
14:16tentando tomar conta do país.
14:18Esse debate aqui não existiria na ditadura.
14:20As manifestações de rua não existiriam na ditadura.
14:24Nada disso interessa ao Brasil de verdade.
14:26A gente tem que avançar.
14:27E só avança com você bem informado.
14:29Não dá para engolir.
14:32São parlamentares que têm poder, senhor presidente.
14:36Parlamentar tem poder.
14:38De pedir verificação de votação,
14:40de obstruir,
14:42no limite de fazer o que eu já fiz aqui várias vezes,
14:45sair gritando.
14:45Como é que é que vai ser simulado, vai ser presumido,
14:49e eu não vou me manifestar?
14:51Aliás, nós somos eleitos para isso.
14:54Então, o que não está descendo na minha garganta
14:57é que os mesmos parlamentares que estão aí nas redes,
15:02entendeu?
15:03Chamando o povo,
15:04pedindo para fazer vaquinha,
15:06para armar bonecão na frente do Congresso,
15:10para alugar caminhão,
15:10são os parlamentares eleitos
15:14que poderiam,
15:16no exercício digno, legítimo do seu mandato,
15:20terem votado contra
15:21esse orçamento impositivo absurdo que foi aprovado.
15:26E eles votaram a favor
15:28e numa segunda votação
15:31ficaram ali
15:33vendo o presidente do Senado,
15:36porque foi uma situação de Congresso Nacional,
15:38não de Câmara,
15:38ficaram ali
15:39vendo o presidente do Senado
15:41fazer uma votação simbólica.
15:44E não teve um
15:45que levantou
15:47para dizer que
15:48declarava voto contrário,
15:50que fazia uma objeção.
15:52Ontem eu passei a tarde aqui
15:54levantando o histórico das votações,
15:56o histórico da tramitação,
15:58o histórico das discussões em plenário.
16:01Eu não encontrei o discurso de um
16:03desses deputados
16:06que estão conclamando as ruas,
16:07se dizendo heróis,
16:09defensores do presidente.
16:11Eu não encontrei discurso de um
16:12falando contra esse orçamento impositivo.
16:17Então, o que está acontecendo?
16:19Eles não entenderam que eles foram eleitos
16:21para trabalhar como parlamentares?
16:23Eles acham que eles ainda são ativistas?
16:26Ou eles estão mentindo para a população?
16:28Porque pode acontecer, senhor presidente,
16:32vossa excelência me concede mais um minutinho?
16:35Pode acontecer
16:35de uma pessoa ficar sozinha ali,
16:38gritando, pedindo para nós...
16:40Mas ela está exercendo o seu papel,
16:43ela está tentando denunciar
16:44no curso do processo legislativo.
16:47Eles não fizeram nada disso.
16:52E eu percebi isso,
16:54não foi porque ninguém me contou,
16:55foi porque quando votaram,
16:57esse infeliz dessa PEC,
16:59que transformou as emendas de bancada
17:01em emendas impositivas,
17:03na casa dos 8 bilhões,
17:05antes ainda de ter essa outra votação,
17:08que dá direito ao relator do orçamento,
17:10também com imposição,
17:12eu liguei para parlamentares em Brasília,
17:15falei,
17:15Gente, vocês estão entendendo o que vocês estão fazendo?
17:18Vocês estão colocando uma amarra no presidente.
17:21O presidente vai precisar pedir
17:23crédito suplementar para tudo.
17:26Se ele fizer um gasto sem autorização do Congresso,
17:29ele pode sofrer impeachment
17:30por questão de lei de responsabilidade fiscal.
17:33Eu liguei.
17:34E eles me disseram que
17:36era uma decisão deliberada,
17:39que eles queriam dar mais poder para o Congresso.
17:41O filho do presidente orientou o voto sim,
17:45tem vídeos,
17:47e agora está chamando o povo para a rua.
17:49O povo é palhaço?
17:52Nós somos palhaços?
17:55Alguém tem que explicar
17:56por que esses deputados
17:59não cumpriram o seu papel de parlamentar,
18:02tentando pelo menos,
18:03tentando,
18:04que a gente tenta,
18:05nem sempre consegue,
18:07evitar essa amarra no presidente,
18:09e agora estão usando o discurso
18:11de golpe do Congresso
18:13para conclamar a população
18:15contra o Congresso.
18:17Fica a pergunta
18:18e eu gostaria de ter uma resposta.
18:20Obrigada, senhor presidente.
18:21Eduardo Bolsonaro se limitou a negar
18:23que tenha incorrido em qualquer contrassenso,
18:26pois o vídeo em que vota a favor
18:27se refere às emendas de bancada,
18:29como mostrei aqui,
18:30não à concentração de poder de decisão
18:33sobre o montante de emendas
18:34no relator do orçamento.
18:36Mas o deputado citou a votação simbólica
18:38em que ela foi aprovada
18:40sem explicar por que ele
18:42e demais bolsonaristas do Congresso
18:44não protestaram contra.
18:46Eu votei a favor da PEC 34,
18:48que era o chamado
18:50Orçamento Impositivo das Bancadas.
18:53O impacto disso é 1% da receita.
18:56E se o governo não tiver dinheiro
18:57para cumprir esse orçamento das bancadas,
19:00não acontecia nada.
19:02Agora, com a LDO,
19:03o que está acontecendo?
19:04Que é outra matéria,
19:05totalmente diferente dessa.
19:07A LDO está dando 30 bilhões
19:09para uma única pessoa,
19:10que é o relator do orçamento.
19:12E se o presidente não executá-la
19:14em 90 dias,
19:15ele incorre em crime de responsabilidade.
19:19Vale lembrar que essa votação
19:20foi simbólica
19:21e o PSL votou
19:23da mesma maneira que o governo.
19:25E outra coisa,
19:26quando você tem as emendas
19:28chamadas impositivas de bancada,
19:30você dá mais liberdade
19:31para que o deputado vote
19:32de a favor das suas convicções.
19:35Nós sempre fomos muito críticos
19:36de práticas passadas
19:38de outro presidente
19:38que pressionavam os parlamentares
19:41a votar de acordo com o presidente,
19:43porque, caso contrário,
19:44eles não teriam
19:45as suas emendas liberadas.
19:47Janaína Pascoal explicou no Twitter
19:49que a votação só é simbólica
19:50quando ninguém se opõe,
19:52em especial os líderes.
19:53Afirmou que já arrumou
19:54várias brigas na Alesp,
19:56Assembleia Legislativa
19:57do Estado de São Paulo,
19:58para evitar votação simbólica,
20:00aquela em que o presidente
20:00da sessão diz
20:01senhoras deputadas
20:03e senhores deputados,
20:04aqueles que estiverem de acordo,
20:06fiquem como estão.
20:07Para ela,
20:08não tem sentido
20:08deixar matéria tão definitiva
20:10para o governo
20:11ser votada de forma simbólica
20:12sem ao menos tentar
20:14influenciar no resultado
20:15com algo básico,
20:16o voto do parlamentar.
20:18Não é adequado dizer
20:19deixamos um projeto ruim passar
20:21pois sabíamos que seria vetado.
20:23Como assim?
20:24Então estão lá
20:25ou deveriam estar para quê?
20:27Entendam,
20:27eu não estou contra ninguém,
20:29só quero que esse pessoal
20:30pare de viajar tanto
20:32e fique atento
20:33ao processo legislativo.
20:35Não é justo
20:35que cruzem os braços
20:36e depois gritem golpe.
20:38Simples assim.
20:40Eu, Felipe,
20:41obtive e verifiquei
20:42a ata publicada
20:43em 12 de dezembro
20:44da sessão
20:44a qual Janaína se referiu,
20:46ocorrida no dia 10
20:47daquele mês.
20:48Foi a sessão
20:49que aprovou o PLN,
20:50ou seja,
20:50Projeto de Lei
20:51do Congresso Nacional
20:52nº 51 de 2019.
20:55Esse PLN
20:56alterou a Lei
20:57de Diretrizes Orçamentárias
20:59LDO para 2020
21:00passando a tornar
21:01impositivas,
21:03além das emendas
21:03individuais e de bancadas,
21:05aquelas apresentadas
21:06pelo relator
21:07e pela Comissão do Orçamento.
21:09A ata comprova
21:10que Eduardo Bolsonaro
21:11não registrou presença
21:14naquele dia.
21:14O filho 03 do presidente,
21:16que havia tentado
21:17sem sucesso
21:18se tornar embaixador
21:19do Brasil em Washington,
21:20por indicação do pai,
21:21estava mesmo viajando.
21:23De acordo com informações
21:24passadas pelo seu próprio
21:25gabinete à imprensa,
21:27Eduardo esteve fora
21:28de 7 a 14 de dezembro,
21:30visitando países
21:30como Kuwait,
21:31Bahrein e Oman.
21:33No dia em que o Congresso
21:34aprovou o controle
21:35de 30 bilhões de reais
21:36em emendas impositivas
21:38no orçamento,
21:39Eduardo postou
21:40nas redes sociais
21:40suas imagens
21:42em uma planta da Vale
21:43em Oman,
21:43onde a empresa
21:44processa pelotas de ferro.
21:46Ao longo da votação
21:47de 10 de dezembro,
21:48os bolsonaristas
21:49do Congresso
21:50não protestaram
21:51contra o PLN 51.
21:53O deputado federal
21:54Bibo Nunes,
21:54no lugar de Eduardo,
21:56orientou o voto
21:57da bancada do PSL
21:58a favor do encerramento
21:59da discussão.
22:00Senhor presidente,
22:01o PSL orienta
22:02o voto sim,
22:03disse ele.
22:04Em seguida,
22:05mudou de assunto
22:05exaltando o número
22:06de seguidores conquistados
22:07pelo PSL
22:08e pela Aliança
22:09pelo Brasil,
22:10partido de Jair Bolsonaro,
22:12ainda em formação.
22:13Mais tarde,
22:13Bibo Nunes ainda tratou
22:15do clima natalino
22:16na Serra Gaúcha
22:17e deu conselhos
22:18à oposição
22:19para o Ano Novo.
22:20Quero que esqueçam
22:21Marielle,
22:21que esqueçam
22:22a homofobia,
22:23que esqueçam
22:23o racismo.
22:24É sempre o mesmo discurso.
22:26Criem ou pelo menos
22:27mostrem criatividade
22:28em 2020,
22:29disse o bolsonarista.
22:31O pronunciamento
22:31do deputado Bongás
22:33do PT
22:33indica ainda
22:34que ele passou
22:35a votar sim
22:36após um acordo
22:37dos bolsonaristas
22:38do Congresso
22:38com deputados
22:39da oposição.
22:41Ou seja,
22:41além de não obstruir
22:42a votação nem tentar
22:43modificar o texto,
22:44governistas atuaram
22:45para convencer
22:46opositores
22:47a dar prosseguimento
22:48à tramitação.
22:49Depois do veto 52
22:50de Bolsonaro,
22:51ainda houve iniciativa
22:52de acordo
22:53entre governo
22:54e parlamentares
22:54não bolsonaristas
22:55para um meio termo
22:57entre as duas partes
22:57na linha dos 15 bilhões
22:59de reais para cada,
23:00por exemplo.
23:01Mas o foda-se
23:01do general Heleno,
23:02seguido da convocação
23:04para o dia 15,
23:05colocou lenha na fogueira,
23:06gerando até ameaças
23:07de retaliação parlamentar
23:09na política
23:09do salário mínimo
23:10para complicar o ano fiscal
23:12do governo.
23:13Cada cidadão brasileiro
23:14decide se vai para a rua
23:15exercer seu direito
23:16de se manifestar,
23:18ainda que depois
23:19das sessões sobre o veto.
23:20Inegável, porém,
23:21é que o presidente
23:22na prática
23:23contrariou por cima
23:24o que a base
23:25sob seu comando
23:26negociou por baixo
23:27e que a eventual
23:28pressão de defensores
23:29do governo
23:30contra parlamentares
23:31não bolsonaristas
23:32seria uma espécie
23:34de compensação
23:35pela omissão
23:36e pela complacência
23:37da própria família
23:38Bolsonaro
23:38e dos parlamentares
23:40bolsonaristas
23:41nas votações
23:42anteriores
23:43sobre o orçamento
23:44impositivo.
23:45Eles aparentemente
23:46só despertaram
23:47agora da inércia
23:48sem fazer meia-culpa
23:50por ela
23:50e afetando
23:51um senso
23:51de responsabilidade
23:53que não haviam
23:54demonstrado.
23:55Sou a favor
23:56da manutenção
23:57do veto 52.
23:58O Congresso
23:59não tem nada
24:00que controlar
24:0030 bilhões de reais
24:01do orçamento,
24:03mas a história
24:03precisa ser contada
24:04como se deu.
24:06Para saber
24:06o resultado final
24:07de todo este embrólio
24:08basta acompanhar
24:09o Antagonista
24:10e se inscrever
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24:12barra o Antagonista.
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