00:00Agora, super quarta na economia.
00:02O Banco Central decide continuar com o ciclo de alta de juros
00:06e eleva a Selic para 15% ao ano.
00:10Repórter Matheus Dias, chegando com as últimas informações,
00:13o Matheus, esse é o maior patamar em quase 20 anos.
00:15O Brasil ganhou uma posição no ranking mundial dos juros.
00:18Agora, qual é a nova posição do Brasil nessa classificação?
00:23Boa noite para você.
00:23Tiago, somos agora o segundo país do mundo com a maior taxa de juros.
00:31A gente está atrás apenas da Turquia.
00:33Boa noite para você, boa noite a todos que nos acompanham.
00:35Os outros países que respondem a esse top 5 de maiores taxas de juros do mundo
00:40são a África do Sul, a Argentina e também a Rússia.
00:45Essa discussão começou ontem, numa reunião do Copom,
00:48quando eles começaram a analisar o mercado brasileiro financeiro,
00:51também as projeções para o futuro,
00:54para definir se a taxa Selic iria manter nos 14,75%
00:58ou seria subir para 15% ao ano.
01:00Então, a decisão foi de subir a taxa de juros pela sétima vez consecutiva.
01:05Viu, Tiago?
01:06Agora, com os juros a 15%, essa decisão foi unânime pelo Banco Central.
01:12Gabriel Galípolo e outros nove diretores votaram a favor.
01:15Foram 10 votos ao todo para que essa taxa de juros subisse a 15%.
01:21O que isso altera, então, viu, Tiago?
01:23Segundo eles, a motivação foi para tentar abaixar a inflação que está alta.
01:28Muitos pontos foram discutidos, claro, nessa reunião.
01:31Além da inflação, também o IOF.
01:33Claro, o dólar, como ele está em baixa até o momento.
01:37Agora, tinha batido na segunda-feira 5,48,
01:40a menor taxa do ano até então.
01:43Por isso, vários pontos discutidos.
01:45Mas a principal motivação para os diretores do Banco Central
01:48para aumentar a Selic mais uma vez
01:49é para tentar conter a inflação.
01:52O que isso custa no bolso do consumidor, Tiago?
01:55Isso faz com que medidas de crédito se tornem ainda mais caras.
01:59Ou seja, financiamentos imobiliários, financiamentos de veículos,
02:03empréstimos ao banco, tudo isso vai ficar mais caro.
02:07Só que como a inflação está mais alta,
02:08é uma tentativa do Banco Central de tentar diminuir esse valor
02:12que já ultrapassou o teto.
02:14Então, além disso, ainda há alguns outros pontos negativos
02:19de quando o país está em juros muito altos,
02:21que isso pode acarretar num ritmo mais lento da economia, claro,
02:26na diminuição da produção industrial e também no aumento do desemprego.
02:31Isso tudo ainda será analisado conforme o mercado brasileiro
02:34irá responder nos próximos meses.
02:35Mas essa reunião do Copom garantiu também que essa foi a última alta dos juros até agora.
02:41Eles disseram que esse foi o último aumento,
02:44pelo menos até o primeiro trimestre de 2026.
02:48Como você bem disse, essa é a segunda maior taxa de juros dos últimos 20 anos.
02:52Ela fica atrás apenas em 2006, quando a Selic no Brasil era 15,25% ao ano.
02:58Agora, 15% temos, novamente falando, a segunda maior taxa de juros do mundo,
03:05atrás apenas da Turquia, viu, Tiago?
03:07Semana que vem tem a ata do Copom para termos mais detalhes sobre essa decisão de hoje.
03:12Agora, nos Estados Unidos, meu caro Matheus, o Banco Central
03:16manteve inalterada a taxa de juros, não cedendo a pressão do presidente Donald Trump
03:21por corte nessa taxa, não é isso?
03:27É isso, perfeitamente, Tiago.
03:28Então, no mesmo dia, nessa quarta-feira, foram definidas as taxas de juros,
03:32tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
03:34Lá, o FED, que é o Federal Reserve, que é o Banco Central norte-americano,
03:39e eles definiram que a taxa de juros continuará como estava, a 4,25%,
03:45que pode chegar até 4,50%.
03:47Essa é a janela deles lá.
03:49Essa taxa de juros foi mantida, segundo o Banco Central norte-americano.
03:53São dois motivos que fazem essa continuidade da taxa de juros,
03:59que são a divergência econômica, essa guerra econômica do presidente Donald Trump
04:05com o resto do mundo e também a guerra regional que acontece no Oriente Médio
04:09entre Irã e Israel.
04:11O presidente Donald Trump é totalmente contrário.
04:13Ele já se posicionou várias vezes dizendo que a alta dos juros nos Estados Unidos
04:18pode ser total responsável pela baixa econômica em relação a outros países de primeiro mundo.
04:26Mas o Banco Central norte-americano disseram que o caminho da política interna
04:31e o caminho dessas decisões de juros norte-americano dependerá apenas de como as estatísticas econômicas
04:36que chegam, de como o mercado norte-americano responde,
04:40serão esses dados analisados que vão fazer os juros serem mantidos ou abaixados.
04:45Então, por enquanto, está mantida essa taxa de juros,
04:50depois de tanta especulação de que seria abaixada por pedidos do presidente,
04:54mas não, continua em 4,25% até 4,50%.
04:58E o Matheus apostou no caso da taxa aqui do Brasil que o BCI ia aumentar
05:04e eu achava que ia ficar na mesma.
05:07Você acabou ganhando.
05:08Se você tivesse apostado num bolão, você sairia o vencedor, viu, Matheus?
05:12Bom, bom trabalho pra você.
05:13A gente volta a se falar.
05:14Vou chamar a Dora Cramer e o Cristiano Villela.
05:16Dora, 2006.
05:18Maior taxa desde 2006.
05:20O último ano do primeiro mandato do presidente Lula.
05:24E a pergunta é fácil.
05:25Quem era o vice-presidente naquela época, Dora Cramer?
05:29Ué, deixa eu te alencar, não é isso?
05:32Sim.
05:32E vivia dia e noite reclamando dos juros, tá certo?
05:37Olha só, se sabe, bom, a boa notícia é que é o último aumento do ciclo de elevação de juros.
05:46Ok.
05:47Agora, pra reputação do Banco Central, é bom, é boa essa decisão,
05:52porque isso indica uma preservação da autonomia.
05:56Eu sei que legalmente não poderia ser diferente, mas é sempre bom a gente pontuar isso.
06:02Pra economia, claro que não é bom.
06:04Agora, pra contenção da política expansionista, ou melhor, tentativa de contenção da política expansionista do governo,
06:13tentativa de manter a inflação o mais próximo possível da meta, é o único remédio.
06:20Então, não tem muito jeito.
06:23Agora, você vê que a sinalização, a gente já vai ver a ata,
06:27mas a sinalização é que não haja também, não há nenhuma sinalização de queda, né?
06:33É uma sinalização de estabilidade.
06:36Agora, você e o Matheus, ou o Tiago, estavam acompanhando o mercado,
06:41porque o mercado estava exatamente dessa maneira que estavam vocês dois.
06:46Uns apostando, mas era uma coisa assim, uma divisão.
06:50Não tinha um vencedor.
06:52Um pessoal apostando na elevação, tinha gente falando até em meio ponto, né?
06:58Acabou sendo 0,25.
06:59E gente falando na manutenção da taxa.
07:03Ninguém falando em queda, claro.
07:05É verdade.
07:06Agora, Vilela, como é que fica a relação do governo com o Banco Central?
07:11Gabriel Galípolo, será que dessa vez teremos mais críticas ou não?
07:15Vai ficar tudo no zero a zero.
07:18Pois é, Tiago.
07:18Agora, nos últimos dias, já comecei a ouvir vozes mais próximas ao governo,
07:24começando a ensaiar uma crítica ao presidente do Banco Central.
07:28Mas o fato é que agora não existe nem elemento para isso.
07:31É um nome indicado pelo presidente da república, referendado pelo partido,
07:36com ligações junto ao partido, ao grupo que hoje comanda o governo federal.
07:42A maioria dos membros do conselho são de pessoas indicadas pelo atual governo.
07:49Então, não há mais o que falar.
07:51Com relação a Campos Neto, ficava fácil para o governo criar um cavalo de batalha.
07:56Olha, foi indicado pelo antecessor, olha, ele é liberal, é isso, é aquilo.
08:00Agora não tem elementos para isso.
08:02E o fato é que o governo acaba tendo que deixar de lado esse embate com o comando do Banco Central,
08:10porque, de fato, não existe elemento fático nisso.
08:13O que o governo tem que fazer é a sua lição de casa.
08:15É dar condições para que as taxas de juros venham a ser reduzidas.
08:20Enquanto o governo não fizer essa sua lição de casa
08:23e continuar com embrólios como esse que a gente tem visto,
08:26no caso do IOF, por exemplo, não adianta.
08:29O Brasil não vai ter a tão sonhada redução da taxa de juros,
08:33que, ao fim e ao cabo, é o que todos nós queremos que aconteça.
08:36Mas, do jeito que está, vai demorar um pouquinho para acontecer.
08:39O Brasil não vai ter a taxa de juros.