00:00Na economia, o Copom deve iniciar amanhã um novo ciclo de flexibilização da taxa básica de juros, a Selic.
00:07Nas vésperas da reunião, o mercado financeiro vive uma incerteza cada vez maior vinculada ao conflito no Oriente Médio.
00:14Os detalhes na reportagem de Daniel Lian.
00:18A guerra no Oriente Médio e a crise do Banco Master devem inibir a trajetória de queda da taxa de
00:24juros de acordo com especialistas.
00:26Nesta quarta-feira, o Comitê de Política Monetária do Banco Central pode alterar o tamanho da redução da Selic.
00:34Antes dos dois casos atingirem graves proporções, as expectativas eram de um possível corte acentuado.
00:43O economista André Perfeito destaca que esse cenário agora mudou.
00:47Dado o desenvolvimento de dois fatores, um interno e um externo, isso alterou substancialmente.
00:52O mercado apostava em torno de 50 pontos base de corte na taxa Selic agora, só que não deve ser
00:58isso que o Banco Central deve fazer.
01:00Ele deve ter um corte menor, em torno de 25 ou talvez nem importar a taxa de juros.
01:04Ele projeta o que vem pela frente.
01:07De um lado você tem o agravamento, a continuidade da guerra no Irã.
01:12Isso daí tem gerado um transtorno muito grande em relação ao Estreito de Ormuz e como isso daí bate no
01:18preço de petróleo.
01:19A gente está vendo aí reajuste da Petrobras, o esforço do governo de tentar evitar que a alta seja tão
01:26forte, reduzindo impostos.
01:27Mas internamente a gente tem um outro motivo, que eu só posso chamar de um eventual Vorcaro Day.
01:33A delação do ex-banqueiro tem tudo para se tornar bastante dramática.
01:39Isso vai gerar um custo, especialmente na moeda brasileira.
01:43Carla Bene, economista e professora da FGV, indica que o ideal seria o Banco Central efetuar um corte, mesmo que
01:51tímido,
01:52para dar uma sinalização futura ao mercado, especialmente ao setor produtivo.
01:57Se ele fizer uma redução, mesmo que pequena, de 0,25 ponto percentual, isso já seria fundamental para o setor
02:07produtivo da economia,
02:09porque ele sinalizaria uma trajetória de queda.
02:14Então é muito importante entender que as trajetórias, elas são muito relevantes na economia, inclusive na precificação de juros futuros.
02:24Outro fator que resvala nas decisões do Copom diz respeito à economia norte-americana.
02:31E a reunião do Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos, também é aguardada com ansiedade pelos mercados.
02:40A chamada superquarta vai definir rumos.
02:44As juros dos Estados Unidos impactam nas outras decisões dos bancos centrais.
02:49O custo do capital nos Estados Unidos, ele é um fator decisivo para os outros países.
02:56Então, se o Banco Central americano sobe a taxa ou desce a taxa, isso daí acaba impactando em todos os
03:03outros países em grande medida.
03:05A duração da guerra tem gerado apreensão nos mercados em todo o mundo.
03:10Atualmente, a taxa Selic está estipulada em 15% ao ano.
03:15A comentarista Denise Campos de Toledo avalia que a reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central vai sinalizar
03:23que a guerra no Oriente Médio acertou em cheio o caminho que havia sido traçado para o início da derrubada
03:29da taxa de juros aqui no Brasil.
03:31Confira.
03:32O mercado já incorporou a expectativa de um corte menor da Selic nesta quarta-feira.
03:38Se antes a aposta dominante era de meio ponto, agora a expectativa maior, como mostrou o relatório Focus, é de
03:43apenas 0,25.
03:45E corte que, se ocorrer, deve vir com muitas ressalvas quanto às condições de cenário,
03:50na medida em que a guerra no Oriente Médio renovou preocupações quanto ao comportamento da inflação.
03:55As projeções para o IPCA deste ano, que vinha em queda há várias semanas, subiram na média para 4,10%.
04:02Agora, mesmo que o Copom confirme a sinalização da reunião anterior, de início agora, do ciclo de cortes dos juros,
04:10há preocupações maiores quanto ao ritmo desse ciclo e o impacto contracionista que poderá ter sobre a economia,
04:17junto com os reflexos das mudanças no cenário externo.
04:20O país já vem registrando recordes de inadimplência de consumidores, de empresas.
04:25O custo financeiro de investimentos empresariais e da própria gestão dos negócios está bem pesado.
04:31O risco de a inflação, de fato, ficar acima do que iria a ser projetado, só que por fatores externos,
04:37pode criar um cenário de maior aperto para a economia.
04:41Além da questão dos juros, as empresas também podem ter aumentos de custos,
04:45com combustíveis mais caros, fretes e outros insumos.
04:49Claro que tudo isso vai depender da duração da guerra, mas algum impacto nesse sentido já é esperado.
04:55A normalidade não virá com muita rapidez, ainda que o mercado tenha momentos de maior trégua,
05:00como nesta segunda, com bolsa em alta, dólar em queda e o petróleo menos pressionado,
05:04mas ainda rodando ao redor dos 100 dólares o barril.
05:08O Comitê do Banco Central, na avaliação de cenário, também terá de contemplar esses fatores.
05:13A possibilidade de inflação mais alta, independentemente da contração de atividade,
05:17que era objetivo com a manutenção de juros mais altos.
05:21Juros altos que devem enfriar a demanda e, por aí, também os aumentos de preços,
05:25a expansão do PIB, além do potencial do país,
05:28mas não a capacidade de ampliação da oferta, de uma melhoria da produtividade,
05:33que podem também ser afetadas por um aperto monetário exagerado,
05:37junto com os impactos de um cenário externo mais adverso.
05:40E aí
05:40E aí
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