Banco Central elevou a taxa Selic para 15% ao ano, atingindo o maior valor em 20 anos. A decisão visa combater a inflação e gerou forte repercussão nos principais mercados.
Assista à íntegra:https://youtube.com/live/X0rJTECv55k
Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/
Inscreva-se no nosso canal: https://www.youtube.com/c/jovempannews
Siga o canal Jovem Pan News no WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S
00:00Quero falar um pouquinho de economia agora. O Comitê de Política Monetária do Banco Central elevou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, chegando a 15% ao ano.
00:09Este é o patamar mais elevado para os juros básicos do país desde maio de 2006. Quem conta é a Valéria Luizete.
00:17A decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central de elevar a taxa Selic para 15% ao ano gerou forte repercussão nos mercados e nos principais setores da economia brasileira.
00:28A Federação das Indústrias de Minas Gerais reconheceu em nota a importância do controle inflacionário, mas disse que a alta dos juros deixa o setor em alerta.
00:38Segundo a entidade, a alta dos juros pode restringir investimentos, ampliar custos de produção, reduzir a competitividade da indústria nacional e afetar a geração de empregos.
00:49Para o presidente da FIENG, Flávio Roscoi, o ideal seria a adoção de medidas mais equilibradas.
00:56Já o economista Ulisses Ruiz de Gamboa, da Associação Comercial de São Paulo, afirmou que a decisão surpreendeu parte do mercado que esperava a manutenção da taxa básica.
01:06Ele explicou que mesmo com a valorização do real e a desaceleração da economia, a inflação permanece muito acima da meta.
01:13O cenário de aumento de gastos e a piora na expectativa para o comportamento dos preços, segundo ele, indica uma política monetária mais rígida.
01:22Com o aumento da Selic, vem um momento de desaceleração da atividade econômica, mas ainda de inflação resistente.
01:31Segundo analistas, o principal recado do Banco Central agora é de fim do ciclo de alta, o que muda a forma como o mercado deve reagir daqui para frente.
01:40O estrategista-chefe da Monte Brava, Alexandre Matias, avalia que o Banco Central adotou uma estratégia incomum.
01:47Subiu os juros, mas ao mesmo tempo anunciou o fim do ciclo.
01:50O mercado estava dividido, eu diria que tinha dois terços de chance de um aumento e o aumento foi confirmado.
01:58O que surpreendeu bastante foi a opção de fazer o aumento e ao mesmo tempo anunciar o fim do ciclo de alta.
02:04Isso é bem incomum, a tradição do COPOM é fazer o aumento e dizer que os próximos passos da política monetária serão avaliados com cautela,
02:15vai permanecer vigilante, alguma coisa desse tipo, e aí na reunião seguinte anunciar o zero.
02:20Então foi bem incomum, não me lembro disso ter acontecido em nenhuma outra vez, o COPOM fez o aumento, mas anunciou o fim.
02:26Para Alexandre Matias, o país vive um paradoxo, em que a política fiscal expansionista força uma política monetária ainda mais dura.
02:34O Brasil vive um paradoxo, a gente tem um conjunto de políticas desfuncional.
02:40A política fiscal vai pisando no acelerador e obriga a política monetária a pisar no breque.
02:45Você veja que com um juro de 15% e uma inflação em torno de 5%, a gente vai caminhar dentro em breve com a queda da inflação
02:51para o juro real da ordem de 10%, era para a economia estar em colapso, em qualquer outro lugar do mundo estaria em colapso.
02:58Matias ainda destaca que com a sinalização de fim de ciclo, o mercado deve antecipar cortes futuros na Selic,
03:16o que pode neutralizar parte do efeito da própria alta anunciada nesta quarta.
03:20Na avaliação de Beto Saadia, diretor de investimentos da Nomos, o COPOM adotou uma postura híbrida.
03:28Apertou um pouco mais os juros, mas suavizou a comunicação a antecipar o encerramento do ciclo.
03:34O que opta o Banco Central? Ele sobe um pouquinho mais essa taxa de juros, ele arrocha um pouquinho mais essa economia,
03:40porém ele usa o texto para suavizar essa ação a partir do momento que ele fala que a gente, enfim, chega a um fim de ciclo de alta de juros.
03:49E o debate que vai começar agora é por quanto tempo a gente vai ter que amargar uma taxa de juros tão alta.
03:55E a gente ainda vê mais pressões inflacionárias na economia, então a gente ainda acredita que pelo menos até o meio do ano que vem, de 2026,
04:04a gente ainda vai ter que conviver com uma taxa Selic agora de 15.
04:07A expectativa de parte do mercado é que a Selic permaneça em 15% ao ano até o início de 2026.
04:13Só depois disso, com a inflação mais controlada, o Banco Central deve iniciar um ciclo de cortes,
04:20com o objetivo de reduzir os juros a patamares mais neutros.
Seja a primeira pessoa a comentar