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  • há 7 meses
A mostra coletiva “Pop Brasil: Vanguarda e Nova Figuração, 1960-70”, em cartaz na Pina Contemporânea, em São Paulo, mostra um panorama da produção artística nacional nas décadas de ditadura militar e chegada da cultura de massa.
Transcrição
00:00Pop Brasil é uma exposição coletiva que reúne um conjunto de mais de 250 obras de 100 artistas de diversas regiões do país
00:28e é uma exposição que revisita os anos 60 e 70 no Brasil, sobretudo com ênfase nas vanguardas de nova figuração,
00:36essas vanguardas que recolocam a imagem em questão, essa imagem que já circula pelos meios de comunicação de massa,
00:44na publicidade, nos outdoors, numa sociedade de consumo e informação, portanto são artistas que estão reprocessando essas imagens que já circulam
00:55e aqui a gente tem a presença de algumas coleções, principalmente obras da própria Pinacoteca,
01:01do Comodato da Pina com a coleção Roger Wright, que agora comemora 10 anos preservada no museu,
01:09e também diálogo com algumas coleções, tanto institucionais como privadas, pontuais.
01:14A art pop começa principalmente na Inglaterra, mas depois ela ganha fôlego e ganha força nos Estados Unidos
01:21e quando ela chega entre nós, ela ganha características específicas do nosso país,
01:27principalmente porque a arte pop se dedica a olhar para as imagens da indústria e da cultura de massas
01:35e entre nós essas coisas estão ainda muito no começo, né?
01:41Se você pensar que nos anos 60 a TV tem 12, 15 anos de vida só no nosso país,
01:47Então a arte pop no Brasil, ela, para entrar em contato com as massas, ela tem uma relação muito forte com a arte popular
01:57e com essa sensação de um atraso de infraestrutura, de indústria, que os artistas transformam em solução.
02:10A gente está aqui nesse núcleo que chama Astros e Astronautas,
02:18que fala basicamente de como as imagens das celebridades, né?
02:22São uma operação muito pop, os artistas olharem para essas imagens que a gente pode dizer de segunda mão
02:29e ressignificá-las a partir do trabalho, né?
02:32Assim como o Andy Warhol faz, por exemplo, a imagem da Marilyn Monroe,
02:36Aqui a gente vê o Claudio Tosi, o Rubens Gertzman, o Maurício Nogueira Lima,
02:41fazendo imagens dos doces bárbaros, Caetano, Betânia, Gil, do Roberto Carlos, enfim.
02:49Aqui atrás de mim a gente tem, usando o mesmo procedimento, um retrato do Bob Dylan, né?
02:55Que é um ícone pop da época.
02:58E do outro lado a gente tem uma figura que parece um cantor, que está ali com um microfone.
03:03E quando a gente olha direitinho para ela e lê o título da obra,
03:08a gente sabe que esse homem não é um cantor, não é uma celebridade,
03:11mas é o homem que, diante das câmeras, anunciou a chegada do Homem à Lua.
03:22Na medida que a gente foi levantando essa quantidade enorme de obras,
03:26a gente foi identificando alguns assuntos principais, né?
03:30Que são assuntos muito fortes naquele momento.
03:33Então a gente tem, por exemplo, essa formação de uma indústria cultural,
03:37que faz pela primeira vez com que os eventos sejam divulgados numa escala de massa.
03:42Então a corrida espacial, a formação de ícones pop,
03:46desses rostos que são conhecidos e que traduzem o que seria uma identidade brasileira, né?
03:51A formação de um programa nacional.
03:54Então a gente organiza um pouco esse início da exposição a partir dessas imagens em profusão.
03:59Tem também uma luta política muito forte nesse momento,
04:02na medida em que o Brasil está vivendo uma experiência de ditadura civil-militar.
04:06Então trabalhos que respondem frontalmente a um contexto político,
04:11à ditadura, à censura, à perseguição ideológica.
04:14A gente tem também um núcleo dedicado ao desejo e à sexualidade.
04:19Os anos 60 não só são marcados pelos grandes protestos, né?
04:22da grande política, mas também pela micropolítica.
04:25A revolução sexual, as experiências lisérgicas,
04:30todo o movimento feminista e a luta por um desenvolvimento,
04:34por uma auto-investigação de um desejo que seja mais livre,
04:37menos pautado pelas normas.
04:39Então a gente faz um passeio por essas grandes discussões daquele momento histórico,
04:43buscando com esses diálogos entre as obras,
04:45tornar isso expresso na exposição, né?
04:48Essa exposição, ela um pouco celebra dois marcos de 65,
04:59que agora fazem 60 anos, que foram muito importantes.
05:03São duas exposições, uma que chamou Opinião 65 e a outra Propostas 65.
05:08E nessa exposição, Opinião 65, que é uma exposição que reage rapidamente, né,
05:14ao golpe militar, ela está ali um ano depois,
05:18os artistas se reúnem para se manifestar.
05:21O Helio Echick aparece com esses parangolés
05:24e ele é impedido, ele é censurado de entrar na exposição, né?
05:28Quem traz, quem está vestindo esses parangolés nessa época
05:31são uns passistas da Mangueira
05:34e essa performance é impedida de acontecer no espaço, no museu,
05:40e acaba acontecendo ali no vão livre, né?
05:43E isso é muito importante para a época,
05:45porque a gente vê justamente, né, como esses signos, né,
05:50são manipulados entre, né, a instituição e o artista
05:54e como o artista está tensionando os limites da instituição
05:58e assim, né, aproximando a esfera da arte
06:05de uma esfera de protesto, de uma esfera política.
06:13Essa é a primeira vez que os dois elevadores do Rubens Gershman
06:19são expostos em conjunto.
06:21E isso é bastante significativo, porque esse é um artista
06:24que naquele momento, no final dos anos 60,
06:27estava buscando responder a um processo de massificação das cidades, né?
06:31A gente tem um êxodo rural se ampliando no Brasil,
06:34as grandes cidades se tornando, de fato, metrópoles,
06:37metrópoles, São Paulo se tornando uma cidade ainda mais populosa.
06:41E alguns desses artistas buscam olhar para essa experiência urbana, né?
06:45Que tipo de mudança de comportamento, de mudanças de hábito
06:49uma cidade tão populosa como essa impacta, né?
06:53E a gente tem esses elevadores que o Rubens Gershman, inclusive,
06:56chamava de caixas de morar, que falam já desses corpos apertados,
07:01desses corpos aglomerados, que vêm para a grande cidade
07:05buscando oportunidades, buscando realizar sonhos,
07:10mas que também, com isso, acabam negociando uma certa qualidade de vida, né?
07:14Nos micro apartamentos, enfim.
07:16E é muito especial mostrá-los juntos, porque um se chama elevador social
07:20e o outro se chama elevador de serviço.
07:23Então, também é uma discussão aqui atravessada
07:25para uma demarcação de classe que torna o debate ainda mais interessante.
07:34O grande feito dessa exposição, eu acho que é a reunião
07:39de uma quantidade expressiva de obras que há muito tempo não são vistas juntas.
07:44Tem obras aqui de um mesmo artista que só foram vistas juntas nos anos 60.
07:50E agora a gente consegue reunir.
07:52Isso fala também sobre o momento histórico do Brasil, né?
07:56Lá nos anos 60, mas também agora, que é possível fazer,
08:01porque a gente tem museus estabelecidos, com coleções estabelecidas, né?
08:06Tanto particulares quanto públicas.
08:08E a gente consegue reunir isso e olhar para esse período
08:11de um jeito que a gente não via há muito tempo.
08:14E aí
08:19E aí
08:24E aí
08:30E aí
08:31E aí
08:33E aí
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