00:00Olha, vamos falar de arte. A pop arte brasileira dos anos 60 ganhou uma exposição inédita em São Paulo.
00:06São mais de 100 artistas, 200 obras que retratam momentos importantes da época,
00:12como a ascensão dos ícones da MPB e o início do regime militar.
00:18Década de 60, a cultura brasileira fervilhava.
00:22Enquanto os olhos do mundo estavam voltados para o homem na lua,
00:26os nossos pés estavam presos em uma realidade diferente.
00:30Tudo isso pode ser percebido por meio das obras expostas na mostra Pop Brasil, Vanguarda e Nova Figuração,
00:37que vai ser inaugurada amanhã na Pina Contemporânea, espaço da Pinacoteca de São Paulo.
00:43Quando a gente pensa em pop arte, a gente pensa em cultura estrangeira.
00:47Ela se firmou nos Estados Unidos com Andy Warhol e obras perfeitamente acabadas,
00:53muitas vezes sem uma crítica social forte.
00:56Mas aqui no Brasil, a pop arte é diferente.
01:00Mais profunda, fala de transformações sociais importantes.
01:05De um lado, uma ditadura civil-militar no Brasil.
01:08E do outro, um momento de quebra de paradigma, de comportamento, de revolução,
01:13de identidades, de movimento feminista.
01:16Os brasileiros da época estavam cansados de imposições.
01:19Tanto que até o significado de arte era questionado pelos próprios artistas.
01:26Essa obra que a gente está vendo aqui do Nelson Lerner, ela foi apresentada pela primeira vez no Salão de Brasília, em 68.
01:32Brasília recém-inaugurada e ocupada pelos militares.
01:35Ele apresenta um porco empalhado, junto com um presunto que desapareceu rapidamente.
01:41E quando o júri do Salão aceita a obra, ele questiona, ele vai aos jornais e questiona,
01:47Mas por que vocês aceitaram isso se não é arte?
01:50São mais de 250 obras de 100 artistas, como Hélio Oiticica, Antônio Dias, Wanda Pimentel e outros.
01:58A cultura de massa também tem espaço, retratando ícones como Chico Buarque, Sônia Braga, Chacrinha,
02:05com direito a um altar de devoção para o artista mais pop da época, o rei Roberto Carlos.
02:12E é claro que não podia faltar referência à paixão nacional, o futebol, e ao que há de mais brasileiro, o samba, na rua, como forma de ocupar espaços.
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