A Polícia Federal finalizou o inquérito sobre o uso ilegal da Abin durante o governo Bolsonaro e enviou o relatório ao STF. Segundo a PF, a chamada “Abin Paralela” foi criada por ordem de Jair Bolsonaro e comandada pelo deputado Alexandre Ramagem, com apoio de Carlos Bolsonaro. O esquema clandestino monitorava adversários políticos, jornalistas, servidores e até cidadãos comuns, utilizando uma ferramenta de geolocalização chamada “First Mile”. O documento agora está nas mãos do ministro Alexandre de Moraes e cabe à PGR decidir se apresentará denúncia. Apresentador: André Marinho Reportagem: Aline Becketty Comentarista: Jess Peixoto
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00:00Bom, a Polícia Federal indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro no caso da Abin Paralela.
00:05É pra Brasília que nós vamos, nesse momento, falar com a Aline Beckett, que traz todos os detalhes sobre esse novo desdobramento,
00:11mais um contorno aí do cerco jurídico em torno do ex-presidente. Não é isso, Aline? Bom dia.
00:18Isso, isso mesmo, André. Bom dia a você, bom dia a todos no estúdio e a todos que nos acompanham.
00:22A Polícia Federal deve ter incluído nesse indiciamento, nesse relatório final que foi, já encaminhado à Suprema Corte, ao Supremo Tribunal Federal, cerca de 30 pessoas.
00:34E aí, dentre elas, o ex-presidente da República, Jair Bolsonaro, também o seu filho, o ex-vereador Carlos Bolsonaro e também Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin.
00:44Também figuram aí, nesse indiciamento, delegados da Polícia Federal que teriam, de certa forma, participado de uma espionagem dentro da Abin Paralela,
00:54destacados aí por atuar nessa estrutura clandestina e suspeitos também de obstruir a investigação da própria Polícia Federal.
01:04Esse inquérito foi aberto em março de 2023 pela Polícia Federal após, ali, denúncias de irregularidades dentro da Abin, né?
01:14Houve a suspeita de que algum grupo estaria utilizando a ferramenta First Mile para poder fazer o monitoramento de jornalistas, de políticos e também de opositores ao ex-presidente Jair Bolsonaro
01:31durante o governo do presidente Jair Bolsonaro.
01:35Então, foi realizada duas grandes operações pela Polícia Federal, a Última Milha e também Vigilância Aproximada.
01:44Essa investigação durou mais de dois anos e agora foi concluído, então, portanto, esse relatório pela Polícia Federal.
01:50Esse relatório foi encaminhado à Suprema Corte, ao STF e agora cabe à Procuradoria-Geral da República se vai oferecer uma denúncia,
02:00uma denúncia formal contra os indiciados, conforme a gente também acompanhou no outro julgamento, no outro processo de inquérito
02:08que trata sobre a trama golpista, sobre a tentativa de golpe de Estado, vai acontecer esse mesmo plano agora, certo?
02:17Então, foi entregue esse relatório no STF, agora é esperada a PGR apresentar uma denúncia formal,
02:24lembrando que a PGR pode solicitar mais diligências sobre esse assunto, sobre esse inquérito e também pode optar também pelo eventual arquivamento.
02:35Mas tudo indica que a PGR vai oferecer a denúncia e depois o STF dá o andamento ao devido processo legal, processo penal no STF para o julgamento.
02:46Bom, esse esquema de monitoramento da Polícia Federal chegou em um número de 30 mil geolocalizações sem autorização judicial
02:55que esse grupo fazia através dessa ferramenta First Mile, inclusive contra os ministros do STF, jornalistas e políticos.
03:04Bom, o objetivo era monitorar e intimidar os adversários ali durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro
03:11e durante o governo Lula foi identificada, portanto, então, algumas irregularidades.
03:18A Polícia Federal, inclusive, teve uma dificuldade em conseguir apurações, em aprofundar ali nos equipamentos,
03:25computadores, celulares, de dentro da Agência Brasileira de Inteligência, até porque a atual gestão da BIM,
03:34depois de Alexandre Ramagem, davam a justificativa de que não daria para a Polícia Federal investigar ali os equipamentos,
03:43os computadores, porque eram questões confidenciais, de sigilo, informações de inteligência sigilosas.
03:52Mas depois que a Polícia Federal conseguiu ter acesso a esses equipamentos,
03:56a Polícia conseguiu, então, identificar esse grupo que agia paralelamente, utilizando essa ferramenta.
04:03Então, essa apuração revelou ramificações como plano golpistas, fake news, alimentadas por assessores da própria SECOM
04:11e também uma tentativa de interferência nos inquéritos da Polícia Federal que já estavam em andamento,
04:17como no caso de rachadinhas, por exemplo, de emendas parlamentares.
04:21Então, agora está no STF e a gente aguarda agora os próximos passos. Eu volto com você, André.
04:27Aline Beckett, diretamente da Capital Federal, diretamente de Brasília. Obrigado, bom trabalho por aí.
04:33Já acionando aqui, Jess Peixoto, até para explicar aqui da forma mais didática possível,
04:38enfim, qual fase processual representa esse indiciamento e também como que você acha que isso impacta
04:43nesse arranjo todo, no cerco jurídico mais amplo, porque realmente é mais uma frente aí confirmada
04:49de investigação em torno do ex-presidente.
04:51Perfeito, André. Esse indiciamento é o primeiro passo. Agora vai realmente variar a decisão ali
04:56da Procuradoria Geral da República, na figura do Procurador Guanê, para ver se vai ter realmente
05:01a denúncia em relação a esse caso, para que assim se siga.
05:05Podem virar reus.
05:06Podem virar reus, exato. Como nos casos anteriores. Então, esse caso se soma a mais um dos casos
05:11em que, possivelmente, Bolsonaro possa vir a ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal.
05:17E acrescenta-se aqui também a figura de seu filho, Carlos Bolsonaro, que também está entre os indiciados,
05:24neste caso, da BIM, paralela, conjuntamente com o deputado federal Ramagem, que chegou a ser diretor.
05:30Vale mencionar, André, um fato muito interessante da Polícia Federal nesse indiciamento,
05:34é que também foi indiciado o atual diretor da BIM, um policial federal, um delegado de carreira ali,
05:40da Polícia Federal, o Luiz Fernando Correia, que é indicado do presidente Lula.
05:46Porque nessa situação, o que está se investigando não é só o caso da BIM paralela do governo Bolsonaro,
05:53mas também está se investigando a lógica não só dos adversários da política,
05:57mas outras situações que envolveram o uso da espionagem. Ilegal.
06:01Então, até mesmo um caso que tenha se correlação com o país vizinho, que é o Paraguai,
06:05que teria sido o uso de um sistema de hacker para ter informações de autoridades paraguaias.
06:11Então, foram mais de 30 pessoas indiciadas, o caso é bem complexo,
06:14e não, ironicamente, também preocupa aliados do governo federal,
06:18tendo em vista que o atual diretor da BIM também está entre os indiciados.
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